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15.2.17

Um homem chamado Ove

Já aqui dissemos algures que, para nós, os Óscares enquanto referencial de qualidade cinematográfica acabaram em 1994 quando vimos o tolo do Forrest Gump levar a melhor sobre Pulp Fiction. Foi simplesmente demasiado para o que o nosso estômago sensível podia aguentar e desde então, salvo em raríssimas exceções, passamos a enquadrar a cerimónia da carpete vermelha na tabela dos eventos giros! 

Mas houve uma categoria de prémios que conservou intacto um módico de credibilidade que se mantém até hoje e que nos faz ficar atentos quando os nomeados são anunciados. Falamos do prémio para melhor filme estrangeiro, cujo palmarés tem sido normalmente garante de tão bom cinema como o é a seleção de Cannes, de Berlim ou de Veneza.

Este ano, dos filmes nomeados, já conseguimos ver três, todos europeus, e nenhum deles desiludiu.

12.2.17

O Artista pára para pensar...

Ao visitar o ateliê de qualquer artista, irá seguramente encontrar um objeto que lhe chama atenção. Pode estar no meio do espaço-ateliê, arrumado a um canto, junto à janela ou rodeado por frascos de aguarrás. Mas há um particularmente que destaco: a velha cadeira, quase sempre coçada e coberta por uma camada de pó. A cadeira do artista desempenha um papel importante no processo criativo. Quando se senta nela muda de personalidade. Deixa de ser criador e torna-se critico. O seu olhar (ultracritico) mergulha na obra à procura de erros técnicos, outros vocabulários e hipocrisia.


Por vezes, tendo identificado um problema, levanta-se repentinamente e faz uma pequena correcção. Aquele gesto com o pincel, espátula ou mão na superfície da tela faz toda a diferença.
Afinal, tem dias que passa mais tempo a pensar do que a produzir. Pára para pensar e pondera sobre a vida e a criatividade, o que pintar/criar amanhã. Exactamente o que vou fazer agora...

"Eu confesso", de Jaume Cabré: uma obra-prima. (primeira parte)

Ao ver o noticiário, há um leitmotiv que faz vender, que agarra a atenção de quem está sempre a ver e a ouvir tudo, é o leitmotiv da corrupção, do terrorismo, da subida do populismo, do sofrimento, ou seja, do Mal e..., sem forma de lhe escapar, do Amor (um piscar de olhos para o São Valentim que se aproxima...). O problema é que as várias facetas do Mal são apresentadas como se fossem uma crise; fala-se da crise dos refugiados, da crise do Médio Oriente, da crise do Brasil, da nossa crise económica (com todas as outras aí incluídas), da crise do amor. Ora a crise normalmente é conjuntura, momento passageiro; por isso é outra coisa. Transição também não é.

Para entender melhor, a literatura revela-se uma ajuda preciosa. A obra Eu confesso, de Jaume Cabré, procura explicar, através da ficção, a genealogia do Mal, nomeadamente a construção da identidade europeia, e mais particularmente a cultura judaico-cristã, recorrendo a figuras reais e acontecimentos históricos. Uma verdadeira obra-prima.

Vale uma aposta?...

A mui apregoada e suposta bondade dos portugueses acaba na fila para a compra da raspadinha.

5.2.17

Arquivo morto

      Assim mesmo, com grão. Quero-as assim, imperfeitas, tal como as vi na luz difusa. Estas imagens empoeiradas, a definição mesma de arquivo morto, apresentaram-se-me, epifania sintomática. 
      A somar a tudo o que nos sobra e de nós sobra, todos aqueles resumos redigidos a pulso por centenas de nós, toda a cinza do trabalho feito, a inexorabilidade do tempo, como serpente constrictora, me transportaram, teleportando-me. Exactamente como nos sonhos, acima do solo, em suspensão tal como, nesta música, esta figura é transportada. [Ao minuto e onze (1'11"), a parte deleitosa da música diz-me, irónica: "É a vida, é a vida... ".]

4.2.17

Três músicas e uma sugestão

Enquanto aguardamos pela luta entre ões de mais logo na toca dos animais mitológicos, valerá a pena não perder o arranque do torneio das seis nações, que conta daqui a pouco (às 16:50) com um sempre gratificante Inglaterra - França.

Por outro lado, para mantermos o sangue frio e não embandeirarmos em arco, é sempre bom ouvir música com o selo de garantia N€B. Neste caso concreto, ficam três sugestões tão diferentes no tom, mas tão iguais no amor pela arte de fazer as coisas bem feitas:




3.2.17

Ensinados a apreciar arte moderna?

A exposição José de Almada Negreiros: Uma maneira de ser moderno é hoje inaugurada na Gulbenkian até 5 de junho e podemos prever que será mais um caso de sucesso, à semelhança de outras exposições de arte moderna e contemporânea, que conseguiram arrastar “multidões” (estamos a falar de arte) até aos museus, como Joana de Vasconcelos, Paula Rego ou Amadeo de Souza-Cardoso, para falar apenas de artistas portugueses. Muitas exposições são prolongadas; é o caso da exposição do artista catalão Joan Miró: Materialidade e Metamorfose, atualmente no Museu de Arte Contemporânea de Serralves, que foi prolongada até junho (de crer que a fama do pintor não é o único argumento), o que confirma um público recetivo a uma arte que não é procurada por ser bonita ou por estar na moda.

É sinal que fomos ensinados a gostar de arte moderna e contemporânea ou que gostamos mesmo dessa arte ou de arte, simplesmente?

31.1.17

A Arte não pede autorização.

Não esperei por um convite, simplesmente aceitei.
Os artistas, normalmente, não pedem autorização para pintar, escrever, cantar ou actuar em palco; fazem-no e pronto! O que os distingue, não é a criatividade em si - todos a temos (acho!), mas uma área de interesse que estimula a imaginação e tudo ganha forma.
O meu objectivo aqui é, de algum modo, dar a conhecer um pouco o meu trabalho, e qual o lugar que ele terá na vossa wikipédia. Tenho como propósito fornecer um conteúdo livre e aberto, que todos possam observar e editar. É o que os artistas fazem. O que é bom!
Obrigado amigo David Ferreira. Temos de tomar um café.




Mais um reforço para a equipa N€B

E mesmo no último dia do mercado de transferências, eis que voltamos a reforçar a equipa do blogue com mais uma entrada de grande qualidade e que vem diversificar o nosso portefólio. 

A partir de agora, podem contar com as publicações do meu caro amigo Damião Porto, que, à semelhança da Cristina e da Virgínia, vem reforçar a Agenda Cultural desta casa.

O Damião, natural de Caminha, e licenciado em Artes Plásticas, vertente pintura, pela Faculdade de Belas Artes da Universidade do Porto, tem desde 1995 uma intensa atividade criadora, participando em inúmeras exposições, leilões, assim como concursos artísticos públicos.

Nesse período e sob a influência e gosto pela fotografia, frequenta o curso de fotografia no Instituto Português da Fotografia. Em 2001 e a par da pintura, desenvolve diversos projetos, tais como o ensino artístico, o que o leva também a iniciar a sua carreira como professor de artes visuais do ensino básico e secundário. Nesse ano, frequenta o curso de "Cinema de Animação", promovido pela Fundação Calouste Gulbenkian. Em 2011 conclui o Mestrado em Artes Visuais pela Faculdade de Psicologia e de Ciências da Educação e pela Faculdade de Belas Artes da Universidade do Porto.

A partir desta data, tem colaborado em inúmeros projetos e tem exposto o seu trabalho regularmente, tanto em exposições coletivas quanto individuais.

A sua obra está representada em diversos acervos e coleções públicas e privadas em Portugal e no estrangeiro.

Julgamos que com a entrada do Damião Porto ficam ainda mais reunidas as condições para que o Negociar em Bolsa seja uma real mais-valia na altura de negociar e investir.

30.1.17

O fim do homem soviético (segunda parte)

Mergulhar na alma soviética, ouvindo histórias da grande História, é suportável enquanto somos simples voyeurs desse passado. O problema é quando o passado parece confundir-se com o presente e anunciar um futuro sem retorno, não o do vizinho, mas o nosso futuro. Fica um arrepio, uma sensação de déjà-vu….




28.1.17

A tortura de Trump e o filme Silêncio

Na mesma semana em que experimentamos o que é viver com um Donald Trump na Casa Branca, estreou nos cinemas Silêncio, o novo filme de Martin Scorcese. Muitos devem estar já desiludidos com as teorias que profetizavam um amenizar das ideais de trampa quando o homem fosse confrontado com a realidade. E se é verdade que muita da encenação da semana, com assinaturas de decretos presidenciais do cumpridor de promessas em direto na TV, não passaram de puro espetáculo (felizmente a democracia americana tem um sem-número de mecanismos de defesa para evitar cair nas mãos de tresloucados), silêncio foi tudo o que não houve com a passagem à prática das ideias do empreiteiro de Queens.

27.1.17

O fim do homem soviético (primeira parte)

Ler O fim do homem soviético - Um tempo de desencanto, de Svetlana Aleksievitch, confirma a minha convicção de que a literatura supera os livros de História na compreensão de uma época, pois revela a alma de um povo.

Como explicar que a alma soviética resistiu durante tantas décadas às vicissitudes do Comunismo marcado por guerras, pela fome, pelo gulag, pelo absurdo e pela morte em nome de um ideal?

26.1.17

Reforço da equipa N€B

Esta arte de Negociar em Bolsa é, por excelência, uma atividade multidisciplinar. É evidente que não é possível ter sucesso consistente nos mercados se não estivermos atentos ao mundo e permanentemente informados, mas muitos ignoram ou parecem esquecer que essa informação não se adquire apenas em pesquisas informais e esporádicas tão na moda nos tempos que correm! 

Negociar em Bolsa, com a presença de espírito e a capacidade de avaliação requeridas, pressupõe uma aprendizagem acelerada que só é possível se absorvermos permanentemente o conhecimento que outros, em variadíssimas áreas da nossa vida, se dispõem a partilhar connosco através da literatura, das experiências de vida e vivências pessoais, de viagens, das diferentes artes, etc.

É por esse motivo que esta casa tem primado desde o início por oferecer àqueles que nos visitam uma experiência plural, em que se fala muito de bolsa e de negócios, mas não esquecemos o mundo que nos rodeia, e sobre o qual estamos sempre pontos a refletir. Numa época em que, mais do que nunca, o que hoje é verdade amanhã deixa de ser, e o que agora é certo rapidamente se torna duvidoso, este esforço por irmos sempre mais além acaba por se tornar quase uma questão de sobrevivência.

Ora, para tornarmos a nosso contributo para esta causa cada vez mais relevante, e para que possam ter ainda mais motivos para nos darem o gosto da vossa visita, iremos reforçar a nossa equipa com a participação regular de duas amigas, a Cristina Gomes e a Virgínia Aleixo, professoras de Português que, para além de escreverem otimamente, estão mais do que habilitadas para darem um contributo muito significativo ao tal crescimento diário na nossa forma de estar nos mercados e na vida.

24.1.17

Músicas do dia... e compras do dia

Depois das emoções fortes com os direitos do BCP e enquanto se aguarda pela tomada de decisão dos grandalhões (e, porque não, desse Warren Buffett luso que dá pelo nome de Joe Berardo), fomos às compras e damo-vos conta do que metemos ao saco. Pouca coisa. 

15.1.17

9300 milhões

Exemplo - A, B e C são proprietários de terrenos vizinhos. 

A decide lotear. 

Z é um investidor imobiliário, recorre à banca, obtém um empréstimo e arremata o loteamento de A quando ainda só existe no papel. Consta-se nas redondezas que os lotes de A foram todos vendidos ainda em projeto e que ali vai nascer uma excelente urbanização, num local idílico a dois passos de tudo. Z loteia e inicia a construção em alguns dos lotes, recorrendo a financiamento bancário. O banco junta as hipotecas ao ativo e aumenta os rácios, os gestores ganham bónus e os acionistas recebem dividendos. 

Os terrenos de B e de C valorizam, impulsionados pela dinâmica do loteamento A. 

3 canções que vale a pena ouvir hoje



14.1.17

3 filmes que valem a pena

Eu, Daniel Blake foi vencedor da Palma de Ouro em Cannes, facto que costuma garantir que não daremos por mal empregue o dinheiro investido no bilhete nem o tempo que gastamos a ver o filme. 

No prémio de 2016 não temos exceção à regra com esta obra de Ken Loach que nos dá conta do caso de Daniel Blake, um carpinteiro de Newcastle que, devido a um grave ataque cardíaco, se vê numa situação em que não pode trabalhar por estar em convalescência, mas também não consegue assegurar o subsídio de invalidez, a que teria direito, devido à burocracia da máquina gestora do sistema.

8.1.17

Mário Soares

Já praticamente tudo terá sido dito sobre Mário Soares, e é de tradição que as palavras sejam benévolas agora que ele nos deixou para sempre. Mas em relação a Mário Soares há mais do que elogios ou balanços de vida que devem ser feitos nesta altura. Creio não andar muito longe da verdade se disser que, mais do que um somatório das vezes em que estivemos de acordo ou desacordo com ele, o que mais pesa nestes dias é um certo sentimento de orfandade que nos magoa e nos deixa tristes.

2.1.17

Ponto de partida

Terminada a trégua natalícia é tempo de voltar ao campo de batalha, e só os deuses do olimpo vos poderão dizer quanto nos custou estar fora da arena estes dias todos! A verdade é que estamos na gozação e a pausa foi mais do que bem-vinda para higienizar a carola e agora enfrentar o monstro com aquela pontinha de loucura contumaz que só está ao alcance dos sãos de espírito! Adiante! 


Quem adquiriu o saudável hábito de frequentar esta casa, já sabe, por certo, que há três características que cremos deverem estar reunidas na alma de cada um para que nos possamos abalançar a brincar nos mercados financeiros, a saber: