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12.4.18
25.3.18
O viajante (parte final)
Foi por essa altura, numa spring break, que fez o tal cruzeiro
relaxante nas Caraíbas e visitou Havana e todas as capitais caribenhas. Fez a
continência a Castro e lembrou-se emocionado de que, em certo sentido, também
ele foi como o Che, que correu o continente de lés-a-lés, antes de enveredar
pela carreira de revolucionário. Estava finalmente fechado o ciclo americano e
foi com orgulho que anunciou que se sentia apto a dar todos os conselhos e
emitir as opiniões mais definitivas no que diz respeito à maior parte do globo
terrestre. Mais do que reposição de prateleiras ou segurança noturna, eram as viagens
a sua verdadeira arte, e embora o planeta fosse vasto, tornara-se, num curto
intervalo de tempo, demasiado pequeno para tão grande vontade de se fazer notar
como o maior laracheiro turístico da História, uns furos acima até (quem
diria?) de um Fernão Mendes Pinto!
24.3.18
O viajante (parte 6)
No ano seguinte lambeu África!
Bem, a verdade é que precisou de dois anos, porque no segundo foi para o lado
do corno, trepou ao Quilimanjaro e depois veio por aí abaixo e só parou na
capital da Austrália. Agora tinha um telemóvel mesmo bom, tirava imensas
fotografias e postava tudo em tempo real. Tudo não! Só as que se aproveitavam e
não estavam desfocadas pelo movimento perpétuo, mas jamais se esquecia de ser o
primeiro a dar “gosto”. No Facebook era um campeão, no Instagram não tinha
ninguém à altura e o blogue tinha-se transformado num local de peregrinação
virtual.
23.3.18
O viajante (parte 5)
Quando chegou cá era um homem
feliz: Ulisses o conquistador da América! Fizera o roteiro das capitais em quinze
dias de jornada, mas tinha visto tudo e sobre tudo tinha mais do que
legitimidade para opinar. O Canadá é um assombro, uma terra de cultura e
delícias, as Honduras de cortar à faca e têm sorte se não vos fizerem às postas,
se gostam de praia, não é bom pensarem em ir à Bolívia, e de Buenos Aires a
Montevideu a melhor forma de passar é a nado, através do Río de la Plata, pois
evitam engarrafamentos bastante enfadonhos!
22.3.18
O viajante (parte 4)
Sempre sem parar passou por todas
as capitais da América central, entortou para Caracas e foi direto a
Paramaribo. Em todas elas tirou fotografias (mais tarde arrependeu-se de não
ter parado, porque a maioria ficou desfocada) e mesmo nos mercados e nas
roulotes de enchiladas havia alguma coisa dentro dele que o impedia de parar e
ficar quieto. Numa fila na Venezuela acabou mesmo por levar um par de estalos
por ter passado à frente das donas de casa, mas no geral, a passo de corrida, a
viagem fazia-se de uma forma que evitava vários inconvenientes que o afligiam
nas alternativas mais convencionais: não estava sujeito a horários, não gastava
dinheiro em bilhetes nem em combustíveis, não vivia sobressaltado com a
incompetência de um qualquer condutor adepto da pinga, etc.
21.3.18
O viajante (parte 3)
Como não se podia dar ao luxo de
ter grandes despesas, apesar de ser um fulano bem parecido todas as moças com
que ia namoriscando acabavam por lhe dar com os pés, porque não havia ninguém
mais forreta do que ele! Todas se encantavam com as aventuras que ele contava e
os lugares onde tinha estado, mas ao fim de algum tempo a pagarem as saídas não
admirava que voassem para longe!
Um dia acordou e deu-se conta de
que, mais coisa menos coisa, a Europa estava vista e era necessário alongar o
passo e conhecer capitais de outros continentes. Os problemas que se colocavam
eram dois: a planificação da empreitada e o dinheiro para financiar a coisa.
20.3.18
O viajante (parte 2)
No fim do curso, uma porcaria de
curso que não servia para nada, era lógico reconhecer que o que acabara por se
tornar relevante era a coleção de capitais por onde passara e o homem viajado
em que se havia tornado. Quando um conhecido se punha a falar em ir a algum
lado não perdia tempo e dizia logo “já lá estive” ou “conheço muito bem” e dava
sempre conselhos do género “em Amesterdão tens que ter cuidado com os
carteiristas, porque os holandeses andam sempre charrados e são uns larápios
dos diabos”, ou “não te aconselho a andar na London Eye porque sai-se de lá com
vontade de vomitar”, ou ainda “definitivamente Praga vale muito mais a pena do
que Budapeste, mas o que te aconselho a fazer é ires à Croácia porque é um país
muito mais autêntico”!
19.3.18
O viajante (parte 1)
Na primária organizaram uma
visita de estudo e Ulisses foi a Lisboa. Do passeio pouco sobrou na memória, a
não ser os pesadelos noturnos por causa da Branca
de neve e os sete anões que foram ver ao cinema e a algazarra enorme que
todos fizeram no autocarro quando iam para baixo. Da cidade grande, nada! Mas
aquela viagem a Lisboa foi deveras importante, pois marcou o início da odisseia
de Ulisses pelas capitais.
3.3.18
O apagão (parte final)
Mas isto que vos contei até aqui
não é nada de especial quando nos apercebemos da incomunicabilidade. Foi aí que
verdadeiramente panicamos todos ao ponto de termos ficado gagos de tanto
matutar sobre o assunto. Como devem imaginar, é duro agora ficarmos mergulhados
nas trevas negras ou deixarmos de poder saborear uma data de guloseimas
absolutamente irrepreensíveis, ou sei lá, passarmos a ter os hospitais num caco,
as escolas todas espatifadas ou termos de andar permanentemente a pé com solas
gastas porque não há gasolina para pôr nos carros, etc., mas ninguém está
preparado para que nos venham dizer que não podes usar o telemóvel, nem o
computador, ou ir à net, ao face, tipo,
postar, e tirar umas selfies todas
maradas e LOL da cara de porquinha da fulana de tal, e assim. A verdade é que
foi das coisas mais maradas que eu alguma vez ouvi na vida quando me disseram
que se não tens luz elétrica os pcs
não funcionam e é só uma questão de tempo até as baterias dos telemóveis escafederem
geral. Garanto-vos que, ao princípio, nem queria acreditar, quer dizer, é tudo
tão surreal que achas que estão mesmo a gozar com a tua cara a ver se cais na
asneira de tirares uma selfie com
aquele ar todo apalermado, ou coisa do género, mas depois dás-te conta de que é
mesmo verdade e o teu telemóvel vai deixar de funcionar para sempre e acabas
por te transformar na pessoas mais infeliz do mundo, sei lá, tens vontade de
embocar uma garrafa de whisky de uma só vez (como se ainda houvesse whisky à
venda, e não fosse necessário luz elétrica para o fazer), ou de fazer de conta
que és uma banana, etc.
E, então, falhou tudo e nós
ficamos incomunicáveis e foi como se nos tivéssemos teletransportado para uma
outra galáxia ou, sei lá, uma coisa assim estranha lá longe num país habitado
por vegetais que caminhavam aleatoriamente, tristes como a noite e sem poderem
estabelecer uma comunicação por mais rapeta que fosse, pois eram vegetais e não
tinham boca nem olhos, quer dizer, nós tínhamos boca e olhos, a luz falhou mas
não nos levaram partes do corpo, era o que mais faltava, mas a verdade é que
melhor seria se nos tivessem levado a boca (os olhos não que faziam falta para ver
as teclas) e deixado cá os telemóveis com baterias infinitas (por que diabo não
inventaram baterias infinitas enquanto havia livros é algo que não consigo
conceber!) para a gente continuar a enviar sms
uns aos outros. Pela parte que me toca, bem que gostava de fazer alguma coisa
para poder inverter a situação e pus-me a magicar, magicar e acabei por me
lembrar de que podia restabelecer a comunicabilidade se fizesse sinais de fumo
como faziam os índios há muito tempo atrás num filme que vi na televisão, mas
só depois me dei conta de que para fazer fumo é preciso ter fogo, coisa que
infelizmente se nos foi desde que falhou a luz e já não veio.
E foi então, já em desespero de
causa, que me lembrei de que podia pegar num lápis (que, felizmente, não é
elétrico) e escrever. E escrevi este texto.
To be finished...
2.3.18
O apagão (parte 4)
É evidente que sem lume tivemos
todos que nos habituar a comer sushi e bodegas assim, quem diria que a
especialidade japona ia atingir tal preponderância na cozinha mundial, mas
também surgiram novas iguarias de carne mesmo muito mal passada ou salgada e insetos
e mais coisas que, à primeira vista, nos causavam uma gosma bestial, mas visto
a larica apertar, passaram a marchar como se fossem petiscos de chef premiado e excessivamente caro. E
para aqueles que pensam que se podiam continuar a fazer ótimos assados em
fornos elétricos, que não requerem lume, tenho uma informação em primeira mão:
eles não funcionam se não tiverem luz elétrica! É uma lei da física, ou assim,
e é por isso que são elétricos. Daaaahhh!
E já que estamos na cozinha, também
não sei se conseguem imaginar o que é viver sem frigorífico. Bem, tenho a
certeza de que não conseguem, porque a verdade é que o frigorífico é uma
daquelas coisas que está lá desde sempre a fazer fresquinho, mas digo-vos que
se ele calha de vos falhar, podem ter a certeza de que a vossa vida leva uma
reviravolta das grandes. Sem frigorífico garanto-vos que a vitela se estraga
num abrir e fechar de olhos e o leite, e os iogurtes, e assim. Claro que estou
para aqui com esta lamechice toda, mas a verdade é que para nós isso agora já
não interessa absolutamente nada, porque desde que se foi a luz e já não veio,
nunca mais tivemos iogurtes, nem coisas do género, tipo coca-cola, bollycaos ou batatas fritas de pacote
porque, não sei se sabiam, mas as máquinas que faziam coisas assim tão boas
eram elétricas, as filhas da mãe, e agora já não funcionam e estão todas a
enferrujar e nós daqui a pouco nem vacas temos, quanto mais leite de vaca ou
iogurtes. De modo que, calculais bem, o frigorífico pode perfeitamente ser
lançado janela fora ou desmontado para fazer brinquedos porque a verdade é que
já nem temos o que pôr lá dentro.
To be continued...
1.3.18
O apagão (parte 3)
Agora, ainda que fosse possível,
nós já não temos forma de descobrir como se faz lume, porque, antes de termos enviado
para outro mundo a última fagulha de rodízio, deu-nos na cabeça para reduzir a
cinzas uma data de bugigangas que não tinham qualquer tipo de utilidade prática
e foi assim que acabamos por liquidar todos os livros do mundo. E foi um
regabofe estupendo, um pagode sem fim, garanto-vos que até valeu a pena, mas
acabamos por pecar por só depois nos termos lembrado de que agora, que a luz
elétrica se foi e já não veio, não podemos ir à net, nem aos ficheiros
informáticos ou aos ebooks e a todas
essas coisas que tanto estimávamos e dávamos por adquirido e, bem, digo-vos em
abono da verdade que já não atinamos fazer coisas que acho que os cabeludos das
cavernas eram capazes de fazer enquanto o diabo esfregava um olho.
Agora andam para aí uns artolas a
darem-se ares de gente muito inteligente e culta, com uns paus e umas pedras a
ver se inventam lume, mas eu não vejo jeito nenhum, porque eram daqueles que
nem facebook tinham, nem tiravam selfies, nem coisas assim, quanto mais
agora porem-se com invenções.
to be continued...
28.2.18
O apagão (parte 2)
Mas um dia acabaram as velas, bem,
a verdade é que não acabaram apenas as nossas velas, mas todas as velas do mundo,
e como já não se fabricavam velas porque a máquina que as fabricava não tinha
luz para funcionar, acabamos por ter de amolar com a escuridão. Para ser
franco, a história das velas até nem teve grande importância porque mesmo que o
estoque não se tivesse esgotado, a verdade é que não nos iam servir para nada,
a não ser talvez para atirarmos uns aos outros como se fossem petardos ou
coisas assim, porque se nos acabaram os fósforos.
Aliás, não foram só os fósforos
que acabaram e não se puderam fazer mais porque não veio a luz, mas onde nós
verdadeiramente nos tramamos a sério foi quando demos cabo da última chispa de lume,
o que, vejam bem, é uma infelicidade bastante grande porque, em primeiro lugar,
ninguém no seu perfeito juízo imagina que a humanidade inteira possa ser tão
passada dos carretos que se chegue ao ponto de deixar esgotar o lume, e, em segundo
lugar, parece que para fazer lume não é preciso ter luz, pelo menos é o que dizem
os entendidos, embora eu não acredite mesmo nada, mas a verdade é que uma coisa
veio a dar na outra e, desde aí, entramos num buraco que parece não ter fundo e
tem um aspeto tão negro que só nos apetece fugir. Mas para onde?
to be continued...
27.2.18
O apagão (parte 1)
Um dia falhou a luz e nunca mais
veio.
Claro que continuamos a ter o Sol
para nos iluminar e aquecer, (também era excessivo que agora o Sol se nos
finasse!), mas a verdade é que ninguém está preparado para viver como faziam
dantes os cabeludos das cavernas, pasmados com o brilho do Sol. Em certo
sentido, foi quase como se nós fôssemos prisioneiros de catacumbas que
voltassem de repente cá para fora. Lógico que íamos achar o fornecimento de luz
pelo Sol bestial e bastante aceitável, e tenho a certeza absoluta de que o
justo seria que não tivéssemos nada a reclamar, muito pelo contrário, tínhamos
tudo a agradecer por aquele brilho todo, mas nós não éramos abestuntas nem
bandidos, de maneira de que quando a luz, a elétrica, bem entendido, se foi e
já não veio, era natural que nos sentíssemos deslavados e traídos. E é aí que
tu te dás conta da falta que o Sol faz de noite, quando ele vai sabe-se lá para
onde, e nós ficamos para cá numa escuridão que nem vos passa pela cabeça.
Claro que ao princípio até nem
nos arranjamos mal porque havia por aí umas velas que davam uma luzinha muito
decente e, embora ficássemos um bocadinho ridículos à luz da velinha a
tremeluzir, ninguém se queixava, a não ser quando nos pelávamos todos ou alguém
deitava fogo a uma casa e tínhamos de ir a correr, a acarretar baldes de água
ou pás de areia, e aquilo tinha dias em que chegava a ser uma galhofa pegada e
quase nem sentíamos a falta dos nossos computadores e das redes sociais.
to be continued...
23.2.18
O quadrado
O artista que passou da representação do real para a necessidade de interpelar é o alvo principal de "O quadrado", talvez o melhor filme que vi da colheita do ano passado.
14.2.18
12.2.18
Apresentação
Olá amigos! Daqui a Alex! Para falar de bolsa não vai ser possível contar comigo, mas o meu contrato milionário só me obriga a escrever umas historietas para encher o blogue, pôr umas músicas animadas e falar de cinema e coisas assim.
¡Vale!
Fica só uma amostra do meu nível (que é muito alto):
3.12.17
Bitcoins
Anda toda a gente varada com a cena do bitcoin e (como agora se costuma dizer) não se fala em outra coisa. A verdade é que o caso não é para menos, não estivéssemos todos a presenciar ao vivo e a cores o desenrolar daquele que está a ser, muito provavelmente, o mais rentável negócio de toda a história da Humanidade. Eu diria, sem medo que errar, que nenhuma das 80 mil milhões de almas como a nossa que já passaram por este planeta alguma vez teve oportunidade de lucrar da maneira que nós tivemos! Só de pensar no caso é de um tipo dar em doido e quem ficou de fora e se puser a matutar no assunto como deve ser, com todos os matadores, como faziam, por exemplo, os filósofos gregos, só pode concluir que, depois disto nada mais vale a pena.
3.9.17
Back in business
Um mês inteiro de dolce fare niente e folia é tempo mais do que suficiente para ficarmos tem-te não caias a pontos de abandonarmos o barco, mandar tudo às urtigas e fechar a loja. É que, bem vêem, a boa vida tem o efeito secundário de nos fazer autoquestionar acerca dos motivos pelos quais passamos tempo a dar cabo do canastro e da mioleira desnecessariamente, quando podemos perfeitamente go down to the river, and into the river we'd dive...
30.7.17
NOS, os CTT, a quebra no BCP e uma sugestão para o PdC
Eu não sei o que vai acontecer amanhã mas se foram sensatos à disciplina então deixaram para outros, na última sessão, as ações que detinham do BCP com a ideia, evidente, de poder comprar mais barato! Essa oportunidade, fazendo fé no que dissemos aqui, pode estar pelos 23 cêntimos! Que dizeis? 23.7.17
Ponto da situação (com PSI20, BCP e SONI)
A paciência é uma virtude das grandes em tudo na vida e nesta arte de manobrar nos mercados chega ao ponto de ser uma exigência. Passou quase um mês desde que falamos do PSI20 e, mais coisa menos coisa, permanece tudo na mesma e nós mantemo-nos convictos de que é necessário que se quebre em fecho e com volume a zona entre os 5300 e os 5350 para justificar uma entrada. Até que isso aconteça toda a ida a jogo revela falta de paciência e só se justifica numa lógica de toca e foge que terá sempre um rácio ganho/risco diminuto. Isto sem prejuízo de terem existido de há um mês a esta parte boas oportunidades, mas eu diria que a quebra da resistência de que falamos tem potencial para tornar ridícula a canseira que se tem a apanhar essas tais oportunidades.
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