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18.12.16

Manobras da semana de Natal

A semana que passou foi de feição e a avaliar pelo andamento da jogatana estamos em crer que o Pai natal vem de saco cheio e o menino Jesus nascerá sem espiga (salvo seja)! 

O PSI20 tentou novamente dar uma de esgazeado ali no meio da semana, mas apareceu gente suficiente para o salvar o que reforça os bons augúrios que têm vindo a ser anunciados! 


Quando dei conta de que havia uma participação qualificada curta na JMT despachei-a imediatamente porque jamais me passaria pela cabeça estar investido numa cotada com que os short sellers seniores tivessem começado a brincar! É terreno demasiado agreste e garanto-vos que com essa tropa não brinco. Digo-vos, e tomem isto por conselho de amigo: com short sellers seniores nem de bem, nem de mal, ou seja, nem curto (porque cantal pintam os tradicionais inimigos short squezzers), nem longo porque nunca se sabe do que esta gente é capaz! De modo que mandei a JMT pó caralho e, como sabem, comprei CTT! Estou satisfeito com a troca!


Para esta semana, e como não gosto de short sellers seniores, e jamais me passaria pela cabeça andar metido com eles, vou estar de olho no BCP! É isso amigos: BCP! Amanhã temos AG (se não for adiada pela 3ª vez) e os cenários que se colocam, a nosso ver, são os seguintes: 1 - aprovação do aumento dos direitos de voto para 30% para todos, 2 -  aprovação do aumento dos direitos de voto para 30% para todos e anúncio de AC para que a Fosun e a Sonangol reforcem, 3 - chumbo da proposta.

Nos cenários 1 e 2 temos subida, ainda que em caso de cenário 2 haja antes da subida umas horas de queda furiosa. O cenário 3 não vai acontecer, mas se houver golpe de teatro, entorna o caldo. Como estamos em crer que se houvesse já anúncio de AC teríamos tido notícias durante o fim de semana, damos como válida a hipótese de que o mercado se vai entreter a manobrar com a cena do reforço de posições. Nesse caso, obviamente estaremos interessados, porque após sobreviver a um ataque à linha vermelha, pode estar em jogo voltar a visitar a linha verde! E a quadra autoriza que acreditemos no pai natal!


Na semana em que entramos, que música ouvir se não temas de pendor natalício? Esta é uma homenagem ao meu amigo Fernando Pereira que ouvi a cantar isto tão bem que desde sexta feira não tenho mais nada na cabeça noite e dia. O que me havia de acontecer!

4.12.16

Situações com mau aspeto

JMT:
- quebra da SMA200;
- linha amarela na iminência de ser testada!


NOS:
- escafedeu a linha amarela? Ou ainda se salva? 
- quem está dentro ou quem acha que pode suportar deve olhar para isto!
- vai testar a linha vermelha?
- a NOS não nos apanham!


Mota:
- a quebra daquela Ltd não foi nada bom sinal!
- linha amarela em perigo de quebra com linha vermelha já logo ali!
- subida do petróleo podia ser argumento para suportar o embate, mas a situação terrível da Sonangol não deixa antever nada de bom no principal mercado africano.
- sucessão de dos Santos também deve ter semeado a intranquilidade: que fará o novo monarca com os pagamentos em atraso?


BCP:
- o prorealtime está com um bug qualquer e não temos gráfico, mas só quem anda desatento pode ter ilusões: estamos a vê-lo em mínimos nos próximos tempos;
- esta notícia é capaz de causar mossa, pois vai levar muitos a pensar que teremos prejuízos históricos no final do ano para limpar de vez o balanço;
- da última vez que falamos dele deixamos uma perspetiva cor-de-rosa que virou negra umas horas mais tarde;
- a segunda hipótese ganhou por k.o. técnico!

Corticeira Amorim
- ainda mantém um aspeto comestível, mas começa a ficar um bocado tocada;
- se for à linha vermelha mas acabar por fechar acima da SMA200 (linha roxa) evita para já males maiores, mas que azedou um bom bocado, disso não haja dúvidas.


PSI20:
- falhou um salvamento da linha vermelha e pôs-se a jeito para ir a mínimos (aliás, se não fosse o rebote da Galp na última semana era provável que já lá estivesse);
- resultados do referendo italiano poderão ser a dica para estrebuchar de uma assentada (4175 por conta do brexit)! Ou não! 


A música de hoje é boa, mas só se recomenda a quarentões! Ah, esses loucos anos 80!

22.11.16

Pensa rápido - BCP 2

Ontem o BCP fez o serviço do costume: abriu todo lampeiro, com o mercado provavelmente a apostar numa tese parecida com a nossa, mas, depois, na hora final da negociata apareceram uns malvados e estragaram a festa toda: filhosdeumagrandessíssima...

Eu, como não vou em novelas, olhei para aquele fecho e olhei outra vez, matutei e matutei e verifiquei que é possível que tenha estado a ver mal o filme e que haja um outro final bem mais sinistro. Ontem faltou-me tempo para o vir aqui partilhar convosco, mas hoje, como já soaram as matinas,...


venho cá dar uma perninha, porque não vale de nada, nestas coisas, um tipo ficar varado a ver a casa descoser-se e depois dizer que os artistas graúdos é que são maus!

A minha teoria sinistra torna os chineses ainda mais maquiavélicos e asseguro-vos de que só ides gostar da ideia se estiverdes curto, coisa que começaram a fazer (ou reforçar) os fulanos que ontem deram ordens de venda depois das 3 da tarde!

Os da Fosun já disseram que querem gastar no máximo 500 milhões de euros no negócio e adquirir até 30% do banco. Eu li isto como ponto de partida, mas agora acho que é mesmo para valer, uma vez que, como eles assinalaram ontem à tarde, todos os atuais acionistas são bem vindos à luta!

Por outro lado, foi noticiado que o BCP vai pagar 750 milhões dos cocos ao estado em fevereiro, o que significa que, evidentemente, vai fazer um AC a partir do final de dezembro!

A minha aposta de domingo era que os chineses e os angolanos estavam cá para hostilizar, mas, de facto, como bem disseram alguns colegas, eles não precisam de nada disso: basta-lhes o tal AC com que os principais acionistas já disseram concordar e ficam donos, conjuntamente com os da Sonangol, de 60% do capital!

Ora, eu fui fazer umas contas de merceeiro, juntando as duas variáveis (30% do capital, gastando no máximo 500 M€) numa mesma equação para me dar o valor da cotação, X, para um AC de 750 milhões de euros. Ora vejam:

(750/X + 944,6)*0,3 = 325/X

944,6 milhões de ações é o número total atual de papeis do BCP e 325 corresponde a 500 menos os 175 M€ já gastos! Feitas as contas:

X = 0,35 €

Teríamos, portanto, uma emissão de 2142,9 milhões de novas ações a este preço!

Assustador, não é? 

Nem vale a pena fazer contas a qual seria a cotação do banco para que valesse o mesmo que vale agora no pós AC (cenário meramente hipotético)! Muito baixinho: 44 cêntimos!

WTF!

Terá sido por causa disto que exigiram o reagrupamento de ações?!

Nesse caso, os restantes acionistas do banco só teriam que dispor de 425 M€,  sendo que a Sonangol, se quiser subir a sua posição para 30% entraria com 276 milhões! Ficam a sobrar 149 milhões que alguém que queira ficar num banco dominado a 60% por chineses e angolanos não terá dificuldade em arranjar!

Se for isto, até a coisa estar feita, o cenário não se afigura famoso!

Mas também pode ser que não seja nada disto! Enfim, especulações! Os grandalhões malvados é que sabem e nós, tudo o que podemos fazer é... estar atentos! 

20.11.16

BCP

Falar do BCP é sempre uma alegria, porque o tráfego do blogue bate várias vezes no teto e a moral do oráculo sobe em flecha. Hoje até nem temos que inventar argumento para falar no dito, porque as notícias do dia impõem a agenda, de maneira que lá vimos nós mandar mais umas postas de pescada a ver se o mercado nos dá razão. 

Já sabem que o nosso forte não é a adivinhação e também temos pouco jeito para as artes mágicas, mas como nos falta a vergonha, vamos já dizer-vos o que nos parece que vai acontecer nos próximos dias.

Há gente preocupada com o valor pago pelos da Fosun, que foi, de facto, uma ninharia, se compararmos com a cotação histórica do BCP e com os valores de que se fala para o NB. Todavia, digo-vos já que isso agora não interessa para nada, e ainda que possa haver gente impressionável a vender por causa de os chinos entrarem na casa dos 1,10 €, ninguém com tino se vai sentir melindrado por causa disso! 

O adiamento da AG pode também causar urticária a alguns mãos leves e levar a umas vendas de gente que queria decisões para amanhã, mas também é assunto mais do que cagativo: é ponto assente a subida dos direitos para os 30% e para os de Angola também! Há quem diga que estes últimos só estão a fazer bluff com o pedido para aumentar a posição, mas eu acho que é para valer: a dos Santos vai vender no BPI e não quererá perder o pé no BCP o que lhe garante uma posição na banca europeia! Acima de tudo, era fora de órbita desistir agora que o BCP tem capital chinês

Agora o que eu acho que vai realmente mexer com as cotações! 

Neste momento, é claro que há interesse em entrar no capital do banco. Apesar de todas as dificuldades, provisões, prejuízos e imparidades, a verdade é que a brutal desvalorização em bolsa colocou a cotação num patamar em que há interessados no negócio. A entrada dos chineses ao preço a que foi ainda torna a coisa mais inebriante porque muitos vão achar que, para um banco com negócios na Polónia, em Portugal, Angola e Moçambique é capaz de ter sido pechinchona. Notem que, muitas vezes, os negócios só parecem pechincha depois de terem sido consumados por outros. Foi o caso, por exemplo, da compra do Banif pelo Santander: ninguém o queria por preço nenhum, mas depois de se saber da venda até o BCP veio dizer que foi pena não se ter feito ao piso...

Neste momento, Fosun e Sonangol têm todo o interesse em se entenderem porque, se ficarem com 30% do capital, cada uma, podem controlar o banco e, no futuro, aumentarem o capital para valores que diluirão completamente a posição dos restantes acionistas. É por isso que eu continuo a achar que, a partir do momento em que for desbloqueada a situação dos limites de voto, vamos assistir a uma luta pelo poder, com compras em bolsa, como os chineses já assumiram que poderiam fazer (vejam aqui as nossas contas, que ainda se mantêm atuais - multipliquem as cotações por 75 e dividam pelo mesmo valor o número de ações)! Só depois teremos aumentos de capital, para solucionar a escassez de capital do banco e pagar os Cocos!

Mas as compras podem começar já...

Até hoje ainda havia gente com receio de que os chineses desistissem e que o BCP ficasse numa posição absolutamente terrível (até porque o pedido da Sonangol para aumentar a posição podia afastar os da Fosun, porque há o risco de o BCE não autorizar, impedimento que será válido para todos - julgo que autorizará porque os angolanos continuarão longe de controlar a maioria do capital), mas agora somos em crer que estarão reunidas as condições para que a luta se inicie. A ser otimistas, coisa que somos mais facilmente do que pessimistas, não vemos motivos que possam impedir os angolanos (e até os chineses) de tentarem comprar já até aos 20%, porque achamos que se esperarem são capazes de comprar mais caro depois de a especulação estar toda montada!

Se bater certo, evidentemente, vai subir!

18.10.16

BCP (outra vez)

Os acontecimentos impõem-se e faz-se mister que voltemos ao BCP!

Do ponto de vista fundamental, mantém-se o que dissemos aqui com a nuance de, aparentemente, ter ficado afastada a hipótese de um AC massivo, pelo menos, por enquanto! Boa notícia no curto prazo e merece uma boa subida! 

A entrada da Fosun também parece assegurada e se se confirmar o AC para atribuir 16,7% aos chineses, então, a preços correntes teremos uma injeção de pouco mais de 182 milhões de euros no capital do banco. Muito curto, portanto.

Acontece que a empresa chinesa já disse que está disponível para gastar até 500 milhões no BCP. Como o limite de votos vai corresponder à posição efetiva até 30% do capital (não nos parece plausível que a proposta seja chumbada a 9 de novembro), não é difícil especular que a Fosun vai comprar ações (no mercado?, posições de acionistas de referência?) até atingir esse limite ou até esgotar o plafond de que dispõe.

Vamos fazer umas contas de cabeça com o lápis na orelha.

Se a 500 subtrairmos 200 (vamos arredondar o custo do AC para incorporar as despesas) ficam 300 milhões de euros que dão para comprar mais 24% do BCP pós-AC a custos atuais. 

Agora ao contrário: para ficar com 30% do BCP, gastando 500 M€, a Fosun vai ter que comprar 9.426.398.674 ações pós-AC e pode pagar por cada uma 0,0318€ (300M€/9426398674)! Se isto não for especulação suficiente para puxar pelas ações para cima, então é porque o caso está mesmo perdido!

Entretanto, tecnicamente a situação desanuviou um bom bocado, mas as cotações vieram logo esbarrar naquela que nos parece ser a primeira resistência. Daqui para cima, talvez a zona dos 180-190 dê alguma luta, mas o valor verdadeiramente importante está nos 0,022€. 


Não convém esquecer que na próxima segunda-feira vão acordar com 1/75 das ações em carteira com o valor ampliado 75 vezes por causa do reverse stock split. Tanto quanto me lembro de situações do género, o efeito não costuma ser muito positivo para as cotações no imediato, pelo que é provável que haja algum medo mais lá para o fim da semana.

25.9.16

BCP

Não se pode dizer que tenhamos falhado tudo no nosso exercício de futurologia, mas também é verdade que algumas saíram uma nesga ao lado: não nos passou pela cabeça, por exemplo, que os americanos se mandassem a tentar romper máximos, com o Trump igualado nas sondagens! Mas depois descobrimos que o mercado anda virado para achar que uma vitória republicana, com  a desregulação e a baixa de impostos já anunciadas, é uma coisa boa. Eu, no tempo que levo disto, ainda não vi o mercado a subir com republicanos e os máximos a que assisti foi sempre com democratas, mas há quem não tire de ideia que a direita americana do tipo Bush é melhor para fazer dinheiro! Enfim, ideias feitas! Voltando à vaca fria, só os bruxos acertam tudo e nós nem os livros do Harry Potter lemos, mas gostamos da ida do S&P lá acima porque deu para atestar na putaria (oops, não levem a mal: compramos puts, isto é entramos curto e apostamos na queda). No fim, mantemos o que dissemos e continuamos convencidos que isto vai dar para baixo, a não ser que o S&P500 quebre máximos históricos!

Claro que nestas contas não entra o PSI20, esse moribundo transformado em slot machine, onde só a JMT vai dando para pagar as contas. Nesse, sou-vos franco: só acima de uns 4700 com a convicção de um volume forte, é que admito voltar ao baile, ainda que timidamente (vejam porquê aqui).

Mas hoje apetece-me dar uma vista de olhos no BCP, não para fazer uma análise técnica porque a coisa não tem por onde se lhe pegue, mas para partilhar convosco alguns dados que fui reunindo nas minhas leituras na net e uma ou outra especulação relativamente ao que se vai passar em termos futuros. Futurologia outra vez!

O BCP tinha, no final do 1º semestre de 2016, 2555 M€ de crédito em risco não coberto (de um total de 53000 milhões), cerca de 61% do capital próprio, e 750 M€ de obrigações convertíveis em capital que têm que ser pagas até junho de 2017 (consta que está a tentar pagar 250 milhas, mas ainda não recebeu luz verde! Compreende-se!). Se esse crédito em risco se revelar incobrável, o BCP fica muito perto da falência ou da nacionalização (os 750 M€ colocariam o Estado de posse da maioria do capital). E o pior é que não se sabe se estes valores não terão aumentado entretanto, porque isto é como na selva: animal ferido faz a festa das feras caloteiras! Não há dúvida de que um aumento de capital (AC) é inevitável!

Entretanto, aparece a Fosun com uma oferta por 16,7% do banco ao máximo de 2 cêntimos e a administração coloca-se de cócaras com a língua de fora e o rabito a abanar. No entanto, como rapidamente se chega à conclusão de que o dinheiro chinês, mesmo assim, vai ser curto, começa a correr a ideia de que o AC terá que ser maior e vai ser necessário: 1) convencer os chineses a terem uma posição maior; 2) arranjar outros para acudirem ao peditório. 

O problema é que um AC da envergadura requerida numa empresa com um valor de mercado tão baixo significará uma diluição monstra para os atuais acionistas, pelo que a debandada acelera levando a uma queda acentuada das cotações que tornam mais provável uma oferta de novas ações na casa do cêntimo do que no máximo oferecido pelos chineses! 

As contas são de merceeiro, mas para terem uma ideia, se houvesse um AC de 750 milhões de euros para liquidar já os CoCos, à cotação atual, com 30% para os chineses e o resto (12%), por exemplo, para a Isabel dos Santos, as posições dos principais acionistas ficariam assim: Sonangol (17,8% para 10,3%), Sabadell (5,1% para 2,9%), EDP (2,7% para 1,6%). 

O problema de um AC deste tipo é que ele pode resolver o biscate de o Estado passar a ser acionista, permitindo liquidar os CoCos, mas nada consegue fazer pelos créditos incobráveis, pelo que se trata de uma jogada de alto risco para quem entrar. Neste caso, risco alto, preço baixo! Claro que eu, se fosse acionista sénior do BCP, perante este cenário, estava a entregar as ações que tinha aos pequenotes para tentar entrar mais tarde no tal AC com um desconto bem favorável. E ao que parece, quanto mais tardar o anúncio da coisa, maior é a probabilidade de compensar vender já, porque mais baixo será o preço a que serão colocadas as novas ações e sempre há algum que se pode ganhar com o diferencial. 

Vejam o caso, por exemplo, da Sonangol (de Isabel dos Santos). Se, por hipótese puramente académica, tivesse vendido no fecho de sexta-feira toda a posição, encaixaria 185 M€. Se pegasse nesse dinheiro e entrasse num AC com um desconto de 30% e a D. Isabel ficasse com os 12% acima do que os chineses querem, então a posição angolana passaria a ser de 34%, e seriam os acionistas maioritários. Dir-me-ão: mas a Sonangol não pode vender sem comunicar ao mercado! Pois não, nem eu digo que o está a fazer, mas há muitas maneiras de fazer um serviço bem feito e a avalanche de posições curtas no banco não me parece que seja só de ases da bolsa! Do you know what I mean?

25.8.16

O fecho do BCP e mais uma de Stuart Staples

Para os corações mais palpitantes e antes que se liguem à máquina devo começar por dizer que me refiro no titulo ao fecho da sessão! E hesitei bastante em vir cá escrever sobre o BCP por razões mais que justificadas com o ponto sem nó que o tipo não costuma dar! Mas é sobretudo para quem está dentro que me achego e faço um ponto de situação! Para quem está fora e é avesso ao risco (como se todos nós padecêssemos de tal!) se a virem valorizar depois podem vir cá ver! Por enquanto, estão dispensados!



Isto vai-vos soar a lengalenga crónica quando falámos sobre o banco mas não temos como fugir aos cenários! Ou seja, diria que para ficar otimista para as próximas semanas teria que haver cruzamento positivo das médias móveis de curto prazo, i.é, a azul a tracejado passar para cima da vermelha a tracejado! No entanto para que isso possa acontecer tem que haver quebra em alta da Lta descendente (delineia os máximos das últimas semanas), precisamente no valor a que fechou nos 1,82 cêntimos e que coincide com a EMA9! Posteriormente, quebrar a EMA21 pelos 1,85 cêntimos! Para baixo, julgo que é sensato estar atento à quebra nos 1,75!

Sobre os Tindersticks aproveito a publicação do David que dá destaque ao início do Vilar de Mouros e acrescento uma a meu bel-prazer da banda de Stuart Staples! CF GF do Simple Pleasure

31.7.16

BCP

É uma opinião não avalizada nem comprometida de quem detém zero BCP, mas os resultados do banco, publicados na sexta-feira, pareceram-me melhores que o esperado, se atendermos ao facto de a banca portuguesa estar a ser apontada por quase toda a gente como uma das mais problemáticas do mundo, tendo-me saltado à vista o grau de cobertura para crédito vencido há mais de 90 dias ter passado para quase 94%, o que pode significar que as provisões feitas à custa de prejuízo deixam margem para algum conforto (por comparação com o NB, por exemplo, o BCP parece bem melhor colocado). Já os números divulgados relativamente aos testes de stress, e que justificaram o reforço de provisões para que não se desse nenhuma desgraça, para além de fraquitos (vejam com quem compara), serviram para ajudar a amenizar o estrago de um prejuízo com que ninguém contava, mas a sua importância extinguir-se-à com a mesma velocidade com que se extinguiu das outras vezes. 

Do lado menos bom, a confirmação de que a rentabilidade é baixíssima (prejuízo em Portugal no 2º trimestre), e um resultado líquido que praticamente garante que o banco ou realiza um aumento de capital ou falha o pagamento das obrigações convertíveis em capital (CoCos) na data prevista. Recorde-se que o BCP tem que devolver 750 M€ (tem a entrega de 250 M€ em curso e pendente de aprovação) que ainda deve até junho de 2017, sob pena de as obrigações se transformarem em capital detido pelo estado com um desconto de 35%. Como esta alternativa seria o fim do banco como entidade privada (à cotação atual significaria que o estado ficaria dono de 49,2% do banco), o BCP está mesmo condenado a reforçar-se, mesmo que não houvesse outros motivos (e há: atenção aos baixos rácios de capital).

Ora, é neste contexto que surge a oferta da Fosun. Sobre ela o que temos a dizer é o que se segue. 16,7% a 2 cêntimos não chegam a 237 M€ o que é chicha para a cova de um dente (QED), pelo que o negócio só fará sentido se os chineses estiverem dispostos a injetar bastante mais cacau. Dizem que querem chegar aos 30%. Evidentemente, não os estamos a ver a entrar no BCP para depois deixarem que o estado se torne acionista daqui por menos de 1 ano, pelo que podemos fazer um exercício académico engraçado: assumindo que o BCP só precisa de 500 M€ para liquidar os CoCos e que é a Fosun que os vai fornecer, teríamos que aumentar o resto do capital (13,3%) a 0,0280€! Interessante!

À primeira vista, do lado chino, o negócio parece bom de mais para ser verdade, ainda por cima se compararmos com os valores de que se falou no ano passado sobre as propostas que fizeram para a compra do NB. Mesmo que o BCP tenha que fazer a seguir um AC de 2000 M€, valores que têm sido apontados em alguma imprensa, o facto de se posicionarem já com 16,7% do capital a preço de uva mijona garante-lhes que conseguirão a posição pretendida gastando pouco mais de 500 milhas. Para uma empresa com uma capitalização de mais de 11 mM de dólares não parece grande espiga! É o chamado negócio da China!

Aliás, o negócio é tão interessante que, apesar dos pesares, pode ser que apareça oferta concorrente, visto o fim-de-semana ter mostrado que, mesmo para o pior do teste há gente disposta a acudir, desde que o preço seja o adequado, evidentemente. E é possível que a caminhada feita em bolsa pelo BCP este ano (queda de 60%) tenha tornado o preço adequado!

Posto isto, que dizer relativamente ao futuro da cotação?

Um AC é mau porque dilui a posição dos acionistas uma vez que são produzidas novas ações. No caso do BCP, não só havia a quase certeza de que o AC teria que ser feito, como persistia também a dúvida sobre se existiriam interessados em acudir ao peditório, uma vez que, como toda a gente sabe, o BCP é campeão no que toca a trucidar quem vai aos seus aumentos de capital! Ora esta segunda dúvida cai por terra com o avanço chinês, ao mesmo tempo que parece desaparecer o risco de entrada do estado no capital. Quanto ao problema da diluição, julgamos que quem tinha medo de ver a posição percentual diminuída teve mais do que tempo para abandonar o barco, pelo que sair agora parece um sell on the news muito pouco racional (a menos daqueles que não gostam de capital chinês e preferem fugir a sete pés). Portanto, estamos em crer que estão reunidas as condições para que se dê uma subida de jeito nas cotações, uma espécie de buy on the news (uma nota que é apenas curiosa para dizer que o BCP subiu 50% na semana a seguir ao anúncio do último AC em junho de 2014 - claro que, entretanto, caiu 86%, mas isso agora não interessa para nada)!

Do ponto de vista técnico, houve sinal de compra na sexta-feira, mas vamos precisar de fechar acima dos 0,0216, para ativar uma possível ida aos 3 cêntimos (há ali um canal com topo nos 0,0264 que em caso de panic buy e short squeeze não nos parece relevante). Para baixo, não vemos referências de maior e é possível que um fecho muito negativo amanhã seja o prenúncio de novos mínimos. Seja como for, vai ser interessante de ver!


Nas próximas semanas estarei de férias e só virei aqui larachar se a situação me deixar mesmo cheio de vontade. De qualquer das formas, deixo para publicação automática, ao longo da primeira metade do mês de agosto, dois textos que vão saindo em fascículos. Um é um texto de ficção que escrevi quando não tinha nada melhor para fazer, chamado "O capital ista", mas que não tem nada que ver com capital. O outro é a reposição da primeira "história de dinheiro" que publicamos originalmente há dois anos.

Votos de boas férias para todos!

27.7.16

Sortido de linhas bem feitas

O título dispensa prelúdio e sem mais vamos a elas!

Na Altri, quebra, confirma de seguida, ao terceiro dia atesta valor e avança! Veremos se atinge projecção do que foi aqui dito! Agora, confiram:


Na Mota Engil a SMA200 a fazer de resistência (lógica)! Portanto mantemos a ideia da nossa linha ligeiramente acima da dita média (preto tracejado)! Coisa boa nesta linearidade é que quebra em alta a nossa Lta descendente e obedece há sete sessões consecutivas! Quem ganhará? Aqui está o braço de ferro:

   
No BCP (péssimo dia para falar nele! Mas lá terá que ser) a saltada que demos ao face com uma Lta mais justificada não podia ser! Quebrou, tentou recuperá-la, andou lá mas não mais para cima dela voltou! Hoje crucificou quem não foi disciplinado! Resta saber se o pânico tem razão de ser e o CEO Amado anda a ganhar coragem (tempo, também pode ser) para contar a história ou não é nada disto e o mercado simplesmente acagaçou-se que nem dona de casa desesperada! Fica o boneco, pouco simpático:



A concluir as nossas linhas mestras, os índices!

No PSI20 dissemos aqui e no DAX30, em zona chave, foi escrito aqui! Ambas, minuciosamente, a justificar a nossa visita em plena sessão! 

Fiquem com o fecho de ontem do alemão (marcado com uma esfera, minúscula, a verde no valor com que findou hoje pelos 10320):


E com música nova! Jessy Lanza!


18.7.16

Curtas do dia

Ontem estive para vir aqui falar-vos das três que se seguem mas com o tempo que se faz sentir não há força de vontade que supere a moleza em pleno findar de fim-de-semana! Salve-se que nada do que vos ia dizer aconteceu hoje e o propósito continua de pé! Veremos para que lado cai!

Altri em zona de possível activação de duplo fundo! Caso confirme projecta-a para a zona dos 3,65! Pelo caminho terá um máximo relativo para superar nos 3,42! O resto está aqui:


Na Mota Engil, ficou assim:


E agora? Pois, não sei! Talvez esperar pela quebra nos 1,76 com vista ao anterior máximo relativo pelos 1,93!

Tanto uma como noutra estão em zona de definições (tipo o jogador que faz o passe para o golo ou - diacho - faz o passe para o contra-ataque do adversário) portanto...isso, é melhor seguir o lance! Fica a jogada!

Quanto à terceira fizemos hoje, ainda em pleno jogo (isto é o efeito do fartote que foi o campeonato da Europa!), um pontual reparo no nosso FB e agora deixo-vos o fecho do dia! Na linha! Veremos se segura!  


A habitual nota musical não é do dia mas podem confirmar qualidade clicando aqui! Nós atestamos! Boa semana! Este foi o curtas do dia!

12.7.16

BCP em pura AT

Eu não sei se algum de vocês viu um segundo ombro (invertido) a ganhar forma no último mínimo relativo nos, precisos, 0,0175! Se sim, então partilhamos a mesma visão e quanto a mim só me resta pedir mil perdões se não falei disto antes mas como sabem temos andado em território desconhecido e é complicado analisar em tempo útil (de interesse) o que quer que seja, que é como quem diz, dou de barato mudar de opinião rapidamente (mais rápido do que o costume) e o nosso raio de acção na esfera de decisões torna-se de tal forma especulativo e volátil que não nos permite partilhar a nossa opinião, conforme propósito da casa! 

Adiante!

Indiciava no início de conversa um possível IHS que se o padrão não enganar já terá sido confirmado na passagem pelos 0,0205 e que dá um projecção para os 0,0255 fruto da amplitude de meio cêntimo entre a neckline e o valor de abertura (o topo da cabeça) do brexit day, nos 0,0155! 

Gráfico:



Conforme o que foi escrito aqui pelo David temos os 2,2 cêntimos como barreira e a ser mais preciso diria que hoje já levou, de certo modo, com essa resistência! Por outro lado já estamos acima das médias móveis, o que é bom para o curto prazo e nos serve de referência, suporte! Ou seja, a cotação está entre a espada e a parede e para o cenário do inverse head and shoulders atingir projecção terá necessariamente que a cotação quebrar valores pelos máximos de hoje e não quebrar negativamente pelos 0,0205! 

Agora um exercício pessoal: hoje foi lá e vendi. Amanhã quebra e talvez compre (o volume talvez ajude na decisão)! Mas o que preferia mesmo era que recuasse junto à EMA21 (vermelho tracejado) para comprar! Quebra em baixo a EMA9 (azul tracejado) e vendo! Sobe e espero serenamente que cruzem médias móveis e ganhe embalo para quebrar a nossa resistência (ou vice-versa) e atingir projecção!

Como ainda estamos todos em modo orgulho do feito da nossa Seleção, que nos enche de motivação e exemplo para as batalhas de cada um de nós, termino com um exército de 7 nações extraído directamente do nosso spotify!

Continuação de boa semana.


9.7.16

Ponto da situação

Duas semanas out of business é dureza, mas com o mercado como se pôs depois do Brexit todo o cuidado é pouco e a sensatez aconselha a que se opte mais por gozar o Sol, ver a bola e tentar manter a cabeça fria. Como dissemos da última vez, nunca nos seduziram momentos de tão alta volatilidade e em que toda a gente parece de repente saber o que vai acontecer, apesar de paradoxalmente prevalecer a incerteza. Os chamados momentos de bolsa-casino!

Façamos um ponto da situação.

Por um lado, há os três aspetos que estão a preocupar toda a gente no que ao curto prazo diz respeito:
  • A queda da libra vai criar pressão adicional nos números da economia da Alemanha (e do resto da zona euro), coisa que já se começa a notar, por exemplo, nas encomendas industriais, embora se possa considerar excessiva uma ligação causal direta. Afinal de contas, o que o Brexit fez de mais relevante foi criar mais um concorrente de peso ao euro e vai demorar algum tempo até percebermos se a batalha económica com o RU nos vai ficar mais barata que as benesses que o Cameron tinha negociado. Até ver, a queda previsível do GBP face ao dólar está a tornar as exportações inglesas para os países que compram em moeda americana mais baratas (que o diga, por exemplo, a ABF, dona da Primark), e como o EUR não caiu nada que se comparasse, é provável que o superavit alemão venha a sofrer;
  • A subida dos metais preciosos, ouro e prata (29% e 47%, respetivamente, no que vai de ano) é sinal de take cover por parte de muitos dos mais espertos do mercado e embora se possa argumentar com fatores de diversificação em tempos de tão elevada liquidez, também não é destituído de senso imaginar que muitos se estão a precaver para dias mais negros, optando por investimentos considerados de refúgio;
  • A notícia dos fundos de investimento imobiliário que suspenderam a negociação e congelaram resgates faz lembrar demasiado o verdadeiro início da crise do subprime para ser ignorada. Em 2007, foram movimentos do mesmo género em fundos americanos que deram o sinal para bater em retirada, numa altura em que o nervosismo já era por demais evidente, mas em que ainda estávamos longe da queda do Lehman Brothers.
Por outro lado, continuamos a ter números da economia americana muito aceitáveis e, acima de tudo, a persistência de baixíssimos níveis de inflação autoriza pensar que podem ser tomadas medidas adicionais de reforço da liquidez por parte dos bancos centrais.

Pesando tudo, e contra as expetativas de muita gente, o mercado não só não se espatifou como o S&P americano esta praticamente em máximo histórico.

Assim sendo, e porque há limites para quanto conseguimos conter a ganância, não foi possível mantermo-nos a banhos e tivemos que regressar à luta nesta sexta-feira. Ainda que estejamos longe de estar convencidos, fomos a jogo pelo lado longo, mesmo conscientes da possibilidade de o S&P marcar um triplo topo bastante comprometedor (cremos, contudo, que não vai acontecer e máximos mais altos se seguirão precisamente porque havia muita gente que estava na dúvida e que agora vai acabar por ficar convencida). 

No que ao PSI20 diz respeito ainda estamos vários furos abaixo de valores que nos deixem menos stressados, mas na sexta ensaiou-se um ataque à nossa primeira resistência. Ora vejam o gráfico, onde consta toda a informação que consideramos relevante:


E em que é que entramos nós, perguntam vocês? Pois bem amigos, em que haveria de ser se não no BCP? Concordo que é uma ação de bosta, que cai uns miseráveis 50% só este ano e que provavelmente cairá mais até dezembro, mas que aquela liquidez e o comportamento tantas vezes tão previsível fazem com que seja um regalo para quem gosta de emoções fortes disso que não haja dúvidas! E vejam lá a que pontos chegamos: fomo-nos a ele numa nesga de rede móvel em plenos passadiços do Paiva, enquanto apreciávamos a paisagem e recuperávamos o fôlego, só porque o vimos quebrar em alta o nosso valor de referência. E o patego cumpriu!


O plano que se segue é muito simples. Atenção à EMA21 (linha amarela) que já não é quebrada em alta e de forma consistente há imenso tempo, e depois aos 0,022. Para baixo, há margem para o aguentar até aos 0,0173! Depois, over and out


E amanhã temos franciú para o jantar, com um bordeaux a acompanhar e campanhe no fim! Como diz o outro, se perdermos... que se foda!

8.5.16

BCP

Haverá melhor ação para negociar na bolsa portuguesa do que o BCP? Não há, mas só se recomenda a quem tem tarecos de kevlar e coração de aço. Os outros devem abster-se porque o bandido dá e tira com uma velocidade tão grande que o mais provável é que acabem a enriquecer a conta bancária... de um psiquiatra. 

Os resultados trimestrais do banco foram apresentados na segunda-feira e, quanto a nós, o dado mais relevante é a baixíssima rentabilidade em Portugal: menos de 2 milhões de lucro! Com o estado de pré-guerra em Moçambique e o congelamento da ajuda internacional ao país por causa do caso da dívida escondida talvez seja de esperar uma descida do lucro em África (em Angola, o BCP entregou o controlo aos angolanos e é sensato não contar com dividendos por muito tempo), ao mesmo tempo que a unidade polaca continua a enfrentar sérios riscos por causa das medidas que vão brotando da cabeça dos governantes de Varsóvia. Como, em última instância, os valores costumam tender para uma situação de valorização justa, isto é, o preço das coisas acaba por coincidir com aquilo que elas realmente valem, e as empresas valem tanto mais quanto maior for o resultado líquido que obtenham ou possam vir a obter, não vemos nestes resultados sinais de que a trajetória de desvalorização do BCP possa ser invertida nos tempos mais próximos!

Porém, ninguém (ou quase ninguém) tem negociado BCP por acreditar que o banco possa valer mais e o negócio cresça, proporcionando dividendos generosos no futuro. Enquanto investimento, o BCP não serve e quem fez confusão vem pagando, com línguas de palmo, há muito tempo. Negoceia-se BCP como se deve negociar sempre em bolsa: compra-se na expetativa de vender mais caro, no mais curto espaço de tempo possível, e vende-se na expetativa de comprar mais barato. Compra-se quando há sinais de compra; vende-se quando há sinais de venda! C'est ça! E para isso, a menos que se desconte as chatices que dá, o BCP é generoso: tem volume, volatilidade e é dado a especulações.

O principal motor especulativo tem sido a concentração bancária e vamos continuar a assistir a movimentos nas cotações relacionados com notícias que têm que ver com fusões e aquisições.

Na quinta-feira, o ex-presidente da Associação Portuguesa de Bancos, João Salgueiro (JS), deu uma entrevista à Antena 1 em que sugeriu que o BCP poderia ser um dos próximos bancos a ser resgatado. No fim do dia, veio emendar e tal, mas as palavras já estavam no ar e não havia como lhes deitar a mão. Naturalmente, não sabemos o que vai na mente do bom do Salgueiro, e nem nos atrevemos a imaginar as informações privilegiadas de que dispõe, mas como apanhamos as palavras no ar e elas agora são nossas, reservamo-nos o direito de lhes dar a leitura que nos é permitida pelos nossos direitos constitucionais.

Evidentemente, não nos passa pela cabeça pensar que JS foi descuidado e muito menos que tenha sido néscio ou até que se tenha enganado. Ninguém é ministro das finanças e líder dos banqueiros se for um milésimo tão lorpa! Também ignoramos olimpicamente as declarações de substituição que fez a seguir: valem zero e ele sabe que sim! Por outro lado, estamos em crer que o mercado tomou devida nota da declarações feitas e vai dar-lhes o peso que merecem! Pensando um pouco, a leitura que fazemos das palavras que conseguimos apanhar é uma de duas:
  • O BCP precisa que lhe deitem uma mão, o mesmo é dizer precisa de um investidor de pulso que entre com capital fresco, de maneira a poder aumentar a rentabilidade potencial em Portugal. Ouro sobre azul era pagar o resto da ajuda estatal e abalançar-se ao Novo Banco (NB), criando um banco com dimensão suficiente para manter a banca privada portuguesa sob controlo dos banqueiros cá da paróquia. O problema é que há falta de gente disponível para acorrer ao peditório: os angolanos ganharam o galardão de persona non grata e estão debaixo do fogo do BCE, e todos falam dos espanhóis, mas estes andam escaldados com a América Latina e têm pouca vocação para a caridade. Negócio fraco e poucos interessados? Dizem as regras do mercado que o preço tem que baixar até despertar o apetite de potenciais compradores. A nossa teoria é que pode haver espanhóis interessados em participar num aumento de capital do BCP, mas não ao preço atual e podem estar em curso manobras para que o mercado interiorize a ideia de que vai ser necessário tornar a banca lusa mais atrativa. Aliás, depois da liquidação do BANIF, ninguém os pode censurar para só comprarem do lado de cá se for pechinchona. Que o diga o BPI!
  • A segunda teoria é um pouco mais sinistra e remete-nos para a ideia de que as palavras que apanhamos no ar, saídas diretamente da mente de JS, estariam na forma de um pensamento literal e mais não seriam do que a sementeira daquilo que ganhará forma nos próximos meses. Um resgate ao BCP (e à CGD e a outro banco mais pequeno), que implicaria certamente um segundo resgate a Portugal e a correspondente queda da geringonça, que abriria caminho a um governo de direita por muitos e longos anos. Uma declaração de efeito político, portanto!
Mas também pode ser que não seja nada disto e João Salgueiro esteja apenas preocupado!

Para acabar ainda temos tempo para meter o gráfico (antes de irmos sofrer em frente ao televisor). A nós nem para especular nos convencem a meter dinheiro neste frangalho, embora estejamos curiosos para perceber o que se vai passar na aproximação à zona dos 0,031! Boa sorte para todos!

21.4.16

Atualizações feat. Tame Impala



A ideia é mesmo essa! Começar com música e deixá-la, ao de leve, envolver-se no que se segue!

Na sequência dos sarrabiscos com sugestão da 3 avançamos com mais uma panóplia de gráficos, cenários atualizados, das empresas do nosso PSI20! Vulgo ponto de situação! E à semelhança do que foi dito ontem, na análise ao momento do índice, mantemos a coisa tão simples que se dispensa qualquer tipo de legenda (salvo curta observação)! Oportunamente seremos mais eruditos!

Sem mais, venham eles (em ordem alfabética):

Altri
O comportamento do par EUR/USD está a pesar no desempenho da empresa!



BCP
Ou vai ou racha! Tomei a liberdade de roubar a linha de tendência do gráfico do David (que vos foi exibido, ontem, no nosso FB) e acrescentei-a aqui (e a roxo) tanta a pertinência que aparenta ter quanto o valor que atingiu hoje a cotação (1ª. resistência horizontal)! A quebra em alta desse valor é sinónimo de cruzamento de médias e leva a forte margem para valorização! Para baixo, as médias a marcar o compasso da tolerância para o risco! Neste momento estão ali quase nos 3,7 cêntimos!


Corticeira Amorim
Tem tanto de excelente performance como de falta de liquidez! À vossa consideração e estratégia!



EDP



EDP Renováveis



Galp



Jerónimo Martins



Mota Engil
Seria de estranhar que se aguentasse acima da SMA200 (a preto tracejado) com a palavra retaliação a marcar a semana no que diz respeito aos negócios por Angola!


Nos
Tendência para replicar valores fruto da oscilação horizontal! As marcas estão simetricamente assinaladas no gráfico!


Portucel
À semelhança da Altri, condicionada ao euro/dólar!



Sonae



Sonae Capital
Outra que tende a replicar valores das oscilações horizontais! Sem esquecer o salutar desempenho!



Boa noite!

"Prefiro dar às pessoas o que precisam em vez do que querem."  




17.4.16

Abertura de semana

O mínimo que se pode dizer é que a semana bolsista promete.

A falta de acordo na reunião de Doha sobre o congelamento da produção de petróleo pode criar alguma tensão inicial, mas dá-nos a ideia de que, na semana passada, quebraram-se em alta valores, tanto no S&P como no DAX, que antecipam força compradora capaz de resistir a imprevistos que a maioria de certeza já antecipava. 

No S&P só uma quebra em baixa dos 2045 pontos nos fará pôr em causa a crença de que, mais dia, menos dia, caminharemos em direção aos máximos históricos. Claro está que uma quebra em baixa é sinal bastante perturbador, pois originará um quarto lower high consecutivo!

No DAX a coisa não é tão clara e vemo-lo precisamente nos valores-chave. Julgamos que há potencial para uma correção um pouco maior, mas se o S&P não se esbardalhar é possível que este se contenha! Se mantiver em fecho os valores de sexta-feira maravilha, e pode muito bem fazer uma primeira aproximação à média móvel dos 200 dias nos 10300 pontos. Cá em baixo, vai ser necessário que a zona dos 9850 aguentem o embate se a tanto chegarmos!

Interessante vai ser também ver como ficará o Brasil depois da votação que decorre neste momento para decidir a destituição da presidente Dilma. Até agora, os mercados não têm ligado peva ao assunto, mas se a situação degenerar em conflito pode ser que haja mossa entre as empresas expostas aos mercados sul-americanos e, consequentemente, em alguns índices!

Ficam os gráficos:



Por cá, não é difícil prever que a novela BPI vai marcar a semana e o assunto está a evoluir de uma forma que, não sendo inesperada (a falta de notícias durante a semana passada sobre o acordo alcançado deixava antever que haveria demasiadas pontas soltas) é, no mínimo, rocambolesca! Amanhã de manhã, pelos vistos, vamos acordar com uma OPA ao BPI e saberemos, finalmente, de que valores estamos a falar. Valores abaixo dos 1,10-1,15€, que devem conter a média das cotações nos últimos dois meses, não serão possíveis de acordo com a lei. Daí para cima ver-se-á.

Quanto ao BCP, estamos em crer que o valor oferecido pelo BPI poderá ajudar o mercado a percepcionar a justeza ou não da cotação atual. Se, por hipótese académica, a OPA se der ao valor de 1,329€ oferecidos no ano passado, então temos o BPI a valer apenas menos 361 milhões de euros que o BCP (1,41 vezes mais). Atendendo ao histórico, que coloca o BCP a valer cerca do dobro do BPI, e ao facto de o Millenium ter uma posição na Polónia que vale por si só 780 milhões de euros, parece curto! Por outro lado, há um fator que nos parece ter pesado bastante na valorização do BCP na semana que passou: se o BPI for opado, o BCP passará a ser o único banco da bolsa nacional, pelo que as carteiras de fundos de investimento vão ficar sem opção para distribuir os recursos por setores de atividade. 

Do ponto de vista técnico, uma quebra em alta da Lta que marcamos pode ser a dica de que assaltaremos os máximos de março. Por outro lado, uma quebra em baixa da zona dos 0,0360€ pode pôr alguns a pensar, como já ouvi dizer, em figuras do tipo cabeça e ombros (figura que, em nossa opinião, não fará sentido porque pressupõe uma tendência de alta, coisa que manifestamente não existe). Fica, mais uma vez, o gráfico:

10.4.16

Sarrabiscos com sugestão da 3

Hoje dei-me à preguiça e aviso desde já que se são daqueles que ainda não acham piada nenhuma a gráficos, se a AT não vos diz nada e só gostam de conversa fiada então, por agora, considerem-se dispensados de ir até ao fim! Sigam à boleia da sugestão da alternativa pop da 3 que de seguida passamos, ouçam-na (desta vez a começar) e saltem para outro separador, isto vai ser só sarrabiscos!


Banca
BCP e BPI



Energia
EDP, EDP Renováveis e Galp




Pasta de papel
Altri e Portucel



Retalho
Jerónimo Martins e Sonae



Construtora
Mota Engil


Indústria
Corticeira Amorim


Boa noite, bom início de semana! 

3.4.16

De volta às lides

A semana foi boa para estar fora e bem vistas as coisas a spring break ficou-me módica, se atendermos à altíssima probabilidade de me ter espalhado ao comprido se tivesse ficado por cá entretido na lufa lufa. Bom para mim!

O PSI20 é um sádico do caraças e justo quando a malta está numa de pensar que a coisa vai encarreirar o bruto tomba e leva tudo à frente. Mais do que teorias económico/políticas, aquela quebra em baixa da Lta na quinta-feira antes da Páscoa marcou o compasso, como a cena da última ceia preparou os estômagos para o que se seguiu (esta veio mesmo a propósito), e devia ter-nos levado a largar tudo e escondermo-nos, como fez Simão Pedro.


E vejam o gráfico:


A minha dúvida agora, e a de todos nós afinal de contas, é se reentra no canal descendente ou se ressalta ali no topo até à zona dos 4900 pontos. Não me consigo decidir, mas estou ansioso por descobrir como evolui a situação nos próximos dias. É que uma reentrada consistente no canal é muito mau sinal e pode levar alguns mais sadomaso a começarem a pensar que pode haver merda grossa, por exemplo, lá para o fim do mês quando os canadianos disserem de sua justiça sobre o rating da república. Como dizia o outro, make no mistake, são os sinais dados pelos gráficos que nos devem levar a antecipar a tempestade e não ocorrência da catástrofe que nos deverá levar ao gráfico. Make no mistake.


Nos títulos, o BCP fez o mesmo que o PSI20, no mesmo dia, e a falta de disciplina custou 20% aos indisciplinados (é importante reconhecer que com a banca europeia a cair em média 15% no trimestre, seria épico o BCP estar quase a ganhar no que vai de 2016). Agora vêm com a conversa de um AC, do reverse stock split, da indecisão no BPI, e mais uma quantas narrativas (para usar linguagem pós-moderna). Mas eu digo como o arbusto: make no mistake:


E agora? Agora... foda-se! Não lhe vejo ponta por onde se lhe pegue, mas dou de barato que possa ter um ressalto aqui. Mas também aceito se me disserem que se pôs a jeito para marcar mínimos. Dá-me a ideia que este é um caso que vai estar intimamente ligado, nos próximos dias, ao que se passar com o BPI, pelo que pode dar riqueza ou pobreza em igual proporção. O que sei é que o gráfico antecipará o desiderato! E por ora não é famoso!

Lembram-se de termos dito aqui que achávamos a JMT uma empresa cara. Pois bem, o que nós dizemos não conta para nada e o que as casas de investimento dizem ainda menos (ou será ao contrário?!) e o que interessa é que a JMT quebrou a resistência forte que tínhamos assinalado e manteve-se segura bem acima, pelo que está num bull market pujante e feliz. Daqui para cima, só vemos resistências na zona dos 15 euros e são valores cheios de mofo, de 2013! Pusemos ali uma Lta que acompanha o movimento atual que já leva quase 40% e achamos que a sua quebra em baixa pode ser motivo para vender (está muito encostada à cotação atual o que reforça o rácio ganho/risco). Dizemos "pode" porque em bull market há tão poucos motivos para vender quanto em bear market há para comprar!


Na small list do que vamos ter debaixo de olho no arranque de semana está a Galp. Tem um movimento similar ao da JMT, mas muito menos exuberante porque está com um caminho mais cheio de pedras. Mas na sexta-feira veio pousar outra vez na zona do vai ou racha, ali na base daquele canal ascendente dentro do qual tem vindo a navegar (comparativamente, diríamos que é como se a JMT viesse aos 13,40€). Se quebrar a linha em baixa não gostamos, mas por aqui há rácio ganho/risco que pode justificar uma investida.