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7.8.16

Otimista, se!

Em modo moleza pegada, em plena silly season, em que tudo que implique canseira, a pachorra esgota-se fácil, só umas curtas análises para atualizar cenário aos índices europeus após uma semana de retrocessos e o que perspectivar mediante próximos comportamentos!

No PSI20 a Lta descendente (já com mais de 1 ano!) não facilitou e à mínima aproximação (a de segunda-feira) tratou de aviar o valor novamente para sul! As médias exponenciais aliadas à zona dos 4600 (anteriormente quebrada em alta) foram, como expectável, o suficiente para evitar deslizes maiores e não deixar ceder!


Otimista, se:

Não quebrar em baixa a zona dos 4600 pontos e (por enquanto) nos mantivermos por cima das médias móveis de curto prazo (a vermelho e a azul tracejado) mas sobretudo se for capaz de quebrar em alta a Lta descendente (a roxo tracejado)! A acontecer terá nova luta, quase sem respiro, pelos 4900 (mas aí, e se lá chegar, voltaremos a falar)!

No IBEX35, idêntico comportamento ao tuga! Quebra da Lta (também esta com mais de 1 ano) a ser negada mas também vimos o suporte a funcionar, a amparar a queda e de uma forma mais convicta a reagir, fechando em cima da Lta!

   
Otimista, se:

Não der para trás nas próximas sessões a ponto de quebrar negativamente os 8280! Mas sobretudo (aqui também) acima dos 8800 e de caras para a batalha da SMA200 (a preto tracejado) que a ser ganha dá ânimo para recuperação das perdas até ao final do ano - break-even point - demarcado pela seta azul!

No CAC40, o mesmo filme semanal com diferentes pivots! Zona dos 4480 pontos e SMA200 a fazer de resistências mas mais uma vez o nosso suporte a funcionar!


Otimista, se:

Quebrar os 4480 em alta! É sinal que a média móvel de longo prazo (SMA200) ficou para trás e vai com tudo para recuperar as perdas desde o inicio do ano!

No DAX30 - last but not the least - a mesma dose dos congéneres, segunda-feira a inverter movimento e, posteriormente, os valores anteriormente quebrados em alta a fazer de suporte!


Otimista, se:

Mantiver acima da SMA200 (linha volante a tracejado preto) e se quebrar os 10480 ficando a 2,5% do break-even anual! 

Num texto marcado pela condição para otimismo, uma breve nota:
  • Num ano fustigado pelas péssimas noticias - China, queda acentuada do preço do petróleo, brexit e banca europeia são alguns exemplos do que se escreveu e falou - ver uma recuperação no DAX30 de 20%, de 13,5% no CAC40 e 12% para o PSI20 e IBEX35 desde mínimos talvez espante muitos arautos da desgraça por muito que olhemos para os americanos e os vejamos em máximos! Máximos à custa, sobretudo, de uma politica monetária de longos anos que por cá ainda dá os primeiros passos! 
Tudo isto não invalida a nossa percepção do mercado e o cingirmo-nos ao curto/médio prazo e por isso mesmo cá estamos nós, semana após semana, a analisar o momento!

Esta foi a análise deste domingo para os próximos dias!

Boa semana!

27.7.16

Sortido de linhas bem feitas

O título dispensa prelúdio e sem mais vamos a elas!

Na Altri, quebra, confirma de seguida, ao terceiro dia atesta valor e avança! Veremos se atinge projecção do que foi aqui dito! Agora, confiram:


Na Mota Engil a SMA200 a fazer de resistência (lógica)! Portanto mantemos a ideia da nossa linha ligeiramente acima da dita média (preto tracejado)! Coisa boa nesta linearidade é que quebra em alta a nossa Lta descendente e obedece há sete sessões consecutivas! Quem ganhará? Aqui está o braço de ferro:

   
No BCP (péssimo dia para falar nele! Mas lá terá que ser) a saltada que demos ao face com uma Lta mais justificada não podia ser! Quebrou, tentou recuperá-la, andou lá mas não mais para cima dela voltou! Hoje crucificou quem não foi disciplinado! Resta saber se o pânico tem razão de ser e o CEO Amado anda a ganhar coragem (tempo, também pode ser) para contar a história ou não é nada disto e o mercado simplesmente acagaçou-se que nem dona de casa desesperada! Fica o boneco, pouco simpático:



A concluir as nossas linhas mestras, os índices!

No PSI20 dissemos aqui e no DAX30, em zona chave, foi escrito aqui! Ambas, minuciosamente, a justificar a nossa visita em plena sessão! 

Fiquem com o fecho de ontem do alemão (marcado com uma esfera, minúscula, a verde no valor com que findou hoje pelos 10320):


E com música nova! Jessy Lanza!


24.6.16

Mais um dia de loucura

É um hábito de que faço ponto de honra nunca estar presente nestes momentos em que os mercados viram casino. Desta vez, a euforia que se viveu antes do dia D e que antecipamos aqui tornaram a tarefa bastante mais fácil: o possível ganho com a vitória do bremain tornou-se fortemente desfavorável face ao risco de vitória do brexit

Nem curto nem longo no dia das decisões, não significa que não se embarque na loucura quando tudo estiver consumado. 

Mas nós, nem isso! 

À posteriori fica-se sempre ressabiado, porque, olhando para trás, é evidente que hoje havia negócios que podiam e deviam ter sido feitos. Vejam o gráfico do BCP, com um canal cuja base era um ponto de entrada evidente. 


Numa ação líquida muita gente vai valorizar aquele canal e tentar antecipar que depois do toque na base, mais cedo ou mais tarde tocará no topo! Evidentemente, toda a posição terá que ser desfeita na quebra em baixa: são as regras do jogo que, não tem, portanto, grande ciência. Quem aproveitou logo no início está de parabéns, mas a entrada no fecho já se faz a quase 15% do ponto de stop loss, pelo que o risco pode não compensar!

Nestes dias, o pânico de uns é sempre a oportunidade de outros, e há movimentos que acabam por marcar os gráficos de uma forma que perdurará no tempo. Vejam, por exemplo, a vela feita pela EDP Renováveis:


Brutal!

A nossa aversão a entradas no mercado nestes dias de grande stress tem razões fundadas na experiência. É ótimo sair vencedor aqui, mas jamais nos devemos esquecer de como é grande o risco nestes momentos.

Muitos têm comparado o que se passa agora ao que experimentamos aquando da falência do Lehman Brothers. Nessa altura, o verdadeiro pânico viveu-se no dia 6 de outubro de 2008, a seguir ao fim-de-semana em que, temendo o estrangulamento de todo o sistema financeiro americano, o presidente Bush assinou o decreto presidencial que autorizava o bailout de 700 mil milhões de dólares. Nesse dia, o PSI20 caiu 9%, num ano em que as quedas já iam em 40% (cotávamos na casa dos 7000 pontos) e até ao mínimo do ano, 20 dias mais tarde, ainda desceríamos 15%!

Claro que as situações não se podem comparar, nem a história se repete, mas jamais nos devemos esquecer de que a maior parte dos que vendem estão a contar comprar mais barato e quando tantos estão a vender, então...

Bom fim-de-semana!

19.6.16

Plano semanal

Caraca amigos esperamos que estejam todos bem depois de uma semana em que o PSI20 foi a mínimos tão mínimos que, desde que há registos no PRT, só foram atingidos em 2012 (duas vezes) e agora pela segunda vez neste ano. Correndo o risco de pisar o limite dos meus direitos constitucionais heróis do mar (mão direita sobre a mama), nobre povo, nação valente, tralará, egrégios avós (lágrima no olho), e depois a parte séria: às armas, às armas, tralará, marchar, marchar. Quantos são, quantos são? Até os comemos, caralho! 

Quereis saber como nos correu a dança? Pois, muito bem! Arrumamos a Galp quando a vimos perder fôlego: depois de quebrar os 12,10 ou mantinha a embalagem ou era de vender. Sem espinhas! O segredo é este: entre o medo de perder um ganho, o pânico de ganhar uma perda e a cagada de ficar entalado para sempre, não se deve hesitar por um momento que seja. Vendei amigos, vendei!

Por falar em vender entramos curto no S&P (devia ter sido no DAX), mas quando soubemos que a campanha do Brexit tinha entornado o caldo por causa de um louco assassino desmontamos a tenda e voltamos às compras. E que compramos nós? Até temos vergonha de dizer mas entramos no BCP na quinta em fecho! É verdade! ...Valente eeeeeeeeeee imortaaaaaal, tralará! Escusado será dizer que entregamos a carga quando apareceu gente simpática e esfomeada!

Mas agora ficamos na dúvida. 


Se há Brexit ou não só Nosso Senhor J.C. poderá dizer. Mas se houver, dizem os espertos, a cena vai ser tão apocalíptica que melhor seria se viesse um asteróide de 500 Km em direção à Terra e nos aniquilasse de uma só vez. Contra os canhões, tralará:


Sendo assim, eu voto contra e acho que os bifes, essa malta sempre tão sensata e bem pensante:


acabará por pensar como eu. Afinal de contas, uma coisa é gritar com a lágrima no olho que se marcha contra os canhões; outra coisa completamente diferente é efetivamente fazê-lo! Mesmo levando em linha de conta que no sangue bife circula muito mais álcool por mL do que no tuga e que tudo os que os patetas lamechas sabem dizer é que querem que deus lhes salve a rainha. Booooriiiing!

Chamem-me otimista (coisa que, de resto, está na moda) mas se vos estou a dizer que fico na dúvida é porque me parece que o PSI20 veio justamente pousar num bom ponto para encetar um movimento que possa dar umas coroas, lavantai hoje de novo o esplendor, tralará, desde que sejamos suficientemente sensatos para perceber que nos podemos esbardalhar feio se a coisa der raia! O cenário otimista não se recomenda a gente facilmente impressionável, mas se olharem para o gráfico do DAX constatarão que a porta de saída está tão bem assinalada como no PSI e quem escapou até aqui pode arriscar um pouco desde que mude de opinião se houver quebra:


A semana promete e vai ser de estalo! Ah! E ainda temos Portugal na final já na próxima quarta-feira! Que belos tempos estes em que acertamos viver! Sem ofensa aos nossos avós (egrégios) que, com certeza, também gozaram à grande!

Para animar, ficai com um hino cantado com a convicção dos que batem recordes de lançamento de perdigoto e produção de ranho!

   

8.5.16

BCP

Haverá melhor ação para negociar na bolsa portuguesa do que o BCP? Não há, mas só se recomenda a quem tem tarecos de kevlar e coração de aço. Os outros devem abster-se porque o bandido dá e tira com uma velocidade tão grande que o mais provável é que acabem a enriquecer a conta bancária... de um psiquiatra. 

Os resultados trimestrais do banco foram apresentados na segunda-feira e, quanto a nós, o dado mais relevante é a baixíssima rentabilidade em Portugal: menos de 2 milhões de lucro! Com o estado de pré-guerra em Moçambique e o congelamento da ajuda internacional ao país por causa do caso da dívida escondida talvez seja de esperar uma descida do lucro em África (em Angola, o BCP entregou o controlo aos angolanos e é sensato não contar com dividendos por muito tempo), ao mesmo tempo que a unidade polaca continua a enfrentar sérios riscos por causa das medidas que vão brotando da cabeça dos governantes de Varsóvia. Como, em última instância, os valores costumam tender para uma situação de valorização justa, isto é, o preço das coisas acaba por coincidir com aquilo que elas realmente valem, e as empresas valem tanto mais quanto maior for o resultado líquido que obtenham ou possam vir a obter, não vemos nestes resultados sinais de que a trajetória de desvalorização do BCP possa ser invertida nos tempos mais próximos!

Porém, ninguém (ou quase ninguém) tem negociado BCP por acreditar que o banco possa valer mais e o negócio cresça, proporcionando dividendos generosos no futuro. Enquanto investimento, o BCP não serve e quem fez confusão vem pagando, com línguas de palmo, há muito tempo. Negoceia-se BCP como se deve negociar sempre em bolsa: compra-se na expetativa de vender mais caro, no mais curto espaço de tempo possível, e vende-se na expetativa de comprar mais barato. Compra-se quando há sinais de compra; vende-se quando há sinais de venda! C'est ça! E para isso, a menos que se desconte as chatices que dá, o BCP é generoso: tem volume, volatilidade e é dado a especulações.

O principal motor especulativo tem sido a concentração bancária e vamos continuar a assistir a movimentos nas cotações relacionados com notícias que têm que ver com fusões e aquisições.

Na quinta-feira, o ex-presidente da Associação Portuguesa de Bancos, João Salgueiro (JS), deu uma entrevista à Antena 1 em que sugeriu que o BCP poderia ser um dos próximos bancos a ser resgatado. No fim do dia, veio emendar e tal, mas as palavras já estavam no ar e não havia como lhes deitar a mão. Naturalmente, não sabemos o que vai na mente do bom do Salgueiro, e nem nos atrevemos a imaginar as informações privilegiadas de que dispõe, mas como apanhamos as palavras no ar e elas agora são nossas, reservamo-nos o direito de lhes dar a leitura que nos é permitida pelos nossos direitos constitucionais.

Evidentemente, não nos passa pela cabeça pensar que JS foi descuidado e muito menos que tenha sido néscio ou até que se tenha enganado. Ninguém é ministro das finanças e líder dos banqueiros se for um milésimo tão lorpa! Também ignoramos olimpicamente as declarações de substituição que fez a seguir: valem zero e ele sabe que sim! Por outro lado, estamos em crer que o mercado tomou devida nota da declarações feitas e vai dar-lhes o peso que merecem! Pensando um pouco, a leitura que fazemos das palavras que conseguimos apanhar é uma de duas:
  • O BCP precisa que lhe deitem uma mão, o mesmo é dizer precisa de um investidor de pulso que entre com capital fresco, de maneira a poder aumentar a rentabilidade potencial em Portugal. Ouro sobre azul era pagar o resto da ajuda estatal e abalançar-se ao Novo Banco (NB), criando um banco com dimensão suficiente para manter a banca privada portuguesa sob controlo dos banqueiros cá da paróquia. O problema é que há falta de gente disponível para acorrer ao peditório: os angolanos ganharam o galardão de persona non grata e estão debaixo do fogo do BCE, e todos falam dos espanhóis, mas estes andam escaldados com a América Latina e têm pouca vocação para a caridade. Negócio fraco e poucos interessados? Dizem as regras do mercado que o preço tem que baixar até despertar o apetite de potenciais compradores. A nossa teoria é que pode haver espanhóis interessados em participar num aumento de capital do BCP, mas não ao preço atual e podem estar em curso manobras para que o mercado interiorize a ideia de que vai ser necessário tornar a banca lusa mais atrativa. Aliás, depois da liquidação do BANIF, ninguém os pode censurar para só comprarem do lado de cá se for pechinchona. Que o diga o BPI!
  • A segunda teoria é um pouco mais sinistra e remete-nos para a ideia de que as palavras que apanhamos no ar, saídas diretamente da mente de JS, estariam na forma de um pensamento literal e mais não seriam do que a sementeira daquilo que ganhará forma nos próximos meses. Um resgate ao BCP (e à CGD e a outro banco mais pequeno), que implicaria certamente um segundo resgate a Portugal e a correspondente queda da geringonça, que abriria caminho a um governo de direita por muitos e longos anos. Uma declaração de efeito político, portanto!
Mas também pode ser que não seja nada disto e João Salgueiro esteja apenas preocupado!

Para acabar ainda temos tempo para meter o gráfico (antes de irmos sofrer em frente ao televisor). A nós nem para especular nos convencem a meter dinheiro neste frangalho, embora estejamos curiosos para perceber o que se vai passar na aproximação à zona dos 0,031! Boa sorte para todos!

19.4.16

Perder dinheiro

Uma das vantagens/tormentos de deixar por escrito é que podemos sempre, mais à frente, avaliar aquilo que dissemos e a forma como reagimos e decidimos num dado passo. Como nesta casa ninguém anda à procura de ter razão (coisa que, como todos sabem, não mata a fome), mas simplesmente de tentar evoluir todos os dias, achamos que é tão importante viver o presente como nos mantermos atentos ao passado, de forma a fazer melhor no futuro. Este texto publicamo-lo faz hoje 1 ano.

É normal perder-se dinheiro na bolsa? - pergunta-nos o nosso amigo Adalmiro Fonseca.

Agradecendo a pergunta de tão ilustre frequentador desta casa, que é de todo pertinente numa semana em que só ganhou dinheiro quem esteve do lado curto do mercado, respondemos com números (que é sempre a melhor forma de responder).

Este que daqui vos fala, que anda nesta faina vai a caminho de 20 anos, tem um total de 30% de meses negativos e nem se envergonha disso, nem foi à falência, nem perdeu a vontade de continuar na jogatina e nem sequer tem registo de noites mal dormidas por conta de encrencas relacionadas com a negociata. É tudo uma questão de calma, de alguma racionalidade e de saber tomar decisões difíceis sempre que nos apercebemos que erramos. E na bolsa, tal como na vida, erramos todos e erramos muito, seja por ignorância, seja porque as circunstâncias se alteram ao minuto e ninguém tem capacidade para reagir tão rapidamente. O problema dos erros é quando não somos capazes de os emendar!

(Para não marrarmos tão a seco contra o muro das lamentações, deixem-se embalar pelo som sábio de Bob Marley (retirado da banda sonora do belo filme francês La haine que parte de uma frase de que gosto muito: l'important c'est pas la chute, c’est l’atterrissage!))


No final da semana passada cometemos o erro que vem nos livros. É incrível como, por mais experiência que se tenha, estejamos sempre a falhar como se fôssemos iniciados, mas a verdade é que já nos convencemos de que há alturas em que a emoção pura e simplesmente elimina a racionalidade e contra isso... batatas! Quando a ganância se sobrepõe ao medo pomo-nos a jeito para nos estatelarmos e depois tudo o que resta é que venha a racionalidade de novo salvar-nos do erro, desde que estejamos dispostos a pagar a fatura com línguas de palmo.

Depois da quebra dos 6190 pontos e da entrada do PSI20 no retângulo laranja do nosso gráfico era muito provável uma ida ao topo, mas nesse caso seria difícil imaginar uma quebra à primeira dos 6350 pontos. Mesmo assim, nós pusemo-nos a imaginar isso mesmo, pois a quebra foi tão rápida e convicta que nos convencemos de que ainda havia dinheiro pronto a ser extraído do mercado nem que fosse num movimento de muito curto prazo. Embalados por isso e cegos pela possibilidade de haver uma quebra que projetasse o movimento bem mais para cima fomos a jogo e tomamos conta da carga que outros mais finos que nós tinham para vender. O resultado foi o esperado: em dois dias a resistência fez o seu trabalho e o mercado sobrecomprado veio para baixo em marcha forçada:


Num mercado que leva 30% de subida quase sem respirar é natural que ocorram correções. E claro que, sendo este um jogo em larga medida emocional, é sempre de esperar que se passe da euforia à depressão em menos de um fósforo.

Um mercado que até quarta-feira se estava a marimbar para o problema dos gregos, de repente passou a achar que a Grécia estava decidida a falir e não havia hipótese nenhuma de impedir o suicídio dos comandados por Tsipras, com toda a incerteza que ato tão radical sempre traz.

Mas nós, curiosamente, até nem achamos que tenha sido esse o fator que mais contribuiu para os dois dias de despenque com que fomos presenteados, nem vamos na conversa de que tenha ocorrido um contágio chinês, por causa dos temores com decisões regulatórias na China que provocaram um sell off em Shangai (notem que o índice chinês sobe 112% em um ano).

Para nós, a grande notícia da semana veio na terça ou na quarta-feira e teríamos fechado posições nessa altura não estivéssemos tão impressionados com a tourada. A notícia veio da inflação na zona euro, que já voltou a terreno positivo (+0,3%). Se ao fim de tão pouco tempo de QE já temos o problema (gravíssimo!) da deflação a dar sinais de ficar sanado, que ideia é essa de haver um programa de compra de ativos em vigor até setembro de 2016? Não estará o BCE a ir depressa e longe de mais? É bem capaz de estar e, mesmo que não esteja, acreditamos facilmente se nos disserem que a torneira fechou já um bom bocado e se acionaram os travões até que cheguem novos números: o Draghi está transformado num piloto de rali, com um pé no acelerador e outro no travão!


Viemos para baixo, portanto! Na sessão de quinta-feira ainda se pensou que o bull market imporia uma recuperação no dia seguinte. Chegamos a dizer que havia zona de entrada nos 6120 (base do retângulo laranja) ou, melhor ainda, nos 6060 (linha de tendência ascendente desde o início do ano). Quando vimos o DAX a arriar sem pensar nas consequências esperamos para ver.

Para nós, o que nos matou foi aquela quebra da linha de tendência no final da sessão de sexta-feira (ver gráfico acima), que tornou inevitável o fecho de posições, apesar de estarmos conscientes de que:
  • o movimento está muito esticado para baixo;
  • continuamos em bull market de curto e médio prazo;
  • há uma probabilidade muito grande de ressalto no curtíssimo prazo;
  • a correção era inevitável e até desejada;
  • etc. 
A quebra da Lta obriga-nos a ser disciplinados e é preciso pagar o preço pelo risco desnecessário que corremos ao comprar perto da resistência. É assim que garantimos que continuamos vivos para voltar à luta: a bolsa é sobre disciplina e a tomada de decisões difíceis é a parte mais importante de sermos disciplinados! Se a quebra se confirmar nos próximos dias teremos, com probabilidade, uma descida à zona dos 5750-5800. Se não se confirmar e voltarmos para cima da linha em fecho, estaremos prontos para voltar à luta. Eis como uma compra mal feita pode dar origem a uma venda mal feita, com possível recompra mal feita e, assim sucessivamente... Mas estas são as regras do jogo e a nós, nesta casa, ninguém nos tira de ideia de que só assim se ganha dinheiro nos mercados de forma consistente!

Mais uma da nossa banda sonora:


Para ilustrar a problemática da quebra das linhas de tendência vejam o gráfico do DAX:


Se achamos que o movimento de fundo esteja em causa, não achamos, até porque a correção, para além de ser saudável vai ser aproveitada por dinheiro fresco para entrar nos mercados. 

Continuamos a achar que o problema grego vai ter que ser resolvido, de uma forma ou de outra, sem que haja qualquer tipo de incumprimento: seria inacreditável um país da zona euro falir e, para além de colocar a Grécia numa situação de emergência humanitária, criava um precedente tão sério para todos os países europeus que, pura e simplesmente, ninguém na Europa quer ficar na História por ter sido responsável por esse tipo de ocorrência. Claro que os do Syriza estão neste momento muito entalados (como dizia um amigo meu, estão entre a espada e a espada), já que não podem ceder às imposições internacionais, pois têm o povo e o parlamento à perna, nem podem implementar o programa pelo qual foram eleitos, porque não há dinheiro: é possível que não escapem desta! Evidentemente, a questão só se vai resolver nos descontos (como às vezes sucede na bola) e, nesse sentido, até achamos que a notícia de que os gregos chegaram a um acordo com a Rússia para antecipar o encaixe de 3 a 5 mil milhões de euros (ainda que no curto prazo tenha potencial para levar o mercado para cima) pode ser prejudicial, pois acabará por prolongar o bailado! 

Mas como já dissemos, se quiserem estar atentos a dados que mexam realmente com os mercados, diríamos que é preciso olhar para os próximos números da inflação. É que todos sabemos que estas subidas de 20 e tal por cento nos índices no que vai de ano têm muito que ver com o programa do BCE. Se a inflação sobe, o Draghi trava, os juros sobem e as bolsas arreiam! Elementar!

E estamos quase em maio...

2.3.16

Jerónimo Martins

Olhando para estes resultados fica-se com a ideia de que a JMT é uma empresa cara. 

Com um PER atual de 25, mesmo com um crescimento de lucros na Polónia de 12% não parece haver grande margem para valorizações consistentes, até porque Portugal está parado e a Colômbia, até à data, está a ser um bom sorvedouro de dinheiro. A margem ficou em linha com o ano passado nos 5,8%, bastante abaixo do alvo de 6,5% até final de 2017, o que pode levar o mercado a pensar que podemos falhar esse objetivo, tanto mais que não se prevêem grandes crescimentos da inflação ou diminuição da concorrência (vulgo: promoções). Do lado positivo, uma dívida baixíssima, para os padrões portugueses, que permite libertar recursos para dividendos generosos. 

Do ponto de vista técnico, é das ações portuguesas em melhor forma, mas está numa zona de resistência muito importante e que já não consegue vencer há mais de dois anos:


Se amanhã subir, acreditamos que possa ir um bom bocado mais acima, mas julgamos que há um sério risco de ainda não ser desta que vença a resistência.

Se nós fôssemos um banco de investimento, apontaríamos para um PER mais saudável por volta de 18 (afinal de contas, a JMT não é nenhuma empresa de alta tecnologia!), o que dará um price target de 11€ para o final do ano, assumindo uma subida (generosa) de 15% no resultado líquido ao longo de 2016.

Por comparação, a título de exemplo, a Sonae, que apresenta resultados no dia 16, à cotação atual e com os lucros de 2015 tem um PER de 13!

21.2.16

O lobo mau

Os números da economia ajudaram, o acordo do petróleo também e a tremenda situação de sobrevenda deu o impulso final para que os principais índices tivessem uma semana muito engraçada, tendo em conta o que vem sendo a bitola no que vai de 2016. Aliás, a festa esteve tão porreta que, como em boa hora assinalou o João aqui, fomos a toda a bolina em direção a uma zona de perigo nos índices que acompanhamos.

No DAX embatemos nos 9400 pontos, anterior suporte-mor, reforçado pela presença da EMA21, zona agora infestada de ursos e, por conseguinte, terreno de shortanço. Se quebra em alta já, ficamos muito admirados (mas longe de nós regatear com o mercado)! Se vem para baixo arrisca mínimos ou, sendo mais otimista, ou higher low um duplo fundo. Manda a lógica, portanto, que se entre curto com target nos 8700-8800, mas o mercado só costuma ser lógico no retrovisor e a olho nu é mais matreiro que o lobo mau.


Pedimos desculpa pelo lapso da régie, que colocou a estampa desta moçoila talvez a pensar nos motivos que levaram o lobo a ser mau e matreiro. A imagem correta é esta:


No S&P500, o João explicou tudo no texto dele e nós não lhe acrescentamos uma vírgula que seja. No PSI20, o nosso gráfico ficou assim:


É evidente que com a reentrada no canal em jogo na quinta-feira, não precisaram de nos assobiar para passar o testemunho a outros, que estivessem menos cansados, e assim chegamos ao fim-de-semana líquidos como água da torneira.

Se nos perguntarem o que faremos em seguida, diríamos que nos parece que a jogar na equipa da ursalhada (ou do lobo mau!) se estará melhor, tanto mais que poderemos fechar com poucas perdas se houver quebra em alta daquelas linhas chave que pusemos no gráfico.

Aliás, no início da semana, ficaremos admirados se não houver lucros para quem vender emprestado e explicamos porquê.

O anúncio do referendo no Reino Unido é, evidentemente, uma má notícia, até porque o mercado só estava à espera desse berbicacho em 2017. Claro que a reação pode não ser má, se rapidamente houver a percepção de que o "sim" ganhará, mas a verdade é que até 23 de junho vamos andar bastante tempo ao sabor das sondagens e dos anúncios de apoios que um e outro lado for conquistando. A forma com o primeiro-ministro britânico anunciou a decisão no dia de ontem, enfatizou quão grande é a situação de exceção do acordo RU/UE e admirar-nos-ía que as opiniões públicas mais independentes da UE como os nórdicos ou os alemães e em especial os franceses não começassem a fazer contas de cabeça acerca do funcionamento da própria União. Se o "não à UE" ganhar vamos assistir, como tem sido assinalado por diversos analistas, a uma situação de tão grande turbulência que muita gente terá que retirar dinheiro do mercado desde já só para poder descontar o risco dessa possibilidade. É que, por muito remota que a vitória do Brexit possa vir a parecer (como assinalava hoje o meu amigo Renato, há muitos fatores que os britânicos terão que pesar muito bem e não são só fatores económicos; por exemplo, se o RU sair da UE é provável que a Escócia abandone mesmo a união para poder aderir sozinha), há sempre a possibilidade de um atentado de última hora que espolete o medo a tal ponto que conduza a um resultado emocional! 

10.2.16

Primeiro dia de ressalto

Hoje estamos em modo ressalto, mas do jeito que as coisas se puseram todo o cuidado é pouco e podemos ter sol de pouca dura. Seja como for, mandam as regras do mais elementar bom senso que, mais do que tentarmos apanhar facas em queda, se avalie com rigor o que se passa no primeiro dia de um ressalto (nós que daqui vos falamos somos fãs incondicionais dos primeiros dias de ressalto depois de quedas violentas: nunca na queda, sempre no 1º dia de ressalto é regra que nos tem rendido maquias engraçadas). É que ressaltos com o mercado tão sobrevendido costumam durar pelo menos dois dias e pode ser bom negócio entrar desde que se seja lesto e se tenha estômago firme para aceitar que podemos ter que assumir perdas ato contínuo.

O bom dos ressaltos como o que está a ocorrer hoje é estarmos tão perto de suportes que podemos minimizar o entalanço com um stop loss pouco abaixo do ponto de entrada. É essa, de resto, a magia dos suportes: a malta não tem pejo em entrar porque o rácio ganho/risco é mega aliciante. Se quinar foge-se e não se pensa mais nisso!

No PSI20 temos receio de não conseguirmos superar a entrada no canal na zona dos 4800 pontos, o que coloca uma pressão muito grande sobre o nosso rácio custo/benefício. Com alguma boa vontade, pode ser que se acerque das EMA, 2% acima do valor atual, mas, como verão, estamos muito dependentes do que se passar na estranja:


Estamos a olhar para empresas que vêm de suportes firmes, como a SON, a Altri, os CTT, a EDPr ou a NOS e procuramos evitar as que estão em terra de ninguém ou aquelas que já quebraram o suporte como, por exemplo, a EDP.

O DAX pagou com línguas de palmo a quebra do nosso valor DATAC e escafedeu para cima de 600 pontos em dois dias: é obra! Agora o alvo evidente é o reteste do anterior suporte, pelo que se se aproximar desse valor vai haver muita gente a trocar longos por curtos. Em nossa opinião, quanto mais perto desse valor chegar, no mais curto intervalo de tempo, maior será a probabilidade de voltarmos às quedas fortes. 


Quem anda a segurar isto tudo, preso por linhas de coser (o mesmo é dizer-se, pela queda do dólar que traz sempre a esperança de que saiam favorecidas as exportadoras americanas) é o S&P500. Quebrou os 1870 em baixa e o alvo evidente era o reteste aos 1812, tendo recusado. Por esse motivo, acabou por se segurar e neste momento testa o retomar do valor anterior. Aqui temos território de urso e se hoje não fechar acima dos 1870 podemos ter um final de semana a esgalhar para baixo. Se superar dá sinal de que é capaz de financiar a tal ida do Dax aos 9400. Vai ser interessante de ver!

3.1.16

Para início de conversa...

Aqueles que nos seguem já sabem que andamos neste mister de negociar em bolsa sem ilusões nem constrangimentos, o mesmo é dizer-se, estamos prontos para mudar de opinião ao ritmo a que o vento muda de direção. Não estamos aqui para investimentos de longo prazo (para isso íamos para o imobiliário, p.e.), nem para nos afeiçoarmos à mercadoria em que investimos (para isso vamos negociar arte ou bólides de coleção, p.e.). A Bolsa coloca à nossa disposição a possibilidade de mudarmos de opinião ao segundo e não devemos nunca enjeitar a oportunidade de reconhecermos o nosso próprio erro. Aliás, se não o fizermos corremos o risco de pagar a fatura com línguas de palmo! Só para usar um exemplo que muitos reconhecerão, quem não corrigiu o erro de ter comprado BCP no primeiro dia de negociação de 2015 acarreta um desfalque de 25,6%, sendo que precisará de uma subida de 34,4% só para recuperar do prejuízo. Evidentemente, é possível que o banco venha a voltar a cotar nesses valores e até a superá-los, pelo que o problema principal nem é a chatice de amolarmos por ora com uma perda (embora esse seja um problema bastante aborrecido, até porque o buraco pode crescer); o problema principal é o custo de oportunidade que o dinheiro empatado num estraga-fodas sempre acarreta. Vivemos em dois dias e é sempre má ideia estragar, nem que seja uma nesga de tempo, com material avariado! Claro que para reconhecer que erramos é preciso ter uma bitola que nos permita identificar o erro. É aqui que entra a análise técnica: quando se compra é preciso perceber por que motivo o estamos a fazer naquele momento e não noutro, e que condição nos levará a vender custe o que custar! Na prática há sempre um rácio ganho/risco que é necessário avaliar e temos que ser intransigentes no momento em que o nosso rácio deixar de ser favorável. Num bull market isto é muito fácil de fazer e não levanta problemas de maior, mas quando estamos em maré bear muitas vezes erramos ao assumir um erro que afinal era só aparente: é principalmente por causa disto que muitos profissionais lerpam à grande em bear markets: andam sempre a mudar de curto para longo e vice-versa, a torrar cacau como se fossem fabricantes de chocolate.


Dou-vos um exemplo que creio vir a talhe-de-foice. Depois desta análise do João ao Banif vimo-lo a ir uma segunda vez ao mínimo de 0,0036€ e aceitamos que poderia haver compradores interessados em comprar uma espécie de duplo fundo (my God!). Fomos a ele nos 0,0038€ (erro, porque o João tinha falado e bem na quebra dos 0,0041€), mas estipulamos que um novo toque nos 0,0036€ era a nossa deixa para entregar a pasta a outro. Não foi mais tarde do que o dia seguinte e ainda tivemos a sorte de haver uma alma bondosa que acudiu nos 0,0037€ (não lhe conhecemos a estampa, mas na Bolsa temos que ser uns pelos outros: rezo, com genuflexão, para que não tenha encaixado um prejuízo muito grande!). Da parte que nos toca, não foi agradável queimar numas horas grande parte do graveto que o patrão generoso nos passa para as mãos num mês, mas bem vistas as coisas, evitou-se o pior... Claro que podíamos ter assumido o erro e afinal não era erro nenhum e ele tinha mesmo ido por aí acima e subido em flecha e... é a isto que se chama risco e os negócios são coisas arriscadas, seja na Bolsa, seja em outra arte qualquer!

Agora leiam o que vos quero dizer sobre este início de ano (não é muito!). 

Neste momento, não estou otimista nem pessimista porque, como sempre, há diversos motivos para comprar e outros tantos para vender: daí nunca faltarem os negócios. Em geral, inclino-me para achar que estamos naquela época do ano em que é mais fácil haver subidas (reconstrução das carteiras dos fundos, entradas de investidores que gostam de fazer apostas anuais, etc.) do que descidas (é preciso não esquecer que também há quem se posicione curto). 

No PSI20, ao preço a que estamos, será de esperar por uma quebra, em fecho, e com volume, dos 5400 pontos, onde já tocou duas vezes no passado recente e disse que não. Daí para cima devemos ter 3% de subida até à EMA200 e depois é provável que o momentum próprio dos inícios de ano se encarregue de não nos dar motivos para vender. Se vier para baixo, vamos ver se reentra no canal: se o fizer, vamos aguardar por ele cá em baixo perto dos 4900 pontos. 


Um bom ano para todos, com muitos bons negócios e poucos erros para assumir!

24.11.15

Há governo: podemos subir

Todos sabemos que o nosso presidente raramente tem dúvidas, mas desta vez acabou por suceder um desses fenómenos raros (um cisne negro?!) em que pareceu que a certeza andava fugida da cavaquence mioleira, de modo que lá fomos obrigados a assistir à exibição ad nauseum da arte de simular um grande bailado sem se sair do sítio. Ó presidente, toda a gente no país e arredores (até o Passos Coelho) percebeu que não havia volta a dar, de modo que esta tanga toda se é claro que não foi gozação, bem que pareceu armanço!

É certo que ainda vamos a tempo de um qualquer golpe de teatro, mas damos por boa a hipótese de se ter acabado hoje a incerteza política. Assim sendo, achamos que estarão reunidas as condições para que o PSI20 se comporte com mais tino, o mesmo é dizer-se, que suba... caralho! E suba bem e sem andar aos coices, como fizeram os outros todos (ou quase) desde o dia 4 de outubro: qualquer coisa na ordem dos 10 ou 12% para começar já nos satisfaz, ainda que se limite a corrigir o desmando em relação à maior parte dos índices com que nos gostamos de comparar!

Da análise técnica vai-vos falar o João, porque isto de mandar postas de pescada cansa um bocado!

Seguindo o raciocínio, a nível fundamental, escrito pelo David diria tecnicamente que se não fosse o aspecto de martelinho que o nosso PSI20 fez hoje, após escorregadela de sexta-feira passada, com a reação, intraday, à aproximação ao mínimo relativo (pós-eleições) e deixaria o pontual optimismo para mais tarde. No entanto a figura criada lança a expectativa de que podemos já de seguida atacar, novamente, as médias móveis ganhando novo impulso para superar o topo de um canal que tem sido barreira non grata para os longos. Superando-a, temos pela terceira vez a SMA200 como barreira final para o belo fim de ano que todos nós, que olhamos para cima, desejamos.

A janelinha com moldura preta que metemos no gráfico abaixo corresponde ao período pós-eleições e damos como válido que a oscilação foi fruto da instabilidade politica. Para nós agora é líquido: quebra em baixa a base do rectângulo e é fugir, que isto já não é só politiquice. Vai para cima e o que vemos é o seguinte: sai do canal e ficamos porreiros; sai da caixota preta e ficamos bull!

8.11.15

O governo e o PSI20

Quando vimos Jerónimo na TV a imitar Lenine ainda chegamos a pensar que o acordo se não fizesse, mas tudo não terá passado de wishful thinking e parece que vamos mesmo ter um governo de esquerda e Costa concretizará o sonho. Portanto, lá nos vai tocar sermos os segundos a testar a TIA (there is alternative), depois da barretada enfiada pelos gregos no verão passado ter deixado meio mundo a pensar que a TINA (there is no...) é que era boa! Pelos vistos, os do PS, ainda que contem com a ajuda do Syriza cá do sítio, vão tentar uma abordagem menos isto é para arrasar com tudo e começar de novo e prometem sensatez na forma como lidarão com o verdadeiro governo português que, como toda a gente sabe, tem sede em Berlim e Frankfurt e é liderado pela dupla Schauble/Draghi.

Do ponto de vista do PSI20 mantenho que se ignorarmos uma natural turbulência nos próximos dias, em que toda a gente vai andar a apalpar terreno, nada há de mau num governo ou outro por si só. Bem sei que há quem ache que os governos de esquerda são inimigos dos mercados, e que o aumento de despesa pública é sempre contrário à iniciativa privada e conduz inevitavelmente a mercados bear! Quem pensa assim deve olhar para o maior mercado acionista do mundo, os EUA, que estão de regresso aos máximos históricos pela mão de Obama, o despesista do healthcare de esquerda, máximos que foram atingidos pela primeira vez graças a um governo igualmente de esquerda (Clinton) no início do século. Pelo meio tivemos bear markets terríveis com as políticas de direita de Bush. Evidentemente, nós não somos americanos, nem estamos a dizer que há uma conexão parecida em Portugal porque a verdade é que não há! O que queremos dizer é que direita ou esquerda, por si só, não autorizam dicas de longo ou curto de per si.

No curto prazo, vamo-nos concentrar no comportamento dos juros da dívida pública porque é aqui que ficamos a saber se o BCE dá a Costa a benção que deu a Passos. Depois, temos de aguardar pela apresentação do orçamento de estado e aqui temo que nós, pequenos investidores, possamos vir a ter surpresas negativas: aplicação da taxa Tobin (que já está prevista para janeiro) e, quiçá, subida dos impostos sobre as mais-valias ou até fim da tributação autónoma (estou a especular, mas a verdade é que a festa vai ser tão boa que alguém tem que pagar)! 

À parte isto, é importante continuar a acompanhar o gráfico. Na semana que passou foi lá acima outra vez, mas a média móvel dos 200 dias voltou a dar para trás. Se formos até à linha tracejada a preto, vai haver cruzamento das médias móveis e teremos, provavelmente, um arranque até aos 6400 pontos (esse é o cenário que estará em cima da mesa se os juros, digo, se o BCE, não se melindrar). Se, por outro lado, quebrarmos em baixa a linha tracejada vermelha, há sério risco de um duplo topo que nos pode pôr na rota dos 5000 pontos! Com um governo mãos largas e com um orçamento que assuma um défice menor que 3% no próximo ano, só é necessário que os nossos governantes do centro da Europa acreditem na TIA e estejam dispostos a aceitar que a TINA é peta! Se assim for, não vemos porque há de um índice que continua a cotar em 1/3 dos máximos históricos continuar em bear market!

1.11.15

PSI20

Em Mecânica há sempre duas formas de analisarmos um movimento: 1) utilizando considerações energéticas, de modo a calcularmos a energia que é ganha ou perdida pelos sistemas; 2) recorrendo à dinâmica, de modo a calcular a força resultante e, de acordo com as leis de Newton, determinar a aceleração. O defeito de 1) em relação a 2) é que nada nos diz sobre o tempo!


Wright of Derby - A lição do filósofo sobre o planetário - National Gallery

Nos mercados também há duas formas de analisarmos o movimento: 1) utilizando considerações fundamentais, de modo a calcularmos os ganhos e perdas de dinheiro por parte das empresas, tentando fazer previsões relativamente ao andamento futuro do negócio; 2) recorrendo à dinâmica sob a forma de análise técnica, de modo a nos podermos juntar a todos aqueles que usam as mesmas ferramentas que nós e poder tomar decisões de grupo e assim beneficiar de um simulacro de informação privilegiada. O defeito de 1) em relação a 2) é que nada nos diz sobre o tempo!

E o tempo é no caso dos mercados, como no do movimento de sistemas, um fator de importância decisiva, não só por causa do custo de oportunidade (ao avançar antes de tempo, perdemos a oportunidade de avançar de uma maneira mais proveitosa), mas também porque tudo muda tão depressa que se esperarmos demasiado tempo corremos o risco de termos de corrigir quando já é demasiado tarde. É por isso que Newton foi um dos grandes da história humana e é por isso que nós (que não somos Newton) preferimos a análise técnica à análise fundamental (até porque também não somos contabilistas)!

Na semana passada, analisamos a notícia da entrada da Mota Engil na eletricidade do México e achamos (e continuamos a achar) que a coisa era boa onda. Mas a notícia cai no âmbito da análise fundamental e, portanto, não há nada que possamos dizer sobre o tempo. E isso tira-lhe força porque enquanto o pau vai e vem,... lá está!

Do ponto de vista técnico, o PSI20 vai fazendo o seu caminho entalado na terra de ninguém. Gostávamos muito de vermos o índice ir acima do máximo relativo anterior nos 5600 pontos e depois vir ganhar balanço ali à Lta na zona dos 5350-5400, ficando sempre acima da linha tracejada vermelha: esse seria o ponto de entrada ideal! 


É verdade que a bolsa portuguesa é uma caquinha sem grande interesse do ponto de vista fundamental, mas é bom que não confundam isso com a possibilidade de ela nos dar dinheiro. E notem que, apesar de tudo, o PSI20 está este ano a valorizar mais dos que os americanos, o alemão ou o espanhol Ibex!

16.10.15

Música para bailar ao ritmo dos politiqueiros

Segunda-feira, Costa sonha ser primeiro-ministro. A excelente atriz Catarina, que desde sempre viveu no mundo do surreal, sonha abrir uma sucursal do Syriza no lado de cá do continente de modo a expandir a franchise. Os dois, C&C, encontram-se e projetam lançar-se à obra de transformar o sonho em realidade. Jerónimo sonha permanecer eternamente no mundo do abstrato e da luta bolchevique, mas dá-se conta, de repente, que está a perder fiéis em massa para a religião mais à esquerda. Resolve tomar medidas drásticas e arranja um padre para abençoar as presidenciais, enquanto dá luz verde aos rapazolas vermelhos para que sonhem com uma nesga de realismo. O sonho de Costa cresce e transforma-se numa alucinação psicotrópica em que vinga o episódio do PEC IV, desbanca Passos e Portas e assume o poleiro, com a benção dos comunas e sem ter que passar pela maçada de ter de ganhar eleições. A clientela socialista, que tinha ficado tão fodida com os resultados eleitorais, acha que está a sonhar e apressa-se a embarcar numa espécie de voo por universos paralelos em que o impossível subitamente se torna real, só porque os de esquerda são tão saloios que não se importam nada em lhes dar tudo para se verem livres dos sacanas da direita. O sonho dos da coligação transforma-se em pesadelo quando percebem que não só a maioria absoluta se foi com os cucos, mas que podem inclusive ser mandados embora, se não arranjarem maneira de dar ao Costa um sonho melhor do que o de ser primeiro-ministro. Em pânico, concebem o plano de se porem de joelhos e dar tudo o que têm em troca de terem um governo aprovado pelo PS na AR. Na terça-feira, o sonho de Costa atinge o clímax: com Catarina e Jerónimo a acolitar e pleno de soberba já nem abre a boca para dizer seja o que for. Quer ser primeiro-ministro e ponto final. À noitinha, recebe os dois estarolas da coligação em casa e nota-lhes o ar de aflição e a predisposição para baixar as calças sem pestanejar. Todos dizem que é ele que tem a faca e o queijo na mão e percebe-se bem que aos pobres diabos da direita lhes apetece comer queijo. À hora do noticiário, Costa vê-se na contingência de ter de decidir entre dois sonhos hiperbólicos: 1) deixar P&P "governar" como fazem as marionetas e aguardar pelo momento oportuno para assumir funções; 2) governar desde já, fazendo fé nos vermelhos e aceitando como boa a hipótese de que o BCE não lhe faria a folha em poucas semanas! Intuitivamente, prefere a primeira hipótese porque sabe que basta Bruxelas querer para que os juros da dívida se encarreguem de rebentar com ele e com tudo à volta, mas compreende que os clientes, que não vêem mais longe que o dia seguinte, não se vão contentar com nabiças podendo comer bife! Estávamos neste pé, quando soa uma voz grossa e o sonho perde um bocado de cor: "não pense o PS que isto são favas contadas!", adverte Jerónimo, tomando a atitude do pai de família que põe na ordem a rapaziada sobreexcitada. P&P percebem a mensagem e logo a seguir vêm à televisão trunfar (isto na quarta-feira). C&C, que estavam charrados até não poder mais, enfrentam a ressaca e Jerónimo, talvez abençoado pela fradaria, assume as rédeas da jigajoga. Vamos bailando!


30.9.15

O regresso da deflação

Não sei se a subida de hoje tem que ver com isto, nem tal me interessa! Contudo, esta é uma notícia importante no que à especulação bolsista diz respeito. O regresso da deflação é o garante de que a máquina de produzir euros pode carburar bem mais depressa e durante mais tempo! Aliás, em maio passado assinalamos que o desaparecimento da deflação, que se começou a registar na altura, era uma má notícia (para o mercado, bem entendido) porque ia fazer o BCE hesitar e quiçá vacilar na aplicação do seu programa de QE! Agora, com o regresso dos preços à mó de baixo não me admira nada esta euforia do mercado que, como todos bem sabemos, não é peco a descontar a possibilidade de haver cheta fresca para empatar na jogatina. 

Resta saber se o mercado vai ter unhas para ir mais além disto, neste momento. É que, não só a deflação é uma má notícia para a economia como um todo, mas, mais importante do que isso, agora já estamos em bear market e, como dissemos diversas vezes, quando os ursos mandam só há boas oportunidades... para vender! No entanto, é inegável que este regresso da queda de preços é um sinal muito claro de que vai haver dinheiro barato por muito tempo... e esse dinheiro tem que ir para algum lado!

27.9.15

A entaladela

A entaladela anda de mão dada com o bear market e não há investidor, por mais meticuloso que seja, que se possa gabar de não ter passado por uns apertões valentes pelo menos uma vez na vida. Se o apertão for de calibre superior, uma vez costuma ser suficiente, já que só os masoquistas querem repetir a experiência. E um masoquista jamais dará um bom investidor, etc.! 

A entaladela decorre diretamente da nossa tendência natural para preferirmos dar crédito àquilo em que acreditamos em vez de aceitar a verdade, por muito dura que ela seja. E quem anda na Bolsa tem ao seu dispor pelo menos duas verdades que já passaram o teste do tempo: pode-se comprar e vender todos os dias; e as tendências são as nossas maiores amigas! Em bear market nunca é tarde para vender, a não ser que estejamos à espera de ser os últimos a fazê-lo; evidentemente, em bull market, nunca é tarde para comprar, a não ser, etc.! 

Conto-vos, para servir de exemplo, o caso que sucedeu comigo quando levei a coisa ao cúmulo do esmigalhanço nos tempos em que comprei Pararede (atual Glintt) pela módica quantia de 5 euros e tal (era no tempo em que ainda ia na cantiga dos analistas, que lhe atribuíam uns price targets todos catitas) e aguentei firme a vê-la ajustar a um valor mais verdadeiro durante o bear market que se seguiu ao famoso estoiro das dotcom. Aguentei e aguentei enquanto o meu património se esfumava ao mesmo ritmo a que aquela caca descia, e mantive-me firme até que me enchi de coragem e as passei a outro a 0,75€: uma perda de 85%, numa parte muito considerável da carteira. Foi uma venda louca, numa altura em que muitos já pensavam que o mínimo estava feito e era asneira assumir uma perda depois de tanto sofrimento e destruição de valor. Mas foi também uma venda redentora: uma limpeza para a mente e uma libertação para o espírito. Uma lição valiosa; um curso superior de Bolsa; um encontro com o Santo Padre; uma benção direta do deus dos especuladores; uma epifania! Ninguém de senso arrisca um sofrimento daqueles duas vezes! Só vende e perde quem vira a cara à luta e desiste! Só não vende e não perde o... Berardo! Depois de vender a perder, poupamos! Sim, poupamos e preparamos o nosso regresso. E afinamos ferramentas para detetar a inversão de tendência! Não pensamos nas perdas, nem lamentamos a burrice porque adiantamos um grosso: só esperamos e poupamos! Ah, e estudamos. E lemos e aprendemos! A Pararede dessa altura veio aos 0,20€, um golpe quase igual ao meu, se estivermos a falar de percentagens. Um dia, talvez coisa de um ano depois da minha venda, vi-a quebrar os 0,28€ pa riba e lembro-me de olhar para o gráfico e achar que aquele lixo tinha ativado um sinal de compra: entrei a 0,29€ com tudo e saí a 0,58€ três dias depois. Tinha havido uma especulação qualquer e o mercado foi amigo! Repus as perdas e voltei ao negócio!

Não interessa!

O que interessa é o que fazemos agora. Se estão com uma entaladela às costas saibam que estamos em bear market! Em bear market, se nos achamos entalados, as idas às resistências são oportunidades de venda; as quebras de suportes são oportunidades de venda; as más notícias são oportunidades de venda (e as más notícias são realmente más em bear market), as boas notícias são oportunidades de venda, as noites mal dormidas são oportunidades de venda, enfim, tudo são oportunidades de venda! A Bolsa voltará a subir e o importante é que nós continuemos lá e ainda tenhamos dinheiro e disposição para atacar quando a oportunidade aparecer!

Como sei que muitos de vós estão entalados no BCP, digo-vos qual seria o meu plano de combate neste momento. Ilustro-o com um gráfico, que mostra como estamos num valor crucial.


Aqui é zona de compradores que não têm muito a perder porque vão ser os primeiros a largá-las se o virem quebrar com volume. Se der para ganhar dinheiro vão estar vendedores na zona entre os 0,05 e os 0,0525 para voltar a recomprar se quebrar os 0,054€ bem quebrados, and so on! A quebra dos 0,0464 em fecho é sinal para bater em retirada e é preciso tomar uma decisão doa a quem doer! Isto é uma guerra e temos de nos manter sãos; temos que sobreviver para voltar à luta em melhor forma. É evidente que a venda tinha que ter ocorrido na quebra da linha vermelha lá em cima nos 0,062 (dissemo-lo aqui), mas agora não adianta de nada bater com a cabeça na parede! Essa, agora, é a lição que fica para o futuro! 

O gráfico abaixo ilustra a visão pós-possível-venda, assumindo perdas na zona dos 0,0464 (não se precipitem, mas não o deixem sangrar mais: o equilíbrio é difícil, mas dele depende a nossa riqueza e, mais importante, a nossa sanidade mental). 


Vão tentar ampará-lo na zona entre os 0,039 e os 0,040 (há sempre gente às apalpadelas e a Bolsa vive disso mesmo; como está oversold nem parece má ideia). Se isso acontecer já estarão a recuperar uma parte do capital porque podem comprá-lo mais barato e voltaram a restabelecer os índices anímicos (o que também é importante)! Eu talvez esperasse um pouco mais, porque o mínimo histórico estará demasiado perto e pode com toda a tranquilidade fazer a graça de o tentar quebrar. Vai ser preciso que isto azede um bom bocado (atenção às eleições de domingo!), e, apesar de tudo, não é fácil de imaginar, mas... quem pensaria, há uma semana atrás, que a VW ia dar cabo de uma parte da boa reputação alemã em tão pouco tempo? 

6.9.15

Bear market?!

Se seguiram à risca o que dissemos aqui, designadamente a proibição de entrar no PSI20 abaixo dos 5320 pontos, e as sugestões que pusemos aqui tenho a certeza de que estão todos bem, depois de uma semana em que se acentuou a ideia de bear market, e não tiveram motivo nenhum para sobressaltos (é dos livros: na Bolsa, quando os touros comandam devemos olhar para as resistências, mas se a ursalhada toma o controlo da situação, ou estamos de fora a ver, ou fechamos doa a quem doer se o suporte arreia)! Melhor ainda estarão se tiveram a estaleca suficiente para entrarem curtos e pôr o pilim a trabalhar em marcha-ré, coisa que este que daqui vos fala ainda não se acostumou a fazer. E não foi por a luz estar apagada e não se ver bem, mas antes por comodismo e falta de vontade de enveredar tão logo pós férias numa batalha campal de que só pode resultar algo de bom para os sortudos ou para os campeões (aliás, entrar curto e alavancado é arte que apenas está ao alcance de quem os tem de aço, porque quando te contornas vem um short squeeze que te deixa a carteira a zeros enquanto ainda festejas os ganhos)!

Da última vez que ponderei uma entrada longa, disse-o aqui, contava com dados floreados vindos da China na terça-feira, mas nem com todas as flores do mundo foram os chineses capazes de embelezar um índice de gestores de compras (PMI) que veio, de facto, muito mau. Para terem uma ideia, fala-se desde sempre de uma aterragem suave da subida exponencial do PIB chinês, querendo dizer com isso que seria necessário passar de níveis de crescimento insustentáveis em torno dos 7 ou 8% (eu sou do tempo dos 11, 12 ou 13%) para valores que fossem menos sobreaquecidos. Todavia, diversos estudos que têm vindo a ser publicados ao longo dos últimos anos, sugerem que a sociedade chinesa, com toda a diversidade étnica que possui, com as desigualdades de distribuição de rendimento, e principalmente devido à vastidão do território e da população e às tensões históricas entre diferentes etnias, necessitará de um crescimento de, pelo menos, 6% para evitar o surgimento de conflitos e tensões sociais! Ora, se estivéssemos na Europa ou nos EUA um valor do PMI abaixo de 50 era sinal claro de recessão meio ano depois! Na China é a segunda vez seguida que o valor do PMI vem abaixo dos 50 (47,2 na terça-feira) e era este valor que eu julguei que seria maquilhado desta vez: se não foi é porque a situação é mais grave do que mostra o número divulgado. Se juntarmos a isto a recessão no Brasil e na Rússia (dos BRICs falta a Índia), acabamos a pensar que pode muito bem suceder que a China falhe a aterragem suave, descambe do crescimento mínimo de 6% e acabe com o PIB a decrescer! Que economicamente isto vai ter efeitos difíceis de perceber no mundo inteiro é um facto evidente, mas mais preocupante ainda parece-me a possibilidade de os sociólogos terem razão e podermos vir a começar a ter uma primavera chinesa capaz de meter os efeitos da primavera árabe no bolso do chinelo!

Dito isto, que faz um trader normal num ambiente como este?! Um que nem seja sortudo nem campeão e que tenha que fazer pela vida se quiser ganhar um lugarzito ao sol! Que se recomenda, digamos, ao especulador comezinho, que faz os seus negociozitos calmamente a partir de casa, que convive bem com 30% de rendimento anual quer chova quer faça sol, que não se importa absolutamente nada em redistribuir 28% do lucro à sociedade, que gasta tempo a mandar umas larachas para ajudar os outros num blogue sem interesse absolutamente nenhum, mas que tudo o que menos quer é passar noites mal dormidas ou entregar dinheiro aos mercados em vez de o gastar no pagode? Sim, que deve fazer este nosso amigo para manter a mente sã e a carteira incólume enquanto o bear market se instala e as carteiras desmoronam?!

Pois bem, amigos, como este espaço foi feito justamente para traders como este nosso amigo recordo-vos (em diversos textos tenho dito muitas vezes aquilo que aqui vou repetir) as minhas dicas feitas de 20 anos a conviver com esta selva:

- Estamos a caminhar para ou em bear market e disso já ninguém pode ter dúvidas. Vejam o gráfico diário do PSI20 ao fim desta semana:


Vejam o DAX:


Olhem para o CAC:


E apreciem o S&P500:


São todos gráficos de bear market? Não! Para já são gráficos em que se nota uma inversão grave! Todos eles exceto um! O PSI20! O PSI foi o único que nem chegou a estar em bull market (precisava de ter quebrado consistentemente os 6400 pontos e não o fez). Podem dizer que tivemos falências graves no índice, mas não me parece que tenha sido essa a verdadeira razão, nem tão pouco o foram as questões de política interna ou a nossa dívida pública, etc. Para mim, o PSI20 é o gráfico mais bear dos quatro porque é o menos líquido e é aquele em que os sensatos, aqueles que reagem rapidamente, têm mais dificuldade em desfazer posições sem mexerem muito com as cotações. A queda do PSI20 abaixo dos 5320 sinaliza a entrada do índice em bear market, coisa que nas correntes situações económicas, políticas e sociais só encontra justificação em algo que se tornará evidente para os menos avisados daqui por meio ano! Há uma semana ainda estava todo afoito a contar com uma inversão de tendência e uma figura em V que levasse os mercados de novo para cima, mas depois do PMI chinês fiquei com a ideia de que todas as subidas não passarão de shorts squeezes que vão ser aproveitados para os longos entregarem a carga e os curtos reforçarem! Parece-me que a entrada em modo bear nos restantes índices tem uma grande probabilidade nas próximas sessões (se a Fed subir taxas podemos ter um acelerar do movimento de queda no S&P), e essa sensação é reforçada, curiosamente, pelo comportamento do nosso índice pequenino (vigiem os 4900 pontos, onde vai haver gente apostada num duplo fundo!, mas que marcarão uma ida a mínimos do ano em caso de quebra)!

- Em bear market, contem sempre com o pior. Todos duvidamos que a China caia de um crescimento de 7% para uma recessão (até porque ao contrário do Brasil e da Rússia não está tão dependente das matérias primas ou de questões de política geoestratégica), mas quando se trata de dinheiro nunca devemos menosprezar o facto de ele nos dar imenso trabalho a obter! A queda do índice chinês foi um rombo monumental para imensas famílias que tinham entrado na Bolsa porque estavam a ter dificuldade em garantir o seu quinhão no fulgurante crescimento económico e foi um estoiro de todo o tamanho para imensos bancos que financiaram crédito para carteiras de ações. Se a isto juntarmos todos os restantes problemas típicos e conhecidos do crescimento, fica mais fácil perceber que há matéria suficiente não só para recessão, mas inclusive para dar razão aos sociólogos. Se em Espanha a independência da Catalunha vai ser um bico de obra, imaginem convulsões na China que criem tensões separatistas! Improvável?! Eu não apostaria um cêntimo!

- Ninguém ganha dinheiro consistentemente em bear market, a não ser que compre nos suportes e venda imediatamente se estes arriarem, mas temo que esta arte seja tão difícil que mais valha ficar tranquilamente à espera de sinais de inversão, mesmo que se compre mais caro (é corrente dizer-se que a única forma de acabar com um milhão de dólares em bear market é começar com 2 milhões). É como transformar chumbo em ouro: basta retirar 3 protões a cada átomo de chumbo e já está! Se os alquimistas soubessem (ter um reator nuclear dava jeito)! Na prática, porém, fica muito mais barato andar à procura de ouro em filões (partindo do princípio que nos interessa).

- Esqueçam as eleições portuguesas e gregas (a propósito, era interessante percebermos que carago foram os meses Tsipras? Que foi aquilo afinal? É o ser humano racional? Se sim, expliquem os meses Tsipras! Não temos tempo nem pachorra para tanto, mas damos os parabéns a quem consegue explicar o que diabo foi aquilo que nos aconteceu a todos durante estes meses todos e ao mesmo tempo mantém que o ser humano é racional), esqueçam até o processo eleitoral na Catalunha. Esqueçam os refugiados sírios (ainda há quem esteja a tratar de arranjar uma solução para tamanho problema!) Estejam atentos aos números da economia chinesa! Ninguém está à espera de melhorias, mas se elas surgirem pode ser que tenhamos uma hipótese de haver inversão e aí é preciso mudar de opinião rapidamente!

- Jamais estejam em frente ao stream e negoceiem porque numa dada altura vos parece boa ideia! Se tiverem suportes traçados em que acreditam façam favor, mas abstenham-se de ver boas ideias onde só há miséria e dores de cabeça!

28.8.15

Onde pôr o graveto?

É evidente que nós que não vivemos as emoções das últimas semanas e nos mantivemos de fora enquanto andávamos no passeio estamos em pulgas para pôr o graveto a trabalhar (o que sobrou já descansou que chegue, o mandrião), quanto mais não seja porque, sejamos francos, sempre há movimentos no cartão de crédito que vão ter que encontrar fundo mais cedo ou mais tarde! E todos nós sabemos que se estivermos a contar com o patrão para nos acudir, bem podemos sentar o rabiosque que o sacaninha está-se nas tintas para as nossas banhocas na praia de La Concha, para a visita ao Camp Nou, para a sessão de compras das catraias em Andorra ou para os mergulhos na água caliente em Peñiscola, terra do Papa Luna (não se esqueçam, meus bondosos amigos, de que sem uma grande carga cultural não se ganha dinheiro na Bolsa)! Para isso não haverá outro remédio agora que sacar o pastel de onde ele há em quantidade. E onde é esse sítio que adoça e arredonda todos os nossos sonhos? Pois bem, adivinharam: nos mercados!

Infelizmente, todos nós sabemos que o mercado é um filho da puta bastante descarado e não seria de admirar (nem inédito) que nós viéssemos agora todos gaiteiros armados em bons e com o troféu de termos escapado de boa, para logo a seguir o armante nos pregar a partida de se voltar a escangalhar connosco a bordo. Há que ter cuidado, portanto!

Como nós privilegiamos o PSI20, que para ganhar dinheiro certinho e sem grandes aventuras é mais do que suficiente,* vamos repor um gráfico que nos tem acompanhado há imenso tempo (por exemplo aqui):


Duas coisas resultam evidentes para nós:

1: Entradas só com fecho acima da linha tracejada vermelha (pode ser já 2ª feira). Nesse caso, temos como primeiro alvo o topo do canal quase 4% acima. Para baixo, base do canal em primeiro lugar e depois os 4900 pontos que, muito francamente, julgava que já não seriam atingidos este ano e acabaram mesmo por sofrer uma marrada na passada 2ª feira (a negra);

2: Com o regresso da gente graúda na próxima semana, parece-me bastante provável que rompamos para cima e haja um movimento acelerado se os números da economia chinesa (PMI) que saem na madrugada da próxima terça-feira não forem demasiado fracos (como sou um bocado vidente, já agora arrisco dizer que me palpita uma surpresa positiva - os números chineses, todos sabemos, são martelados e se botarem cá para fora uma coisa má agora é o fim da picada, pelo que isto vai seguir o percurso habitual nestas situações: os políticos vão ter que aplicar pomada!).

* Na Bolsa tudo sobe e tudo desce, seja aqui, seja na América ou na China e a informação clara e atempada é fundamental; cá na nossa terrinha, com o nosso índice esquelético, com meia dúzia de empresas para negociar, mas com possibilidade de acompanhar as poucas variáveis necessárias gastando um módico de tempo, consegue-se fazer um serviço calmo e tranquilo e que põe dinheiro no bolso desde que sejamos espertos nas entradas e intransigentes nas saídas.