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7.5.14

O que devo saber antes de Negociar em Bolsa.

Facto nº 19

Cuidado com as percentagens:
- Uma perda de 10% implica um ganho posterior de 11,1% para voltar ao valor inicial;
- Perdidos 50%, há que ganhar 100% para regressar ao ponto de partida;
- E se despencas 90%, vais ter de multiplicar por 10 (900%) para voltar ao patamar de que partiste.

6.5.14

Nesta altura do campeonato, tenho a certeza de que aqueles que nos vão seguindo aqui no Negociarembolsa já devem ter tirado de mente a ideia de que vão ganhar uma pipa de massa nos mercados sem trabalho, canseiras ou chatices. Uma das três terão de certeza e o mais provável é que vos toque a dose por inteiro, como é costume acontecer.

Olhando para a subida estrondosa do BCP desde que "irrevogável" perdeu o significado que os nossos avós lhe deram, isto é, grossomodo desde meados de 2013, é natural que fiquemos a salivar e achemos que éramos super felizes se tivéssemos tirado as economias do escanzelado depósito a prazo onde estão enfiadas e as botássemos para correr naquele belo cavalinho. Triplicar o pilim que tanto custou a arrecadar é um tónico que alegra qualquer alma e deixa a mesa mais farta e apetitosa.

Claro que agora, olhando para trás, a coisa parecia evidente: afinal de contas, o BCP a 7 cêntimos era mesmo módico, olhando para os 22 a que hoje cota. Mas, na altura, a música era outra: afinal de contas, uma queda de 7 para 5 leva-nos a mesma percentagem da carteira que uma queda de 22 para 15 (não sei se me entendem!). E não era nada claro se o caminho não seria mesmo para baixo! No fundo, estamos sempre nessa decisão: é possível que daqui por um ano o BCP esteja nos 60 cêntimos (o triplo de hoje). Quem arrisca, baseado nessa expetativa?!

Mas eu nem queria falar especificamente no BCP. 

O caso do dia nos mercados internacionais é mais uma vez o Twitter. Ao contrário do que se passou com o Facebook que despencou mais de 50% no seu primeiro ano em Bolsa, vindo depois a recuperar para estar agora a lucrar outros 50%, o Twitter estreou na Bolsa americana a 26 dólares no início de novembro do ano passado, tendo atingido quase o triplo ($74,76) em dezembro. Desde ai é que a coisa já não correu tão bem, tendo a descida sido feita em marcha acelerada. Desde que apresentou os resultados do trimestre (que tivemos oportunidade de comentar em post anterior) tem sido uma autêntica chacina com sangue de touro a esparramar por todo o lado. Um terror. Hoje despenca uns chocantes 15%. 

Quem acha que as redes sociais vão ser o negócio do futuro vai ter que fazer as contas de novo. É que, mais uma vez, quando se acha que um negócio vai ser magnífico, vende-se caro logo à partida e esse é o problema. As ações do Twitter estão tão caras que, embora o negócio seja engraçado e desperte natural interesse, é necessário crescer muito e depressa para corresponder às expetativas. Se isso não acontecer, e o povo der conta, diacho, vai ser como com o gato do tweety que cai com tal bolina que... acaba por furar o chão!


Buy the rumor, sell the news

Tal como previsto, o BCP abriu em alta a refletir os bons resultados apresentados ontem.

Entretanto, porém, tem vindo a esmorecer e a colocar dúvidas a muitos investidores acerca da sustentabilidade da subida. 

Como é evidente, ignoro como decorrerá a negociação até final da sessão, mas nada há de novo neste comportamento do título. 

É óbvio que os resultados foram bons (ainda que uma leitura mais fina possa por a nu uma ou outra insuficiência, que os analistas se encarregarão de apontar), e há uma clara melhoria em relação aos trimestres anteriores que parece apontar para um regresso da banca aos lucros e aos dividendos a médio prazo. 

Mas essa melhoria já tinha sido antecipada pelos mercados ao longo dos últimos meses, e teve por consequência a subida da cotação da ação para o triplo em menos de um ano. 

Neste momento o que interessa, portanto, é novamente o futuro. Será que os resultados vão continuar a melhorar de forma consistente ou haverá novas nuvens no horizonte. Hoje, por exemplo, saíram os números das vendas a retalho na UE e foi em Portugal que elas mais caíram (estará a recuperação económica a arrefecer?). Por outro lado, o BCP beneficiou de fortes ganhos com a dívida pública portuguesa, mas esses ganhos não se vão repetir no futuro! E assim por diante!

Como vêem há sempre dúvidas que vão surgindo, que acabam por temperar as expetativas geradas, e jamais existem certezas. É por esse motivo que sempre haverá vendedores e compradores, Bulls e Bears, e um preço de equilíbrio em que os dois lados chegam a acordo num dado instante.

Há uma velha máxima bolsista que explica o comportamento de  um título que reage de forma surpreendentemente frouxa quando as notícias são boas: buy the rumor, sell the news (compra o rumor, vende a notícia). 

No fundo, quando a boa notícia sai, deixa de haver expetativa de sair a boa notícia, e aqueles que compram com base na expetativa deixam de ter motivo para continua investidos e vendem!

Por isso, se estiverem à espera de boas notícias para entrar na Bolsa, é bastante provável que venham a ficar desiludidos, a não ser que comprem o rumor!

4.5.14

O que devo saber antes de Negociar em Bolsa.

Facto nº 1:

Na bolsa negoceiam-se, em tempo real, títulos que têm por base variadíssimos ativos, sendo o preço ditado exclusivamente pela Lei da Oferta e da Procura.

Facto nº 2:

Os títulos negociados podem ser participações em empresas (ações), cabazes de ações (fundos, ETF's, etc.), direitos sobre empréstimos (obrigações), mercadorias (metais, petróleo, gás, cereais, etc.), ou derivados, como warrants, opções, CFD's, etc.

Facto nº 3:

Os produtos que se compram na Bolsa não têm qualquer utilidade para o comprador (mesmo que se tratem de mercadorias). Em vez disso, quem compra espera que, no futuro, possa vender os produtos mais caros, realizando uma mais-valia. Daí tratar-se de investimento.

Facto nº 4:

Na Bolsa há permanentemente compradores e vendedores: quando alguém compra, alguém vende e vice-versa. Tal como acontece na Natureza com a matéria e a energia, nada se cria, nada se destrói, tudo se... troca. Quem compra acha que o preço vai subir e vai poder vender mais caro; quem vende, acredita que o preço descerá, e poderá vir a comprar mais barato.

Facto nº 5:

Quem estiver na Bolsa a jogar ou a fazer apostas está no sítio errado. Seria a mesma coisa que jogar com a compra de uma casa ou de barras de ouro. Compramos ou vendemos porque temos uma certa expetativa, mediante a informação de que dispomos e as condições do mercado.

Facto nº 6:

Na Bolsa confrontam-se em permanência dois dos sentimentos mais primitivos do ser-humano: o medo e a ganância. Por vezes, o medo torna-se extremo e irracional e ocorre um crash; noutras alturas, a ganância exorbita e surge uma bolha especulativa. Na maior parte do tempo, o sucesso depende de sabermos dosear na justa medida esses dois ingredientes do nosso comportamento.

Facto nº 7:

Para Negociar em Bolsa não é necessário nenhum conhecimento especial, não temos que tirar um curso superior, não faz falta ser genial, ser musculado, bonito, ou talentoso. Também não temos que ser ricos. Tudo o que precisamos é de uma conta bancária com saldo positivo e uma ligação à net.

Facto nº 8:

A Bolsa é um negócio: compras e vendes. Às vezes as coisas correm de feição e tudo se passa como previmos; outras vezes nem tanto e rapidamente percebemos que fizemos asneira. No primeiro caso é um regalo; no segundo fizemos um galo. Tudo normal. No dia seguinte a Bolsa volta a funcionar!

Facto nº 9:

Abstém-te de Negociar em Bolsa se não estiveres preparado para perder dinheiro. Mas se fores artolas ao ponto de te dares ao luxo de perder mais de 20% do capital de que dispões, opta antes pelo casino, pelas apostas desportivas ou por um esquema Ponzi. Sempre dá menos trabalho e ao menos escafedes de uma só vez.

Facto nº 10:

Estamos sempre à espera de só haver boas notícias para comprar, ou então que o caldo esteja entornado de todo para ser certo que devemos vender. Mas isso nunca acontece. Na Bolsa, como na vida, nunca tudo é bom e jamais tudo será mau. No final, haverá tantos motivos válidos para comprar como para vender. É por isso que nunca faltarão compradores nem vendedores.

Facto nº 11:

O mercado segue tendências. Há períodos de tempo em que a tendência predominante é de subida, a que se seguem outras épocas em que enfrentamos uma tendência clara de queda. E, assim, sucessivamente, antecipando sempre os ciclos económicos. Na maior parte das vezes, torna-se relativamente fácil ganhar dinheiro na Bolsa, seguindo apenas a tendência.

Facto nº 12:

Os americanos, que com estas coisas dos mercados não costumam brincar, batizaram as tendências com duas designações que todo o investidor conhece desde o berço: à tendência altista chamaram BULL market, enquanto que a tendência baixista corresponde a um BEAR market.


Facto nº 13:

O touro simboliza um mercado que sobe porque, como todo o forcado sabe, aparte de se tratar de um animal um tanto ou quanto vesgo e destituído de tino, tem o hábito de atacar de baixo para cima, levantando tudo pelo ar. Já do urso diz-se que adquiriu o insensato costume de levantar as patas dianteiras antes de as fazer desabar sobre as suas vítimas, nocauteando-as sem que tirem o pé do chão.

Facto nº 14:

Por isso, já sabem, se acreditarem que o mercado vai subir e, consequentemente, estiverem compradores então, na gíria bolsista, estarão BULLISH; se, por outro lado, o cagaço vos inquinou e acham que a coisa vai para baixo, então, diremos que estão a passar pela chamada fase BEARISH. No fundo, é como se a bolsa fosse um misto de praça de toiros e coliseu romano na época áurea. Ou uma selva. Sintam-se a vontade para escolher!

Facto nº 15:

O problema na Bolsa não é comprar! Comprar é fácil: entram no site do vosso banco, selecionam o produto da vossa eleição, dizem quanto querem investir, e são dois cliques (um para dizer que sim e outro para dizer que sim outra vez, para que não restem dúvidas). Em menos de 2 segundos, tornam-se nos orgulhosos proprietários de um lote de coisas que não servem para nada nem têm qualquer suporte físico. No fundo, compram uma dor de barriga e uma aceleradelas boas no músculo cardíaco. 

O verdadeiro problema é vender. Quando devo vender? Se subir e ganhar uns cobres vendo logo ou torno-me ganancioso? E se vender e elas continuarem a subir?! Se descer, aguento firme ou vendo a perder? E se aguentar o tranco e o meu lote continuar a desvalorizar, que faço? E se a coisa chegar ao ponto de estar a perder tipo o dinheiro das férias ou vários ordenados, quem vou eu culpar? E se começar a acordar ao meio da noite com suores frios e a delirar com notas de euro a arder numa pira fumegante? E se, finalmente, decidir assumir a perda e entregar o lote de cangalhos a outro que cuide dele... e, de repente, aquela m*r*a começar a subir,... e subir,... e subir, sem parar?!

Tramado, não é?!

É bom saber que é assim antes de nos mandarmos de cabeça. É que há quem, pura e simplesmente, não esteja para aturar este tipo de biscate. Afinal de contas, o dinheiro não paga tudo!

Facto nº 16:

A Bolsa é um jogo de soma positiva. 

Em jogos como o poker ou o blackjack, nas apostas desportivas ou em outros jogos de sorte ou azar, na maior parte dos casos não há criação de riqueza: o que um ganha resultou das perdas de outros subtraído da comissão da casa. Excetuam-se, por exemplo, os jogos de poker em que há transmissões televisivas que pagam direitos, mas, na maior parte dos casos, estamos em presença de jogos de soma nula.

Na Bolsa para que alguém ganhe não é necessário que outros percam, porque há efetiva criação de riqueza. Quando compramos ações de uma dada empresa, por exemplo, estamos a depositar confiança no trabalho dos funcionários dessa empresa: acreditamos que os produtos que vão produzir terão sucesso e vão ser vendidos de uma forma que gerará riqueza que será traduzida em lucros.

Embora possam existir ineficiência de curto/médio prazo (que geram ótimas oportunidades de investimento) no longo prazo as cotações das empresas sobem de uma forma que acompanha a geração de riqueza por parte da empresa (e, como é evidente, descem se a empresa estiver a destruir riqueza).

É por este motivo que a Bolsa, mais do que um jogo, se considera um investimento. No fundo, a tarefa do trader não é fazer uma aposta, mas antes identificar as empresas que poderão gerar mais riqueza no futuro.

Facto nº 17:

Mas, afinal de contas, por que motivo é que as pessoas compram ações e estas valorizam ou desvalorizam?

A resposta é muito simples: porque aos tornarmo-nos acionistas de uma empresa temos direito a uma percentagem do lucro dessa empresa sob a forma de dividendos.

Imaginem a empresa Negociarembolsa que tem um negócio que gera lucros de 1€ por cada ação. Se possuírem uma ação dessa empresa têm direito a receber esse dividendo todos os anos e, ainda por cima, podem vender a ação quando quiserem, transformando esse bem em liquidez (dinheiro vivo). Quanto valeria para vós essa ação? Cinco euros? Dez euros? Pois bem, o valor da ação em Bolsa é aquilo que o mercado, constituído por todas as pessoas e entidades que, por um motivo ou outro têm interesse na empresa, acha que a ação efetivamente vale.

No fundo, investir na Bolsa é como comprar um apartamento para alugar e receber uma renda (claro que as semelhanças se esgotam na ligação dividendo/renda; tudo o resto são diferença de que falaremos mais tarde).

Agora imaginem que o negócio da Negociarembolsa vai de vento em popa e existe a expetativa de que os dividendos possam subir para 2€ no próximo ano. O que acham que vai acontecer à cotação das ações. É isso, adivinharam: vai subir!

Facto nº 18

Buy high, sell higher.

Ao contrário do que se passa nas situações do dia-a-dia, em que o ideal é sempre comprar barato e vender caro, na Bolsa essa perceção pode ser alterada.

Devido à persistência das tendências de valorização ou desvalorização das ações, nem sempre comprar ações mais baratas é mais seguro do que comprar ações mais caras.


Tomemos por exemplo o caso do banco BCP na bolsa portuguesa. Há pouco mais de dois anos atrás cotava a 12 cêntimos por ação, mas vinha numa tendência descendente que tinha tirado 70% ao valor das ações em cerca de um ano. Num ano, o banco tornara-se 70% mais barato o que parecia indiciar que seria uma pechincha. Mas, em Bolsa, há sempre motivos para tamanha tendência descendente que tornam um trade desse tipo bastante arriscado. Entretanto, o BCP viria a cair outros tristonhos 60% até aos 5 cêntimos! Até que, no final de novembro de 2013 deu finalmente sinal de compra, ao quebrar para cima os 12 cêntimos, colocando-se no caminho ascendente. Entre os 5 e os doze cêntimos subiu 140% (o que é uma valorização magnífica), mas o risco de um trade negativo era substancialmente superior a uma compra a um valor acima dos 0,12€. E, afinal de contas, com o banco atualmente nos 0,22€, uma valorização de 83% em 5 meses, não se pode dizer que tivesse sido mau!   
Os gráficos e as tomadas de decisão em Bolsa


No post anterior, vimos como a análise do gráfico do comportamento de uma ação numa sequência recente de dias, no caso concreto do Banco Espírito Santo (BES), podia fazer despoletar aquilo que designaríamos por um sinal de compra para um trade (pelo menos) de curto prazo na referida ação.

Sobre análise técnica de gráficos falaremos com mais desenvolvimento lá mais para a frente, mas, de momento, diríamos apenas que, desde a década de oitenta do século passado, a maior parte dos traders passou a considerar a análise técnica como uma ferramenta privilegiada na tomada de decisões em detrimento, por exemplo, da análise fundamental em que se avalia o real valor contabilístico das empresas em função de diversos parâmetros como os resultados que apresenta, a dívida que tem ou as perspetivas de crescimento do negócio. 

Claro que os mercados não param e, embora estejam  fechados ao fim-de-semana, evidentemente continuam a passar-se coisas no mundo que influenciam permanentemente as cotações dos mais diversos títulos e mercadorias. Desde o fecho de sexta-feira, por exemplo, a Ucrânia ficou mais perto da guerra civil, Portugal deve anunciar uma saída limpa do programa de ajustamento (ficaremos a saber daqui a pouco se haverá surpresas), os juros da dívida pública desceram um pouco mais e os mercados americanos acabaram a semana em queda. Entretanto, teremos a negociação no Japão e nas restantes bolsas do oriente durante a nossa madrugada de segunda-feira e a saída de números económicos importantes na China (como o índice de compras da empresas). Estas e outras notícias são incorporadas pelos mais diversos atores dos mercados e quando a Europa abrir amanhã todo o sentimento pode estar de pernas para o ar. 

No limite, podemos ter o sinal de compra no gráfico do BES transformado imediatamente num sinal de venda.

Ao Negociar em Bolsa temos que, acima de tudo, ter a mente aberta e identificar quando erramos. E, se tal acontecer, agir em conformidade e fechar a posição. Esta é a verdadeira dificuldade do trading: por defeito, nós não estamos nada formatados para assumir erros e muito menos conseguimos fazê-lo com a rapidez e lucidez necessária. Na Bolsa há uma máxima que devemos ter sempre presente: na dúvida, preserva-se o capital!

Por outro lado, há uma dificuldade muito grande em perceber se houve erro da nossa parte ou se estamos a assistir a um movimento natural (ainda que mais exacerbado) do mercado. 

Voltando ao gráfico do BES, por exemplo. Um dos motivos que nos levou a declarar um sinal de compra foi a quebra em alta das médias móveis dos últimos 20 e 50 dias (EMA20 e EMA50 - depois explicaremos o que são). Logo, será lógico que uma quebra em baixa dessas médias móveis, que estão na zona dos 1,31€, desde que feita consistentemente e com forte volume, constitua um primeiro sinal de invalidação do sinal de compra. A total inversão do sinal de comprar dar-se-ia com um fecho abaixo do fecho de quinta-feira, por volta dos 1,27, e um claro sinal de venda ocorreria, na nossa opinião, com uma quebra em baixa e volume elevado da EMA150, que se encontra nos 1,24€ (embora os 1,20€ tenham constituído suporte anterior e ainda possam segurar a cotação).

Como vêem, quem quer Negociar em Bolsa tem que ter espírito aberto e delinear permanentemente um plano. É a falta destes dois pré-requisitos que leva tantos investidores a terem insucesso e a sentirem-se frustrados na Bolsa. Lembrem-se que não há mal nenhum em assumir erros e perder dinheiro em alguns trades mal sucedidos. O que interessa é que preservemos o nosso capital para podermos voltar à carga mais à frente: a Bolsa continuará lá, a nossa espera.  


2.5.14

Motivo nº 16 para Negociar em Bolsa:

Com vossa licença, permito-me mais une petite gourmandise matemática (só para apreciadores).


Vamos começar com uma poupança de 5000€ enfiada a prazo num banco qualquer à taxa sovina de 3%. Segue-se o nosso pecúlio, com juros compostos, ao fim de:



1 ano - 5150€
2 anos - 5304€
5 anos - 5796€
10 anos - 6719€
30 anos - 12136€

Ao fim de 30 anos pegam no graveto e mais vale entregá-lo aos netos para que o estoirem na night.

Agora, um pouquito mais de picante. Se forem uns tipos estudiosos e aplicados, que tenham a cabeça no devido lugar, a atitude correta e estiverem dispostos a perder cacau quando perceberem que asneiraram, então é possível (e até provável) ir buscar um juro acima do mercado à Bolsa. Vamos lutar por 10%:

1 ano - 5500€
2 anos - 6050€
5 anos - 8052€
10 anos - 12969€
30 anos - 87247€

Aaahhh! Agora sim, temos um valor que já mete uma certa vista e uma reforminha que já vai dar para não nos chatearmos com cortes!

Mas contrapõem vocês: e o risco, caro Negociarembolsa? O risco, meus meninos, está por todo o lado e ninguém se importa com ele! Um dia, vem o risco (todo lampeiro) e vamos desta para melhor que ninguém nos acode! Porque nos havemos de importar com os riscos que o nosso dinheiro corre?
Motivo nº 15 para Negociar em Bolsa

Por falar em taxas de juro, é sempre bom fazermos uma contas, embora eu saiba que a maior parte da malta gosta pouco de números. Enfim, no pain, no gain!
O PSI20 (média ponderada das cotações em bolsa das 20 principais empresas portuguesas) começou a ser calculado no início de 1993 no valor de 3000 pontos. Hoje, vai em cerca de 7500 pontos. Significa isto que, em pouco mais de 21 anos, valorizou 150%, o que dá (juros compostos) 2,2% de taxa de juro ao ano. Quem tivesse comprado uma carteira representativa em 1993, não se pode dizer que tenha feito um negócio por aí além, ainda que tenhamos que juntar a estes valores os dividendos pagos pelas empresas.
Mas a verdade é que, em 21 anos, o PSI20 já por duas vezes rondou os 15000 pontos: em 2000 foi aos 15120, desceu até aos 5000 dois anos depois e voltou a subir até aos 13700 em 2007. Quem tivesse vendido em 2000 teria obtido uma taxa de 22%! ao ano desde 1993 (os anos de ouro), e quem aguentou a queda e vendeu em 2007 (quando começou a crise financeira atual) garantiu uma média de 9,4% ao ano (fora dividendos).
O que a matemática tem de bom é que, de facto, dispensa um ror de conversa fiada.
Motivo nº 14 para Negociar em Bolsa

Mas o motivo principal para alguém Negociar em Bolsa é tentar obter uma taxa de juro para as respetivas poupanças com um ar menos enfezado que as taxas dos depósitos a prazo oferecidas pela banca. Na Bolsa, a boa notícia é que o céu é o limite e a taxa obtida pode ser tão boa que nos permita ficar ricos mesmo que ganhemos um ordenado de pobre. A má notícia é que, para a maior parte dos investidores, isso não vai acontecer.
Conversas exemplares


O meu amigo Américo é um ás da bolsa. Há tempos trazia em carteira cem barris de petróleo bruto, títulos de propriedades no extremo oriente, mil alqueires de trigo, um sortido de ações do PSI20 e ainda estava curto no par iene/dólar. Passado uns dias já se tinha virado para os metais, para a biotecnologia e para a dívida pública portuguesa. Para o Américo todos os movimentos de compra e venda obedecem sempre a uma ponderação racional/emocional que se enquadra em requisitos pré-estabelecidos. Há duas grandes forças que movem o ser humano, estipula ele entre duas goladas de cerveja, são elas o medo e a ganância. Nos mercados financeiros, tu não queres saber da utilidade dos produtos que compras, nem te interessa se eles estão caros ou baratos, nem dos afazeres dos produtores ou dos desejos dos consumidores. Também te estás a marimbar para as canseiras, para o suor, para os problemas e os conflitos dos indivíduos, embora te interessem, obviamente, todos os acontecimentos geradores de incerteza. No final, a única coisa que conta é se vendes mais caro do que compraste. Se não tens e o preço sobe ataca a ganância e ficas a salivar, se tens e o preço desce acagaças-te todo e começas a ficar com suores frios. Na maior parte das vezes olhas para o espelho e viras-te para ti próprio e dizes, bolas, meu caro, és um burro do caraças, não tens e devias ter comprado, ficaste com aquilo e devias ter entregue a outro mais burro que tu, compraste bem, mas devias ter comprado mais, vendeste, mas foi demasiado tarde e, assim por diante, até ao dia em que já não te importas com o teu ar de jerico. Mas a lição não se fica por aqui e o meu amigo, embalado como está, tem mais com que nos instruir. Nos mercados não é importante que acertes sempre, nem sequer que acertes a maior parte das vezes. No mercado, o mais importante é identificar o erro e eliminá-lo rapidamente. O erro deve-se, na maior parte das vezes, à tremenda inconstância do ser humano, mas também à imparável sucessão dos acontecimentos. E o mercado está tão inquinado de erros que o que agora é ótimo daqui por cinco minutos vira para péssimo. Na prática, nunca é tarde para comprar se a tendência for ascendente, mas, se vires o caso mal parado, põe-te a milhas e preserva o capital. E continuou neste estilo sentencial até que se nos acabaram os tremoços. Nisto, o Américo é muito diferente do meu outro amigo que joga na bolsa. O Aníbal está sempre certo, mesmo que à primeira vista não pareça. Nos mercados, a minha postura é a seguinte, diz-me ele, compro o que acho que vai subir e se a coisa der para torto e começar a descer aguento firme, pois tu só perdes dinheiro no dia em que vendes mais barato do que compraste. No limite, o que posso fazer é comprar mais para baixar o preço médio e, enquanto tiver dinheiro, vou comprando por aí abaixo. Esta solução tem o defeito de se tornar inevitável que acabes por te entalar e já sucedeu ficar com o graveto empatado uns bons pares de anos à espera que o mercado acabasse por reconhecer como eu tinha razão. A verdade, acaba por assumir o bom do Aníbal, é que neste momento tenho um lote de papéis do BCP que ou uso para forrar paredes ou deixo de herança aos bisnetos. E, bem vês, isto não mata, mas dá-nos um bocado cabo das noites. Na minha ideia, esta postura faz do Aníbal um verdadeiro investidor, ao passo que o outro será mais um especulador do estilo capitalista americano. Das diferentes táticas dos meus dois amigos, eu que de negócios nada percebo, e me enquadro com orgulho na imensa massa trabalhadora que goza com justeza o feriado do primeiro de maio, diria que ilustram uma parte do dilema que nos é colocado pelo funcionamento do nosso cérebro. E isto, pelo menos por hoje, é o que me interessa verdadeiramente. Nós estamos sempre a trabalhar para acertar a maior parte das vezes e sentimos uma grande desilusão quando falhamos. Fazem-nos crer que nunca devemos ter apenas opiniões, mas antes convicções sólidas como aço, inabaláveis e completamente à prova de influências externas e quem hoje diz uma coisa e amanhã muda de opinião ou é cata-vento ou vigarista. Formataram-nos a partir do interior para achar que sobre todos os assuntos há uma palavra justa a ser dita, em todos os trabalhos há uma forma certa de proceder e que, embora a perfeição seja inatingível, com suor e talento chegaremos ao ponto em que só falhamos por exceção. Nesse sentido, estamos sempre em crer que assumir erros é sinal de fraqueza e desfazer o que julgávamos bem feito resulta de desnorte. Mas o verdadeiro drama é que o meu amigo que não hesita em se considerar equivocado corre tanto risco de se enganar como o outro que nunca dá o braço a torcer. Claro que a realidade aumentada dos mercados de capitais, de que os meus amigos são especialistas, com o seu brutal sobe e desce e tremenda arbitrariedade, não se aplica linearmente à nossa vida do dia a dia. Felizmente, digo eu. Mas cada vez mais o nosso lado racional se confunde com o emocional num conjunto de micro decisões que acabam por afetar de forma muito notória a nossa qualidade de vida individual. E, usando linguagem de comentador, eu não tenho a certeza se isto é conjuntural ou estrutural. 

27.4.14

Negociar em Bolsa foi criado por três jovens amigos, Renato Ribeiro, Fernando Pereira e David Ferreira com o objetivo de reunir mais amigos a falar exclusivamente sobre Bolsa e investimentos bolsistas. Podem encontrar-nos também, num registo ligeiramente diferente em facebook.com/negociarembolsa

Apesar de terem formação de base diferente, os três amigos dinamizadores deste espaço, professores de profissão, são apaixonados de longa data pelo fascinante mundo dos mercados financeiros, tendo acumulado ao longo dos anos experiência suficiente para saberem que a partilha de informação e a troca de opiniões é condição prévia para se alcançar o sucesso nos negócios.

Fazemos votos para que todos aqueles que pretendem investir e querem ganhar dinheiro na Bolsa se juntem a nós, para que da partilha desinteressada de conhecimentos e informações possam surgir melhores decisões que a todos ajudem.

Da nossa parte, contem com as análises e informações que formos produzindo e reunindo para o nosso próprio consumo, mas jamais esperem dicas ou aconselhamento. Na tomada de decisões de investimento, como de resto deve acontecer em tudo na vida, cada um deve pensar sempre por si e decidir em consciência, pesando devidamente os prós e os contras. É que, no final, os lucros serão sempre de quem investiu; os prejuízos… também!

Bons negócios!
Motivos para Negociar em Bolsa:

N.º 1 - Acabar com os dias chatos e monótonos.

N.º 2 - Ter uma razão válida para estar permanentemente bem informado.

N.º 3 - Adquirir hábitos de poupança, em vez de estourar o guito todo em tralha inútil.

N.º 4 - Poder ganhar muito dinheiro com pouco trabalho físico (ainda que com doses generosas de esforço mental e pipas de stress).

N.º 5 - Manter afinado o pequeno psicólogo de massas que há dentro de cada um de nós.

N.º 6 - Colocar sob tensão permanente o nosso decisómetro mental e perceber que isso nos faz bem ao ego.

N.º 7 - Poder gastar dinheiro em pequenas excentricidades do dia-à-dia, sem ficar com a consciência pesada, porque esse mesmo dinheiro pode ser perdido ou ganho na bolsa em segundos.

N.º 8 - Ter um assunto de conversa inovador, que nada fica a dever à típica discussão sobre futebol em termos de emoção e de profissão de fé.

N.º 9 - Ser dono de participações nas maiores empresas do mundo e poder apostar no crescimento de negócios que achamos que têm futuro.

N.º 10 - Poder apostar nas nossas próprias opiniões acerca do rumo que a economia pode tomar.

N.º 11 - Criar a possibilidade de, contra todas as hipóteses ditadas pela genética e pelo talento inato, podermos vir a ter um ordenado de estrela da bola.

N.º 12 - Diversificar os nossos interesses e estimular a componente intelectual da nossa vida.

Nº 13 - Ter um negócio de compra e venda que não implica contratar empregados, alugar instalações, lidar com fornecedores, enfrentar calotes, alombar com cheques sem coberto, amaciar clientes, aturar contabilistas, passar faturas, preencher guias de remessa, gerir frotas, controlar histerias (a não ser a nossa), picar o ponto, despedir incompetentes, enganar pacóvios, engonhar, galar ou assobiar para o lado. Na realidade, podemos perfeitamente, ainda que não se recomende, montar estaminé na nossa própria cama e ficar todo o dia a negociar enquanto vamos passando pelas brasas.

26.4.14

Vamos acompanhar de perto o PSI20, os índices americanos e também o DAX, numa perspetiva de partilha de informação e de diferentes visões do mercado.

Nenhuma das nossas análises ou informações deverá ser encarada como dica ou conselho de investimento.

Como veremos, nos mercados cada um deve pensar pela sua cabeça e decidir, no momento, da forma que melhor lhe parecer. Não existem génios que tudo sabem, nem informação privilegiada (pelo menos ao nosso nível). E o que agora é ótimo, daqui por cinco minutos virou péssimo!


Por esse motivo, aquilo que compete a cada investidor é estar sempre a aprender e, se quiser, partilhar contribuindo, dessa forma, para o ganho de experiência que nos permita a todos corrigir a tempo os erros que inevitavelmente vamos cometer. Nós estamos dispostos a partilhar e é isso que faremos com gosto.

Sejam bem-vindos a esta casa!
Pretendemos com esta página partilhar a nossa visão sobre o mercado bolsista em toda a sua dimensão. Estamos ainda a desenvolver o conceito, para que seja dinâmico e atractivo. Em breve irá funcionar na sua plenitude.