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2.1.17

Sonae Indústria

Perguntam-nos pelos títulos em que mais apostamos para negociar uma possível ida do PSI20 para cima, mas julgamos que é despiciendo estar a gastar mais o teclado, sem dizer nada de muito relevante: se derem uma vista de olhos nas mensagens anteriores do blogue vão encontrar muitas situações que se mantêm perfeitamente atuais. Curiosamente aquele em que mais dúvidas temos é o BCP que nos falhou na última especulação e agora nos mantém entre isto e isto (é só escolher).

7.11.14

A próxima falência

Com a falência do BES foi-se-nos a inocência e nunca mais voltaremos a ser os mesmos. Em matéria bolsista, bem entendido. Afinal de contas, as empresas cotadas em bolsa também podem falir e levar-nos a carteira a zeros num abrir e fechar de olhos. E se até mesmo um porta aviões de empresas como era o banco salgado vai ao fundo, o que poderá salvar as empresas sobreendividadas que pululam por esse país fora? 

Das que estão cotadas na nossa bolsa, sabemos que, tirando uma ou outra exceção, todas estão com a corda na garganta e se o torniquete apertar escafedem sem apelo, porque longe vai o tempo em que o refinanciamento de dívidas era garantido, mesmo para as que apresentavam prejuízos sucessivos.

Esta semana vimos como o Eng. Belmiro colocou a SONI na sala de suporte básico de vida. É correto dizer-se que ainda não estamos perante uma falência, mas do ponto de vista dos acionistas só se vêem diferenças de pormenor. Com a diluição do AC a empresa regressa à origem e passa a ser novamente a sociedade (nacional) de estratificados da Maia. Lá se foram os galões de maior empresa do ramo no mundo inteiro. Má onda para quem apostou nas madeiras e não seguiu as normas inalienáveis da negociação em bolsa.

Mas a SONI ainda tem a segurá-la gente com dinheiro mais do que suficiente para evitar a vergonha da falência e, com mais ou menos dificuldade, não há de constituir problema de maior para o restante mercado.

Caso diferente é o da Martifer que, ou muito nos enganamos, ou está mesmo a caminho de fechar portas. Vejam se o gráfico semanal que apresentamos a seguir não é o de uma empresa mais do que falida:


A Martifer é um caso típico da megalomania lusa. Uns fulanos criam uma empresa de estruturas metálicas, em 1990, que vendem em bolsa em 2007, com o objetivo de a tornar num dos maiores players mundiais de uma coisa diversificada, que vai do core business original às fontes de energia renováveis e alternativas. Enfim, a nossa velha sina de querermos ser sempre os maiores do mundo, nem que para isso não passemos do piolhinho lá no topo da cabeça do gigante que nos financia! 

Quando o preço do petróleo subiu aos 150 dólares o barril, os irmãos Martins entraram na busca histérica pelas fontes de energia alternativas e dispararam em todas as direções como se fossem génios que iam inventar o que mais ninguém conseguira. Se tivessem estado atentos na escola, contando que tivessem um professor de FQ em condições, tinham aprendido que o petróleo se tornou na fonte de energia universal por ser de longe a mais barata (mesmo com um preço de 150 dólares o barril) e, quiçá (heresia) a menos poluente. Mas eles meteram-se mesmo em tudo quanto é fontes de energia caras, desde o solar, às eólicas e aos combustíveis feitos de cereais. Uma burrice sem fim, em que só cai quem é burro! Paralelamente, a Martifer foi roubada sem jeito em negócios de compra e venda de terrenos e em obras mal adjudicadas, mal orçamentadas e sem garantias de virem a ser pagas.

Lembro-me de comprar Martifer na IPO quando a empresa era tida como um exemplo do novo empresariado português. As ações foram vendidas a 8 euros, o que avaliava a empresa em 800 milhões. Quando a negociação abriu fui dos que consegui vender no máximo histórico de 12 euros. E foi tudo o que se consegui ganhar na empresa de Oliveira de Frades. Felizmente, tinha pessoas amigas que trabalhavam na Polónia (de onde a empresa já saiu) e me iam dando conta da barafunda que ia na cabeça dos génios Martins, e pus-me ao largo.

Se a Martifer falir, e dá-me a ideia que nem santo nem santa lhe vale, lá se vai outra vez o nosso índice reputacional (e, se calhar, o índice PSI20) cair para a lama, porque há bancos muito atravessados na empresa e não vejo de onde possa vir capital para a sanear. Já agora, tenham muito cuidado com as ações da Mota Engil, cuja reputação vai sofrer com toda a certeza.

8.5.14

Sonae indústria

Não sou um rapaz idoso, mas lembro-me perfeitamente de ter negociado Sonae Indústria (a Sonae original, que antecedeu os hipermercados e os centros comerciais) na casa dos 10€, na altura em que a Sonae se gabava de ter a maior empresa de estratificados de madeira do mundo (para não ficarem a pensar que eu tenho noventa anos, ou coisa que o valha, deixem-me esclarecer que isto já se passou no século XXI).

A mim fazia um bocado de impressão essa de nós termos a maior seja o que for do mundo (não confundir com melhor, como é o caso de ter o melhor futebolista do mundo, ou uma coisa desse género). E isto não só porque ser o maior do mundo é uma coisa tão exagerada que até acaba por se tornar um tanto ou quanto saloia, mas também porque é estranho nós, sendo tão pequenos, acabarmos por levar essa espécie de taça.

Escusado será dizer que a coisa deu para torto e a ânsia de crescer até ao céu acabou em estatelanço, como sucede quase sempre. 

Apesar disso, no início deste ano ainda cheguei a acreditar que a empresa estava a dar a volta por cima e que seria a grande aposta do ano, a Mota de 2014. Afinal de contas, tinham aparecido compradores para duas fábricas em França que, ao contrário do costume, não tiveram de ser, pura e simplesmente, fechadas, o que parecia demonstrar que a empresa tinha valor - infelizmente, a coisa não se revelou sólida e, apesar de não ter feito investigação sobre o assunto, desconfio que as fábricas foram entregues por tuta e meia!

Tecnicamente, a quebra do suporte do 0,72-0,74 era uma venda evidente, e quem não foi disciplinado já teve o castigo (que, por certo, não mereceu). Só hoje o desfalque vai em 10% em relação a ontem, para estar a cotar nos 0,54€. A quem lá anda desde lá de cima o nosso abraço solidário!

Entretanto, a empresa anunciou ontem, no meio de um prejuízo trimestral de 26 milhões de lecas, que vai fazer um aumento de capital, isto é, vem pedir mais dinheiro aos acionistas. 

Para investir? Não, porque a capacidade instalada é tão excessiva para a procura existente que vai ter é que encolher e voltar ao tamanho que convém a uma empresa de um país pequenino e salvo in-extremis da falência. Então para que é o dinheiro? Eu não sou bruxo, mas com tanto prejuízo e uma dívida de 600 milhões, chega uma altura em que a corda começa a apertar, te começas a contorcer todo e agarras-te ao que puderes, como se te estivesses a afogar!

No fim, é sempre boa ideia analisar a coisa, até porque o negócio pode estar mesmo a arrebitar, mas olhem que o dinheiro custa muito a ganhar!