O que devo
saber antes de Negociar em Bolsa.
Facto nº 1:
Na bolsa negoceiam-se, em tempo real, títulos
que têm por base variadíssimos ativos, sendo o preço ditado exclusivamente pela
Lei da Oferta e da Procura.
Facto nº 2:
Os títulos negociados podem ser participações em
empresas (ações), cabazes de ações (fundos, ETF's, etc.), direitos sobre
empréstimos (obrigações), mercadorias (metais, petróleo, gás, cereais, etc.),
ou derivados, como warrants, opções, CFD's, etc.
Facto nº 3:
Os produtos que se compram na Bolsa não têm
qualquer utilidade para o comprador (mesmo que se tratem de mercadorias). Em
vez disso, quem compra espera que, no futuro, possa vender os produtos mais
caros, realizando uma mais-valia. Daí tratar-se de investimento.
Facto nº 4:
Na Bolsa há permanentemente compradores e
vendedores: quando alguém compra, alguém vende e vice-versa. Tal como acontece
na Natureza com a matéria e a energia, nada se cria, nada se destrói, tudo
se... troca. Quem compra acha que o preço vai subir e vai poder vender mais
caro; quem vende, acredita que o preço descerá, e poderá vir a comprar mais
barato.
Facto nº 5:
Quem estiver na Bolsa a jogar ou a fazer apostas
está no sítio errado. Seria a mesma coisa que jogar com a compra de uma casa ou
de barras de ouro. Compramos ou vendemos porque temos uma certa expetativa,
mediante a informação de que dispomos e as condições do mercado.
Facto nº 6:
Na Bolsa confrontam-se em permanência dois dos
sentimentos mais primitivos do ser-humano: o medo e a ganância. Por vezes, o
medo torna-se extremo e irracional e ocorre um crash; noutras alturas, a
ganância exorbita e surge uma bolha especulativa. Na maior parte do tempo, o
sucesso depende de sabermos dosear na justa medida esses dois ingredientes do
nosso comportamento.
Facto nº 7:
Para Negociar em Bolsa não é necessário nenhum
conhecimento especial, não temos que tirar um curso superior, não faz falta ser
genial, ser musculado, bonito, ou talentoso. Também não temos que ser ricos.
Tudo o que precisamos é de uma conta bancária com saldo positivo e uma ligação
à net.
Facto nº 8:
A Bolsa é um negócio: compras e vendes. Às vezes
as coisas correm de feição e tudo se passa como previmos; outras vezes nem
tanto e rapidamente percebemos que fizemos asneira. No primeiro caso é um
regalo; no segundo fizemos um galo. Tudo normal. No dia seguinte a Bolsa volta
a funcionar!
Facto nº 9:
Abstém-te de Negociar em Bolsa se não estiveres
preparado para perder dinheiro. Mas se fores artolas ao ponto de te dares ao
luxo de perder mais de 20% do capital de que dispões, opta antes pelo casino,
pelas apostas desportivas ou por um esquema Ponzi. Sempre dá menos trabalho e
ao menos escafedes de uma só vez.
Facto nº 10:
Estamos sempre à espera de só haver boas notícias
para comprar, ou então que o caldo esteja entornado de todo para ser certo que
devemos vender. Mas isso nunca acontece. Na Bolsa, como na vida, nunca tudo é
bom e jamais tudo será mau. No final, haverá tantos motivos válidos para
comprar como para vender. É por isso que nunca faltarão compradores nem
vendedores.
Facto nº 11:
O mercado segue tendências. Há períodos de tempo em que a tendência
predominante é de subida, a que se seguem outras épocas em que enfrentamos uma
tendência clara de queda. E, assim, sucessivamente, antecipando sempre os
ciclos económicos. Na maior parte das vezes, torna-se relativamente fácil
ganhar dinheiro na Bolsa, seguindo apenas a tendência.
Facto nº 12:
Os americanos, que com estas coisas dos mercados não costumam brincar,
batizaram as tendências com duas designações que todo o investidor conhece
desde o berço: à tendência altista chamaram BULL market, enquanto que a
tendência baixista corresponde a um BEAR market.
Facto nº 13:
O touro simboliza um mercado que sobe porque,
como todo o forcado sabe, aparte de se tratar de um animal um tanto ou quanto
vesgo e destituído de tino, tem o hábito de atacar de baixo para cima,
levantando tudo pelo ar. Já do urso diz-se que adquiriu o insensato costume de
levantar as patas dianteiras antes de as fazer desabar sobre as suas vítimas,
nocauteando-as sem que tirem o pé do chão.
Facto nº 14:
Por isso, já sabem, se acreditarem que o mercado
vai subir e, consequentemente, estiverem compradores então, na gíria bolsista,
estarão BULLISH; se, por outro lado, o cagaço vos inquinou e acham que a coisa
vai para baixo, então, diremos que estão a passar pela chamada fase BEARISH. No
fundo, é como se a bolsa fosse um misto de praça de toiros e coliseu romano na
época áurea. Ou uma selva. Sintam-se a vontade para escolher!
Facto nº 15:
O problema na Bolsa não é comprar! Comprar é
fácil: entram no site do vosso banco, selecionam o produto da vossa eleição,
dizem quanto querem investir, e são dois cliques (um para dizer que sim e outro
para dizer que sim outra vez, para que não restem dúvidas). Em menos de 2
segundos, tornam-se nos orgulhosos proprietários de um lote de coisas que
não servem para nada nem têm qualquer suporte físico. No fundo, compram uma dor
de barriga e uma aceleradelas boas no músculo cardíaco.
O verdadeiro problema é vender. Quando devo vender?
Se subir e ganhar uns cobres vendo logo ou torno-me ganancioso? E se vender e
elas continuarem a subir?! Se descer, aguento firme ou vendo a perder? E se
aguentar o tranco e o meu lote continuar a desvalorizar, que faço? E se a coisa
chegar ao ponto de estar a perder tipo o dinheiro das férias ou vários
ordenados, quem vou eu culpar? E se começar a acordar ao meio da noite com
suores frios e a delirar com notas de euro a arder numa pira fumegante? E se,
finalmente, decidir assumir a perda e entregar o lote de cangalhos a outro que
cuide dele... e, de repente, aquela m*r*a começar a subir,... e subir,... e
subir, sem parar?!
Tramado, não é?!
É bom saber que é assim antes de nos mandarmos de
cabeça. É que há quem, pura e simplesmente, não esteja para aturar este tipo de
biscate. Afinal de contas, o dinheiro não paga tudo!
Facto nº 16:
A Bolsa é um jogo de soma positiva.
Em jogos como o poker ou o blackjack, nas
apostas desportivas ou em outros jogos de sorte ou azar, na maior parte dos
casos não há criação de riqueza: o que um ganha resultou das perdas de outros
subtraído da comissão da casa. Excetuam-se, por exemplo, os jogos de poker em
que há transmissões televisivas que pagam direitos,
mas, na maior parte dos casos, estamos em presença de jogos de soma nula.
Na Bolsa para que alguém ganhe não é necessário que
outros percam, porque há efetiva criação de riqueza. Quando compramos ações de
uma dada empresa, por exemplo, estamos a depositar confiança no trabalho dos
funcionários dessa empresa: acreditamos que os produtos que vão produzir terão
sucesso e vão ser vendidos de uma forma que gerará riqueza que será traduzida em
lucros.
Embora possam existir ineficiência de curto/médio
prazo (que geram ótimas oportunidades de investimento) no longo prazo as
cotações das empresas sobem de uma forma que acompanha a geração de riqueza por
parte da empresa (e, como é evidente, descem se a empresa estiver a destruir
riqueza).
É por este motivo que a Bolsa, mais do que um jogo,
se considera um investimento. No fundo, a tarefa do trader não é fazer uma
aposta, mas antes identificar as empresas que poderão gerar mais riqueza no
futuro.
Facto nº 17:
Mas, afinal de contas, por que motivo é que as
pessoas compram ações e estas valorizam ou desvalorizam?
A resposta é muito simples: porque aos
tornarmo-nos acionistas de uma empresa temos direito a uma percentagem do lucro
dessa empresa sob a forma de dividendos.
Imaginem a empresa Negociarembolsa que tem um
negócio que gera lucros de 1€ por cada ação. Se possuírem uma ação dessa
empresa têm direito a receber esse dividendo todos os anos e, ainda por cima,
podem vender a ação quando quiserem, transformando esse bem em liquidez
(dinheiro vivo). Quanto valeria para vós essa ação? Cinco euros? Dez euros?
Pois bem, o valor da ação em Bolsa é aquilo que o mercado, constituído por
todas as pessoas e entidades que, por um motivo ou outro têm interesse na
empresa, acha que a ação efetivamente vale.
No fundo, investir na Bolsa é como comprar um
apartamento para alugar e receber uma renda (claro que as semelhanças se
esgotam na ligação dividendo/renda; tudo o resto são diferença de que falaremos
mais tarde).
Agora imaginem que o negócio da Negociarembolsa
vai de vento em popa e existe a expetativa de que os dividendos possam subir
para 2€ no próximo ano. O que acham que vai acontecer à cotação das ações. É
isso, adivinharam: vai subir!
Facto nº 18
Buy high, sell higher.
Ao contrário do que se passa nas situações do dia-a-dia, em que o ideal
é sempre comprar barato e vender caro, na Bolsa essa perceção pode ser
alterada.
Devido à persistência das tendências de valorização ou desvalorização
das ações, nem sempre comprar ações mais baratas é mais seguro do que comprar
ações mais caras.
Tomemos por exemplo o caso do banco BCP na bolsa portuguesa. Há pouco
mais de dois anos atrás cotava a 12 cêntimos por ação, mas vinha numa tendência
descendente que tinha tirado 70% ao valor das ações em cerca de um ano. Num ano,
o banco tornara-se 70% mais barato o que parecia indiciar que seria uma
pechincha. Mas, em Bolsa, há sempre motivos para tamanha
tendência descendente que tornam um trade desse tipo bastante arriscado.
Entretanto, o BCP viria a cair outros tristonhos 60% até aos 5 cêntimos! Até
que, no final de novembro de 2013 deu finalmente sinal de compra, ao quebrar
para cima os 12 cêntimos, colocando-se no caminho ascendente. Entre os 5 e os
doze cêntimos subiu 140% (o que é uma valorização magnífica), mas o risco de um
trade negativo era substancialmente superior a uma compra a um valor acima dos
0,12€. E, afinal de contas, com o banco atualmente nos 0,22€, uma valorização
de 83% em 5 meses, não se pode dizer que tivesse sido mau!