11.5.14

Fim de fim de semana

Estamos mesmo no fim do fim de semana, o que significa que dentro em pouco voltam as lides bolsistas.

Depois do bom fecho americano na sexta-feira e de um fim de semana sem novidades de maior na grande dor de cabeça atual em matéria geopolítica que é a questão ucraniana, é de admitir uma abertura em alta no PSI20, até porque a grande queda da última sessão da semana passada poderá aguçar o apetite dos caçadores de pechinchas.

Mas todos os cuidados são poucos e, nestes momentos, manda o bom senso e a experiência que fomos adquirindo que devemos exigir pouco dos mercados e aceitar, reconhecidos, o que ele nos dá de boa vontade. 

Na banca, por exemplo, a semana que passou, com quedas repentinas, inesperadas e violentas, foi bastante ingrata para os que estavam investidos do lado errado do mercado (sim, porque, como veremos mais lá para a frente, há sempre um lado certo e um lado errado para se estar investido, independentemente de o mercado subir ou descer). 

Olhando para trás, acabamos por constatar que, de facto, até não faltaram motivos, como concluímos em posts anteriores. Mas, como se não bastassem, deixamos mais dois, não para vos tirar o sono, evidentemente, mas para que possam decidir com maior propriedade:

- O BANIF que é público que anda de mão estendida a ver se aparece uma alma com desejos de subir aos altares que lhe acuda (nem a Guiné Conacri se decidiu a avançar), resolveu partir para a opção de último recurso: um aumento de capital. A manobra, ainda que profundamente destruidora de credibilidade nesta altura do campeonato, costuma ter sucesso garantido, uma vez que acaba sempre por atiçar os desejos de quem vê valor nos baixos preços a que a coisa é posta à venda. Desta vez nem negociação de direitos vai haver, para não termos o drama de os preços baixarem para valores em que não haja comprador (acreditem ou não, isso já aconteceu no último aumento de capital do BPI). Mas pior para os acionistas do banco do que o aumento de capital, onde só vai quem quer, foi o anúncio de que vai ser feito um reverse stock split: as ações do banco vão ser divididas por dez, com o seu valor a ser aumentado na mesma proporção. Em teoria fica tudo igual: quem tem ações fica com dez vezes menos, mas elas, em vez de valer 0,0104€, vão passar a cotar a 0,104€. O problema vem depois: como o valor sobe, passam a existir vários motivos de ordem psicológica para muitos investidores venderem o que, em praticamente todas as situações em que a experiência foi testada, deu queda da grossa. Eu, se tivesse BANIF, tomava medidas!

- Depois do Barclays, que apesar de agora estar a gritar a plenos pulmões que quer vender e jamais lhe passou pela cabeça fugir (é preciso que haja quem compre), aguardem pelo BBVA que, dizem-nos de fonte segura, já só tem 5500 milhões de depósitos em caixa, e não vai ter alternativa que não seja despedir e, eventualmente, também fechar a porta e abalar. 

Para compor o ramalhete (ou desanuviar a coisa) temos os resultados trimestrais do BES no dia 15. 

10.5.14

Refle(cão) semanal

No fim de uma semana turbulenta nos mercados financeiros, eis que as minhas filhas, ainda com toda a inocência característica das suas tenras idades, me pedem para que lhes conte uma história. Eu, novato nestas coisas de bolsa e  ainda a pensar na “tourada” da tarde (para não dizer Ursada, pois pode agoirar), respondo-lhes: “Ok, mas escolham vocês uma do livro de contos”. Escolhido o Conto, provavelmente selecionado pela bela ilustração que apresentava, eis que me deparo a contar-lhes a história de um cão vadio, jovem e atrevidote, que ao passar pelo talho da aldeia, se deparou com uns homens que descarregavam uns belos nacos de carne. Como estavam muito concentrados na tarefa, abriram espaço ao roubo de um fantástico e suculento naco de carne por parte deste nosso amigo faminto. Nem queria acreditar, mas não vá o diabo tece-las e o artista desatou a correr em direção a um belo prado bem longe da cena do crime. O que acontece é que nesse prado existia uma pontezinha de madeira sobre um pequeno rio que ele nunca tinha visto, uma vez que nunca teve que correr para tão longe. Ao subir para a ponte com a carne suculenta agarrada a um não menos entusiasmante osso, resolveu espreita para o rio. Qual não é o seu espanto ao ver que afinal lá em baixo havia um cão maior e com um pedaço de carne ainda maior que o seu. Encheu-se de coragem, abriu a boca e zás tentou apanhar o pedaço maior que estava lá em baixo… Escusado será dizer o que se passou a seguir.
Moral da História:
Temos: Análise Fundamental, Análise Ténica, podemos ainda considerar uma Análise Mental (Segundo Mark Douglas) e temos esta que não sei bem onde enquadrar. Espero propostas amigos.



Bom fim-de-semana e Bons Negócios 
No jornal Expresso de hoje o Pedro Santos Guerreiro aponta como uma possibilidade para colmatar o rombo de um possível chumbo do Constitucional ao corte das pensões e de salários na FP, o aumento de impostos já admitido pelo PPC, mas acrescenta a nuance de a coisa poder passar pelo método proposto por Miguel Cadilhe: um imposto único sobre o património aplicado de uma só vez, como se fosse penicilina na nádega. 

Ninguém gosta de pagar produtos que não leva para casa e os impostos enquadram-se nessa categoria, mas  para o comum dos trabalhadores e assalariados, como a maior parte de nós é, um imposto desse tipo era trigo limpo farinha de amparo: íamos pagar tuta e meia porque património é coisa que ignoramos o que seja sabemos. Agora, para os mais grandalhões do recreio, os tipos que batem em todos os que se metem com eles, cheios de cartima e de pujança financeira, a pílula era um trambolho duro de engolir. Tão duro que alguns eram rapazinhos para pegar nas trouxas e abalar ao mínimo indício de que o medicamento tinha que ser tomado.  

Como sabem, nesta coisa dos mercados financeiros, a verdade é atributo que não faz parte dos pré-requisitos; basta a dúvida e a sua irmã: a incerteza. Eu não sou adivinho nem ando pelos passos perdidos da Assembleia à cata de novidades bombásticas, mas não gostei nada de ver ontem de tarde o povo a largar ações de banca como se houvesse fogo na igreja durante a missa cantada.

Pode ter sido só uma quebra técnica, podem ser os resultados do BES (e correspondente aumento de capital), pode ser a saída em regime de liquidação total do Barclays, pode ter sido um movimento perfeitamente natural num dia normal de PSI20, mas a mim pareceu-me gente a fugir... De quê?!   

Estar fora

Aqueles que, como nós, teimam afinar a sua forma de estar nos mercados, tiveram uma semana rica em ensinamentos, ainda que isso possa não se ter notado na carteira. 

E a lição deveu-se essencialmente ao BCP, honra lhe seja feita.  

Vamos então recapitular, para memória futura:

- Na segunda-feira, depois de um dia de hesitação, o BCP apresenta resultados que, genericamente, ficam acima das expetativas dos analistas (esses sábios). Toda a gente fica a salivar: os que têm ações percebem que vão poder fazer uma tainada das grandes no dia seguinte; para os que optaram por ficar de fora, a compra é certa, e o preço jamais será problema.  

- Como os primeiros querem vender caro e os segundos pagam o que for preciso, o BCP abre a bombar na terça-feira de manhã.

- É então que, como de costume, começam a nascer alguns focos de dúvida, que levam os compradores a começar a esmorecer e os vendedores a deixarem de ser esquisitos: e se os resultados no próximo trimestre já não forem tão bons?; e se a economia inverte e começa a arrefecer?; e se as eleições europeias dão resultados aborrecidos?; e se o banco tem que fazer um aumento de capital?; e se o deferimento de créditos fiscais não for aprovado pelo Governo?; e se a bolha nos juros da dívida pública rebenta?; e se os analistas (esses sábios) vierem dizer que afinal os resultados não foram assim tão bons e os price targets (essas luzes ao fundo do túnel) vão ter de ser revistos em baixa?; e se as falências das empresas afinal aumentarem e houver mais gente a entregar casas por não as conseguir pagar?; e se volta o irrevogável?; e se cai um meteorito?; e se... demasiadas dúvidas. Na terça-feira, a coisa segurou-se com uma subida pífia, mas na quarta deu queda!

- Na quinta-feira veio o Barclays confirmar que vai sair do nosso belo país (have a nice trip). Mas o que causou verdadeiramente frisson foi quando o presidente do banco disse que nem ia tentar vender a operação, mas fechar a taberna tão cedo quanto possível, fazer as malas e abalar a toda a brida. Que diabo! O negócio está assim tão mal que é caso para isso! Fechar, escafeder, debandar, desertar, fugir todo mijado e nem olhar para trás. Sendo assim, não será sensato que nós que, por cá andamos às apalpadelas, tiremos também o time de campo e abalemos dos outros bancos? Dito e feito: mais queda!

- Na quinta feira, muitos estavam esperançados (o chamado whisfull thinking) na subida de rating de sexta. Mas na manhã de ontem, a subida não aconteceu: só uma revisão para lixo estável (de lixo descendente). What the f*ck! Grande bodega! Mesmo assim, ainda houve uns loucos que se decidiram a meter, logo a abrir, ordens de 7 milhões na compra à melhor oferta. Resultado: abriu em grande forma, mas depois o cenário tornou-se desolador e, de tarde, viveram-se momentos de verdadeiro entusiasmo vendedor com gente a deitar fora como se cheirasse a bicho morto e não houvesse amanhã (se calhar, está mesmo um meteorito em rota de colisão). A coisa só não foi mais longe porque estava ali a barreira dos 20 cêntimos que acabou por amparar o balancete. Diga-se que os juros da dívida tiveram a primeira subida consistente em muitas semanas, mas desses havemos de falar noutra altura.

- Entretanto, os banqueiros do Barclays já receberam telefonemas de colegas portugueses todos indignados a dizer que assim não pode ser e ontem lá vieram a terreiro com a palavra "vender" a sair da boca em vermelho bold e com sublinhado. Toda a gente começou o plano de contingência a ver se eliminam a azia e o caldo não entorna de vez.

O mal disto tudo é que nós, que tudo o que queremos é ganhar uns trocados para compor o ramalhete que o patrão nos entrega ao fim do mês, temos que andar a aturar estas m*rd*s. E não há nada que se possa fazer:
- Porque não podem as ações comportar-se de uma forma previsível e sem dar chatices? 
- Por que motivo se esforça o mercado por ser um cabrãozinho tão fedorento? 
Porque se fosse assim éramos todos ricos, eis porquê! E desde que o Adão e a Eva, esse autênticos animais, andaram a comer fruta bichada, o Senhor institui que isso não podia ser! E fez muito bem! 

9.5.14

Turbulência

No meio da turbulência, deixo-vos um gráfico do índice português PSI20 (portuguese stock index) para que possam tirar conclusões sobre a validade da análise técnica que, não sendo uma ciência exata, como é, por exemplo, a Física que me pagam para saber, faz um esforço, na maior parte das vezes inglório, para parecer ser.


Não sei se conseguem ver bem, mas há uma linha ascendente traçada no gráfico (uma Lta) que, por esta hora, já foi cortada em baixa e corre o risco de ser quebrada (o gráfico está atualizado até ao fecho de ontem). Pode ser que ainda venha a aguentar, mas as perspetivas não são famosas. Também pode ser que quebre hoje e recupere já na segunda-feira. Enfim, tudo pode acontecer!

Adiante. 

A linha azul é a EMA150 (a média móvel exponencial de 150 dias) e situa-se, mais ou menos, num valor que serviu de resistência em janeiro. Ora, o analista técnico dirá que é bem capaz de servir como o próximo amparo (suporte), caso a descida continue. Trata-se, pois, de um evidente ponto de compra. Situa-se, a propósito, por volta dos 7140 pontos, coisa de 2% abaixo do valor atual.

E é isto, mais coisa, menos coisa, a base da análise técnica.

Um dia destes pomos isto em vídeo, para evitar a trabalheira de ter que ler. Mas cada coisa a seu tempo, amigos: agora vão lá decidir o que fazer no BCP que daqui por três quartos de hora tudo estará consumado!

Mais umas achegas

A tal linha que tínhamos assinalado ontem nos 0,210/0,212 como suporte para a queda do BCP não aguentou o encontrão para baixo e a ação acionou claramente o modo pânico, o que significa que há gente a sair e a atropelar tudo à sua passagem.

Os motivos da debandada são neste momento tão importantes quanto é importante para o forcado estudar por que motivo o touro investe contra ele. 

O que verdadeiramente interessa é saber como vamos reagir no meio da tourada: se temos, vendemos e fugimos aos gritos?; se não temos vamos a elas de caras? Ficamos quietos a assistir de longe?

Infelizmente, são dias como este que definem verdadeiramente se temos o que faz falta para andar nesta vida. É que é essa decisão de cada um que vai ser a chave para se tentar ganhar na Bolsa. 
O que devo saber antes de Negociar em Bolsa.

Facto nº 20

No médio/longo prazo o que se passa na Bolsa tem sempre uma justificação económico/financeira que só se vem a confirmar, por norma, cerca de meio ano depois de a subida/descida começar.

Claro que há gente muito bem informada (que não se limita a ver os telejornais) que antevê e antecipa os ciclos económicos, até porque, muitas vezes, é paga para isso mesmo e toma decisões de compra/venda em concordância. E também é verdade que por ser um mundo aberto e com imensos intervenientes a própria evolução da Bolsa acaba por ter um impacto grande na economia. De maneira que temos uma espécie de pescadinha de rabo na boca.

Mas no curto/curtíssimo prazo, o sobe e desce louco dos mercados não obedece a nenhum motivo em especial. Por norma, não são as notícias que fazem o dia-à-dia da Bolsa, mas sim a confiança ou o medo dos investidores. E tanto uma coisa como a outra, por sermos humanos, são absolutamente voláteis.

8.5.14

Sonae indústria

Não sou um rapaz idoso, mas lembro-me perfeitamente de ter negociado Sonae Indústria (a Sonae original, que antecedeu os hipermercados e os centros comerciais) na casa dos 10€, na altura em que a Sonae se gabava de ter a maior empresa de estratificados de madeira do mundo (para não ficarem a pensar que eu tenho noventa anos, ou coisa que o valha, deixem-me esclarecer que isto já se passou no século XXI).

A mim fazia um bocado de impressão essa de nós termos a maior seja o que for do mundo (não confundir com melhor, como é o caso de ter o melhor futebolista do mundo, ou uma coisa desse género). E isto não só porque ser o maior do mundo é uma coisa tão exagerada que até acaba por se tornar um tanto ou quanto saloia, mas também porque é estranho nós, sendo tão pequenos, acabarmos por levar essa espécie de taça.

Escusado será dizer que a coisa deu para torto e a ânsia de crescer até ao céu acabou em estatelanço, como sucede quase sempre. 

Apesar disso, no início deste ano ainda cheguei a acreditar que a empresa estava a dar a volta por cima e que seria a grande aposta do ano, a Mota de 2014. Afinal de contas, tinham aparecido compradores para duas fábricas em França que, ao contrário do costume, não tiveram de ser, pura e simplesmente, fechadas, o que parecia demonstrar que a empresa tinha valor - infelizmente, a coisa não se revelou sólida e, apesar de não ter feito investigação sobre o assunto, desconfio que as fábricas foram entregues por tuta e meia!

Tecnicamente, a quebra do suporte do 0,72-0,74 era uma venda evidente, e quem não foi disciplinado já teve o castigo (que, por certo, não mereceu). Só hoje o desfalque vai em 10% em relação a ontem, para estar a cotar nos 0,54€. A quem lá anda desde lá de cima o nosso abraço solidário!

Entretanto, a empresa anunciou ontem, no meio de um prejuízo trimestral de 26 milhões de lecas, que vai fazer um aumento de capital, isto é, vem pedir mais dinheiro aos acionistas. 

Para investir? Não, porque a capacidade instalada é tão excessiva para a procura existente que vai ter é que encolher e voltar ao tamanho que convém a uma empresa de um país pequenino e salvo in-extremis da falência. Então para que é o dinheiro? Eu não sou bruxo, mas com tanto prejuízo e uma dívida de 600 milhões, chega uma altura em que a corda começa a apertar, te começas a contorcer todo e agarras-te ao que puderes, como se te estivesses a afogar!

No fim, é sempre boa ideia analisar a coisa, até porque o negócio pode estar mesmo a arrebitar, mas olhem que o dinheiro custa muito a ganhar!

BCP a virar

É evidente que o aspeto técnico do BCP virou para o feiote, embora estejamos justamente sobre a Lta que assinalei no gráfico que ontem postamos. A conferir...

Entretanto, saiu a confirmação de algo que já se sabia e tem que ver com a saída do Barclays do retalho no nosso país. A notícia não apanhou ninguém de surpresa, porque, como disse já era conhecida, assim como é conhecida a intenção de o BBVA também ir embora. A novidade foi esta afirmação do presidente do Barclays (cito do site do Jornal de Negócios):

“Identificámos algumas áreas de negócio que deixaram de ser estrategicamente atractivas para nós neste novo ambiente operacional e que serão descontinuadas ou que vamos abandonar ao longo do tempo. Estas actividades serão agrupadas na divisão ‘Barclays Non-Core’”

Coloquei a vermelho a parte que me parece importante.

Estava-se à espera de alguma consolidação na banca portuguesa e, por isso, havia uma certa expetativa, pelo menos entre os mais leigos, sobre quem compraria as operações dos bancos que queriam sair. Mas agora o Barclays diz que nem vai tentar vender. Em vez disso, vai, pura e simplesmente, fechar a loja e abalar.

Eu nem sei os pormenores e sou capaz de estar a ver a coisa pela rama, mas a mim isto é tão má notícia quanto uma má notícia pode ser. Se o negócio fosse bom, havia de valer alguma coisa e algum comprador haveria de aparecer. Deitar fora, é porque não vale nenhum!

É evidente que a saída do Barclays pode dar para tirar uma outra conclusão: é menos um concorrente e mais clientes e recursos para os que ficam. Desta forma, a notícia já fica menos escura e ganha umas cores mais vistosas.

Seja como for, prefiro a análise técnica. Lá acabei, pois, por comprar o lote que queria desde a apresentação dos resultados, porque houve uma boa alma, que não tem por hábito vir a este nosso cantinho e, por certo, não viu o nosso gráfico de ontem, onde se assinalava uma Lta por volta dos 0,2120.

Vamos, portanto, ver calmamente se a coisa arrebita ou volta para baixo.

7.5.14

O que devo saber antes de Negociar em Bolsa.

Facto nº 19

Cuidado com as percentagens:
- Uma perda de 10% implica um ganho posterior de 11,1% para voltar ao valor inicial;
- Perdidos 50%, há que ganhar 100% para regressar ao ponto de partida;
- E se despencas 90%, vais ter de multiplicar por 10 (900%) para voltar ao patamar de que partiste.
Voltamos ao BCP, que hoje caiu mais de 3%, depois de anteontem ter apresentado uns resultados considerados por todos como muito vistosos.

Este comportamento é a Bolsa no seu melhor! 

Embora, como é evidente, ninguém goste de perder dinheiro e toda a gente esteja a negociar não por causa da beleza da coisa, mas para fazer os melhores negócios possíveis, é justo reconhecer que esta natureza tricky dos mercados é o condimento que fazem do trading uma atividade interessante. 

Claro que o interesse se acaba quando estamos a levar sistematicamente pancada, sem que tenhamos a percepção do que estamos a fazer de errado. O problema é que muitas vezes até nem estamos a fazer nada de verdadeiramente errado. Simplesmente, a dinâmica do mercado vai à nossa frente e nós só vemos o pau depois de termos levado com ele.

Anteontem, estávamos todos a achar os resultados magníficos e que a subida era quase certa. Entretanto, já todos interiorizamos que os resultados diziam respeito ao passado e arranjamos um sem número de argumentos que acabam por justificar todas as quedas do mundo! O tal sell the news. Se inverter, haveremos de arranjar uma estória de sucesso para ir a máximos; se continuar a cair...

Talvez os gráficos possam dar alguma pista.

Hoje parece que a ida a máximos vai ter de esperar (veremos amanhã!).

Se se confirmar o sentido descendente (o que, atendendo ao que se tem passado ultimamente, parece estar bastante relacionado com o fecho do dia mais logo nos EUA), diria que um primeiro amparo pode surgir na Lta por volta dos 0,212. Abaixo disso, há os 0,20, mais por ser um número redondo, e, com consistência, a zona dos 0,190-0,196. Daí para baixo... FUJAM!



Na Ucrânia continua o jogo de xadrez. Os russos já não têm dúvidas de que os ucranianos, se tal fosse possível, estariam vendedores de todo o leste do país. Mas tal ainda está longe de ser uma possibilidade, não só por um enorme conjunto de trâmites legais, mas também pelas tensões que iria criar nas populações (muitos, no leste, são verdadeiros ucranianos que ficariam sem pátria), mas, fundamentalmente, porque a comunidade internacional não pode autorizar um precedente tão clamoroso.

Para além disso, interessa aos russos prolongar o caos e aumentar a pilha de mortos. Quanto mais tempo a situação se prolongar e maior for o caos, mais baixo será o preço a pagar pela conquista de tanto território. E ninguém está interessado em pagar bem a um inimigo que depois pode usar esses recursos contra nós. Putin leu Maquiavel e aprendeu a lição! 



6.5.14

Nesta altura do campeonato, tenho a certeza de que aqueles que nos vão seguindo aqui no Negociarembolsa já devem ter tirado de mente a ideia de que vão ganhar uma pipa de massa nos mercados sem trabalho, canseiras ou chatices. Uma das três terão de certeza e o mais provável é que vos toque a dose por inteiro, como é costume acontecer.

Olhando para a subida estrondosa do BCP desde que "irrevogável" perdeu o significado que os nossos avós lhe deram, isto é, grossomodo desde meados de 2013, é natural que fiquemos a salivar e achemos que éramos super felizes se tivéssemos tirado as economias do escanzelado depósito a prazo onde estão enfiadas e as botássemos para correr naquele belo cavalinho. Triplicar o pilim que tanto custou a arrecadar é um tónico que alegra qualquer alma e deixa a mesa mais farta e apetitosa.

Claro que agora, olhando para trás, a coisa parecia evidente: afinal de contas, o BCP a 7 cêntimos era mesmo módico, olhando para os 22 a que hoje cota. Mas, na altura, a música era outra: afinal de contas, uma queda de 7 para 5 leva-nos a mesma percentagem da carteira que uma queda de 22 para 15 (não sei se me entendem!). E não era nada claro se o caminho não seria mesmo para baixo! No fundo, estamos sempre nessa decisão: é possível que daqui por um ano o BCP esteja nos 60 cêntimos (o triplo de hoje). Quem arrisca, baseado nessa expetativa?!

Mas eu nem queria falar especificamente no BCP. 

O caso do dia nos mercados internacionais é mais uma vez o Twitter. Ao contrário do que se passou com o Facebook que despencou mais de 50% no seu primeiro ano em Bolsa, vindo depois a recuperar para estar agora a lucrar outros 50%, o Twitter estreou na Bolsa americana a 26 dólares no início de novembro do ano passado, tendo atingido quase o triplo ($74,76) em dezembro. Desde ai é que a coisa já não correu tão bem, tendo a descida sido feita em marcha acelerada. Desde que apresentou os resultados do trimestre (que tivemos oportunidade de comentar em post anterior) tem sido uma autêntica chacina com sangue de touro a esparramar por todo o lado. Um terror. Hoje despenca uns chocantes 15%. 

Quem acha que as redes sociais vão ser o negócio do futuro vai ter que fazer as contas de novo. É que, mais uma vez, quando se acha que um negócio vai ser magnífico, vende-se caro logo à partida e esse é o problema. As ações do Twitter estão tão caras que, embora o negócio seja engraçado e desperte natural interesse, é necessário crescer muito e depressa para corresponder às expetativas. Se isso não acontecer, e o povo der conta, diacho, vai ser como com o gato do tweety que cai com tal bolina que... acaba por furar o chão!


Buy the rumor, sell the news

Tal como previsto, o BCP abriu em alta a refletir os bons resultados apresentados ontem.

Entretanto, porém, tem vindo a esmorecer e a colocar dúvidas a muitos investidores acerca da sustentabilidade da subida. 

Como é evidente, ignoro como decorrerá a negociação até final da sessão, mas nada há de novo neste comportamento do título. 

É óbvio que os resultados foram bons (ainda que uma leitura mais fina possa por a nu uma ou outra insuficiência, que os analistas se encarregarão de apontar), e há uma clara melhoria em relação aos trimestres anteriores que parece apontar para um regresso da banca aos lucros e aos dividendos a médio prazo. 

Mas essa melhoria já tinha sido antecipada pelos mercados ao longo dos últimos meses, e teve por consequência a subida da cotação da ação para o triplo em menos de um ano. 

Neste momento o que interessa, portanto, é novamente o futuro. Será que os resultados vão continuar a melhorar de forma consistente ou haverá novas nuvens no horizonte. Hoje, por exemplo, saíram os números das vendas a retalho na UE e foi em Portugal que elas mais caíram (estará a recuperação económica a arrefecer?). Por outro lado, o BCP beneficiou de fortes ganhos com a dívida pública portuguesa, mas esses ganhos não se vão repetir no futuro! E assim por diante!

Como vêem há sempre dúvidas que vão surgindo, que acabam por temperar as expetativas geradas, e jamais existem certezas. É por esse motivo que sempre haverá vendedores e compradores, Bulls e Bears, e um preço de equilíbrio em que os dois lados chegam a acordo num dado instante.

Há uma velha máxima bolsista que explica o comportamento de  um título que reage de forma surpreendentemente frouxa quando as notícias são boas: buy the rumor, sell the news (compra o rumor, vende a notícia). 

No fundo, quando a boa notícia sai, deixa de haver expetativa de sair a boa notícia, e aqueles que compram com base na expetativa deixam de ter motivo para continua investidos e vendem!

Por isso, se estiverem à espera de boas notícias para entrar na Bolsa, é bastante provável que venham a ficar desiludidos, a não ser que comprem o rumor!

5.5.14


ANÁLISE

Já agora, deixamos o gráfico do BCP que, diga-se, continua com excelente aspeto.

O título corrigiu, mas nunca cotou abaixo da EMA50. Agora está acima das EMA principais (que consideramos ser indicadores muito simples, mas bastante fiáveis), o MACD deu sinal de compra e o RSI está em valores muito confortáveis. O volume é que tem estado anémico, mas amanhã chega um carregamento de vitaminas que vai embelezar ainda mais o gráfico.


Colocamos duas linhas a vermelho mais lá para cima: a primeira a 0,255 corresponde ao fecho de um gap que remonta a meados de 2011 e a segunda um pouco mais acima onde nos parece existir uma ligeira resistência na casa dos 0,265. 


Como vêem estamos otimistas em relação a uma subida engraçada. Só espero que não seja já amanhã para dar tempo de ver se arranjamos alguma alma caridosa que nos venda um lote a bom preço. É que o cagaço hoje tolheu-nos o juízo (exceto ao Fernando que se foi a elas e fez bem) e acabamos por ficar a ver a banda passar. Resultado, estamos de carteira vazia e à espera de abastecer. Má onda, diacho!




Não se preocupem que um dia destes fazemos um post nesta casa sobre noções básicas de análise técnica, em que vos explicaremos o que são EMA, MACD ou o RSI e vos vamos dar mais indicações com muita piada. Só para iniciados, como é evidente!

Para já, deixem que vos diga que a análise técnica de gráficos em Bolsa funciona principalmente porque muitos investidores analisam os gráficos e tomam decisões com base neles. E se os profissionais o fazem, quem somos nós, reles aprendizes, para por em causa a validade da coisa.  

COMENTÁRIO


O BCP acaba de apresentar os seus resultados do 1º trimestre do ano.

Em termos de resultado líquido tivemos um prejuízo de 41 milhões de euros (152 milhões de prejuízo há um ano), o que compara com as previsões dos analistas:


BPI -64 milhões (reviu no final de março o price target de 24 para 30 cêntimos);
Nomura -59 milhões;
CaixaBI -57,8 milhões.
Variação trimestral em cadeia: +71,3%

Variação homóloga: +73,0%


Quanto a outros indicadores, temos:


- Produto bancário a subir 23%
- Margem Financeira a crescer 32%;
- Crédito em Risco a descer de 13,8% para 11,7%;

- Custos Operacionais / produto Bancário a cair de 70,9% para 55,1% (excelente!);
- Venda de 544 imóveis no trimestre (menos 9% que no trimestre homólogo de 2013) por um valor 29,3% mais alto (53 milhões de euros);
- Racio Core Tier I da EBA da aumentar de 9,6% para 11%.


Por outro lado, o Banco propõe-se reembolsar o estado em 400 milhões de euros (dos 3000 com que foi ajudado) tão breve quanto possível, o que vai permitir reduzir os respetivos juros.

À primeira vista, não tenho dúvidas absolutamente nenhumas de que se trata de ótimos resultados e uma agradável surpresa! 

Creio mesmo que, mais do que toda a conversa sobre melhoria da economia que temos ouvido nos últimos tempos, são estes resultados de um banco de referência que melhor demonstram como estamos no bom caminho em termos de recuperação económica e, a prazo, financeira.

Onde já sou capaz de ter mais dúvidas é no comportamento da ação amanhã em bolsa. É que o banco já subiu para cima de 200 % (triplicou!) em menos de um ano. E desde a apresentação de resultados do ano 2013, quando Nuno Amado anunciou que iria apresentar lucros no exercício de 2014, a subida vai em quase 40%. Creio que estes resultados vêm explicar porque subiu tanto, de maneira que pode haver alguma hesitação amanhã por já estarem descontados na cotação.

Agora é olhar para o futuro. E aqui penso que a conferência de imprensa trouxe alguns dados adicionais relativamente ao pagamento dos cocos e houve alguma pressão para que o Governo conceda o deferimento fiscal. Por outro lado, tornou-se mais evidente que haverá lucros este ano (aliás, já os haveria neste momento se não tivessem existido impactos negativos extraordinários).


Somando tudo, e atendendo até ao aspeto técnico do título, e às revisões em alta dos price targets que se vão seguir, diria que teremos máximos do ano em breve!