16.5.14

Entalo não, por favor...

Testemunho:

Meus caros amigos. Não sei se já repararam, mas somos um grupo de amigos a escrever com este Nick (negociarembolsa), pelo que por vezes pode causar alguma confusão nos utilizadores. Eu, que escrevo neste momento, sou o pato bravo, que tem apenas três anos nestas andanças e que teve que pagar bem caro este curso. Mas como não tinha conhecimento nenhum, ia tentando perceber onde é que tinha errado, através de alguma leitura e de partilha com o meu mestre (um dos outros amigos com quem partilho este nick), esse sim com muita experiência e conhecimento no assunto (foi ele que criou o tópico: "aumento de capital na banca") que vos aconselho a seguir, porque, não me dando nunca conselhos nem soluções, ajudou-me a pescar (um bocadinho melhor). Mas o facto de estar a escrever e a utilizar o tema testemunho, é porque irei partilhar a minha experiência de BCP, para ver se pelo menos abro os olhos a alguns, como eu tive que fazer mas com muita dor (financeira):
Em Dezembro de 2011, resolvi pegar em 1000 Euros e comprar ações do Bcp, porque alguém me disse que já tinham valido 3 Euros e que bla bla bla. Como os juros que tinha recebido de uma aplicação a 1 ano tinham sido miseráveis, resolvi arriscar e lá as comprei a 0,107. Passado pouco tempo, já tinham subido para 0,125 e vendia-as, comprando-as a seguir mais barato e assim sucessivamente, achando que era o maior, pois em apenas um mês tinha ganho mais 500 Euros. Como aumentei a confiança, resolvi colocar lá mais pilim e adquirir mais ações e ficar rico e deixar de trabalhar etc, etc, etc... Eis que dou por mim a correr atrás de as comprar numa semana louca em Fevereiro de 2012, com os rumores da Sonangol e a chegada do Amado e então, ganhei o meu grande entalo que, durou muito tempo. uma compra a 0,21 que me fez não as largar até que se deu a salvação no aumento de capital. De 10000 Euros investidos cheguei a ter apenas 4000 Euros. Feitas as contas, só era uma desvalorização de 60%. Para além disso, foi um ano e meio com o capital preso e sem poder fazer negócios que me pudessem ajudar a recuperar (por um lado até foi bom, porque assim não fazia mais borrada). Com o aumento de capital e as subidas loucas, onde fui reforçando, atingi com uma venda a 0,2335, cerca de 70% de lucro, acrescentando ao BCP, alguns negócios curtos no BANIF e na Sonae Industria. Acabada a festança, eis que chega esta carnificina a que estamos a assistir. O grande teste ao meu curso tinha chegado. Pois, das muitas coisas que aprendi aqui convosco e com o meu mestre, foi: PROTEGER O CAPITAL, OU SEJA, não podemos contrariar a tendência. Quando muito, podemos ver alguns sinais de compra e outros de venda, mas curtos, como eu fiz hoje (dia especialmente bom), mas não esperarmos, como eu fiz durante cerca de dois anos que o mercado vai virar a nosso favor porque nós queremos. Para finalizar, apenas queria dizer que, a grande diferença é que desde os 0,2307, último máximo, até ao mínimo de hoje (0,1662), são 38% de desvalorização. Eu, fazendo algumas compras e vendas boas e outras más, apenas cedi cerca de 5%, o que me mantém com um bom lucro este ano. Algumas destas vendas foram dolorosas, mas transformaram-se rapidamente em negócios menos maus do que poderiam ser, se simplesmente ficasse a olhar. Espero que não entendam este texto como exibicionismo, mas sim como uma partilha de experiência.

Bons negócios

15.5.14

Má onda

Definitivamente, a coisa azedou e o mínimo que se pode dizer sobre as notícias de aumento de capital na banca, que ontem saíram na imprensa, é que o timing foi azarado:

 - O PSI20, depois de um arranque de ano fulgurante, tinha encetado há já algumas semanas uma correção que já passara para lá do meramente saudável, para assumir proporções alarmantes, com quebra da tendência ascendente na passada 2ª feira (ver o nosso gráfico no tópico do índice);

- As principais ações do índice davam sinais de grande fraqueza, com destaque precisamente para a banca que estava a fazer lower highs sucessivos;

- Do lado da banca foi terrível o anúncio de que o Barclays tinha a intenção de fechar o negócio no nosso país e abalar. Embora o fecho puro e simples tenha depois sido desmentido (de forma tão pueril que só o tornou mais assustador), o facto de não se ponderar a venda deixou a ideia de fuga atabalhoada, o que só é possível, diga-se o que se disser, se o negócio estiver pior do que se pensava. Ninguém foge, nem a peanners (Antes tivesse dito "feijões". Agora fiquei mal disposto. Diacho, ando com uma crise de azia desde ontem ao início da noite! De que será?);

- Entretanto, vem hoje na imprensa que o BBVA também está de malas aviadas, coisa já sabida há algum tempo, mas a verdade é que a notícia, se no início do ano era encarada como uma simples opção tática de gestão (o BBVA fartou-se de assumir prejuízos em Portugal), nos dias que correm começa a deixar a tristonha sensação de debandada;

- Hoje saíram os números do PIB português e dá outra vez má onda. Os números vêm abaixo do previsto e a economia dá claramente sinais de estar a fraquejar.


Diria que só falta os juros da dívida pública começarem a subir, para termos o caldo entornado. Mas nem vamos falar disso para não agoirar.

14.5.14

COMENTÁRIO

O PSI20 acionou o sinal de venda maciça e o povo levou a coisa tão a peito que despejou ações como se não houvesse amanhã. O resultado foi uma queda tão vermelha que até me faz pensar que o final do dia vai ser também dessa cor lá para os lados de Turim. Vermelho Benfica, bem entendido! Oremos!

Entretanto, vamos descascando o abacaxi que hoje nos tocou em sorte. 

Eu cheguei a dizer, não me lembro se escrevi, que um gentlemen como o Nuno Amado não ia fazer a borrada de apresentar os resultados e não falar em aumento de capital, para alguns dias depois virem anunciar essa porcaria. Esqueci-me que estávamos a lidar com banqueiros, que é gente habituada a manobrar a arte da esperteza saloia (leiam, a propósito, o episódio de hoje da Histórias de dinheiro, que sai mais daqui a pouco). Pelos vistos, houve gente mais avisada ao longo destes dias e foi vendendo, antecipando a marosca!

Do lado do BES o anúncio foi menos foleiro porque o Ricardo Salgado já tinha dito anteriormente que a probabilidade de ser necessário realizar um AC era elevada. Não sei se foi por causa disso que o malho do BES foi menor, mas acredito que a gosma ao BCP tenha levado a um exacerbar das descargas dos institucionais.

Deixo a conta que já fiz para o BCP, também para o BES. 

- Ontem o BES fechou a valer 1,22€. Como existem 4.017.928.471 ações representativas do capital do banco, isso significa que o banco valia cerca de 4900 milhões de euros.

- Hoje é noticiado um aumento de capital de 1000 milhões de euros, o que elevará o valor do banco para 5900 milhões de euros de forma automática, por mera criação de capital.

Agora as questões-chave:

- Se os acionistas acharem que, com o aumento de capital se gerará riqueza para justificar essa valorização automática de 20,4% no valor do banco, as ações não caem e o preço mantém-se (está bom de ver que não foi esta a leitura);

- Se os acionistas perceberem que o aumento de capital não vai acrescentar valor nenhum ao banco e que o dinheiro desaparecerá pura e simplesmente, então, depois de recebido o dinheiro do aumento de capital, o banco continuará a valer os tais 4900 milhões de euros. Acontece que terá mais cerca de 820 milhões de ações representativas do capital entretanto emitido. Por esse motivo, o valor de cada ação já não será 1,22€, mas sim 1,01€!

- Se os acionistas acharem que o aumento de capital retira valor ao banco... é fazerem as contas! 

Contas feitas, para que o valor do banco se mantenha, o BES deverá desvalorizar em relação a ontem cerca de 17,0%, ao passo que a queda do BCP deverá ser de 27,5%. Aqui sim, percebemos ainda melhor por que motivo a queda do BES foi ligeiramente inferior no dia de hoje!

Claro que, daqui até ao aumento de capital ainda muita água vai correr debaixo das pontes e as cotações vão sofrer alterações, mas estas contas de algibeira explicam-nos muito do afundanço a que tivemos oportunidade de assistir.

Aumento de capital

Um aumento de capital, nos moldes que foi hoje noticiado que será(?) feito pelo BES e pelo BCP, é basicamente a emissão de novas ações por parte de uma empresa. Essas ações serão criadas a partir do nada e vendidas aos atuais acionistas ou novos investidores que as queiram adquirir, permitindo à empresa arrecadar dinheiro que será utilizado com um fim pré-determinado.

Se um aumento de capital é bom ou mau depende da perspetiva dos investidores sobre o negócio. Se se tratar de um aumento de capital que permita aumentar a taxa de crescimento da empresa, em princípio será bom; se, por outro lado, foi feito um aumento de capital para acudir a necessidades urgentes de capitalização ou para o pagamento de dívidas, já não será encarado de forma tão benigna, porque significará que a empresa não está a conseguir, pelos seus próprios meios, financiar-se e terá de se socorrer dos acionistas.

Mesmo sem sabermos se o aumento de capital dos bancos é um bom negócio ou não, dado que ainda não foram apresentadas as condições (nem sequer há confirmação), uma conta rápida vai-nos ajudar a compreender por que motivo esta notícia está a levar a uma forte queda das cotações dos dois bancos.

Usemos, como exemplo, o caso do BCP:

- Ontem o banco fechou a valer 0,203€. Como existem 19.707.167.060 ações representativas do capital do banco, isso significa que, ontem, o BCP valia grossomodo 4000 milhões de euros.

- Hoje é noticiado um aumento de capital de 1500 milhões de euros, o que elevará o valor do banco para 5500 milhões de euros de forma automática, por mera criação de capital.

Agora as questões-chave:

- Se os acionistas acharem que, com o aumento de capital se gerará riqueza para justificar essa valorização automática de 37,5% no valor do banco, as ações não caem e o preço mantém-se;

- Se os acionistas perceberem que o aumento de capital não vai acrescentar valor nenhum ao banco e que o dinheiro desaparecerá pura e simplesmente, então, depois de recebido o dinheiro do aumento de capital, o banco continuará a valer os tais 4000 milhões de euros. Acontece que terá mais 7389 milhões de ações representativas do capital entretanto emitido. Por esse motivo, o valor de cada ação já não será 0,203€, mas sim 0,147€!

- Se os acionistas acharem que o aumento de capital retira valor ao banco... é fazerem as contas! 

De qualquer das formas, tudo isto tem de ser analisado com alguma atenção, até porque vai haver muitos fatores a ponderar. Hoje e no curto prazo, a notícia é, evidentemente, muito mal recebida, porque os bancos portugueses já se fartaram de vir pedir dinheiro aos acionistas e a destruição de valor tem sido, de facto, terrível. Vejam o número absurdo de ações que o BCP já tem: quase 20000 milhões! 

Por outro lado, tecnicamente, o BCP está naquele valor que referimos aqui há dias (vejam no arquivo) em que tudo se decide. Do ponto de vista técnico, um fecho com volume e convicção abaixo dos 0,19€, seja por que motivo for, é um sinal de alerta muito grande para quem está dentro.

13.5.14

COMENTÁRIO


Com alguns dos mercados mundiais a fazerem máximos, custa vermos o nosso PSI20 tão enfezado e mortiço. E para  aqueles que andam sempre em cima das cotações (malditos smartphones), este estilo bipolar de quem sobe cheio de genica num dia para logo vir com ameaças de que se escangalha todo no dia seguinte, dá cabo dos nervos, das noites e da carteira. Uma maçada!

É preciso, contudo, não esquecer que o PSI20 é dos índices que mais sobe em 2014, a nível mundial (embora esteja a 6,5% do máximo do ano). Hoje, fechamos com as seguintes valorizações anuais:

PSI20: 11,6%
IBEX35 (Espanha): 7,1%
DAX30 (Alemanha): 2,1%
CAC40 (França): 5,5%
Footsie100(Inglaterra): 1,1%
Nikkei225(Japão): -11,5%
S&P500(EUA): 2,7%
NASDAQ (Índice eletrónico americano): -1,0%

Por outro lado, o S&P e o DAX não só estão em máximos do ano, como estabeleceram hoje máximos históricos. O nosso PSI20 ainda tem que subir 86% para levar essa medalha. É um dos preços a pagar por termos aberto falência! Não faz mal: que suba à bruta depois de nós entrarmos!

De qualquer das formas, depois da saída limpa, da queda dos juros e da recuperação económica parece que chegamos a um ponto em que faltam expetativas de que as coisas possam vir a correr bem. Pelo contrário! Agora há o medo de que os juros subam, de que a saída limpa tenha sido asneira, de que a recuperação económica se tenha esgotado com o arremate de BMs, Mercedes e outros carros cheios de cartima, etc.

De maneira que, pelo menos no curto prazo, não há, de facto, grandes motivos para comprar, a não ser para imitar os outros. O que, muito honestamente, é capaz de ser pouco, tanto mais que há por aí umas notícias para sair, que envolvem o constitucional, as eleições europeias, etc., que, pelo menos, transportam a expetativa de poder fazer mossa do ponto de vista económico. Se a isso juntarmos o gráfico concluímos que até do ponto de vista técnico a coisa não está famosa. Confiram abaixo, p.f., (com índices bipolares nunca se sabe, mas parece irresistível uma ida pelo menos até à linha azul, a já famosa EMA150):


Não se esqueçam de que esta é a análise de hoje e pode ser que amanhã até dê subida, mas a verdade é que, pelo menos para o índice portuga, o velho dito bolsista sell in May and fly away parece estar a preparar-se para fazer todo o sentido. Veremos!
Conversas exemplares 2

Dinheiro e Liberdade



O meu amigo Tavares defende que esta crise em que estamos atolados se deve exclusivamente ao facto de a maior parte de nós ter esquecido para que serve o dinheiro. Exclusivamente parece-me forte, mas o Tavares insiste. O raciocínio dele labora na ideia de que, ao contrário das outras mercadorias, que servem para satisfazer as nossas necessidades ou caprichos, a função mais importante do dinheiro é dar-nos liberdade. E eu, que pensava que o dinheiro servia para comprar as coisas de que necessitamos, dou por mim banzado enquanto o oiço, pois faz-me uma certa impressão essa associação entre numerário e liberdade como se o 25 de abril tivesse alguma coisa a ver com os escudos que cada um tinha na algibeira. 

Mas o meu amigo não desarma e estipula que durante trinta e tal anos perdemos mesmo a noção do que é o dinheiro. Oiço o Tavares e ponho-me a pensar no meu avô e nas histórias que ele me contava de uma época em que as poucas pessoas que iam conseguindo juntar dinheiro ou sabiam rigorosamente o que fazer com ele ou, então, o curso normal dos acontecimentos encarregava-se de que deixassem de o ter em três tempos. E a verdade é que tanto quanto me lembro dessas histórias, a diferença entre ter ou não ter dinheiro nunca esteve em ser feliz ou infeliz, mas em garantir que se era livre, não no sentido que se dá agora de se poder dizer ou fazer o que nos der na real gana, mas antes num contexto mais realista e racional de não depender de nada nem de ninguém. E à medida que vou recordando essas histórias do meu avô, que saudades, volta-me essa sensação de imaginar como é difícil a vida, cheia de riscos e de sacrifícios, por causa do dinheiro que devemos tratar com respeito e parcimónia (mas nunca com subserviência) para que chegue o dia em que, de certa forma, nos torne livres. De maneira que, a dada altura, dou de barato que foi, de facto, esse conhecimento que se perdeu em pouquíssimo tempo que nos minou a liberdade que julgáramos ter conquistado com uma revolução e cravos ao peito. 

Mas até aqui talvez já toda a gente tenha chegado e eu por último. 

O Tavares, que é meu amigo, encarrega-se de me instruir com exemplos concretos. Um supor que te põem no olho da rua e ficas sem salário, qual é o problema se tens dinheiro para suprir às tuas necessidades? E mesmo que tenhas pouco dinheiro, qual é o problema se souberes como o multiplicar e não tiveres medo de o fazer? 

Mas a mim, enfarinhado como estou numa lógica de consumo, volta-me uma certa impressão de que, afinal de contas, isto não pode ser ao mesmo tempo tão simples, tão complicado e tão fora de moda. Não foi à toa que toda essa arte da poupança e do investimento se desvaneceu e julgávamos esquecida para sempre, porque não é com ordenados mínimos que te vai valer a pena poupar para prevenir o que quer que seja, de maneira que a solução óbvia está em estourar o guito todo de uma vez e pelo menos contribuir para que alguém venda mais e possa haver mais emprego. Isto parece-me de uma racionalidade muito saudável e a toda a prova. Ainda por cima, ao encher a casa de trastes e ao atualizares ritmadamente a quota que te cabe de gadgets inúteis vais assegurando a tua dose diária de felicidade instantânea, ao mesmo tempo que evitas ter o dinheiro parado no banco, ao serviço de um punhado de indivíduos pouco recomendáveis que se serve dele para fazer investimentos super lucrativos. 

Vendo que vacilo, o bom do Tavares muda de tática e envereda por um percurso histórico. Com o fim da escassez, conta ele, depois da revolução industrial, houve necessidade de criar uma dinâmica de consumo que permitisse rentabilizar o excesso de produção, ao mesmo tempo que mantinha ocupada a massa trabalhadora que de outra forma se tornaria supérflua com o surto da maquinaria. Veio, assim, aquilo que designamos por consumismo: a arte de tornar indispensável o que nunca nos fez falta, mas que alguém se predispôs a produzir e é necessário escoar. Não foi uma coisa pensada, como é óbvio, embora há mais de duzentos anos já fosse evidente que a oferta cria a sua própria procura. Com o passar do tempo, que é o escultor das sociedades, viemos ter a esta época em que ou tu te tornas fugral e usas o dinheiro para investir e tentar ficar livre ou trocas o dinheiro por mercadoria que não falta mas que acabará por te acorrentar e dar cabo do canastro. O mal da primeira opção é que dá muito mais chatices e menos alegria instantânea, sendo totalmente desadequada a exibicionistas. 

Agora é fácil falar, mas houve gente que ao longo de mais de trinta anos andou a poupar e a investir as poupanças para nos financiar o consumo. Para fim de conversa com o Tavares, reconheço que, ao não saber lidar com o dinheiro, nos pusemos coletivamente do lado dos que não são livres.

12.5.14

iPhone 6 chega mais cedo e traz super resolução

À atenção de quem detém ações da Apple. Segundo o Wall Street Clear Sheet as encomendas já ultrapassam as do Iphone 5S, com vendas expectáveis de mais 20% logo no arranque. A Apple, a propósito, está a apenas 1% do máximo do ano. E vai subir... dizemos nós. Se quiserem comprar um Iphone 6 em Agosto já sabem onde arranjar dinheiro!


iPhone 6 chega mais cedo e traz super resolução - Dinheiro Vivo
O que devo saber antes de Negociar em Bolsa:

Facto nº 22


Como sempre sucede na nossa vida, na Bolsa nunca há almoços grátis. 

No curto prazo, se um determinado comportamento parecer evidente, então, é melhor apostar contra todas as evidências.
Oops! A menina foi imprevisível outra vez. 

Justamente quando todos estávamos numa de para baixo é o caminho, eis que a Bolsa sobe cheia de fulgor como se lhe chegassem fogo ao rabo. O Dow Jones americano está inclusive em máximos históricos e o índice alemão é rapaz para ir lá já amanhã. Nada mais a propósito do facto nº 22 que devo saber antes de Negociar em Bolsa, que sai do forno mais daqui por um bocado.

Amanhã, outro dia, nova alegria: siga p'ra bingo!


O que devo saber antes de Negociar em Bolsa:

Facto nº 21

Só há um motivo para comprar em Bolsa: se consideras que a probabilidade de venderes mais caro se sobrepõe, para lá de uma margem de erro razoável, à probabilidade de venderes mais barato.


Só há um motivo para vender em Bolsa: se consideras que a probabilidade de comprares mais barato se sobrepõe, para lá de uma margem de erro razoável, à probabilidade de teres de vir a recomprar mais caro.

11.5.14

Fim de fim de semana

Estamos mesmo no fim do fim de semana, o que significa que dentro em pouco voltam as lides bolsistas.

Depois do bom fecho americano na sexta-feira e de um fim de semana sem novidades de maior na grande dor de cabeça atual em matéria geopolítica que é a questão ucraniana, é de admitir uma abertura em alta no PSI20, até porque a grande queda da última sessão da semana passada poderá aguçar o apetite dos caçadores de pechinchas.

Mas todos os cuidados são poucos e, nestes momentos, manda o bom senso e a experiência que fomos adquirindo que devemos exigir pouco dos mercados e aceitar, reconhecidos, o que ele nos dá de boa vontade. 

Na banca, por exemplo, a semana que passou, com quedas repentinas, inesperadas e violentas, foi bastante ingrata para os que estavam investidos do lado errado do mercado (sim, porque, como veremos mais lá para a frente, há sempre um lado certo e um lado errado para se estar investido, independentemente de o mercado subir ou descer). 

Olhando para trás, acabamos por constatar que, de facto, até não faltaram motivos, como concluímos em posts anteriores. Mas, como se não bastassem, deixamos mais dois, não para vos tirar o sono, evidentemente, mas para que possam decidir com maior propriedade:

- O BANIF que é público que anda de mão estendida a ver se aparece uma alma com desejos de subir aos altares que lhe acuda (nem a Guiné Conacri se decidiu a avançar), resolveu partir para a opção de último recurso: um aumento de capital. A manobra, ainda que profundamente destruidora de credibilidade nesta altura do campeonato, costuma ter sucesso garantido, uma vez que acaba sempre por atiçar os desejos de quem vê valor nos baixos preços a que a coisa é posta à venda. Desta vez nem negociação de direitos vai haver, para não termos o drama de os preços baixarem para valores em que não haja comprador (acreditem ou não, isso já aconteceu no último aumento de capital do BPI). Mas pior para os acionistas do banco do que o aumento de capital, onde só vai quem quer, foi o anúncio de que vai ser feito um reverse stock split: as ações do banco vão ser divididas por dez, com o seu valor a ser aumentado na mesma proporção. Em teoria fica tudo igual: quem tem ações fica com dez vezes menos, mas elas, em vez de valer 0,0104€, vão passar a cotar a 0,104€. O problema vem depois: como o valor sobe, passam a existir vários motivos de ordem psicológica para muitos investidores venderem o que, em praticamente todas as situações em que a experiência foi testada, deu queda da grossa. Eu, se tivesse BANIF, tomava medidas!

- Depois do Barclays, que apesar de agora estar a gritar a plenos pulmões que quer vender e jamais lhe passou pela cabeça fugir (é preciso que haja quem compre), aguardem pelo BBVA que, dizem-nos de fonte segura, já só tem 5500 milhões de depósitos em caixa, e não vai ter alternativa que não seja despedir e, eventualmente, também fechar a porta e abalar. 

Para compor o ramalhete (ou desanuviar a coisa) temos os resultados trimestrais do BES no dia 15. 

10.5.14

Refle(cão) semanal

No fim de uma semana turbulenta nos mercados financeiros, eis que as minhas filhas, ainda com toda a inocência característica das suas tenras idades, me pedem para que lhes conte uma história. Eu, novato nestas coisas de bolsa e  ainda a pensar na “tourada” da tarde (para não dizer Ursada, pois pode agoirar), respondo-lhes: “Ok, mas escolham vocês uma do livro de contos”. Escolhido o Conto, provavelmente selecionado pela bela ilustração que apresentava, eis que me deparo a contar-lhes a história de um cão vadio, jovem e atrevidote, que ao passar pelo talho da aldeia, se deparou com uns homens que descarregavam uns belos nacos de carne. Como estavam muito concentrados na tarefa, abriram espaço ao roubo de um fantástico e suculento naco de carne por parte deste nosso amigo faminto. Nem queria acreditar, mas não vá o diabo tece-las e o artista desatou a correr em direção a um belo prado bem longe da cena do crime. O que acontece é que nesse prado existia uma pontezinha de madeira sobre um pequeno rio que ele nunca tinha visto, uma vez que nunca teve que correr para tão longe. Ao subir para a ponte com a carne suculenta agarrada a um não menos entusiasmante osso, resolveu espreita para o rio. Qual não é o seu espanto ao ver que afinal lá em baixo havia um cão maior e com um pedaço de carne ainda maior que o seu. Encheu-se de coragem, abriu a boca e zás tentou apanhar o pedaço maior que estava lá em baixo… Escusado será dizer o que se passou a seguir.
Moral da História:
Temos: Análise Fundamental, Análise Ténica, podemos ainda considerar uma Análise Mental (Segundo Mark Douglas) e temos esta que não sei bem onde enquadrar. Espero propostas amigos.



Bom fim-de-semana e Bons Negócios 
No jornal Expresso de hoje o Pedro Santos Guerreiro aponta como uma possibilidade para colmatar o rombo de um possível chumbo do Constitucional ao corte das pensões e de salários na FP, o aumento de impostos já admitido pelo PPC, mas acrescenta a nuance de a coisa poder passar pelo método proposto por Miguel Cadilhe: um imposto único sobre o património aplicado de uma só vez, como se fosse penicilina na nádega. 

Ninguém gosta de pagar produtos que não leva para casa e os impostos enquadram-se nessa categoria, mas  para o comum dos trabalhadores e assalariados, como a maior parte de nós é, um imposto desse tipo era trigo limpo farinha de amparo: íamos pagar tuta e meia porque património é coisa que ignoramos o que seja sabemos. Agora, para os mais grandalhões do recreio, os tipos que batem em todos os que se metem com eles, cheios de cartima e de pujança financeira, a pílula era um trambolho duro de engolir. Tão duro que alguns eram rapazinhos para pegar nas trouxas e abalar ao mínimo indício de que o medicamento tinha que ser tomado.  

Como sabem, nesta coisa dos mercados financeiros, a verdade é atributo que não faz parte dos pré-requisitos; basta a dúvida e a sua irmã: a incerteza. Eu não sou adivinho nem ando pelos passos perdidos da Assembleia à cata de novidades bombásticas, mas não gostei nada de ver ontem de tarde o povo a largar ações de banca como se houvesse fogo na igreja durante a missa cantada.

Pode ter sido só uma quebra técnica, podem ser os resultados do BES (e correspondente aumento de capital), pode ser a saída em regime de liquidação total do Barclays, pode ter sido um movimento perfeitamente natural num dia normal de PSI20, mas a mim pareceu-me gente a fugir... De quê?!   

Estar fora

Aqueles que, como nós, teimam afinar a sua forma de estar nos mercados, tiveram uma semana rica em ensinamentos, ainda que isso possa não se ter notado na carteira. 

E a lição deveu-se essencialmente ao BCP, honra lhe seja feita.  

Vamos então recapitular, para memória futura:

- Na segunda-feira, depois de um dia de hesitação, o BCP apresenta resultados que, genericamente, ficam acima das expetativas dos analistas (esses sábios). Toda a gente fica a salivar: os que têm ações percebem que vão poder fazer uma tainada das grandes no dia seguinte; para os que optaram por ficar de fora, a compra é certa, e o preço jamais será problema.  

- Como os primeiros querem vender caro e os segundos pagam o que for preciso, o BCP abre a bombar na terça-feira de manhã.

- É então que, como de costume, começam a nascer alguns focos de dúvida, que levam os compradores a começar a esmorecer e os vendedores a deixarem de ser esquisitos: e se os resultados no próximo trimestre já não forem tão bons?; e se a economia inverte e começa a arrefecer?; e se as eleições europeias dão resultados aborrecidos?; e se o banco tem que fazer um aumento de capital?; e se o deferimento de créditos fiscais não for aprovado pelo Governo?; e se a bolha nos juros da dívida pública rebenta?; e se os analistas (esses sábios) vierem dizer que afinal os resultados não foram assim tão bons e os price targets (essas luzes ao fundo do túnel) vão ter de ser revistos em baixa?; e se as falências das empresas afinal aumentarem e houver mais gente a entregar casas por não as conseguir pagar?; e se volta o irrevogável?; e se cai um meteorito?; e se... demasiadas dúvidas. Na terça-feira, a coisa segurou-se com uma subida pífia, mas na quarta deu queda!

- Na quinta-feira veio o Barclays confirmar que vai sair do nosso belo país (have a nice trip). Mas o que causou verdadeiramente frisson foi quando o presidente do banco disse que nem ia tentar vender a operação, mas fechar a taberna tão cedo quanto possível, fazer as malas e abalar a toda a brida. Que diabo! O negócio está assim tão mal que é caso para isso! Fechar, escafeder, debandar, desertar, fugir todo mijado e nem olhar para trás. Sendo assim, não será sensato que nós que, por cá andamos às apalpadelas, tiremos também o time de campo e abalemos dos outros bancos? Dito e feito: mais queda!

- Na quinta feira, muitos estavam esperançados (o chamado whisfull thinking) na subida de rating de sexta. Mas na manhã de ontem, a subida não aconteceu: só uma revisão para lixo estável (de lixo descendente). What the f*ck! Grande bodega! Mesmo assim, ainda houve uns loucos que se decidiram a meter, logo a abrir, ordens de 7 milhões na compra à melhor oferta. Resultado: abriu em grande forma, mas depois o cenário tornou-se desolador e, de tarde, viveram-se momentos de verdadeiro entusiasmo vendedor com gente a deitar fora como se cheirasse a bicho morto e não houvesse amanhã (se calhar, está mesmo um meteorito em rota de colisão). A coisa só não foi mais longe porque estava ali a barreira dos 20 cêntimos que acabou por amparar o balancete. Diga-se que os juros da dívida tiveram a primeira subida consistente em muitas semanas, mas desses havemos de falar noutra altura.

- Entretanto, os banqueiros do Barclays já receberam telefonemas de colegas portugueses todos indignados a dizer que assim não pode ser e ontem lá vieram a terreiro com a palavra "vender" a sair da boca em vermelho bold e com sublinhado. Toda a gente começou o plano de contingência a ver se eliminam a azia e o caldo não entorna de vez.

O mal disto tudo é que nós, que tudo o que queremos é ganhar uns trocados para compor o ramalhete que o patrão nos entrega ao fim do mês, temos que andar a aturar estas m*rd*s. E não há nada que se possa fazer:
- Porque não podem as ações comportar-se de uma forma previsível e sem dar chatices? 
- Por que motivo se esforça o mercado por ser um cabrãozinho tão fedorento? 
Porque se fosse assim éramos todos ricos, eis porquê! E desde que o Adão e a Eva, esse autênticos animais, andaram a comer fruta bichada, o Senhor institui que isso não podia ser! E fez muito bem! 

9.5.14

Turbulência

No meio da turbulência, deixo-vos um gráfico do índice português PSI20 (portuguese stock index) para que possam tirar conclusões sobre a validade da análise técnica que, não sendo uma ciência exata, como é, por exemplo, a Física que me pagam para saber, faz um esforço, na maior parte das vezes inglório, para parecer ser.


Não sei se conseguem ver bem, mas há uma linha ascendente traçada no gráfico (uma Lta) que, por esta hora, já foi cortada em baixa e corre o risco de ser quebrada (o gráfico está atualizado até ao fecho de ontem). Pode ser que ainda venha a aguentar, mas as perspetivas não são famosas. Também pode ser que quebre hoje e recupere já na segunda-feira. Enfim, tudo pode acontecer!

Adiante. 

A linha azul é a EMA150 (a média móvel exponencial de 150 dias) e situa-se, mais ou menos, num valor que serviu de resistência em janeiro. Ora, o analista técnico dirá que é bem capaz de servir como o próximo amparo (suporte), caso a descida continue. Trata-se, pois, de um evidente ponto de compra. Situa-se, a propósito, por volta dos 7140 pontos, coisa de 2% abaixo do valor atual.

E é isto, mais coisa, menos coisa, a base da análise técnica.

Um dia destes pomos isto em vídeo, para evitar a trabalheira de ter que ler. Mas cada coisa a seu tempo, amigos: agora vão lá decidir o que fazer no BCP que daqui por três quartos de hora tudo estará consumado!

Mais umas achegas

A tal linha que tínhamos assinalado ontem nos 0,210/0,212 como suporte para a queda do BCP não aguentou o encontrão para baixo e a ação acionou claramente o modo pânico, o que significa que há gente a sair e a atropelar tudo à sua passagem.

Os motivos da debandada são neste momento tão importantes quanto é importante para o forcado estudar por que motivo o touro investe contra ele. 

O que verdadeiramente interessa é saber como vamos reagir no meio da tourada: se temos, vendemos e fugimos aos gritos?; se não temos vamos a elas de caras? Ficamos quietos a assistir de longe?

Infelizmente, são dias como este que definem verdadeiramente se temos o que faz falta para andar nesta vida. É que é essa decisão de cada um que vai ser a chave para se tentar ganhar na Bolsa.