27.5.14

COMENTÁRIO

E pronto amigos, justo quando o mundo parecia tão previsível, tipo, o BES despenca, o BCP malha rumo ao subsolo, a Mota vai catrapumba pelo penhasco abaixo e o PSI20 só pára no próximo Bear Market, cá estamos nós outra vez a ser levados nos cornos do touro que nem sabemos de que terra somos. Pelo menos os que apostaram no cavalo certo que eu cá sou dos que preferem emoções menos fortes e agora dei por mim a fazer compras ao Pingo Doce, a ver se me toca a sorte dos que andam investidos na banca. Maldição! 

Afinal, agora sabe-se que aquela fartura de direitos no BES era boateira barata: os que não querem ir ao aumento de capital, já arranjaram quem lhes ficasse com a carga, de maneira que se estavam a contar com esses para apanhar BES a preço de saldo desenganem-se que houve quem fosse mais esperto que nós e que vocês. Motherfuckers! Perdão. 

O BCP, claro, também subiu a reboque, porque agora já pode fazer à vontade quantos AC quiser porque já passou o tempo em que esses bichos metiam medo: isso era quando andavam por cá aquelas samelos da Troika. Agora, desde que o BES inaugurou a era dos AC empolgantes, com direitos a valorizar 30% ao dia, um AC vai ser empreitada para vermos foguetes no ar ao mesmo ritmo a que são concebidos novos ricos (desde que sejam frequentadores do NeB, evidentemente).

A Mota é aquela máquina e ganha obras por tudo quanto é canto. Escusado será dizer que, para ganhar tanta obra, tem que dar orçamentos que fazem da mão de obra chinesa uma excentricidade só ao alcance de vedeta futeboleira. Na quinta-feira já vamos poder aferir o resultado líquido de tanta vindima: será tudo parra ou também vem uva?

Não deixem de olhar para os CTT que continuam em grande forma: na era da Internet e do comércio online é, realmente, de elementar bom senso comprar uma porção de acepipes deste sabor. E a Portucel, quiçá a empresa mais discreta do PSI, mas que hoje fez máximo histórico, repito, senhores... histórico (all time high). Palmas! Trata-se da empresa ideal para quem gosta de ver o património crescer com calma e languidez (raio de palavra, se bem que perfeitamente adequada).

Para não fazer asneira, e depois não virem dizer que fizeram caca por andarem a frequentar este nosso asseado cantinho fiquem com o gráfico do PSI20 sem mais comentários (a não ser talvez para dizer que os alemães e os americanos fizeram máximos históricos hoje). Decidam em conformidade:




26.5.14

Vídeos

Uma introdução ao Prorealtime e à análise técnica (Parte I)

Contém análise gráfica à Mota Engil, um título que tem o bonito hábito de pagar bem aqueles que lhe amparam os maus humores!


25.5.14

O Namoro:

Boas Tardes:

Chegado a casa a última sexta-feira, depois de mais um dia a laborar, eis que me deparo com uma carta do Millenium bcp. O teor dessa carta é referente a uma assembleia geral de acionista. Bem, receber uma carta destas até dá um certo Status, afinal já sou (mas irei deixar de ser) um grande acionista desta tão grande instituição financeira. No entanto, lá resolvi ler a carta, que mais parecia uma carta de namoro, sempre com o charme do Amado espalhado pelos seus curtos seis parágrafos. Neles se realçam a excelente recuperação da instituição em 2013, como: Plano de reestruturação; Fortalecimento da posição de liquidez e recuperação da rendibilidade; Contínuo desenvolvimento do negócio das operações internacionais “core”. Realça-se ainda o facto de a ação ter sido o título com a maior valorização percentual e o título do Psi20, entre as empresas com capitalização acima dos 1000 milhões de euros (121,9%).

Até aqui tudo bem. Mas o que me deixou com a pulga atrás da orelha é o que está escrito a seguir, onde me parece bem vincado um pedido de casamento (entenda-se Aumento de Capital) para próximo. O que até nem parece mau, visto a rendabilidade que tenho obtido neste título. A diferença é que lhe vou pedir um tempo para pensar. Quem sabe até, experimentar umas relações extras, antes de dar o passo…. he he he . Frases como: “…este trabalho tem que ser continuado em 2014, ano crítico para o banco…”; “… uma clara inversão da tendência da conta de resultados e o inicio do pagamento ao estado…”; fazem-me acreditar que, mesmo que ainda não seja nesta assembleia que lancem a “bomba”, porque estão a decorrer o AC do BES e do BANIF e não há guito para todos, iremos ter com certeza um NIM no ar e numa próxima oportunidade a confirmação.

Bem, enquanto não fazem o pedido de casamento formal, é melhor ficar de fora e juntar umas lecas para comprar as alianças.

Bons Negócios

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24.5.14

COMENTÁRIO AO BES

Nos dias a seguir ao anúncio da fusão da PT com a brasileira OI, a Caixa Geral de Depósitos (CGD) veio anunciar que tinha alienado a sua participação na dona do MEO por um preço que tinha ficado perto dos 3,5€ por ação. Lembro-me perfeitamente de, nessa altura (há 3 meses atrás), ter ouvido Ricardo Salgado, presidente do BES, sugerir que a venda da CGD era incompreensível, uma vez que, depois da fusão PT/OI era expectável uma forte valorização dos títulos e que, no seguimento dessa linha de raciocínio, o BES não só não estaria vendedor da participação na PT como, inclusive, acorreria entusiasticamente ao aumento de capital da OI, investindo mais 75 milhões de euros. Dito e feito. Como é evidente, ninguém sabe se a empresa que resultar da fusão das duas operadoras de telecomunicações vai ser ou não rentável (embora toda a gente no meio ache que o Zeinal Bava é uma espécie de Steve Jobs dos telefones fixos e a coisa vai ser show di bola) e gerar lucros que correspondam às expetativas do presidente Salgado do BES. Mas há uma coisa que podemos já ter como certa: as ações da PT estão hoje na casa dos 2,8€, 20% abaixo do preço a que a CGD vendeu (e a brasuca OI amolou p’ra cima de 50% depois do anúncio). O negócio promete!

Esta passagem da história não terá provavelmente qualquer tipo de importância em termos de gestão, porque muitas destas operações são feitas numa ótica de longo prazo e há quem diga que a empresa que resulta da fusão PT/OI vai ser, de facto, um gigante das comunicações globais. Por outro lado, não creio que os administradores da CGD tenham vendido porque se aperceberam de que o preço ia para baixo e sejam uns génios visionários. É mais provável que tenham agido por pura questão de sobrevivência (precisavam de guito fresco). Mas o que isto demonstra é que a gestão destas coisas da banca e no caso particular do BES, que costumava ser tido como um exemplo do génio ao serviço da acumulação de riqueza, nada tem de verdadeira excelência. De facto, parece ser pura aritmética: o dinheiro gera mais dinheiro e, com a dose certa de sorte e perspicácia, com uns contactos tipo uma mão lava a outra e informação atempada é possível disfarçar, durante uma assinalável quantidade de tempo, todas as nossas insuficiências.

Agora o BES anda outra vez de mão estendida a pedir dinheiro para tapar buracos. Não se trata de dinheiro para investir numa nova linha de produção ou num produto inovador, mas sim de dinheiro canalizado do trabalho para cobrir a preguiça: a preguiça de se analisar como deve ser e viver sentado numa poltrona a produzir dinheiro ao mesmo ritmo a que se concedem empréstimos sem nexo (como bem se explica, em posts anexos, nas “Histórias de dinheiro”).

Mas nós, que felizmente não somos cegos, nem temos memória curta e tudo fazemos para não ser burros, mas também não temos ilusões nem vivemos num universo paralelo, tentamos de forma justa e com as ferramentas que temos ao nosso dispor garantir o nosso quinhão em toda esta malabarice.

Estamos em crer que na Bolsa o BES ainda vai passar por um mau bocado na próxima semana. O início da negociação dos direitos é provável que venha a ser penoso, porque há sempre muita gente que se quer desfazer deles, já que não está para abichar com mais umas lecas para mais este peditório.

Seja como for, depois de arrecadar mais 1000 milhões (diga-se que é para isso, afinal, que a Bolsa serve: para as empresas se financiarem, abrindo o capital e uma turbamulta de interessados), é possível que o BES fique em boa posição para dar umas alegrias aos crentes, pelo menos no curto prazo (que é, bem vistas as coisas, o prazo que verdadeiramente conta) porque, em princípio, só um asno completo falhará na banca depois de lhe taparem os buracos que a idiotice tinha gerado. Claro que, como se sabe, a idiotice e a sua prima, a burrice, costumam ser degenerescências de caráter incurável, pelo que manda o bom senso que sejamos prudentes, mas não podemos descartar, em boa consciência, uma entrada neste barco.

Para quem se decida a entrar, uma compra de direitos a bom preço é capaz de ser a jogada mais racional (não esquecer que o racional na Bolsa é facilmente chutado para canto). O preço dos direitos tende a ser igual a 0,4 a multiplicar pela diferença entre o preço das atuais ações e 0,65, que é, como se sabe, o preço das novas ações. Neste momento, por exemplo, o preço dos direitos deverá rondar os 0,081€.

Os direitos têm a vantagem de também poderem ser negociados e estão sujeitos a uma oscilação mais robusta do que ação, mas não se esqueçam de que ficar com os direitos implica ter de desembolsar mais 0,26€ por cada um para terem uma nova ação que só poderão negociar no dia 17 de junho, data em que haverá mais 1607 milhões de ações do BES à solta no mercado (os números são tão estrambólicos que a empreitada mais parece Astronomia, ou coisa que o valha). Portanto, há que pesar prós e contras, entre atacar nos direitos ou nas ações.

De acordo com o gráfico, o BES tem um suporte aos valores atuais, mas uma quebra é bem capaz de o levar aos 0,78€ (direitos a 5,2 cêntimos). E uma hecatombe atira-o aos 0,70€ (direitos ao módico valor de 2 cêntimos). Confiram, p.f.:



Diga-se que a esses dois últimos valores, o BES estará avaliado a:

- 4388 M€ no primeiro caso, o que se traduz num acrescento de valor de 137 milhões de euros relativamente ao dia em que o AC foi anunciado (contra uma injeção de capital de 1000 milhões);

- 3938 M€ para uma avaliação de 70 cêntimos por ação. Nesse caso, teríamos uma injeção de capital de 1000 milhões transformada numa perda de valor do Banco de 313 milhas das grandes, o que transformaria a operação num case study sobre a forma de melhor proceder à queima de notas de euro no menor espaço de tempo possível! Na Bolsa não seria inédito, nem tão pouco motivo para grande admiração, mas eu, que sobre isto nada sei, diria que estaríamos em presença de uma boa oportunidade para pagar as férias (e, porque não, o IRS).


Mais do que isto, lamentamos, mas não vos podemos fazer. Decidam que é para isso que têm a cabeça em cima dos ombros. E oiçam a cantiga abaixo que é gira e ajuda!

22.5.14

O que devo saber antes de Negociar em Bolsa:

Facto nº 24

Na Bolsa, saber vender é a virtude capital... e a virtude que preserva o capital.

O típico investidor até compra bem e começa a ganhar. 

Recosta-se na cadeia a desfrutar o momento e a fazer contas de somar. E a coisa sobe e sobe à mesma velocidade a que crescem a ganância e a cagança do nosso homem. 

Com o peito inchado do orgulho e a conta bancária a bater no teto, o nosso intrépido investidor vê o seu negócio fazer máximo sobre máximo... até inverter. A dada altura, é evidente que o sentimento do mercado mudou para bearish no curto prazo, mas, temerário, agarra-se ao máximo que ficou para trás e começa a contabilizar o que deixou de ganhar. 

É neste ponto que decide vender se voltar a esse valor. Mas a Bolsa, que é cruel, não lhe faz a vontade e lá vai caindo. E o artista, apesar de ver notícias azedas por todo o lado, esforça-se ao máximo por adoçar a pastilha e qualquer micro subida momentânea é um tónico que lhe fortalece a auto-estima em estado de decomposição. 

Nesta altura, até já é rapaz para vender a coisa um pouco abaixo do máximo. O que é preciso é que lá chegue! Mas não lhe fazem a vontade, os maus, e aquela caca continua a cair. A dada altura, um trade que tinha um lucro tão simpático, começa a dar prejuízo. 

O aventureiro prova o sabor amargo de estar a queimar graveto sem levar nada para casa, temperado com o desnorte de ter sido tão gananciosamente burro. Quando, na mente do nosso artista, a queda já orça a valores que não autorizam uma venda, a solução é transformar um trade de curto prazo, numa entaladela de longo ou longuíssimo prazo. 

Até que, quando o desespero o leva à conclusão de que o fim do mundo está próximo, e só lhe resta salvar os tostões que sobram, conclui que o mais sensato é vender. E vende! 

Está feito o mínimo e os mercados podem subir. Começou o Bull Market!

21.5.14

COMENTÁRIO

O mercado português está numa situação de tão grande indefinição que parecemos marias (sem desprimor para as que começam o nome com maiúscula), de mãos atadas na cabeça sem saber para onde cair.

Para além de ainda estarmos todos meios doridos depois da coça da semana passada, há vários fatores que aconselham prudência: aumentos de capital (reais e em potência), situação técnica periclitante do PSI20 e de muitos títulos, eleições europeias no final da semana, com possível vitória de nacionalistas em vários países, que nos podem vir a fazer a vida mais negra, risco de aumento da taxa de juro da dívida pública no mercado secundário, e o famoso fator calendarístico sell in may and go away.

Por outro lado, depois da queda arejadora, algumas empresas parecem estar a preços bastante apetecíveis, e há sinais de que pode haver condições para reatar o bull market:
- os índices americanos continuam a flirtar com máximos históricos;
- o DAX alemão também anda lá perto;
- tem-se falado das eleições europeias como o grande travão a uma ação mais efusiva do BCE nos mercados e há quem considere que, a partir de junho, podemos ter um pacote de compra de obrigações capaz de levar a economia e, consequentemente, a Bolsa definitivamente para cima;
- a queda devida aos AC, em princípio, esgotar-se-á logo que estes estejam concretizados (e o do BES já está a decorrer) e com dados económicos sistematicamente favoráveis há condições para a recuperação do nosso índice.

Deixem-me falar em particular de 4 títulos:

- O BCP é um dos favoritos de muita gente e tem dado muito dinheirinho a ganhar, se bem que ultimamente esteja a passar por um período de baixa de forma. Ontem o Goldman Sachs (GS), que é conhecido por não dar ponto sem nó, veio lançar um price target (PT) de 0,21€ para as ações (segundo percebemos aqui no NeB para depois do AC, o que coloca as coisas ao nível do exorbitante). Os PT têm um valor muito relativo e não os devemos usar como guia seja para o que for: na Bolsa devemo-nos guiar exclusivamente pela nossa cabeça e acreditem que se os fulanos que lançam os PT soubessem o que estavam a fazer, provavelmente, não precisavam de estar a fazer análises e a lançar PT. Adiante. A novidade desta análise é o facto de vir precisamente do GS. É que esses meninos não costumam brincar em serviço e se lançam esse PT é porque precisam de quem os ajude a levar o preço até lá. Digo eu! Juntando a isto o facto de os concorrentes da Blackrock se terem atravessado no BES, e de Portugal estar na moda entre as casas de investimento, não me custa nada a acreditar que os artistas do GS estejam a preparar uma entrada em força no BCP. Se assim for, quem somos nós para não irmos deitar uma mão?

- No BES começa amanhã a negociação dos direitos ao preço de 9,43 cêntimos (com o ajuste da cotação do banco para 88,6 cêntimos). Se for como é costume, vamos ter queda a partir do segundo ou terceiro dia, para recuperar nos dias finais da negociação. É capaz de ser boa ideia acompanhar a negociação dos direitos. É que uma desvalorização do BES vai ser bastante ampliada nos direitos.

- A JMT, que aqui analisamos há dias, com possível presença de um animador cup and handle no gráfico, caiu forte hoje, colocando em causa a ativação da figura. Diríamos que ainda não está tudo perdido (mas pode ficar já amanhã): confiram no gráfico abaixo:


- A Mota foi a empresa coqueluche do ano passado, mas agora ficou sem gasolina e, como se isso não bastasse, foi pela ribanceira abaixo. Ainda não pifou de vez, mas o caso está bicudo. Mesmo ao jeito, portanto, dos mais aventureiros: deitem-lhe uma mão que ela é rapariga para pagar generosamente. O gráfico diz tudo: ou sobe agora... ou desce!




20.5.14

E esta?

Pois não é que quando a coisa começa a ficar feia, eis que surge uma notícia boa (aparentemente) para deixar a malta feliz: "Goldman Sachs dá potencial de valorização de 20% ao BCP". Apesar de sermos fieis à AT, não podemos ignorar as notícias. Veja-se quem leu o DN "early in the morning". Safou-se a tempo. O que acontece é que esta notícia pode ser lida de vários prismas, que nos ajudam (ou não) a tomar as nossas decisões: Senão vejamos: Se por um lado a GS vem dizer que o banco irá devolver os CoCo’s ao estado, vem reforçar a ideia que a melhor maneira é, passo a citar: "O BCP poderá decidir por uma opção "simples" com um aumento de capital no valor total da ajuda do Estado – três mil milhões de euros –, uma solução mais diluitiva para o valor das acções mas que aumentaria a visibilidade sobre os níveis de capital e impulsionaria os lucros ao eliminar o custo dos juros com as CoCo’s.". Sim leram bem? 3000 milhões de Euros!!!! É isto que me faz questionar o porquê desta visão de valorização de 20% na cotada. Claro que se realizasse um AC desta magnitude, penso que rapidamente poderia chegar lá. No pós é claro. Até lá só via um caminho para a cotada e não ascendente com certeza. Por outro lado, é sabido (pelo menos o mestre aqui da casa relembrou-me) que a GS é conhecida mundialmente por empurrar as cotadas para o seus Price Targets. E agora, em que ficamos?

19.5.14

Análise

Será impressão nossa ou a Jerónimo Martins está a ficar com bom aspeto?


De tarde, quando lançamos a questão, não tivemos oportunidade de elaborar e deixamos apenas à vossa consignação. 

Além de os indicadores parecerem saudáveis e a JMT ser uma tradicional ação de refúgio em tempos de maior turbulência, a hipótese de trabalho que estamos a colocar é a possibilidade de o título estar a desenhar uma figura de continuação de tendência bullish de longo prazo chamada cup and handle (chávena e asa). Podem encontrar muitas informações sobre figuras em gráficos na Internet.

O importante, neste caso, é que se a figura foi efetivamente um cup and handle teremos um breakout por volta dos 13,10-13,20€ com uma projeção 2 euros acima: diferença entre o inicio da cup e o mínimo observado.

Dado a possível mais-valia, é capaz de não ser desacerto acompanhar!

O que devo saber antes de Negociar em Bolsa:

Facto nº 23

Nunca devemos arranjar argumentos emocionais para justificar porque mantemos um trade que, racionalmente, percebemos que foi um erro. Na dúvida, cortamos as perdas tão cedo quanto possível e preservamos o capital.


A Bolsa não é sobre ideias feitas, nem sobre estados de alma e costuma ser cruel com quem acha que os mercados têm o dever de lhe dar razão.

17.5.14

A lição da semana que passou

A maior inimiga do investidor nos mercados financeiros é a dúvida. Quem compra nunca tem certezas, mas assume como muito provável a valorização do capital investido. Se a dúvida surge e a probabilidade se inverte tem que vender. E não deve ter contemplações, estados de alma ou receios por assumir perdas. De facto, a Bolsa não é um campeonato para ver quem é mais esperto e acerta mais vezes. Todos nós, que andamos nisto há já algum tempo, fartamo-nos de errar (como até já se devem ter apercebido com a leitura de alguns dos posts que foram saindo) e lidamos com esse facto com o fair play que a realidade nos impõe. O número de vitórias e de derrotas é perfeitamente irrelevante. O que é relevante é que o valor das mais-valias vá sendo superior ao valor das menos-valias. É esse o objetivo e é fundamental que não o percamos de vista, porque se assim não for, então, este não é um ramo em que devamos exercer.

É evidente que, dito assim, até parece fácil, mas todos sabemos como a realidade é bastante mais complicada porque, muitas vezes, pensamos que está tudo bem e há otimismo porque o mercado sobe, depois já achamos que está tudo mal porque há notícias que saem ou movimentos mais bruscos de descida que espoletam o pessimismo, para em seguida voltar a estar tudo bem e, assim sucessivamente… ao longo de um só dia. Na maior parte das ocasiões, trata-se do ruído natural do mercado, de que nos devemos abstrair porque em nada põe em causa o nosso julgamento inicial. Para nós, que não dedicamos o nosso tempo exclusivamente aos mercados, diríamos que, salvo raras exceções, bastará avaliar a abertura e o fecho das sessões, em busca de sinais técnicos, e estar atento apenas às notícias mais relevantes.

Nesta linha de raciocínio, a semana que hoje termina acabou por ser particularmente rica em ensinamentos para o futuro, por exemplo, graças aos acontecimentos que envolveram a Banca.

No início da semana, o comportamento anémico das ações do setor, com pressão vendedora dissimulada mas permanente, deveria pôr-nos de sobreaviso (criar dúvida), porque parecia indiciar que haveria no mercado gente com a certeza de que viria a poder recomprar bem mais abaixo.

Na quarta-feira de manhã, antes da abertura dos mercados, uma visita ao site do Diário Económico dava-nos a confirmação de que o caminho seria para baixo, com a notícia dos aumentos de capital. Se estivéssemos investidos, este era o momento decisivo: era preciso vender, custasse o que custasse e fazê-lo rapidamente, se possível na abertura. No caso do BCP, por exemplo, a quebra com volume dos 0,19€ deveria ser a confirmação de que a tendência, pelo menos no curtíssimo prazo, era de descida.

Mas a venda deveria ter logo traçado um valor para a recompra: os 0,16€. Mesmo sem saber se a cotação lá chegaria (afinal de contas, dos 0,20 aos 0,16 são 20% de desvalorização), esse era um valor evidente, porque da última vez que a cotação lá foi em baixa, teve uma reação explosiva de mais de 10% num só dia, criando um suporte muito fiável (ver gráfico).


Claro que as notícias, na chegada aos 0,16€ continuavam a ser más, com a confirmação do AC do BES, e nada parecia indicar que teríamos o tal ressalto. Mas essa é a beleza da Bolsa: por muito mal que as coisas estejam num dado momento, é sempre possível que a situação se inverta ao ponto de justificar uma compra. Aliás, é quando o pessimismo exorbita que se fazem as melhores compras.

E lá veio o tal ressalto. E quem vendeu a 0,19€ e comprou na zona dos 0,16€ não só poupou 16% à carteira, como já está a lucrar 12%. Incrível, não é?!

Entretanto, no início da próxima semana (e no curtíssimo prazo) deixará de haver novidade na má notícia do AC e, no caso do BCP, pode mesmo tornar-se dominante o sentimento de que essa solução não está eminente, como parece transparecer da entrevista que o Nuno Amado deu ao Dinheiro Vivo:


De maneira que poderemos ter uma nova aproximação aos 0,19€ que, agora, passaram de suporte a resistência (veremos se forte).

E é isto, meus amigos, a Bolsa.


16.5.14


SEM REDE

A onda vermelha que se espalhou pelo PSI 20 dificilmente é explicada apenas pelos maus resultados do BES e os aumentos de capital, já certos ou previstos, para o BES e o BCP. Nem mesmo o facto de o PSI 20 ter valorizações consideravelmente acima dos índices ocidentais, e exigir uma eventual correção técnica, explica, a meu ver, tal tsunami em dois dias sobre a generalidade das cotadas.

Parece-me que a tão celebrada saída limpa do programa da Troika, para um país que mantém uma elevadíssima dívida, não terá sido muito bem vista pelos investidores estrangeiros, que não estão para correr riscos desnecessários, colocando o dinheiro num perigoso jogo de equilíbrio sem rede. Se for o caso o que se está a passar, significa que a saída limpa, ao invés de aumentar o nosso crédito, diminuiu-o. Oxalá seja este desabafo apenas uma má impressão.

Cálculos para o AC do BES

Para apreciadores e não só!

Já agora, amigos, apesar de estar explicado em posts anteriores, com valores para o dia em que a notícia foi conhecida, não me importo absolutamente nada de repetir o raciocínio e o cálculo para perceberem como cheguei aos valores do post anteriores (afinal de contas é isso que eu faço na vida: explicar cálculos).


Ontem às 16:35, quando a sessão fechou, o capital social do BES estava distribuído por  4.017.928.471 ações, valendo cada uma 1,058€, o que significa que o banco estava avaliado em 4251 milhões de euros.
À noite é anunciado o aumento de capital, que passa pela emissão, a partir do nada, de cerca de 1.607.000.000 ações (que serão vendidas ao preço de 0,65€).

Assim sendo, embora o aumento de capital ainda não tenha sido realizado, para todos os efeitos é como se já tivesse sido, e o BES abriu hoje de manhã com um total de 5625 milhões de ações (4018 a 1,058€ +1607 a 0,65€).

Para que o valor do BES se mantivesse igual ao de ontem, tínhamos de ter, como é evidente, uma descida da cotação para os tais 94 cêntimos: 

(4018x1,058+1607x0,65)/5625= 0,94€ 

É aqui que o desconto do AC faz mossa: quanto maior for o desconto, mais diluída é a cotação da ação.

A propósito, neste momento, com o BES a cotar nos 0,98€, podemos dizer que o mercado está a calcular um benefício real para o BES de 225 milhões de euros com o AC.

Podemo-nos interrogar por que motivo alguém vai comprar ações hoje a 0,98€ se as pode comprar no AC a 0,65€. A resposta é muito simples: para poder comprar no AC, é necessário adquirir direitos, que são atribuídos a quem possui ações. Não há almoços grátis. O preço dos direitos com o preço da subscrição equilibra automaticamente com o preço instantâneo da ação.

Quanto ao BCP, fiz um exercício, que não corresponde a nenhuma espécie de realismo porque ainda nada foi anunciado de concreto, mas que passa por assumir um AC do valor noticiado com um desconto igual ao do BES.

Aumento de capital do BES


Amigos, acabo de chegar de ver o Godzilla no cinema, e diabos me levem se os bichos não fazem lembrar um aumento de capital (AC): escavacam tudo e não deixam pedra sobre pedra. Quanto ao filme, trata-se, evidentemente, de uma cegada sem fim, a fazer lembrar um Alien vs Predador (não sei se viram?), mas sem alien (acho eu!). Mesmo como divertimento puro é cansativo, pelo que apenas se recomenda a aficionados incondicionais de filmes desbundativos de domingo à tarde. 

Havemos de voltar a falar de cinema que é assunto que tem lugar assegurado nesta casa.

Entretanto, chego e vejo que há novidades no que à Bolsa diz respeito. O BES apresentou os resultados mauzinhos que se previa e confirmou o anunciado aumento de capital. Pois bem, dos resultados nada direi porque nem lhes pus os olhos a não ser no prejuízo líquido. Quanto ao AC peguei no lápis e fiz umas contas de merceeiro para atualizar os dados que publicamos há dois dias atrás, quando a notícia estoirou. Com o desconto oferecido, e a preço de fecho de hoje, o valor justo de cada ação do BES fica nos 94 cêntimos (por valor justo, entenda-se valor do banco para, após o AC, valer justamente o mesmo que vale hoje).

Já agora apresento também o cálculo para o BCP que, não duvidem, vai enveredar pelo mesmo caminho do AC (veremos é se há dinheiro que chegue para todos). Aliás, depois do estrago feito, seria impensável não avançar com essa medida, visto que é, apesar de tudo, uma solução ótima para o banco se ver livre dos coco’s, que exigem um juro de, se não estou em erro, 9,5%. Ora bem, se o BCP fizesse hoje um AC nos moldes do BES, mas no valor de 1500 milhões de euros, que é do que se tem falado, teríamos ações novas a ser vendidas a cerca de 10,4 cêntimos e um valor justo para a ação atual de 14,1 cêntimos.

Com estes dados, façam as vossas apostas, mas cuidado: no curto prazo vai haver subidas com certeza, mas a tendência inverteu completamente e é capaz de não ser saudável para a carteira exigir de mais dos mercados. 

Entalo não, por favor...

Testemunho:

Meus caros amigos. Não sei se já repararam, mas somos um grupo de amigos a escrever com este Nick (negociarembolsa), pelo que por vezes pode causar alguma confusão nos utilizadores. Eu, que escrevo neste momento, sou o pato bravo, que tem apenas três anos nestas andanças e que teve que pagar bem caro este curso. Mas como não tinha conhecimento nenhum, ia tentando perceber onde é que tinha errado, através de alguma leitura e de partilha com o meu mestre (um dos outros amigos com quem partilho este nick), esse sim com muita experiência e conhecimento no assunto (foi ele que criou o tópico: "aumento de capital na banca") que vos aconselho a seguir, porque, não me dando nunca conselhos nem soluções, ajudou-me a pescar (um bocadinho melhor). Mas o facto de estar a escrever e a utilizar o tema testemunho, é porque irei partilhar a minha experiência de BCP, para ver se pelo menos abro os olhos a alguns, como eu tive que fazer mas com muita dor (financeira):
Em Dezembro de 2011, resolvi pegar em 1000 Euros e comprar ações do Bcp, porque alguém me disse que já tinham valido 3 Euros e que bla bla bla. Como os juros que tinha recebido de uma aplicação a 1 ano tinham sido miseráveis, resolvi arriscar e lá as comprei a 0,107. Passado pouco tempo, já tinham subido para 0,125 e vendia-as, comprando-as a seguir mais barato e assim sucessivamente, achando que era o maior, pois em apenas um mês tinha ganho mais 500 Euros. Como aumentei a confiança, resolvi colocar lá mais pilim e adquirir mais ações e ficar rico e deixar de trabalhar etc, etc, etc... Eis que dou por mim a correr atrás de as comprar numa semana louca em Fevereiro de 2012, com os rumores da Sonangol e a chegada do Amado e então, ganhei o meu grande entalo que, durou muito tempo. uma compra a 0,21 que me fez não as largar até que se deu a salvação no aumento de capital. De 10000 Euros investidos cheguei a ter apenas 4000 Euros. Feitas as contas, só era uma desvalorização de 60%. Para além disso, foi um ano e meio com o capital preso e sem poder fazer negócios que me pudessem ajudar a recuperar (por um lado até foi bom, porque assim não fazia mais borrada). Com o aumento de capital e as subidas loucas, onde fui reforçando, atingi com uma venda a 0,2335, cerca de 70% de lucro, acrescentando ao BCP, alguns negócios curtos no BANIF e na Sonae Industria. Acabada a festança, eis que chega esta carnificina a que estamos a assistir. O grande teste ao meu curso tinha chegado. Pois, das muitas coisas que aprendi aqui convosco e com o meu mestre, foi: PROTEGER O CAPITAL, OU SEJA, não podemos contrariar a tendência. Quando muito, podemos ver alguns sinais de compra e outros de venda, mas curtos, como eu fiz hoje (dia especialmente bom), mas não esperarmos, como eu fiz durante cerca de dois anos que o mercado vai virar a nosso favor porque nós queremos. Para finalizar, apenas queria dizer que, a grande diferença é que desde os 0,2307, último máximo, até ao mínimo de hoje (0,1662), são 38% de desvalorização. Eu, fazendo algumas compras e vendas boas e outras más, apenas cedi cerca de 5%, o que me mantém com um bom lucro este ano. Algumas destas vendas foram dolorosas, mas transformaram-se rapidamente em negócios menos maus do que poderiam ser, se simplesmente ficasse a olhar. Espero que não entendam este texto como exibicionismo, mas sim como uma partilha de experiência.

Bons negócios

15.5.14

Má onda

Definitivamente, a coisa azedou e o mínimo que se pode dizer sobre as notícias de aumento de capital na banca, que ontem saíram na imprensa, é que o timing foi azarado:

 - O PSI20, depois de um arranque de ano fulgurante, tinha encetado há já algumas semanas uma correção que já passara para lá do meramente saudável, para assumir proporções alarmantes, com quebra da tendência ascendente na passada 2ª feira (ver o nosso gráfico no tópico do índice);

- As principais ações do índice davam sinais de grande fraqueza, com destaque precisamente para a banca que estava a fazer lower highs sucessivos;

- Do lado da banca foi terrível o anúncio de que o Barclays tinha a intenção de fechar o negócio no nosso país e abalar. Embora o fecho puro e simples tenha depois sido desmentido (de forma tão pueril que só o tornou mais assustador), o facto de não se ponderar a venda deixou a ideia de fuga atabalhoada, o que só é possível, diga-se o que se disser, se o negócio estiver pior do que se pensava. Ninguém foge, nem a peanners (Antes tivesse dito "feijões". Agora fiquei mal disposto. Diacho, ando com uma crise de azia desde ontem ao início da noite! De que será?);

- Entretanto, vem hoje na imprensa que o BBVA também está de malas aviadas, coisa já sabida há algum tempo, mas a verdade é que a notícia, se no início do ano era encarada como uma simples opção tática de gestão (o BBVA fartou-se de assumir prejuízos em Portugal), nos dias que correm começa a deixar a tristonha sensação de debandada;

- Hoje saíram os números do PIB português e dá outra vez má onda. Os números vêm abaixo do previsto e a economia dá claramente sinais de estar a fraquejar.


Diria que só falta os juros da dívida pública começarem a subir, para termos o caldo entornado. Mas nem vamos falar disso para não agoirar.