6.6.14

Comentário

Amigos a festa está boa, quem está dentro anda todo satisfeito com o pilim a cantar nos bolsos e as notícias parecem vir todas diretas do paraíso celeste. Vejam o BCP e a Mota com a tacha toda arreganhada. Mas também o BES (esse malvado que fez um AC), a EDPr e até, quem diria, a PT. Bem-hajam todas. 

Em suma, a Bolsa está neste momento a cumprir com as funções para que foi concebida pelos nossos sábios antepassados: encher-nos os bolsos de dinheiro isento de trabalho (mas não de canseiras) e fazer-nos esquecer quão pindérica é a gorjeta que nos pagam ao fim do mês. Quando é assim, é um regalo!

Eu não queria agoirar, longe de mim, até porque eu só sei entrar longo e não me dou com coisas curtas (linguagem bolsista), mas temo que tenhamos chegado a um momento de decisões no PSI20. Deixo-vos o gráfico do índice com o fecho atualizado com as cotações de ontem:


Daqui, diria que ou sobe e vai a máximos, ou cai e... estraga o sarrabisco!

Das decisões, tratam vocês que sabem mais do que eu.

5.6.14

As decisões do BCE

A leitura da decisão do BCE de hoje é muito simples.

Onde é que os bancos colocam as reservas de capital de que dispõem, de maneira a que estas resultem em lucro?

Resposta: na economia, via empréstimos às empresas e aos particulares, trocando risco por hipotecas, na Bolsa (em ações, obrigações e outros títulos) que representem capital, investindo no trabalho de uma corporação ou até de um país como um todo, em imobiliário, mercadorias ou matérias-primas ou, se os banqueiros estiverem borrados de medo, fazem como a maior parte dos portugueses e depositam-no a prazo. 

Só que os bancos, como é evidente, não vão fazer depósitos a prazo na concorrência. Em vez disso, depositam no Banco Central, que paga juros como qualquer outro banco paga aos clientes. E foi este juro que o BCE paga aos bancos pelo dinheiro que estes têm lá depositado que foi hoje cortado para valores negativos. Dito de outra forma, doravante se os bancos quiserem colocar dinheiro a prazo no BCE vão ter que pagar! E a verdade é que os bancos têm muitos milhares de milhões encostados no BCE. Conclusão: só um banqueiro sem arrojo mesmo nenhum vai manter o dinheiro no BCE, tendo de pagar por isso.

A leitura evidente é que os bancos vão ter que reforçar a alocação do capital à economia real: vai sair dinheiro do BCE e entrar (vejam se adivinham?)... no que a este espaço diz respeito, na Bolsa. 

Ao mesmo tempo, o BCE também cortou a taxa de juro a que empresta aos bancos, dando outra achega para que aumente a liquidez no mercado.

Tudo somado... vai dar subida!

A única dúvida está em saber se isto não estará já muito descontado. Se atendermos ao que se tem passado com a taxa de juro da dívida pública portuguesa, percebemos que nos últimos tempos tem havido muito dinheirinho a entrar nas nossas obrigações (e não só), o que parece indicar que muitos bancos já há algum tempo que perderam o medo e largaram os depósitos a prazo no BCE. 

Seja como for, embora conscientes de que pode vir aí um sell on the news, a mensagem é muito simples: havia dinheiro estacionado no BCE que vai começar a carburar! 

Tomem-se, pois, as concomitantes providências!

4.6.14

Efeméride

Faz hoje 7 anos que me apercebi de que iríamos para Bear Market.

A data ficou para sempre marcada na minha mente porque coincidiu com um dos dias mais felizes da minha vida: o dia em que nasceu a minha filha Laura.

Recordo que, quando eu e a minha mulher demos entrada na maternidade, na manhã de 4 de junho de 2007, tinha em carteira apenas ações da antiga Teixeira Duarte (TDU). Todos os analistas recomendavam a compra da TDU porque, para além de ser uma sólida empresa de construção civil (e o mercado estava hot), tinha ótimas participações financeiras na banca com percentagens relevantes no BCP (que valia bastante mais do que 3 euros por ação) e no BBVA. 

Nessa terça-feira, estava com uma confortável valorização de 10% nessa empresa, no culminar de um Bull Market verdadeiramente entusiasmante de mais de 4 anos. Como é evidente, durante esse dia e nos dias que se seguiram, toda a minha atenção voltou-se para valores muito mais altos e pus completamente de parte o envolvimento que tinha com o trabalho e a Bolsa. 

Recordo que, alguns dias mais tarde, quando voltei às lides, vendi TDU com 5% de desvalorização.

Depois percebi que, desde o início de junho, os investidores assustaram-se com problemas criado por uma inovação americana chamada subprime e havia fundos em dificuldades devido aos pedidos de liquidação em massa. 

Em Agosto, um fundo da Fidelity abriu falência e tudo começou a despencar precipitadamente.


3.6.14

É curioso como hoje são os comentários dos membros do Governo que estão a colocar pressão sobre os mercados. 

E até nem estou com isto a fazer uma crítica às palavras de desagrado dos governantes, porque é evidente que a decisão do TC, mais do que ter implicações económicas, coloca fortíssimas limitações às funções governativas. E é isso que mais estará em causa neste momento. 

Entretanto, ao mesmo tempo que começa a haver uma levíssima especulação de que o Governo possa tomar alguma decisão radical, que nos coloque outra vez em maus lençóis (não esquecer de que entramos no mês em que se comemora o 1º aniversário da cena "irrevogável"), os juros da dívida pública vão-se aguentando em valores historicamente baixos. 


Oxalá, não sejam os nossos governantes (TC incluído) mais uma vez a tramarem o pessoal, colocando-nos de novo do lado dos losers da História!

2.6.14

Vídeos

Uma introdução ao Prorealtime e à análise técnica (Parte II)

Vídeo de ontem, mas que, por motivos técnicos só hoje pode ser postado! Contém pequena análise ao PSI20 (apesar de ser de ontem, ainda se mantém fresca).


31.5.14

A semana que passou

Para início de conversa digo-vos já que esta foi uma das semanas bolsistas mais maradas de que me recordo. 

Claro que visto agora, da frente para trás, como de costume a lógica prevaleceu e a insanidade foi apenas aparente, mas devia ser mais raro ver-se dinheiro tão fácil de ganhar a passar-nos completamente ao lado porque nos mantemos agarrados a uma ideia feita de que as coisas devem seguir um rumo pré-determinado. Se leram o livro de Nassim Nicholas Taleb sobre acontecimentos raros e epifânicos, leitura que vos recomendamos em absoluto, esta semana foi um autêntico cisne negro: um daqueles momentos da nossa vida em que se dá uma rutura na maneira de pensar que leva a mudanças impercetíveis mas decisivas no modo de atuar. E não há nada mais capaz de produzir cisnes negros do que aquilo que mexe com a luta para se ser bem-sucedido em algo que tenha um impacto verdadeiramente mensurável e instantâneo.

Recapitulemos, então, para memória futura.

Há uma semana atrás, nós aqui no NeB, e não andarei longe da realidade se pensar que uma grande parte dos investidores, dávamos praticamente por adquirido que havia dinheiro que era preciso colocar no aumento de capital do BES, desde que o fizéssemos a preços de uva mijona. Já não digo no aumento de capital do BANIF que é um banco quiçá com problemas ainda maiores e que, ainda por cima, ia fazer um reverse stock split capaz de causar mossa de monta nas cotações. Mas ao BES era mandatório comparecer, por exemplo, atacando nos direitos que, certamente, iriam afundar para valores apetitosos porque havia muita gente graúda que dizia à boca cheia que os queria ver pelas costas: afinal de contas, 900 milhões à venda haviam de cumprir a sua função regulamentar de baixar o preço para o ponto em que nós atacaríamos. Para além disso, os últimos aumentos de capital, e não foram nada poucos, vieram acompanhados de saldos saborosos nos direitos e nas ações. Lembro-me de que no último AC do BPI chegou-se ao ponto em que não havia comprador para os direitos porque eles, pura e simplesmente, não valiam cheta nenhuma: as ações do banco já estavam ao preço das novas ações – 50 cêntimos. Portanto, a jogada era trigo limpo, farinha amparo. Com sorte comprávamos direitos a 5 cêntimos e numa situação delirante podia dar-se o caso de um tanso os passar para a nossa mão na casa dos 2 cêntimos, com o BES a 0,70€: uma pechincha de fazer corar.

Mas a coisa, sabemo-lo agora deu em barracada da grossa. Os direitos do BES e consequentemente as ações do banco subiram compulsivamente e nós ficamos a ver. E o pior é que levaram na bolina o BCP (que, caso o BES caísse, era rapaz para nos fazer a gentileza de derrapar até aos mágicos 16 cêntimos). E ficamos a assistir da bancada no primeiro dia, agarrados à ideia de que havia malucos à solta na Bolsa, e mesmo depois de os direitos subirem 30% mantivemo-nos certos de que no dia seguinte os mercados reconsiderariam e lá apareceria o carregamento de produto para vender que haveria de nos oferecer os tão lógicos e aguardados saldos. O problema é que no segundo dia, para perdão dos nossos pecados, o foguetório continuou e nós de fora de mão estendida. Como dizem os brasileiros: cáralho! Alguma coisa não estava bem no nosso modus operandi e, como andamos em altura de avaliações e com testes para corrigir, houve marosca que nos escapou e a maior parte do povo sabia mais do que nós. Entretanto, havia outros títulos que já se tinham alegremente associado à festa e nós nada, numa de vêm aí saldos do AC. A Mota ligou o turbo e foi a custo que lhe deitamos a mão. Mesmo assim, não tivemos unhas e fomos cuspidos fora ao mínimo solavanco. P. que pariu: dezasseis anos de mercados e ainda não sabemos ver um bom negócio quando o sacana está todo sorridente a acenar-nos com plaquetes luminosas. Diacho!

Foi só no final do segundo dia que a luz iluminou as trevas e a notícia importante finalmente apareceu diante dos nossos olhos: a malta graúda que se queria desfazer dos direitos do BES já os tinha arrematado numa espécie de venda direta a investidores institucionais. O tal carregamento de direitos para vender que estava previsto desabar no mercado mandando as cotações para baixo, afinal nunca chegaria e nós íamos mesmo ficar a chuchar no dedo. Mas nessa altura, já a notícia tinha bolor de tão requentada que estava. E o pior é que esse tipo de anúncio muda tudo, como já tivemos oportunidade de assinalar no desabafo que publicamos neste mesmo local no dia em que o cisne negro levantou voo à frente dos nossos olhos. E essa mudança requer um tempo para recalibrar circuitos cerebrais. A colocação dos direitos de compra das novas ações por parte do BES diretamente junto de investidores e não no mercado, só é possível se existir a perceção de que o negócio vai compensar e o risco é reduzido. Nos AC anteriores (e diz o Expresso que a conta já vai num total de 18 mil milhões de euros em 5 anos) os bancos andaram ao tio tem lume para vender as novas ações, mas desta vez houve quem as quisesse apanhar logo por atacado, e ficasse com elas como se não houvesse amanhã. Que melhor sinal pode haver para a banca e até para o país?

A venda a institucionais muda completamente o cenário. Os AC eram maus para as cotações porque estava criada a sensação de que se tratava de dinheiro que se colocava num poço sem fundo, que aumentava o número de ações no mercado, diluindo o valor de cada título, e que não serviam para criar riqueza. Mas a forma rápida e certeira como correu esta manobra do BES (e, porque não dizê-lo, do BANIF), criou a sensação, pelo menos no curto prazo, de que desta vez o negócio vale mesmo a pena e que a banca pode realmente dar a volta por cima a partir daqui. É que, mesmo do ponto de vista do negócio em si, há, de facto, uma grande racionalidade em, neste momento em que as falências e as constituições de reservas tendem a diminuir (atenção aos testes de stress do BCE), ir ao mercado levantar dinheiro para pôr a casa em ordem mais rapidamente. Curiosamente, fica-se agora com a estranha sensação de que o ideal é que o próprio BCP anuncie o aumento de capital tão cedo quanto possível, porque há dinheiro disponível para entrar em força no negócio e é um disparate estar a pagar juros altíssimos ao estado por aquela caca de CoCo ou lá o que é. Claro que o montante que o BCP já chupou em aumentos de capital nos últimos anos, cerca de 3000 milhões, é quase tanto como o valor total do banco no fecho de sexta-feira (3600 milhões), sem contar com a ajuda do estado, o que nos leva à sinistra conclusão de que, por ora, o graveto foi-se pelo cano de esgoto. Mas isso, de momento, não nos põe dinheiro no bolso. O que a semana nos mostrou é que os AC já não são um bicho papão e transformaram-se numa oportunidade para entrar em títulos que começam a estar bastante apetecíveis e na moda. Pela parte que nos toca, aqui no NeB, não temos qualquer problema em mudar de campo. Afinal de contas, a Bolsa, tal como a vida, não é sobre ideias feitas, mas sobre leitura, compreensão e decisão, num misto de razão e emoção que tornam o produto final tão excitante.

Para o início da semana que vem, na impossibilidade de estarmos atentos a todas as nuances, deixamo-vos já algumas notas para que possam construir a vossa análise:
·       Fecho de sexta-feira com algumas Bolsas europeias e americanas em máximos históricos;
·       Início do mês de junho, em que está prevista a tomada de decisão do BCE quanto a um possível início de um programa de estímulos na Europa que combata o medo da deflação. O plano poderá passar por um financiamento direto aos bancos, que ajude a baixar as taxas de juro cobradas às PME, que poderão contratar mais gente, que terá mais dinheiro no bolso para gastar o que ajudará os preços a subirem;
·       Ressaca da decisão do TC em Portugal. A decisão era esperada e veremos se o Governo reage de forma que não deite gasolina na fogueira. Por outro lado, sai da mente dos investidores o receio dessa decisão: é menos um problema no horizonte;
·       Fim do aumento de capital do BES;
·       Aumento de capital no BANIF com procura 40% superior à oferta. O banco anunciou que quer antecipar a liquidação do empréstimo do estado. Por outro lado, ao contrário do que se esperava, o BANIF não vai realizar o reverse stock split já, mas apenas no final do ano.  As novas ações começam a negociar a 6 de junho.
·       PSI20 entalado entre uma curtíssima linha de tendência ascendente e a linha de resistência horizontal na zona dos 7150 (imagem abaixo).


29.5.14

KAPUTT

Kaputt é uma palavra alemã que significa algo como destruição total, acabado. Presumo que se poderia aplicar a palavra, também, ao que aconteceu aos mercados financeiros em 24 de outubro de 1929.

Kaputt é também o título de um livro do italiano Curzio Malaparte (pseudónimo de Kurt Suckert), que tem por cenário a Europa da segunda guerra mundial, lugar e época a que, como nenhum outro, se pode aplicar um termo como Kaputt. Malaparte percorreu, no norte e leste da Europa sobretudo, durante quatro anos, como correspondente de guerra, e envergando a farda de oficial italiano,  alguns dos palcos principais onde se desenrolou o conflito: Polónia, Alemanha, Finlândia, Ucrânia, Roménia, Croácia, para acabar o livro numa Nápoles arrasada pelos bombardeamentos aliados.

A ação desenrola-se, por isso, no território do Eixo. Mas não são os acontecimentos históricos da guerra que ocupam as páginas do livro, mas as pessoas que viveram a guerra, fazendo-a ou sofrendo-a. O livro, maravilhosamente escrito, ocupa-se a descrever uma série imensa de situações, presenciadas quase todas por Malaparte, onde o Homem é mostrado a sofrer prodigiosamente ou, sobretudo, a infligir prodigiosos sofrimentos. Fascinante é descrição que é feita de uma quase intimidade de um dos mais altos elementos da cúpula nazi, o governador geral da Polónia, Hans Frank, um dos condenados à morte pelo tribunal de Nuremberga. Malaparte nunca nos interpela a tentar dar respostas, mas é inevitável que o 'como foi possível?' nos surja vezes sem conta.

A natureza humana é dissecada com rara habilidade por um observador minucioso e implacável, o que aliado a uma mestria rara torna Kaputt um livro ímpar no seu tipo. Considero mesmo que o livro talvez tenha criado para si um nicho único, onde nenhum outro se possa equiparar, o que não seria inédito nos livros de Malaparte, evidente em 'Técnica do Golpe de Estado'.

Extraordinário é também suceder que Kaputt não seja hoje um livro conhecido por aí além, quer tanto pelo seu valor literário como histórico. Pois que, dependendo do temperamento do leitor, tem potencial para se tornar para alguém o livro acima de todos os outros.

27.5.14

COMENTÁRIO

E pronto amigos, justo quando o mundo parecia tão previsível, tipo, o BES despenca, o BCP malha rumo ao subsolo, a Mota vai catrapumba pelo penhasco abaixo e o PSI20 só pára no próximo Bear Market, cá estamos nós outra vez a ser levados nos cornos do touro que nem sabemos de que terra somos. Pelo menos os que apostaram no cavalo certo que eu cá sou dos que preferem emoções menos fortes e agora dei por mim a fazer compras ao Pingo Doce, a ver se me toca a sorte dos que andam investidos na banca. Maldição! 

Afinal, agora sabe-se que aquela fartura de direitos no BES era boateira barata: os que não querem ir ao aumento de capital, já arranjaram quem lhes ficasse com a carga, de maneira que se estavam a contar com esses para apanhar BES a preço de saldo desenganem-se que houve quem fosse mais esperto que nós e que vocês. Motherfuckers! Perdão. 

O BCP, claro, também subiu a reboque, porque agora já pode fazer à vontade quantos AC quiser porque já passou o tempo em que esses bichos metiam medo: isso era quando andavam por cá aquelas samelos da Troika. Agora, desde que o BES inaugurou a era dos AC empolgantes, com direitos a valorizar 30% ao dia, um AC vai ser empreitada para vermos foguetes no ar ao mesmo ritmo a que são concebidos novos ricos (desde que sejam frequentadores do NeB, evidentemente).

A Mota é aquela máquina e ganha obras por tudo quanto é canto. Escusado será dizer que, para ganhar tanta obra, tem que dar orçamentos que fazem da mão de obra chinesa uma excentricidade só ao alcance de vedeta futeboleira. Na quinta-feira já vamos poder aferir o resultado líquido de tanta vindima: será tudo parra ou também vem uva?

Não deixem de olhar para os CTT que continuam em grande forma: na era da Internet e do comércio online é, realmente, de elementar bom senso comprar uma porção de acepipes deste sabor. E a Portucel, quiçá a empresa mais discreta do PSI, mas que hoje fez máximo histórico, repito, senhores... histórico (all time high). Palmas! Trata-se da empresa ideal para quem gosta de ver o património crescer com calma e languidez (raio de palavra, se bem que perfeitamente adequada).

Para não fazer asneira, e depois não virem dizer que fizeram caca por andarem a frequentar este nosso asseado cantinho fiquem com o gráfico do PSI20 sem mais comentários (a não ser talvez para dizer que os alemães e os americanos fizeram máximos históricos hoje). Decidam em conformidade:




26.5.14

Vídeos

Uma introdução ao Prorealtime e à análise técnica (Parte I)

Contém análise gráfica à Mota Engil, um título que tem o bonito hábito de pagar bem aqueles que lhe amparam os maus humores!


25.5.14

O Namoro:

Boas Tardes:

Chegado a casa a última sexta-feira, depois de mais um dia a laborar, eis que me deparo com uma carta do Millenium bcp. O teor dessa carta é referente a uma assembleia geral de acionista. Bem, receber uma carta destas até dá um certo Status, afinal já sou (mas irei deixar de ser) um grande acionista desta tão grande instituição financeira. No entanto, lá resolvi ler a carta, que mais parecia uma carta de namoro, sempre com o charme do Amado espalhado pelos seus curtos seis parágrafos. Neles se realçam a excelente recuperação da instituição em 2013, como: Plano de reestruturação; Fortalecimento da posição de liquidez e recuperação da rendibilidade; Contínuo desenvolvimento do negócio das operações internacionais “core”. Realça-se ainda o facto de a ação ter sido o título com a maior valorização percentual e o título do Psi20, entre as empresas com capitalização acima dos 1000 milhões de euros (121,9%).

Até aqui tudo bem. Mas o que me deixou com a pulga atrás da orelha é o que está escrito a seguir, onde me parece bem vincado um pedido de casamento (entenda-se Aumento de Capital) para próximo. O que até nem parece mau, visto a rendabilidade que tenho obtido neste título. A diferença é que lhe vou pedir um tempo para pensar. Quem sabe até, experimentar umas relações extras, antes de dar o passo…. he he he . Frases como: “…este trabalho tem que ser continuado em 2014, ano crítico para o banco…”; “… uma clara inversão da tendência da conta de resultados e o inicio do pagamento ao estado…”; fazem-me acreditar que, mesmo que ainda não seja nesta assembleia que lancem a “bomba”, porque estão a decorrer o AC do BES e do BANIF e não há guito para todos, iremos ter com certeza um NIM no ar e numa próxima oportunidade a confirmação.

Bem, enquanto não fazem o pedido de casamento formal, é melhor ficar de fora e juntar umas lecas para comprar as alianças.

Bons Negócios

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24.5.14

COMENTÁRIO AO BES

Nos dias a seguir ao anúncio da fusão da PT com a brasileira OI, a Caixa Geral de Depósitos (CGD) veio anunciar que tinha alienado a sua participação na dona do MEO por um preço que tinha ficado perto dos 3,5€ por ação. Lembro-me perfeitamente de, nessa altura (há 3 meses atrás), ter ouvido Ricardo Salgado, presidente do BES, sugerir que a venda da CGD era incompreensível, uma vez que, depois da fusão PT/OI era expectável uma forte valorização dos títulos e que, no seguimento dessa linha de raciocínio, o BES não só não estaria vendedor da participação na PT como, inclusive, acorreria entusiasticamente ao aumento de capital da OI, investindo mais 75 milhões de euros. Dito e feito. Como é evidente, ninguém sabe se a empresa que resultar da fusão das duas operadoras de telecomunicações vai ser ou não rentável (embora toda a gente no meio ache que o Zeinal Bava é uma espécie de Steve Jobs dos telefones fixos e a coisa vai ser show di bola) e gerar lucros que correspondam às expetativas do presidente Salgado do BES. Mas há uma coisa que podemos já ter como certa: as ações da PT estão hoje na casa dos 2,8€, 20% abaixo do preço a que a CGD vendeu (e a brasuca OI amolou p’ra cima de 50% depois do anúncio). O negócio promete!

Esta passagem da história não terá provavelmente qualquer tipo de importância em termos de gestão, porque muitas destas operações são feitas numa ótica de longo prazo e há quem diga que a empresa que resulta da fusão PT/OI vai ser, de facto, um gigante das comunicações globais. Por outro lado, não creio que os administradores da CGD tenham vendido porque se aperceberam de que o preço ia para baixo e sejam uns génios visionários. É mais provável que tenham agido por pura questão de sobrevivência (precisavam de guito fresco). Mas o que isto demonstra é que a gestão destas coisas da banca e no caso particular do BES, que costumava ser tido como um exemplo do génio ao serviço da acumulação de riqueza, nada tem de verdadeira excelência. De facto, parece ser pura aritmética: o dinheiro gera mais dinheiro e, com a dose certa de sorte e perspicácia, com uns contactos tipo uma mão lava a outra e informação atempada é possível disfarçar, durante uma assinalável quantidade de tempo, todas as nossas insuficiências.

Agora o BES anda outra vez de mão estendida a pedir dinheiro para tapar buracos. Não se trata de dinheiro para investir numa nova linha de produção ou num produto inovador, mas sim de dinheiro canalizado do trabalho para cobrir a preguiça: a preguiça de se analisar como deve ser e viver sentado numa poltrona a produzir dinheiro ao mesmo ritmo a que se concedem empréstimos sem nexo (como bem se explica, em posts anexos, nas “Histórias de dinheiro”).

Mas nós, que felizmente não somos cegos, nem temos memória curta e tudo fazemos para não ser burros, mas também não temos ilusões nem vivemos num universo paralelo, tentamos de forma justa e com as ferramentas que temos ao nosso dispor garantir o nosso quinhão em toda esta malabarice.

Estamos em crer que na Bolsa o BES ainda vai passar por um mau bocado na próxima semana. O início da negociação dos direitos é provável que venha a ser penoso, porque há sempre muita gente que se quer desfazer deles, já que não está para abichar com mais umas lecas para mais este peditório.

Seja como for, depois de arrecadar mais 1000 milhões (diga-se que é para isso, afinal, que a Bolsa serve: para as empresas se financiarem, abrindo o capital e uma turbamulta de interessados), é possível que o BES fique em boa posição para dar umas alegrias aos crentes, pelo menos no curto prazo (que é, bem vistas as coisas, o prazo que verdadeiramente conta) porque, em princípio, só um asno completo falhará na banca depois de lhe taparem os buracos que a idiotice tinha gerado. Claro que, como se sabe, a idiotice e a sua prima, a burrice, costumam ser degenerescências de caráter incurável, pelo que manda o bom senso que sejamos prudentes, mas não podemos descartar, em boa consciência, uma entrada neste barco.

Para quem se decida a entrar, uma compra de direitos a bom preço é capaz de ser a jogada mais racional (não esquecer que o racional na Bolsa é facilmente chutado para canto). O preço dos direitos tende a ser igual a 0,4 a multiplicar pela diferença entre o preço das atuais ações e 0,65, que é, como se sabe, o preço das novas ações. Neste momento, por exemplo, o preço dos direitos deverá rondar os 0,081€.

Os direitos têm a vantagem de também poderem ser negociados e estão sujeitos a uma oscilação mais robusta do que ação, mas não se esqueçam de que ficar com os direitos implica ter de desembolsar mais 0,26€ por cada um para terem uma nova ação que só poderão negociar no dia 17 de junho, data em que haverá mais 1607 milhões de ações do BES à solta no mercado (os números são tão estrambólicos que a empreitada mais parece Astronomia, ou coisa que o valha). Portanto, há que pesar prós e contras, entre atacar nos direitos ou nas ações.

De acordo com o gráfico, o BES tem um suporte aos valores atuais, mas uma quebra é bem capaz de o levar aos 0,78€ (direitos a 5,2 cêntimos). E uma hecatombe atira-o aos 0,70€ (direitos ao módico valor de 2 cêntimos). Confiram, p.f.:



Diga-se que a esses dois últimos valores, o BES estará avaliado a:

- 4388 M€ no primeiro caso, o que se traduz num acrescento de valor de 137 milhões de euros relativamente ao dia em que o AC foi anunciado (contra uma injeção de capital de 1000 milhões);

- 3938 M€ para uma avaliação de 70 cêntimos por ação. Nesse caso, teríamos uma injeção de capital de 1000 milhões transformada numa perda de valor do Banco de 313 milhas das grandes, o que transformaria a operação num case study sobre a forma de melhor proceder à queima de notas de euro no menor espaço de tempo possível! Na Bolsa não seria inédito, nem tão pouco motivo para grande admiração, mas eu, que sobre isto nada sei, diria que estaríamos em presença de uma boa oportunidade para pagar as férias (e, porque não, o IRS).


Mais do que isto, lamentamos, mas não vos podemos fazer. Decidam que é para isso que têm a cabeça em cima dos ombros. E oiçam a cantiga abaixo que é gira e ajuda!

22.5.14

O que devo saber antes de Negociar em Bolsa:

Facto nº 24

Na Bolsa, saber vender é a virtude capital... e a virtude que preserva o capital.

O típico investidor até compra bem e começa a ganhar. 

Recosta-se na cadeia a desfrutar o momento e a fazer contas de somar. E a coisa sobe e sobe à mesma velocidade a que crescem a ganância e a cagança do nosso homem. 

Com o peito inchado do orgulho e a conta bancária a bater no teto, o nosso intrépido investidor vê o seu negócio fazer máximo sobre máximo... até inverter. A dada altura, é evidente que o sentimento do mercado mudou para bearish no curto prazo, mas, temerário, agarra-se ao máximo que ficou para trás e começa a contabilizar o que deixou de ganhar. 

É neste ponto que decide vender se voltar a esse valor. Mas a Bolsa, que é cruel, não lhe faz a vontade e lá vai caindo. E o artista, apesar de ver notícias azedas por todo o lado, esforça-se ao máximo por adoçar a pastilha e qualquer micro subida momentânea é um tónico que lhe fortalece a auto-estima em estado de decomposição. 

Nesta altura, até já é rapaz para vender a coisa um pouco abaixo do máximo. O que é preciso é que lá chegue! Mas não lhe fazem a vontade, os maus, e aquela caca continua a cair. A dada altura, um trade que tinha um lucro tão simpático, começa a dar prejuízo. 

O aventureiro prova o sabor amargo de estar a queimar graveto sem levar nada para casa, temperado com o desnorte de ter sido tão gananciosamente burro. Quando, na mente do nosso artista, a queda já orça a valores que não autorizam uma venda, a solução é transformar um trade de curto prazo, numa entaladela de longo ou longuíssimo prazo. 

Até que, quando o desespero o leva à conclusão de que o fim do mundo está próximo, e só lhe resta salvar os tostões que sobram, conclui que o mais sensato é vender. E vende! 

Está feito o mínimo e os mercados podem subir. Começou o Bull Market!

21.5.14

COMENTÁRIO

O mercado português está numa situação de tão grande indefinição que parecemos marias (sem desprimor para as que começam o nome com maiúscula), de mãos atadas na cabeça sem saber para onde cair.

Para além de ainda estarmos todos meios doridos depois da coça da semana passada, há vários fatores que aconselham prudência: aumentos de capital (reais e em potência), situação técnica periclitante do PSI20 e de muitos títulos, eleições europeias no final da semana, com possível vitória de nacionalistas em vários países, que nos podem vir a fazer a vida mais negra, risco de aumento da taxa de juro da dívida pública no mercado secundário, e o famoso fator calendarístico sell in may and go away.

Por outro lado, depois da queda arejadora, algumas empresas parecem estar a preços bastante apetecíveis, e há sinais de que pode haver condições para reatar o bull market:
- os índices americanos continuam a flirtar com máximos históricos;
- o DAX alemão também anda lá perto;
- tem-se falado das eleições europeias como o grande travão a uma ação mais efusiva do BCE nos mercados e há quem considere que, a partir de junho, podemos ter um pacote de compra de obrigações capaz de levar a economia e, consequentemente, a Bolsa definitivamente para cima;
- a queda devida aos AC, em princípio, esgotar-se-á logo que estes estejam concretizados (e o do BES já está a decorrer) e com dados económicos sistematicamente favoráveis há condições para a recuperação do nosso índice.

Deixem-me falar em particular de 4 títulos:

- O BCP é um dos favoritos de muita gente e tem dado muito dinheirinho a ganhar, se bem que ultimamente esteja a passar por um período de baixa de forma. Ontem o Goldman Sachs (GS), que é conhecido por não dar ponto sem nó, veio lançar um price target (PT) de 0,21€ para as ações (segundo percebemos aqui no NeB para depois do AC, o que coloca as coisas ao nível do exorbitante). Os PT têm um valor muito relativo e não os devemos usar como guia seja para o que for: na Bolsa devemo-nos guiar exclusivamente pela nossa cabeça e acreditem que se os fulanos que lançam os PT soubessem o que estavam a fazer, provavelmente, não precisavam de estar a fazer análises e a lançar PT. Adiante. A novidade desta análise é o facto de vir precisamente do GS. É que esses meninos não costumam brincar em serviço e se lançam esse PT é porque precisam de quem os ajude a levar o preço até lá. Digo eu! Juntando a isto o facto de os concorrentes da Blackrock se terem atravessado no BES, e de Portugal estar na moda entre as casas de investimento, não me custa nada a acreditar que os artistas do GS estejam a preparar uma entrada em força no BCP. Se assim for, quem somos nós para não irmos deitar uma mão?

- No BES começa amanhã a negociação dos direitos ao preço de 9,43 cêntimos (com o ajuste da cotação do banco para 88,6 cêntimos). Se for como é costume, vamos ter queda a partir do segundo ou terceiro dia, para recuperar nos dias finais da negociação. É capaz de ser boa ideia acompanhar a negociação dos direitos. É que uma desvalorização do BES vai ser bastante ampliada nos direitos.

- A JMT, que aqui analisamos há dias, com possível presença de um animador cup and handle no gráfico, caiu forte hoje, colocando em causa a ativação da figura. Diríamos que ainda não está tudo perdido (mas pode ficar já amanhã): confiram no gráfico abaixo:


- A Mota foi a empresa coqueluche do ano passado, mas agora ficou sem gasolina e, como se isso não bastasse, foi pela ribanceira abaixo. Ainda não pifou de vez, mas o caso está bicudo. Mesmo ao jeito, portanto, dos mais aventureiros: deitem-lhe uma mão que ela é rapariga para pagar generosamente. O gráfico diz tudo: ou sobe agora... ou desce!




20.5.14

E esta?

Pois não é que quando a coisa começa a ficar feia, eis que surge uma notícia boa (aparentemente) para deixar a malta feliz: "Goldman Sachs dá potencial de valorização de 20% ao BCP". Apesar de sermos fieis à AT, não podemos ignorar as notícias. Veja-se quem leu o DN "early in the morning". Safou-se a tempo. O que acontece é que esta notícia pode ser lida de vários prismas, que nos ajudam (ou não) a tomar as nossas decisões: Senão vejamos: Se por um lado a GS vem dizer que o banco irá devolver os CoCo’s ao estado, vem reforçar a ideia que a melhor maneira é, passo a citar: "O BCP poderá decidir por uma opção "simples" com um aumento de capital no valor total da ajuda do Estado – três mil milhões de euros –, uma solução mais diluitiva para o valor das acções mas que aumentaria a visibilidade sobre os níveis de capital e impulsionaria os lucros ao eliminar o custo dos juros com as CoCo’s.". Sim leram bem? 3000 milhões de Euros!!!! É isto que me faz questionar o porquê desta visão de valorização de 20% na cotada. Claro que se realizasse um AC desta magnitude, penso que rapidamente poderia chegar lá. No pós é claro. Até lá só via um caminho para a cotada e não ascendente com certeza. Por outro lado, é sabido (pelo menos o mestre aqui da casa relembrou-me) que a GS é conhecida mundialmente por empurrar as cotadas para o seus Price Targets. E agora, em que ficamos?

19.5.14

Análise

Será impressão nossa ou a Jerónimo Martins está a ficar com bom aspeto?


De tarde, quando lançamos a questão, não tivemos oportunidade de elaborar e deixamos apenas à vossa consignação. 

Além de os indicadores parecerem saudáveis e a JMT ser uma tradicional ação de refúgio em tempos de maior turbulência, a hipótese de trabalho que estamos a colocar é a possibilidade de o título estar a desenhar uma figura de continuação de tendência bullish de longo prazo chamada cup and handle (chávena e asa). Podem encontrar muitas informações sobre figuras em gráficos na Internet.

O importante, neste caso, é que se a figura foi efetivamente um cup and handle teremos um breakout por volta dos 13,10-13,20€ com uma projeção 2 euros acima: diferença entre o inicio da cup e o mínimo observado.

Dado a possível mais-valia, é capaz de não ser desacerto acompanhar!