26.6.14

Quatro dimensões (parte 1)

Há uma história que se conta (ignoro se verdadeira) sobre uma fulana que, há muito tempo atrás, era proprietária de um bar próximo da bolsa em Wall Street chamado Dumbar. O nome era uma homenagem aos clientes que eram todos burros assumidos: eu é que sou burro, vendi; que burro, comprei, etc. De facto, o verdadeiro investidor passa tanto tempo a ser burro que a dada altura corre o risco de deixar de ser humano. Não deixem que isso aconteça!

Mas aparte auto-insultar-se de burro, trader que é trader passa a vida a sonhar com uma máquina do tempo: que máximo seria voltarmos ao início da manhã de ontem e enchermos o saco de ações do BCP!

O texto que se segue, dividido em duas partes, integra-se na agenda cultural desta casa, e relata acontecimentos que se passaram comigo há muito tempo atrás, quando eu era estudante. A verdade é que as máquinas do tempo (tal como a burrice) são perigosas!

Como não queremos que vos falte nada, no final deixamos uma cantiga para compor.


O meu amigo Tavares inventou um sistema e agora consegue viajar no tempo.

Há dias na escola deixou-nos a todos varados com as aventuras estupendas que viveu com um dos seus 32 pentavôs que se dava tu cá tu lá com o Camilo Castelo Branco. Por jeitos, o avô oitocentista do Tavares era gozado à brava pelo Camilo por ter vindo do Brasil tão carregado de ouro, que lhe deu para inchar ao ponto de ninguém o merecer. Mas nunca deu por ela e, como mal sabia ler, tomava as graçolas por elogios e nem lhe passou pela cabeça que se tinha tornado modelo de romance. O Tavares contou-nos a história meia esfarrapada como se a tivesse sonhado, mas o mais baril foi quando nos explicou como fez de servente de mesa no casamento do vovô com uma das suas trinta e duas pentavós, uma mocinha muito pia e envergonhada quase quarenta anos mais nova. A boda foi um acontecimento de tal monta que até fogo-de-artifício meteu e o avô, que tinha subido ao importante posto de comendador, arregimentou as figuras mais importantes da região e empanturrou toda a gente com carne, morcela, vinhão e acepipes. Veio o clero em peso para que tudo fosse feito de maneira regulamentar e também não faltaram capitães da guarda e do exército e condes, viscondes, advogados e juízes. Também alguma ralé para compor. O Camilo era um dos que lá estava a cravar estórias com ar de cusca e, pasme-se, Almeida Garrett. Rimo-nos muito quando o Tavares nos contou como, enquanto passava com a bandeja dos rissóis, perguntou ao Almeida o que lhe tinha dado na cabeça para escrever um livro tão aborrecido como o Viagens na minha terra. E ele? Ele bebericou um tracinho de pinga muito nervinho em franja como se lhe fosse dar o chilique e chamou o meu avô que tratou de me pôr no olho da rua. E eu, ó vô, vô, vozinho sou o seu neto de finais do século XX e tal e ele nada, correu comigo e por pouco não me acertou o passo. Talvez tenha pensado que eu estava na reinação, coitado do avô, o que é certo é que tive de me pôr a bulir para a máquina do tempo, não fosse ele morrer ali mesmo e eu já não vir a nascer. Sim, porque estas coisas das viagens no tempo têm muito que se lhe diga, disso estamos todos perfeitamente conscientes e nem era necessário que o Tavares nos explicasse os riscos tremendos em que incorreu. Tudo somado, é evidente que compensa bastante e eu acho que o meu amigo nem se apercebeu verdadeiramente do enorme tesouro que possui, poder viajar assim, a seu bel-prazer, para a frente e para trás no tempo e verificar in loco tudo aquilo que lemos nos livros ou que vemos nos filmes. De certa forma, o que mais me agradava no dispositivo do Tavares era a total liberdade de nos podermos mover a quatro dimensões, como se esse pequeno extra fosse o tónico que incrementava a qualidade de vida a níveis celestiais. E eu punha-me a refletir sobre toda esta problemática enquanto ouvíamos o Tavares contar-nos como lhe vieram umas ganas enormes de ver o futuro. Repara, tu vais ao passado e, tipo, é deveras fixola constatar como as coisas eram e é sempre surpreendente ver como tudo é diferente do que tinhas imaginado, explica-nos ele, quer dizer estás a ver Jesus Cristo por exemplo, bem Jesus não tinha nada barba, de facto era careca e um bocado anão o que bem vistas as coisas é praticamente inacreditável tendo em linha de conta que se tratava de um judeu, mas tinha um carisma mesmo porreiro e, como não tínhamos mais que fazer, andávamos todos atrás dele e tudo, mas aquela cena com Lázaro, bem, tenho a certeza que vocês até se passavam se percebessem quão marada toda aquela cena tinha sido. E sabem que mais, vejam lá se engolem esta, estão a ver o D. Afonso Henriques em cima do cavalo armado até aos dentes e tão possante quanto um conquistador deve ser? O Tavares esteve em Guimarães no século XII e inteirou-se de toda a história: o nosso primeiro rei era afinal uma dona de casa muito feia e com bigode na venta, chamada Idalina, que enfardava todos os dias do bêbado do marido até que uma altura lhe chegou a mostarda ao nariz e levou tudo à frente. O que se seguiu também levou muita volta, mas está bom de ver que a história peca por falta de estilo e não há país nenhum no mundo que queira nascer dessa forma. Foi em boa hora, portanto, que apareceu toda aquela descendência da sor dona Mumadona Dias a compor o cenário. Mas a máquina do tempo, lá está, nisso não engana… Bem, o que eu quero dizer é que ir ao passado dá um gozo bestial, mas não há nada que se compare a uma boa rusga ao futuro. Em matéria de viagens no tempo, vão por mim, viajar para o futuro tem para aí o triplo do valor de viajar para o passado. E estou a avaliar por baixo! Viajar para o futuro é capaz de ser historicamente a coisa mais espetacular que se pode fazer e é considerada uma arte ao nível, sei lá, da pedra filosofal ou do elixir da eterna juventude ou uma coisa assim desse género de coisas maradas para caraças. O Tavares explicou-nos que ao princípio tinha muito medo de viajar para o futuro porque vamos supor que acabamos numa época em que já estamos mortos, ou coisa que o valha, será que não vamos dar dentro de um caixão ou, sei lá, acabar no interior de um cinerário e transformados em poeira? A verdade é que eu pessoalmente nunca tinha pensado nisso, mas aquilo fez-me cem por cento de sentido e, bem vistas as coisas, é algo que ninguém no seu perfeito juízo deseja. Imaginemos que te metes na máquina do tempo e acabas feito pó dentro de um vaso, como é que voltas atrás? Era cómico imaginar o pó, tipo, a meter-se na maquineta. Bem vistas as coisas, é algo sem pés nem cabeça. Claro que, pesados muito bem os prós e os contras, o Tavares seria um cagarola de todo o tamanho se não fosse experimentando lentamente ir indo para o futuro a ver no que dava e todos na turma, incluindo a professora de Português, o incentivamos a avançar e ele acabou por nos fazer a vontade. Ato contínuo, eu e os outros começamos a tirar quase vinte valores a todas as disciplinas porque o nosso amigo trazia-nos os enunciados do futuro e não havia nada que os professores pudessem fazer porque, afinal de contas, era tudo perfeitamente legal e seria até injusto se nos anulassem as provas só porque o Tavares era nosso amigo. Claro que o Tavares guardava o vinte apenas para ele e enganava-nos de propósito numa ou outra alínea para que não houvesse inflação de vintes. Nisso o nosso amigo sempre foi muito consciencioso e todos concordamos que a tática era boa e não nos convinha agora desatarmos todos a tirar a nota máxima e colocar a escola em sobressalto. A mim, pessoalmente, o que mais me interessava, nem eram as notas altas nem nada disso, o que me deixava verdadeiramente banzado era vislumbrar o futuro antes dele acontecer, tipo como se eu fosse o pentavô do Tavares e pudesse imaginar o tatataraneto quase duzentos anos depois, não só imaginar mas verdadeiramente visualizar e, sei lá, interagir ou assim. A questão era mais subtil ainda, vejam se me conseguem acompanhar, onde é que está armazenado o futuro?, de onde é que ele vem e será que podemos ter acesso a todo o futuro de uma só vez?, todo o futuro de uma só vez, que coisa mais marada! A verdade é que quando nos pomos a pensar nestes assuntos é extremamente fácil chegar a um ponto em que já não dizemos coisa com coisa, como se estivéssemos com os copos e achássemos que éramos super inteligentes ou coisa que o valha. 


25.6.14

Mais umas achegas sobre o AC do BCP

De volta ao AC do BCP para deixar algumas notas que nos parecem relevantes neste momento:

  • Com o BCP na casa dos 0,18€, se utilizarem a folha de cálculo que vos fornecemos mais abaixo, vão verificar que isso corresponde a um valor pré-AC de quase trinta cêntimos (não se esqueçam do ajuste devido ao destaque dos direitos*), isto é, com as ações que vão ser produzidas no AC o BCP está a valer o mesmo hoje que valia ontem se estivesse num valor que foi atingido pela última vez em junho de 2011. Para terem uma ideia, um banco que apresenta prejuízos há um ror de tempo está a ser avaliado pelo mercado em 5800 milhões de euros! Uma loucura!
  • Estamos em crer, por isso, que, neste momento, todo o cuidado é pouco e entramos em zona fortemente especulativa. 
  • Isso não significa que as ações venham a cair porque é evidente que há uma procura que roça o pânico. Significa apenas que uma entrada neste barco, seja longo ou curto, é comprar um bilhete para uma gigantesca montanha russa: ou ganham muito ou...
  • A corrida às ações do banco está a ser estimulada pelo grande desconto das novas ações que vão exigir direitos que só são atribuídos a atuais acionistas, pelo que há, de facto, essa enorme força compradora que ontem à noite parecia de todo improvável;
  • A ideia que está a vingar, pelo menos por ora, é que o BCP, uma vez livre da ajuda do Estado, vai poder voltar a pagar dividendos, tanto mais que poupará quase 500 milhões de euros em três anos de juros. Acontece que, como ficou claro ontem, a ajuda do estado só vai ser liquidada no final de 2016, pelo que o banco só poderá pagar dividendos, na melhor das hipóteses, em 2017! Até lá, muita água passará por baixo da ponte e muitas voltas vão ocorrer na economia mundial. Evidentemente, isso hoje não interessa nada, mas, pelo sim e pelo não, é sempre bom termos consciência desse facto;
  • Por falar em economia mundial hoje saíram números péssimos nos EUA, com o PIB a contrair 2,9% no trimestre, bastante abaixo do esperado. Apesar de, nos últimos tempos as más notícias se transformarem em boas notícias graças à varinha mágica dos bancos centrais, estamos em crer que desta vez há a possibilidade de vir borrasca a caminho;
  • Mas voltando ao BCP, também é verdade que há um efeito técnico de ressalto no suporte dos 16 cêntimos que é acompanhado pelo ressalto do próprio PSI20 no suporte que assinalamos ontem. Veremos se se trata de um ressalto para valer, coisa que amanhã já poderemos saber com mais nitidez.
* Um agradecimento especial ao Nuno Cortez que nos corrigiu o valor inicial que pecava por exagero. As contas fazem-se da seguinte forma: quem hoje comprou quatro ações do BCP a 0,18, vai poder comprar mais 7 no AC a 0,065, ficando com 11 ações ao preço médio de 0,107 cêntimos que é o valor a que o BCP ficará depois do destaque dos direitos (valendo hoje cada um 0,073€).

24.6.14

Momento decisivo no PSI20

Isto realmente nada corre bem à tugaria: depois do fiasco da seleção, ainda temos que levar com o comportamento enfezado da nossa bolsa que, depois de ser líder de valorização anual no mundo inteiro, está hoje a ser ultrapassada pelas maiores bolsas mundiais! 

Deixamo-vos o gráfico do PSI20 que está em zona de vai ou racha. Ou aguenta o suporte aqui nos 6800-6900 ou vamos ter o caldo entornado pelo menos até aos 6400 e aí vai-se jogar não só o futuro do PSI, mas também o futuro da nossa economia. Uma quebra consistente dos 6400 é Bear Market, o que significa que os mercados sabem coisas feias agora que nós só saberemos daqui por algum tempo. Antes enfardarmos com o Gana!

Por outro lado, é nestes momentos que se fazem os grandes negócios e se constroem fortunas. E para grandes riscos há normalmente ótimas recompensas, embora tenhamos de contar com a chatice de nos podermos aleijar!

Fiquem com a imagem que vale por mil palavras:




O aumento de capital do BCP

Amigos, como sabemos que estão ansiosos por causa do AC do BCP e como é provável que ainda não tenham toda a informação de que precisam para poderem manobrar a geringonça de modo a que não se trilhem, preparamos uma singela folha de cálculo que vos dá o chamado valor justo do banco no pós-AC, atendendo à cotação atual:




Na folha de cálculo coloquem a cotação atual, o valor total do AC e o preço a que vão ser vendidas as novas ações. 

Recordamos que o valor justo é o valor da ação depois do AC para que se mantenha a capitalização bolsista do banco igual à capitalização atual mais o valor arrecadado com o AC. O BCP hoje vale cerca de 3000 milhões de euros. Se pedir 2000 milhões aos camaradas no AC vai ficar a valer automaticamente 5000 milhões.  Aquilo a que nós aqui chamamos de valor justo é o valor de cada ação para que a capitalização seja os tais 5000 milhões.

Claro que muitos dirão que o BCP, recebendo os 2000 milhões do AC, vai ficar numa posição melhor para criar riqueza e, por esse motivo, deverá ficar a valer mais que os 5000 milhões atuais. É possível que sim. Mas também é possível que isso não aconteça! No caso do BES, o valor justo pós-AC era de 0,94€ e vejam por onde ele anda agora: quem foi ao AC e não vendeu já está a arder e não é pouco!

Por outro lado, tenham em atenção que o AC do BCP é dado como certo desde os 0,20€, pelo que a cotação atual pode não ser a cotação do dia de hoje, mas sim a cotação que vocês acham que é válida para o dia em que o AC é conhecido! Desde os 20 cêntimos o BCP já descontou bastante à conta do AC e, por isso, o seu anúncio não vai constituir surpresa.

Se querem a minha opinião, diria que o valor atual mais correto deverá ser de 0,20€, com um desconto a rondar os 25% o que atiraria o valor justo para junto dos 0,18€.


20.6.14

A marinar

Pergunta-nos o nosso amigo Idalino da Conceição o que nos está a passar pela cabeça para desampararmos a loja de forma tão repentina e inesperada. 

Citamos um extrato da carta que gentilmente nos endereçou: 

"Eu era um frequentador assíduo desta vossa instituição, e acho que o serviço que prestavam primava não tanto pela qualidade, mas antes pela quantidade, o que também é bom! Desde que abriram ao público habituei-me a cá vir todos os dias antes de tomar decisões de alto risco. Agora que não postam nada vai quase para uma semana, sinto um vazio cá dentro e já não sei que rumo hei-de dar às economias que juntei mais a Graciete. Temo que se tenham pisgado, ou coisa do género, deixando desamparados aqueles que em vós depositavam todas as esperanças de enriquecer. E do jeito que isto está, era sempre bom termos alguém em quem deitar as culpas quando dissermos em casa que as férias estão canceladas porque estuporamos a pilim todo nas ações. Assim, temo que chegue o dia em que a Graciete me acerte o passo ou coisa que o valha e me deixe para aí manco ou desfigurado e se me acabe a vontade de correr riscos desnecessários. Se vos deu para a preguiça, reconsiderai que é um favor que vos peço!"

Começamos por agradecer o contacto do ilustre amigo Idalino, dizendo que muito nos honra a confiança que em nós deposita. Em boa hora nos endereçou a sua missiva (o Idalino é proprietário de ações dos CTT e é por isso que opta por comprar selos) que, para além de ser um tónico para nos mantermos ativos, é origem de responsabilidade que arcamos com alegria e sentido de dever.

Gostávamos de começar por explicar aos amigos desta casa e a todos aqueles que dão a alegria de nos visitar que a nossa vida não é esta e só cá vimos mandar larachas quando não temos mais nada que fazer, de maneira que quando o serviço aperta não estamos nada para aqui viramos.

Por outro lado, investir na Bolsa não é como ir à missa em que se não forem é certo que acabam no inferno. À Bolsa não precisam de ir todos os dias, nem sequer uma vez por semana. Na realidade, basta-vos ir quando a coisa estiver com um sentido definido e não adianta de nada andar a perder tempo e ganhar chatices desnecessárias se não houver um racio ganho/risco que compense o desassossego. Entrar curto neste momento em que as bolsas mundiais rondam máximos históricos só passa pela cabeça de jogadores de casino; apostar longo no PSI20 carece de sinais mais fidedignos. Resta-nos ficar a assistir calmamente, preservando o capital, vendo uns jogos de bola, rindo com a nossa seleção e mantendo a cabeça fria. Haja saúde e alegria. 

15.6.14

Vender em maio

Semana negativa no PSI20 que, depois de ter falhado a ida a máximos, parece estar preparado para entrar em definitivo na silly season

Olhando para o gráfico, diríamos que se tornou provável um prolongar da tendência de descida pelo menos até à zona onde se situa a linha de tendência ascendente (Lta) que vem do final do ano passado, em torno dos 7000 pontos. Se assim for, repete-se o tradicional sell in may que, no caso do nosso índice costuma ser para levar à letra como podem verificar no gráfico seguinte. 



Se quiserem considerar como válido o histórico dos dois últimos anos, então seria de sair em maio, embora ainda estejam perfeitamente a tempo, e regressar apenas no final de julho ou já no decorrer do mês de agosto. 

Como curiosidade, diga-se que se seguissem a tática de entrar em meados de julho e saírem em inícios de maio do ano seguinte, com uma carteira que replicasse o PSI20, teriam obtido uma valorização média de 46% em 2012-2013 e de 42% em 2013-2014, ao passo que no intervalo maio-julho tivemos quedas de 16% tanto em 2012 como em 2013. 

Se em 2014 se repetir o cenário passado, então teremos uma descida até aos 6350 pontos (que é precisamente onde se situa, quanto a nós, a fronteira bull-bear do PSI20, assinalada a laranja no gráfico), com uma subida posterior até aos 9200 pontos em maio do próximo ano. 

Muitos dirão que em 2012 tivemos grandes chatices com a crise da dívida soberana e no ano passado deu-se o irrevogável incidente, acontecimentos de tal monta que não se perspetiva que haja cenas iguais no presente ano. A vantagem da Bolsa é que podemos sempre pôr dinheiro a sustentar as opiniões que vamos tendo e as leituras que fazemos. E quando assim é, o resultado vem sempre justo!

12.6.14

Galp

Apenas uma questão: com a subida do preço do petróleo será que vamos ter o empurrão que está a faltar para o breakout da Galp? 

Esta questão foi colocada, se bem se recordam, na quinta-feira passada, tendo sido acompanhada de um gráfico que atualizamos a seguir com os dados do fecho da semana.


O breakout da resistência na zona dos 13,00-13,20 deu-se com subida do volume, embora tenha sido evidente uma hesitação grande por parte dos investidores que não pareceram de todo convencidos. Em condições normais, a quebra de uma resistência com tal importância, levaria a um aumento bastante mais pronunciado do volume e uma subida mais consistente com fecho, eventualmente, em máximo semanal. É que a projeção da quebra apontará para valores 15% acima, correspondentes à diferença entre o mínimo e o máximo do canal onde a Galp se manteve durante quase 2 anos. E 15% de valorização colocariam a cotação na zona dos 15€, o que é, evidentemente, um ganho simpático!

Apesar de o fecho de sexta-feira ter sido o mais alto dos 2 últimos anos, estamos em crer que há diversos fatores a travar um desempenho ainda mais exuberante por parte da Galp. 

Em primeiro lugar, há o receio fundado de um falso break que colocaria a cotação novamente em rota de descida até à base do canal, com um ganho igualmente interessante para quem se colocasse do lado curto. E esse receio é aumentado pela fragilidade atual do PSI20.

Por outro lado, a Galp encontra-se num canal ascendente que tem a linha superior na zona 13,80€, o que torna o racio ganho/risco um tanto ou quanto desfavorável. 

Acresce que o RSI, que é um indicador de sobrevenda/sobrecompra, encontra-se em zona de sobrecompra (acima dos 70) como podem verificar no gráfico, o que é encarado como sinal de possível correção.

Que dizer, então, relativamente ao futuro?

Estamos em crer que a Galp vai estar muito condicionada pela evolução da cotação do petróleo nos próximos dias, cotação essa que tem vindo a subir principalmente devido aos acontecimentos no Iraque. De qualquer das formas, se a subida se mantiver, será de admitir uma resistência na zona dos 13,80€, com possível inversão da tendência, para aliviar os indicadores. Se assim for, vai ser necessário estar atento à reação ao suporte dos 13€. Uma boa reação coloca-nos a caminho dos 14,60-15,00€.

9.6.14

BCP

A pedido de várias famílias deixamos um pequeno rascunho de análise a esse enfant terrible da bolsa portuguesa que é o BCP. 

Toda a gente anda metida a cada passo no BCP, e por isso o consumo médio de ansiolíticos do investidor luso é mais alto do que mandam as regras a nível mundial. Comprar BCP é como entrar num atalho para chegarmos à riqueza: a gente espera chegar lá mais rápido, mas a maior parte das vezes tem que dar a volta e vir para trás. 

Hoje o dia foi mau de mais, com uma queda que deixou espuma de raiva grudada em muitos monitores de computador. 

É verdade que ainda há por aí muita gente com medo do AC, mas as coisas estão de tal forma que eu já vejo o BCP a arranjar quem lhe compre as novas ações por atacado. Lembram-se de aqui há uns tempos  se ter falado de uns chineses que iam entrar no BCP pela porta dos fundos com uns carrinhos de mão cheios de yuans e sacos de ouro para acudir à refrega? Nessa altura, era evidente que a história não passava de peta da grossa, pois só um mariola muito pedrado punha a hipótese de alguém avançar com cacau para vir segurar um banco para lá de parido. Mas hoje em dia, com o negócio um pouco menos quebrado, não será de colocar a hipótese de vir de lá de longe alguém com bom coração para abalizar um AC? Quanto mais não fosse porque o BES, essa instituição em quem o Expresso anda a bater sem qualquer ponta de piedade, também arranjou quem levasse o AC na boa e fizesse da coisa uma patuscada sem espinhas (por falar no BES, não se esqueçam que dia 16 vão soltar mais umas miladas de ações no mercado)! 

Claro que também podemos pensar que o BCP amolou hoje porque o nosso irrevogável Governo lá continua na sua intentona para que toda a gente lá fora perceba que nós somos umas bestas quadradas que não temos conserto e é fundamental que o FMI cá continue a tomar conta no tasco! 

Ou terão sido os números do PIB e das exportações que avermelharam a coisa? E porquê o BCP e não os outros! E como justificar que o PSI20 continue a escalar pé ante pé?

Não desesperem, amigos, que nós aqui no NeB estamos cá para alguma coisa e temos a resposta que vos convém. Atentem no gráfico seguinte:


Digam lá se não ficou claro agora por que caiu o BCP hoje? Digam lá quem é amigo? Ah?! Quem é? Então vão lá pôr uns "gostos" no FB que a malta também se pela por esses mimos e até vos dá dinheiro a ganhar e alegrias.

Agora tomem nota:
  • A cotação não aguentou a trombada com a Lt superior do canal e deu de si: não é agradável, mas está tudo dentro dos conformes.
  • Hoje as EMA9 e 21 travaram a queda. A primeira traçou a segunda o que é bom, e o volume foi baixo, o que também não é mau.
  • A Lta da base do canal é tocada amanhã na zona dos 0,1915-0,1920. Se lá for é de comprar que em princípio arrebita; se quebrar e vier por aí abaixo, mandem o BCP à merda e fujam!
Bons negócios para todos e bom dia de Portugal!


Mota Engil

A notícia de que havia analistas a avaliar a Mota Engil África na casa dos 4000 milhões de euros é daquelas que deixa o povo tão banzado que até fica mal na fotografia:


Como diabo é que uma empresa que, no fecho de hoje, é avaliada pelo mercado em 1278 milhões de euros destaca uma sua subsidiária que vale 4000 milhões? A Mota África dá conta de mais ou menos 1/3 do negócio total da Mota e vale 3 vezes mais?! Quem foi o nabo que fez estas contas?

Garanto-vos que nós aqui no NEB não sabemos nada deste tipo de aritmética, e somos uns leigos consumados em matéria de contabilidade e construção civil, mas uma coisa podemos dizer com toda a franqueza (até porque mandar bojardas é arte que sai em conta): que a MOTA tenha subido 40% em 14 dias vai parecer uma subidinha insignificante daqui por uns tempos! Aí está o que pensamos do caso, de forma muito direta e sem rodeios! Esta artista tem a tenda montada para deixar as duas rodas e se transformar num foguetão (quem não perceber, é favor ver a figura seguinte que sempre ajuda):


Que pelo caminho se vai estampar aqui e ali é uma evidência, mas daí até chegarmos ao ponto de nos pormos a vender esta máquina e entregarmos o tesouro a outros vai a distância entre a sabedoria e a loucura. 

Claro que há valores que devemos acautelar: na sexta-feira falamos dos 6,40€ que hoje foram atingidos por arredondamento. A quebra (se se der) deve conduzir ao máximo histórico nos 6,83€, onde é de elementar sensatez que haja um alívio porque a subida já vai em modo panic buy. Vendam a medo e comprem quando os mãos fracas as largarem e elas vierem pousar cá abaixo. É um conselho amigo, mas não me venham chatear a cabeça se se trilharem: é que não vou estar mesmo nada para vos aturar!


8.6.14

Negociar em Bolsa foi "Surfar a Tendência"...

Muito bom dia:

     Ontem, a equipa do NeB passou um excelente dia a assistir a um Workshop intitulado: "Análise Técnica e Estratégias de Negociação". Aproveitamos desta forma a vinda ao norte do Tiago Esteves, responsável pelo excelente blog: Surfar a Tendência. Queríamos aqui dar os parabéns para a excelente organização, bem como à qualidade dos conteúdos apresentados. Pensamos que foi sem dúvida interessante, principalmente o facto de terem sido partilhadas algumas ferramentas de análise técnica, que poderão ajudar os participantes a identificarem melhor alguns dos sinais para possíveis entradas colocação de Stops, por forma a minimizar os riscos e controlar euforias. Salientamos também o facto do Tiago ter realçado algumas das estratégias de Money Management que nos poderão ajudar a não sermos expelidos dos mercados da forma mais dura que é a Banca Rota. Foi bem realçado o facto de estarmos a viver um Bull Market que tem recebido novos investidores sem qualquer experiência e que poderão deslumbrar-se e entrar em euforia, daí que é sempre bom adquirir conhecimento, sabendo que, mesmo assim, tudo muda de um momento para o outro.
     Parabéns ao Tiago Esteves pela iniciativa, esperando que continue o excelente trabalho que tem desenvolvido.

     Valeu o dia bem passado e a troca de conhecimentos. 
     
     Bons Negócios!

6.6.14

Une petite analyse à Motáaa

Já que estou com a mão na massa, e não me custa mesmo nada, deixo-vos une petite analyse gráfica à empresa mais sorridente do dia: a Mota Engil. Quem mais? 

Hoje tivemos o fecho mais alto desde 2007, pelo que nos ficam a faltar referências. Deixo-vos uma Lta possível e um intervalo meio manhoso que aponta para os 6,40€ como os próximos valores a mirar. A linha  a tracejado vermelho é o máximo histórico. Se tem unhas para ir até lá? Só o Senhor saberá dizer!

Não se esqueçam, contudo, de que para baixo também há caminho e os balões ao subir não vão para o céu... rebentam! Naaaahhh, não há de ser nada! 


Comentário

Amigos a festa está boa, quem está dentro anda todo satisfeito com o pilim a cantar nos bolsos e as notícias parecem vir todas diretas do paraíso celeste. Vejam o BCP e a Mota com a tacha toda arreganhada. Mas também o BES (esse malvado que fez um AC), a EDPr e até, quem diria, a PT. Bem-hajam todas. 

Em suma, a Bolsa está neste momento a cumprir com as funções para que foi concebida pelos nossos sábios antepassados: encher-nos os bolsos de dinheiro isento de trabalho (mas não de canseiras) e fazer-nos esquecer quão pindérica é a gorjeta que nos pagam ao fim do mês. Quando é assim, é um regalo!

Eu não queria agoirar, longe de mim, até porque eu só sei entrar longo e não me dou com coisas curtas (linguagem bolsista), mas temo que tenhamos chegado a um momento de decisões no PSI20. Deixo-vos o gráfico do índice com o fecho atualizado com as cotações de ontem:


Daqui, diria que ou sobe e vai a máximos, ou cai e... estraga o sarrabisco!

Das decisões, tratam vocês que sabem mais do que eu.

5.6.14

As decisões do BCE

A leitura da decisão do BCE de hoje é muito simples.

Onde é que os bancos colocam as reservas de capital de que dispõem, de maneira a que estas resultem em lucro?

Resposta: na economia, via empréstimos às empresas e aos particulares, trocando risco por hipotecas, na Bolsa (em ações, obrigações e outros títulos) que representem capital, investindo no trabalho de uma corporação ou até de um país como um todo, em imobiliário, mercadorias ou matérias-primas ou, se os banqueiros estiverem borrados de medo, fazem como a maior parte dos portugueses e depositam-no a prazo. 

Só que os bancos, como é evidente, não vão fazer depósitos a prazo na concorrência. Em vez disso, depositam no Banco Central, que paga juros como qualquer outro banco paga aos clientes. E foi este juro que o BCE paga aos bancos pelo dinheiro que estes têm lá depositado que foi hoje cortado para valores negativos. Dito de outra forma, doravante se os bancos quiserem colocar dinheiro a prazo no BCE vão ter que pagar! E a verdade é que os bancos têm muitos milhares de milhões encostados no BCE. Conclusão: só um banqueiro sem arrojo mesmo nenhum vai manter o dinheiro no BCE, tendo de pagar por isso.

A leitura evidente é que os bancos vão ter que reforçar a alocação do capital à economia real: vai sair dinheiro do BCE e entrar (vejam se adivinham?)... no que a este espaço diz respeito, na Bolsa. 

Ao mesmo tempo, o BCE também cortou a taxa de juro a que empresta aos bancos, dando outra achega para que aumente a liquidez no mercado.

Tudo somado... vai dar subida!

A única dúvida está em saber se isto não estará já muito descontado. Se atendermos ao que se tem passado com a taxa de juro da dívida pública portuguesa, percebemos que nos últimos tempos tem havido muito dinheirinho a entrar nas nossas obrigações (e não só), o que parece indicar que muitos bancos já há algum tempo que perderam o medo e largaram os depósitos a prazo no BCE. 

Seja como for, embora conscientes de que pode vir aí um sell on the news, a mensagem é muito simples: havia dinheiro estacionado no BCE que vai começar a carburar! 

Tomem-se, pois, as concomitantes providências!

4.6.14

Efeméride

Faz hoje 7 anos que me apercebi de que iríamos para Bear Market.

A data ficou para sempre marcada na minha mente porque coincidiu com um dos dias mais felizes da minha vida: o dia em que nasceu a minha filha Laura.

Recordo que, quando eu e a minha mulher demos entrada na maternidade, na manhã de 4 de junho de 2007, tinha em carteira apenas ações da antiga Teixeira Duarte (TDU). Todos os analistas recomendavam a compra da TDU porque, para além de ser uma sólida empresa de construção civil (e o mercado estava hot), tinha ótimas participações financeiras na banca com percentagens relevantes no BCP (que valia bastante mais do que 3 euros por ação) e no BBVA. 

Nessa terça-feira, estava com uma confortável valorização de 10% nessa empresa, no culminar de um Bull Market verdadeiramente entusiasmante de mais de 4 anos. Como é evidente, durante esse dia e nos dias que se seguiram, toda a minha atenção voltou-se para valores muito mais altos e pus completamente de parte o envolvimento que tinha com o trabalho e a Bolsa. 

Recordo que, alguns dias mais tarde, quando voltei às lides, vendi TDU com 5% de desvalorização.

Depois percebi que, desde o início de junho, os investidores assustaram-se com problemas criado por uma inovação americana chamada subprime e havia fundos em dificuldades devido aos pedidos de liquidação em massa. 

Em Agosto, um fundo da Fidelity abriu falência e tudo começou a despencar precipitadamente.


3.6.14

É curioso como hoje são os comentários dos membros do Governo que estão a colocar pressão sobre os mercados. 

E até nem estou com isto a fazer uma crítica às palavras de desagrado dos governantes, porque é evidente que a decisão do TC, mais do que ter implicações económicas, coloca fortíssimas limitações às funções governativas. E é isso que mais estará em causa neste momento. 

Entretanto, ao mesmo tempo que começa a haver uma levíssima especulação de que o Governo possa tomar alguma decisão radical, que nos coloque outra vez em maus lençóis (não esquecer de que entramos no mês em que se comemora o 1º aniversário da cena "irrevogável"), os juros da dívida pública vão-se aguentando em valores historicamente baixos. 


Oxalá, não sejam os nossos governantes (TC incluído) mais uma vez a tramarem o pessoal, colocando-nos de novo do lado dos losers da História!

2.6.14

Vídeos

Uma introdução ao Prorealtime e à análise técnica (Parte II)

Vídeo de ontem, mas que, por motivos técnicos só hoje pode ser postado! Contém pequena análise ao PSI20 (apesar de ser de ontem, ainda se mantém fresca).