30.9.14

O Brasil e o petróleo

De entre os BRICs talvez fosse o Brasil o mais dependente de expetativas futuras. No tempo da presidência de Lula da Silva a alta do preço dos metais e, de forma muito especial, a descoberta de enormes reservas de petróleo inundaram o país de liquidez injetada por investidores deslumbrados com as promessas de ganhos que supostamente não encontrariam em mais lado nenhum do mundo.

Excitados com a teoria do peak oil, a salivar ante os ganhos brutais que os países do Médio Oriente ou até a Venezuela de Chavez tiveram quando o barril chegou aos 150 dólares e ávidos por investir as enormíssimas reservas de capital que tinham sorrupiado ao Zé Manel, não faltaram artolas a canalizar recursos absurdos para a empreitada de extrair crude de jazidas que se encontram a mais de 5000 metros debaixo do oceano. A peta de que o petróleo iria esgotar lá para 2040, que enfiavam na cabeça das criancinhas desde o jardim de infância, entranhou-se de tal forma na grande massa cinzenta global que até uma empresa de 5ª categoria como é a GALP, vinda de um país endividado até ao tutano, se avalançou aos leilões dos poços brasileiros.

Mas o petróleo não vai acabar. E nem é preciso, nem faz qualquer sentido, ir buscar petróleo a reservas que estão lá no fundo do mar, da mesma forma que é absurdo capturar um asteróide para lhe sacar os metais! E nem sequer estou a falar do shell oil que é fruto de uma tecnologia recente. Estou mesmo a falar do crude normal que existe em reservas no subsolo.

O Mar Negro (Black Sea) tem uma área 5 vezes maior do que Portugal e uma profundidade média que ronda os 1200 metros (dados da Wikipédia). Mas não passa de um pequeno charco na grande área do planeta. Está a norte da Arábia Saudita que, como sabem, flutua precisamente sobre um mar de crude.


O Mar Negro tem 547000 quilómetros cúbicos de água. Por dia consomem-se em todo o mundo uma média de 90 milhões de barris de crude, sendo que cada barril contém 159 litros de matéria-prima. 

Se a água do Mar Negro fosse crude para quanto tempo teríamos reservas? 

Sigam-me nesta conta e dividam o volume total de água pelo consumo diário. Não se esqueçam de reduzir tudo à mesma unidade! Provavelmente deu um valor muito grande. Dividam por 365 para obter o resultado em anos! Está feito?! 

Se não falharam nada, obtiveram 104726 anos! 

Aí está, amigos, se toda a água do Mar Negro fosse crude, teríamos reservas para mais de 100000 anos, mantendo intacto o consumo diário atual.

As conclusões ficam por vossa conta!

28.9.14

Má onda no PSI

Diacho, amigos! Afinal, dinheiro na PT só para quem estivesse curto ou para os que entraram nos primeiros minutos de negociação de sexta-feira. Nada de grave para os disciplinados que aguardaram pacientemente pelo sinal de arranque na quebra dos 1,85 e nem chegaram a entrar. Como no campo de batalha, também na bolsa a disciplina é um bem precioso e permite evitar desperdícios. Aliás, na PT nota-se perfeitamente as forças do mercado a manobrarem: de cada vez que a cotação parece aproximar-se da resistência saltam os ursos e despejam ações emprestadas filados num bom rácio ganho/risco. É por isso que uma quebra da resistência tem potencial para catapultar a ação coisa de 60 cêntimos para cima: a ursalhada vai ter de hibernar, o que em linguagem bolsista significa fechar posições curtas, indo buscar ações ao mercado. 

Claro que, aparentemente, a saúde da PT do ponto de vista técnico deteriorou-se durante a semana, embora a vinda cá abaixo aos 1,60, seguida de boa recuperação, tenha colocado os indicadores em posição de descolagem. Agora é fácil concluir que a quebra em baixa dos 1,60 são o sinal evidente de que alguma coisa não está bem com os motores e que vai ser preciso chamar o pessoal de manutenção da TAP (it's a joke) porque a coisa já não descola. Ainda por cima quando a OI lá no Brasil continua a dar sinais de querer rebentar com a resistência, com um fecho de semana a 1,75 reais, justo em cima da dita. Mas não se esqueçam de que vai ter eleições de hoje a oito!

Mas não é só à PT que podemos ir buscar dinheiro para pôr pão na mesa. Daqui a pouco os meus amigos até começam a desconfiar que eu tenho o camião cheio de MEOS e quero pôr-vos a dar-lhes gás. Nada mais falso: nós aqui no NeB queremos como é evidente influenciar o mercado, mas não somos loucos ao ponto de entrar numa ação antes dela dar sinal de compra: como dizia o outro, antes perder um ganho, do que ganhar uma perda (ainda se fosse uma perca!).

O problema maior parece estar no PSI20 como um todo. A semana que ontem terminou era tão importante para o índice do ponto de vista técnico que nem nos passou pela cabeça que o animal se estampasse. Mas foi justamente o que sucedeu e nem o fecho de sexta-feira conseguiu amenizar o estrago feito. O nosso moribundo índice quebrou um suporte que nos parece bastante importante na zona entre os 5750 e os 5775 e a menos que volte para cima quanto antes, arrisca descambar até ao suporte-mor na zona dos 5320, quase 7% abaixo do valor a que fechou a semana. Fica o gráfico diário:


E esta semana colocamos também um gráfico semanal que, para além de nos dar uma visão fortemente tristonha do PSI20, com as médias móveis na direção e na ordem completamente errada para os touros, nos mostra que pode haver um suporte semanal na zona dos 5650.


Vai ser importante, pois, verificar como arranca a próxima semana, mas convém desde já fazer figas para que não se estejam a cozinhar novas escandaleiras neste cantinho à beira-mar, como parece pressagiar o caso Passos/Tecnoforma. Seja como for, pelo menos para já, a queda do PSI20 pareceu seguidismo em relação aos maiores índices mundiais que, tanto quanto podemos avaliar para já, aproveitaram maus dados económicos para aliviar indicadores. 

A propósito de dados económicos, uma vez que os mercados se tornaram sensíveis a eles, deixamo-vos, para fechar, o link do Investing.com, para que os possam consultar praticamente em tempo real.

Bons negócios para todos.

21.9.14

A próxima semana

Se queremos ter sucesso nos mercados o melhor é manter sempre a coisa simples, quanto mais simples melhor, e ir entrando e saindo de ações que conhecemos relativamente bem. Para nós tugas, que temos a infelicidade de ter por perto um dos índices bolsistas com pior comportamento neste ano (já foi um dos melhores), não é tarefa fácil e muitas vezes dá vontade de nos pormos no piro e abalar para outros mercados. Mas isso tirava-nos uma parte da simplicidade e, pelo menos para já, aqui o NeB vai-se mantendo 100% nacional, uma coisa galharda, do género do Atlethic de Bilbao, até porque estamos em crer que, apesar de tudo, há empresas que parecem demasiado castigadas. É certo que isso acontece não porque se esteja a criar verdadeiramente valor, mas mais por estarem reunidas as condições para que a especulação funcione e faça subir as cotações. É esse o caso, por exemplo, do BPI, de que já aqui falamos.

E, seguindo esta linha de raciocínio, onde é que nós vemos dinheiro na próxima semana? Pois, amigos, digo-vos muito diretamente e nem precisamos de pôr gráfico nenhum, pois serve o que aqui deixamos num post anterior. Voto na PT. 

E isto porquê? 

Por causa do fecho da OI na sexta-feira passada. É verdade que nem a OI é exatamente a PT, nem o que acontece de bom à OI é necessariamente bom para a PT, mas duvido muito que a OI suba e a PT não lhe siga no encalço. E a OI fechou em máximo do dia e máximo da semana na bolsa brasileira, a um tick de encostar a uma resistência que uma vez abatida pode fazer brotar do nada reais em catadupa na conta dos acionistas (confiram aqui). Também a PT é gaja para explodir se quebrar os 1,85€ e se até a OI ajudar, porque diabo não o há de fazer? E não se esqueçam de toda a especulação que graça em torno das telecomunicações no Brasil, que pode perfeitamente fazer esquecer as dívidas colossais que estas empresas têm e os sarilhos em que estão metidas. 

Na Bolsa ninguém quer saber do que vai acontecer daqui por um mês, desde que ganhe dinheiro no dia seguinte. Tudo o que precisamos é do chuto de felicidade instantânea, porque no longo prazo, já sabem, isto é sempre uma montanha russa.

Quanto ao PSI18? Vai subir.

15.9.14

O BPI

Sem nada de relevante para dizer, vou-me mantendo calado que a bolsa também é feita de silêncios. 

Hoje, porém, volto a olhar para o BPI. Depois dos acontecimentos do fim-de-semana, envolvendo o Novo Banco (grande barracada aquela foi e continuará a ser), fica-se sempre na expetativa de ver como se vão amanhar os restantes bancos. A verdade é que as notícias para o lado do BPI parecem mais engraçadas do que para o outro banquito da nossa praça, se bem que não seja de excluir que a subida de um impulsione o outro. 

A perspetiva de, por tuta e meia, poder avalançar-se ao negócio do Novo Banco é capaz de contribuir para nos alegrar um pouco mais a conta bancária, se nos conseguirmos colocar do lado correto do mercado. Dá-me a ideia de que com o Governo à rasca para vender, sem que haja abundância de interessados, vamos ter o Ulrich a ficar com vontade de assumir os galões de DDT. E o negócio é capaz de ser engraçado. O BPI tem que entrar com 10% da diferença entre os 4 mil e tal milhões e o preço da venda, mas o BCP ou a CGD vão ter que assumir 20 ou 30%. Pode dar-se o caso de o BPI comprar por um preço que faça parecer os 10% uma bagatela, ao mesmo tempo que entala a concorrência. Não há dúvida de que o jogo, no mínimo, promete. E nem sequer estamos a entrar em linha de conta com os depósitos que entretanto estão a transitar do ex-BES para os bancos que restam e que, no limite, devem chegar para colocar os rácios de acordo com os mandamentos dos testes de stress (aliás, se eu fosse adepto de teorias da conspiração, coisa que não me seduz, diria que liquidaram o BES para salvarem os outros todos e evitar que a banca portuguesa colocasse o país ainda mais de pantanas).

Entretanto, tecnicamente, o BPI está num ponto em que ou vai ou racha: aquela SMA200 (a vermelho), uma vez quebrada, vai permitir dançar o bira. Que assim seja!


5.9.14

Dear Telephone

Na proposta de hoje da rubrica "Música para festejar os ganhos em bolsa" deixamo-vos com uns amigos cá da minha terra.


4.9.14

A festa de Super Mário

Esteve boa e bonita a festa que o Super Mário patrocinou e espero que todos tenham conseguido ficar com um bocadinho do bolinho que foi crescendo ao longo do dia. Aliás, quem leu o que dissemos na nossa rentrée acerca das palavras do presidente do BCE e agiu em conformidade, é bom que se chegue à frente para pagar uma jantarada porque no BCP vamos com 20% de subida, no BPI com 13% e na PTC com 23%. Não tem comparação com a Glint, que subiu 40% esta semana, mas já ninguém se pode queixar!

Agora que já distribuímos as medalhas, convém olhar em frente para tentarmos perceber o que pode suceder a partir de amanhã. Claro que com valorizações destas vem aí a tradicional realização de mais-valias, pelo que a questão que queremos discutir nem é se teremos queda amanhã ou não. O que interessa é se haverá possibilidade de estar invertida definitivamente a tendência no PSI18 ou se o foguete está para rebentar. É que a notícia que o Marocas nos deu é boa e temos em marcha um plano de compra de ativos,  mas não se trata de um verdadeiro QE, o que pode trazer motivo para desilusão no curto prazo (embora hoje não se tenha notado). Também não é de entranhar um sell on the news (que teria um efeito de mais ou menos curto prazo), ou um voltar de atenções para outros problemas como o conflito ucraniano ou os testes de stress à banca ou mais coisas que o mercado se encarregará de fazer brotar. 

Olhemos para o gráfico do PSI20:


No curto prazo parece com ganas de regressar à caixa laranja e pode ser que tenha unhas para ir lá acima testar o topo nos 6350-6400. Uma vez dentro da caixa (o que pode acontecer já no fecho de semana) a base passa a ser um suporte óbvio, mas até lá o mais rijo parece ser o dos 5775 (embora as médias móveis possam suster uma crise de mãos leves). O cruzamento da EMA9 para cima da EMA21 foi um bom sinal de força e parece haver cada vez mais gente disposta a acreditar que a subida é para valer e que os 8% de queda anual do índice, apesar do colapso do BES, são um despropósito. Se assim for, os adeptos do entra e sai são capazes de começar a serem substituídos pelos que vestem a camisola do entra e fica!

Mas porque é que o índice hoje não fechou em máximos?

A resposta é muito simples e dou-vo-la na forma de gráfico das nossas ações de eleição de há duas semanas. Confiram:




Os gráficos falam sozinhos e em todos eles vemos o que fez os investidores mais atentos desatarem a vender nos minutos finais da negociação, contribuindo para uma certa hesitação final do PSI. O que vale a quem está dentro é que qualquer uma destas resistências cai se a marrada for de touro bravo e não é difícil perceber onde se encontram os suportes que podem tranquilizar os mãos leves. Para além disso, o RSI ainda não está em sobrecompra, pelo que, apesar de o movimento a olho nú já parecer vir esticadote, a análise técnica diz que ainda há espaço para puxar mais.

Vemo-nos amanhã... no sítio do costume!

2.9.14

Os russos

Numa das nossas últimas intervenções dissemos que achávamos fundamental ao bom trader a leitura de livros de história em vez de desnecessários e pouco interessantes livros sobre bolsa que muitas vezes mais não são do que manuais de auto-ajuda. Pois bem, agora concretizamos.

Uma das leituras a que deitamos mão nas férias foi o magnífico "A queda de Berlim 1945" do historiador inglês Antony Beevor.


O livro narra, como o próprio título indica, os acontecimentos que, nos primeiros meses de 1945, ditaram a implosão do regime nazi e a consequente destruição da Alemanha e da sua capital. Evidentemente, foi o clímax de uma época em que o nível de destruição e de completa selvajaria entre seres humanos foram levados e um extremo como jamais terá acontecido em toda a história da nossa existência neste planeta. E o livro faz uma descrição, quer do ambiente entre os civis, quer das manobras dos militares que não economiza nos detalhes e que, por isso, nos transporta para um mundo que ninguém pode colocar a hipótese de que se venha a repetir.

Um dos aspetos que salta à vista no texto é o facto de a larguíssima maioria das páginas dizerem respeito aos feitos militares dos soviéticos e às decisões mandatórias que a partir do Kremlin Estaline despachava para os seus generais. Para o soldado soviético não havia outra saída que não a aniquilação e humilhação completa do inimigo. Para ele, cair prisioneiro era pior do que morrer, porque significava o terror dos campos de concentração nazis ou o gulag da Sibéria se se desse o caso de ser libertado. Foi a ferocidade destes soldados soviéticos, aliada ao número impressionante de efetivos que, em grande medida, tornou possível desmatelar a máquina de guerra nazi.

É certo que, depois da operação barbarossa, cabia aos russos uma grande quota parte da sede de vingança contra os nazis, mas que dizer dos franceses que viram a sua capital invadida e subjugada ou dos ingleses que foram bombardeados sem piedade meses a fio? A verdade é que os russos agiam com a frieza daqueles que nas maiores adversidades parecem não hesitar, porque tinham a certeza de que todas as alternativas eram infinitamente piores. Com os corpos cheios de álcool (quando não líquido dos travões ou combustível de avião), os soldados soviéticos violaram e mataram sem piedade nem problemas com as baixas que sofriam (na invasão de Berlim, as baixas entre os soviéticos foram incrivelmente superiores às baixas nazis) porque do Kremlin vinha a voz de comando que tinha de ser obedecida sem hesitação.

Hoje estamos outra vez em guerra com os russos. Felizmente, ainda não há soldados nos campos de batalha, nem se perspetiva que tal venha a verificar-se (para além do que acontece no leste da Ucrânia), mas estamos numa guerra que os russos têm todas as condições para vencer, porque, tal como aconteceu há 70 anos atrás, tirando meia dúzia de renegados do sistema (como por exemplo as excêntricas Pussy Riot), a maioria dos russos sabe que não há alternativa senão seguir o líder. É por isso que as sanções que os ocidentais lhes estão a aplicar, e que tanta mossa fazem na população, não estão a surtir efeito e é provável que este episódio ainda venha a azedar bastante mais.

28.8.14

E mais duas

Pergunta-nos o nosso amigo Fulgêncio Batista o que nos deu na cabeça para ignorarmos a Mota-Engil nas nossas últimas análises e comentários.

A resposta é muito simples e o amigo, apesar de não passar de um fantasma de cubanas nos pés, compreenderá facilmente: com a sacola atacada de PTs, de BCPs e de BPIs foi um problema de exiguidade de espaço que nos impediu de ir de Mota.

Mas a Mota é aquela moça que quando lhe dá é um repente e pula de uma resistência à outra como se fosse o Marc Márquez a guiar. Vejam o gráfico:


A resistência dos 4,40€, anterior suporte-mor, caiu ao fim de vários ataques e o fraco volume de ofertas incentivou a histeria. É isso que faz com que esta ação seja tão reativa, quer para cima quer para baixo. Pura e simplesmente não existem ações nos COFs e a malta compra/vende ao melhor. O título trepou 11% de uma só vez e foi instalar-se na zona da resistência seguinte. Hoje abriu com ganas de continuar por ali acima, mas a gasolina acabou quando o povo viu que estava em causa a quebra da SMA200. Agora está a esvazir um pouco o balão e, enquanto estiver acima dos 4,40€, temo-la em terreno de interesse comprador.

E aqui temos um aspeto que é bom não esquecer. Embora o cenário no curto prazo pareça ter-se desanubiado, a tendência desde há meio ano no PSI é descendente e estamos a falar do índice que perdeu por K.O. uma das suas maiores empresas ainda não vai há 1 mês. De maneira que não é de esperar que haja por ora sinais demasiado bullish e sempre que houver uma aproximação a um estado de sobre-compra, a uma resistência ou a uma média móvel relevante como é a de 200 dias, vai ser normal aparecer acumulação de vendedores. Aliás, isso mesmo aconteceu hoje, por exemplo, com o BCP!

E é por isso que eu continuo a gostar da PT (no curto prazo) e julgo que podemos ter espaço para subidas interessantes. É que, aparte uma ténue zona de resistência entre os 1,70 e os 1,90, não ficaram resistências da queda fortíssima que a empresa experimentou. Não quer isto dizer que vamos ter uma subida linear por aí acima, mas o rácio ganho/risco não parece desinteressante. Do lado do ganho está tudo dito e quanto ao risco sabemos que é possível uma ida ao gap nos 1,46 e depois há um suporte na zona dos 1,36 cuja quebra obriga a evacuação apressada. Portanto, temos os limites estabelecidos. 


Por outro lado, a PT apresenta resultados amanhã, antes da abertura do mercado, e já toda a gente sabe que não devem ser famosos. Resta saber se, com uma queda de 38% em 2 meses e um desbaste de 51% desde o início do ano, quanto já estará descontado pelo mercado. Eu continuo a pensar que pode haver fecho apressado de curtos com a consequente subida violenta, mas estou mais do que pronto para desamparar a loja.

Oh Lord!

Nota-se que a Janis Joplin não sabia o que era um bull market, mas, verdade seja dita, a cantar assim bastava pedir que o Senhor dava!


Evidentemente, este post enquadra-se na rubrica "música para celebrar os ganhos em bolsa"!

27.8.14

5 dicas (3 super importantes)

No seguimento de uma entrada nossa no Caldeirão de Bolsa, em que nos solidarizamos com um forista que tentava remediar uma trombada de 70% na PT, pergunta-nos o nosso amigo Armindo da Encarnação de que modo nos devemos precaver contra a possibilidade de estuporarmos as nossas queridas economias na bolsa. Como a questão aflige a maior parte dos investidores e é por causa desse medo que uma maioria opta por passar a bola a outros, apostando em depósitos a prazo escanzelados, resolvemos lançar mão à obra e escrever este texto em que descrevemos a nossa maneira de atuar.

Evidentemente, ninguém gosta de perder dinheiro e a dor da perda pode ser tão grande que, para muita gente, a possibilidade de ganhar não é suficiente para compensar o sofrimento de ver o património violentado. Para esses, de facto, é uma atitude de elementar sensatez absterem-se de negociar em bolsa. Todos os outros, que sofrem naturalmente, mas que não chegam ao ponto de pensar em cortar os pulsos podem continuar a ler.

Dando, pois, por adquirido que não é possível entrar nos mercados sem ter presente a possibilidade de perder, cá vão algumas das nossas dicas para manter a sanidade mental e conseguirmos bater o índice de referência ao fim do ano:

Dica nº 1 - Esqueçam a leitura de livros sobre bolsa, auto-ajuda, análise técnica, economia ou caca dessa género. Ninguém joga à bola a ler livros, mas sim a treinar, da mesma maneira que não se ganha dinheiro em bolsa lendo teoria. Em vez dessa trampa, invistam o vosso tempo na leitura de Literatura a sério e a estudar História (um pouco de Física também ajuda, mas isso sou eu a puxar a brasa para o lado de cá). O assunto principal da bolsa é o comportamento humano e só o conhecemos a fundo de conseguirmos olhar para o passado pelos olhos daqueles que foram maiores que nós (voltaremos a este assunto). É evidente que há na net sítios sobre bolsa de que não podemos abdicar, entre os quais incluímos, sem falsas modéstias, esta vossa humilde casa! Oremos!

Dica nº 2 - Evitem a intoxicação de informação, estando atentos apenas aquilo que é especialmente relevante. Todas as notícias que passam nos telejornais, incluindo os comentários do tio Mendes e do vovô Marcelo são absolutamente irrelevantes para negociar em bolsa. Já a notícia de que o GES falhou pagamentos ou as palavras do Mário Draghi no fim-de-semana são das do género que nos devem fazer agir de imediato! A propósito, esqueçam também os dados económicos que vão saindo: na maior parte das vezes, não interessam nem ao pai natal.

E agora as três dicas mais importantes:

Dica nº 3 - Keep it simple! Esqueçam análises complicadas porque ninguém tem tempo para isso. A análise técnica funciona porque uma grande parte dos investidores a segue. Toda a gente está atenta a linhas de tendência, suportes, resistências e médias móveis e o mercado tende a ser obediente porque a massa dos investidores age em conformidade. Análises mais elaboradas só servem para nos distrair do objetivo que todos temos em mente: ganhar dinheiro!

Dica nº 4 - Cut the losses! Esta é a regra mais importante, mas também a mais difícil de aplicar. Jamais percam mais de 3% do vosso capital num negócio! Nunca! Desceu? Vende-se! Se cair depressa de mais e já não forem a tempo, vendam logo que possível! Foi um erro e assume-se o erro! Se voltar a subir, paciência: são as regras do jogo! Cortem as vossas perdas, antes que elas vos entalem e vos impeçam de voltar a negociar. A bolsa estará lá no dia seguinte para voltarem a recuperar o dinheiro perdido. E acreditem naquilo que vos digo: a dor da venda a perder passa rapidamente e permite-nos voltar ao campo de batalha mais fortes!

Diga nº 5 - Keep calm! A bolsa não é um inimigo que nos está a quilhar a vida e a quem temos de acertar o passo logo que possível! A bolsa nem sabe que nós existimos e está-se positivamente a cagar para a nossa sede de vingança ou para a nossa azia! Também é verdade que a bolsa, embora às vezes não pareça, não tem nenhum interesse especial em nos tramar. Nesse aspeto a bolsa é como o Universo e é assim que a coisa está bem feita. Isto para dizer que quando perdemos, não temos que nos pôr com planos de vingança ou coisas desse género para tentar recuperar o dinheiro rapiramente. Perdemos por culpa própria e está tudo dito. Adiante. Se formos pacientes e sensatos (e se viermos ao NeB de vez em quando), a bolsa acaba por ser generosa e vem humilde, de cauda a abanar, dar-nos o pilim que nos faz falta!

Agora vão lá negociar em bolsa como deve ser...


26.8.14

Mais duas

Num dia em que as notícias parece estar todas a vir do paraíso celeste (daqui a pouco até os russos e os ucranianos estão aos beijinhos), deixamos uma outra dica que pode interessar: o BPI (também podia ser o BCP, que está numa situação muito similar).

O gráfico tem lá uma LTd que está a pedir para ser quebrada. Se quiseram entrar numa de apostar na quebra nos próximos 45 minutos, sirvam-se que ainda estão a tempo.



Mas também temos um outro produto em que a linha já foi quebrada: a Sonae (os valores estão ao fecho de ontem que eu ainda não ganhei dinheiro para subscrever o ProRealTime - serve). Aqui só há uma coisa que me perturba que é a proximidade da SMA200:



E nem é preciso mais paleio. É um regalo!

Rentrée

Não deixa de ser uma chatice chegarmos de férias cheios de saudades de ganhar dinheiro e encontrar o PSI encostado a uma resistência!


Garanto-vos que nunca me passou pela cabeça que ainda este ano fôssemos testar os mínimos do irrevogável episódio do ano passado, mas estou em crer de que não terei errado de todo quando num artigo anterior fiz a previsão de que os mínimos estariam feitos por volta do dia 9 de agosto. Aí sim tinha sido uma bela compra, mas não é possível negociar quando se tem a cabeça debaixo das tépidas águas do Mediterrâneo, pois não? 

Agora ficamos naquela cena do costume: isto quebra a resistência já ou dá a oportunidade a quem foi a banhos de poder experimentar o poder do suporte dos 5300 pontos? Evidentemente, gramava atestar no suporte, mas não me posso pôr com esquisitices, quando o nosso amigo Mário Draghi disse no fim de semana, para quem o soube ouvir, que chegou a hora de pôr as rotativas do BCE a imprimir notas. Cheira a uma rentrée animada.

Para rematar este pequeníssimo apontamento, sugeria-vos que olhassem para a PT e me dissessem se não estará ali em preparação um saboroso short squeeze para pagar as loucuras das férias! Confiram, por favor!

3.8.14

A decisão

Como vi alguém assinalar, estamos a viver o nosso fim de semana Lehman e imagino que neste momento devem continuar a desmultiplicar-se um sem número de contactos ao mais alto nível entre o Banco de Portugal, o Governo, a Comissão Europeia (que a 18 de dezembro último aprovou um plano de ajuda a 5  dos maiores bancos eslovenos com perda total de capital para os acionistas), banqueiros nacionais e internacionais e muito provavelmente gente ligada aos governos dos principais países europeus, a começar por Espanha ou pela chanceler alemã. 

É muito provável que as notícias que têm vindo a público sobre a forma de começar a resolver os problemas do BES sejam corretas e correspondam ao que será anunciado mais logo. Claro que há bancos e fundos com algum peso internacional, como o Blackrock, o Credit Agricole ou o Bradesco que vão perder imenso dinheiro neste lance, embora seja possível montar um esquema que lhes permita não ficar completamente a ver navios (ver mais abaixo). 

Claro que logo podemos ter um comunicado do BP num sentido completamente contrário, mas vamos partir do princípio de que isso não vai acontecer.

Para os pequenos acionistas a dor e o impacto vai ser, como é evidente, grande. Creio que muitas vezes nos esquecemos de que investir na bolsa significa comprar participações em empresas e que as empresas podem falir. Investir em bolsa é como montar um negócio, com a diferença de não termos o trabalho e as chatices, mas também abdicarmos do poder decisório que confiamos ao trabalho de outras pessoas. Nesse sentido, por muito que nos custe admitir e por muito estranho que possa parecer, nada há de anormal no facto de os acionistas perderem tudo. Por mais inacreditável que pareça, o BES foi à falência e só não vai fechar portas porque isso seria o caos e o inferno. 

Convém repetir num parágrafo só, porque muitas vezes há gente que gosta de pôr flores nas palavras como se isso fosse mudar a realidade. O maior banco nacional ainda há dois meses atrás faliu! Um império com século e meio de vida deixou de existir e arrastou consigo as economias de milhares de pessoas! É inacreditável, mas para o bem e para o mal nada existe aqui que não corresponda às regras do jogo do capitalismo, que são aceites tacitamente por quem vive nas sociedades ocidentais. 

Bem sei que para aqueles que perderam parte das economias de uma forma tão estúpida e traiçoeira este pesadelo é brutal e impossível de assimilar. Fala-vos quem já perdeu imenso dinheiro em maus negócios na bolsa. Preservem a vossa saúde e tentem recuperar o ânimo! Não vale a pena gastarmos muito tempo a tentar encontrar culpados, porque essa é uma tarefa para os tribunais. A nossa tarefa pessoal vai ser tratar de aprender com isto, de maneira a garantir que possamos recuperar estas perdas logo que seja possível. Estamos convencidos de que se for esta de facto a solução adotada, apesar de ser muito dolorosa no curto prazo, ao preservar os contribuintes e ao estabelecer um exemplo, vai tornar a economia mais forte e fazer com que possamos ter uma recuperação mais rápida. Na bolsa como na vida só perde de facto quem desiste ou quem não aprende.

Se for aplicado o que tem sido noticiado, na prática, as ações dos atuais acionistas deixam de existir o que significa que vai ser possível mais ou menos rapidamente estabilizar o banco e criar, a partir do nada, novas ações que vão ser vendidas numa IPO para ressarcir o estado. É aqui que pode haver algum acordo mais ou menos tácito para que os grandes acionistas tenham uma espécie de acesso privilegiado que os recompense da perda que agora assumem. É possível até que seja estendido esse privilégio à totalidade dos atuais acionistas.

Algumas palavras sobre a forma com atuaram o BP e a CMVM. É impossível que pessoas inteligentes e experimentadas não tivessem percebido desde o início que o estoiro do GES ia afetar o BES de uma forma brutal. E é inacreditável que não se tivessem apercebido que aqueles que se mostravam interessados para entrar num salvador AC, iam rapidamente bater em retirada mal se começasse a falar em incumprimentos e proteção contra credores. E é imperdoável que se continuasse a falar como se estivesse tudo controlado. Nem sequer é uma questão de economia. É uma questão intrínseca ao funcionamento do ser humano e consequentemente da sociedade. Um incumprimento destrói a confiança e retrai o investimento. É uma lei da natureza, universal e omnipresente. 

Quanto à questão de se não ter parado a negociação do BES mais cedo, não concordo que tal se devesse ter feito. Quando o banco apresenta 3600 milhões de prejuízo, o destino está traçado e o investidor sensato tinha que fechar a posição longa fosse a que preço fosse e era inaceitável que tal lhe fosse negado. É verdade que havia sempre uma réstia de esperança (há sempre esperança) de o pior ser evitado, pelo que continuava a haver risco na venda. Quem comprou confiou nessa réstia de esperança e sabia que podia ter um lucro brutal porque qualquer subida ia ser sempre a pique. Estamos, pois, em crer que parar a negociação na quarta ou na quinta-feira seria impedir a tomada de decisões consciente quando todos já tinham a informação de que precisavam para negociar.

Por fim, uma última nota para o BPI e para o BCP. A prazo fica a ideia de que poderão ter muito a ganhar, pois afinal de contas é um concorrente direto que, na melhor das hipóteses, sai da primeira divisão da banca nacional. Mas no curto prazo, ficaríamos muito admirados se não ficassem sobre grande pressão, pois é provável que o estoiro do BES comece por levar a uma grande aversão pelos bancos portugueses. Do ponto de vista técnico, por outro lado, tanto um como o outro quebraram em baixa na sexta-feira a EMA200 o que, para nós, costuma ser sinal para bater em retirada.

Nas próximas semanas, estarei de férias. Deixo o expediente entregue ao Renato e ao Fernando. Boas férias para todos e/ou bons negócios.

1.8.14

Fim de festa

Antes de irmos de férias, não queríamos deixar de tentar perceber onde é que esta hecatombe pode parar. Olhando para o gráfico do PSI, ficamos com a ideia de que o ponto em que estamos é justamente um ótimo ponto para haver ressalto. Aliás, ou há ressalto aqui ou arriscamos mais 10 a 12% de queda já na próxima semana! Resta saber se o rácio ganho/risco é compensador. Vejam o gráfico, mas continuem a ler antes de tentarem apanhar espadas de samurai a cair do céu:


O problema é que já toda a gente percebeu que o BES vai ter que ser nacionalizado. Neste momento, com a cotação ao valor que está, e o banco com o buraco que se conhece (a que temos que somar o que se desconhece), creio que rapidamente vai deixar de haver dúvidas no espírito dos grandes investidores: entre perder os 20 cêntimos por ação que restam e ter que abichar com um montante pornográfico num AC, mais vale ficar vermelho de uma só vez! Para já ainda está tudo na expetativa, mas estamos em crer que vai ser só uma questão de tempo até que toda a gente se conforme com a má sorte que teve. Entretanto vamos ouvindo música, como a cançoneta que nos puseram hoje de que estão a desenhar uma solução mista. Dá vontade de os mandar a todos pó ca**lho! Para nós, arraia miúda, resta-nos a consolação de saber que os génios gestores de fundos da Blackrock, do Goldman Sachs ou os japonas do Nomura, que enfiaram graveto sem jeito neste navio naufragado, com artilharia pesada não fizeram melhor do que o maior pudengo caça nicas. Da próxima vez que esses exploradores de caça grossa tiverem vontade de experimentar um destino exótico como este cantinho à beira-mar, vãos-lhes esfregar o gráfico do BES nas ventas para que aprendam a ter tino! Para o BES, depois de toda a dor e choque, virá a gestão pública e, quiçá, a exemplo da CGD voltem os lucros! Até lá, temos muita pena, mas a incerteza vai ser tão grande e o impacto na economia tamanho que, tememos bem, vão andar ursos à solta na nossa bolsa! 

E já agora que estamos a falar de coisas tristes, olhemos para a PT. O que se passou na PT é um exemplo amplificado à extravagância do conhecido hábito de descapitalização de empresas que tanto entusiasma o empresário luso. Em 2010, a PT vendeu a sua participação na operadora móvel brasileira VIVO por uns incríveis 7500 milhões de euros, pagos pelos espanhóis da Telefónica que, como se sabe, também não tinham problema nenhum em contrair dívidas. Como o Governo da altura meteu na cabeça que não era possível a PT sair do Brasil, encarregaram esse sábio que dá pelo nome de Granadeiro e a sumidade Bava para nem perderem tempo e comprarem uma operadora qualquer que falasse com sotaque. De modo que a PT pegou em metade da massa da Telefónica e comprou por atacado e como se não houvesse amanhã 23% de uma empresa de 2ª categoria e semifalida chamada OI. OI! É isso daí! E que fez com o resto do graveto? Ora, que havia de fazer? Pagar parte da dívida? Que disparate! Investir? Que despropósito! Inovar? Estás louco?! Distribua-se pelo pessoal sob a forma de dividendos! E assim foi! Que gente porreira! Agora vejam o que aconteceu à cotação:


No final, graças ao nacional porreirismo e ao saque sem escrúpulos, a PT transformou-se na empresa do MEO, tendo trocado o filão de ouro pelos tostões furados, e desbaratado em três anos uma fortuna que nos pagava os juros da dívida pública de um ano inteiro. Entretanto, continuou a troca de favores entre os amigalhaços, no bom estilo uma mão lava a outra, até acontecer aquilo que ninguém tinha antecipado. Houve alguém que não pagou a conta e deu cabo dos amigos todos. Fim de festa para esta malta porreira. 

31.7.14

Para memória futura

Que me perdoem aqueles que hoje viram o património fortemente reduzido à conta da incrível história de incompetência e falta de vergonha que envolve o BES, mas há uma lição a retirar de tudo isto e que nos interessa particularmente a todos nós que estamos dispostos a arriscar o fruto do nosso trabalho nos mercados de capitais. Guardei-a, à lição, sob a forma de uma frase que o The Mechanic, um excelente forista do Caldeirão de Bolsa, usa quase como se fosse um lema:

"Os que hesitam, são atropelados pela retaguarda"

Evidentemente, a frase aparece num contexto de guerra, no caso as guerras napoleónicas, no magnífico livro de Stendhal, a Cartuxa de Parma, escrito em 1830, e cuja leitura deveria ser mandatória. Mas aplica-se, ipsis verbis, a esse autêntico campo de batalha que é a bolsa. 

No dia 8 de julho, quando surgiram notícias de que empresas ligadas ao BES tinham falhado pagamentos na Suiça, escrevemos no nosso FB: "Só mais uma achega sobre o incumprimento do GES: se estivéssemos nos EUA ontem o BES tinha caído pelo menos 50% e hoje estava, de facto, em situação de ter de pedir proteção contra credores. E olhem que estou a falar do BES e não do GES. É que um incumprimento, por menor que seja, tem um custo reputacional que atira qualquer empresa ao tapete. A situação só não é dramática porque estamos em Portugal." O BES cotava a 70 cêntimos e quem anda nisto há muito tempo sabe que os mercados não perdoam e costumam ser crueis!

Para não nos esquecermos do dia em que acabaram mais de 150 anos de história do BES e muitos foram atropelados porque hesitaram, deixo-vos a imagem do stream em fecho no Activobank.


30.7.14

O dia em que tudo se decide

Correto o comportamento do PSI19 no dia de hoje. O regresso à caixa laranja não admira num índice que tem uma das principais ações (o BES) em coma profundo e outra a esvaziar como um balão (a JMT). Vamos ter que vigiar os 6100 pontos que são a base do retângulo. Apesar de ainda esperar um bom ponto de entrada nesse valor (se bem se recordam, estava a contar que o atingíssemos na primeira semana de agosto), diria que o destino do índice vai estar nas mãos destas duas ações. 

Sobre o BES, especulativamente falando, estará mais ou menos tudo dito. Resta-nos saber, pois, a verdade dos números que vai ser possível divulgar neste momento, coisa que teremos oportunidade de conhecer mais logo. Evidentemente, nota-se que há muita gente com a esperança de que os números divulgados venham a ser melhores que o antecipado e o AC a realizar não entre no domínio do estrambólico. Creio que isso só será possível se o Vítor Bento for prudente e não divulgar a verdade toda já. É que há mil e um indícios que nos levam a crer que a procissão ainda nem saiu do adro e o estoiro no BES vai ser qualquer coisa de verdadeiramente histórico. Oxalá estejamos errados, mas a debandada dos Espíritos Santos, o cancelamento da AG, as fugas de informação a conta gotas para o Expresso, a tomada de controlo pelo Governo angolano do BESA e, acima de tudo, a dimensão das empresas em questão e a importância que elas tiveram no país levam-nos a crer que isto vai dar muito que falar e fazer correr muito sangue (para já está a fazer correr sangue azul; esperemos que não chegue ao benfiquista)! Lembram-se como começou o caso BPN? Era coisa pouca, um problema em que compensava bastante evitar o risco sistémico, mas quando a fatura final chegou, ninguém gostou dos números. Só espero que o berbicacho seja apenas descascado pelos acionistas e isto não azede para o lado dos contribuintes, mas muito francamente parece-me que a coisa vai mesmo sobrar para todos nós. E deixem-me que vos diga outra coisa que me está a assustar nesta história toda: o BP não se cansa de dizer que não faltam privados para entrar no BES e assumir um AC! Cá para mim que disto nada percebo, esses privados estavam a pensar entrar no BES de antigamente, no BES do GES que já não existe; quando perceberem que vão ter que enfiar largos milhões num banco falido que tudo o que tem para oferecer é balcões a retalho vão começar a pensar que é melhor investir em empresas como o Twitter ou coisa que o valha. A não ser que o preço seja de uva mijona!

A JMT é a típica empresa que estava caríssima porque andava a descontar um crescimento verdadeiramente exponencial dos lucros. É verdade que a operação na Polónia estava a correr lindamente, mas, que diabo, a Jerónimo não passa de uma mercearia grande! Não faz iphones, nem bugigangas caras que as pessoas se pelem por comprar. Aliás, não faz nada: compra tudo feito e vende mais caro! E, por isso, seria inevitável aparecer concorrência para chatear e travar o crescimento. Agora, a JMT vai ter que esperar até que a Colômbia comece a justificar as expetativas que plantou no cérebro de tudo quanto é empreendedor luso. Até lá, com um PER (price to earnings ratio) a rondar os 20, e uma dívida em crescimento, parece uma empresa cara! Hoje entrou numa zona de suporte forte entre os 10,10 e os 10,80€ e fez mínimo do ano. Há um canal descendente que também tem a base nesta zona (vejam o gráfico abaixo, atualizado com o fecho de ontem). Embora a empresa esteja em claro bear market (o que acaba por a ajudar a escorregar), pode ser um excelente ponto de entrada, mas se a virem a quebrar convictamente a base do suporte, é de fugir!