O meu amigo Tavares sempre acaba os discursos com uma lista das vantagens de jogar na bolsa. Se fosse quando eu era chavalo mandava-o foder na hora porque me parecia inadmissível que se utilizasse o verbo jogar em vez dos muito mais solenes negociar ou investir, mas agora que o peso dos anos já me verga e estou numa de deixar a conversa fiada para trás, acho mesmo que isto é um joguito que nós para aqui temos. E já chego ao ponto de fazer ponto de honra em assumir sem rodeios que a bolsa não passa do meu petit casino e, desde que lhes deu na cabeça para inventar os smartphones, ando tão entretido com a jogatana que, de forma paradoxal, volto a sentir-me chavalo de novo! E que bem me sabe deixar para lá o peso de palavras como investimento e abraçar o jogo pelo jogo com touros e ursos como adversários. Demais a mais, com uma probabilidade de acerto às cegas de 50% não se pode dizer que o jogo seja fatela, sendo que muitas vezes se ganha quando se começa por perder o que, parecendo que não, torna a pipoca bastante mais doce. Bem vistas as coisas, chega a ser cómico forçar o verbo investir, porque quando se investe parte-se do princípio de que nos propomos criar valor, emprego, produtos, serviços, etc., e que peva criamos nós ao arriscar o nosso pilim na bolsa? Só se for aquela parte que passamos para as mãos do fisco quando nos calham mais-valias e também é possível que se entenda que o investimento está numa fase posterior quando, depois de se ganhar dinheiro no jogo da bolsa, se canalizam recursos para atividades produtivas. Claro que eu não conheço ninguém que, depois de aprender a fazer dinheiro sem trabalhar jogando na bolsa, lhe dê na cabeça pôr-se com ideias de investir numa caca produtiva. Valha a verdade que isso só acontece se o indivíduo estiver passado dos carretos e nem é preciso irmos aos gurus dos mercados para ver que nenhum teve a fraca ideia de se pôr com canseiras depois de dar umas tacadas acertadas no jogo da bolsa. Quando muito, pode haver quem pense que investimos quando participamos em aumentos de capital e entregamos o nosso cacau a gestores que sabem muito mais do que nós e não se importam de ter a trabalheira de criar valor, mas creio que não preciso de fazer um desenho para que aqueles que vão teimando nesta forma de investimento percebam que, mesmo nesse caso, tudo não passa de um jogo em que só ganharão se tiverem uma sorte estupenda! De maneira que agora, quando o Tavares me vem com a lista das vantagens de jogar na bolsa, já não me ponho a fazer orelhas moucas como se ele fosse um indíviduo que não percebesse nada do assunto, mas ouço-o com toda a educação e tento aprender para não me estender ao comprido tantas vezes. Da lista de vantagens já aqui demos notícia, pelo que só precisam de procurar no arquivo se estiverem mesmo interessados, mas há uma que acho pertinente ao ponto de voltar a escrever sobre ela. Assegura-nos o Tavares que a bolsa nos leva a viver de forma mais despreocupada e desafogada. How come?! Ora, se estás nos mercados porque te hás de preocupar em pagar uma tainada aos amigos de vez em quando ou gastar uma dinheirama numas excentricidades aqui e ali se podes perder ou ganhar muito mais do que isso numa reles jogada? O que te impede de pagar aquele casaco de polipele à Maria se tens o que ele custa preso numa variação de décimo de cêntimo do BCP? O que te impede se, ainda por cima, isso tornar o ambiente lá em casa mais propício a que se cumpram os regulamentos em matéria matrimonial? E o que te impede de ficar calado se o BCP arriar e abichares com um prejuízo no valor de vários casacos? Tudo a ganhar, portanto, e não há melhor jogo do que este para a harmonia do lar, desde que se cumpram as regras do mais elementar bom senso: engrandecer os pequenos acertos e calar nas grandes derrotas. Numa palavra: sensatez. Se assim for, assegura-nos o meu amigo Tavares, o jogo só tem vantagens, ainda que umas noites mal dormidas possam constituir um mal necessário. Não há bela, etc. Eu fico-me a pensar que pode haver aqui salvação para aqueles que ainda sofrem com a bolsa não ser mais do que um jogo. Ao jogarem ficam livres para encherem a casa de quinquilharia alegrando a economia, criando emprego e contribuindo para a redução do défice via IVA. O que é isso se não investir? É-o e já demonstramos que sim.
23.10.14
Jogar na bolsa
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Agenda Cultural,
Introdutório,
Motivacionais
19.10.14
Russell2000 - Um barómetro
Depois de uma semana atípica,
para aquilo que têm sido os últimos tempos, já se ouvem ecos de normalidade.
Jim Cramer já anunciou na CNBC que pode-se de novo comprar ações. Uma vista de
olhos pelos principais sites americanos sobre a bolsa e respira-se o mesmo
otimismo. Quem somos nós para duvidar de Jim Cramer, mas um sinal fez-se notar
neste ultimo mês, que, a ter sido percebido mais cedo, poderia ter sido útil
para otimizar em warrants as quedas verificadas.
De
facto, bem antes de todos os índices terem vindo por aí abaixo, o Russell2000 (súmula das cotizações das 2000 mais importantes small caps americanas), um
“parente pobre” das estrelas S&P500 e DJIA, mergulhou de nariz, e, durante
alguns dias parecia que ninguém ligava a isso. Aconteceu que os outros lhe
seguiram as pisadas e, na semana passada, o ressalto foi anunciado com
antecedência pelo Russell.
Provavelmente,
atingimos o fundo nesta correção, como o anunciaram este fim-de-semana alguns
dos gurus da bolsa, mas o que é certo é que o Russell não acompanhou o otimismo
dos outros índices no fecho de sexta-feira. Provavelmente indica unicamente que a
subida não vai ser feita a todo o gás, mas convém estar atento para o
comportamento do Russell e dos outros, a ver se a tendência de chefe de fila se
mantém na subida.
16.10.14
Haverá ressalto?!
Neste momento, estamos todos com o dedo no gatilho para entrar e ao mesmo tempo com um caguefe dos diabos, não se vá dar o caso de a coisa despencar mal tomemos conta das ações que outro mais fino nos passar para as mãos. É a velha história do medo e da ganância: ninguém quer deixar fugir o bicho, mas também não estamos nada para ser atropelados pela infantaria. Se é que me entendem!
O que é certo é que o nosso índice de referência, que hoje conseguiu reassumir o segundo lugar nas piores bolsas mundiais (tinha-o perdido ontem para os gregos), leva quase 6% de queda semanal e está tão estrambolicamente sobrevendido que vai ser difícil justificar que amanhã não suba para desanubiar. Aliás, historicamente, são muito raras as vezes em que o RSI (indicador que mede a força relativa de um ativo) atingiu um valor tão baixo quanto o verificado hoje. Curiosamente, duas dessas vezes deram-se este ano, como podem ver no gráfico seguinte:
Num gráfico desde 2008 contamos 6 vezes em que o PSI20 esteve tão sobrevendido (medido em termos de RSI) quanto hoje e em todas elas deram-se ressaltos de pelo menos 5%. Neste momento, um ressalto dessa amplitude colocaria o índice na zona dos 5150 pontos, mas acreditamos que pode haver margem para uma subida a ir retestar os 5320 pontos (quedas bruscas dão também direito a subidas a rasgar). Claro que não é possível perceber se o ressalto se dará já amanhã ou daqui por mais algumas sessões, mas o comportamento dos restantes índices europeus e dos juros da dívida no final da sessão levam-nos a pensar que não somos os únicos com a ideia de que uma queda semanal de 6% é, pura e simplemente, um disparate!
Deixamo-vos também o gráfico do DAX, que hoje conseguiu fechar positivo, para que possam ver como os suportes funcionam e, em conjunto com um situação de sobrevenda (inédita no DAX desde 2011) podem espoletar uma mudança de sentimento no curto prazo.
Aliás, na nossa opinião, o comportamento do PSI20 nos próximos tempos vai estar fortemente dependente do que se passar nos restantes índices mundiais, sendo certo que o nosso índice tem historicamente uma grande tendência para antecipar as quedas e reagir ao retardador nas subidas. Nesse sentido, cremos que uma quebra do suporte dos 1815 pontos no S&P, que será acompanhado, sem dúvida, da quebra do suporte que marcamos no DAX, pode colocar o PSI no caminho dos 4400 pontos que já assinalamos num gráfico algures! Mas isto já são muitas conjeturas e o que nos interessa é o que se vai passar amanhã e no início da próxima semana!
Quanto a dados para amanhã, atenções para o mercado imobiliário americano e também para um sempre importante índice do sentimento dos consumidores publicado pela Universidade do Michigan que vê a luz do dia quando faltarem 5 minutos para as 3 da tarde.
Evidentemente, nenhum ressalto ressuscita o tourito, nem nada que se pareça, e todas as entradas têm de ser feitas com a parcimónia de quem não quer andar a fugir com as calças na mão. E é claro que há a possibilidade de a nossa conjetura não deixar de ser um mero caso de wishful thinking. Bem vistas as coisas, o facto de estarmos a falar em ressalto é bem capaz de ser sintomático de ainda não haver pânico suficiente para que ele ocorra. Bem, que se foda!
Amanhã saberemos melhor. Bons negócios para todos.
Explicações para o caos
Não há dúvida de que está toda a gente meio atordoada com a forma como tudo de repente se complicou tanto. Ainda ontem estava a ouvir a ministra das finanças a apresentar o OE do próximo ano e não pude deixar de pensar como tudo aquilo que estava a ser dito ficou desatualizado desde o dia da famosa reunião das 18 horas (quem ainda tem dúvidas é ver aqui). É evidente que todo o governo sabe disso, longe de nós de o pormos em dúvida, mas o nosso ponto é que este orçamento de estado é sintomático da forma como ninguém se apercebeu de que isto ia piorar tanto.
E por que motivo estão os números da economia a revelar uma fragilidade repentina tão grande que levaram os índices europeus e americanos de máximos históricos a um eminente bear market em poucos dias? O que aconteceu de tão catastrófico?
Eis a nossa tese.
Em primeiro lugar, as economias ocidentais, de forma muito especial, as europeias continuam incrivelmente fragilizadas porque, bem visto, nada de relevante foi feito desde que a crise rebentou em 2007. E esse estoiro de 2007 mais não é do que a consequência da acumulação de tensões resultantes de um sucesso pleno e excessivo que vem de há muito tempo. Uma das nossas últimas leituras, o livro Civilização, o ocidente e os outros, do historiador britânico Niall Ferguson, conta-nos de que forma o ocidente conquistou, desde o século XVI, uma posição de domínio global assente em 6 aplicações-chave:
- Competição entre múltiplos estados que constituíam entidades corporativas concorrentes entre si;
- Revolução científica com grandes descobertas na matemática, na astronomia, na física e na química;
- Estado de direito e governo representativo;
- Avanços na medicina, com controlo das principais doenças e epidemias;
- Sociedade de consumo em conjunto com a revolução industrial;
- Ética no trabalho e maiores taxas de poupança, com acumulação sustentada de capital.
Não custa nada perceber que todos estes aspetos em que o ocidente deu cartas e lhe permitiram ganhar vantagem ou foram postos em causa por culpa própria, ou foram copiados principalmente pelos asiáticos.
Hoje, pode-se dizer que estamos a ser vítimas do nosso próprio sucesso, como tem sido de resto norma em todas as civilizações da História que atingem um elevado patamar. E notem que não estamos a dizer isto por a bolsa estar a cair. A bolsa cai porque as pessoas têm medo, da mesma maneira que há de subir quando a ganância entrar em ação, independentemente de termos o nosso modo de viver posto em causa ou não. Aliás quem hoje vende na UE e nos EU pode até ser chinês e é muito duvidoso que esteja a vender por temer o fim da civilização ocidental. Portanto, não é esse o nosso ponto!
Hoje, pode-se dizer que estamos a ser vítimas do nosso próprio sucesso, como tem sido de resto norma em todas as civilizações da História que atingem um elevado patamar. E notem que não estamos a dizer isto por a bolsa estar a cair. A bolsa cai porque as pessoas têm medo, da mesma maneira que há de subir quando a ganância entrar em ação, independentemente de termos o nosso modo de viver posto em causa ou não. Aliás quem hoje vende na UE e nos EU pode até ser chinês e é muito duvidoso que esteja a vender por temer o fim da civilização ocidental. Portanto, não é esse o nosso ponto!
É verdade que se levaram a cabo uns planos de austeridade que conseguiram essencialmente desalavancar expetativas, mas do ponto de vista económico e financeiro nada de relevante mudou. As dívidas continuam elevadíssimas, os défices estão descontrolados e, acima de tudo, o desemprego mantém-se em níveis impossíveis. Mas também, valha a verdade, o problema não tem solução, porque a dinâmica das próprias sociedades tem tanta inércia que não há força que as consiga manobrar.
Quando olhamos para o OE 2015 e vemos que acabaram os cortes nas pensões entre os 1000 e os quatro mil e tal euros compreende-se por que motivo vamos mesmo ao fundo. Como é possível que se façam tantos ajustes e cortes e, ao mesmo tempo, se continue a pagar aquilo que sabemos ser impossível pagar. E não me venham com a treta dos descontos: os descontos que pagam reformas são os descontos de quem está atualmente no ativo. E também nos estamos verdadeiramente a marimbar para a mais do que estafada guerra geracional, que só serve para nos atirar areia para os olhos. Isto tem que ver com realismo. Como é que se mantém este estado de coisas quando uma percentagem tão grande da população está desempregada e a esmagadora maioria dos jovens ou não tem emprego, ou tem emprego escravo, ou emigra? Como é que se vão cortar 700 milhões em educação, e ao mesmo tempo se continuam a pagar milhares de pensões de reforma de 2000 euros para cima? Não há dúvida de que nós nos tornamos complacentes e perdemos por completo todos os trunfos que nos tornaram vencedores. E isto é uma corrente europeia, que se deu ao luxo de pensar que ao mesmo tempo que deixava falir as empresas que criaram a civilização ocidental, era possível manter privilégios que nem no paraíso celeste existiam. A ética no trabalho acabou porque não há trabalho (na melhor das hipóteses, temos biscates), e as maiores taxas de poupança que fizeram de nós investidores e empreendedores foram liquidadas pela geração que criou o sistema de pensões que agora contribui para rebentar connosco.
Quando olhamos para o OE 2015 e vemos que acabaram os cortes nas pensões entre os 1000 e os quatro mil e tal euros compreende-se por que motivo vamos mesmo ao fundo. Como é possível que se façam tantos ajustes e cortes e, ao mesmo tempo, se continue a pagar aquilo que sabemos ser impossível pagar. E não me venham com a treta dos descontos: os descontos que pagam reformas são os descontos de quem está atualmente no ativo. E também nos estamos verdadeiramente a marimbar para a mais do que estafada guerra geracional, que só serve para nos atirar areia para os olhos. Isto tem que ver com realismo. Como é que se mantém este estado de coisas quando uma percentagem tão grande da população está desempregada e a esmagadora maioria dos jovens ou não tem emprego, ou tem emprego escravo, ou emigra? Como é que se vão cortar 700 milhões em educação, e ao mesmo tempo se continuam a pagar milhares de pensões de reforma de 2000 euros para cima? Não há dúvida de que nós nos tornamos complacentes e perdemos por completo todos os trunfos que nos tornaram vencedores. E isto é uma corrente europeia, que se deu ao luxo de pensar que ao mesmo tempo que deixava falir as empresas que criaram a civilização ocidental, era possível manter privilégios que nem no paraíso celeste existiam. A ética no trabalho acabou porque não há trabalho (na melhor das hipóteses, temos biscates), e as maiores taxas de poupança que fizeram de nós investidores e empreendedores foram liquidadas pela geração que criou o sistema de pensões que agora contribui para rebentar connosco.
E é esta conjuntura de fragilidade e de bloqueio que é posta à prova pela crise ucraniana. Ainda hoje os jornais apontam o ressurgimento dos receios em relação à Grécia (seremos nós a seguir?) como a causa primeira para as quedas do dia. Mas erram o alvo. O regresso dos gregos (que decididamente continuam entretidos no pagode, a fazer na meia) resultam essencialmente da aflição alemã, que se estampou por causa das sanções à Rússia. Foi mal medido pelos políticos europeus, ou era inevitável que assim fosse? Enclino-me para a primeira hipótese, embora reconheça que não reagir às investidas do Putin seria mais perigoso do que uma crise económica.
É verdade que os russos também não estão melhor e, ao olhar para os preços do gás e do crude, fica-se com a ideia de que já perderam o às de trunfo. O problema para nós que estamos do lado de cá da barricada, é que, como assinalamos num post aqui colocado há algumas semanas, os russos estão sempre prontos para o combate (e se não estiverem, a vodca encarrega-se de impor tranquilidade), ao passo que nós temos demasiado a perder. Mesmo sem trunfos, Putin arrisca-se a sair vitorioso enquanto nós mantemos privilégios e bloqueamos quem quer e pode trabalhar. Se juntarmos a isso a guerra que vamos ter que travar contra o fanatismo medieval do estado islâmico e a guerra contra o medo de epidemias e de catástrofes naturais não vai ser preciso fazer muito esforço para perceber porque caem as bolsas.
15.10.14
E quanto tempo de bear market?
Sobre o PSI20 estamos conversados e é evidente para toda a gente que está tão bear que parece o Zé Colmeia.
O que interessa agora é ver como estão os índices que verdadeiramente contam, para que possamos avaliar quanto tempo teremos que esperar para poder ganhar dinheiro comprando ações.
A melhor forma de avaliarmos como os mercados estão fragilizados neste momento é através de um gráfico do S&P500, o índice americano das 500 maiores empresas a nível global:
O índice quebrou em baixa a SMA200 com algum estrondo na passada 2ª feira (notem que essa quebra já não ocorria há quase 2 anos), tendo ontem ensaiado uma reconquista da mesma que não resultou. Entretanto, hoje, pelo menos por ora, vai em contramão e afasta-se de maneira bastante comprometedora. Se fechar a subir vai dar sinal de vida, mas se arriar vamos vê-lo a aproximar-se dos 1815 pontos (linha preta a negrito), onde estamos em crer que poderá encontrar suporte, se calhar coincidente com o toque da EMA50 na média móvel 200. E é aí que tudo se vai jogar: uma quebra do suporte vai quase de certeza ativar uma death cross e voilá: bear market global! Mas pode ser, deus queira, que o suporte segure, como aconteceu em novembro de 2012 (ver 2º gráfico) e o morto ressuscite. Vai ser interessante de ver, mas não lhe toquem. Lembrem-se do ébola!
Para baixo é o caminho
Continuamos a ver muita gente à espera de uma inversão a todo o momento e muitos a contar com um retomar do bull market para breve. A nossa experiência diz-nos, contudo, que o touro já foi morto há muito, desmanchado e devorado. Por quem? Pelos ursos, quem mais?!
Ponham-se à tabela que com os números que têm saído (vejam os que saíram dos EU hoje às 13:30), e com a ameaça de mais de um milhão de casos de ébola para janeiro, nem precisamos dos gráficos para perceber que o cenário está para shortar. E isto não vos estamos a dizer para ser catastrofistas, nem nada que se pareça. É que quando os mercados caem, deixam de existir produtos baratos à venda, pois o que hoje é pechincha amanhã está de borla!
A nós, os portugueses, o que nos vale é que temos gestores muito competentes nas principais empresas e o governo já nos assegurou que a economia sobe 1,5% no próximo ano! Estamos a salvo, portanto! Ironiiiiiiiiiiaaaaaaaa!!!
Por que será que o PSI20 teima em tentar ser a pior bolsa do mundo? Aonde para a queda? Mínimo histórico abaixo dos 3000 pontos, como já ouvimos alguns avançar?! Só o Senhor poderá dizer! De qualquer das formas, num gráfico que postamos há uma semana vê-se um suporte por volta dos 4400 pontos. Sabemos que é uma esticadela, mas como as coisas estão, é garantido que nos pomos lá em 3 tempos!
Não se esqueçam do guarda-chuva!
11.10.14
Destruição
Sabeis qual é o índice bolsista que mais cai a nível mundial no presente ano? O russo! Mas a Rússia não admira, porque se arrependeu da perestroika e embarcou numa deriva imperialista que cheira ao mofo pavoroso dos tempos da II guerra mundial.
E sabeis quem vem no segundo lugar do pódio? Nós, os tugas! Medalha de prata, portanto. Também não admira, uma vez que tal como os russos também nós estamos numa guerra. Uma guerra em que, infelizmente, só damos tiros nos nossos próprios pés. E nem vale a pena dizer que não somos nós individualmente os responsáveis por tanta munição mal direcionada. Não nos vale de nada dizer que não temos nada a ver com o assunto e que estamos a fazer tudo direitinho. E não nos adianta peva argumentar que nem gostamos da bolsa e que essas jogatanas não nos dizem nada porque nós somos indivíduos às direitas. No final de contas, com o PSI20 em modo voo picado, como esteve esta semana, ninguém escapa. Podem-nos vir dizer que o orçamento do próximo ano é o primeiro sem cortes, que estamos a sair do estado de emergência nacional e que um governo Costa vai ser mais amigo que os artistas Passos/Portas. Podem-nos cantar uma cantiguinha de embalar e nós até podemos adormecer, mas depois do BES e da PT terem sido destruídos é bom que preparem o corpinho porque o pau vai continuar a cair.
No início do ano, havia casas de investimento que apostavam em Portugal como um dos melhores mercados para investir e até finais de abril os números pareciam dar-lhes razão. O primeiro dos piigs estava em grande forma como fazia notar um jornalista do The telegraph e, após anos de impiedosa austeridade, estava na cara que só podia haver uma pujante recuperação.
O que ninguém contava era que os nossos Mourinhos da gestão, os special one da arte de manobrar empresas, saíssem tão maçãs podres. É evidente que uma empresa abrir falência é uma situação normal da vida e até seria de esperar que as empresas portuguesas tivessem que fazer um ajuste mais ou menos brusco depois da euforia de anos em que vivemos com a mania de que queríamos ser os melhores do mundo. Mas o que se está a passar em Portugal não é ajuste, e está para lá de uma falência em que por diversos motivos a empresa deixa de ser competitiva. Ao que estamos a assistir chama-se destruição. É saque e incompetência no mais alto grau. Depois do episódio BES, ter acontecido o que aconteceu à PT é mau de mais para a nossa reputação como país e tememos bem que muitos dos que cá estavam dispostos a investir, nos tomem agora apenas como um destino exótico em que vale a pena dar de vez em quando uns raides para sacar umas massas e fugir. Entregar a PT a uma empresa absolutamente medíocre e a uma gestão brasileira apenas interessada em sacar dinheiro devia-nos deixar com vontade de fazer justiça popular.
Para finalizar, deixamos um gráfico do PSI20 só para dizer que na sexta-feira foi ensaiada uma vela Portas, com muitos na expetativa que se lhe seguisse o mesmo que sucedeu em julho de 2013. Temos muitas dúvidas, até porque agora o irrevogável é mesmo para valer: ninguém ressuscitará o BES, e a PT é brasileira! De qualquer das formas, o pessimismo atingiu níveis tais que pode haver o ressalto por que tantos anseiam. Se isso acontecer, os 5320 são o primeiro grande teste e temos sérias e fundadas dúvidas de que possa ser superado sem que o ocorra algo surpreendente.
8.10.14
A caminho do suporte
Se nós vivêssemos num país rico, com uma queda anual de 17% no principal índice bolsista, não só estaria fora de questão ao governo em exercício vencer as eleições do próximo ano, como era muito provável que houvesse eleições antecipadas. Mas nem nós vivemos num país rico, nem o PSI20 representa o que quer que seja na economia portuguesa, nem os portugueses têm de uma forma geral a mínima ideia do que seja a bolsa. Para o tuga médio o máximo de risco a que mandam os cânones que esteja exposto é o do sorteio do euromilhões. Eis a nossa realidade triste e enfadonha e é com ela que temos que viver quer queiramos quer não!
Entretanto o nosso deslizante (sem atrito) índice encaminha-se a todo o vapor para o suporte em que tudo se decide (linha vermelha nos gráficos seguintes):
Ou a queda para aqui ou então, meus caros, há merda da grossa no horizonte e a nós ainda nos cheira a rosas (perdõe-nos os que estão a fazer a digestão, mas nesta casa falamos com o vocabulário todo).
Uma nota mais para os que estão a estranhar os péssimos números que vêm sendo publicados relativos à economia europeia. É bom que não se esqueçam que a Europa está em guerra com a Rússia e uma guerra, ainda que seja apenas um conflito económico, nunca causa baixas apenas de um lado. Aqui há uns meses atrás chamamos à atenção para esse facto e claro que não fomos os únicos a prever que iam ser postos à prova muitos suportes nos índices europeus.
4.10.14
Diversificar a longo prazo? Má ideia!
Há duas regras que é costume associar-se ao investimento nos mercados financeiros que não andaremos longe da verdade se afirmarmos que raramente deram dinheiro a ganhar a alguém, e que mesmo assim os especialistas continuam a enfiar aos incautos como se fossem atitudes do mais elementar bom senso. Referimo-nos à regra do investimento a longo prazo e à regra da carteira equilibrada e bem distribuída, a chama "lei dos ovos todos no mesmo cesto".
A primeira regra parte do princípio de que uma empresa cotada em bolsa crescerá inevitavelmente, ainda que possa passar por naturais períodos de maior indefinição ou até de decréscimo. É a crença nesta ideia, que creio vir do tempo em que as empresas tinham negócios protegidos, com fortes ligações ao poder político (veja-se o BES) e muitas vezes assentes em monopólios (veja-se a EDP), que faz com que, por exemplo, a revista Dinheiro & Direitos da Deco só recomende o investimento em ações a quem pode dispor do dinheiro por mais de 5 anos. É evidente que a maior parte dos leitores da revista não tem arcaboiço para acompanhar os mercados diariamente, nem estaleca para sobreviver mentalmente ao sobe e desce das cotações, pelo que, ao indicar um prazo de 5 anos para um investimento se procura eliminar queixumes e garantir uma certa sanidade mental aos mais afoitos. De qualquer das formas, empatar 5 anos o dinheiro num investimento e aguentar os altos e baixos impávido e sereno, é atitude que, nos dias que correm, não passa pela cabeça de ninguém. É que o mundo acelerou de uma forma tal e a imprevisibilidade é tão grande que pura e simplesmente não existem nenhumas garantias seja do que for. Num mundo tão aberto, nenhuma empresa está ao abrigo dos solavancos dos mercados, nem a salvo da ruína ou dos caprichos dos acontecimentos. Veja-se o caso, por exemplo, da Jerónimo Martins que ainda há pouquíssimo tempo era a empresa maravilha do PSI e hoje passa por sérias dificuldades em bolsa. Quem está disposto a manter JMT confiando que a operação colombiana vai correr pelo melhor e levar as cotações outra vez para cima? Até pode ser que sim, mas manter o dinheiro empatado, apostando nessa hipótese, é conselho que não se deve dar. Se a JMT voltar a justificar subidas nós vamos saber muito a tempo, pois a inversão de tendência saltará à vista, e podemos comprar nessa altura. Eu ainda não sou um rapaz entradote, mas lembro-me perfeitamente de conhecidos meus que, quando em andava na escola, iam para o Porto negociar ações diretamente na bolsa. Nesse tempo compravam-se papéis e guardavam-se no cofre. Hoje, que diabo, compram-se e vendem-se ações ao segundo a partir de qualquer lado onde estejamos. Se a coisa no curto prazo está a dar para baixo, vende-se. Quando a tendência inverter... compra-se! Mas esqueçam comprar ações e esquecer! Esqueçam o "no longo prazo tudo sobe"! Quem precisa da segurança do longo prazo deve abster-se de negociar em bolsa.
A segunda regra é uma antiga forma de defesa contra a nossa natural ignorância sobre o futuro. Na impossibilidade de garantir que o cesto dos ovos não caia ao chão e eles se percam, manda o bom senso que se distribuam os ovos por vários cestos. Nos mercados recomendam os expertos que também se constitua uma carteira equilibrada e diversificada. Não há de dar tudo para baixo ao mesmo tempo e, se houver descidas, haverá subidas para compensar. O problema é que assim não vamos a lado nenhum, nem é garantido que as descidas não sejam generalizadas. Os mercados dão tantas chatices e fazem-nos por vezes tanto mal que não nos podemos dar ao luxo de andar nisto para aquecer e pelo nervoso miudinho da luta. Não é possível ganhar num investimento arriscado e saturante para perdemos num conjunto de tiros mal dados para diversificar. Claro que nos fundos de investimento é necessário ter mecanismos de proteção das carteiras e uma distribuição sensata do capital porque os volumes são tão elevados que não é possível desfazer posições em tempo útil e há o risco de perdas catastróficas. Mas o comum dos mortais não se livra da trabalheira de tentar identificar oportunidades dentro de um leque alargado e decidir por um número pequeno de opções. A sensatez estará em jamais entrar com, digamos, mais de 1/3 do capital em apenas uma posição, mas diversificar não é uma atitude correta para minimizar risco, podendo ser meio caminho andado para nos entalarmos de forma definitiva.
Quem quer investir nos mercados tem que saber que pode perder! Aliás, tem que estar consciente que, mais cedo ou mais tarde, vai perder. Mas também vai ganhar! E a ideia é cortar as perdas rapidamente e deixar esticar os lucros. Para que isso aconteça, nem diversificação, nem longo prazo. Recomenda-se estudo, identificação de oportunidades e atenção. E, já agora, vir ao NeB.
Uma situação exemplar para finalizar.
Há três semanas falamos aqui do BPI e dissemos que a perspetiva de o banco se poder perfilar para arrematar o NB por tuta e meia era capaz de ser suficiente para fazer subir as ações. Acertamos e o negócio correu bem.
Entretanto a cotação foi lá acima à resistência imediata e começou a plissar. Vende-se! Não interessa se o negócio se vai concretizar ou não. A bolsa não vive de situações concretas, mas de expetativas. E a expetativa deu-nos 20 cêntimos para meter ao bolso. Se quebrasse a resistência avaliava-se uma possível reentrada. Como deu para baixo é porque há quem saiba mais do que nós e esteja a ver aquilo que nós ainda não vimos. Sensatamente mantemo-nos de fora a ver onde param as modas. Entretanto, soube-se que o Carlos Costa andou por Madrid a promover o NB junto dos espanhóis e hoje o Expresso noticia que há já vários bancos lá de Espanha que são capazes de estar interessados. Onde a notícia mais pica é quando anuncia que o La Caixa, acionista de referência do BPI, pondera avançar sozinho para a compra dos restos comestíveis do defunto BES. "Para integrar no BPI" sugere o jornal! E se não for?, perguntamos nós. Se o La Caixa entrar em Portugal comprando o NB a preço de saldo e puser a posição no BPI à venda? Como é que fica a cotação das ações do BPI com 20% do capital à venda, a ter que lidar com mais um concorrente e ainda por cima a ter que entrar com 10% da diferença de preço entre o empréstimo do Estado e o preço de venda? Não sei se nos estão a seguir?! Não dizemos que vá ser assim ou de outra forma, nem sequer avaliamos probabilidades. O que queremos demonstrar é que o cenário de negócio chorudo para o BPI azedou um bocado e as cotações já refletiram isso. A nossa missão nos mercados é sempre tentar antecipar toda esta jogatana e, à falta de informação priveligiada, temos os gráficos, mas disso não falamos hoje que a conversa já vai longa.
Cuidem-se que os mercados não estão para arrivistas!
30.9.14
O Brasil e o petróleo
De entre os BRICs talvez fosse o Brasil o mais dependente de expetativas futuras. No tempo da presidência de Lula da Silva a alta do preço dos metais e, de forma muito especial, a descoberta de enormes reservas de petróleo inundaram o país de liquidez injetada por investidores deslumbrados com as promessas de ganhos que supostamente não encontrariam em mais lado nenhum do mundo.
Excitados com a teoria do peak oil, a salivar ante os ganhos brutais que os países do Médio Oriente ou até a Venezuela de Chavez tiveram quando o barril chegou aos 150 dólares e ávidos por investir as enormíssimas reservas de capital que tinham sorrupiado ao Zé Manel, não faltaram artolas a canalizar recursos absurdos para a empreitada de extrair crude de jazidas que se encontram a mais de 5000 metros debaixo do oceano. A peta de que o petróleo iria esgotar lá para 2040, que enfiavam na cabeça das criancinhas desde o jardim de infância, entranhou-se de tal forma na grande massa cinzenta global que até uma empresa de 5ª categoria como é a GALP, vinda de um país endividado até ao tutano, se avalançou aos leilões dos poços brasileiros.
Mas o petróleo não vai acabar. E nem é preciso, nem faz qualquer sentido, ir buscar petróleo a reservas que estão lá no fundo do mar, da mesma forma que é absurdo capturar um asteróide para lhe sacar os metais! E nem sequer estou a falar do shell oil que é fruto de uma tecnologia recente. Estou mesmo a falar do crude normal que existe em reservas no subsolo.
O Mar Negro (Black Sea) tem uma área 5 vezes maior do que Portugal e uma profundidade média que ronda os 1200 metros (dados da Wikipédia). Mas não passa de um pequeno charco na grande área do planeta. Está a norte da Arábia Saudita que, como sabem, flutua precisamente sobre um mar de crude.
O Mar Negro tem 547000 quilómetros cúbicos de água. Por dia consomem-se em todo o mundo uma média de 90 milhões de barris de crude, sendo que cada barril contém 159 litros de matéria-prima.
Se a água do Mar Negro fosse crude para quanto tempo teríamos reservas?
Sigam-me nesta conta e dividam o volume total de água pelo consumo diário. Não se esqueçam de reduzir tudo à mesma unidade! Provavelmente deu um valor muito grande. Dividam por 365 para obter o resultado em anos! Está feito?!
Se não falharam nada, obtiveram 104726 anos!
Aí está, amigos, se toda a água do Mar Negro fosse crude, teríamos reservas para mais de 100000 anos, mantendo intacto o consumo diário atual.
As conclusões ficam por vossa conta!
28.9.14
Má onda no PSI
Diacho, amigos! Afinal, dinheiro na PT só para quem estivesse curto ou para os que entraram nos primeiros minutos de negociação de sexta-feira. Nada de grave para os disciplinados que aguardaram pacientemente pelo sinal de arranque na quebra dos 1,85 e nem chegaram a entrar. Como no campo de batalha, também na bolsa a disciplina é um bem precioso e permite evitar desperdícios. Aliás, na PT nota-se perfeitamente as forças do mercado a manobrarem: de cada vez que a cotação parece aproximar-se da resistência saltam os ursos e despejam ações emprestadas filados num bom rácio ganho/risco. É por isso que uma quebra da resistência tem potencial para catapultar a ação coisa de 60 cêntimos para cima: a ursalhada vai ter de hibernar, o que em linguagem bolsista significa fechar posições curtas, indo buscar ações ao mercado.
Claro que, aparentemente, a saúde da PT do ponto de vista técnico deteriorou-se durante a semana, embora a vinda cá abaixo aos 1,60, seguida de boa recuperação, tenha colocado os indicadores em posição de descolagem. Agora é fácil concluir que a quebra em baixa dos 1,60 são o sinal evidente de que alguma coisa não está bem com os motores e que vai ser preciso chamar o pessoal de manutenção da TAP (it's a joke) porque a coisa já não descola. Ainda por cima quando a OI lá no Brasil continua a dar sinais de querer rebentar com a resistência, com um fecho de semana a 1,75 reais, justo em cima da dita. Mas não se esqueçam de que vai ter eleições de hoje a oito!
Mas não é só à PT que podemos ir buscar dinheiro para pôr pão na mesa. Daqui a pouco os meus amigos até começam a desconfiar que eu tenho o camião cheio de MEOS e quero pôr-vos a dar-lhes gás. Nada mais falso: nós aqui no NeB queremos como é evidente influenciar o mercado, mas não somos loucos ao ponto de entrar numa ação antes dela dar sinal de compra: como dizia o outro, antes perder um ganho, do que ganhar uma perda (ainda se fosse uma perca!).
O problema maior parece estar no PSI20 como um todo. A semana que ontem terminou era tão importante para o índice do ponto de vista técnico que nem nos passou pela cabeça que o animal se estampasse. Mas foi justamente o que sucedeu e nem o fecho de sexta-feira conseguiu amenizar o estrago feito. O nosso moribundo índice quebrou um suporte que nos parece bastante importante na zona entre os 5750 e os 5775 e a menos que volte para cima quanto antes, arrisca descambar até ao suporte-mor na zona dos 5320, quase 7% abaixo do valor a que fechou a semana. Fica o gráfico diário:
E esta semana colocamos também um gráfico semanal que, para além de nos dar uma visão fortemente tristonha do PSI20, com as médias móveis na direção e na ordem completamente errada para os touros, nos mostra que pode haver um suporte semanal na zona dos 5650.
Vai ser importante, pois, verificar como arranca a próxima semana, mas convém desde já fazer figas para que não se estejam a cozinhar novas escandaleiras neste cantinho à beira-mar, como parece pressagiar o caso Passos/Tecnoforma. Seja como for, pelo menos para já, a queda do PSI20 pareceu seguidismo em relação aos maiores índices mundiais que, tanto quanto podemos avaliar para já, aproveitaram maus dados económicos para aliviar indicadores.
A propósito de dados económicos, uma vez que os mercados se tornaram sensíveis a eles, deixamo-vos, para fechar, o link do Investing.com, para que os possam consultar praticamente em tempo real.
Bons negócios para todos.
21.9.14
A próxima semana
Se queremos ter sucesso nos mercados o melhor é manter sempre a coisa simples, quanto mais simples melhor, e ir entrando e saindo de ações que conhecemos relativamente bem. Para nós tugas, que temos a infelicidade de ter por perto um dos índices bolsistas com pior comportamento neste ano (já foi um dos melhores), não é tarefa fácil e muitas vezes dá vontade de nos pormos no piro e abalar para outros mercados. Mas isso tirava-nos uma parte da simplicidade e, pelo menos para já, aqui o NeB vai-se mantendo 100% nacional, uma coisa galharda, do género do Atlethic de Bilbao, até porque estamos em crer que, apesar de tudo, há empresas que parecem demasiado castigadas. É certo que isso acontece não porque se esteja a criar verdadeiramente valor, mas mais por estarem reunidas as condições para que a especulação funcione e faça subir as cotações. É esse o caso, por exemplo, do BPI, de que já aqui falamos.
E, seguindo esta linha de raciocínio, onde é que nós vemos dinheiro na próxima semana? Pois, amigos, digo-vos muito diretamente e nem precisamos de pôr gráfico nenhum, pois serve o que aqui deixamos num post anterior. Voto na PT.
E isto porquê?
Por causa do fecho da OI na sexta-feira passada. É verdade que nem a OI é exatamente a PT, nem o que acontece de bom à OI é necessariamente bom para a PT, mas duvido muito que a OI suba e a PT não lhe siga no encalço. E a OI fechou em máximo do dia e máximo da semana na bolsa brasileira, a um tick de encostar a uma resistência que uma vez abatida pode fazer brotar do nada reais em catadupa na conta dos acionistas (confiram aqui). Também a PT é gaja para explodir se quebrar os 1,85€ e se até a OI ajudar, porque diabo não o há de fazer? E não se esqueçam de toda a especulação que graça em torno das telecomunicações no Brasil, que pode perfeitamente fazer esquecer as dívidas colossais que estas empresas têm e os sarilhos em que estão metidas.
Na Bolsa ninguém quer saber do que vai acontecer daqui por um mês, desde que ganhe dinheiro no dia seguinte. Tudo o que precisamos é do chuto de felicidade instantânea, porque no longo prazo, já sabem, isto é sempre uma montanha russa.
Quanto ao PSI18? Vai subir.
15.9.14
O BPI
Sem nada de relevante para dizer, vou-me mantendo calado que a bolsa também é feita de silêncios.
Hoje, porém, volto a olhar para o BPI. Depois dos acontecimentos do fim-de-semana, envolvendo o Novo Banco (grande barracada aquela foi e continuará a ser), fica-se sempre na expetativa de ver como se vão amanhar os restantes bancos. A verdade é que as notícias para o lado do BPI parecem mais engraçadas do que para o outro banquito da nossa praça, se bem que não seja de excluir que a subida de um impulsione o outro.
A perspetiva de, por tuta e meia, poder avalançar-se ao negócio do Novo Banco é capaz de contribuir para nos alegrar um pouco mais a conta bancária, se nos conseguirmos colocar do lado correto do mercado. Dá-me a ideia de que com o Governo à rasca para vender, sem que haja abundância de interessados, vamos ter o Ulrich a ficar com vontade de assumir os galões de DDT. E o negócio é capaz de ser engraçado. O BPI tem que entrar com 10% da diferença entre os 4 mil e tal milhões e o preço da venda, mas o BCP ou a CGD vão ter que assumir 20 ou 30%. Pode dar-se o caso de o BPI comprar por um preço que faça parecer os 10% uma bagatela, ao mesmo tempo que entala a concorrência. Não há dúvida de que o jogo, no mínimo, promete. E nem sequer estamos a entrar em linha de conta com os depósitos que entretanto estão a transitar do ex-BES para os bancos que restam e que, no limite, devem chegar para colocar os rácios de acordo com os mandamentos dos testes de stress (aliás, se eu fosse adepto de teorias da conspiração, coisa que não me seduz, diria que liquidaram o BES para salvarem os outros todos e evitar que a banca portuguesa colocasse o país ainda mais de pantanas).
Entretanto, tecnicamente, o BPI está num ponto em que ou vai ou racha: aquela SMA200 (a vermelho), uma vez quebrada, vai permitir dançar o bira. Que assim seja!
5.9.14
Dear Telephone
Na proposta de hoje da rubrica "Música para festejar os ganhos em bolsa" deixamo-vos com uns amigos cá da minha terra.
4.9.14
A festa de Super Mário
Esteve boa e bonita a festa que o Super Mário patrocinou e espero que todos tenham conseguido ficar com um bocadinho do bolinho que foi crescendo ao longo do dia. Aliás, quem leu o que dissemos na nossa rentrée acerca das palavras do presidente do BCE e agiu em conformidade, é bom que se chegue à frente para pagar uma jantarada porque no BCP vamos com 20% de subida, no BPI com 13% e na PTC com 23%. Não tem comparação com a Glint, que subiu 40% esta semana, mas já ninguém se pode queixar!
Agora que já distribuímos as medalhas, convém olhar em frente para tentarmos perceber o que pode suceder a partir de amanhã. Claro que com valorizações destas vem aí a tradicional realização de mais-valias, pelo que a questão que queremos discutir nem é se teremos queda amanhã ou não. O que interessa é se haverá possibilidade de estar invertida definitivamente a tendência no PSI18 ou se o foguete está para rebentar. É que a notícia que o Marocas nos deu é boa e temos em marcha um plano de compra de ativos, mas não se trata de um verdadeiro QE, o que pode trazer motivo para desilusão no curto prazo (embora hoje não se tenha notado). Também não é de entranhar um sell on the news (que teria um efeito de mais ou menos curto prazo), ou um voltar de atenções para outros problemas como o conflito ucraniano ou os testes de stress à banca ou mais coisas que o mercado se encarregará de fazer brotar.
Olhemos para o gráfico do PSI20:
No curto prazo parece com ganas de regressar à caixa laranja e pode ser que tenha unhas para ir lá acima testar o topo nos 6350-6400. Uma vez dentro da caixa (o que pode acontecer já no fecho de semana) a base passa a ser um suporte óbvio, mas até lá o mais rijo parece ser o dos 5775 (embora as médias móveis possam suster uma crise de mãos leves). O cruzamento da EMA9 para cima da EMA21 foi um bom sinal de força e parece haver cada vez mais gente disposta a acreditar que a subida é para valer e que os 8% de queda anual do índice, apesar do colapso do BES, são um despropósito. Se assim for, os adeptos do entra e sai são capazes de começar a serem substituídos pelos que vestem a camisola do entra e fica!
Mas porque é que o índice hoje não fechou em máximos?
A resposta é muito simples e dou-vo-la na forma de gráfico das nossas ações de eleição de há duas semanas. Confiram:
Os gráficos falam sozinhos e em todos eles vemos o que fez os investidores mais atentos desatarem a vender nos minutos finais da negociação, contribuindo para uma certa hesitação final do PSI. O que vale a quem está dentro é que qualquer uma destas resistências cai se a marrada for de touro bravo e não é difícil perceber onde se encontram os suportes que podem tranquilizar os mãos leves. Para além disso, o RSI ainda não está em sobrecompra, pelo que, apesar de o movimento a olho nú já parecer vir esticadote, a análise técnica diz que ainda há espaço para puxar mais.
Vemo-nos amanhã... no sítio do costume!
2.9.14
Os russos
Numa das nossas últimas intervenções dissemos que achávamos fundamental ao bom trader a leitura de livros de história em vez de desnecessários e pouco interessantes livros sobre bolsa que muitas vezes mais não são do que manuais de auto-ajuda. Pois bem, agora concretizamos.
Uma das leituras a que deitamos mão nas férias foi o magnífico "A queda de Berlim 1945" do historiador inglês Antony Beevor.
O livro narra, como o próprio título indica, os acontecimentos que, nos primeiros meses de 1945, ditaram a implosão do regime nazi e a consequente destruição da Alemanha e da sua capital. Evidentemente, foi o clímax de uma época em que o nível de destruição e de completa selvajaria entre seres humanos foram levados e um extremo como jamais terá acontecido em toda a história da nossa existência neste planeta. E o livro faz uma descrição, quer do ambiente entre os civis, quer das manobras dos militares que não economiza nos detalhes e que, por isso, nos transporta para um mundo que ninguém pode colocar a hipótese de que se venha a repetir.
Um dos aspetos que salta à vista no texto é o facto de a larguíssima maioria das páginas dizerem respeito aos feitos militares dos soviéticos e às decisões mandatórias que a partir do Kremlin Estaline despachava para os seus generais. Para o soldado soviético não havia outra saída que não a aniquilação e humilhação completa do inimigo. Para ele, cair prisioneiro era pior do que morrer, porque significava o terror dos campos de concentração nazis ou o gulag da Sibéria se se desse o caso de ser libertado. Foi a ferocidade destes soldados soviéticos, aliada ao número impressionante de efetivos que, em grande medida, tornou possível desmatelar a máquina de guerra nazi.
É certo que, depois da operação barbarossa, cabia aos russos uma grande quota parte da sede de vingança contra os nazis, mas que dizer dos franceses que viram a sua capital invadida e subjugada ou dos ingleses que foram bombardeados sem piedade meses a fio? A verdade é que os russos agiam com a frieza daqueles que nas maiores adversidades parecem não hesitar, porque tinham a certeza de que todas as alternativas eram infinitamente piores. Com os corpos cheios de álcool (quando não líquido dos travões ou combustível de avião), os soldados soviéticos violaram e mataram sem piedade nem problemas com as baixas que sofriam (na invasão de Berlim, as baixas entre os soviéticos foram incrivelmente superiores às baixas nazis) porque do Kremlin vinha a voz de comando que tinha de ser obedecida sem hesitação.
Hoje estamos outra vez em guerra com os russos. Felizmente, ainda não há soldados nos campos de batalha, nem se perspetiva que tal venha a verificar-se (para além do que acontece no leste da Ucrânia), mas estamos numa guerra que os russos têm todas as condições para vencer, porque, tal como aconteceu há 70 anos atrás, tirando meia dúzia de renegados do sistema (como por exemplo as excêntricas Pussy Riot), a maioria dos russos sabe que não há alternativa senão seguir o líder. É por isso que as sanções que os ocidentais lhes estão a aplicar, e que tanta mossa fazem na população, não estão a surtir efeito e é provável que este episódio ainda venha a azedar bastante mais.
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