11.2.15

O caso ucraniano

Ver a dupla Merkel/Hollande fazer uma visita a mestre Putin pode parecer a muita gente uma oportunidade de ouro que está a ser dada à paz na Ucrânia, mas a nós parece-nos mais que se está a atirar achas para a fogueira.


Do ponto de vista russo, é evidente que a visita da dupla de ouro acaba por soar a um come to papa, numa altura em que se começam a ouvir com insistência queixumes acerca dos prejuízos que a guerra económica em curso nos está a infligir.

E a realidade é que o czar Vladimir continua a ter tudo para poder levar a bom porto a guerra fria contra o ocidente que, para já, vai travando apenas no leste da Ucrânia (neste momento, parece claro que está mais perto de nos vergar do que em maio passado):
  • O poderio militar russo é absolutamente avassalador (a ideia do Obama de armar os ucranianos para dar luta aos pró-russos deve chegar para nos pôr de cabelos em pé, pois legitimará a intervenção russa na defesa dos russófonos em território inimigo e levará, inevitavelmente, a um agudizar do conflito com consequências imprevisíveis);
  • Na frente interna, por muito má que possa ser a situação económica russa, jamais Putin enfrentará pressões por parte da população como as que existem na Europa ocidental (veja-se a tremenda pressão a que nos está a sujeitar a crise grega);
  • O povo russo é por natureza condescendente para com os políticos, paciente quando as coisas não correm bem (a vodca ajuda) e patriota a um nível doentio (nada disto sucede na Europa ocidental).
Curiosamente, contudo, não é a força dos russos que mais desnivela em todo este jogo de xadrez planetário, mas antes a falta de legitimidade do ocidente. 

O problema ucraniano resulta do falhanço completo de uma nação que, desde que nasceu, em 1991, foi sabotada pelos russos e saqueada por oligarcas e governantes corruptos que não souberam aproveitar o colapso da URSS para construir um estado sólido de que ninguém se sentisse excluído. Os pró-russos do leste, que se já se haviam sentido traídos quando viram as suas casas mudar de país durante o colapso soviético, não tiveram pois qualquer motivo para se tornarem mais ucranianos em todo este tempo e não admira, por isso, que agora sejam a ponta da lança de Putin na reconquista de território e influência.

Acontece que o ocidente que agora luta supostamente para manter o que resta da integridade territorial ucraniana e contra a reconquista russa é o mesmo que se manteve em silêncio perante a sabotagem de vinte anos que levou ao aumento dos que se convenceram de que ficaram mal servidos com o negócio de 1991. E hoje em dia a percentagem de pró-russos no leste da Ucrânia é tão avassaladora que, pelos padrões ocidentais, podemos estar perante uma situação em que se torne legítimo falar em decisão soberana e democrática do povo a opção pela secessão e a junção à federação russa. E esse é o argumento fatal do Kremlin contra o qual esbarramos nós: os russos não estão a invadir nem a fomentar revoltas, antes a prestar uma ajuda (quase humanitária) aos que reconheceram que foram enganados e pretendem regressar às fronteiras pré-perestroika.

Portanto, sem qualquer espécie de legitimidade que nos possa camuflar as nossas reais intenções de impedir um crescimento da influência de Moscovo, e com a guerra económica a fazer ricochete, começa a ser evidente que estamos metidos num sarilho que dificilmente se poderá resolver de uma forma razoável. E quando o ex-secretário geral da NATO vem admitir que os bálticos (membros da NATO) podem ser o próximo alvo russo começa-se a perceber que esta brincadeira pode ter consequências assustadoras. Ou Putin está mesmo louco, ou os nossos andam a pôr-se tão a jeito que o homem está a dar em megalómano!

6.2.15

A bomba nuclear dos caloteiros

Ninguém minimamente conhecedor das regras de funcionamento do mundo acredita que seja possível renegociar os termos acordados num empréstimo por inércia de bom-senso, por peso na consciência do credor ou porque o devedor se humilha até ao chão, fazendo profissão de fé no progresso das negociações. Quando muito, dessas formas, acabaremos num ato de caridade que mais não fará do que complicar a posição futura do devedor perante o credor.

Se excluirmos a violência, o devedor tem ao seu dispor apenas uma ferramenta verdadeiramente válida se quiser forçar o credor a uma renegociação das condições de um empréstimo. A arma do devedor está na boca e custa apenas a canseira de pronunciar duas palavras: "não pago". 

Na sua tremenda simplicidade o "não pago" encerra a potência de uma bomba nuclear e, tal como uma arma de destruição massiva, o seu poder está mais no efeito dissuasor do que na sua própria utilização. É que, uma vez largada, a bomba produz efeitos difíceis de antecipar e que só por milagre (ou graças a uma extrema fraqueza do agredido) não acabarão por atingir o agressor.


Idealmente, a utilização da bomba nuclear por parte do devedor deve ser uma hipótese, mas apenas na cabeça do credor, de maneira a que este se sinta forçado a escolher entre o mal menor de uma renegociação ou o desastre da perda total. A tarefa do devedor consiste, portanto, em tornar credível essa hipótese, fortalecendo a sua posição negocial à custa da incerteza do prestamista.


A credibilidade do "não pago" reside no rácio ganho/risco para o devedor que a sua utilização implica. O devedor que não paga fica com o dinheiro que, em condições normais, teria que entregar ao credor, podendo usar esses fundos para suprir as suas necessidades. Em contrapartida, ao não pagar, incorre em perda de credibilidade e dificilmente encontrará novos financiadores se as voltas da vida o obrigarem a voltar a socorrer-se de terceiros. 

No mundo dos indivíduos, tirando considerações de caráter moral, o devedor e o credor encontram-se, pois, perante um problema com duas consequências opostas cuja soma lhes dirá se a bomba nuclear é plausível ou não. 

No mundo dos estados, para além de um sem-número de variáveis que é necessário levar em linha de conta (participações cruzadas, necessidades de financiamento, recursos naturais do território, etc.), há duas complicações acrescidas com que é necessário contar:
  • por um lado, apesar de poder reter os fundos que teria que entregar ao credor, o devedor pode facilmente achar-se numa situação em que deixa de conseguir satisfazer as suas necessidades. É que o dinheiro não mata fome a não ser que possa ser trocado por mercadoria e dificilmente um estado que decida não cumprir acordos internacionais poderá escapar a sanções;
  • mas o estado credor também enfrenta um risco acrescido. É que a falha por parte do devedor leva ao incumprimento de obrigações para com os seus próprios cidadãos, criando tensões sociais e económicas difíceis de antecipar e que podem ter um impacto muito duradouro.

Seja como for, há alguns fatores que concorrem para dar força à ameaça do devedor:
  • se a sua intenção de renegociar provir da avareza e não do desespero encontra-se desde logo numa posição de partida de muito maior conforto, porque pode fazer crer ao credor que tem fundos suficientes para suster o impacto imediato do "não pago";
  • se dispuser de aliados poderosos ou se conseguir colocar-se numa posição em que se torna útil a concorrentes do credor pode criar a sensação de que irá contornar as dificuldades criadas pela desconfiança que gerará ou pelas sanções que lhe forem impostas;
  • no caso dos estados, é muito importante para a força destabilizadora de um eventual "não pago" o facto de a população do devedor ser manipulável pela propaganda e aceitar de ânimo leve os sacrifícios que decorram do braço-de-ferro a que os governantes se entregam;
  • se o credor estiver dependente do devedor no fornecimento de um qualquer bem de necessidade inadiável ou se houver por parte de quem deve uma qualquer questão mal resolvida (um gato preso com o rabo de fora). 
Quando vimos os do Syriza ganharem as eleições na Grécia, com todas aquelas promessas de negociação intransigente com os credores, chegamos a pensar que iríamos enfrentar uma situação de ameaça velada do uso do "não pago", o que, vindo de um partido que se diz radical assumiria desde logo contornos que lhe davam à partida uma certa força. Os radicais são, por definição, intransigentes com as suas convicções e pouco dados a razoabilidades. É certo que não topamos nos gregos nenhum dos fatores que poderiam dar força a uma bomba nuclear mental (têm ensaiado uma colagem mal amanhada à Rússia, mas a coisa tem sido pouco credível), mas viamo-los tão afoitos que achamos que era mesmo a isso que vinham.

Ora o que vimos até agora não mete medo a ninguém e aquilo a que temos assistido nestas semanas de novo governo grego não passa de uma pedinchisse barata e infantil (um conto de crianças, como disse o nosso PM). Ninguém verdadeiramente está a ligar peva aqueles dois desengravatados que vieram da Grécia de mão estendida (neste momento, está a meter muito mais medo a Ucrânia) e, se nada de mais forte conseguirem fazer, não vai tardar muito até que os gregos se apercebam que vão mesmo ter que começar a fazer pela vida. A imagem do Juncker a levar pela mão o Tsipras (provavelmente para lhe dar um puxão de orelhas nos bastidores) é bem clara acerca da atitude da Europa para com estes pretendentes a caloteiros sem bomba nuclear.


Até agora, efetivamente, andamos a sobrestimar os gregos!

3.2.15

Galp

Mal o mercado abriu houve um senhor simpático que nos vendeu Galp no mínimo do dia. Parece que não, mas há muita gente boa nos mercados e às vezes somos nós que aliviamos a carga que o nosso próximo carrega! Temos que ser assim, uns pelos outros, porque num mercado bull há dinheiro que chegue para todos e até sobra! É certo que o PSI ainda navega em águas turbulentas, mas só os distraídos ainda estão com dúvidas de que isto vai bombar e não vai ser nada pouco. Ámen!

Com a troca que fizemos, enhorabuena, de BCP comprado ontem por BPI (que deu sinais de correr mais depressa) a que há que somar o incrível salto da Mota (finalmente!), já podemos enfardar marisco no Ramiro sem correr o risco de ficarmos mal dispostos!

Falemos da Galp.

Preocupa-nos o facto de o target do duplo fundo se ter atingido hoje, mas com o petróleo em modo short squeeze não descartamos a hipótese de irmos ao topo do canal fechar o gap nos 10,43€. Uma vez que o movimento está um bocado esticado (tal como no petróleo) não será de admirar uma vinda à base do canal nos 9,65€ (ou até aos 9,50 onde se encontra a EMA9), esperemos que depois de ir lá acima. Dê por onde der a verdadeira fronteira bear/bull na Galp está na zona entre os 11,30€ e os 11,80€, pelo que ainda temos pano para mangas até chegarmos ao momento de todas as decisões! Confiram, por favor.

2.2.15

Jerónimo Martins

Não sei se concordam comigo, mas não consigo deixar de pensar que a Jerónimo Martins fechou justo na fronteira bull/bear


Nos próximos dias pode quebrar a SMA200 e ao mesmo tempo romper para cima de um canal que não rompe há quase dois anos. Uma vez por cima, há um íman instalado no fecho do gap na zona dos 11,60-80. Para o médio prazo, só uma quebra consistente dos 13 euros abre os horizontes. 

Estava apenas na dúvida de saber se a JMT poderá ficar bullish sem que o PSI20 se amande para cima dos 5400, mas desde que soube que os gregos estão numa de fazer cedências na questão do haircut fico esclarecido: vamos subir! 

Agora é a velha questão de saber se este será o cavalito mais fresco para ir à luta. Uma coisa é certa: boa saúde aparenta ter!

Adenda: depois da boa reação de hoje à aproximação da SMA200 por parte do S&P500, fica para já posta de parte a "descida americana" que colocamos como hipótese ontem. Amanhã é outro dia!

1.2.15

Descida americana?

Fecho de semana no S&P500 fora do canal ascendente pela primeira vez desde outubro. Foi por pouco, mas não nos escapou o facto de ter ficado com ar tristonho. O segundo falhanço na aproximação a máximos, que só não foi pior porque o máximo relativo acabou em terreno neutro, está a fazer mossa. 

O curioso é que as notícias da frente económica têm sido boas, com o crescimento a revelar-se consistente e o desemprego em valores de sonho para os padrões europeus. Mas os mercados são como aqueles bacanos que, apesar de terem tudo de que precisam no presente, vivem infelizes e em sobressalto com medo permanente do futuro. Por isso, já se estão a encarregar de construir um cenário de subida das taxas de juro que vai fazer o seu caminho, levando-nos para o próximo ciclo económico (não se admirem, se o índice cair na sexta-feira se a taxa de desemprego sair abaixo dos 5,6% previstos: nestes valores de quase pleno emprego quanto mais descer, maior a probabilidade de a Fed subir os juros).

Na próxima semana, vamos estar atentos a uma aproximação à SMA200 (linha vermelha), já que uma quebra em baixa, com volume forte, pode espoletar um acelerar da descida. Para cima, só ficamos otimistas se o virmos quebrar os 2064 pontos porque eliminaríamos o cenário de máximos relativos sucessivamente mais baixos. 

28.1.15

O homem enforcado

Apenas um post didático para fechar o dia.

De acordo com os mandamentos da análise técnica, o DAX fez hoje uma vela que os nossos amigos brasileiros chamam de homem enforcado, que é uma figura em forma de martelo que costuma sinalizar inversão de uma tendência de alta. A confirmação pode chegar amanhã com um fecho em queda. E numa possível correção estamos a olhar para os 10450 em primeira instância, mas parece-nos razoável admitir um movimento até aos 10000 pontos.

Ponto da situação

O PSI20 corrigiu como era inevitável que corrigisse e mantemos que pode encontrar suporte num dos pontos que indicamos no post anterior. 

Um desses pontos é a EMA9 que foi, curiosamente, o mínimo do dia de hoje (gente atenta, foi a jogo). Se tivermos uma correção de muito curto prazo por aqui deve chegar e vamos subir amanhã. Se a correção for mais expressiva vamos à zona dos 5060 pontos, onde os muitos que se guiam pelas médias móveis se vão sentir tentados a deitar uma mão e amparar a queda. Na possibilidade de uma quebra temos os 4900 como derradeiro limite antes de voltarmos à cepa torta. Quebrou: queimou!

Francamente, digo-vos desde já que não me acredito que a queda vá ficar por aqui. Dá a ideia de que o mercado está filado em que o Tsipras seja um fulano razoável e venha às boas com mais ou menos cedência. Mas o que estes 3 dias de governo grego nos estão a dizer (e o mercado ateniense não desmente) é que a parada está de facto muito alta e a Grécia do Syriza vai ser intransigente na defesa daquilo que é o programa do governo doa a quem doer e custe o que custar. Para se perceber melhor o que está em causa, em vez de ouvirmos analistas tenrinhos opinar sobre o certo e o errado como se fossem verdades absolutas, recomendo-vos que vejam esta curta entrevista do Joseph Stiglitz. A propósito, digam-me se a forma como a Grécia se colocou hoje ao lado do Putin nas sanções que a UE quer aumentar não é de craque! Francamente, estes dois dias de Tsipras já me chegam para perceber que, para o mal ou para o bem, mudar vamos de certeza. E os mercados não costumam gostar muito de grandes mudanças...

Evidentemente, temos o plano do BCE, mas essa notícia já lá vai longe e é provável que os que alocaram dinheiro aos mercados por antecipação moderem os ímpetos à espera de ver onde param as modas.

Uma palavra para a banca lusa que está a passar por um mau bocado. 

O BCP esparramou-se feio e o gráfico é elucidativo. Vemos suporte na base do canal no intervalo 5,4-5,8 cêntimos. Se nem a aproximação do PSI20 à resistência, nem o plano BCE o animou, quem somos nós para acreditar que o trengo acerte o passo agora? Arrenega!


O BPI nivela pela mesma bitola: fujam dele, mesmo que os resultados agradem. É que não nos vale de nada andar a contrariar quem mais pode: e esses estão vendedores! Diríamos que hoje houve quebra de suporte (embora não discutamos com quem disser que ainda se pode salvar). O fecho em mínimos e o volume crescente é que não nos deixam descansar e fazem-nos acreditar que a ida aos 70 cêntimos não parece descabida. A conferir mais tarde!


É incrível como estas coisas na bolsa são tão voláteis e tão depressa passamos de uma situação em que a quebra de resistência nos pode projetar para altos voos para um cenário em que já estamos a pensar na validade de suportes. É assim mesmo: talvez amanhã tudo mude outra vez e tenhamos uma aproximação à resistência. Se assim for, voltaremos a falar!

23.1.15

PSI20 na resistência

Semana encantadora nos mercados e, com o alto patrocínio do BCE, tivemos enfim aquilo a que fizemos referência aqui (mais de 10% de subida no que vai de ano e 14% desde os mínimos no que ao PSI20 diz respeito). 

No final, contra o nosso prognóstico, até a PT ajudou à festa e foi mesmo a medalha de ouro da semana (deixá-la fugir acabou por constituir o momento negro semanal, mas não faz mal: o mercado é generoso nas oportunidades que fornece).

O PSI20 acabou a semana a embater com estrondo contra a grande resistência dos 5350 (foi mesmo o máximo do dia) e acusou o toque. O estado de sobrecompra do índice e a anemia da banca (BCP e BPI a braços com problemas diferentes, mas ambos preocupantes) acabaram por tirar o gás e a coisa só não deu para torto porque o BCE foi tão mais ambicioso no programa que apresentou que nem deu hipóteses para sell on the news nos principais índices europeus (no final, toda a gente acabou a marimbar-se para os gregos). No semanal (gráfico 2) o PSI20 fecha justo na EMA de 21 períodos, sendo que, habitualmente, uma quebra ascendente dessa linha tem levado o índice a ficar acima dela, no mínimo, meio ano (ainda não quebrou, embora a linha tenha invertido para ascendente (verde), o que necessita de confirmação no final da próxima semana!). 

Gráfico 1 - Diário
Gráfico 2 - Semanal
Manda a sebenta que nos primeiros dias da próxima semana tenhamos consolidação do movimento, de modo a mais tarde podermos enfrentar a quebra da linha vermelha no gráfico diário e quiçá a EMA21 no semanal. Traçamos uma linha de tendência ascendente de curto prazo que, por ser muito inclinada acaba por perder validade, mas que nos pode dar um ponto de aterragem de uma correção suave (5240 a valores de hoje). Duvidamos que se fique por aí e julgamos mais credível um recuo até aos 5090 (EMA9) ou 4970 (EMA21). Uma quebra em fecho dos 4900 entorna o caldo. 

Se resolver subir, com derrube dos 5350-5400 vemos subida em marcha forçada até aos 5750. 

Entretanto, na próxima semana começa a época de resultados anuais e duvidamos que haja muitos interessados em se atravessarem antes de ser mostrado o apuro dos negócios.

Como também nós temos fim-de-semana de Violeta por cá, mais não poderemos fazer por vós nos próximos dias. Fiquem bem!

Atenção à Mota

Ontem postamos sobre cavalos e os mais desatentos até poderiam pensar que este é um blogue de cavalgaduras. Não é e, se nos derem a escolher, é garantido que aos solavancos de uma montada preferimos o speed de uma acelera. Cavalitos só para correr a pradaria num baita bull market (como faziam os caubóis de antigamente) e, mesmo assim, antes de mota. É que as motas também dão para sacar cavalos e o motor também os tem (é evidente que agora já estamos a exagerar nos trocadalhos; nota-se que a vida nos anda a correr bem!).

Adiante!

Mota temos uma no PSI20 e, por sinal, é das poucas que ainda não ativou o já famoso duplo fundo que anda a catapultar isto tudo para cima. A Mota não ativou mas a fechar nesta zona, ou daqui para cima, é hoje que o faz. Se ativa é coisa com projeção da ordem dos 50 cêntimos, ou seja, apontamos para a zona entre os 3,5 e os 3,6. Se as médias móveis cruzarem é mais um tónico que também não nos desagrada. Vale, pois, a pena verificar!


A Mota Engil é das empresas mais endividadas do PSI20 e tem pago caro por esse estado de coisas. Agora, perguntamos nós, como quem não quer a coisa: com a injeção de liquidez fresca na banca o que vai suceder aos empréstimos dos grandes clientes? Quem respondeu: vão ser melhorados, acertou! Agora é só esperar que o mercado ache o mesmo!

Claro que, com o PSI20 encostado à resistência-mor isto pode dar tudo para torto e o motor abafar. Se assim for, é questão de esperar por nova oportunidade! 

22.1.15

E agora...

Mergulhados em trabalho até à ponta das orelhas, mal temos tido tempo para admirar o  desempenho dos cavalinhos que botamos para correr nos mercados. Verdade que não tem sido necessário porque o senhor Draghi, em quem se pode confiar cegamente, cuidou deles com todo o carinho e alimentou-os à base de dinheiro fresco, de maneira que vão sorridentes e larocas a toda a brida, e é um gosto vê-los pular resistências como se fossem montadas de alta competição.


Todos aqueles que gostam dessa arte sangrenta que é a tourada sabem que, antes do touro saltar para a arena, sai o cavalo que dá umas voltas só para se exibir e colher os aplausos da multidão. Depois, quando o touro aparece, ao cavalo não resta outra solução que não seja a de correr a galope, de modo a não ser atirado rumo à estratosfera. Não sei se me entendem, mas eu gramava ver os meus pequeninos voar! E com o BCE a preparar-se para entregar aos mercados mais de 3000 euros para cada um de nós, mau será se não tivermos tourada à moda antiga nos próximos tempos.

Entretanto, o nosso amigo Natércio da Conceição, cético como de costume, vem perguntar-nos que efeito podemos esperar nos mercados de uma medida de produção massiva de dinheiro eletrónico como a que foi anunciada pelo BCE. E pede-nos que sejamos muito sucintos na nossa resposta porque muito francamente não está para aturar o nosso amor pela língua portuguesa. Postas as coisas nesses termos, só nos resta responder de forma gráfica. Abaixo colocamos o dito do S&P, onde marcamos a tracejado as datas em que foram anunciadas as 3 últimas doses de QE pela Fed. Analisai.


18.1.15

NOS

Uma das empresas com melhor aspeto técnico do PSI20 é a NOS. 

Se se confirmar que o índice tem unhas para uma aproximação aos 5350 pontos, não vemos por que não há de a ação tentar quebrar os máximos do ano passado nos 5,65.

Embora, por nós, nada tenhamos a opor a uma quebra ato contínuo, gostaríamos mais de a ver corrigir até à zona dos 5,30, para ganhar balanço que lhe permita entrar definitivamente em terreno que é virgem desde 2008.

Do ponto de vista fundamental, estamos em crer que o haraquíri da PT é mais do que suficiente para manter a ideia de que os resultados poderão florescer nos próximos tempos.


A nossa visão para o Dax

Apostamos num duplo fundo na zona dos 9400, com ativação na sessão de sexta-feira e projeção na zona dos 10450-10500.

Suporte de curto prazo na zona 9950-10050.

Com a ótima reação do S&P no fecho de semana, os futuros alemães bateram os 10300. 

Amanhã não há América e esperamos que durante a semana também não haja outro cisne negro ao estilo suiço. Se assim for, mandava a lógica que tivéssemos uma aproximação ao alvo na 2ª e na 3ª feira. Uma lateralização na 4ª. E uma correção na 5ª e na 6ª, a digerir os resultados da reunião do BCE (esperemos que com sell on the news e não com desilusão) e a antecipar a vitória do Tsipras na Grécia. O problema é que na bolsa (como na vida) a lógica é ditada pelos acontecimentos e não o contrário.

17.1.15

A perspectivar uma boa semana, nos índices, reunimos com um grupo de amigos para partilhar opiniões. Não jantamos frango, mas a conversa foi acerca de galinhas.... Não sabemos é se serão de ovos de ouro. Bons negócios

16.1.15

A minha história do dia de ontem

Grande semana nas bolsas europeias com um tímido máximo histórico no Dax, justamente ao cair do pano.

Mas para quem a semana correu mesmo bem foi para a esmagadora maioria dos suiços, que vão ficar varados com a descida de preços, nos países à volta, quando agora forem às compras com os seus francos atestados de viagra. Já agora os nossos compatriotas portugueses que estão na Suiça e são pagos em francos também devem andar todos contentes, a não ser que tenham tido a fraca ideia de terem trocado os francos por ações da bolsa de Zurique. Enfim, o jogo do costume, ainda que a jogada do banco central helvético tenha sido tão inesperada que provocou sorrisos rasgados e tristezas de falidos a uma taxa que é pouco habitual.

E agora conto-vos a minha história de ontem, porque vem a propósito, é engraçada e tem um caráter didático.

De manhã, estava todo filado na ida do Dax a máximos históricos e acabei por cometer a excentricidade de reforçar a posição longa no índice, ficando com uma exposição que, se fosse à noite, já não me deixaria dormir como eu gosto, quentinho, sossegadinho e de um sono só. Nessas condições, só um louco deixaria a roda rodar sem um stop loss e eu meti-o lá, a um valor que me parecia suficientemente confortável num dia que tinha tudo para ser de subida limpa - ficou pouco abaixo dos 9850. Digo-vos já que não costumo usar stops automáticos, porque dói-me de mais ser stopado sem ter uma palavra a dizer, mas quando os afazeres profissionais nos impedem de acompanhar a jogatana e o risco está ao nível do tudo ou nada, ficarmos ressabiados por sermos stopados de forma indecente deve ser encarado como enfeite no risco total.

E lá fui ganhar o pão para pôr na mesa.

Já no final da manhã há um amigo que me diz que o BCP já está a levar no lombo 4% por causa de uma tramóia qualquer que os suiços armaram. Má onda, pensei! Talvez o BCP não seja o Dax e o stop ainda não tenha entrado. Mas não! Vou ao smartphone e vejo que o caldo entornou feio e o índice alemão está nos 9820. Carai! Mais valia pegarmos numa marreta e irmos partir pedra, que nos cansávamos menos. Ainda por cima, o animal torrou-me o stop por pouco, num típico caso de asnus/casus.

Sem tempo para ver o que tinha aprontado aquela gente rica e cheia de coisas boas (mas sem mar), que tem uma bandeira que faz lembrar uma equipa de socorristas, lá me compus como pude e voltei aos meus afazeres profissionais.

Mais um intervalo e retomo o Dax para ver se o stop tinha valido a pena. Nada! Dax acima dos 9900, outra vez a caminho de máximo histórico. Malapata! Que fazer? 

Olhem, fui a jogo outra vez, um homem tem este vício no corpo e, ainda que saiba que a perda provoca dor, deixa-se inebriar pelo doce sabor de ganhar dinheiro sem trabalhar. E fui sem stops, atirei-me para a frente do bicho, numa de, ou isto faz o que eu acho que deve ser feito, ou escangalho-me todo. Mesmo à tuga: ou é para ganhar ou é para aleijar (lembro-me de ter lido na História trágico-marítima que os navegadores portugueses da carreira da Índia traziam o barco tão cheio de especiarias que só por milagre não naufragava: se chegassem cá ficavam ricos; se não... Era tudo ou nada!). E lá fui dar mais uma aula cheio da genica que só o medo nos consegue injetar.

Só vi em que deu a minha aventura ao final da tarde quando cheguei a casa. Surtiu efeito e cá vou eu embalado em ganhos engraçados com o Dax no coração!

Mas a história não acaba aqui. É que o Dax ontem não caiu pouco abaixo dos 9850, onde eu tinha o stop. De facto, caiu, numa questão de minutos, até aos 9580 pontos, uma perda de cerca de 250 pontos em relação ao preço médio da minha posição. Só ao fim do dia soube disso e foi quando verifiquei que, se não tivesse colocado o stop, tinha visto a minha posição fechada automaticamente quando o rapaz estava nos 9600. E então, sem fundos na corretora, já não teria tido possibilidade de recuperar, a não ser que reforçasse o capital! Daaaax!

14.1.15

Vamos subir? A PT não deixa!

Graças ao volteface na JMT o PSI20 foi beijar a primeira resistência que tínhamos marcado no gráfico, ficando claro que, por ele, a decisão está tomada: o caminho fazia-se já rumo aos 5350, deixando para trás a hipótese de se mergulhar até ao suporte 1000 pontos abaixo. Julgamos que, em condições normais, esta mini-barreira nos 4900 não seria obstáculo à altura de um índice que tem, quer queiramos quer não, diversas ações a implorar por subidas.




O problema do PSI20 é que esta subida peca por tardia e apanha os americanos claramente em dificuldades. Aquele lower high que apontamos aqui há dias foi sintoma de que algo de profundamente errado se estava a passar com o S&P e um fecho hoje abaixo dos 1994 pontos coloca o índice americano a caminho dos 1815: parece muita queda para que o nosso pequenote aguente a bucha, dizemos nós.


Mas pode ser que o S&P ressalte e volte para cima, ou que o programa do BCE puxe pelas ações europeias, mesmo com os americanos anémicos.

O problema é que nós não nos podemos esquecer de que o PSI20 tem uma doença grave chamada Portugal Telecom que, ou muito nos enganamos, ou se vai transformar num outro cancro como foi o BES. 

Não sabemos se os nossos amigos ouviram a notícia de que a Oi tem 2000 milhões de euros enterrados na PT? 

Também não sabemos se leram que um alto quadro da Oi afirmou que o adiamento de 10 dias da AG da PT é administrável por parte dos brasileiros? 

Que a Oi aguenta 10 dias sem vender a PT Portugal! 

WtF! Aguenta 10 dias?! 

Meus caros, a Oi está para lá de fodida! A Oi está à beira de fechar portas e a única salvação que tem é vender a PT Portugal! Não se trata de uma opção, nem de um negócio! Trata-se de sobrevivência! E se têm dúvidas, vejam isto! A Oi caiu 50% num mês! Se isto não é uma empresa falida, está-se a esforçar por parecer! E a PT meteu-se neste barco e agora está falida também, porque está atada com 2000 milhões de cordas bem grossas! Puta que pariu! Desculpai!

12.1.15

Notas soltas

Curiosa a divergência de hoje entre os americanos e os europeus. Estaremos a começar a ter transferência de recursos do lado de lá para o de cá? Estará tudo filado no QE do BCE?

Entretanto, tivemos a Grécia quase 4% up. Provavelmente, o povo está a pensar que não vai haver Governo ou que é possível a formação de um governo com maioria ao centro, mesmo que o Syriza ganhe!

Por outro lado, o fiasco na PT está a torrar mais 15% na cotação da Oi. A PT está a valer 643M€ e a posição que detem na Oi vale 475M€. Há 168M€ de diferença que correspondem à esperança de receber pataco do BES mau somado à esperança de que a fusão se desfaça. Parece demasiada esperança e pouca sustança, mas os mercados saberão melhor!