30.8.15

Sugestões

No post anterior, apesar do título, não vos dissemos onde víamos dinheiro em concreto e o que nos fará mover numa ou outra direção. Pois bem, fazemo-lo agora*.

Na banca, o BCP pisou e traçou momentaneamente o risco vermelho na semana passada. Foi uma chinesice na 2ª feira, mas chegou para fazer soar a sirene de alarme. Atendendo ao facto de que começam a existir lucros para mostrar, um regresso abaixo da linha encarnada é sinal de que o mercado dá de barato que vamos a caminho de mais um AC no banco e a verdade é que se juntarmos o NB às eleições polacas não precisamos de muito mais para nos pormos com ideias dessas na cabeça. Não creio que se chegue a tanto, pelo que compras na zona em que nos encontramos são quase isentas de risco, desde que, obviamente se feche a loja sem contemplações na quebra da linha vermelha. Se amanhã o dia for de verdura, vamos ter quebra da EMA21, o que pode acelerar as subidas no dia seguinte. Porém, contem com dados económicos da China na madrugada de terça-feira (eu já disse o que pensava no post anterior), e se o povo não gostar dos números pode haver um alijar de carga que nos faça voltar para baixo a galope (a propósito, tanto o DAX como o S&P500 estão naquele ponto em que se esbardalham todos se hesitam na subida). Fiquem com o nosso gráfico (recordamos que a verde temos a EMA9, a amarelo a de 21 dias e a vermelho usamos a simples de 200 dias; juntamos o RSI por ser um indicador que muita gente inteligente segue).


É certo que, nesta altura, preferimos o BCP ao BPI (parece-nos que o cenário angolano, apesar de tudo, é bem pior para o BPI que o polaco para o BCP, e quer um quer outro vão alombar com o NB). Seja como for, se quisermos sacar o nosso quinhão não vamos poder ficar à espera que o Zé Rodrigues dos Santos nos dê uma dica no telejornal, compondo aquele ar de alienígena que descobriu o planeta Zor, de que ele tanto gosta: vamos mesmo ter que ir aos gráficos que, esses, jamais enganam. No BPI entreguem a carga a outro num fecho convicto abaixo dos 90; compras não vejo sem um pulo acima dos 98 e mesmo assim vai haver melhor, de certeza, como verão a seguir:


A Sonae deu para trás apesar de me terem parecido engraçados os resultados que apresentou, mas longe de mim argumentar com esse grande maluco que é o mercado. Só se eu estivesse passado dos carretos! A verdade é que ficou desinteressante e eu só lhe deito a mão se se aproximar dos 1,08 para vender com fecho na quebra ou aproveitar o ressalto. Se a moça fugir pa riba é claramente a quebra das médias móveis no 1,20 que me faz abrir os cordões à bolsa. Até que haja novidade é deixá-la marinar!


E que tal uma musiquinha para ajudar a desmoer? Boa ideia, não é! Todos nós, que hoje tratamos os mercados como se fôssemos da família e fazemos malabarismos insanos com esta jogatana não fomos sempre assim: mad for money! Que isso jamais vos passe pela cabeça! Para chegarmos até aqui tivemos cedíssimo de começar por dar os primeiros passos nessa arte nobre, mas dificílima de tentar manobrar corações fêmea. Pela parte que me toca, iniciei-me, adolescente desengonçado e afogado em hormonas, oficialmente, em 1986 e este era um dos meus hinos (isto não vem nada a propósito, mas se vocês estão a ler este texto até aqui também não se devem importar absolutamente nada com despropósitos):


Voltemos à nossa temática.

Vale sempre a pena olhar para a Altri. Nos 3,32 está a SMA200. Uma quebra convicta em baixa é uma tragédia, pelo que o valor constitui um óbvio stop loss se a coisa se der em fecho. Mesmo que lhes tenham amor, não fiquem com elas abaixo dos 3,18 porque o amor pelo valor da vossa carteira deve estar acima de tudo (mercantilmente falando). Para cima, deixem rolar que esta é daquelas que tem um volume nos COFs tão pequenito que se a malta quer entrar tem que pagar caro e o preço sobe com uma pujança sorridente.


Deixei para o fim a que me parece melhor e aquela para que estou mais inclinado. A NOS tem um gráfico que fala sozinho:


Compras aqui têm risco reduzido. Um fecho abaixo da linha obriga a vender por quebra da base do canal. Se tiverem umas pilecas que não se importem de arriscar podem deixá-la deslizar até aos 6,80 (claro que também mas podem passar para as mãos que eu trato delas com carinho). Se der para subir, o ataque aos 8 parece trigo limpo farinha amparo, teoricamente falando.

Em jeito de remate final, dizer que o mercado está claramente numa de vamos para uma recuperação em V ou deitamos isto tudo abaixo e viramos o ano para o lado negativo. Pessoalmente, acredito que vamos outra vez para cima (atenção que as eleições tugas podem baralhar o PSI até outubro), até porque o pilau que está a sair dos chinos encaixa mesmo a matar na Europa, mas também vos digo que se houver bater em retirada não façam perguntas nem se ponham com teorias que não levam a lado nenhum: salvem o vosso dinheirinho das chamas!

* O asterisco é só para recordar que aquilo que dizemos neste momento será engolido pelos mercados no decorrer do dia de amanhã, pelo que a respetiva atualização será feita pela massa cinzenta de cada um!

28.8.15

Onde pôr o graveto?

É evidente que nós que não vivemos as emoções das últimas semanas e nos mantivemos de fora enquanto andávamos no passeio estamos em pulgas para pôr o graveto a trabalhar (o que sobrou já descansou que chegue, o mandrião), quanto mais não seja porque, sejamos francos, sempre há movimentos no cartão de crédito que vão ter que encontrar fundo mais cedo ou mais tarde! E todos nós sabemos que se estivermos a contar com o patrão para nos acudir, bem podemos sentar o rabiosque que o sacaninha está-se nas tintas para as nossas banhocas na praia de La Concha, para a visita ao Camp Nou, para a sessão de compras das catraias em Andorra ou para os mergulhos na água caliente em Peñiscola, terra do Papa Luna (não se esqueçam, meus bondosos amigos, de que sem uma grande carga cultural não se ganha dinheiro na Bolsa)! Para isso não haverá outro remédio agora que sacar o pastel de onde ele há em quantidade. E onde é esse sítio que adoça e arredonda todos os nossos sonhos? Pois bem, adivinharam: nos mercados!

Infelizmente, todos nós sabemos que o mercado é um filho da puta bastante descarado e não seria de admirar (nem inédito) que nós viéssemos agora todos gaiteiros armados em bons e com o troféu de termos escapado de boa, para logo a seguir o armante nos pregar a partida de se voltar a escangalhar connosco a bordo. Há que ter cuidado, portanto!

Como nós privilegiamos o PSI20, que para ganhar dinheiro certinho e sem grandes aventuras é mais do que suficiente,* vamos repor um gráfico que nos tem acompanhado há imenso tempo (por exemplo aqui):


Duas coisas resultam evidentes para nós:

1: Entradas só com fecho acima da linha tracejada vermelha (pode ser já 2ª feira). Nesse caso, temos como primeiro alvo o topo do canal quase 4% acima. Para baixo, base do canal em primeiro lugar e depois os 4900 pontos que, muito francamente, julgava que já não seriam atingidos este ano e acabaram mesmo por sofrer uma marrada na passada 2ª feira (a negra);

2: Com o regresso da gente graúda na próxima semana, parece-me bastante provável que rompamos para cima e haja um movimento acelerado se os números da economia chinesa (PMI) que saem na madrugada da próxima terça-feira não forem demasiado fracos (como sou um bocado vidente, já agora arrisco dizer que me palpita uma surpresa positiva - os números chineses, todos sabemos, são martelados e se botarem cá para fora uma coisa má agora é o fim da picada, pelo que isto vai seguir o percurso habitual nestas situações: os políticos vão ter que aplicar pomada!).

* Na Bolsa tudo sobe e tudo desce, seja aqui, seja na América ou na China e a informação clara e atempada é fundamental; cá na nossa terrinha, com o nosso índice esquelético, com meia dúzia de empresas para negociar, mas com possibilidade de acompanhar as poucas variáveis necessárias gastando um módico de tempo, consegue-se fazer um serviço calmo e tranquilo e que põe dinheiro no bolso desde que sejamos espertos nas entradas e intransigentes nas saídas.

Back in business

Inevitavelmente chega um dia em que as férias acabam e temos que voltar à faina, sempre com a esperança de que o pagode possa continuar noutra altura. A nós, que temos no corpo este vício do investimento especulativo, (ainda que nesta casa também se pratique o investimento produtivo), cai-nos bem que a silly season nos mercados coincida com a altura em que botamos o pé na estrada e vamos por esse mundo fora ganhar arcaboiço para enfrentar as vicissitudes da arte. E a estação é silly precisamente porque há muitos que pensam como nós e se põem a milhas, deixando o mercado entregue a pessoal que entra em histeria em menos de um fósforo! Com o volume reduzido por a gente crescida andar a banhos, é habitual a ocorrência de movimentos completamente marados que já não temos pachorra para gramar! 

Claro que respeitamos quem opta por negociar à maluca e ninguém pode dizer que aqueles que puseram o dinheiro a trabalhar neste querido mês de Agosto possa ter queixa da despesa feita: emoções fortes não têm faltado!

Particularmente, incluo-me na lista daqueles que gostam de fazer férias à patrão (com tudo incluído e respetivos extras) e não pagar nada por isso. É disso que mais gosto e tenho um segredo bem fixe para vos contar se quiserem fazer parte desse seleto grupo. Tudo o que precisam é de fazer um lote de negócios bem assentes de setembro a meados de julho (ou até abril em anos de sell in may, como tem sido este) e depois não se incomodem com os gastos em agosto. Quando chegarem, vão perceber que ganharam dinheiro: é que se tivessem ficado a negociar, a bosta feita tinha-vos levado muito mais cacau do que aquele que investiram no vosso real prazer! Vão por mim porque no que levo de prática nunca falhou! De modo que gozamos todos cá em casa como se fôssemos jogadores da bola (de um clube modesto) e quando chegamos estávamos mais ricos do que se eu tivesse ficado em frente ao monitor a ver números verdes e vermelhos: pó diabo com eles! E nem me venham com a conversa de que se tinha ganho dinheiro à bruta entrando curto e depois longo, espremendo bem as oscilações brutais dos mercados porque nesse tipo de programa cai quem acha que negociar em bolsa é coisa fácil!


3.8.15

Férias

Digam lá amigos se isto não foi um susto bem pregado: quase 3 semanas sem vos informarmos do que achamos que os mercados nos estão a querer dizer? Até parece que demos o peido mestre ou, pior, que fomos à falência ou que, ainda pior: acagaçamo-nos todos e deixamos de vez a jigajoga!

Nada disso!

Simplesmente estamos naquela altura do ano (sim, naquela altura!) em que nos pomos a distribuir o fruto da nossa arte por aqueles que nos querem bem e a quem nós amamos... e também por vós, via IRS. Somos amigos de todos e não nos poupamos a esforços para vos vermos bem! Por isso gozem e deixem as negociatas para depois.


14.7.15

Good waves

Hoje, resumidamente, deixo-vos três gráficos. Três boas ondas. Três cotadas que obedecem ao sentimento bullish. Médias móveis mais curtas por cima das mais longas. Está nos livros. Umas com melhor aspecto mas todas com uma boa dose de interesse, caso a oportunidade surja! E o que está nos livros, também, é que devemos estar preparados para as oportunidades. Portanto, adiante, vamos a elas. Às cotadas. Ao homework! Nos, Edp Renováveis e Sonae, aí estão elas! Por ordem respectiva de entusiasmo!

A Nos, parece o nosso CR7, bate recordes atrás de recordes. E a cada máximo batido, dose extra de força (outra dos livros!). Ainda há bem pouco tempo referi-me a ela. Estava na iminência de quebrar um máximo. Lá trepou, conforme anunciado, consolidou, corrigiu rapidamente (como se alguém se estivesse a ver na chatice de perder o comboio), aliviou indicadores e voltou a subir. Querem melhor consistência? No Psi20 não temos! Ontem bateu novo máximo. Se o virem quebrar, os 7,49, é de entrar. Não me arrisco num take profit e quase que já estou como o outro, "compre amigo que vai subir"! Não me atreveria a tal infundado incentivo mas que ganha pujança, lá isso ganha. Uma razão: não há vendedores pela frente! Pertinente? Eu meto pertinência nisso! 


A Edp Renováveis, perto de máximos, de muitíssimo tempo, perto de activar possível duplo fundo. Na quebra dos 6,87, parte superior daquele mini canal que forma a resistência! Projecção para os 7,50-7,60.


Sonae, outro duplo fundo em vista, quebra os 1,26 e activa projecção para os 1,38.



Nota: Para todas as cotadas mencionadas, os valores falados estão nos respectivos gráficos. Os pontos de fuga, vulgo, stop loss, caso se confirme a quebra, passam a ser o valor quebrado. Esperar por confirmação dos rompimentos e muita atenção ao false break! A partir daqui é convosco!

Por agora é tudo. E para o que seria resumido, penso que até já me estiquei! Bem, resta esperar que o Parlamento Grego dê uma ajudinha. A ver se isto anda para a frente! Termino, como habitué, com musicol, com uma recordação que a semana passada o Nos Alive me avivou. Como falei em resistências e como também, infelizmente, posso estar enganado, nada mais a propósito!
Bom fim de dia! Melhores negócios!




10.7.15

Já não há revolucionários como dantes

Como estão longe aqueles tempos dos revolucionários de esquerda que, quando botavam uma ideia na cabeça, foge que vai tudo à frente! Onde para a esquerda de Fidel Castro ou até, para referir um exemplo mais recente, do rocambolesco Hugo Chavez? Onde estão os esquerdistas maoistas, marxistas, leninistas e todos esses istas com ideias de aço, que nem vergavam nem torciam, ainda que o povo inteiro fosse condenado à irracionalidade da clausura, à penúria, e, não raras vezes, à morte?! Que caralho de esquerda radical é esta do Tsipras e dos syrizas que se acagaçam todos só porque os bancos vão falir, a inflação se vai tornar galopante e o resto do mundo vai andar a limpar o rabo às letras bancárias que eles vão emitir? Que gente é esta que perde o gás todo e ajoelha perante credores capitalistas só porque há risco sério de o povo humilde ter de ir para as filas de racionamento? Que vaipe foi aquele do referendo que deixou meio mundo atordoado e outro meio histérico para agora termos uma cedência tão clamorosa? Quem encomendou tão triste espetáculo? Quem nos paga esta pessegada com que tivemos de arrostar (onde está o nosso bailout)? Que pensaria Marx destes estarolas que se dizem de esquerda radical e que se borram todos só porque vão levar o país à falência e vão ter de mandar o exército para a rua de modo a controlar os tumultos? Que pensará a múmia de Lenine, lá no mausoléu onde o conservam em fungicida secreto, destes amadores que arrotam postas de pescada cheios de cartima e depois arreiam perante o mínimo franzir de sobrolho do capital?! Que tempos são estes em que vivemos?! 

Agora, pelo menos de momento, ignorem por favor o que dissemos aqui porque afinal parece que vamos mesmo ter chatices com a bolsa enquanto estamos de férias, uma vez que, gulosos como somos, vai haver dinheirinho que teremos que encaminhar para o nosso bolsito. Pelo menos aquela quebra do suporte nos 5350 e da média móvel de 200 dias ameaçam não passar de casos de false break, pelo que, nessas circunstâncias, há que mudar o discurso e a atitude (trocar de fato). Compreendam, fomos néscios e estávamos na fé de que o Tsipras e os amigos dele eram gente de esquerda da fibra de um Che Guevara, malta indobrável, e que entre um desvio às suas ideias feitas e uma atitude um pouco razoável, opta sempre pela aniquilação da humanidade! Vai daí, deu-nos para achar que, depois do referendo em que a austeridade foi rejeitada pelo povo unido, nada mais impediria um radical bem feito de seguir os trâmites rumo à confrontação com o capital. E que, como é óbvio, dessa confrontação nada de bom poderia vir para uma carteira bullish! Esquecemo-nos que o radicalismo obriga a arcaboiço para enfrentar a guerrilha e que Che, apesar de ter ficado bem no retrato, teve morte macaca!

Já que falamos em métodos radicais, podíamos fazer a sugestão ao Tsipras para deitar um olho aos mestres chineses. Para a queda da bolsa que remédio poderá ser mais radical do que proibir as vendas? Ah?! Foda-se, andamos nós quilhados da vida tantas vezes com os cagarolas que andam a vender e a atirar para baixo o que nós temos em carteira quando, afinal de contas, bastava que o nosso governo (essa gente sem imaginação) também os tivesse no sítio e proibisse as vendas: uma queda de 1% ainda se aceita, mais do que isso ide vender pa outra banda! Claro que, se ninguém vender ninguém poderá comprar, de modo que podem sempre abrir uma ou outra exceção, mas apenas para gente sensata como por exemplo este que daqui vos fala e para vocês que desse lado gastam tempo a ler isto! Sensatos! É verdade que, na minha humilde opinião, a medida radical dos chinos nada mais vai fazer do que aumentar o panique que grassa em Xangai! Quem é que vai botar dinheiro numa bolsa que precisa de ser protegida com proibições desse género? E se, a dada altura, me proibem também a mim de vender? E se decidem fechar os mercados (para não passarem mais vergonhas), e distribuir as ações pelos membros do comité central? E se lhes dá na veneta para serem ainda mais radicais e...

Depois disto, é bom deitar o olho ao bandido, com a celeuma que a situação exige, e vermos onde é razoável embarcar de novo na aventura. Olhemos para o gráfico do PSI20 para tentarmos perceber em que pé nos encontramos (o fecho é de ontem).


Pois bem, a situação é clara: hoje fomos diretos à linha tracejada preta que é agora resistência nos 5750! Vai haver mais boas notícias para continuarmos por aí acima? Creio bem que não: a Grécia já ajoelhou e a China já fez o ressalto de 10% que seria mandatório! Agora faltam as dúvidas para ativarem um sell on the news e venha de lá um valor mais simpático para podermos atestar da qualidade da chicha deste tourito! Para já o bicho continua morto, mas ameaça dar uma de zombie (para chatice minha que estava tão bem ao sol)!

9.7.15

Calma que foi golaço!


Quem nos acompanha já se apercebeu certamente das minhas alusões a um jogo da bola. Mas também podemos fazer disto um filme. Um filme de suspense. Com história para dar e vender. E há quem a compre e há quem a venda. E pronto, lá estamos nós a falar de bolsa!
Desta vez, ao contrário do já habitual, começo com música, serve como banda sonora para o que se segue. Boa audição, boa leitura. Que o filme seja do vosso agrado!



E ao terceiro dia, voilà, acima da sma200! Lá voltou o entusiasmo, à boleia de uns espectaculares 4%. Tinha-o escrito, sem tempo, segunda-feira passada que era a maneira de voltarmos a ganhar expectativa crescente. E se ontem, justificando-o convenientemente, começávamos a fazer as malas, hoje necessariamente damos o beneficio da dúvida ao ressurgir dos touros, ao bull market e, simplesmente,  as deixamos preparadas. 
Comentava com amigos do Bulls&Bears na terça-feira, já após a quebra de suportes importantes, que isto  já não era só Grécia e o efeito da hecatombe na China começava a fazer das suas na Europa. Como se já não bastasse o bailado Grego a fazer mossa nos índices Europeus tínhamos o problema Asiático a caminho do Ocidente. Chatice da grossa, portanto! Quarta-feira a já expectável reacção às quedas fez as cotações elevarem-se até à zona de suporte quebrada e até aí nada de novo, nada que nos trouxesse o optimismo de volta. Hoje, quinta-feira, três da matina olhava para o Shanghai, índice da China, e via-o ferozmente despencar 3,5%, em zona de suporte. Já acordado, pela manhãzinha  antes da abertura dos Europeus, vejo-o a fechar com uma subida de quase 6%. Calma, que foi golaço! Pensei eu, figurativamente! Com Pequim a fazer de tudo, sim de tudo, para estancar esta sangria, com fortes medidas em zona estrutural do índice. Que coincidências! Zona em que toda a gente põe, com ou sem bico, os olhinhos! E lá está, a confirmar que já se começava a descontar esta chatice a malta do Velho Continente abre o dia toda contente, aos pulos, em gap up! Posto isto, a somar à boa expectativa que vem sido criada durante o dia com resolução Grega lá estamos nós outra vez divididos, expectantes no rumo a seguir. Talvez lá para segunda-feira o valor de fecho da sessão nos diga. Isto se no Domingo aquela cena da cimeira, como se apregoa, for realmente definitiva! Fiquem bem, fiquem atentos!

8.7.15

I don't care

Se vocês se derem ao trabalho de irem ver o que nós andamos para aqui a escrever ao longo deste ano, sempre que nos referimos à Grécia, hão de ser capazes de reconhecer que desde logo nos pareceu que a situação iria resvalar para uma azeitada das mais foleiras. Para o bem e para o mal os do Tsipras vinham preparados para revolucionar, e não enganaram ninguém com a missão de que vinham incumbidos: dinheiro grátis para os gregos e já! Os borrachões do Olimpo não a teriam pensado melhor, nem que tivessem o divino Baco à cabeça!

Agora o Tsipras enfiou-se num buraco de que só sai, lá está, como os deuses todos a ajudar e quer-me parecer que nem com esses se salva. Aquela do referendo, tão aplaudida pela malta carente de heróis, foi uma estopada tão irracional que, para dar certo, vai ser necessário que a matemática deixe de funcionar. Nos próximos dias saberemos em que deu a aventura, mas é bom que não nos esqueçamos de que o grande problema dos revolucionários, ao longo dos tempos, é nunca terem sabido em que momento é fundamental ficar um poucochinho sensato!

De maneira que o mercado, subjugado pelo peso da irracionalidade, perdeu completamente o módico de previsibilidade que nos permite sacar o nosso quinhão e transformou-se num jogo volátil e adivinhatório. E para isso, bem, não contem connosco. Para jogo, vamos aqui.

Quem gosta de jogar, todos sabem, são os chineses. E que bem que eles têm jogado: no ano anterior a 10 de junho a bolsa de Xangai subiu 160% e desde aí (em menos de um mês) afundou 34%. Um mergulho de uma envergadura tal que se não afetar a economia mundial, então bem podem dar a carreta de milhões ao Tsipras que também não faz mal nenhum!

No meio disto tudo tivemos finalmente os índices americanos a arriar, com o S&P500 finalmente a quebrar em baixa a SMA200: é caso para perguntar onde é que o tio Sam tinha a cabeça para demorar tanto tempo a reagir (no final, foi mesmo necessário queimar os fusíveis no Dow Jones para que o povo ganhasse juízo e começasse a vender):


Para aqueles de vós que estão a salivar por um qualquer tipo de acordo que livre a Europa e o Tsipras do sarilho em que estão (estamos) metidos e que esse acordo faça explodir o PSI20, deixo-vos o gráfico que nos diz que o estrago feito é já tão grande que mesmo esse milagroso desiderato não será suficiente para nos deixar fodidos da vida por irmos de férias e perder boas subidas. Este ano vamos mais uma vez poder gozar tranquilamente o pilim com a certeza de que a bolsa só no final do verão voltará a valer a pena. Pelo quarto ano consecutivo. É obra! Três vivas à quase falência da república em 2012, 3 vivas ao sempre irrevogável acontecimento do vice premier Portas, em 2013, mais 3 vivas o Salgado e ao monumental estoiro do BES e este ano dêmos vivas ao Tsipras e aos nossos amigos chineses (que ainda por cima vão fazer a fineza de comprar o que resta do BES - se conseguirem tirar o graveto a tempo da bolsa chinesa! Boa sorte!). Com a devida vénia a quem se mantém no mercado alegremente a torrar cacau! Olhem que cheira a queimado!


Entretanto, amigos, fica um sonzinho catita para aqueles que fazem da bolsa uma festa em que, dê por onde der, chova ou faça sol, com Tsipras ou sem tripas, havemos de ganhar, carago. 


6.7.15

Sem tempo

Bem que podia, dando justiça ao titulo, escrever sobre o nosso silêncio nesta semana decorrida e justificá-lo convenientemente para com quem nos acompanha. Caros amigos, a semana foi de tal maneira intensa que tudo o que pudéssemos dizer a qualquer momento perdia interesse no momento seguinte fazendo lembrar a comparação da volatilidade a um jogo da bola que há semanas fazia referência e que um golo contra a corrente do jogo mudava completamente o rumo da partida e consequentemente o sentimento da nossa percepção. Mas vamos ao que interessa. Vamos ao presente e ao futuro. Vamos à razão do título. Escrevia, aqui, já vai para lá de dois meses que a coisa azedava e tínhamos o nosso Psi20 nos 5350. Antes de azedar por aí além tínhamos os 5940 a segurar e caso os quebrasse serviria de resistência. Reparem, foi lá duas vezes. Segurou. À terceira quebrou. Virou resistência. Namorou a zona dos 5700 e por duas vezes, também, tentou com grande embalo, abater esse valor, 5940. Não conseguiu. Veio por aí abaixo direitinho à sma200, aludido no nosso ponto de situação. Hoje quebrou-a sem apelo nem agrado e vejam onde fechou a cotação no gráfico, actualizado, simplesmente pela cotação. Vejam lá o suporte, passando a redundância, a suportar.



Como estamos em zona de azedume e a coisa pode ficar realmente feia, damos, e lá está, sem grande tempo, coisa para dois, três dias uma recuperação da sma200 que se situará nos 5500, mais ponto menos ponto, para o cenário voltar a ganhar expectativa crescente. Caso contrário, bear mode instalado. Por conseguinte, sem tempo. À Grega! Fiquem bem. Fiquem com os Sigur Rós.






29.6.15

Ponto da situação

Depois da terrível hecatombe de hoje vejam onde parou o PSI20 e comparem com o que dissemos aqui na sexta-feira passada.


Foi salvo pelo gongo ou o mesmo será dizer pela base do canal ajudada pela SMA200. Sim, porque com as coisas no pé em que estão, toda a ajuda é pouca para acudir aos medricas que se pelam por alijar a carga. Bem vistas as coisas, quando se trata de um fenómeno inovador como é este que estamos a viver, em que, de uma assentada, abre falência a Grécia no euro e ensaia a abertura Porto Rico no dólar, até o mais contumaz se acagaça. Afinal de contas, estamos a falar de territórios que usam as duas mais importantes moedas do mundo e se isto não causar estragos nas estradas por onde circula o dinheiro, então é porque o sistema financeiro mundial é sólido como o aço! E nós bem sabemos que não é! Fugir (para longe) é a palavra de ordem e tal como aconteceu com a história do Lehman, há 7 anos atrás, muitos vão-se pirar e só depois perguntar se há motivo para tanto. 

Entretanto, o PSI20 acabou nessa zona em que se decide o futuro no médio-longo prazo. Uma quebra aqui, mantendo-se abaixo da média móvel por 2-3 dias, implicará mudança de tendência e muito más notícias para a economia portuguesa como um todo (e não se deixem enganar pelos que defendem que o índice português não representa a economia; ao conter uma parte tão significativa da banca, tem um efeito muito direto no desempenho das empresas e, por conseguinte, na economia como um todo). Abaixo, vemos como provável um ressalto nos 5250-5320 (linha tracejada a vermelho), seguido de reteste (crucial) à média móvel:


Entretanto, fiquem com um documentário do Discovery sobre o corralito argentino que, em 2001, levou à queda do governo do presidente Fernando de la Rúa em menos de uma semana.

28.6.15

Revolução

Não é preciso ser grande conhecedor de História para saber que a esquerda sempre preferiu a via revolucionária para resolver os dilemas sociais com que os povos se vão deparando. E não há mal nenhum com essa via que será, em princípio, tão legítima quanto qualquer outra. A revolução é uma opção de natureza radical para levar a mudanças profundas numa sociedade, através de um processo que é contra-intuitivo e teve, muitas vezes e em diversos locais, que ser imposto por via da força. Mas é uma opção que surge de tempos a tempos quando o número de descontentes é tão grande que poucos têm muito a perder.

Ao optar por um Governo de esquerda (com o superlativo de radical) os gregos sabiam ao que iam. Hoje é claro que os do Syriza nunca quiseram chegar a qualquer tipo de acordo, mas antes gastaram tempo a preparar o caminho para passarem por vítimas quando as dores da revolução se fizerem sentir. E nunca há revolução indolor, da mesma maneira que nunca houve na História revoluções rápidas. O caminho que os gregos se preparam para trilhar é um caminho radical, como é o Governo que escolheram. Mas Tsipras mantém sempre o escudo protetor que lhe vai permitir impor a revolução que planeou sem os riscos de passar por causador de desgraças. Ao aprovar um referendo dá ao povo a opção de decidir, sabendo que a probabilidade de ganhar é grande, dado o pouquíssimo tempo disponível para refletir e a elevada taxa de aprovação de que beneficia. No fim, enquanto os gregos sofrerem as dores do processo revolucionário e até que a luz se acenda lá bem ao fundo do túnel, poderá sempre continuar a atribuir as culpas às instituições e ao povo que decidiu democraticamente.

Ao ver numa reportagem na TVI uma espanhola que vive em Atenas dizer que não lhe interessa continuar no euro porque o euro só lhe trouxe dívidas e nada de bom percebemos que muitos estão de facto a precisar de uma revolução, algo que mude de forma radical a forma como vivem e os leve a experimentar novas realidades. Quanto mais não seja para poderem continuar a procurar culpados para os problemas que os afligem!

26.6.15

PSI20

Segunda-feira ou rompe para cima ou vem à base. Aceitam-se apostas e o prémio é bom!



25.6.15

As construtoras

As construtoras têm andado bastante bearish, mas toda a gente sabe que não há muitas máquinas de fazer dinheiro melhores do que elas: quando lhes dá para subir custa comó diabo estar de fora a ver toda a gente a ficar de bolsos cheios menos nós. Por esse motivo, é sensato mantermo-nos atentos e de dedo no gatilho quando o bendito gráfico der ordem para avançar.

Na Mota tememos bem que a ordem tenha sido dada ontem e, a menos que a comédia grega se transforme em tragédia, vão ter que assumir riscos desnecessários para a apanhar. 

O nosso alvo está no fecho do gap aos 2,75, mas não nos importamos de vender nos 2,86 onde se encontra a resistência que nos parece mais relevante. Para baixo, lamentamos muito, mas não ficamos com elas se sentirmos que fecha abaixo dos 2,29€. Parece curto, mas não podemos fazer melhor: daí o rácio ganho/risco tão favorável!


A Teixeira entra no nosso radar se quebrar em fecho o topo do canal que pusemos no gráfico. O alvo, para começar são os 0,66, mas a zona entre a SMA200 (a vermelho) e os 0,80€ vai ter efeito magnético (chamamos à atenção para o facto de os teixeiras terem pago dividendos hoje, cerca de cêntimo e meio, pelo que o gráfico que apresentamos vai ter ajuste amanhã).


23.6.15

PSI20 e + duas

Numa altura em que começam a aparecer sinais de inversão de sentimento, deixamo-vos três das nossas leituras. Fecho de ontem:

PSI20:
Longo no curto e no médio prazo acima da zona 5720-5780 que funciona como suporte.
Resistências assinaladas no gráfico.


BCP:
Longo no curto e no médio prazo acima dos 0,0843.
Resistências e suporte no topo e base do canal; outros valores assinalados no gráfico.


SON:
Longo no curto e no médio prazo acima dos 1,22.
Resistências e suporte assinalados no gráfico. 


22.6.15

Nos

Uma breve análise à cotada que menos motivos tem dado para desilusões a quem nela aposta nos últimos, longos, tempos. É que neste momento parece confirmar a quebra da resistência e activar um possível duplo fundo precisamente no valor da resistência, 6,95, que poderá projectar a cotação para os 7,45. 
Fiquem com o gráfico diário e vejam se vale a pena não a deixar fugir!


  
Ainda parece que não foi desta, mas o mercado mais parece querer dizer que sim! E quem somos nós para dizer o contrário!! Peca por antecipação e quiçá entusiasmo mas a já habitual nota musical, hoje, especialmente, é ao ritmo do momento e da perspectiva futura, como sempre o é, em bolsa!





17.6.15

Aristófanes e Tsipras (o paflagónio)


Antes de começar a opinar sobre o assunto mais falado do momento, um dado que foi tornado oficial na semana passada: na zona euro foi entre gregos que o PIB mais subiu e mais desceu no primeiro trimestre. Chipre e Grécia encabeçam e fecham o pelotão do euro. Dá muito que pensar isto sobre a eficácia dos planos do FMI e de como falham num sítio e são eficazes noutro, mas uma conclusão óbvia é a de que a situação que se vive não tem nada a ver com as pessoas em particular, mas sim com políticos, políticas, corrupção entre outros.

O jogo do medo de Tsipras começa a não dar certo entre os parceiros europeus, e então a estratégia para dar a volta à situação passa por … meter mais medo ainda. Ameaçam toda a Europa com o Apocalipse, como se, saindo do euro, este se desmoronasse. E tanto medo metem (e aí a estratégia está a funcionar) que as pessoas andam de olhos no ar e fazem contas com os dedos, a tentar adivinhar se de facto nos espera um ruir de todo o projeto europeu, como se fosse um castelo de cartas. E estes políticos extraordinários que têm mantido entretidos os europeus há já vários meses como se tem comportado a governar o seu país? A Grécia foi o único país da zona euro com crescimento negativo no primeiro trimestre. Bravo Tsipras!! Bravo Varoufakis!!! Mais palavras para quê?

Mas será fundado o medo que nos tentam incutir? Será que o euro está condenado a acabar e a União Europeia a desmoronar? Será que o caso grego é um imenso Lehman Brothers? Economistas conceituados há-os a defender posições opostas. Mas parece-nos haver uma grande diferença entre as duas situações: o grande problema, com risco sistémico, da última crise foi o terem os créditos associados ao subprime, dando origem a produtos estruturados e espalhados por bancos de todo o mundo (o que é normal acontecer com créditos). Ora a dívida grega está, maioritariamente, nas mãos dos estados do euro e no BCE; o risco sistémico, para lá da poeira que vai levantar ao início, será nenhum. Os estados é que terão que assumir o incumprimento e um défice, a determinada altura, acima do esperado.

Será a posição do BCE e da Comissão Europeia assim tão dura? Vamos colocar a questão de outro modo: porque não hão de ter os guineenses ou os salvadorenhos os ordenados e o nível médio de vida dos portugueses? Ou porque não hão de ter os portugueses os salários dos alemães? Porque os países são diferentes, os seus habitantes têm formações académicas diferentes e produzem diferentemente. Daí o nível médio de vida ser diferente. Óbvio, não é?
Se nós vivemos acima das nossas possibilidades durante uns anos e contraímos uma dívida brutal, os gregos contraíram uma dívida imensamente brutal e viveram muito acima do que lhes permitia a sua economia. Dois resgates (sendo o segundo acompanhado de um haircut à dívida superior ao do resgate a Portugal, num país com 11 milhões de habitantes) e continuam na situação em que estão! Para manter o nível de vida o governo precisaria de outro resgate, seguido de um haircut, e depois outro, e depois outro....

A esplendorosa Grécia Clássica entrou em decadência no final do século V a.C. Embora algumas cidade estado ainda brilhassem no século IV a.C, a decadência foi irreversível, e muito acentuada na principal delas – Atenas. Épocas de decadência costumam dar as boas-vindas a políticos demagogos que não estão muito interessados em resolver os problemas das pessoas. Após a morte de Péricles apareceram alguns, sendo um deles Cléon.

Na Atenas em decadência vivia um (muitos na realidade) homem de génio chamado Aristófanes. Era um comediógrafo (todas as onze comédias que sobreviveram estão traduzidas em português) que no meio dos sucessivos desastres que assolavam Atenas conseguia engendrar enredos brilhantes que colocavam uma estátua a rir. O ambiente político da Atenas da época foi também motivo para escrever uma peça: Os Cavaleiros. Nela, o governante demagogo no poder na altura, Cléon (na peça chama-se o paflagónio), foi ridicularizado por tentar enganar o povo e pretender arrastá-lo ao abismo. O triste foi que, na realidade, Cléon conseguiu e Atenas afundou-se mais do que o que estava antes dele. É o destino inevitável de quem aposta em demagogos, não importa que sejam de extrema direita ou esquerda. Com Tsipras o destino da Grécia está traçado.