21.2.16

O lobo mau

Os números da economia ajudaram, o acordo do petróleo também e a tremenda situação de sobrevenda deu o impulso final para que os principais índices tivessem uma semana muito engraçada, tendo em conta o que vem sendo a bitola no que vai de 2016. Aliás, a festa esteve tão porreta que, como em boa hora assinalou o João aqui, fomos a toda a bolina em direção a uma zona de perigo nos índices que acompanhamos.

No DAX embatemos nos 9400 pontos, anterior suporte-mor, reforçado pela presença da EMA21, zona agora infestada de ursos e, por conseguinte, terreno de shortanço. Se quebra em alta já, ficamos muito admirados (mas longe de nós regatear com o mercado)! Se vem para baixo arrisca mínimos ou, sendo mais otimista, ou higher low um duplo fundo. Manda a lógica, portanto, que se entre curto com target nos 8700-8800, mas o mercado só costuma ser lógico no retrovisor e a olho nu é mais matreiro que o lobo mau.


Pedimos desculpa pelo lapso da régie, que colocou a estampa desta moçoila talvez a pensar nos motivos que levaram o lobo a ser mau e matreiro. A imagem correta é esta:


No S&P500, o João explicou tudo no texto dele e nós não lhe acrescentamos uma vírgula que seja. No PSI20, o nosso gráfico ficou assim:


É evidente que com a reentrada no canal em jogo na quinta-feira, não precisaram de nos assobiar para passar o testemunho a outros, que estivessem menos cansados, e assim chegamos ao fim-de-semana líquidos como água da torneira.

Se nos perguntarem o que faremos em seguida, diríamos que nos parece que a jogar na equipa da ursalhada (ou do lobo mau!) se estará melhor, tanto mais que poderemos fechar com poucas perdas se houver quebra em alta daquelas linhas chave que pusemos no gráfico.

Aliás, no início da semana, ficaremos admirados se não houver lucros para quem vender emprestado e explicamos porquê.

O anúncio do referendo no Reino Unido é, evidentemente, uma má notícia, até porque o mercado só estava à espera desse berbicacho em 2017. Claro que a reação pode não ser má, se rapidamente houver a percepção de que o "sim" ganhará, mas a verdade é que até 23 de junho vamos andar bastante tempo ao sabor das sondagens e dos anúncios de apoios que um e outro lado for conquistando. A forma com o primeiro-ministro britânico anunciou a decisão no dia de ontem, enfatizou quão grande é a situação de exceção do acordo RU/UE e admirar-nos-ía que as opiniões públicas mais independentes da UE como os nórdicos ou os alemães e em especial os franceses não começassem a fazer contas de cabeça acerca do funcionamento da própria União. Se o "não à UE" ganhar vamos assistir, como tem sido assinalado por diversos analistas, a uma situação de tão grande turbulência que muita gente terá que retirar dinheiro do mercado desde já só para poder descontar o risco dessa possibilidade. É que, por muito remota que a vitória do Brexit possa vir a parecer (como assinalava hoje o meu amigo Renato, há muitos fatores que os britânicos terão que pesar muito bem e não são só fatores económicos; por exemplo, se o RU sair da UE é provável que a Escócia abandone mesmo a união para poder aderir sozinha), há sempre a possibilidade de um atentado de última hora que espolete o medo a tal ponto que conduza a um resultado emocional! 

18.2.16

Alto e pára o baile!

Não desejaria ser aquele fulano estraga festas até porque o bailarico tem estado bom e então para quem arrecadou umas doses lá em baixo, a mínimos, certamente que se sentirá o gajo mais popular da festa! E nem a pausa que se verificou na terça-feira serviu para esfriar ânimos - quando até mesmo nesse fim de sessão Europeu se antecipara a continuação de subidas! Com o nosso PSI a reagir aos 4600 e o DAX a recuperar nos últimos minutos para fechar acima da EMA9 a levar-nos para a sensação de típica correcção ao movimento de curto prazo! 

Já o SP500, esse não faz intervalos, até que... Zona de fogo cruzado à vista?


Isso mesmo! Devem estar a pensar que aquela zona do ponto de interrogação demarcada pelo último máximo relativo e pela porta de entrada no canal será o primeiro ponto em que os longos menos optimistas abandonam o recinto e os curtos mais agressivos cerram fileiras! Não seria tão pessimista ao ponto de dizer que isto já vai tombar feio outra vez, longe disso, mas será sensato prever que de ânimo leve não activará duplo fundo, de rajada! Que é como quem diz: Alto e pára o baile!

The good, the bad & the ugly

Com o Germânico a recuperar até à sua zona DATAC - e bem! Dizemos nós! O Tuga com o aspecto conforme verão abaixo, vejam se não estará a chegar hora de recolher umas mais-valias e ganhar fôlego sabendo de antemão que nestas coisas tendemos a andar ao ritmo dos States!


Não teremos capacidade para causar apreensão à festarola, mas para que não restem dúvidas nós por cá abrimos a sessão in modus longo e logo veremos o sentir da pulsação! Mas na dúvida... Já sabem com o que a casa conta! 

Bom dia! Seguem os Britânicos New Order!

    

15.2.16

Sonae

Com os mercados em pleno rebote e o nosso PSI20 a galopar quase 5% em dois dias, atingindo hoje o primeiro objectivo ao fechar gap aberto de quinta-feira passada, os accionistas da Sonae devem estar que nem os Arcade Fire:


Das duas uma, estende-se ao comprido ou então redime-se da birra que fez hoje (e já na sessão anterior esteve longe de ser obediente) quando falta à chamada das recuperações, depois de ter entrado na zona do vai não vai para se lixar toda:


O gráfico está de tal modo esticado de forma a encontrar paralelismo no mínimo de Outubro de 2014, precisamente aos valores do fecho de hoje, nos 0,88! Que coincide com a base do canal por onde tem oscilado! Quebra aqui e só vemos suporte com alguma fiabilidade pelos 0,73! Se simplesmente estiver a abusar da paciência da malta que se atravessou nela na expectativa da reacção ao dito valor então que haja a tal redenção que a possa levar para cima das linhas vermelhas, até aos 0,98!

Amanhã temos nova sequela!


Segue a banda sonora do filme!

Boa noite e boa semana!

14.2.16

Gráficos avulso

O PSI20 está naquele ponto em que, pqp o gajo, com 15% de queda em mês e meio, parece um destruidor de papel tão bom quanto o rambo a devastar o Afeganistão:


O gráfico diz que daqui para baixo, se cai, só se levanta se lhe enfiarem um foguete no traseiro, porque está nuns mínimos tão mínimos que, pqp, abaixo disto... congela!


Gráfico:


Seguindo a nossa sui generis maneira de atuar, fomos à bulha na sexta-feira para um, estamos em crer, bref combat. Ficam as nossas escolhas:




Entre o BCP e o BPI o primeiro estava num ponto importante do ponto de vista técnico, mas a queda de 3% meteu-nos um medo muito grande e ficamos a pensar, talvez mal, que ainda o vamos apanhar no mínimo histórico:


BPI com um bocado de boa vontade pode estar ali a desenhar uma coisa parecida com uma lta apoiada em higher lows (será?) e pareceu-nos mais apetecível! Esta notícia deixa-nos a pensar que a aposta foi boa!


Escusado será dizer que estamos over and out se as linhinhas horizontais que pomos nos gráficos forem postas em perigo! Para este peditório não damos! PQP!

10.2.16

Primeiro dia de ressalto

Hoje estamos em modo ressalto, mas do jeito que as coisas se puseram todo o cuidado é pouco e podemos ter sol de pouca dura. Seja como for, mandam as regras do mais elementar bom senso que, mais do que tentarmos apanhar facas em queda, se avalie com rigor o que se passa no primeiro dia de um ressalto (nós que daqui vos falamos somos fãs incondicionais dos primeiros dias de ressalto depois de quedas violentas: nunca na queda, sempre no 1º dia de ressalto é regra que nos tem rendido maquias engraçadas). É que ressaltos com o mercado tão sobrevendido costumam durar pelo menos dois dias e pode ser bom negócio entrar desde que se seja lesto e se tenha estômago firme para aceitar que podemos ter que assumir perdas ato contínuo.

O bom dos ressaltos como o que está a ocorrer hoje é estarmos tão perto de suportes que podemos minimizar o entalanço com um stop loss pouco abaixo do ponto de entrada. É essa, de resto, a magia dos suportes: a malta não tem pejo em entrar porque o rácio ganho/risco é mega aliciante. Se quinar foge-se e não se pensa mais nisso!

No PSI20 temos receio de não conseguirmos superar a entrada no canal na zona dos 4800 pontos, o que coloca uma pressão muito grande sobre o nosso rácio custo/benefício. Com alguma boa vontade, pode ser que se acerque das EMA, 2% acima do valor atual, mas, como verão, estamos muito dependentes do que se passar na estranja:


Estamos a olhar para empresas que vêm de suportes firmes, como a SON, a Altri, os CTT, a EDPr ou a NOS e procuramos evitar as que estão em terra de ninguém ou aquelas que já quebraram o suporte como, por exemplo, a EDP.

O DAX pagou com línguas de palmo a quebra do nosso valor DATAC e escafedeu para cima de 600 pontos em dois dias: é obra! Agora o alvo evidente é o reteste do anterior suporte, pelo que se se aproximar desse valor vai haver muita gente a trocar longos por curtos. Em nossa opinião, quanto mais perto desse valor chegar, no mais curto intervalo de tempo, maior será a probabilidade de voltarmos às quedas fortes. 


Quem anda a segurar isto tudo, preso por linhas de coser (o mesmo é dizer-se, pela queda do dólar que traz sempre a esperança de que saiam favorecidas as exportadoras americanas) é o S&P500. Quebrou os 1870 em baixa e o alvo evidente era o reteste aos 1812, tendo recusado. Por esse motivo, acabou por se segurar e neste momento testa o retomar do valor anterior. Aqui temos território de urso e se hoje não fechar acima dos 1870 podemos ter um final de semana a esgalhar para baixo. Se superar dá sinal de que é capaz de financiar a tal ida do Dax aos 9400. Vai ser interessante de ver!

9.2.16

O consumo (contributos para compreender por que motivo caem as bolsas)

Na Roma do Império chegou-se a um ponto em que o pré dos legionários passou a ser pago com sal (daí "salário"). O sal era um produto de enorme valor relativo porque servia para conservar os alimentos, mas ficava uns furos abaixo da prata, do cobre ou do estanho com que se costumava fazer o dinheiro de uso corrente. Acontece que a entrega de moedas à soldadesca deixou de ser praticável, porque, à falta de produtos para comprar, os homens entesouravam e o metal, essencial para se fazer armamento, acabava enterrado nos quintais sem uso nem proveito.


Com as revoluções industriais, tornou-se possível produzir bens a um ritmo tal que acabou por se democratizar o acesso a produtos de primeira necessidade como alimentos e vestuário. 


Com o tempo, o incrível crescimento de produtividade criado pela mecânica e, mais tarde, pela eletricidade levaram ao surgimento de uma indústria que produzia bens de que a maioria das pessoas nunca pensou que necessitaria. Já no século XX, o jogo entre a oferta (industrial e de serviços) e a procura dos consumidores consolidaria um sistema económico alicerçado numa aparentemente insaciável necessidade de consumo por parte do ser humano, que permitiu a uma minoria lucrar e entesourar, mantendo a maioria satisfeita com bugigangas - o capitalismo. As pessoas procurariam sempre pelas novidades e estariam permanentemente interessadas em fazer um sacrifício adicional para que as pudessem adquirir. Mais horas de trabalho, mesmo que com um salário/hora inferior, para poder comprar as últimas novidades que são produzidas, com dividendos para a minoria, graças a esse mesmo esforço adicional. Nesse sentido, o controlo dos salários, mantendo-os baixos, tornou-se essencial para:
  • impedir o entesouramento;
  • prevenir uma saturação de consumo.
Finalmente, o nascimento da banca e do crédito industrial resolveram o problema de conciliar baixos rendimentos com altos consumos!


Em finais da década de 80, começou no Japão o primeiro grande surto de saturação de consumo. Os japoneses, pura e simplesmente, aborreceram-se de consumir e a grande indústria japonesa, erguida dos destroços da Segunda Grande Guerra, viu-se a braços com um excesso de produção que só conseguia escoar graças ao gosto estrangeiro pela inovação e grande fiabilidade da mercadoria nipónica. Com a queda no consumo, o Japão mergulhou na deflação, que trouxe mais de duas décadas de crise económica de que o país ainda não saiu:


Entretanto, os japoneses começaram a viver de uma forma mais simples, viajaram pelo mundo e entesouraram, emprestando grandes quantidades de capital ao seu próprio estado. O índice da bolsa japonesa passou por um bear market prolongado de que só começou a sair em 2013, graças ao abenomics


Durante muito tempo, os capitalistas ocidentais pensaram que o que aconteceu no Japão tinha raízes culturais e não seria replicável na Europa e, muito menos nos EUA, cujos povos sempre se mostraram arraigadamente consumistas e sedentos de novidades tecnológicas de que nunca haveria carestia. No fundo, tratava-se apenas de conciliar inovação nos produtos com fornecimentos certeiros de crédito, de maneira a manter o rato na roda, o mesmo é dizer-se, o consumidor satisfeito por trocar esforço, trabalho e dores de cabeça por canga de que julga necessitar.


Claro que os nórdicos e os alemães, certamente influenciados por uma formação superior e imbuídos no espírito protestante do rigor e da austeridade, foram os primeiros a cansarem-se do jogo consumista (é por este motivo que os alemães não aceitam subir salários: eles sabem que o efeito prático dessa medida é nulo, porque não é por falta de dinheiro que o povo não compra; é por falta de vontade. Com os tugas será certamente diferente... por enquanto!). Entrar em lojas e comprar caca de que só precisamos porque nos esforçamos para isso, implica uma certa abstração que se evapora quando lemos, viajamos e apreciamos os verdadeiros prazeres da vida! Com ordenados altos e uma vida confortável começaram a entesourar como faziam os legionários romanos. É certo que não enterravam metais no quintal, mas o efeito prático era ainda mais bombástico: não compravam! 

Os alemães, esses, rapidamente perceberam em que buraco se acabariam por enfiar quando o mercado interno colapsasse sob o peso do entesouramento dos seus cidadãos, e tudo fizeram para criar um mercado comum europeu que lhes permitisse:
  • investir o tesouro acumulado;
  • escoar os produtos que produziam.
No final, acabaram inclusive por aceitar trocar a sua grande moeda nacional por uma comum ao mercado europeu que lhes facilitasse as transações e os empréstimos sem estarem permanentemente preocupados com a desvalorização das moedas dos países para onde canalizavam o tesouro acumulado.

O problema da Alemanha (e de outros que tais) é que a tecnologia acabou por evoluir de uma forma tão avassaladora que a produtividade cresceu exponencialmente. Foi evidente como a Mercedes e a BMW, por exemplo, marcas de luxo só acessíveis a alguns, se acabaram por transformar em produtos de uso corrente, pois a necessidade de escoar o produto ao ritmo a que crescia a produtividade obrigou ao sacrifício da exclusividade das marcas. 

Rapidamente, contudo, o mercado único europeu tornou-se exíguo para as necessidades de escoamento alemão (até porque os países que tinham gente disponível para absorver o crescente manancial de novidades esgotaram entretanto o plafond de compras porque se endividaram irremediavelmente) e o sucesso das empresas do país ficou muito dependente de mercados exteriores: dos BRIC e de outros emergentes.

E é aqui que tudo se começa a complicar subitamente em 2014. As sanções à Rússia acabaram com um dos grandes mercados do motor produtor europeu; o esvaziar da bolha das matérias primas, principalmente do petróleo, tirou poder comprador à maioria dos outros mercados e a enorme crise de dívida da China, com uma fuga de capitais em massa de que a valorização aparentemente estranha do euro é um sintoma evidente, ameaça acabar por deixar as fábricas europeias e americanas sem compradores.

E aqui, meus caros amigos, não há BCE que nos valha. O dinheiro que Mário Draghi está a lançar nos mercados, comprando dívida, fica estacionado nos bancos porque não há quem o queira. Tirando Portugal e os restantes europeus do sul e do leste, ninguém na Europa está verdadeiramente interessada em comprar a quinquilharia que os alemães e os grandes produtores europeus produzem, mesmo que lhes ofereçam dinheiro barato. E se os alemães não vendem, têm que reduzir a produção e cortar nos subcontratados. 

Esta crise em que estamos mergulhados é uma crise que mexe fundo com a cartilha capitalista e não é um problema para o qual se tenha uma solução fácil: os países ricos que podem escoar a produção industrial têm populações que não estão interessadas em ir às compras e os países que têm gente com vontade de comprar ou estão afogados em dívida ou mergulhados numa crise de divisas. Sem querer ser dramático, até porque só há verdadeiro dramatismo na morte, começamos a pensar que pode haver profetas da desgraça que têm razão.

1.2.16

EDP e JMT

Movimento de curto prazo bastante interessante na EDP. Fecha hoje sobre uma resistência que vem marcando o compasso desde julho. Para quem está de fora, não se aconselham tomadas de posição a menos que quebre em fecho e com volume os 3,33€. Nesse caso, quebrará em alta a média móvel de 200 dias (a que, diga-se, não parece ligar muito) mas, mais importante, evitará um novo lower high e poderá ter espaço para avançar até à zona dos 3,60€. Claro que para isso vai precisar da ajuda dos mercados internacionais e não é líquido que haja disponibilidade para tanto. 


Na Jerónimo Martins o movimento também tem sido engraçado, mas aproximamo-nos a passos largos da zona dos 13,40€ onde estará, por certo, um sortido abundante de ordens de venda. É que a JMT já não passa desse valor para cima desde finais de 2013 e nas últimas aproximações levou pantufada velha e afundou direta ao suporte mais próximo. Daí que quem esteja dentro tenha pouca vontade em experimentar a graça e opte, sensatamente, por vender! Contudo, com os lucros na Polónia mais ou menos acautelados, com os Pingo Doce atacados de malta disponível para empatar o cacau que nasceu (não na carteira, mas na mioleira, o que, para o caso, vai a dar no mesmo) em resultado dos novos tempos que-se-lixe-a-austeridade e com a Colômbia envolta num cada vez mais excitante mistério não será de descartar que a resistência seja arrombada e a descarada suba pelo menos mais um euro até à zona dos 14,50€. Não acredito que o faça de uma assentada e muito menos o consiga sem ajuda externa, mas que a JMT arrisca voltar a ser a ação mais interessante da bolsa, disso, meus caros amigos, não tenham dúvidas!

31.1.16

Ponto da situação

Quem acreditou em rebotese não cometeu o erro de se enfiar apenas na Altri, é bem provável que tenha embolsado para cima de 10% em 7 dias de negociação. Bem bom, se atendermos às circunstâncias (queda mensal de quase 5% no PSI20), pelo que é mais do que justo mandar vir uma medalha para nós! Afinal de contas, é disto que a gente vive: medalhas simbólicas por espalhar o bem e encher os bolsos aos sensatos que nos incluem entre os favoritos!


Se estiveram atentos ao nosso paleio durante o excitante mês de janeiro que ora acaba (se não estiveram vejam aqui que ficam com uma panorâmica), lembram-se que optamos por ficar de fora desde o início porque havia resistências a vencer (topo do canal e linha horizontal tracejada vermelha no gráfico seguinte). Também dissemos que comprávamos na base do canal, na zona dos 4900 pontos. Então, o ano arrancou em modo ursil (é por causa disto, diga-se de passagem, que o DiCaprio desta vez leva o Óscar: tal como os mercados, também ele foi atacado pelo urso! (Que ligação tão fatela! Enfim!)) e a queda foi tão arrepiante que ficamos na retranca e só entramos, meio a medo, no dia seguinte ao do sinal de rebote (o facto de a linha tracejada laranja ter aguentado o embate e, acima de tudo, o amparar do tranco acima dos níveis DATAC no S&P e no DAX convenceram-nos de que o rácio ganho/risco era, apesar de tudo, favorável). A quebra dos 4900 para cima foi a dica para reforçar e deu-nos a esperança de que isto ainda se pode salvar de um mercado ursino mais prolongado. Vejam como ficou o nosso gráfico depois do fecho de semana:


Como é que vemos isto daqui para a frente? 

Com otimismo! As últimas sessões convenceram-nos de que há dinheiro e vontade para o usar no sentido de comprar a carga que os vendidos querem alijar. 

A fechos atuais, a zona dos 4980 (EMA21) é o primeiro alvo de um movimento corretivo de curto prazo e voltamos à caca se arriarmos abaixo dos 4900 pontos - esse é o meu valor para fechar a loja, incondicionalmente (ainda que admita um fecho muito antes se sentir que o marmanjo me vai testar os nervos e baixar a esse nível)!

Para cima, sou capaz de admitir que amanhã se chegue ao topo do canal nos 5160! Vencendo... bolas, é ver no gráfico!

Uma chamada de atenção para os resultados do BCP que, de acordo com o Jornal de Negócios são os únicos a sair esta semana. É já amanhã! A apresentação de resultados do BCP é um daqueles momentos emocionantes em que muita gente está à espera de finalmente cumprir a promessa feita de pagar as prestações com o graveto que a bolsa dá. É uma espécie de lotaria com uma probabilidade de 50%, o que é bom! O único problema é que a aposta tem dado para torto e não é de agora, pelo que a cada trimestre se renovam as esperanças de que seja desta. Vamos ver se amanhã os resultados em Portugal chegarão para compensar a quebra que se antecipa para o futuro imediato na Polónia. Com a recuperação económica e os problemas no Novo Banco (que é um concorrente infinitamente menor que o BES) e em menor escala no Banif pode ser que resulte claro um reembolso antecipado dos 750 M€ em dívida, o que permitiria ao BCP tornar-se consolidável. Atenção à margem financeira e ao nível de incumprimento. A verdade é que o BCP é dos poucos títulos da bolsa portuguesa que tem volume suficiente para permitir aos fundos, que têm milhões para gerir, tomarem posições numa base diária, pelo que quer para um lado quer para o outro, poderão ocorrer fechos/tomadas de posição relevantes o suficiente para causarem movimentos interessantes. Mais uma vez, vai ser emocionante!

21.1.16

Primavera Sound Barcelona 2016

Se não ligam cheta nenhuma ou até mesmo são alérgicos a boa música então agradecemos a visita mas não se alonguem mais, fiquem por aqui! Isto vai estar infestado!

Adiante!

Foi hoje divulgado, provavelmente - de modo a não ferir susceptibilidades, o melhor cartaz festivaleiro de sempre cá pelas redondezas! Das ditas redondezas dificilmente estaríamos mais distantes mas dá-nos a sensação que poderá contagiar tudo em redor e dar assim o melhor pontapé de saída para um verão musical de interesse, cada vez mais competitivo e agressivo, à boa maneira mercantil! O Primavera Sound Barcelona 2016 é qualquer coisa! Tanta gente boa em tão pouco espaço e tempo que mesmo na impossibilidade de lá chegarmos, quanto mais não seja, abre a perspectiva de termos, à dimensão, uma edição 2016 na Invicta igualmente de puta madre.


Desde nomes como Radiohead, que dispensam qualquer tipo de apresentações e que também marcarão presença no Nos Alive 2016, os celestiais Sigur Rós ou a transcendência instrumental de Beirut que já emolduraram os nossos artigos, passando por outros para os quais ainda não surgiu oportunidade como PJ Harvey, Suede, Air (também já confirmados para o Porto), LCD Soundsystem, Tame Impala ou Brian Wilson (fundador dos lendários Beach Boys, a pontuar com a performance de um dos melhores álbuns de sempre - Pet Sounds) que deixam vontade de apreciar com semelhante sensibilidade o restante cardápio!


Como a ocasião faz o ladrão, roubamos a oportunidade do parágrafo anterior e deixamos o que ainda não tinha surgido numa pequena playlist, a juntar, ao que por lá se poderá ouvir! 

Para infestar, sem receios!






A terminar, como seria bom!

Boa noite, seguem os Beach Boys!





20.1.16

Gráficos para quem acredita em rebotes

Quem vê o que o S&P fez hoje fica na dúvida: quebrou os 1870 (o que é mau), mas foi direto à zona dos 1815 e aguentou o impacto, evitando o péssimo e fazendo uma espécie de remontada! Diga-se que aquela queda brutal até meio do dia, com um volume altíssimo e um pico de pessimismo, é típico de situações de saturação numa dada tendência do movimento, em que os mais tesos acabam por ceder e entregam a carga que vinham a segurar desde lá de cima.


O DAX, para todos os efeitos práticos, aguentou os 9400 pelo menos mais um dia:


Tanto um como o outro estão numa situação de flagrante sobrevenda e acumulam, numa dúzia de sessões, quedas de 9 e de 12% respetivamente. 

Estamos em crer que é possível que este movimento de sucessivas quedas possa aliviar momentaneamente (ainda que o fecho do S&P nos deixe na dúvida), e possamos ter motivos para subir pelo menos amanhã e quiçá na sexta-feira.

Nessa eventualidade, e apenas para quem gosta de arriscar, deixamos, sem mais comentários, 5 gráficos que nos parecem interessantes dentro do esfrangalhadíssimo PSI20.  






Para que não restem dúvidas, deixem-nos apenas recordar que não estamos a dar sugestões, nem jamais o faremos: trata-se de partilhar os nossos estudos. Por outro lado, e porque às vezes há quem fique com macaquinhos a bailar no sótão, dizemos que não temos qualquer posição aberta em nenhuma das empresas que aqui analisamos.

19.1.16

BCP

Sei que há muitos frequentadores desta casa que são proprietários de ações do BCP e que estarão a pensar no que fazer perante esta sucessão de episódios de terror com que o banco nos brinda a cada passo. Evidentemente, não há muito que se possa dizer do ponto de vista fundamental, nem nos parece que isso seja importante neste momento. Olhando para o volume altíssimo negociado na sessão não me surpreenderia que tenha havido desfazer de uma posição qualificada e olhando para as declarações dos últimos dias sou mesmo em dizer que é provável que a Blackrock tenha deitado a toalha ao tapete e ande a abandonar o barco. Aliás, até sou moço para dizer (mas não apostar) que a queda de hoje anda de mão dada com esta notícia (alguns fundos têm que fazer alocações geográficas, pelo que é possível que um desbanque não seja um abandono completo).

Trabalhemos esta hipótese!

A Blackrock, da última vez que comunicou ao mercado, detinha 2,22% do capital do BCP, ou seja, cerca de 1200 milhões de ações. Se, por hipótese académica, hoje largou 400 milhões, reduziu a posição em 1/3 e terá que comunicar ao mercado, pelo que logo saberemos! Resta saber se vai alijar a carga completamente ou se está apenas interessada em reduzir a posição. Olhando para a brutalidade da descarga, diríamos que não está muito preocupada em dar uma sacudidela grande nas cotações, pelo que é de admitir que estará com pressa. Continuando nesta alegre especulação, não custa digerir que vai continuar a descarregar em grande: por norma, estes movimentos de institucionais fazem-se numa base de maior organização em negócios fora da bolsa, mas com a gosma com que estes trampolineiros andam, damos de barato que queiram fazer da nação valente um exemplo para o mundo (contas feitas, se forem mesmo eles, vão abichar uma menos-valia de cento e tal milhões na jogada com o Millenium, uma autêntica pechincha por comparação com a bojarda que apanharam no NB). Estou a imaginá-los de dedo em riste: "se é para confiscar, que mais ninguém neste mundo e arredores tenha a triste ideia desses atrevidos dos tugas que se puseram a enrab... (perdão!) tirar aos ricos; tirem aos contribuintes que eles são mais, são néscios e não se queixam; onde é que vocês tinham a cabeça, seus grandessíssimos desconhecedores dos meandros e das regras de funcionamento dos mercados financeiros globais? Quilhar a malta da pesada para poupar uns empregos e nos impostos dos remediados? Que carago de ideia foi essa? Ah!"

Agora falando a sério: é de aproveitar este dilúvio e deitar a mão a uma tranche para nós?

Diria que depois do flop da venda do NB e de termos pago à grande para vender o Banif, a valorização dos bancos portugueses deve, logicamente, ser revista em baixa e não admira que esse ajuste seja feito, mas o BCP ao preço de fecho de hoje vale menos de 2000 milhões de euros e eu, que não sou contabilista, sinto-me inclinado a achar que o maior banco português valer isso é, pelo menos, tentador (contas de gajo que vai ao supermercado e é responsável pelas guloseimas)! Claro que a 1000 milhões fica melhor... and so on!

Resumindo, sou rapaz para dar uma dentada, mas garanto que vou ponderar muito bem as odes de apanhar parte dos tabefes da fúria dos indignados da pesada! Entradas agora são para gente afoita ou para aqueles que compram para ficar para os netos e eu não me enquadro em nenhum desses perfis, pelo que temo fazer asneira!

Tecnicamente, o BCP está todo partido, e só em 2012 é que conseguimos encontrar valores que possamos usar para fazer as vezes de suporte (são tão antigos que já devem ser suportes podres). Seja como for, no semanal não há registo de fechos abaixo de 0,0320€ e o mínimo histórico está na zona dos 0,0270€ (estes valores praticamente fazem do BCP uma penny stock com todas as consequências que daí advêm). Não há muito mais a dizer a não ser talvez referir que com 28% de queda nos 19 dias que tem este ano deve estar a preparar-se para estabelecer um novo tipo de recorde! E ressaltos, há?

Não conseguimos fazer melhor que pôr este gráfico semanal. 


18.1.16

Blue monday

O que é um bear market se não uma situação em que se instala a deflação no preço das ações?

Os que estão de fora a ver os preços a fazer voo picado, na tensão de deitar a mão aos saldos, mantêm-se na fé de que é possível apanhar o produto mais em conta no dia seguinte, nem que para isso tenham de abdicar dos ressaltos pontuais que sempre existirão! Quem entra para apanhar supostos bons negócios fá-lo tolhido de medo e, se a coisa arreia nem que seja um tico, vende não vá cair na enxurrada. E quem está dentro desde lá de cima, anda tão partido que só pensa em ver-se livre dos trambolhos e fugir para um sítio longe, onde possa calmamente lamber as feridas: se houver um ressalto, por minúsculo que seja, tira esse peso de cima!

É este cocktail que faz um ursalhão: uma deflação arreigada que leva a um adiar das compras e faz com que seja fácil chegar à conclusão de que mais vale vender filado em compras mais apropriadas! E o pior deste ambiente depressivo é que ele vem não se sabe de onde nem porquê, mas depois de instalado, todos os motivos são ótimos para vender e quem se apresta a comprar corre sérios riscos de fazer figura de urso (daí o mercado urso - bear market!*).

Se lerem o que temos vindo a dizer de há semanas a esta parte, em especial aqui, verão que estávamos na disposição de deitar uma mão (todas as ajudas contam) cá em baixo na base do nosso canalito, mas o PSI20 nem nos deu hipótese na aproximação aos 4900, tal foi a rapidez com que levou knock-out! Hoje, blue monday, o dia mais deprimente do ano segundo os especialistas, limitou-se a confirmar que se esbardalhou todo e só com um milagre muito grande se poderá salvar:


Tugas banzados com o milagre do Sol

E de que milagre poderemos estar a falar?

Diríamos que o PSI, mais do que estar a levar porrada por causa de os manda-chuva se terem amotinado em resposta ao confisco dos milhões que empataram no banco salgado, estará a antecipar a entrada em bear market dos principais mercados mundiais (os artolas da Blackrock, tão inteligentes que enfiaram milhões no BCP a 12 cêntimos, deram pela falta do graveto e acagaçaram-se a tal ponto que começaram a mandar postas a ver se alguém se junta a eles solidário no medo; não vêem os estafermos que, sendo verdade que o BCP está a lerpar como gente grande este ano (novidade?!), não deixa de também ser certo que, por exemplo, o BNP Paribas francês também cai na casa dos 15%). 

Nessa linha de raciocínio, e voltando ao nosso artigo DATAC, somos em crer que a quebra dos 9400 no DAX e dos 1870 no S&P serão a confirmação de que o mercado urso é real! E é isso que o PSI antecipa como costuma fazer: nisto o mastonço não tem problema nenhum em ir à frente! Se os alemães e, acima de tudo, os ianques ampararem nos respetivos valores, coisa de que duvido muito seriamente, há uma nesga de hipótese de isto tudo não ter passado de um pesadelo, mas se os outros avinagrarem, não vai ser fácil encontrar motivos para sorrir com compras no nosso mercadito. 

Em todo o caso, há um aspeto que convém frisar: o PSI20 está a 1% de queda do mínimo de 2015, feito no dia 7 de janeiro, e é possível que haja motivos para um ressalto de curto prazo, quiçá amanhã, se os guias dos mercados internacionais não quebrarem os valores que mencionamos. Nesse caso, o bear market pode ser confirmado com uma recusa de passagem para cima dos 4900, mas há uma subida de 5% até lá que pode ser tentadora para quem tem seguido os nossos bitaites e continua a ver da bancada! A sobrevenda flagrante do índice (vejam o RSI) e o facto de se começar a ver muita gente cheia de medo (mil perdões!) são outros dois aspetos que poderão ajudar a um rebote. Seja como for, até prova em contrário e enquanto estiver abaixo dos 4900 pontos, nós não podíamos estar mais ursos e ninguém nos tira a ideia de que a sensatez manda ser contido!


* Não é este o motivo real do nome e algures no blogue (ou mais fácil, na web), encontrarão a verdadeira explicação!

17.1.16

The big short

É possível negociar em bolsa se não se tiver sentido de humor? Ganha dinheiro nos mercados quem estiver nisto com o ar circunspecto de uma comunhão solene? Temo que não e estou convencido de que é essa falta de queda para a comédia um dos fatores que mais contribui para que muitos abandonem o barco, desiludidos com as promessas de riqueza fácil e sucesso sem esforço! É que quem se fia em facilitismos vê a vida a régua e esquadro e um mundo feito de certos e errados, bons e maus, numa permanente divisão entre as dores de cabeça do medo e as enxurradas de azia de ganância. Sem humor, portanto!

Ora é essa falta de humor que mais salta à vista em A queda de Wall Street (The big short, no original), novo filme de um realizador, Adam McKay, que tem currículo feito precisamente com algumas comédias comezinhas (veja-se, por exemplo, Filhos e enteados). Ainda que haja quem considere o cinismo dos personagens do filme apontamentos de humor refinado, no final o que acaba por ficar com o espectador é uma sensação de profunda apreensão, fruto da atmosfera de catástrofe eminente que impregna todo o filme. É essa angústia de que há algo de terrível para acontecer, de que só têm consciência uns poucos iluminados que fazem apostas contra o mercado imobiliário (o big short do título), que contagia quem vê e dá um toque de profundo moralismo a toda a história que nos é contada (reforçado por uma componente didática que é uma preocupação constante do realizador - de histórias lamechas, de violências atrozes e de cenas de horror percebemos todos, mas quando toca a dinheiro e negociatas precisamos que os atores se virem para o ecrã e nos expliquem muito bem como as coisas funcionam para que o filme não se torne maçudo! Cristo, valei-nos!). 


Bem sintomática da indecisão dos argumentistas em relação à história que nos querem contar são a cenas finais em que nenhum dos vencedores acaba satisfeito, apesar de terem faturado milhões em apostas contra tudo e contra todos. Em vez disso, todos parecem alienígenas vindos diretamente do planeta da boa moral e dos bons costumes, traumatizados por terem enriquecido, enquanto o mundo mergulha numa crise de raras dimensões. Algum trader real fica triste nessas condições? É realista isso? Aliás, o filme está cheio de personagens ambivalentes e inverosímeis que fazem apostas no mercado completamente a contragosto apenas porque têm a certeza de que estão a ver algo que mais ninguém vê e não porque querem ganhar dinheiro. Todos são movidos pelo desejo de estarem certos na previsão de uma catástrofe e não por pretenderem lucrar. A personagem de Steve Carell transborda de azia não por não ter ganho suficiente, mas porque (e só no final do filme é que o percebemos) anda fodido da vida por ter oferecido dinheiro ao irmão que se suicidou (o que tem isso que ver com a queda do mercado imobiliário e com a restante narrativa, continua a ser um mistério para mim). 

No final, saímos da sala sem saber se acabamos de ver um documentário (ao estilo, por exemplo, do excelente Inside job) ou um drama biográfico ou que carago vimos e corremos o risco de mandar às urtigas toda esta treta de nos cansarmos sem fim para sacar uns tustos dos mercados: afinal de contas, se a concretização de acertarmos na muche e ganharmos pipas de cacau tem por consequência ficarmos como os gajos que aparecem neste Big short, então talvez seja melhor estarmos do lado dos perdedores e juntarmo-nos à manada (sempre somos dignos de pena!). Pela parte que me toca, prefiro achar que o filme é uma bodega sem fim e retrata individualidades que só existem fruto de contingências pessoais que nada têm que ver com o big picture que a história pretende retratar: Steve Carell está traumatizado com o suicídio do irmão, Christian Bale tem um olho de vidro, Brad Pitt levou no trombil nos mercados e não quer dizer a ninguém, etc. Para nós que andamos na arte, vale a pena se o formos ver com o fito de lucrarmos pedagogicamente; quem se está nas tintas para jogatanas com o dinheiro e crises financeiras fica melhor servido se for ver o Principezinho ou o filme do Snoopy.

Este filme está nomeado para os Óscares em quatro categorias: melhor filme, melhor ator secundário (Christian Bale), melhor realizador e melhor montagem. Há algum sentido nestas nomeações? Há, se pensarmos que os Óscares não têm nada a ver com cinema mas sim com vaidades e auto-elogios. Se isto é um melhor filme, então temos que deixar de ver cinema, se a realização é boa, então eu vou para realizador, da montagem nem é bom falar (está cheia de cortes que parecem ser de filme caseiro montado no movie maker), e o Christian Bale, que é um bom ator, faz um papel engraçado, mas é completamente inverosímil no tratamento de um gestor de fundos que investe contra o mercado de uma forma tão agressiva e contrária ao senso comum: com aquela idade e a manobrar tantos milhões, ainda não conseguiu ultrapassar o complexo de ter um olho de vidro! Give me a break!

Neste particular, temos a sorte de ter tido recentemente um caso exemplar no Lobo de Wall Street, realizado por Martin Scorsese, um filme que vai ficar na história dos filmes sobre mercados financeiros e na histórias das comédias, com uma realização que é um portento de competência e com um desempenho irrepreensível do Leonardo DiCaprio no papel de Jordan Belford, o estroina que contribuiu, à sua maneira, para a mesma crise que é retratada no filme que ora comentamos. Ora, o Lobo de Wall Street também foi nomeado para os Óscares, em 2014, mas os ignorantes daquela academia da passadeira vermelha escolheram o 12 anos escravo (WtF) para melhor filme, o Matthew McConaughey para melhor ator, só porque fez dieta e aparece tísico num filme de segunda categoria sobre charrados, e o Alfonso Cuarón por se ter visto livre da gravidade num filme que é um ótimo documentário para mostrar aos alunos de FQ do 7º ano!  Suckers!

Depois da ressaca do Small Short, sabe ainda melhor recordar:


14.1.16

Foi por pouco...

Quem está dentro e vem aguentando tenazmente este clima agreste que nos perdoe, mas é preciso uma paciência de santo para conseguirmos fazer umas comprinhas no PSI20 cá em baixo no nosso valor de referência na zona dos 4900! 

Hoje estivemos vai e não vai, mas a Galp tirou-nos a confiança toda ao impedir uma aterragem brusca ao jeito da que o S&P está com vontade de fazer: ida ao nosso valor DATAC e posterior rebound

No caso do S&P ou há um mínimo que está feito ou então arriscaríamos dizer que ursalhamos feio! 

No PSI20, lá está, o cenário podia ter ficado hoje mais claro e foi pena aquela remontada estrambólica da Galp (é verdade que tecnicamente, fez algum sentido, mas não havia necessidade de tanta pressa... ou havia?).


E um pouco de música para ajudar a compor...


11.1.16

cny/usd e cny/eur

Estamos em crer que este será um dos dados que mais de perto devemos seguir em busca de pistas para o futuro: depois de uma queda ininterrupta que o levou a depreciar quase 4% em menos de um mês, o yuan chinês teve finalmente hoje uma ligeira recuperação!


Escusado será dizer que com uma moeda mais fraca os chineses comprarão menos ao exterior, facto que tem servido para alimentar um pessimismo bastante arreigado em especial entre as maiores exportadoras europeias (em relação ao euro a recuperação de hoje foi um bocado mais expressiva, contra uma queda de quase 7% desde 30 de novembro). A título de exemplo, no que vai de 2016, a BMW cai mais de 14%, a Daimler quase 12% e a Porsche outro tanto! Mais esquisita parece-me a queda de 11,3% da Bayer: as vendas de Rennie devem estar em alta com a azia que grassa, em particular entre os grandes jogadores de poker bolsista chineses! Enfim, racionalidade nunca foi o forte nos mercados!

Notem que não estamos a dizer que lá porque hoje subiu vamos ter recuperação da moeda chinesa, e inversão nos índices; simplesmente fazemos notar que o mercado anda a descontar uma hecatombe e é bem capaz de dar por ela e aperceber-se de que exagerou! Nada como estar atento a todas estas subtilezas! Já agora, muita atenção para o facto de haver números importantes que vêm da China na madrugada de quarta-feira, pelo que é preciso levar isso em linha de conta se decidirem ir a jogo!

David Bowie

Thanks!