21.4.16

Atualizações feat. Tame Impala



A ideia é mesmo essa! Começar com música e deixá-la, ao de leve, envolver-se no que se segue!

Na sequência dos sarrabiscos com sugestão da 3 avançamos com mais uma panóplia de gráficos, cenários atualizados, das empresas do nosso PSI20! Vulgo ponto de situação! E à semelhança do que foi dito ontem, na análise ao momento do índice, mantemos a coisa tão simples que se dispensa qualquer tipo de legenda (salvo curta observação)! Oportunamente seremos mais eruditos!

Sem mais, venham eles (em ordem alfabética):

Altri
O comportamento do par EUR/USD está a pesar no desempenho da empresa!



BCP
Ou vai ou racha! Tomei a liberdade de roubar a linha de tendência do gráfico do David (que vos foi exibido, ontem, no nosso FB) e acrescentei-a aqui (e a roxo) tanta a pertinência que aparenta ter quanto o valor que atingiu hoje a cotação (1ª. resistência horizontal)! A quebra em alta desse valor é sinónimo de cruzamento de médias e leva a forte margem para valorização! Para baixo, as médias a marcar o compasso da tolerância para o risco! Neste momento estão ali quase nos 3,7 cêntimos!


Corticeira Amorim
Tem tanto de excelente performance como de falta de liquidez! À vossa consideração e estratégia!



EDP



EDP Renováveis



Galp



Jerónimo Martins



Mota Engil
Seria de estranhar que se aguentasse acima da SMA200 (a preto tracejado) com a palavra retaliação a marcar a semana no que diz respeito aos negócios por Angola!


Nos
Tendência para replicar valores fruto da oscilação horizontal! As marcas estão simetricamente assinaladas no gráfico!


Portucel
À semelhança da Altri, condicionada ao euro/dólar!



Sonae



Sonae Capital
Outra que tende a replicar valores das oscilações horizontais! Sem esquecer o salutar desempenho!



Boa noite!

"Prefiro dar às pessoas o que precisam em vez do que querem."  




Well done, Prince

20.4.16

Sinal de compra no PSI20

A vós não sei, mas a mim agrada-me manter esta empreitada de lutar nos mercados dentro de um módico de simplicidade que impeça que entremos em modo parafuso quando o vento sopra mais forte. É por isso que me contento com pôr umas médias móveis e umas linhas mais ou menos evidentes nos gráficos diários e, quanto ao mais, não ligo pevide (a não ser que a coisa seja muito evidente: que não canse muito).

No PSI20 registamos com satisfação o facto de termos fechado acima de todas as linhas que tínhamos marcado e de mais uma vez termos tido cruzamento positivo das médias móveis rápidas (a última vez que aconteceu foi no início de março e valeu na altura uma valorização de 6% em menos 10 sessões). Façamos figas para que desta vez não haja desilusão, porque o sinal foi de compra!


19.4.16

Perder dinheiro

Uma das vantagens/tormentos de deixar por escrito é que podemos sempre, mais à frente, avaliar aquilo que dissemos e a forma como reagimos e decidimos num dado passo. Como nesta casa ninguém anda à procura de ter razão (coisa que, como todos sabem, não mata a fome), mas simplesmente de tentar evoluir todos os dias, achamos que é tão importante viver o presente como nos mantermos atentos ao passado, de forma a fazer melhor no futuro. Este texto publicamo-lo faz hoje 1 ano.

É normal perder-se dinheiro na bolsa? - pergunta-nos o nosso amigo Adalmiro Fonseca.

Agradecendo a pergunta de tão ilustre frequentador desta casa, que é de todo pertinente numa semana em que só ganhou dinheiro quem esteve do lado curto do mercado, respondemos com números (que é sempre a melhor forma de responder).

Este que daqui vos fala, que anda nesta faina vai a caminho de 20 anos, tem um total de 30% de meses negativos e nem se envergonha disso, nem foi à falência, nem perdeu a vontade de continuar na jogatina e nem sequer tem registo de noites mal dormidas por conta de encrencas relacionadas com a negociata. É tudo uma questão de calma, de alguma racionalidade e de saber tomar decisões difíceis sempre que nos apercebemos que erramos. E na bolsa, tal como na vida, erramos todos e erramos muito, seja por ignorância, seja porque as circunstâncias se alteram ao minuto e ninguém tem capacidade para reagir tão rapidamente. O problema dos erros é quando não somos capazes de os emendar!

(Para não marrarmos tão a seco contra o muro das lamentações, deixem-se embalar pelo som sábio de Bob Marley (retirado da banda sonora do belo filme francês La haine que parte de uma frase de que gosto muito: l'important c'est pas la chute, c’est l’atterrissage!))


No final da semana passada cometemos o erro que vem nos livros. É incrível como, por mais experiência que se tenha, estejamos sempre a falhar como se fôssemos iniciados, mas a verdade é que já nos convencemos de que há alturas em que a emoção pura e simplesmente elimina a racionalidade e contra isso... batatas! Quando a ganância se sobrepõe ao medo pomo-nos a jeito para nos estatelarmos e depois tudo o que resta é que venha a racionalidade de novo salvar-nos do erro, desde que estejamos dispostos a pagar a fatura com línguas de palmo.

Depois da quebra dos 6190 pontos e da entrada do PSI20 no retângulo laranja do nosso gráfico era muito provável uma ida ao topo, mas nesse caso seria difícil imaginar uma quebra à primeira dos 6350 pontos. Mesmo assim, nós pusemo-nos a imaginar isso mesmo, pois a quebra foi tão rápida e convicta que nos convencemos de que ainda havia dinheiro pronto a ser extraído do mercado nem que fosse num movimento de muito curto prazo. Embalados por isso e cegos pela possibilidade de haver uma quebra que projetasse o movimento bem mais para cima fomos a jogo e tomamos conta da carga que outros mais finos que nós tinham para vender. O resultado foi o esperado: em dois dias a resistência fez o seu trabalho e o mercado sobrecomprado veio para baixo em marcha forçada:


Num mercado que leva 30% de subida quase sem respirar é natural que ocorram correções. E claro que, sendo este um jogo em larga medida emocional, é sempre de esperar que se passe da euforia à depressão em menos de um fósforo.

Um mercado que até quarta-feira se estava a marimbar para o problema dos gregos, de repente passou a achar que a Grécia estava decidida a falir e não havia hipótese nenhuma de impedir o suicídio dos comandados por Tsipras, com toda a incerteza que ato tão radical sempre traz.

Mas nós, curiosamente, até nem achamos que tenha sido esse o fator que mais contribuiu para os dois dias de despenque com que fomos presenteados, nem vamos na conversa de que tenha ocorrido um contágio chinês, por causa dos temores com decisões regulatórias na China que provocaram um sell off em Shangai (notem que o índice chinês sobe 112% em um ano).

Para nós, a grande notícia da semana veio na terça ou na quarta-feira e teríamos fechado posições nessa altura não estivéssemos tão impressionados com a tourada. A notícia veio da inflação na zona euro, que já voltou a terreno positivo (+0,3%). Se ao fim de tão pouco tempo de QE já temos o problema (gravíssimo!) da deflação a dar sinais de ficar sanado, que ideia é essa de haver um programa de compra de ativos em vigor até setembro de 2016? Não estará o BCE a ir depressa e longe de mais? É bem capaz de estar e, mesmo que não esteja, acreditamos facilmente se nos disserem que a torneira fechou já um bom bocado e se acionaram os travões até que cheguem novos números: o Draghi está transformado num piloto de rali, com um pé no acelerador e outro no travão!


Viemos para baixo, portanto! Na sessão de quinta-feira ainda se pensou que o bull market imporia uma recuperação no dia seguinte. Chegamos a dizer que havia zona de entrada nos 6120 (base do retângulo laranja) ou, melhor ainda, nos 6060 (linha de tendência ascendente desde o início do ano). Quando vimos o DAX a arriar sem pensar nas consequências esperamos para ver.

Para nós, o que nos matou foi aquela quebra da linha de tendência no final da sessão de sexta-feira (ver gráfico acima), que tornou inevitável o fecho de posições, apesar de estarmos conscientes de que:
  • o movimento está muito esticado para baixo;
  • continuamos em bull market de curto e médio prazo;
  • há uma probabilidade muito grande de ressalto no curtíssimo prazo;
  • a correção era inevitável e até desejada;
  • etc. 
A quebra da Lta obriga-nos a ser disciplinados e é preciso pagar o preço pelo risco desnecessário que corremos ao comprar perto da resistência. É assim que garantimos que continuamos vivos para voltar à luta: a bolsa é sobre disciplina e a tomada de decisões difíceis é a parte mais importante de sermos disciplinados! Se a quebra se confirmar nos próximos dias teremos, com probabilidade, uma descida à zona dos 5750-5800. Se não se confirmar e voltarmos para cima da linha em fecho, estaremos prontos para voltar à luta. Eis como uma compra mal feita pode dar origem a uma venda mal feita, com possível recompra mal feita e, assim sucessivamente... Mas estas são as regras do jogo e a nós, nesta casa, ninguém nos tira de ideia de que só assim se ganha dinheiro nos mercados de forma consistente!

Mais uma da nossa banda sonora:


Para ilustrar a problemática da quebra das linhas de tendência vejam o gráfico do DAX:


Se achamos que o movimento de fundo esteja em causa, não achamos, até porque a correção, para além de ser saudável vai ser aproveitada por dinheiro fresco para entrar nos mercados. 

Continuamos a achar que o problema grego vai ter que ser resolvido, de uma forma ou de outra, sem que haja qualquer tipo de incumprimento: seria inacreditável um país da zona euro falir e, para além de colocar a Grécia numa situação de emergência humanitária, criava um precedente tão sério para todos os países europeus que, pura e simplesmente, ninguém na Europa quer ficar na História por ter sido responsável por esse tipo de ocorrência. Claro que os do Syriza estão neste momento muito entalados (como dizia um amigo meu, estão entre a espada e a espada), já que não podem ceder às imposições internacionais, pois têm o povo e o parlamento à perna, nem podem implementar o programa pelo qual foram eleitos, porque não há dinheiro: é possível que não escapem desta! Evidentemente, a questão só se vai resolver nos descontos (como às vezes sucede na bola) e, nesse sentido, até achamos que a notícia de que os gregos chegaram a um acordo com a Rússia para antecipar o encaixe de 3 a 5 mil milhões de euros (ainda que no curto prazo tenha potencial para levar o mercado para cima) pode ser prejudicial, pois acabará por prolongar o bailado! 

Mas como já dissemos, se quiserem estar atentos a dados que mexam realmente com os mercados, diríamos que é preciso olhar para os próximos números da inflação. É que todos sabemos que estas subidas de 20 e tal por cento nos índices no que vai de ano têm muito que ver com o programa do BCE. Se a inflação sobe, o Draghi trava, os juros sobem e as bolsas arreiam! Elementar!

E estamos quase em maio...

18.4.16

BPI

Com os desenvolvimentos a que assistimos no BPI, estamos em crer que estão reunidas as condições para haver mais surpresas nos próximos dias ou semanas:

  • O valor oferecido pelo CB é o mínimo possível, o que, bem vistas as coisas, não constitui surpresa, uma vez que o negócio está mais que feito dado que os catalães apenas necessitam de comprar 6% do banco.
  • Subsiste a questão de procurar entender de que forma vai reagir Isabel do Santos (IS), porque também me parece evidente que uma fulana sabida como ela já revelou ser, dificilmente se deixaria apanhar de surpresa de uma forma tão saloia. 
  • A hipótese que nos parece menos provável de todas é que IS fique com a posição que tem. A posição no BPI fazia sentido enquanto pudesse controlar o banco com menos de 20%, mas deixando de ter posição de controlo e, ainda por cima, ter que lidar com uma administração completamente hostil, soa demasiado a ter o dinheiro investido num depósito a prazo, coisa que não parece ser enquadrável no feitio da angolana. 
  • A segunda opção é simplesmente vender na OPA e encaixar uma menos-valia importante, uma vez que a compra da posição no BPI se deu a valores bem superiores aos agora oferecidos (não consegui encontrar na net o preço pago pela posição, mas creio ter presente que uma tranche foi comprada acima dos 1,70€). IS encaixaria quase 300 milhões de euros, menos 50 milhões do que se tivesse vendido há um ano.
  • A terceira opção de IS é dar o braço a torcer, engolir em seco e voltar ao acordo que estava negociado com o CB e que previa, tanto quanto diz o Pedro Santos Guerreiro, o pagamento de um valor superior ao agora oferecido. Pelos vistos, os do CB continuam recetivos a voltar à mesa negocial porque preferem uma solução que reduza a posição em Angola, até porque não esperam vida fácil depois de afrontarem de forma tão flagrante os angolanos (note-se que com a OPA deixa de ser necessário vender a posição no BFA porque a posição se dilui). Seria um autêntico golpe de teatro, e era necessário que houvesse uma operação de maquilhagem muito engenhosa para que todos salvassem a face, mas nestas coisas não há nada como o poder maquilhador de uns bons milhões de euros.
Estas são as alternativas pouco imaginativas e é provável até que nenhuma delas se venha a concretizar, dada a pouquíssima informação em que estão assentes estas nossas larachas. 

Contudo, arriscamos avançar com uma hipótese um pouco mais arrojada e bastante especulativa:
  • O CB refere que a oferta é de compra, mas também aceita vender ao preço que propõe. Aliás, são assim as boas práticas dos negócios: pôr-se ao contrário é um direito que assiste ao vendedor! E se IS anunciasse que comprava a posição do CB pelo preço oferecido? Precisa de quase 700 milhões e dinheiro é coisa que parece não abundar para os lados de Angola, mas que a coisa lhe deve estar a passar pela cabeça em câmara lenta como um excelente elixir para aplacar a cólera disso não creio que haja dúvidas. Claro que para além do problema do preço teria que enfrentar a hostilidade do BCE, que prefere claramente capitais europeus, mas ninguém poderia dizer que não estaria a jogar dentro das regras do jogo! Para os angolanos seria uma jogada incrível e passariam a controlar de uma assentada uma quota importante do mercado português e angolano.

17.4.16

Abertura de semana

O mínimo que se pode dizer é que a semana bolsista promete.

A falta de acordo na reunião de Doha sobre o congelamento da produção de petróleo pode criar alguma tensão inicial, mas dá-nos a ideia de que, na semana passada, quebraram-se em alta valores, tanto no S&P como no DAX, que antecipam força compradora capaz de resistir a imprevistos que a maioria de certeza já antecipava. 

No S&P só uma quebra em baixa dos 2045 pontos nos fará pôr em causa a crença de que, mais dia, menos dia, caminharemos em direção aos máximos históricos. Claro está que uma quebra em baixa é sinal bastante perturbador, pois originará um quarto lower high consecutivo!

No DAX a coisa não é tão clara e vemo-lo precisamente nos valores-chave. Julgamos que há potencial para uma correção um pouco maior, mas se o S&P não se esbardalhar é possível que este se contenha! Se mantiver em fecho os valores de sexta-feira maravilha, e pode muito bem fazer uma primeira aproximação à média móvel dos 200 dias nos 10300 pontos. Cá em baixo, vai ser necessário que a zona dos 9850 aguentem o embate se a tanto chegarmos!

Interessante vai ser também ver como ficará o Brasil depois da votação que decorre neste momento para decidir a destituição da presidente Dilma. Até agora, os mercados não têm ligado peva ao assunto, mas se a situação degenerar em conflito pode ser que haja mossa entre as empresas expostas aos mercados sul-americanos e, consequentemente, em alguns índices!

Ficam os gráficos:



Por cá, não é difícil prever que a novela BPI vai marcar a semana e o assunto está a evoluir de uma forma que, não sendo inesperada (a falta de notícias durante a semana passada sobre o acordo alcançado deixava antever que haveria demasiadas pontas soltas) é, no mínimo, rocambolesca! Amanhã de manhã, pelos vistos, vamos acordar com uma OPA ao BPI e saberemos, finalmente, de que valores estamos a falar. Valores abaixo dos 1,10-1,15€, que devem conter a média das cotações nos últimos dois meses, não serão possíveis de acordo com a lei. Daí para cima ver-se-á.

Quanto ao BCP, estamos em crer que o valor oferecido pelo BPI poderá ajudar o mercado a percepcionar a justeza ou não da cotação atual. Se, por hipótese académica, a OPA se der ao valor de 1,329€ oferecidos no ano passado, então temos o BPI a valer apenas menos 361 milhões de euros que o BCP (1,41 vezes mais). Atendendo ao histórico, que coloca o BCP a valer cerca do dobro do BPI, e ao facto de o Millenium ter uma posição na Polónia que vale por si só 780 milhões de euros, parece curto! Por outro lado, há um fator que nos parece ter pesado bastante na valorização do BCP na semana que passou: se o BPI for opado, o BCP passará a ser o único banco da bolsa nacional, pelo que as carteiras de fundos de investimento vão ficar sem opção para distribuir os recursos por setores de atividade. 

Do ponto de vista técnico, uma quebra em alta da Lta que marcamos pode ser a dica de que assaltaremos os máximos de março. Por outro lado, uma quebra em baixa da zona dos 0,0360€ pode pôr alguns a pensar, como já ouvi dizer, em figuras do tipo cabeça e ombros (figura que, em nossa opinião, não fará sentido porque pressupõe uma tendência de alta, coisa que manifestamente não existe). Fica, mais uma vez, o gráfico:

11.4.16

Atualização ao PSI20

Por mais voltas que se dê e por mais que abusemos do wishful thinking, não nos podemos esquecer de que no PSI20 estamos e continuaremos a estar num bear market que dura tanto quanto a crise medonha que o nosso país tem enfrentado. Começou, mais coisa menos coisa, no início de 2008. A linha vertical azul no gráfico abaixo marca o dia 1 de janeiro desse ano, duplo topo de um bull market que nasceu em março de 2003. O nosso índice tinha marcado uma valorização de mais de 160%, que mais do que queimou desde a linha azul para cá!


Não significa isto que não tenha sido possível ganhar dinheiro nestas condições (o que andaríamos nós aqui a fazer?), mesmo que não se arrisque entradas curtas, não só porque têm existido ótimos ressaltos na tendência de fundo, mas também devido à própria natureza da negociação em bolsa.

Os mercados são dinâmicos e permitem uma atitude de grande flexibilidade que não existe noutros tipos de investimento. Significa isto que, no século XXI, com acesso instantâneo ao mercado, não faz qualquer sentido investir em bolsa a pensar no médio/longo prazo. Todos os investimentos devem ser monitorizados sempre no curto prazo e, evidentemente, deixar correr apenas se não houver sinais de alarme. O que o mercado urso implica é que sejamos absolutamente lestos a identificar oportunidades e jamais nos ataque a ganância na hora de arrecadar lucros: o mercado estará à nossa espera mais à frente e não faz mal nenhum perder uns ganhos conquanto se evitem grandes perdas!

Já aqui nos referimos por diversas vezes a este assunto, mas nunca é de mais lembrar: negociar em bolsa, seja aqui ou em qualquer outra parte do mundo, exige uma atitude aberta e uma capacidade absoluta para mudar de opinião se a isso formos obrigados. E de nada nos vale pensar que no fim tudo se acaba por compor, porque isso não é nada verdade. Que o diga quem manteve BES, BCP ou PT que cotavam a 15 euros, 0,90€ e mais de 6 euros, respetivamente, no início de janeiro de 2008 (valores já ajustados de dividendos e de AC)!

O gráfico seguinte é o mensal (cada barra é um mês) desde o início do atual movimento e vê-se bem como, apesar da tendência de queda, temos tido bons meses de valorização que têm permitido ganhos aos mais dinâmicos e àqueles que sabem preservar o capital (e a moral):


Colocamos uma linha de tendência descendente que não é quebrada desde o início de 2008 e, embora não lhe atribuamos grande validade, ficaríamos satisfeitos por ver uma barra verde mensal com o topo a rasgá-la!

No curto prazo, voltamos à cepa torta e diríamos que só não está pior porque os índices americanos têm mostrado apetite por ir a máximos. O PSI20 reentrou no nosso canal descendente e, enquanto se mantiver dentro do canal, a tendência será descida, atraído para mínimos:

  
Hoje ensaiou uma saída para cima do canal, mas não conseguiu romper: na nossa ideia, quanto mais depressa conseguir fechar acima dos 4900 pontos, maior é a probabilidade de já não irmos a mínimos (para já). Com sorte, pode ser que comece a ganhar razão de ser aquele projeto de Lta que colocamos no gráfico (a azul). Para já é só um projeto, mas era ótimo que conseguisse resistir em caso de embate. Se não o fizer, estão lá os valores que podem servir de amparo antes de novos mínimos!

10.4.16

Sarrabiscos com sugestão da 3

Hoje dei-me à preguiça e aviso desde já que se são daqueles que ainda não acham piada nenhuma a gráficos, se a AT não vos diz nada e só gostam de conversa fiada então, por agora, considerem-se dispensados de ir até ao fim! Sigam à boleia da sugestão da alternativa pop da 3 que de seguida passamos, ouçam-na (desta vez a começar) e saltem para outro separador, isto vai ser só sarrabiscos!


Banca
BCP e BPI



Energia
EDP, EDP Renováveis e Galp




Pasta de papel
Altri e Portucel



Retalho
Jerónimo Martins e Sonae



Construtora
Mota Engil


Indústria
Corticeira Amorim


Boa noite, bom início de semana! 

3.4.16

De volta às lides

A semana foi boa para estar fora e bem vistas as coisas a spring break ficou-me módica, se atendermos à altíssima probabilidade de me ter espalhado ao comprido se tivesse ficado por cá entretido na lufa lufa. Bom para mim!

O PSI20 é um sádico do caraças e justo quando a malta está numa de pensar que a coisa vai encarreirar o bruto tomba e leva tudo à frente. Mais do que teorias económico/políticas, aquela quebra em baixa da Lta na quinta-feira antes da Páscoa marcou o compasso, como a cena da última ceia preparou os estômagos para o que se seguiu (esta veio mesmo a propósito), e devia ter-nos levado a largar tudo e escondermo-nos, como fez Simão Pedro.


E vejam o gráfico:


A minha dúvida agora, e a de todos nós afinal de contas, é se reentra no canal descendente ou se ressalta ali no topo até à zona dos 4900 pontos. Não me consigo decidir, mas estou ansioso por descobrir como evolui a situação nos próximos dias. É que uma reentrada consistente no canal é muito mau sinal e pode levar alguns mais sadomaso a começarem a pensar que pode haver merda grossa, por exemplo, lá para o fim do mês quando os canadianos disserem de sua justiça sobre o rating da república. Como dizia o outro, make no mistake, são os sinais dados pelos gráficos que nos devem levar a antecipar a tempestade e não ocorrência da catástrofe que nos deverá levar ao gráfico. Make no mistake.


Nos títulos, o BCP fez o mesmo que o PSI20, no mesmo dia, e a falta de disciplina custou 20% aos indisciplinados (é importante reconhecer que com a banca europeia a cair em média 15% no trimestre, seria épico o BCP estar quase a ganhar no que vai de 2016). Agora vêm com a conversa de um AC, do reverse stock split, da indecisão no BPI, e mais uma quantas narrativas (para usar linguagem pós-moderna). Mas eu digo como o arbusto: make no mistake:


E agora? Agora... foda-se! Não lhe vejo ponta por onde se lhe pegue, mas dou de barato que possa ter um ressalto aqui. Mas também aceito se me disserem que se pôs a jeito para marcar mínimos. Dá-me a ideia que este é um caso que vai estar intimamente ligado, nos próximos dias, ao que se passar com o BPI, pelo que pode dar riqueza ou pobreza em igual proporção. O que sei é que o gráfico antecipará o desiderato! E por ora não é famoso!

Lembram-se de termos dito aqui que achávamos a JMT uma empresa cara. Pois bem, o que nós dizemos não conta para nada e o que as casas de investimento dizem ainda menos (ou será ao contrário?!) e o que interessa é que a JMT quebrou a resistência forte que tínhamos assinalado e manteve-se segura bem acima, pelo que está num bull market pujante e feliz. Daqui para cima, só vemos resistências na zona dos 15 euros e são valores cheios de mofo, de 2013! Pusemos ali uma Lta que acompanha o movimento atual que já leva quase 40% e achamos que a sua quebra em baixa pode ser motivo para vender (está muito encostada à cotação atual o que reforça o rácio ganho/risco). Dizemos "pode" porque em bull market há tão poucos motivos para vender quanto em bear market há para comprar!


Na small list do que vamos ter debaixo de olho no arranque de semana está a Galp. Tem um movimento similar ao da JMT, mas muito menos exuberante porque está com um caminho mais cheio de pedras. Mas na sexta-feira veio pousar outra vez na zona do vai ou racha, ali na base daquele canal ascendente dentro do qual tem vindo a navegar (comparativamente, diríamos que é como se a JMT viesse aos 13,40€). Se quebrar a linha em baixa não gostamos, mas por aqui há rácio ganho/risco que pode justificar uma investida.

27.3.16

BPI

Ficou tudo em pânico com o corte do Caixa (CB) à Isabel dos Santos (IS) e não falta gente de mãos atadas na cabeça e à procura de explicações para tão infeliz desiderato. Há quem avance com a hipótese de os espanhóis se terem fartado do ar angolano de quem tem o ás de trunfo e optado por uma desesperada corrida para o precipício e também já ouvi dizer que os dois chegaram a acordo, mas só depois os de Espanha, néscios do caralho, se aperceberam que tinham de opar todo o capital e acharam que era muita fruta ficar com o BPI ainda por cima sem Angola!

Nós por cá também temos duas teorias para o que se passa aqui, e dizemo-las muito rapidamente antes do nos pormos a andar para passar uma semaninha a descansar da jogatana:
  • Hipótese número 1 - Os espanhóis perceberam que o negócio era fraco porque estavam a pagar muito caro (quanto? Vamos já ver!) por um banco que, sejamos francos, sem Angola fica reduzido a ser uma chafarica de um país com pouquíssimo interesse como é o nosso. Ainda por cima, a IS saía do BPI e ficava com o BFA e, se o papá deixasse, acumulava no BCP com a ajuda da mais do que desidratada Sonangol e, com um bocado de jeito, até dava para chegar ao Novo Banco! Não me custa nada imaginar os do CB a dizer que, se pudessem, se punham ao contrário. Todavia, não creio que esta seja a hipótese com maior probabilidade, porque se fosse para isso não tinha havido necessidade de tanto baile nestas últimas semanas!
  • Hipótese número 2 - (Os mais impressionáveis com números grandes devem abster-se) Os valores já foram apresentados várias vezes na imprensa, mas como são contas de merceeiro e eu até aí ainda chego, não me importo de os pôr aqui: à cotação atual, a posição da IS vale 334 M€ (à cotação média dos últimos 6 meses deve valer 284 milhões) e 50% do BFA valem, de acordo com a própria IS, cerca de 700 M€, pelo que não é desacerto aparente pensar que estaremos a falar em o CB receber algures entre 370 e 420 M€ da angolana. Dito isto, aparentemente, os valores entre os dois estão feitos e não devem divergir muito. O problema coloca-se depois porque os do CB vão ter que lançar uma OPA ao resto do capital do BPI, ou seja, aos restantes 37,3%, e o preço que vão pagar pela coisa vai ser o maior de dois: média ponderada da cotação nos seis últimos meses ou o valor pago à IS. Ora é neste ponto que me parece que a partida está transformada no que é habitual nestas coisas: um tour de force de quem não brinca em serviço! À cotação atual o que resta do BPI custará 669 M€ ao CB e à cotação média (eu aponto para 1,10€) poupam 100 milhões (recebendo da IS, vão ter que avançar com 300 e tal milhas)! Acresce que por cada cêntimo a mais a que ficar registada a venda da posição da IS, os do CB desembolsam 5 milhões de euros para opar a posição dos restantes acionistas! O ideal para os espanhóis era comprar a posição da IS no preço médio semestral, mas isso obrigava a angolana, além de ter que anunciar que comprou o BFA em saldo, gramar com a gosma dos restantes acionistas do BPI que dificilmente lhe perdoariam a desfaçatez. De maneira que, qual é a solução? A do costume: fazer o peixe caro de modo a torná-lo barato. Como ainda faltam 15 dias para o final do prazo do BCE e o Draghi vem cá no dia 7 e até pode trazer novidades, os espanhóis encheram-se de peito e, ao anunciarem que vão apoiar o BPI no que fizer falta, até parece que estão dispostos para arcar com um AC em vez de fecharem o negócio que andaram a cozinhar! Entretanto, vão esperar que o mercado e os grandes acionistas interiorizem que vai ser melhor aceitar uma OPA módica do que ter que acudir a males maiores no futuro. É só jogo e a parada já vai alta! À primeira vista, não nos parece que isto faça muito bem à cotação do BPI,... mas!
Bons negócios para todos e, da minha parte, até de hoje a uma semana!

21.3.16

No rain em "O momento da Galp"

Após sucessão de quatro higher lows desde mínimos do ano, a 20 de Janeiro, a petrolífera portuguesa consolidou o movimento que lhe terá dado força para quebrar a resistência, com largos meses de invencibilidade, pelos 11 euros! No momento em que escrevo dá a sensação, nos movimentos da cotada, de um teste ao dito valor quebrado! Ora vejam o gráfico, com fecho da última sessão:


Se for para valer e confirmar a quebra da resistência então podemos olhar para cima e, no cenário mais optimista, esticar a cotação para os 13 euros reflectindo a projecção do triângulo ascendente que parece ter desenhado! Para os mais cautelosos, alguma razão até porque o valor na zona dos 12 euros impõe respeito! Para baixo, e dando relevo ao interessante rácio custo/benefício, a zona de resistência quebrada (a confirmar!), ora em diante suporte sem retirar a devida importância ao prolongamento da hipotenusa (leia-se linha de tendência) do triângulo a sombreado!

Para conclusão da apreciação ao momento da Galp, uma iguaria do nosso cardápio no Spotify! Nostálgica, a aconchegar a tarde chuvosa! 

Fiquem bem, bons trades!



  

20.3.16

PSI20

Não há dúvida de que o PSI20 está a passar por uma boa fase. Depois de um início de ano em voo picado que o levou a uma queda máxima de 16% no dia 11 de fevereiro, encetou uma recuperação que nos deixa a uns módicos 2,6% do break even. É assim a Bolsa: passamos do bota-abaixismo militante ao vamos ver o que isto dá e ao se não compramos morremos, e também fazemos o caminho inverso, em menos de um fósforo, como se fôssemos os maiores cata-ventos do mundo. E tudo só por causa de uns gráficos com as cotações diárias e com pouca ou nenhuma ligação com a realidade! Irracional? Sim, but we like it!

A performance do nosso índice e dos outros como ele foi, portanto, imprópria para quem sofre do reumático ou da hipófise, mas fez certamente as delícias dos que se pelam por emoções fortes e têm tido a felicidade de frequentar esta nossa animada casa. 

Vejam em que estado param as modas no arranque de mais uma semana.


Reparem na subida de volume na semana que findou, facto que só ajuda a confirmar a tendência de subida que é já claramente de médio prazo: quebra com força do canal descendente (vê-se melhor no gráfico seguinte), primeiro higher high depois de 8! lower highs seguidos e cruzamento convicto da EMA14 (linha verde) sobre a EMA50 (linha amarela), facto que já não acontece desde janeiro de 2015 no dealbar, também com aumento de volume, de uma subida de 21% em 3 meses.


Como queremos manter a coisa simples, gostamos de médias móveis, linhas e pouco mais. No gráfico metemos a média móvel de 200 dias (linha vermelha) que costuma dar sinais de longo prazo. Escolhemos a média simples que nos parece dar resultados mais fiáveis: o PSI20 já falhou duas aproximações em ressaltos e agora está prestes a uma terceira abordagem (aliás, se usarem a média exponencial, o fecho semanal deu-se exatamente sobre a linha). O facto de as MM de mais curto prazo ainda estarem algo longe e a presença daquela resistência horizontal representada pela linha tracejada vermelha levam-nos a tomar como provável um período de consolidação antes de ultrapassarmos a zona dos 5250-5300.

No gráfico semanal há um facto que reforça o nosso otimismo. Ora vejam:


Aquela linha de tendência descendente não era quebrada em alta há dois anos! Foi-o agora e parece-nos extremamente relevante, ainda que não estejamos livres de um false break.

Para baixo, não gostávamos de uma arriar daquela linha ascendente no primeiro gráfico, pelo que a consideramos um bom ponto de entrada para quem está de fora. Stop loss na quebra em baixa da zona dos 4900 pontos.

15.3.16

BPI

Começam a surgir desenvolvimentos em relação ao negócio entre a Santoro, de Isabel dos Santos, e o Caixabank (CB) com vista a solucionar o problema do excesso de exposição do BPI a Angola e recompor a estrutura acionista do banco.

Tanto quanto transparece das informações que surgiram na imprensa, o acordo vai permitir, em primeiro lugar, a desblindagem dos estatutos do BPI que exige a aprovação de 2/3 do capital, de modo a terminar com o limite dos direitos de voto a 20%. Sem essa limitação, os direitos de voto corresponderão diretamente à posição de capital. A ideia é que, depois de aprovada a desblindagem, o CB passe a deter mais de 50% do capital do BPI (supostamente comprando a totalidade da posição da Santoro - 18,6%) e possa controlar totalmente o banco. E é aqui que entra a segunda parte do acordo: controlando o BPI, o CB vende a participação (parte? a totalidade?) no BFA a Isabel dos Santos.

E onde entramos nós neste negócio?

De acordo com o código de valores mobiliários (art.º 187), "Aquele cuja participação em sociedade aberta ultrapasse, directamente ou nos termos do n.º 1 do artigo 20.º, um terço ou metade dos direitos de voto correspondentes ao capital social tem o dever de lançar oferta pública de aquisição sobre a totalidade das acções e de outros valores mobiliários emitidos por essa sociedade que confiram direito à sua subscrição ou aquisição."

Portanto, havendo negócio e controlo por parte do CB tem que haver OPA sobre a totalidade das ações! 

Mas pode ser que (e neste particular as informações ainda são escassas) o acordo seja apenas para desblindar os estatutos para que em conjunto (CB e Santoro) possam tomar decisões, que permitam uma troca de participações: os angolanos passam BPI para o CB, sem ultrapassar o limite dos 50%, e o BPI entrega BFA a Isabel dos Santos, resolvendo o chamado problema angolano. Duvido que a Santoro queira uma solução deste tipo porque, depois de desblindados os estatutos, seria muito fácil o CB controlar efetivamente o BPI, mesmo que não tivesse a maioria do capital, aliando-se com outro dos pequenos acionistas. Era um formidável tiro no pé! Contudo, o comportamento do BPI hoje no mercado foi bastante estranho para um banco em risco de ser opado (até parecia que não houve fugas de informação), pelo que fico um bocado de pé atrás até ver o que de concreto se vai seguir!

Quanto ao preço de uma possível OPA, o artº. 188 do mesmo código esclarece: "A contrapartida de oferta pública de aquisição obrigatória não pode ser inferior ao mais elevado dos seguintes montantes: 
a) O maior preço pago pelo oferente ou por qualquer das pessoas que, em relação a ele, estejam em alguma das situações previstas no n.º 1 do artigo 20.º pela aquisição de valores mobiliários da mesma categoria, nos seis meses imediatamente anteriores à data da publicação do anúncio preliminar da oferta; 
b) O preço médio ponderado desses valores mobiliários apurado em mercado regulamentado durante o mesmo período.

Portanto, vai ser importante saber a que preço vende a Santoro a sua posição porque a média das cotações nos 6 últimos meses deve estar abaixo da cotação atual!

A nossa bênção e um pouco de SBSR

Começo por dizer que no decorrer da passada semana tivemos um registo de visualizações acima das 2500! Só por isso...


É obra e gratificante para um blogue com um público alvo tão restrito quanto a sedução popular pelos mercados! Ou seja, pouca! Claro está que o entusiasmo das últimas semanas nas bolsas ajudou ao frenesim dos seduzidos mas também não deve deixar de ser menos verdade que a nossa conversa fiada, com uns gráficos pelo meio e umas melodias a acompanhar, vos tem engrandecido a conta bancária e vocês andam a tomar-lhe o gosto! Se não é verdade, que raio andam vocês a ler?


Trigo limpo farinha Amparo! Trabalho de casa feito e só cabia a cada um a tarefa de cumpri-lo à risca! Forte volume no breakout nos 0,04, à típico short squezze, era o último sinal para 15% até ao objectivo! E voilà, foram precisos dois dias até ao fecho de posição e o nosso estar do lado de cá!


Daqui para a frente e para cima acrescentámos próximo objectivo, ali junto aos 0,052, pós quebra dos 0,046/47, se quebrar e se lá voltar! Para baixo, juntámos uma lta de curto prazo que tem suportado a cotação. Se for para valer, neste momento está nos 0,0415! Para voltar a reinar o pessimismo, a quebra em baixa dos 0,039/40 é meio caminho andado! 


Abusou da paciência mas lá se aguentou na base do canal, para o bem de quem nela acreditou na expectativa de realizar mais-valia na ida aos 0,98! Lá aconteceu e rapidamente cedeu, consolidando pelos 0,95! Sexta-feira passada quebrou resistência e ficou com este cenário:


Para baixo a anterior resistência virou suporte, pelos 0,98! Para cima, objectivo nos 1,08!


Embora no dia seguinte à nossa publicação tenha chegado lá perto, ontem acabou por atingir, sem mais dar, a projecção ao encontro do primeiro objectivo! 


Para cima, e na quebra à segunda dos 1,82, segue o objectivo dos 1,92! Para baixo, ganhou algum suporte pelos 1,65! Abaixo disso, zona dos 1,50 para evitar desconfianças!

Abençoados trades!

Adiante e a caminho da conclusão umas breves notas:

  • Nos índices fizemos aqui há dois dias o ponto de situação, bem como a leitura especulativa aos movimentos no BCP! 
  • Altri e a Portucel que falámos no passado dia 8 de Março seguem dentro do expectável e mediante análise! 
  • Na EDP mais parece que o confronto de ideias entre a zona de vendas e o gap bullish da sessão de sexta-feira está a fazer sucesso e ela não se quer decidir! Não sai do sítio, é aguardar!

Para terminar, deixo-vos com uma entrevista de 1996 a Iggy Pop pelo Blitz, que podem ler aqui, ele que um dia depois de ter passado pela nossa casa com Gardenia no EDP e a nova de Iggy Pop foi confirmado no SBSR! Até parecia intuitiva a nossa bênção!

A música de fecho, como não podia deixar de ser, fica entregue ao elenco deste ano do Super Bock Super Rock! Duas escolhas que entram directamente para a nossa playlist do Spotify!

Boa audição, boa noite!

The National com Bloodbuzz Ohio


Disclosure com a participação de Lorde no tema Magnets


13.3.16

O ponto em que nos encontramos e o BCP

Confesso-vos que nos tempos que correm não me dá vontade de negociar mais nada que não seja banca. Banca tuga, bem entendido. Um tipo vê em todo o lado tudo a falar da banca portuguesa e de processos de rearranjo de estruturas acionistas (em vez de aumentos de capital) e pensa para com os seus botões, que diabo, este é o tipo de cena excitante em que quero andar metido. Carago se os espanhóis andam metidos, se os angolanos andam metidos, se o Marques Mendes anda lá enfiado e até o nosso presidente-papa-francisco está empenhado quem somos nós para ficarmos de fora a ver? Isso: ninguém!

De maneira que andamos lá e olhem: entramos em boa hora e já temos bebido uns cafés de graça! 

Vou-vos dizer qual me parece ser o ponto da situação.

Começo pelo PSI20 que na sexta-feira atingiu o topo do nosso canal. Se rompeu ainda é uma incógnita, mas nos próximos dias saberemos (seja como for, a verdade é que também não seria inédito um falso break). Agora tem que fazer um máximo relativo acima dos 5100 pontos em fecho, essencial para que não se dê um novo lower high que poderia ter consequências bastante sérias: não parece difícil, até porque, apesar das subidas recentes, o índice mantém-se saudavelmente longe da sobrecompra. Para cima, o primeiro verdadeiro teste vai estar na zona dos 5300-5400 pontos, curiosamente, a região do break-even anual, para baixo, na região 4850-4900. Claro que, atendendo a toda a envolvente do mercado, estou como vós e agora acredito mais no cenário bullish, mas todos sabemos que o mercado é maroto!


Olho para o S&P500 e vejo força, mas há ali uma resistência que pode colocar dificuldades na zona dos 2040:


E no DAX, idem, com resistência nos lógicos 10000 pontos. Neste caso, com um bocado de boa vontade, é possível imaginar uma cabeça e ombros invertida, figura que, em conjunto com uma quebra da zona dos 9900 pontos projetava as expetativas para a zona dos 11000 pontos, já em território de touros:


Como os mercados se mantêm em bear market, as resistências devem ser levadas muito a sério, pelo menos num primeiro embate e vai ser importante monitorizar a evolução, por exemplo, do preço do petróleo e da cotação do par euro/dólar para se perceber com que probabilidade poderemos ter uma quebra em alta.

Visto o panorama geral, vamos então ao JP Morgan e ao Goldman Sachs cá da paróquia. 

De fusões, aquisições e outras confusões nem me vou dar ao trabalho de falar porque meus meninos e meninas nada mais sei do que vocelências, mas opino sobre o que dizem os gráficos e faço-o com o beneplácito do artista da bola de cristal.

Especulamos aqui que a Blackrock (BR) tinha andado a vender a posição que tinha no BCP. Veio-se a saber depois que não vendeu a sua posição mas outra que pediu emprestada no valor de metade da posição que tinha. Enfim, detalhes que não nos fizeram perder a aposta. Contudo, há uma nuance que faz toda a diferença. Se a BR tivesse mesmo vendido a posição, tinha ido à sua vida e neste momento já estaria a fazer maus negócios noutro sítio e nenhum daqueles traders tresloucados queria saber do BCP para nada. Ao shortar, trancou a posição que tinha, isto é, sobre metade da posição deixou de ter prejuízo ou lucro, mas continuou acionista do nosso banco e melhor ainda: quem shorta, mais cedo ou mais tarde, vai ter que comprar para fechar a posição e devolver o que pediu emprestado. Ou seja, os bacanos da BR não só não venderam a posição que tinham, como se comprometeram a recomprar 1% do BCP no futuro. Claro que para quem alombou com as quedas quando os artistas estavam a despejar isso não foi grande consolo, mas quem assistiu de fora foi como se recebesse um bilhete para uma grande galopada sometime in the future! Ora bem, e o melhor é que o BCP é o rei dos shorts: na semana passada havia 5% (quase 3000 milhões de ações) de posições curtas. Duvido que a BR tenha fechado na sexta-feira: vão ser os últimos de certeza! E acho que muitos devem ter passado o fim-de-semana a fazer contas ao rácio custo/benefício de manterem a posição e eu sou dos que estou a torcer para que concluam que é melhor comprar: eu tenho um cesto delas que vendo por caridade!

Gráfico diário:


Uma chamada de atenção para o semanal onde o BCP não fecha acima da média móvel de 21 períodos desde junho de 2015: está nos 0,0448!

Vai longo o texto: amanhã falo do BPI!