30.5.16

PSI20

No PSI20 vejo duas maneiras de sairmos da cepa torta:


  1. Quebramos a Ltd em alta, com volume e em força, e estabelecemos no curto prazo um higher low, com o bónus de haver cruzamento positivo de médias móveis (EMA9 para cima da EMA21);
  2. Batemos na Ltd e levamos com um ricochete forte para trás, estabelecemos um lower low no curto prazo, temos falha no cruzamento de médias móveis e voltamos às quedas.

Evidentemente, a malta está na expetativa de ver no que a coisa dá e só teremos subida do volume (hoje foi anormalmente baixo por causa do feriado americano) na aproximação à zona 5020 pontos, com as vendas daqueles que serão os primeiros a comprar em caso de quebra. Temos, pois, menos de 1% para que se chegue a um desiderato.

Como os principais mercados mundiais caíram forte e feio quando o petróleo descambou, não só porque se temeu a ruína de toda uma indústria fortemente endividada de extração de shell oil & gas, mas também devido ao impacto nos emergentes, agora que o Nymex leva quase 40% de subida no ano e parecem afastados os cenários mais apocalípticos, é normal que aconteça recuperação. Portanto, dá-me a ideia de que enquanto o petróleo mantiver a bom momento, vamos ter os principais índices mundiais igualmente em boa forma. E quanto melhor estiver o DAX, o CAC ou o S&P mais difícil vai ser manter o PSI deprimido! Claro que, se os outros arriarem, também não vai ser fácil convencer a malta da pesada a comprar no nosso pequenito!

29.5.16

O cavalinho da semana

Para início de semana vou estar de olho neste cavalinho:


Por via das dúvidas já pus umas lecas no bicho, mas se aquela linha for rompida não respondo por mim no que toca a entrar a matar! 

Com o Mou no MU e o Pep no MC, há muita gente (doidos varridos!) que está a olhar com uma certa piada para a BTV. Juntem o Benfas campeão, o europeu à porta e a moca de LSD futebolístico com que o povo anda e não vai ser difícil justificar que estes da NOS, que entraram a pés juntos nesse maravilhoso mundo do dinheiro cheio de hormonas, comecem a valorizar à grande!

Há outras garupas com corações palpitantes por baixo, e havemos de falar disso quando tivermos tempo, mas pôr o dinheiro neste puro sangue é bem capaz de dar um outro colorido às vitórias da seleção de todos nós!

Música maestro!

18.5.16

SP500, o bom, o mau e Ian Curtis

Em finais de Fevereiro, com optimismo, projectamos aqui valores para o S&P500! Valores esses atingidos, supra-atingidos! Desde então oscilou entre a ameaça a máximos e o principio do fim - entenda-se início de quedas e consequente razão ao sell in May and go away! Nada disto até ao momento se confirmou! 

Posto isto e na sequência do Dança e balança, onde analisamos os índices europeus mais relevantes, vejamos agora com o que se poderá contar vindo de lá do outro lado do atlântico!

Gráfico:


Dois cenários:
  • Optimista na quebra em alta do triângulo descendente delimitado pelas linhas a verde! Primeiro objectivo no máximo relativo, 2083! Segundo objectivo em máximos do ano, pelos 2100!
  • Negativista na activação de um ombro cabeça ombro (a azul) pelos 2036 e com projecção para a zona dos 1970!
Das conclusões daqui às consequências nos europeus é um ápice e os valores referência (primeiros!) para eles definidos serão, sem grandes hesitações, quebrados!

De análise estamos falados! 

A terminar, uma breve referência ao dia!

Faz hoje precisamente 36 anos que Ian Curtis se suicidou! A 18 de Maio de 1980 e com apenas 23 anos! Os suficientes para se tornar um ícone e a história se encarregar de fazer dos Joy Division uma das mais marcantes e influentes bandas das últimas décadas e, em boa parte, grande responsável pela melancolia que marcou a boa cepa musical britânica na década de 80!

Aproveitando a efeméride, o fecho fica-lhes entregue! A eles, aos Joy Division, a Ian Curtis!







O pasto da semana

O fim de semana foi do benfas e quase não sobrou tempo para a jigajoga, mas a verdade é que a festarola do título não dá de comer, e mais cedo ou mais tarde um mano vê-se na contingência de ter que pôr o graveto a trabalhar, sob pena de ser campeão apenas por interposta pessoa. 

E onde é que pusemos as poupancitas a pastar até sexta-feira a ver se engordam? 

Pois bem, por ora estão a ruminar no campo dos CTT (que entram em ex-dividendo sexta-feira e parecem ter quebrado a nossa resistência nos 8,13), onde julgamos poder encher quase 6% até aos 8,6€. Como o dividendo é de 0,47€ (dividend yield de quase 5%), não nos parece que haja falta de interessados, até porque um fecho na zona dos 8,30€ ou acima na sexta-feira coloca a abertura da sessão de 2ª. feira acima dos 7,80€, suporte mais do que suficiente para suster a cotação a seguir!


Claro que mantemos o gado na GALP, numa aposta que já vem da semana passada, e com as reservas de destilados de petróleo (onde a petrolífera é forte) a sairem sucessivamente abaixo do esperado, estamos a contar com uma engorda engraçada, até porque a base do nosso canal tem chegado para as encomendas no que toca a amparar quedas. Um fecho acima de 12,20 e dá-me a ideia de que também eu passo a campeão! Gráfico? Está aqui.

Hoje ficamos com a pulga atrás da orelha em relação à NOS porque parecem estar reunidas condições para que volte a beneficiar com a associação ao futebol que, como toda a gente sabe, é generoso com quem faz parte do meio. Mas nesta ainda nada no gráfico nos recomenda uma entrada, pelo que aguardaremos serenamente, da mesma maneira que aguardamos pela EDP Renováveis na zona dos 6,50€. Tranquilo!


12.5.16

Dança e balança

Estes últimos dias fizeram-me recordar um texto que publiquei caminha já para quase um ano! A indisciplina de Maio demonstrava a passividade de um mercado que, incapaz, mostrava sinais de pouca força na tarefa de quebrar máximos relativos! Confirmem os momentos, da altura e o atual, e detectem as diferenças, se as virem:


Claro está que existe uma grande diferença de 2015 para 2016! No primeiro, começamos o ano a abrir caminho e cheios de força e no segundo começamos com uma derrocada de quase 20% e que nem tão pouco ainda conseguimos recuperar! Suficiente para pensar: é mesmo para levar a sério o dito sell in May and go away com este cenário tão deprimente? Parece-me prematuro e por enquanto, tal qual mercado dúbio, dancemos e balancemos ao ritmo do momento!

PSI20


Era inevitável que com os índices europeus a fazerem inversão de marcha o nosso PSI não conseguisse manter o excelente desempenho (ao 5º dia em outras tantas sessões talvez fosse merecedor!) que daria certamente ganas para ataque à SMA200, pelos 5130! Acontece que, e sendo assim com essa inevitabilidade, o cerco a esses valores ficará para já fora da equação e a preocupação no imediato é recuperar as médias exponenciais (as de curto prazo), a azul e vermelho tracejado! Se o imediato for para levar a sério, então, excelente, voltámos também para cima da Lta desde mínimos anuais (a preto)! Para baixo a quebra do mínimo relativo nos 4760 dá-nos a ideia de proximidade a mínimos do ano e o sell in May and... já carbura!

IBEX35


Para cima dos 8800, ânimo extra para aproximação a máximos do ano! Era sinal de que as médias móveis de curto e médio prazo já estariam por baixo da cotação e as motivações para compras aparecessem! Para baixo, os 8280, à semelhança do mínimo relativo do nosso PSI!

CAC40


Outro a precisar de ir para cima das médias móveis de curto e médio prazo para aproximação à média móvel dos 200 dias (preto tracejado)! Para baixo, as linhas demarcadas para obedecer!

Quanto ao DAX30, o farol que ilumina os europeus desde que estes não virem gregos (ainda vou sendo patriota!), por razões técnicas não nos é possível expor no momento o gráfico, ficando a promessa que mais tarde, por volta das 22h30, o colocaremos no nosso FB para vossa visualização! De salientar, e falando de cor, que hoje andou por lá mas não quebrou em baixa valores do mínimo relativo, pelos 9820! O que a manter-se é bom para o curto prazo!

Como a semana já vai longa e o mercado tem estado pachorrento como o tempo... 
Adriana Calcanhotto e uma boa noite!



10.5.16

Vamos lá fazer dinheiro

Duas sugestões de análise (com gráfico), uma chinesice e uma musiquita a ver se a malta anima e o grampo aparece. 




8.5.16

BCP

Haverá melhor ação para negociar na bolsa portuguesa do que o BCP? Não há, mas só se recomenda a quem tem tarecos de kevlar e coração de aço. Os outros devem abster-se porque o bandido dá e tira com uma velocidade tão grande que o mais provável é que acabem a enriquecer a conta bancária... de um psiquiatra. 

Os resultados trimestrais do banco foram apresentados na segunda-feira e, quanto a nós, o dado mais relevante é a baixíssima rentabilidade em Portugal: menos de 2 milhões de lucro! Com o estado de pré-guerra em Moçambique e o congelamento da ajuda internacional ao país por causa do caso da dívida escondida talvez seja de esperar uma descida do lucro em África (em Angola, o BCP entregou o controlo aos angolanos e é sensato não contar com dividendos por muito tempo), ao mesmo tempo que a unidade polaca continua a enfrentar sérios riscos por causa das medidas que vão brotando da cabeça dos governantes de Varsóvia. Como, em última instância, os valores costumam tender para uma situação de valorização justa, isto é, o preço das coisas acaba por coincidir com aquilo que elas realmente valem, e as empresas valem tanto mais quanto maior for o resultado líquido que obtenham ou possam vir a obter, não vemos nestes resultados sinais de que a trajetória de desvalorização do BCP possa ser invertida nos tempos mais próximos!

Porém, ninguém (ou quase ninguém) tem negociado BCP por acreditar que o banco possa valer mais e o negócio cresça, proporcionando dividendos generosos no futuro. Enquanto investimento, o BCP não serve e quem fez confusão vem pagando, com línguas de palmo, há muito tempo. Negoceia-se BCP como se deve negociar sempre em bolsa: compra-se na expetativa de vender mais caro, no mais curto espaço de tempo possível, e vende-se na expetativa de comprar mais barato. Compra-se quando há sinais de compra; vende-se quando há sinais de venda! C'est ça! E para isso, a menos que se desconte as chatices que dá, o BCP é generoso: tem volume, volatilidade e é dado a especulações.

O principal motor especulativo tem sido a concentração bancária e vamos continuar a assistir a movimentos nas cotações relacionados com notícias que têm que ver com fusões e aquisições.

Na quinta-feira, o ex-presidente da Associação Portuguesa de Bancos, João Salgueiro (JS), deu uma entrevista à Antena 1 em que sugeriu que o BCP poderia ser um dos próximos bancos a ser resgatado. No fim do dia, veio emendar e tal, mas as palavras já estavam no ar e não havia como lhes deitar a mão. Naturalmente, não sabemos o que vai na mente do bom do Salgueiro, e nem nos atrevemos a imaginar as informações privilegiadas de que dispõe, mas como apanhamos as palavras no ar e elas agora são nossas, reservamo-nos o direito de lhes dar a leitura que nos é permitida pelos nossos direitos constitucionais.

Evidentemente, não nos passa pela cabeça pensar que JS foi descuidado e muito menos que tenha sido néscio ou até que se tenha enganado. Ninguém é ministro das finanças e líder dos banqueiros se for um milésimo tão lorpa! Também ignoramos olimpicamente as declarações de substituição que fez a seguir: valem zero e ele sabe que sim! Por outro lado, estamos em crer que o mercado tomou devida nota da declarações feitas e vai dar-lhes o peso que merecem! Pensando um pouco, a leitura que fazemos das palavras que conseguimos apanhar é uma de duas:
  • O BCP precisa que lhe deitem uma mão, o mesmo é dizer precisa de um investidor de pulso que entre com capital fresco, de maneira a poder aumentar a rentabilidade potencial em Portugal. Ouro sobre azul era pagar o resto da ajuda estatal e abalançar-se ao Novo Banco (NB), criando um banco com dimensão suficiente para manter a banca privada portuguesa sob controlo dos banqueiros cá da paróquia. O problema é que há falta de gente disponível para acorrer ao peditório: os angolanos ganharam o galardão de persona non grata e estão debaixo do fogo do BCE, e todos falam dos espanhóis, mas estes andam escaldados com a América Latina e têm pouca vocação para a caridade. Negócio fraco e poucos interessados? Dizem as regras do mercado que o preço tem que baixar até despertar o apetite de potenciais compradores. A nossa teoria é que pode haver espanhóis interessados em participar num aumento de capital do BCP, mas não ao preço atual e podem estar em curso manobras para que o mercado interiorize a ideia de que vai ser necessário tornar a banca lusa mais atrativa. Aliás, depois da liquidação do BANIF, ninguém os pode censurar para só comprarem do lado de cá se for pechinchona. Que o diga o BPI!
  • A segunda teoria é um pouco mais sinistra e remete-nos para a ideia de que as palavras que apanhamos no ar, saídas diretamente da mente de JS, estariam na forma de um pensamento literal e mais não seriam do que a sementeira daquilo que ganhará forma nos próximos meses. Um resgate ao BCP (e à CGD e a outro banco mais pequeno), que implicaria certamente um segundo resgate a Portugal e a correspondente queda da geringonça, que abriria caminho a um governo de direita por muitos e longos anos. Uma declaração de efeito político, portanto!
Mas também pode ser que não seja nada disto e João Salgueiro esteja apenas preocupado!

Para acabar ainda temos tempo para meter o gráfico (antes de irmos sofrer em frente ao televisor). A nós nem para especular nos convencem a meter dinheiro neste frangalho, embora estejamos curiosos para perceber o que se vai passar na aproximação à zona dos 0,031! Boa sorte para todos!

Terceiro ano

Depois de uma semana e tal de folga, inauguramos hoje o nosso terceiro ano de atividade nesta indústria da laracha bolsista e fazêmo-lo reafirmando os propósitos fundadores desta nossa casa que nada mais são, afinal de contas, do que reflexo da nossa própria maneira de estar nos mercados:

  • Negociar em Bolsa por oposição a investir em bolsa. Aqui jamais falaremos de investimentos, mas de comércio: compra e venda, no mais curto intervalo de tempo, e preferencialmente com lucro. Na Bolsa do século XXI compra-se e vende-se o que o mercado tem para oferecer e faz-se isso em tempo real, sem estados de alma, e com uma estratégia o mais racional possível. No N€B partilhamos um pouco daquilo que são as nossas ideias, a nossa forma de identificar oportunidades, elencar riscos e definir estratégias num mundo onde tudo isso está presente a cada minuto que passa. Evidentemente, o facto de tomarmos as nossas decisões avaliando sempre no curto prazo, não nos faz perder de vista o cenário de conjunto e os movimentos tendenciais num tempo mais alongado.
  • Estamos firmemente convictos, até por experiência própria, que a arte de Negociar em Bolsa só é possível se formos capazes de aprender todos os dias, filtrando o essencial do tremendo manancial de informação que nos entra cérebro adentro. Mais do que inteligência, é necessário ser esperto e mais do que ter informação é preciso ter a agilidade mental para identificar movimentos e agir em consonância. Como se adquirem as competências necessárias? Ler, viajar, ouvir música e ir ao cinema, conversar e trocar experiências. Fazer coisas que não têm diretamente a ver com negociar e fazê-las nunca perdendo de vista o objetivo final: aprender! Connosco tem funcionado!
Bons negócios para todos!

30.4.16

O apagão

Última parte

E, então, falhou tudo e nós ficamos incomunicáveis e foi como se nos tivéssemos teletransportado para uma outra galáxia ou, sei lá, uma coisa assim estranha lá longe num país habitado por vegetais que caminhavam aleatoriamente, tristes como a noite e sem poderem estabelecer uma comunicação por mais rapeta que fosse, pois eram vegetais e não tinham boca nem olhos, quer dizer, nós tínhamos boca e olhos, a luz falhou mas não nos levaram partes do corpo, era o que mais faltava, mas a verdade é que melhor seria se nos tivessem levado a boca (os olhos não que faziam falta para ver as teclas) e deixado cá os telemóveis com baterias infinitas (por que diabo não inventaram baterias infinitas enquanto havia livros é algo que não consigo conceber!) para a gente continuar a enviar sms uns aos outros. Pela parte que me toca, bem que gostava de fazer alguma coisa para poder inverter a situação e pus-me a magicar, magicar e acabei por me lembrar de que podia restabelecer a comunicabilidade se fizesse sinais de fumo como faziam os índios há muito tempo atrás num filme que vi na televisão, mas só depois me dei conta de que para fazer fumo é preciso ter fogo, coisa que infelizmente se nos foi desde que falhou a luz e já não veio.


E foi então, já em desespero de causa, que me lembrei de que podia pegar num lápis (que, felizmente, não é elétrico) e escrever. E escrevi este texto.

29.4.16

O apagão

Sexta parte

Mas isto que vos contei até aqui não é nada de especial quando nos apercebemos da incomunicabilidade. Foi aí que verdadeiramente panicamos todos ao ponto de termos ficado gagos de tanto matutar sobre o assunto. Como devem imaginar, é duro agora ficarmos mergulhados nas trevas negras ou deixarmos de poder saborear uma data de guloseimas absolutamente irrepreensíveis, ou sei lá, passarmos a ter os hospitais num caco, as escolas todas espatifadas ou termos de andar permanentemente a pé com solas gastas porque não há gasolina para pôr nos carros, etc., mas ninguém está preparado para que nos venham dizer que não podes usar o telemóvel, nem o computador, ou ir à net, ao face, tipo, postar, e tirar umas selfies todas maradas e LOL da cara de porquinha da fulana de tal, e assim. A verdade é que foi das coisas mais maradas que eu alguma vez ouvi na vida quando me disseram que se não tens luz elétrica os pcs não funcionam e é só uma questão de tempo até as baterias dos telemóveis escafederem geral. Garanto-vos que, ao princípio, nem queria acreditar, quer dizer, é tudo tão surreal que achas que estão mesmo a gozar com a tua cara a ver se cais na asneira de tirares uma selfie com aquele ar todo apalermado, ou coisa do género, mas depois dás-te conta de que é mesmo verdade e o teu telemóvel vai deixar de funcionar para sempre e acabas por te transformar na pessoas mais infeliz do mundo, sei lá, tens vontade de embocar uma garrafa de whisky de uma só vez (como se ainda houvesse whisky à venda, e não fosse necessário luz elétrica para o fazer), ou de fazer de conta que és uma banana, etc.

28.4.16

O apagão

Quinta parte

E já que estamos na cozinha, também não sei se conseguem imaginar o que é viver sem frigorífico. Bem, tenho a certeza de que não conseguem, porque a verdade é que o frigorífico é uma daquelas coisas que está lá desde sempre a fazer fresquinho, mas digo-vos que se ele calha de vos falhar, podem ter a certeza de que a vossa vida leva uma reviravolta das grandes. Sem frigorífico garanto-vos que a vitela se estraga num abrir e fechar de olhos e o leite, e os iogurtes, e assim. Claro que estou para aqui com esta lamechice toda, mas a verdade é que para nós isso agora já não interessa absolutamente nada, porque desde que se foi a luz e já não veio, nunca mais tivemos iogurtes, nem coisas do género, tipo coca-cola, bollycaos ou batatas fritas de pacote porque, não sei se sabiam, mas as máquinas que faziam coisas assim tão boas eram elétricas, as filhas da mãe, e agora já não funcionam e estão todas a enferrujar e nós daqui a pouco nem vacas temos, quanto mais leite de vaca ou iogurtes. De modo que, calculais bem, o frigorífico pode perfeitamente ser lançado janela fora ou desmontado para fazer brinquedos porque a verdade é que já nem temos o que pôr lá dentro.

27.4.16

O apagão

Quarta parte

Agora andam para aí uns artolas a darem-se ares de gente muito inteligente e culta, com uns paus e umas pedras a ver se inventam lume, mas eu não vejo jeito nenhum, porque eram daqueles que nem facebook tinham, nem tiravam selfies, nem coisas assim, quanto mais agora porem-se com invenções.


É evidente que sem lume tivemos todos que nos habituar a comer sushi e bodegas assim, quem diria que a especialidade japona ia atingir tal preponderância na cozinha mundial, mas também surgiram novas iguarias de carne mesmo muito mal passada ou salgada e insetos e mais coisas que, à primeira vista, nos causavam uma gosma bestial, mas visto a larica apertar, passaram a marchar como se fossem petiscos de chef premiado e excessivamente caro. E para aqueles que pensam que se podiam continuar a fazer ótimos assados em fornos elétricos, que não requerem lume, tenho uma informação em primeira mão: eles não funcionam se não tiverem luz elétrica! É uma lei da física, ou assim, e é por isso que são elétricos. Daaaahhh!  

26.4.16

O apagão

Terceira parte

Aliás, não foram só os fósforos que acabaram e não se puderam fazer mais porque não veio a luz, mas onde nós verdadeiramente nos tramamos a sério foi quando demos cabo da última chispa de lume, o que, vejam bem, é uma infelicidade bastante grande porque, em primeiro lugar, ninguém no seu perfeito juízo imagina que a humanidade inteira possa ser tão passada dos carretos que se chegue ao ponto de deixar esgotar o lume, e, em segundo lugar, parece que para fazer lume não é preciso ter luz, pelo menos é o que dizem os entendidos, embora eu não acredite mesmo nada, mas a verdade é que uma coisa veio a dar na outra e, desde aí, entramos num buraco que parece não ter fundo e tem um aspeto tão negro que só nos apetece fugir. Mas para onde?



Agora, ainda que fosse possível, nós já não temos forma de descobrir como se faz lume, porque, antes de termos enviado para outro mundo a última fagulha de rodízio, deu-nos na cabeça para reduzir a cinzas uma data de bugigangas que não tinham qualquer tipo de utilidade prática e foi assim que acabamos por liquidar todos os livros do mundo. E foi um regabofe estupendo, um pagode sem fim, garanto-vos que até valeu a pena, mas acabamos por pecar por só depois nos termos lembrado de que agora, que a luz elétrica se foi e já não veio, não podemos ir à net, nem aos ficheiros informáticos ou aos ebooks e a todas essas coisas que tanto estimávamos e dávamos por adquirido e, bem, digo-vos em abono da verdade que já não atinamos fazer coisas que acho que os cabeludos das cavernas eram capazes de fazer enquanto o diabo esfregava um olho.

25.4.16

O apagão

Segunda parte

Ao princípio até nem nos arranjamos mal porque havia por aí umas velas que davam uma luzinha muito decente e, embora ficássemos um bocadinho ridículos à luz da velinha a tremeluzir, ninguém se queixava, a não ser quando nos pelávamos todos ou alguém deitava fogo a uma casa e tínhamos de ir a correr, a acarretar baldes de água ou pás de areia, e aquilo tinha dias em que chegava a ser uma galhofa pegada e quase nem sentíamos a falta dos nossos computadores e das redes sociais.


Mas um dia acabaram as velas, bem, a verdade é que não acabaram apenas as nossas velas, mas todas as velas do mundo, e como já não se fabricavam velas porque a máquina que as fabricava não tinha luz para funcionar, acabamos por ter de amolar com a escuridão. Para ser franco, a história das velas até nem teve grande importância porque mesmo que o estoque não se tivesse esgotado, a verdade é que não nos iam servir para nada, a não ser talvez para atirarmos uns aos outros como se fossem petardos ou coisas assim, porque se nos acabaram os fósforos. 

24.4.16

O apagão (especial 2º aniversário)

Primeira parte

Um dia falhou a luz e nunca mais veio.

Claro que continuamos a ter o Sol para nos iluminar e aquecer, (também era excessivo que agora o Sol se nos finasse!), mas a verdade é que ninguém está preparado para viver como faziam dantes os cabeludos das cavernas, pasmados com o brilho do Sol. Em certo sentido, foi quase como se nós fôssemos prisioneiros de catacumbas que voltassem de repente cá para fora. Lógico que íamos achar o fornecimento de luz pelo Sol bestial e bastante aceitável, e tenho a certeza absoluta de que o justo seria que não tivéssemos nada a reclamar, muito pelo contrário, tínhamos tudo a agradecer por aquele brilho todo, mas nós não éramos abestuntas nem bandidos, de maneira de que quando a luz, a elétrica, bem entendido, se foi e já não veio, era natural que nos sentíssemos deslavados e traídos. E é aí que tu te dás conta da falta que o Sol faz de noite, quando ele vai sabe-se lá para onde, e nós ficamos para cá numa escuridão que nem vos passa pela cabeça.

Aniversário N€B

Inicia-se hoje a semana em que se passam 2 anos desde que começamos a laborar!

Aproveitando a efeméride, vamos repor, ao longo da semana, uma série de textos sobre investimento em futuros e opções, ao mesmo tempo que nos atreveremos a publicar, em fascículos, uma ficção da nossa forja!

A todos bem-hajam pelo incentivo e por continuarem a visitar-nos!