9.7.16

Ponto da situação

Duas semanas out of business é dureza, mas com o mercado como se pôs depois do Brexit todo o cuidado é pouco e a sensatez aconselha a que se opte mais por gozar o Sol, ver a bola e tentar manter a cabeça fria. Como dissemos da última vez, nunca nos seduziram momentos de tão alta volatilidade e em que toda a gente parece de repente saber o que vai acontecer, apesar de paradoxalmente prevalecer a incerteza. Os chamados momentos de bolsa-casino!

Façamos um ponto da situação.

Por um lado, há os três aspetos que estão a preocupar toda a gente no que ao curto prazo diz respeito:
  • A queda da libra vai criar pressão adicional nos números da economia da Alemanha (e do resto da zona euro), coisa que já se começa a notar, por exemplo, nas encomendas industriais, embora se possa considerar excessiva uma ligação causal direta. Afinal de contas, o que o Brexit fez de mais relevante foi criar mais um concorrente de peso ao euro e vai demorar algum tempo até percebermos se a batalha económica com o RU nos vai ficar mais barata que as benesses que o Cameron tinha negociado. Até ver, a queda previsível do GBP face ao dólar está a tornar as exportações inglesas para os países que compram em moeda americana mais baratas (que o diga, por exemplo, a ABF, dona da Primark), e como o EUR não caiu nada que se comparasse, é provável que o superavit alemão venha a sofrer;
  • A subida dos metais preciosos, ouro e prata (29% e 47%, respetivamente, no que vai de ano) é sinal de take cover por parte de muitos dos mais espertos do mercado e embora se possa argumentar com fatores de diversificação em tempos de tão elevada liquidez, também não é destituído de senso imaginar que muitos se estão a precaver para dias mais negros, optando por investimentos considerados de refúgio;
  • A notícia dos fundos de investimento imobiliário que suspenderam a negociação e congelaram resgates faz lembrar demasiado o verdadeiro início da crise do subprime para ser ignorada. Em 2007, foram movimentos do mesmo género em fundos americanos que deram o sinal para bater em retirada, numa altura em que o nervosismo já era por demais evidente, mas em que ainda estávamos longe da queda do Lehman Brothers.
Por outro lado, continuamos a ter números da economia americana muito aceitáveis e, acima de tudo, a persistência de baixíssimos níveis de inflação autoriza pensar que podem ser tomadas medidas adicionais de reforço da liquidez por parte dos bancos centrais.

Pesando tudo, e contra as expetativas de muita gente, o mercado não só não se espatifou como o S&P americano esta praticamente em máximo histórico.

Assim sendo, e porque há limites para quanto conseguimos conter a ganância, não foi possível mantermo-nos a banhos e tivemos que regressar à luta nesta sexta-feira. Ainda que estejamos longe de estar convencidos, fomos a jogo pelo lado longo, mesmo conscientes da possibilidade de o S&P marcar um triplo topo bastante comprometedor (cremos, contudo, que não vai acontecer e máximos mais altos se seguirão precisamente porque havia muita gente que estava na dúvida e que agora vai acabar por ficar convencida). 

No que ao PSI20 diz respeito ainda estamos vários furos abaixo de valores que nos deixem menos stressados, mas na sexta ensaiou-se um ataque à nossa primeira resistência. Ora vejam o gráfico, onde consta toda a informação que consideramos relevante:


E em que é que entramos nós, perguntam vocês? Pois bem amigos, em que haveria de ser se não no BCP? Concordo que é uma ação de bosta, que cai uns miseráveis 50% só este ano e que provavelmente cairá mais até dezembro, mas que aquela liquidez e o comportamento tantas vezes tão previsível fazem com que seja um regalo para quem gosta de emoções fortes disso que não haja dúvidas! E vejam lá a que pontos chegamos: fomo-nos a ele numa nesga de rede móvel em plenos passadiços do Paiva, enquanto apreciávamos a paisagem e recuperávamos o fôlego, só porque o vimos quebrar em alta o nosso valor de referência. E o patego cumpriu!


O plano que se segue é muito simples. Atenção à EMA21 (linha amarela) que já não é quebrada em alta e de forma consistente há imenso tempo, e depois aos 0,022. Para baixo, há margem para o aguentar até aos 0,0173! Depois, over and out


E amanhã temos franciú para o jantar, com um bordeaux a acompanhar e campanhe no fim! Como diz o outro, se perdermos... que se foda!

24.6.16

Mais um dia de loucura

É um hábito de que faço ponto de honra nunca estar presente nestes momentos em que os mercados viram casino. Desta vez, a euforia que se viveu antes do dia D e que antecipamos aqui tornaram a tarefa bastante mais fácil: o possível ganho com a vitória do bremain tornou-se fortemente desfavorável face ao risco de vitória do brexit

Nem curto nem longo no dia das decisões, não significa que não se embarque na loucura quando tudo estiver consumado. 

Mas nós, nem isso! 

À posteriori fica-se sempre ressabiado, porque, olhando para trás, é evidente que hoje havia negócios que podiam e deviam ter sido feitos. Vejam o gráfico do BCP, com um canal cuja base era um ponto de entrada evidente. 


Numa ação líquida muita gente vai valorizar aquele canal e tentar antecipar que depois do toque na base, mais cedo ou mais tarde tocará no topo! Evidentemente, toda a posição terá que ser desfeita na quebra em baixa: são as regras do jogo que, não tem, portanto, grande ciência. Quem aproveitou logo no início está de parabéns, mas a entrada no fecho já se faz a quase 15% do ponto de stop loss, pelo que o risco pode não compensar!

Nestes dias, o pânico de uns é sempre a oportunidade de outros, e há movimentos que acabam por marcar os gráficos de uma forma que perdurará no tempo. Vejam, por exemplo, a vela feita pela EDP Renováveis:


Brutal!

A nossa aversão a entradas no mercado nestes dias de grande stress tem razões fundadas na experiência. É ótimo sair vencedor aqui, mas jamais nos devemos esquecer de como é grande o risco nestes momentos.

Muitos têm comparado o que se passa agora ao que experimentamos aquando da falência do Lehman Brothers. Nessa altura, o verdadeiro pânico viveu-se no dia 6 de outubro de 2008, a seguir ao fim-de-semana em que, temendo o estrangulamento de todo o sistema financeiro americano, o presidente Bush assinou o decreto presidencial que autorizava o bailout de 700 mil milhões de dólares. Nesse dia, o PSI20 caiu 9%, num ano em que as quedas já iam em 40% (cotávamos na casa dos 7000 pontos) e até ao mínimo do ano, 20 dias mais tarde, ainda desceríamos 15%!

Claro que as situações não se podem comparar, nem a história se repete, mas jamais nos devemos esquecer de que a maior parte dos que vendem estão a contar comprar mais barato e quando tantos estão a vender, então...

Bom fim-de-semana!

19.6.16

Plano semanal

Caraca amigos esperamos que estejam todos bem depois de uma semana em que o PSI20 foi a mínimos tão mínimos que, desde que há registos no PRT, só foram atingidos em 2012 (duas vezes) e agora pela segunda vez neste ano. Correndo o risco de pisar o limite dos meus direitos constitucionais heróis do mar (mão direita sobre a mama), nobre povo, nação valente, tralará, egrégios avós (lágrima no olho), e depois a parte séria: às armas, às armas, tralará, marchar, marchar. Quantos são, quantos são? Até os comemos, caralho! 

Quereis saber como nos correu a dança? Pois, muito bem! Arrumamos a Galp quando a vimos perder fôlego: depois de quebrar os 12,10 ou mantinha a embalagem ou era de vender. Sem espinhas! O segredo é este: entre o medo de perder um ganho, o pânico de ganhar uma perda e a cagada de ficar entalado para sempre, não se deve hesitar por um momento que seja. Vendei amigos, vendei!

Por falar em vender entramos curto no S&P (devia ter sido no DAX), mas quando soubemos que a campanha do Brexit tinha entornado o caldo por causa de um louco assassino desmontamos a tenda e voltamos às compras. E que compramos nós? Até temos vergonha de dizer mas entramos no BCP na quinta em fecho! É verdade! ...Valente eeeeeeeeeee imortaaaaaal, tralará! Escusado será dizer que entregamos a carga quando apareceu gente simpática e esfomeada!

Mas agora ficamos na dúvida. 


Se há Brexit ou não só Nosso Senhor J.C. poderá dizer. Mas se houver, dizem os espertos, a cena vai ser tão apocalíptica que melhor seria se viesse um asteróide de 500 Km em direção à Terra e nos aniquilasse de uma só vez. Contra os canhões, tralará:


Sendo assim, eu voto contra e acho que os bifes, essa malta sempre tão sensata e bem pensante:


acabará por pensar como eu. Afinal de contas, uma coisa é gritar com a lágrima no olho que se marcha contra os canhões; outra coisa completamente diferente é efetivamente fazê-lo! Mesmo levando em linha de conta que no sangue bife circula muito mais álcool por mL do que no tuga e que tudo os que os patetas lamechas sabem dizer é que querem que deus lhes salve a rainha. Booooriiiing!

Chamem-me otimista (coisa que, de resto, está na moda) mas se vos estou a dizer que fico na dúvida é porque me parece que o PSI20 veio justamente pousar num bom ponto para encetar um movimento que possa dar umas coroas, lavantai hoje de novo o esplendor, tralará, desde que sejamos suficientemente sensatos para perceber que nos podemos esbardalhar feio se a coisa der raia! O cenário otimista não se recomenda a gente facilmente impressionável, mas se olharem para o gráfico do DAX constatarão que a porta de saída está tão bem assinalada como no PSI e quem escapou até aqui pode arriscar um pouco desde que mude de opinião se houver quebra:


A semana promete e vai ser de estalo! Ah! E ainda temos Portugal na final já na próxima quarta-feira! Que belos tempos estes em que acertamos viver! Sem ofensa aos nossos avós (egrégios) que, com certeza, também gozaram à grande!

Para animar, ficai com um hino cantado com a convicção dos que batem recordes de lançamento de perdigoto e produção de ranho!

   

8.6.16

Galp

Gostamos da Galp (e de outras de que temos falado) e não há dúvida de que se trata de títulos que também gostam de nós e temos feito umas tainadas valentes por causa deste amor saudável e mútuo! Quando é assim, é bonito brincar na Bolsa e não há desporto de que gostemos mais! Claro que se pode sempre argumentar que é mais engraçado andar na montanha russa e entrar nessa autêntica máquina de cárdio que é o BCP! Deixem-me dizer, cá para nós que ninguém nos ouve, que também eu estava a ver que o ressalto do BCP ia ocorrer nos 0,020 e a resistência seguinte estaria nos 0,028, pelo que ontem era de colocar ordem nos 0,021 (uma margem para se fazer o negócio) e hoje vender nos 0,027 (outra margem para não haver falha)! Limpinho! Vocês fizeram a jogada? Parabéns! Nós só nos lembramos hoje de que podíamos ter passado da teoria à prática! O que vale é que nunca haverá falta de oportunidades! Pode faltar dinheiro, mas oportunidades não!

Agora não discuto (muito) se me disserem que é forçado, mas diabos me carreguem se não estou a ver um cabeça e ombros invertido a pontos de ser ativado no gráfico da Galp! Se o resto do mercado ajudar e disser que sim (e um fecho acima dos 12,10€ é um aceno positivo) é coisa para atirar a cotação para a zona dos 12,9;13,0! Falha e pode vir cá abaixo outra vez à zona dos 11,7€. 

Com o petróleo a deixar para trás o valor psicológico dos $50, é bem capaz de fazer sentido uma subidita, mas também há quem defenda que os preços elevados vão prejudicar a economia, fazer baixar o consumo e levar a Galp a vender menos! Mas já todos sabemos que este é o local errado para quem quer certezas ou raramente tem dúvidas.

Fica o gráfico:

3.6.16

A Pharol e a nova de Mr Beck

No meio da descrença - a Ltd não facilitou - no nosso mercadito, um breve olhar para a Pharol que não vai de modas lusitanas, tanto mais que as suas preocupações andam por outras paragens

Com a brasuca Oi, empresa na qual tem participação (aproximadamente metade do seu valor atual - a outra metade é a que o mercado entende como recuperável dos 897 milhões da Rioforte), a recuperar de mínimos entre quarta-feira e ontem com uma valorização a rondar os 30% (ontem foram 20! Caramba!) é expectável que a nossa cotada prolongue o bom andamento verificado no curto prazo e mantenha a janela de oportunidades no índice! De referir que a dia 9 de Junho paga um dividendo de 3 cêntimos, que representa uma yield a valores atuais de quase 20%, o que deve ter contribuído para uma boa dose especulativa sobre o título na última semana! Fora especulações, gráfico:


Voltando à tese!

Ao fecho de ontem nos 15,2 cêntimos descontando o valor do dividendo iria a cotação cair no mínimo histórico, a suportar a cotação, nos 12,2 cêntimos e até aí as contas faziam sentido se ontem fosse o último dia para dividendos! Acontece que não! Esse último dia para negociar com direito a dividendo é só na próxima segunda-feira e até lá muita oscilação é possível, ou não tivéssemos a falar de uma expert em especulação! Com o fecho de ontem à noite da Oi (talvez a queda menor que o esperado do PIB brasileiro ou, mais provavelmente, os acordos recentes que implicaram perdões de multas tenham ajudado) não me espantaria que abrisse, daqui a nada, precisamente pelos 16 cêntimos! A minha maior dúvida é se quebra esse valor e se se lança para os 20! Número redondo, até na percentagem de valorização! Fica a ideia! O resto, é fazer conta de subtração: fecho de segunda-feira menos 3 cêntimos (em dividendo bruto na conta) e temos valor de abertura de terça-feira! Talvez numa das linhas do gráfico que rodeiam o atual valor!

Nota: Não lhe ganhem apego (a Oi continua numa situação desesperada e que o digam os obrigacionistas da ex-PT)!

Bom dia! Segue a nova de Beck Hansen! Sem mais, right now!

30.5.16

PSI20

No PSI20 vejo duas maneiras de sairmos da cepa torta:


  1. Quebramos a Ltd em alta, com volume e em força, e estabelecemos no curto prazo um higher low, com o bónus de haver cruzamento positivo de médias móveis (EMA9 para cima da EMA21);
  2. Batemos na Ltd e levamos com um ricochete forte para trás, estabelecemos um lower low no curto prazo, temos falha no cruzamento de médias móveis e voltamos às quedas.

Evidentemente, a malta está na expetativa de ver no que a coisa dá e só teremos subida do volume (hoje foi anormalmente baixo por causa do feriado americano) na aproximação à zona 5020 pontos, com as vendas daqueles que serão os primeiros a comprar em caso de quebra. Temos, pois, menos de 1% para que se chegue a um desiderato.

Como os principais mercados mundiais caíram forte e feio quando o petróleo descambou, não só porque se temeu a ruína de toda uma indústria fortemente endividada de extração de shell oil & gas, mas também devido ao impacto nos emergentes, agora que o Nymex leva quase 40% de subida no ano e parecem afastados os cenários mais apocalípticos, é normal que aconteça recuperação. Portanto, dá-me a ideia de que enquanto o petróleo mantiver a bom momento, vamos ter os principais índices mundiais igualmente em boa forma. E quanto melhor estiver o DAX, o CAC ou o S&P mais difícil vai ser manter o PSI deprimido! Claro que, se os outros arriarem, também não vai ser fácil convencer a malta da pesada a comprar no nosso pequenito!

29.5.16

O cavalinho da semana

Para início de semana vou estar de olho neste cavalinho:


Por via das dúvidas já pus umas lecas no bicho, mas se aquela linha for rompida não respondo por mim no que toca a entrar a matar! 

Com o Mou no MU e o Pep no MC, há muita gente (doidos varridos!) que está a olhar com uma certa piada para a BTV. Juntem o Benfas campeão, o europeu à porta e a moca de LSD futebolístico com que o povo anda e não vai ser difícil justificar que estes da NOS, que entraram a pés juntos nesse maravilhoso mundo do dinheiro cheio de hormonas, comecem a valorizar à grande!

Há outras garupas com corações palpitantes por baixo, e havemos de falar disso quando tivermos tempo, mas pôr o dinheiro neste puro sangue é bem capaz de dar um outro colorido às vitórias da seleção de todos nós!

Música maestro!

18.5.16

SP500, o bom, o mau e Ian Curtis

Em finais de Fevereiro, com optimismo, projectamos aqui valores para o S&P500! Valores esses atingidos, supra-atingidos! Desde então oscilou entre a ameaça a máximos e o principio do fim - entenda-se início de quedas e consequente razão ao sell in May and go away! Nada disto até ao momento se confirmou! 

Posto isto e na sequência do Dança e balança, onde analisamos os índices europeus mais relevantes, vejamos agora com o que se poderá contar vindo de lá do outro lado do atlântico!

Gráfico:


Dois cenários:
  • Optimista na quebra em alta do triângulo descendente delimitado pelas linhas a verde! Primeiro objectivo no máximo relativo, 2083! Segundo objectivo em máximos do ano, pelos 2100!
  • Negativista na activação de um ombro cabeça ombro (a azul) pelos 2036 e com projecção para a zona dos 1970!
Das conclusões daqui às consequências nos europeus é um ápice e os valores referência (primeiros!) para eles definidos serão, sem grandes hesitações, quebrados!

De análise estamos falados! 

A terminar, uma breve referência ao dia!

Faz hoje precisamente 36 anos que Ian Curtis se suicidou! A 18 de Maio de 1980 e com apenas 23 anos! Os suficientes para se tornar um ícone e a história se encarregar de fazer dos Joy Division uma das mais marcantes e influentes bandas das últimas décadas e, em boa parte, grande responsável pela melancolia que marcou a boa cepa musical britânica na década de 80!

Aproveitando a efeméride, o fecho fica-lhes entregue! A eles, aos Joy Division, a Ian Curtis!







O pasto da semana

O fim de semana foi do benfas e quase não sobrou tempo para a jigajoga, mas a verdade é que a festarola do título não dá de comer, e mais cedo ou mais tarde um mano vê-se na contingência de ter que pôr o graveto a trabalhar, sob pena de ser campeão apenas por interposta pessoa. 

E onde é que pusemos as poupancitas a pastar até sexta-feira a ver se engordam? 

Pois bem, por ora estão a ruminar no campo dos CTT (que entram em ex-dividendo sexta-feira e parecem ter quebrado a nossa resistência nos 8,13), onde julgamos poder encher quase 6% até aos 8,6€. Como o dividendo é de 0,47€ (dividend yield de quase 5%), não nos parece que haja falta de interessados, até porque um fecho na zona dos 8,30€ ou acima na sexta-feira coloca a abertura da sessão de 2ª. feira acima dos 7,80€, suporte mais do que suficiente para suster a cotação a seguir!


Claro que mantemos o gado na GALP, numa aposta que já vem da semana passada, e com as reservas de destilados de petróleo (onde a petrolífera é forte) a sairem sucessivamente abaixo do esperado, estamos a contar com uma engorda engraçada, até porque a base do nosso canal tem chegado para as encomendas no que toca a amparar quedas. Um fecho acima de 12,20 e dá-me a ideia de que também eu passo a campeão! Gráfico? Está aqui.

Hoje ficamos com a pulga atrás da orelha em relação à NOS porque parecem estar reunidas condições para que volte a beneficiar com a associação ao futebol que, como toda a gente sabe, é generoso com quem faz parte do meio. Mas nesta ainda nada no gráfico nos recomenda uma entrada, pelo que aguardaremos serenamente, da mesma maneira que aguardamos pela EDP Renováveis na zona dos 6,50€. Tranquilo!


12.5.16

Dança e balança

Estes últimos dias fizeram-me recordar um texto que publiquei caminha já para quase um ano! A indisciplina de Maio demonstrava a passividade de um mercado que, incapaz, mostrava sinais de pouca força na tarefa de quebrar máximos relativos! Confirmem os momentos, da altura e o atual, e detectem as diferenças, se as virem:


Claro está que existe uma grande diferença de 2015 para 2016! No primeiro, começamos o ano a abrir caminho e cheios de força e no segundo começamos com uma derrocada de quase 20% e que nem tão pouco ainda conseguimos recuperar! Suficiente para pensar: é mesmo para levar a sério o dito sell in May and go away com este cenário tão deprimente? Parece-me prematuro e por enquanto, tal qual mercado dúbio, dancemos e balancemos ao ritmo do momento!

PSI20


Era inevitável que com os índices europeus a fazerem inversão de marcha o nosso PSI não conseguisse manter o excelente desempenho (ao 5º dia em outras tantas sessões talvez fosse merecedor!) que daria certamente ganas para ataque à SMA200, pelos 5130! Acontece que, e sendo assim com essa inevitabilidade, o cerco a esses valores ficará para já fora da equação e a preocupação no imediato é recuperar as médias exponenciais (as de curto prazo), a azul e vermelho tracejado! Se o imediato for para levar a sério, então, excelente, voltámos também para cima da Lta desde mínimos anuais (a preto)! Para baixo a quebra do mínimo relativo nos 4760 dá-nos a ideia de proximidade a mínimos do ano e o sell in May and... já carbura!

IBEX35


Para cima dos 8800, ânimo extra para aproximação a máximos do ano! Era sinal de que as médias móveis de curto e médio prazo já estariam por baixo da cotação e as motivações para compras aparecessem! Para baixo, os 8280, à semelhança do mínimo relativo do nosso PSI!

CAC40


Outro a precisar de ir para cima das médias móveis de curto e médio prazo para aproximação à média móvel dos 200 dias (preto tracejado)! Para baixo, as linhas demarcadas para obedecer!

Quanto ao DAX30, o farol que ilumina os europeus desde que estes não virem gregos (ainda vou sendo patriota!), por razões técnicas não nos é possível expor no momento o gráfico, ficando a promessa que mais tarde, por volta das 22h30, o colocaremos no nosso FB para vossa visualização! De salientar, e falando de cor, que hoje andou por lá mas não quebrou em baixa valores do mínimo relativo, pelos 9820! O que a manter-se é bom para o curto prazo!

Como a semana já vai longa e o mercado tem estado pachorrento como o tempo... 
Adriana Calcanhotto e uma boa noite!



10.5.16

Vamos lá fazer dinheiro

Duas sugestões de análise (com gráfico), uma chinesice e uma musiquita a ver se a malta anima e o grampo aparece. 




8.5.16

BCP

Haverá melhor ação para negociar na bolsa portuguesa do que o BCP? Não há, mas só se recomenda a quem tem tarecos de kevlar e coração de aço. Os outros devem abster-se porque o bandido dá e tira com uma velocidade tão grande que o mais provável é que acabem a enriquecer a conta bancária... de um psiquiatra. 

Os resultados trimestrais do banco foram apresentados na segunda-feira e, quanto a nós, o dado mais relevante é a baixíssima rentabilidade em Portugal: menos de 2 milhões de lucro! Com o estado de pré-guerra em Moçambique e o congelamento da ajuda internacional ao país por causa do caso da dívida escondida talvez seja de esperar uma descida do lucro em África (em Angola, o BCP entregou o controlo aos angolanos e é sensato não contar com dividendos por muito tempo), ao mesmo tempo que a unidade polaca continua a enfrentar sérios riscos por causa das medidas que vão brotando da cabeça dos governantes de Varsóvia. Como, em última instância, os valores costumam tender para uma situação de valorização justa, isto é, o preço das coisas acaba por coincidir com aquilo que elas realmente valem, e as empresas valem tanto mais quanto maior for o resultado líquido que obtenham ou possam vir a obter, não vemos nestes resultados sinais de que a trajetória de desvalorização do BCP possa ser invertida nos tempos mais próximos!

Porém, ninguém (ou quase ninguém) tem negociado BCP por acreditar que o banco possa valer mais e o negócio cresça, proporcionando dividendos generosos no futuro. Enquanto investimento, o BCP não serve e quem fez confusão vem pagando, com línguas de palmo, há muito tempo. Negoceia-se BCP como se deve negociar sempre em bolsa: compra-se na expetativa de vender mais caro, no mais curto espaço de tempo possível, e vende-se na expetativa de comprar mais barato. Compra-se quando há sinais de compra; vende-se quando há sinais de venda! C'est ça! E para isso, a menos que se desconte as chatices que dá, o BCP é generoso: tem volume, volatilidade e é dado a especulações.

O principal motor especulativo tem sido a concentração bancária e vamos continuar a assistir a movimentos nas cotações relacionados com notícias que têm que ver com fusões e aquisições.

Na quinta-feira, o ex-presidente da Associação Portuguesa de Bancos, João Salgueiro (JS), deu uma entrevista à Antena 1 em que sugeriu que o BCP poderia ser um dos próximos bancos a ser resgatado. No fim do dia, veio emendar e tal, mas as palavras já estavam no ar e não havia como lhes deitar a mão. Naturalmente, não sabemos o que vai na mente do bom do Salgueiro, e nem nos atrevemos a imaginar as informações privilegiadas de que dispõe, mas como apanhamos as palavras no ar e elas agora são nossas, reservamo-nos o direito de lhes dar a leitura que nos é permitida pelos nossos direitos constitucionais.

Evidentemente, não nos passa pela cabeça pensar que JS foi descuidado e muito menos que tenha sido néscio ou até que se tenha enganado. Ninguém é ministro das finanças e líder dos banqueiros se for um milésimo tão lorpa! Também ignoramos olimpicamente as declarações de substituição que fez a seguir: valem zero e ele sabe que sim! Por outro lado, estamos em crer que o mercado tomou devida nota da declarações feitas e vai dar-lhes o peso que merecem! Pensando um pouco, a leitura que fazemos das palavras que conseguimos apanhar é uma de duas:
  • O BCP precisa que lhe deitem uma mão, o mesmo é dizer precisa de um investidor de pulso que entre com capital fresco, de maneira a poder aumentar a rentabilidade potencial em Portugal. Ouro sobre azul era pagar o resto da ajuda estatal e abalançar-se ao Novo Banco (NB), criando um banco com dimensão suficiente para manter a banca privada portuguesa sob controlo dos banqueiros cá da paróquia. O problema é que há falta de gente disponível para acorrer ao peditório: os angolanos ganharam o galardão de persona non grata e estão debaixo do fogo do BCE, e todos falam dos espanhóis, mas estes andam escaldados com a América Latina e têm pouca vocação para a caridade. Negócio fraco e poucos interessados? Dizem as regras do mercado que o preço tem que baixar até despertar o apetite de potenciais compradores. A nossa teoria é que pode haver espanhóis interessados em participar num aumento de capital do BCP, mas não ao preço atual e podem estar em curso manobras para que o mercado interiorize a ideia de que vai ser necessário tornar a banca lusa mais atrativa. Aliás, depois da liquidação do BANIF, ninguém os pode censurar para só comprarem do lado de cá se for pechinchona. Que o diga o BPI!
  • A segunda teoria é um pouco mais sinistra e remete-nos para a ideia de que as palavras que apanhamos no ar, saídas diretamente da mente de JS, estariam na forma de um pensamento literal e mais não seriam do que a sementeira daquilo que ganhará forma nos próximos meses. Um resgate ao BCP (e à CGD e a outro banco mais pequeno), que implicaria certamente um segundo resgate a Portugal e a correspondente queda da geringonça, que abriria caminho a um governo de direita por muitos e longos anos. Uma declaração de efeito político, portanto!
Mas também pode ser que não seja nada disto e João Salgueiro esteja apenas preocupado!

Para acabar ainda temos tempo para meter o gráfico (antes de irmos sofrer em frente ao televisor). A nós nem para especular nos convencem a meter dinheiro neste frangalho, embora estejamos curiosos para perceber o que se vai passar na aproximação à zona dos 0,031! Boa sorte para todos!

Terceiro ano

Depois de uma semana e tal de folga, inauguramos hoje o nosso terceiro ano de atividade nesta indústria da laracha bolsista e fazêmo-lo reafirmando os propósitos fundadores desta nossa casa que nada mais são, afinal de contas, do que reflexo da nossa própria maneira de estar nos mercados:

  • Negociar em Bolsa por oposição a investir em bolsa. Aqui jamais falaremos de investimentos, mas de comércio: compra e venda, no mais curto intervalo de tempo, e preferencialmente com lucro. Na Bolsa do século XXI compra-se e vende-se o que o mercado tem para oferecer e faz-se isso em tempo real, sem estados de alma, e com uma estratégia o mais racional possível. No N€B partilhamos um pouco daquilo que são as nossas ideias, a nossa forma de identificar oportunidades, elencar riscos e definir estratégias num mundo onde tudo isso está presente a cada minuto que passa. Evidentemente, o facto de tomarmos as nossas decisões avaliando sempre no curto prazo, não nos faz perder de vista o cenário de conjunto e os movimentos tendenciais num tempo mais alongado.
  • Estamos firmemente convictos, até por experiência própria, que a arte de Negociar em Bolsa só é possível se formos capazes de aprender todos os dias, filtrando o essencial do tremendo manancial de informação que nos entra cérebro adentro. Mais do que inteligência, é necessário ser esperto e mais do que ter informação é preciso ter a agilidade mental para identificar movimentos e agir em consonância. Como se adquirem as competências necessárias? Ler, viajar, ouvir música e ir ao cinema, conversar e trocar experiências. Fazer coisas que não têm diretamente a ver com negociar e fazê-las nunca perdendo de vista o objetivo final: aprender! Connosco tem funcionado!
Bons negócios para todos!

30.4.16

O apagão

Última parte

E, então, falhou tudo e nós ficamos incomunicáveis e foi como se nos tivéssemos teletransportado para uma outra galáxia ou, sei lá, uma coisa assim estranha lá longe num país habitado por vegetais que caminhavam aleatoriamente, tristes como a noite e sem poderem estabelecer uma comunicação por mais rapeta que fosse, pois eram vegetais e não tinham boca nem olhos, quer dizer, nós tínhamos boca e olhos, a luz falhou mas não nos levaram partes do corpo, era o que mais faltava, mas a verdade é que melhor seria se nos tivessem levado a boca (os olhos não que faziam falta para ver as teclas) e deixado cá os telemóveis com baterias infinitas (por que diabo não inventaram baterias infinitas enquanto havia livros é algo que não consigo conceber!) para a gente continuar a enviar sms uns aos outros. Pela parte que me toca, bem que gostava de fazer alguma coisa para poder inverter a situação e pus-me a magicar, magicar e acabei por me lembrar de que podia restabelecer a comunicabilidade se fizesse sinais de fumo como faziam os índios há muito tempo atrás num filme que vi na televisão, mas só depois me dei conta de que para fazer fumo é preciso ter fogo, coisa que infelizmente se nos foi desde que falhou a luz e já não veio.


E foi então, já em desespero de causa, que me lembrei de que podia pegar num lápis (que, felizmente, não é elétrico) e escrever. E escrevi este texto.

29.4.16

O apagão

Sexta parte

Mas isto que vos contei até aqui não é nada de especial quando nos apercebemos da incomunicabilidade. Foi aí que verdadeiramente panicamos todos ao ponto de termos ficado gagos de tanto matutar sobre o assunto. Como devem imaginar, é duro agora ficarmos mergulhados nas trevas negras ou deixarmos de poder saborear uma data de guloseimas absolutamente irrepreensíveis, ou sei lá, passarmos a ter os hospitais num caco, as escolas todas espatifadas ou termos de andar permanentemente a pé com solas gastas porque não há gasolina para pôr nos carros, etc., mas ninguém está preparado para que nos venham dizer que não podes usar o telemóvel, nem o computador, ou ir à net, ao face, tipo, postar, e tirar umas selfies todas maradas e LOL da cara de porquinha da fulana de tal, e assim. A verdade é que foi das coisas mais maradas que eu alguma vez ouvi na vida quando me disseram que se não tens luz elétrica os pcs não funcionam e é só uma questão de tempo até as baterias dos telemóveis escafederem geral. Garanto-vos que, ao princípio, nem queria acreditar, quer dizer, é tudo tão surreal que achas que estão mesmo a gozar com a tua cara a ver se cais na asneira de tirares uma selfie com aquele ar todo apalermado, ou coisa do género, mas depois dás-te conta de que é mesmo verdade e o teu telemóvel vai deixar de funcionar para sempre e acabas por te transformar na pessoas mais infeliz do mundo, sei lá, tens vontade de embocar uma garrafa de whisky de uma só vez (como se ainda houvesse whisky à venda, e não fosse necessário luz elétrica para o fazer), ou de fazer de conta que és uma banana, etc.