14.9.16
13.9.16
Adenda
Amigos, atenção a uma possível quebra do suporte dos 4600 pontos, em fecho, hoje no PSI20! De acordo com a nossa leitura, isso colocaria o índice a caminho de mínimos históricos, cenário que sairá reforçado se o fecho se der em mínimos do dia (algo que a esta hora ainda não é líquido que aconteça).
Pela parte que me toca, olho para os principais índices e vejo quedas no horizonte, olho para o comportamento dos juros no mercado secundário e vejo drama, leio as citações da entrevista do Centeno à CNBC e vejo novo resgate em parangonas, analiso o sentimento global e vejo que o povo começa a ficar descrente em relação aos Bancos Centrais e garanto-vos que bem me esforço por pensar que estou a dramatizar, mas depois recordo-me das palavras do profeta e francamente não consigo! Enfim... estou curto!
P.S. - Se hoje o PSI20 fechar acima dos 4600 pontos e logo o S&P fechar positivo, queiram desconsiderar... de momento!
12.9.16
11.9.16
DAX e S&P500
Como o comportamento do PSI20 vai estar muito condicionado pelo que fizerem os grandes índices mundiais, deixo a minha visão sobre os mesmos.
O DAX fechou com a EMA21 a amparar, mas os futuros foram de fim-de-semana muito mais abaixo, encostados à linha amarela. Caso não suporte, é provável uma aproximação à linha vermelha que coincide com a SMA200. Esse movimento, a ocorrer, não colocará a meu ver problemas de maior ao atual movimento bullish, mas se a linha horizontal vermelha for quebrada em baixa, diria que o cenário volta a ser descendente no médio prazo! Para cima, a quebra em alta da zona 10920-11000 pontos, coloca o índice a caminho de máximos históricos!
No S&P500 a situação é mais simples de analisar. Olhando apenas para o gráfico é clara a existência de um suporte na zona dos 2116, valor a que, curiosamente, fecharam os futuros, sendo que, em caso de quebra, é lógico esperar um aproximar à zona que 2045-2065! Com o índice a vir de máximos históricos e o RSI a ficar já perto de 30 só com a queda de sexta-feira, diria que podemos estar na expetativa de um ressalto de curto prazo, eventualmente depois de uma ida (amanhã?) aos 2100, com target pelos 2150 pontos. Depois, vai depender dos sinais dados pela Fed, e da decisão sobre taxas de juro que sairá da reunião do próximo dia 21 (seguinte a 2 de novembro e a 14 de dezembro).
PSI20
Na quinta-feira de manhã o PSI20 encaminhava-se para ativar sinal de compra, na quebra da linha de tendência descendente (Ltd) que não é superada desde maio de 2015! Se a quebra fosse para valer, deveria ter fechado em máximos nesse dia e continuar a subir, nos dias seguintes, em direção à média móvel de 200 dias (curva vermelha), pouco mais de 2% acima e depois à resistência dos 4900 pontos. Posto desta forma, mandava o bom-senso evitar qualquer tipo de entrada mesmo que a quebra da Ltd se efetivasse: não era provável que o índice conseguisse galgar até aos 4900 e quebrar sem vir novamente confirmar a passagem com sucesso da linha diagonal. Assim sendo, para possíveis entradas, o plano deveria passar por estar atento à quebra da Ltd e aguardar tranquilamente pela aproximação aos 4900 pontos: se quebrasse em força (situação improvável) entrar nessa altura; se rechaçasse apanhar o comboio na aproximação de cima à Ltd!
Mas na quinta-feira falhou o fecho em máximos, o que é sempre mau sinal em situações de quebra em alta eminente e na sexta esbardalhou-se, sendo provável que o fecho numa altura em que os índices americanos ainda não tinham entrado em voo picado, tenha evitado uma queda mais dramática!
Eu diria que, neste momento, tanto as vendas como as compras devem ser feitas com parcimónia, porque os valores chave estão todos demasiado próximos. Para cima já expliquei o meu raciocínio; para baixo há um suporte nos 4600 pontos que estou a contar que possa segurar as cotações. Se não o fizer, é motivo para ficarmos todos bastante preocupados uma vez que a ida a mínimos volta a estar em cima da mesa.
Como o mercado ficou, parece-me menos provável uma quebra em alta desde já da Ltd, pelo que quem está dentro deve equacionar vender se houver ressalto de 1% (a partir dos valores de sexta-feira) em alta, ou quebra em baixa da linha amarela! Por outro lado, uma quebra em alta já da Ltd com fecho em máximos torna o sinal mais forte do que antes, pelo que quem está fora pode equacionar uma entrada nesse caso ou então cá em baixo na aproximação aos 4600 pontos (atenção a um possível gap down amanhã, que se pode resolver caso as declarações agendadas de manda-chuvas da Fed sejam apaziguadoras da ressaca).
Como o mercado ficou, parece-me menos provável uma quebra em alta desde já da Ltd, pelo que quem está dentro deve equacionar vender se houver ressalto de 1% (a partir dos valores de sexta-feira) em alta, ou quebra em baixa da linha amarela! Por outro lado, uma quebra em alta já da Ltd com fecho em máximos torna o sinal mais forte do que antes, pelo que quem está fora pode equacionar uma entrada nesse caso ou então cá em baixo na aproximação aos 4600 pontos (atenção a um possível gap down amanhã, que se pode resolver caso as declarações agendadas de manda-chuvas da Fed sejam apaziguadoras da ressaca).
10.9.16
Ressaca
Quem se interessa em
acompanhar os mercados americanos (por curiosidade ou porque investe
em CFD’s) reparou que os dois últimos meses foram atípicos. De
facto, após uma cavalgada fortíssima iniciada dois dias depois de
anunciado o Brexit,
que
rompeu com as últimas resistências e instalou os principais índices
americanos em máximos históricos, o que muitos julgariam impossível
(eu incluído), seguiram-se dois meses de um monótono ondular de
menos de um por cento diário.
Durante
esse tempo muito se especulou, entre nova cavalgada para novos
máximos e queda acentuada entre os 5 e os 10%.
Não há nada de mal que os
mercados atinjam máximos, bem pelo contrário. Mas quando os
mercados estão em máximos de sempre seria normal supor que a
economia está na melhor forma de sempre. Seria… mas não é bem
assim. E não é assim porque aqui entram outros atores para além
das empresas, dos resultados delas e dos indicadores macroeconómicos.
Aliás, os principais atores nestes tempos chamam-se bancos centrais.
Só assim é que é possível os mercados americanos terem estado em
máximos históricos com a economia americana (e mundial) um pouco
longe da forma excelente.
Ora o nosso toxicodependente
parece ter-se apercebido de que desta vez vai ter de passar sem a
dosesinha, e começou já, por antecipação, a sofrer a dores da
ressaca.
É
capaz de ser esta a explicação. E o que é que se segue? Se a
explicação estiver correta, a queda de sexta-feira não vai ser a
única. No entanto atente-se ao seguinte: o sp 500, como se pode ver
em cima, ficou num suporte importante (que também aparece no gráfico
semanal). O dow jones e o nasdaq, no entanto, quebraram os seus
suportes equivalentes. Pode ser que na segunda-feira, tendo em conta
a severidade da queda, o dow e o nasdaq testem as agora resistências
e o sp alivie um pouco. Pode ser… e pode não ser, como é óbvio.
Bons negócios.
6.9.16
CERN (parte 3)
Todos sabemos que há uma diferença trágica entre aulas de professores conhecedores do mundo e habituados a fazer mais do que ensinar e estopadas ministradas por azeiteiros que mais não são do que caixas de velocidades entre a fonte (o manual escolar) e o recetor (nós). Infelizmente, no decorrer da nossa vida escolar, é norma o número de secas monumentais ser tão avassalador que os momentos de epifania que lá vamos experimentando acabam remetidos para o mais profundo subconsciente! Foi com este medo, acumulado em anos e anos de conversa da treta, que me apresentei às palestras que inevitavelmente sempre preenchem estes cursos de formação. Mas cedo descobri que os meus receios eram infundados: toda a gente que foi chamada para nos instruir nos segredos da física das partículas e da relatividade era a fina flor do professorado, e não houve um incompetente que fosse a passar pelo palanque. Agora, também vos digo e desengano desde já: se não tendes dois dedos de testa e a genética não vos favoreceu em termos mentais, então esta história de ir ao CERN não é para vós e pode mesmo dar-vos um piripaque que vos deixa praí numa cadeira de rodas. Optai antes pela radiação UV na praia porque a pele sempre é um órgão menos importante que o cérebro!
Um bónus de algumas palestras foi terem decorrido no auditório que em 2012 esteve apinhado de cérebros bons para ouvir o anúncio da descoberta do bosão de Higgs, sendo que o Peter Higgs em pessoa (que, recorde-se, levou o Prémio Nobel) teve a honra de se sentar na cadeira onde eu me sentei à posteriori.
Se quiserem uma amostra da qualidade das intervenções e/ou procuram respostas para algumas das questões mais excitantes relacionadas com o CERN e o que lá se estuda podem consultar, por exemplo, o Quora do Professor André David, um dos oradores presentes.
Tudo o que se passa no CERN parte da equivalência entre massa (matéria) e energia enunciada por Einstein em 1905. Basicamente, a energia de protões que são acelerados a enormes velocidades é convertida em massa, isto é, em novas partículas, quando eles chocam uns contra os outros. E a magia que ali se opera consiste em detetar essas novas partículas, identificá-las e descortinar as suas propriedades, de modo a perseguir dois objetivos: avaliar a qualidade das previsões teóricas e identificar situações imprevistas para, com isso, fazer avançar a Física. Dito assim, talvez não pareça grande espingarda, mas no LHC já se conseguem reproduzir em nanoescala energias tão elevadas como as que existiram nanosegundos depois do Big Bang, pelo que, na prática, estamos a ver como era o Universo nessa altura e consequentemente como são as partículas que no âmago constituem a matéria. Acreditem: é muito à frente! Para levar a cabo semelhante façanha, eis do que vamos necessitar:
O acelerador funciona em contínuo e as colisões estão sempre a ocorrer em quatro pontos onde se localizam os detetores que são parte integrante das experiências principais. Estes encarregam-se de registar as trajetórias dos destroços, utilizando para o efeito câmaras de 100 megapixeis que tiram 40 milhões de fotografias por segundo. Na fração de segundo seguinte o sistema da imagem abaixo elimina-as todas exceto as cerca de mil que contêm traços com potencial para trazer novidades:
Filtros suplementares deixam ficar apenas os registos com verdadeiro interesse científico, que então seguem para armazenamento no centro informático do CERN:
Tudo isto é controlado por uma legião de criaturas munidas dos mais sofisticados equipamentos que a mente humana consegue gizar.
Os dados recolhidos ficam armazenados à espera de um investigador que olhe para eles com olhos de quem quer ganhar o Nobel.
Para além das experiências fundamentais há uma panóplia de investigações acessórias que versam sobre os mais diversos assuntos. Na fábrica de antimatéria já se consegue manter um átomo de anti-hidrogénio preso em vácuo durante 1000 segundos. O especialista brasileiro Cláudio Lenz César dizia-nos que estão perto de obter o espectro electromagnético do dito: se bater certo com a teoria porreiro, mas se se provar que a teoria está errada, então é Prémio Nobel! Típica Ciência! Ali ao lado fica o departamento de Física Médica onde depois do desenvolvimento da TEP se aperfeiçoa a deteção de tumores menores do que 2 mm, muito antes de o cancro se manifestar! Um pouco desviado temos o centro de controlo da experiência AMS, que recolhe dados num detetor que se encontra na Estação Espacial Internacional, e procura matéria escura e antimatéria extraterrestre.
A dada altura, topei com um ex-aluno, responsável pela melhoria permanente de um conjunto de componentes eletrónicos da experiência CMS. Ao fim de um ano ao serviço, confessou-se meio desiludido, achava que o CERN seria mais perfeito, mais certeza e menos improviso. Para nós que lá passamos uns dias, por outro lado, a experiência não podia ter sido mais revigorante e diabos me carreguem se não sinto os neurónios mais desentupidos e a postos para aquilo que sabem fazer melhor!
5.9.16
CERN (parte 2)
O mínimo que se pode dizer das instalações do CERN é que se trata de uma coisa em grande e que ninguém se pôs com merdas a poupar nas despesas! Só para a construção da jóia da coroa, o LHC, foi necessário reunir 6,5 mil milhões de paus, e o orçamento anual da empreitada ultrapassa os 1100 milhões, 14 dos quais são enviados de cá, da nossa terrinha. E tudo isso para quê, perguntam vocês? Ora, para fazer coisas como a Web, sem a qual estava fora de questão frequentarem este estupendo blogue:
Segundo nos contaram, Portugal, que é membro da organização desde 1985, até é dos países que tem um balanço positivo porque as vendas que faz ficam acima dos custos anuais. E nós somos testemunhas. Para que conste, amigos, não conseguimos trazer umas camisetas made in Portugal todas larocas da loja de souvenirs porque o diabo dos trapos tinham tanta saída que não fomos a tempo de deitar a mão a nenhuma!
Se são dos que não ficam impressionados com o poderio económico da t-shirt, talvez gostem de saber que os contentores de hélio líquido, superfluído à temperatura de 2 K a que tem de ser mantido, também são produzidos em Portugal. Não sei se sabem, mas a temperaturas tão baixas um fluído atravessa paredes, pelo que mantê-lo dentro do reservatório já não é só um problema de válvulas e torneiras, tornando-se, outrossim, num feito tecnológico que está ao alcance de poucos. Aqui fica uma imagem dos mesmos a servir de comprovativo:
Depois do jato lá no centro da cidade, a principal atração pega turista de Genebra é The globe of science and innovation dentro do qual está patente uma exposição bastante aceitável chamada O Universo das partículas (deve ser o nosso!). Arquitetonicamente o edifício não merece reparos e a localização não podia ser melhor: fica entre a portaria do complexo e as instalações da experiência Atlas, uma das 4 principais experiências (6 no total) que decorrem no LHC.
O CERN é território à parte, com uma fronteira própria onde quem não tem cartão não entra. À saída há um artista que vos vai ver a bagageira, como fazia antigamente a guarda fiscal em Valença do Minho, não vá dar-se o caso de serdes contrabandistas de aceleradores de partículas. A terra é atravessada pela fronteira franco-suíça, sendo que do lado francês ficam as montanhas do Jura, famosas pelo termo Jurássico, cunhado em honra dos artefactos que os dinossauros por lá deixaram. Entre o manancial de experiências com que somos presenteados a cada minuto, há apenas uma de âmbito puramente esotérico. Refiro-me à tripe que é colocar uma mão de um lado e outra do outro do marco que assinala a divisão entre o que é dos gendarmes e o que pertence à guarda suíça: em dois países ao mesmo tempo; que cena mais marada!
Uma vez passados os trâmites, damos entrada e, ato contínuo, passamos a fazer parte dos 6000 que todos os dias dão ao cabedal em prol da ciência, da paz no mundo, da igualdade entre os sexos e, já agora, do conhecimento da matéria até ao nível do bosão de Higgs! Não contem com luxos desnecessários, mas não tenham dúvidas de que, uma vez ao serviço, terão todas as condições para que a aventura fique convosco até que os vossos átomos deixem de se interessar por vós.
CERN (parte 1)
Não tenho 100% certeza de vocês saberem o que é o CERN, mas começo já por dizer que a coisa está para os físicos como Meca é para os muçulmanos: é mandatório ir lá pelo menos uma vez na vida!
Eu tive a sorte de acabar as férias com uma semana inteira de formação intensiva lá em Genebra, na Suiça, e só tenho a dizer bem, sendo quase certo que venha de lá mudado para melhor! Claro que depois desta lufa-lufa o mais provável é que me seja mais difícil do que o costume regressar ao batente, mas ninguém vai visitar o maior conjunto de maquinaria científica de ponta sem que isso se reflita na forma como se alinham os componentes neuronais e as células da hipófise! O futuro dirá se é desta que fico com o cérebro em condições para chegar a rico, mas que venho entusiasmado, disso não pode haver dúvidas!
Genebra é aquela cidade famosa pelo jato super potente, mas que também é conhecida pela chocolataria, pelos canivetes e pela careza da vida quotidiana.
Problema nenhum para os suíços, esse povo industrioso e conhecedor da arte de pagar ótimos salários, que soube criar um país cheio de indústria e de terras cultivadas até ao milímetro quadrado, fonte de um vinho deslavado e de queijos fedorentos com que se faz a maior iguaria do sítio, o famoso fondue de queijo, destruidor de fígados e grande amigo das lavandarias.
O suíço tem evidentemente a mania de que é bom e não tem por hábito dar-se ao trabalho de esboçar sorrisos, mas teve o bom-senso de arregimentar portugueses para os principais serviços que lidam com o público e agora é muito fácil sairmos satisfeitos das lojas depois de trocarmos impressões na nossa língua mãe com a famosa linda portuguesa de que falam os emigrantes.
De trabalho falarei a seguir!
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