14.10.16

Atualização ao PSI20

Ontem estivemos tem-te não caias para ativar um fortíssimo sinal de venda global, mas a coisa foi salva in extremis com o S&P500 a recusar, mais uma vez, esbardalhar-se todo! Segurou-se acima dos 2116 e voltou para cima. No imediato tem resistência nos 2147 e logo a seguir nos 2153. Se fechar acima, ou faz máximo histórico e levanta voo ou faz um lower high e, mais cedo ou mais tarde, voltaremos ao teste de ontem. Se negar já qualquer uma das resistências que indicamos, voltamos ao red alert

Ontem gostei muito do PSI20, todo afoito, apesar da ameaça de hecatombe global, a fechar em máximos do dia com aumento do volume, fazendo esquecer momentaneamente o facto de ser um dos piores comportados no ano em quase todo o mundo. Hoje está a fazer pela vida e é bem possível que venha a fechar acima da nossa linha amarela por volta dos 4600 pontos. Se isso acontecer, é bom sinal, ainda que o paspalho não seja virgem (longe disso) a dar sinais falsos. Porém, para quem está de fora, mais vale aguardar por uma quebra com volume da Ltd a vermelho. Isso sim, seria um ótimo sinal de compra, porque estamos a falar de uma linha que vem de maio de 2015, cheia de testes não superados. Até lá, todas as entradas são precipitadas e devem ser de evitar, tanto mais que essa Lta é uma fortíssima resistência e continuamos com as médias móveis sem darem qualquer sinal de inversão da tendência negativa! 


13.10.16

O prémio Nobel da literatura

Por muito que goste do Bob Dylan e aceite de barato que a sua poesia/lyrics possa ser encantadora, não consigo deixar de pensar que este prémio se enquadra mais na categoria das Operações de Charme do que no de um reconhecimento literário! O vetusto comité sueco (que tem a tremenda canseira de fazer a distribuição dos galhardetes todos os anos) quis dar uma de práfrentex e arregimentar para a causa toda a formidável legião de fãs da música bem feita e interventiva. Apesar de nunca ter lido um livro dele, sou dos que acham mal esta novidade de abrirmos a herança do velho Alfredo da dinamite aos letristas. E isto não tem nada que ver com não gostar da música porque até gosto e meto uma para o demonstrar. Vai esta:


O meu problema é que, quando penso em literatura, lembro-me de Tolstoi, Dostoiévski, Cervantes, Philip Roth, Vargas Llosa, Garcia Marquez, etc. Todo um outro andamento, portanto! E eu até nem me tenho por muito esquisito. Afinal de contas, não desgostei da premiada do ano passado, a russa Svetlana A., tão criticada entre os puristas pelo seu estilo jornalístico. Faço até questão de vos recomendar a leitura de O fim do homem soviético, livro que transborda de nostalgia e desilusão (sobre um tempo que muitos de nós recordamos de termos acompanhado de longe na adolescência), e tem o extra de ser um excelente instrumento didático para compreender as recentes tensões entre a Rússia e o Ocidente e a postura de Putin na cena internacional.


S&P500

Depois do selloff de terça-feira, volta a estar em cima da mesa a grande correção em baixa de que tantos falam há tanto tempo nos índices americanos. Neste momento, diria que continuamos em terra de ninguém, mas depois de ter deixado de estar curto por causa do acordo na OPEP (pseudo-acordo?), eis-nos novamente na eminência de ativar um fortíssimo sinal de venda caso o S&P500 feche abaixo da linha amarela no gráfico seguinte:


Creio que não será necessário lembrar que, até à quebra, a linha amarela é um suporte e deve ser encarada como tal! Se quebrada em fecho, obviamente, passará a resitência!

Bob Dylan - Prémio Nobel da Literatura 2016




Blowin´In the Wind
Bob Dylan
Prémio Nobel da Literatura, 13.11.16

9.10.16

Roleta russa dos nossos dias

Nós bem gostaríamos, se bem que nem sempre o tempo dê folga, de vir cá mandar umas larachas de quando em vez, e de acordo com a pertinência, mas nas últimas semanas o que temos assistido, aqui pelo burgo, é a isto:


E para isso vem-nos à cabeça, isto:


Se juntarmos o facto de ter deixado de parte a possibilidade de ficar otimista quando se quebra em baixa a zona dos 4600 então temos os condimentos necessários para justificar o silêncio dos últimos tempos! Claro está que não andamos neste mundo sozinhos e do menos mal poderemos ter uma âncora de salvaguarda se os restantes congéneres europeus não azedarem! E até agora, embora em semelhante modo casino chefiado pelos bancos centrais, não pisaram o risco por mim delimitado para entrar em parafuso e forçar o pessimismo!

No entanto, é certo que por norma surgem oportunidades nas cotadas que possam dar um ar de graça no quadro geral! Mas nem isso! Tirando a Jerónimo Martins que se encontra pelos valores de 2013, depois de ter caído 60% em um ano e ter recuperado, consequentemente, 140%! A Corticeira Amorim que no último ano valoriza 100% mas que peca por falta de liquidez, e o quanto isso condiciona a nossa abordagem ao negócio, temos um restante cardápio à nora a ponto de as odds que apresentam não valerem o risco! 

Se pegarmos nas últimas análises por mim feitas, quando o índice ainda vagueava acima dos 4600, reparamos que a Sonae é um caso sintomático do nosso PSI20! Vai-se aguentando mas é notório a falta de força e os máximos relativos inferiores sucedem-se! No BCP já nem a análise técnica lhe pega! Começou com as quedas que o levaram à quebra em baixa dos 1,75 cêntimos precisamente no valor em que as médias móveis se equiparavam (1,845 cêntimos para a 9 e 21EMA)! Lá foi evitado o cruzamento e lá se foi o meu otimismo para as semanas seguintes! Fez jus! Curiosamente, ou nem por isso, a cotada que deu um rasgo de parcial metamorfose valorizando mais de 20% em dois dias foi a nossa brasuca Pharol! Aqui, na véspera, servido de bandeja e que ao contrário do comportamento do BCP atingiu os 23,5 cêntimos e não mais os perdeu (o banco perdeu os 0,175 cêntimos e não mais de lá se aproximou).   

A terminar deixo-vos um gráfico, mais abrangente, do PSI20! Pior que isto, só mesmo uma ida a mínimos na quebra em baixo dos, já aí, 4460!


A parte musical fica entregue a um vídeo inédito da every you every me dos Placebo do belga Brian Molko, lançado esta semana pela banda inglesa, que (a)parece feito à medida para a temática do dia!

Boa semana.   

  

26.9.16

Breathtaking do dia

Para quê tanta estrela, caraca? 

Ora, porque fazem falta, evidentemente! 

Um dia, a vida será suficientemente sofisticada para evitar a morte e todo este espaço, agora excessivo, será necessário para a poder conter!

Até lá... pasmamos! 

25.9.16

Bebé Nirvana recria icónica capa do álbum 25 anos depois

Bebé Nirvana recria icónica capa do álbum 25 anos depois: O bebé que posou para a capa do álbum 'Nevermind' dos Nirvana, há 25 anos, recriou agora a icónica imagem, enquanto adulto.

Por causa desta notícia apeteceu-me tanto ouvir Smells like teen spirit que depois me pus práli aos saltos e agora acho que desloquei a anca, luchei uma articulação qualquer no ombro e bati com a testa na esquina da mesinha de cabeceira quando torci o tornozelo, para já não falar da avaria que arranjei nas partes baixas quando tentei fazer a espargata. O que 25 anos fazem a um ganapo como eu era.


Agora estou decidido a manter a calma enquanto oiço Lithium:

BCP

Não se pode dizer que tenhamos falhado tudo no nosso exercício de futurologia, mas também é verdade que algumas saíram uma nesga ao lado: não nos passou pela cabeça, por exemplo, que os americanos se mandassem a tentar romper máximos, com o Trump igualado nas sondagens! Mas depois descobrimos que o mercado anda virado para achar que uma vitória republicana, com  a desregulação e a baixa de impostos já anunciadas, é uma coisa boa. Eu, no tempo que levo disto, ainda não vi o mercado a subir com republicanos e os máximos a que assisti foi sempre com democratas, mas há quem não tire de ideia que a direita americana do tipo Bush é melhor para fazer dinheiro! Enfim, ideias feitas! Voltando à vaca fria, só os bruxos acertam tudo e nós nem os livros do Harry Potter lemos, mas gostamos da ida do S&P lá acima porque deu para atestar na putaria (oops, não levem a mal: compramos puts, isto é entramos curto e apostamos na queda). No fim, mantemos o que dissemos e continuamos convencidos que isto vai dar para baixo, a não ser que o S&P500 quebre máximos históricos!

Claro que nestas contas não entra o PSI20, esse moribundo transformado em slot machine, onde só a JMT vai dando para pagar as contas. Nesse, sou-vos franco: só acima de uns 4700 com a convicção de um volume forte, é que admito voltar ao baile, ainda que timidamente (vejam porquê aqui).

Mas hoje apetece-me dar uma vista de olhos no BCP, não para fazer uma análise técnica porque a coisa não tem por onde se lhe pegue, mas para partilhar convosco alguns dados que fui reunindo nas minhas leituras na net e uma ou outra especulação relativamente ao que se vai passar em termos futuros. Futurologia outra vez!

O BCP tinha, no final do 1º semestre de 2016, 2555 M€ de crédito em risco não coberto (de um total de 53000 milhões), cerca de 61% do capital próprio, e 750 M€ de obrigações convertíveis em capital que têm que ser pagas até junho de 2017 (consta que está a tentar pagar 250 milhas, mas ainda não recebeu luz verde! Compreende-se!). Se esse crédito em risco se revelar incobrável, o BCP fica muito perto da falência ou da nacionalização (os 750 M€ colocariam o Estado de posse da maioria do capital). E o pior é que não se sabe se estes valores não terão aumentado entretanto, porque isto é como na selva: animal ferido faz a festa das feras caloteiras! Não há dúvida de que um aumento de capital (AC) é inevitável!

Entretanto, aparece a Fosun com uma oferta por 16,7% do banco ao máximo de 2 cêntimos e a administração coloca-se de cócaras com a língua de fora e o rabito a abanar. No entanto, como rapidamente se chega à conclusão de que o dinheiro chinês, mesmo assim, vai ser curto, começa a correr a ideia de que o AC terá que ser maior e vai ser necessário: 1) convencer os chineses a terem uma posição maior; 2) arranjar outros para acudirem ao peditório. 

O problema é que um AC da envergadura requerida numa empresa com um valor de mercado tão baixo significará uma diluição monstra para os atuais acionistas, pelo que a debandada acelera levando a uma queda acentuada das cotações que tornam mais provável uma oferta de novas ações na casa do cêntimo do que no máximo oferecido pelos chineses! 

As contas são de merceeiro, mas para terem uma ideia, se houvesse um AC de 750 milhões de euros para liquidar já os CoCos, à cotação atual, com 30% para os chineses e o resto (12%), por exemplo, para a Isabel dos Santos, as posições dos principais acionistas ficariam assim: Sonangol (17,8% para 10,3%), Sabadell (5,1% para 2,9%), EDP (2,7% para 1,6%). 

O problema de um AC deste tipo é que ele pode resolver o biscate de o Estado passar a ser acionista, permitindo liquidar os CoCos, mas nada consegue fazer pelos créditos incobráveis, pelo que se trata de uma jogada de alto risco para quem entrar. Neste caso, risco alto, preço baixo! Claro que eu, se fosse acionista sénior do BCP, perante este cenário, estava a entregar as ações que tinha aos pequenotes para tentar entrar mais tarde no tal AC com um desconto bem favorável. E ao que parece, quanto mais tardar o anúncio da coisa, maior é a probabilidade de compensar vender já, porque mais baixo será o preço a que serão colocadas as novas ações e sempre há algum que se pode ganhar com o diferencial. 

Vejam o caso, por exemplo, da Sonangol (de Isabel dos Santos). Se, por hipótese puramente académica, tivesse vendido no fecho de sexta-feira toda a posição, encaixaria 185 M€. Se pegasse nesse dinheiro e entrasse num AC com um desconto de 30% e a D. Isabel ficasse com os 12% acima do que os chineses querem, então a posição angolana passaria a ser de 34%, e seriam os acionistas maioritários. Dir-me-ão: mas a Sonangol não pode vender sem comunicar ao mercado! Pois não, nem eu digo que o está a fazer, mas há muitas maneiras de fazer um serviço bem feito e a avalanche de posições curtas no banco não me parece que seja só de ases da bolsa! Do you know what I mean?

18.9.16

Futurologia

Depois da quebra em baixa da linha amarela, em três dias o PSI20 pôs-se na linha vermelha, 150 pontos abaixo. Na terça-feira viemos aqui dizer que nos pusemos curtos e agora anunciamos que fechamos a loja para o fim de semana porque estamos em crer que, apesar de tudo, é capaz de ser excessivo quebrar a linha vermelha desde já. Claro que somos ninguém para dizer ao mercado o que ele pode ou não fazer, mas se bem conhecemos o azeiteiro, não é costume as coisas avinagrarem tão violentamente sem que se dê um ressalto. Demais a mais o RSI indica sobrevenda e, embora o nosso índice tenha o costume de se deixar ficar 3 ou 4 dias sobrevendido antes de dar um coice, ninguém nos tira de ideia que a quebra da linha vermelha só se dará se houver forte marosca. Notem que a linha vermelha foi quebrada em junho por causa do Brexit naquilo que ficou provado à posteriori ter sido uma excentricidade dos pessimistas, pelo que uma quebra neste momento, sem esse tipo de frisson não poderá deixar de constituir motivo para forte comoção (essa quebra só não será apocalíptica porque 5% abaixo está o mínimo anual e vai haver gente a comprar um duplo fundo). Ora vejam:


Nós podemos ficar na dúvida sempre que ouvimos na televisão os políticos e os comentadores das diferentes fações e balançar entre o otimismo de Costa e Marcelo e o negrume de Passos, mas jamais deveremos duvidar dos sinais que vêm dos mercados. Quando os juros da dívida no mercado secundário sobem como subiram esta semana e a bolsa vem pousar da forma que vimos e com um volume brutal na linha vermelha, não devemos precisar que nos façam sinais de luzes para perceber que vamos ter problemas a seguir. Claro que há um sem-número de fatores que o jornalismo especializado se entretém a avançar para explicar os movimentos a que assistimos, mas se queremos ser alguém na vida e não acabar empurrados para fora do mercado, é mister que façamos a nós próprios o favor de ignorar em absoluto todo o tipo de teorias e nos concentremos apenas nos movimentos. É evidente que o mercado não é deus todo-poderoso e muitos movimentos resultam da nossa tendência comum para o exagero: o movimento (previsível) entre a linha amarela e a linha vermelha pode ser acomodado sem espinhas nesta linha de raciocínio! Mas se quebrarmos em baixa a partir daqui, então eu, que de economia e finanças nada percebo, começarei a dar mais crédito aos pessimistas!

Quanto à próxima semana, se quisermos fazer aqui um exercício de pura futurologia, era capaz de arriscar dizer que podemos ter ressalto para durar até meio da semana. Tecnicamente, o índice ficou a jeito para os compradores (o stop-loss coloca-se sem problemas), há sobrevenda e vamos ter crentes numa espécie de triplo fundo, ao mesmo tempo que o desiderato no BPI pode levar a um curto desanuviar do cenário na banca (no BCP já se percebeu que os chineses vão entrar à grande, pagando uma bagatela - sorte a deles). Não obstante, aflige-me um bocado a situação do DAX que, em minha opinião, dificilmente escapará a vir beijar a sua linha vermelha, mas sou moço para acreditar que até quarta-feira, dia de reunião de bancos centrais no Japão e nos EUA, é possível que a coisa passe mais ou menos equilibrada. 


A partir da reunião da Fed é que me parece que as coisas poderão piar mais fino. Creio que há uma probabilidade muito grande de os juros não subirem, mas também me parece que o risco de sell off a seguir, independentemente da decisão tomada, é bastante significativo. Depois da Fed, os mercados voltarão as suas atenções para as eleições de 8 de novembro e a incerteza que será criada por uma possível eleição de Donald Trump será tão grande que dificilmente escaparemos à tradicional jogada por antecipação: seja qual for o vencedor das eleições, os efeitos das suas ações começarão a ser sentidos daqui por seis meses, tempo que o mercado costuma dar de margem para reagir à cautela. No S&P500, não preciso de gastar mais as teclas do teclado, se vos mostrar o meu gráfico:


Para ajudar a que a semana seja de qualidade, fiquem com o novo Nick Cave:

13.9.16

Adenda

Amigos, atenção a uma possível quebra do suporte dos 4600 pontos, em fecho, hoje no PSI20! De acordo com a nossa leitura, isso colocaria o índice a caminho de mínimos históricos, cenário que sairá reforçado se o fecho se der em mínimos do dia (algo que a esta hora ainda não é líquido que aconteça).

Pela parte que me toca, olho para os principais índices e vejo quedas no horizonte, olho para o comportamento dos juros no mercado secundário e vejo drama, leio as citações da entrevista do Centeno à CNBC e vejo novo resgate em parangonas, analiso o sentimento global e vejo que o povo começa a ficar descrente em relação aos Bancos Centrais e garanto-vos que bem me esforço por pensar que estou a dramatizar, mas depois recordo-me das palavras do profeta e francamente não consigo! Enfim... estou curto!

P.S. - Se hoje o PSI20 fechar acima dos 4600 pontos e logo o S&P fechar positivo, queiram desconsiderar... de momento!

11.9.16

DAX e S&P500

Como o comportamento do PSI20 vai estar muito condicionado pelo que fizerem os grandes índices mundiais, deixo a minha visão sobre os mesmos.

O DAX fechou com a EMA21 a amparar, mas os futuros foram de fim-de-semana muito mais abaixo, encostados à linha amarela. Caso não suporte, é provável uma aproximação à linha vermelha que coincide com a SMA200. Esse movimento, a ocorrer, não colocará a meu ver problemas de maior ao atual movimento bullish, mas se a linha horizontal vermelha for quebrada em baixa, diria que o cenário volta a ser descendente no médio prazo! Para cima, a quebra em alta da zona 10920-11000 pontos, coloca o índice a caminho de máximos históricos!


No S&P500 a situação é mais simples de analisar. Olhando apenas para o gráfico é clara a existência de um suporte na zona dos 2116, valor a que, curiosamente, fecharam os futuros, sendo que, em caso de quebra, é lógico esperar um aproximar à zona que 2045-2065! Com o índice a vir de máximos históricos e o RSI a ficar já perto de 30 só com a queda de sexta-feira, diria que podemos estar na expetativa de um ressalto de curto prazo, eventualmente depois de uma ida (amanhã?) aos 2100, com target pelos 2150 pontos. Depois, vai depender dos sinais dados pela Fed, e da decisão sobre taxas de juro que sairá da reunião do próximo dia 21 (seguinte a 2 de novembro e a 14 de dezembro).

PSI20

Na quinta-feira de manhã o PSI20 encaminhava-se para ativar sinal de compra, na quebra da linha de tendência descendente (Ltd) que não é superada desde maio de 2015! Se a quebra fosse para valer, deveria ter fechado em máximos nesse dia e continuar a subir, nos dias seguintes, em direção à média móvel de 200 dias (curva vermelha), pouco mais de 2% acima e depois à resistência dos 4900 pontos. Posto desta forma, mandava o bom-senso evitar qualquer tipo de entrada mesmo que a quebra da Ltd se efetivasse: não era provável que o índice conseguisse galgar até aos 4900 e quebrar sem vir novamente confirmar a passagem com sucesso da linha diagonal. Assim sendo, para possíveis entradas, o plano deveria passar por estar atento à quebra da Ltd e aguardar tranquilamente pela aproximação aos 4900 pontos: se quebrasse em força (situação improvável) entrar nessa altura; se rechaçasse apanhar o comboio na aproximação de cima à Ltd!

Mas na quinta-feira falhou o fecho em máximos, o que é sempre mau sinal em situações de quebra em alta eminente e na sexta esbardalhou-se, sendo provável que o fecho numa altura em que os índices americanos ainda não tinham entrado em voo picado, tenha evitado uma queda mais dramática!

Eu diria que, neste momento, tanto as vendas como as compras devem ser feitas com parcimónia, porque os valores chave estão todos demasiado próximos. Para cima já expliquei o meu raciocínio; para baixo há um suporte nos 4600 pontos que estou a contar que possa segurar as cotações. Se não o fizer, é motivo para ficarmos todos bastante preocupados uma vez que a ida a mínimos volta a estar em cima da mesa.

Como o mercado ficou, parece-me menos provável uma quebra em alta desde já da Ltd, pelo que quem está dentro deve equacionar vender se houver ressalto de 1% (a partir dos valores de sexta-feira) em alta, ou quebra em baixa da linha amarela! Por outro lado, uma quebra em alta já da Ltd com fecho em máximos torna o sinal mais forte do que antes, pelo que quem está fora pode equacionar uma entrada nesse caso ou então cá em baixo na aproximação aos 4600 pontos (atenção a um possível gap down amanhã, que se pode resolver caso as declarações agendadas de manda-chuvas da Fed sejam apaziguadoras da ressaca).

10.9.16

Ressaca


Quem se interessa em acompanhar os mercados americanos (por curiosidade ou porque investe em CFD’s) reparou que os dois últimos meses foram atípicos. De facto, após uma cavalgada fortíssima iniciada dois dias depois de anunciado o Brexit, que rompeu com as últimas resistências e instalou os principais índices americanos em máximos históricos, o que muitos julgariam impossível (eu incluído), seguiram-se dois meses de um monótono ondular de menos de um por cento diário.

  Durante esse tempo muito se especulou, entre nova cavalgada para novos máximos e queda acentuada entre os 5 e os 10%.
Não há nada de mal que os mercados atinjam máximos, bem pelo contrário. Mas quando os mercados estão em máximos de sempre seria normal supor que a economia está na melhor forma de sempre. Seria… mas não é bem assim. E não é assim porque aqui entram outros atores para além das empresas, dos resultados delas e dos indicadores macroeconómicos. Aliás, os principais atores nestes tempos chamam-se bancos centrais. Só assim é que é possível os mercados americanos terem estado em máximos históricos com a economia americana (e mundial) um pouco longe da forma excelente.
Mas a queda de sexta-feira (a última barra no gráfico acima) é também ela atípica. Aparentemente nada explica semelhante tombo, pelo menos nenhum dado económico que tenha saído. A nossa explicação tem a ver com os bancos centrais. Os mercados americanos têm-se comportado (a nosso ver) em relação ao dinheiro injetado na economia (na realidade maioritariamente injetado nos mercados de capitais) como o toxicodependente em relação à dose diária. A expectativa era a de que, a intervalos regulares, a reserva federal lá viesse com a dosesinha do costume e tudo continuava bem.
Ora o nosso toxicodependente parece ter-se apercebido de que desta vez vai ter de passar sem a dosesinha, e começou já, por antecipação, a sofrer a dores da ressaca.


   É capaz de ser esta a explicação. E o que é que se segue? Se a explicação estiver correta, a queda de sexta-feira não vai ser a única. No entanto atente-se ao seguinte: o sp 500, como se pode ver em cima, ficou num suporte importante (que também aparece no gráfico semanal). O dow jones e o nasdaq, no entanto, quebraram os seus suportes equivalentes. Pode ser que na segunda-feira, tendo em conta a severidade da queda, o dow e o nasdaq testem as agora resistências e o sp alivie um pouco. Pode ser… e pode não ser, como é óbvio. Bons negócios.