30.10.16

PSI20 e S&P500

PSI20 a tentar manter vivo o sinal de compra a que nos referimos aqui. Neste momento, está entre as médias móveis de curto prazo e continuamos convictos de que não vale a pena entrar enquanto não for quebrada em alta a média móvel dos 200 dias (linha roxa), algo que só acontecerá no curto prazo se se mantiver acima dos 4600 pontos. 


Evidentemente, o prolongamento do bom momento relativo que o nosso índice experimentou nos últimos tempos vai estar fortemente ligado ao que fizer o S&P500 nos próximos dias, uma vez que o índice americano continua a ameaçar uma quebra em baixa de um suporte que se tem revelado bastante sólido nos 2116 pontos. Mais do que notícias como esta, inéditas de há muito tempo a esta parte, ou a grande lista de resultados empresariais que serão apresentados esta semana (resultados que raramente mexem com as cotações no que ao PSI20 diz respeito), é para o que vai suceder até às eleições americanas que devemos prestar atenção e, em particular, para o comportamento do índice de referência nas próximas sessões. 


Até que o suporte no matulão americano seja quebrado em fecho, continuo convicto de que estamos perante uma oportunidade de compra, atendendo aos bastante aceitáveis indicadores económicos que têm sido apresentados (tanto nos EUA, como na Alemanha). Todavia, uma quebra em baixa muda completamente o cenário, uma vez que começará a afetar a confiança dos investidores facto que, por sua vez, acabará por se repercutir nos números da economia, criando condições para que se comece a pensar em bear market. Estamos, portanto, num momento de grande indefinição e diríamos até de algum perigo para a economia global, momento esse que será ultrapassado, estamos em crer, se o S&P500 conseguir fechar acima daquela Ltd de curto prazo a vermelho. Essa quebra em alta, será aliás, o incentivo de que o PSI20 precisa para retomar as subidas. Vamos ver! 

23.10.16

PSI20, outra vez a Pharol e White Haus

Na Roleta russa dos últimos dias tem saído verde sucessivamente e desta forma impulsionando uma boa recuperação do nosso índice, tão boa quanto a rápida aproximação à SMA200! Quiçá fruto da boa reacção aos 4460 pontos que, se quebrados em baixa, levar-nos-iam a mínimos e aí os alarmes de novo resgate à nação seriam potenciados e os ecos se fariam sentir no comum contribuinte através da abertura dos telejornais! A perspectiva de um OE de agrado geral deu-se a conhecer pelo desagravamento das taxas de juro a 10 anos da dívida tuga e, consequentemente, pela valorização do nosso mercado de acções e que, por sua vez, nos deram a indicação de que a agência canadiana DBRS nada alteraria no nosso rating e assim continuar com a certeza de que o BCE mantém o patrocínio à nossa tesouraria, até prova em contrário! Cumpriu-se e desta nos safámos!

O PSI20 está assim:


Ou seja, estamos junto à média móvel dos últimos 200 dias (a preto tracejado) e isso é sinónimo de oposição à progressão! Diria que, de ânimo leve, não será ultrapassada e conforme o início do texto facilmente nos apercebemos que os receios infundados (já o podemos dizer!) de uma revisão negativa por parte da agência de notação financeira já foram descontados com a valorização das últimas duas semanas! Sell on the news descarado também não me parece!

Enquanto isso (antecipando uma tomada de respiro no índice!) vemos uma cotada insuspeita de ir em modas lusas com comportamento digno de registo, ilustrado na imagem abaixo com destaque a amarelo, na última sessão.


Vela caracterizada pela forte recuperação do valor perdido durante o mesmo período terminando a valorizar em relação ao fecho da vela anterior! 

Estamos a falar da Pharol e desde a última vez que falei dela, após atingir projecção, tem consolidando valores entre os 22,5 e 25,6 - à semelhança de comportamento anterior - em forma de triângulo ascendente (a roxo)! Confiram:


E o que nos interessa daqui? Interessa que a projecção de uma quebra em alta do topo do triângulo nos 25,6 cêntimos nos dá precisamente o valor da próxima resistência horizontal pelos 28,7 cêntimos! São 12% que justificarão a nossa atenção! Se tivermos em conta que a Oi (da qual é subsidiária) quando cotava a 90 centavos a Pharol estava pelos 10 cêntimos (já descontados os 3 cêntimos de dividendo atribuídos aos accionistas) e que agora vale 3 vezes mais poderá ser sensato dizer que é plausível ter novo raide entusiasta para a portuga abrasileirada!  

A terminar, uma combinação de pop electrónica dançante com influências punk funk, house ou tecno de João Vieira, fundador dos Ex Wife, com malta cá da terra à mistura! 

Boa semana, fiquem com os White Haus!

  

19.10.16

Sonae

Parece que reagimos ao retardador, mas é só impressão vossa. Ontem subiu o BCP e lá fomos nós; hoje subiu a Sonae e aí estamos a fazer uma análise todos lampeiros; amanhã... etc. É só impressão vossa e no decorrer do texto vão perceber porque é importante hoje falarmos da Sonae.

Em nossa opinião, a Sonae pode ter rompido hoje um triângulo simétrico e, contra a expetativas iniciais rompeu em alta: um triângulo simétrico costuma romper a favor da tendência primária que, no caso da SON, era de baixa:


Se for verdade e se se confirmar (ver amanhã), pelas nossas contas, a projeção aponta para os 0,83€.

Entretanto, também se pode ver que há rompimento de uma Ltd que vem de março e sinal de compra de curto prazo dado pelas médias móveis. Para o médio prazo, diríamos que precisamos de um fecho acima dos 0,75€.


A Sonae apresenta resultados dos primeiros 9 meses do ano a 9 de novembro.

18.10.16

Será que...

Com o volume a subir um bocadinho, se os internacionais não deitarem tudo a perder, pode ser que não seja um falso break e tenhamos aqui o início de um Natal cheio de coisas boas sobre a mesa! 


Entretanto, deu-me para recordar isto:

BCP (outra vez)

Os acontecimentos impõem-se e faz-se mister que voltemos ao BCP!

Do ponto de vista fundamental, mantém-se o que dissemos aqui com a nuance de, aparentemente, ter ficado afastada a hipótese de um AC massivo, pelo menos, por enquanto! Boa notícia no curto prazo e merece uma boa subida! 

A entrada da Fosun também parece assegurada e se se confirmar o AC para atribuir 16,7% aos chineses, então, a preços correntes teremos uma injeção de pouco mais de 182 milhões de euros no capital do banco. Muito curto, portanto.

Acontece que a empresa chinesa já disse que está disponível para gastar até 500 milhões no BCP. Como o limite de votos vai corresponder à posição efetiva até 30% do capital (não nos parece plausível que a proposta seja chumbada a 9 de novembro), não é difícil especular que a Fosun vai comprar ações (no mercado?, posições de acionistas de referência?) até atingir esse limite ou até esgotar o plafond de que dispõe.

Vamos fazer umas contas de cabeça com o lápis na orelha.

Se a 500 subtrairmos 200 (vamos arredondar o custo do AC para incorporar as despesas) ficam 300 milhões de euros que dão para comprar mais 24% do BCP pós-AC a custos atuais. 

Agora ao contrário: para ficar com 30% do BCP, gastando 500 M€, a Fosun vai ter que comprar 9.426.398.674 ações pós-AC e pode pagar por cada uma 0,0318€ (300M€/9426398674)! Se isto não for especulação suficiente para puxar pelas ações para cima, então é porque o caso está mesmo perdido!

Entretanto, tecnicamente a situação desanuviou um bom bocado, mas as cotações vieram logo esbarrar naquela que nos parece ser a primeira resistência. Daqui para cima, talvez a zona dos 180-190 dê alguma luta, mas o valor verdadeiramente importante está nos 0,022€. 


Não convém esquecer que na próxima segunda-feira vão acordar com 1/75 das ações em carteira com o valor ampliado 75 vezes por causa do reverse stock split. Tanto quanto me lembro de situações do género, o efeito não costuma ser muito positivo para as cotações no imediato, pelo que é provável que haja algum medo mais lá para o fim da semana.

16.10.16

Papeleiras

Hoje falamos brevemente de duas que costumam sair a ganhar com a queda do euro: as papeleiras exportadoras, Altri e The Navigator Company!

Ambas têm passado um mau bocado este ano por causa da queda do preço da pasta nos mercados internacionais e da valorização do euro. 

O preço da pasta em USD desceu 4,5% até julho e, entretanto, acabou por recuperar 2%, estando, neste momento, 4% abaixo do preço de há um ano atrás. 

Quanto ao euro estava a $1,0912 no início do ano, estando agora, novamente, a caminho de mínimos anuais (boas notícias para quem é pago em USD). 

No final do primeiro semestre, a Altri queixou-se das paragens para manutenção, da quebra do preço da pasta e dos efeitos cambiais para justificar uma descida de 20% nos lucros. A empresa vale em bolsa 635 M€, tem uma dívida de 459 M€ (mais 17 M€ que em janeiro) e resultados líquidos em metade do ano de +40 milhões (117,7 M€ no final do ano passado). Vai apresentar resultados dos primeiros 9 meses do ano a 3 de novembro!

Quanto ao gráfico, é, neste momento, o típico em empresas do PSI20: cotação junto a um suporte muito importante e próximo do ponto em que se escangalha todo. Parece-nos que pode haver espaço para subir se o euro continuar em queda, mas é fundamental que não fiquem com elas se vier abaixo da linha vermelha (sendo altamente provável que a atinja se a amarela furar).


A ex-Portucel tem um negócio mais diversificado, mas os lucros também têm estado em queda ao longo do ano! As empresas de pasta de papel aproveitam os resíduos para produzir energia que usam para autoconsumo ou vendem à rede a preços que eram bastante subsidiados e têm vindo a encolher, facto que justificou a descida no lucro da Navigator, que até bateu recordes na venda de papel! A empresa está avaliada pelo mercado em 1851 M€, tem uma dívida de 793 M€ (+139 M€ que no final de 2015) e resultados líquidos em metade do ano de 85,5 M€ (196 M€ no final do ano passado). Vai apresentar resultados no dia 27 de outubro.

O gráfico está do seguinte jeito e dispensa mais comentários:

14.10.16

Atualização ao PSI20

Ontem estivemos tem-te não caias para ativar um fortíssimo sinal de venda global, mas a coisa foi salva in extremis com o S&P500 a recusar, mais uma vez, esbardalhar-se todo! Segurou-se acima dos 2116 e voltou para cima. No imediato tem resistência nos 2147 e logo a seguir nos 2153. Se fechar acima, ou faz máximo histórico e levanta voo ou faz um lower high e, mais cedo ou mais tarde, voltaremos ao teste de ontem. Se negar já qualquer uma das resistências que indicamos, voltamos ao red alert

Ontem gostei muito do PSI20, todo afoito, apesar da ameaça de hecatombe global, a fechar em máximos do dia com aumento do volume, fazendo esquecer momentaneamente o facto de ser um dos piores comportados no ano em quase todo o mundo. Hoje está a fazer pela vida e é bem possível que venha a fechar acima da nossa linha amarela por volta dos 4600 pontos. Se isso acontecer, é bom sinal, ainda que o paspalho não seja virgem (longe disso) a dar sinais falsos. Porém, para quem está de fora, mais vale aguardar por uma quebra com volume da Ltd a vermelho. Isso sim, seria um ótimo sinal de compra, porque estamos a falar de uma linha que vem de maio de 2015, cheia de testes não superados. Até lá, todas as entradas são precipitadas e devem ser de evitar, tanto mais que essa Lta é uma fortíssima resistência e continuamos com as médias móveis sem darem qualquer sinal de inversão da tendência negativa! 


13.10.16

O prémio Nobel da literatura

Por muito que goste do Bob Dylan e aceite de barato que a sua poesia/lyrics possa ser encantadora, não consigo deixar de pensar que este prémio se enquadra mais na categoria das Operações de Charme do que no de um reconhecimento literário! O vetusto comité sueco (que tem a tremenda canseira de fazer a distribuição dos galhardetes todos os anos) quis dar uma de práfrentex e arregimentar para a causa toda a formidável legião de fãs da música bem feita e interventiva. Apesar de nunca ter lido um livro dele, sou dos que acham mal esta novidade de abrirmos a herança do velho Alfredo da dinamite aos letristas. E isto não tem nada que ver com não gostar da música porque até gosto e meto uma para o demonstrar. Vai esta:


O meu problema é que, quando penso em literatura, lembro-me de Tolstoi, Dostoiévski, Cervantes, Philip Roth, Vargas Llosa, Garcia Marquez, etc. Todo um outro andamento, portanto! E eu até nem me tenho por muito esquisito. Afinal de contas, não desgostei da premiada do ano passado, a russa Svetlana A., tão criticada entre os puristas pelo seu estilo jornalístico. Faço até questão de vos recomendar a leitura de O fim do homem soviético, livro que transborda de nostalgia e desilusão (sobre um tempo que muitos de nós recordamos de termos acompanhado de longe na adolescência), e tem o extra de ser um excelente instrumento didático para compreender as recentes tensões entre a Rússia e o Ocidente e a postura de Putin na cena internacional.


S&P500

Depois do selloff de terça-feira, volta a estar em cima da mesa a grande correção em baixa de que tantos falam há tanto tempo nos índices americanos. Neste momento, diria que continuamos em terra de ninguém, mas depois de ter deixado de estar curto por causa do acordo na OPEP (pseudo-acordo?), eis-nos novamente na eminência de ativar um fortíssimo sinal de venda caso o S&P500 feche abaixo da linha amarela no gráfico seguinte:


Creio que não será necessário lembrar que, até à quebra, a linha amarela é um suporte e deve ser encarada como tal! Se quebrada em fecho, obviamente, passará a resitência!

Bob Dylan - Prémio Nobel da Literatura 2016




Blowin´In the Wind
Bob Dylan
Prémio Nobel da Literatura, 13.11.16

9.10.16

Roleta russa dos nossos dias

Nós bem gostaríamos, se bem que nem sempre o tempo dê folga, de vir cá mandar umas larachas de quando em vez, e de acordo com a pertinência, mas nas últimas semanas o que temos assistido, aqui pelo burgo, é a isto:


E para isso vem-nos à cabeça, isto:


Se juntarmos o facto de ter deixado de parte a possibilidade de ficar otimista quando se quebra em baixa a zona dos 4600 então temos os condimentos necessários para justificar o silêncio dos últimos tempos! Claro está que não andamos neste mundo sozinhos e do menos mal poderemos ter uma âncora de salvaguarda se os restantes congéneres europeus não azedarem! E até agora, embora em semelhante modo casino chefiado pelos bancos centrais, não pisaram o risco por mim delimitado para entrar em parafuso e forçar o pessimismo!

No entanto, é certo que por norma surgem oportunidades nas cotadas que possam dar um ar de graça no quadro geral! Mas nem isso! Tirando a Jerónimo Martins que se encontra pelos valores de 2013, depois de ter caído 60% em um ano e ter recuperado, consequentemente, 140%! A Corticeira Amorim que no último ano valoriza 100% mas que peca por falta de liquidez, e o quanto isso condiciona a nossa abordagem ao negócio, temos um restante cardápio à nora a ponto de as odds que apresentam não valerem o risco! 

Se pegarmos nas últimas análises por mim feitas, quando o índice ainda vagueava acima dos 4600, reparamos que a Sonae é um caso sintomático do nosso PSI20! Vai-se aguentando mas é notório a falta de força e os máximos relativos inferiores sucedem-se! No BCP já nem a análise técnica lhe pega! Começou com as quedas que o levaram à quebra em baixa dos 1,75 cêntimos precisamente no valor em que as médias móveis se equiparavam (1,845 cêntimos para a 9 e 21EMA)! Lá foi evitado o cruzamento e lá se foi o meu otimismo para as semanas seguintes! Fez jus! Curiosamente, ou nem por isso, a cotada que deu um rasgo de parcial metamorfose valorizando mais de 20% em dois dias foi a nossa brasuca Pharol! Aqui, na véspera, servido de bandeja e que ao contrário do comportamento do BCP atingiu os 23,5 cêntimos e não mais os perdeu (o banco perdeu os 0,175 cêntimos e não mais de lá se aproximou).   

A terminar deixo-vos um gráfico, mais abrangente, do PSI20! Pior que isto, só mesmo uma ida a mínimos na quebra em baixo dos, já aí, 4460!


A parte musical fica entregue a um vídeo inédito da every you every me dos Placebo do belga Brian Molko, lançado esta semana pela banda inglesa, que (a)parece feito à medida para a temática do dia!

Boa semana.   

  

26.9.16

Breathtaking do dia

Para quê tanta estrela, caraca? 

Ora, porque fazem falta, evidentemente! 

Um dia, a vida será suficientemente sofisticada para evitar a morte e todo este espaço, agora excessivo, será necessário para a poder conter!

Até lá... pasmamos! 

25.9.16

Bebé Nirvana recria icónica capa do álbum 25 anos depois

Bebé Nirvana recria icónica capa do álbum 25 anos depois: O bebé que posou para a capa do álbum 'Nevermind' dos Nirvana, há 25 anos, recriou agora a icónica imagem, enquanto adulto.

Por causa desta notícia apeteceu-me tanto ouvir Smells like teen spirit que depois me pus práli aos saltos e agora acho que desloquei a anca, luchei uma articulação qualquer no ombro e bati com a testa na esquina da mesinha de cabeceira quando torci o tornozelo, para já não falar da avaria que arranjei nas partes baixas quando tentei fazer a espargata. O que 25 anos fazem a um ganapo como eu era.


Agora estou decidido a manter a calma enquanto oiço Lithium:

BCP

Não se pode dizer que tenhamos falhado tudo no nosso exercício de futurologia, mas também é verdade que algumas saíram uma nesga ao lado: não nos passou pela cabeça, por exemplo, que os americanos se mandassem a tentar romper máximos, com o Trump igualado nas sondagens! Mas depois descobrimos que o mercado anda virado para achar que uma vitória republicana, com  a desregulação e a baixa de impostos já anunciadas, é uma coisa boa. Eu, no tempo que levo disto, ainda não vi o mercado a subir com republicanos e os máximos a que assisti foi sempre com democratas, mas há quem não tire de ideia que a direita americana do tipo Bush é melhor para fazer dinheiro! Enfim, ideias feitas! Voltando à vaca fria, só os bruxos acertam tudo e nós nem os livros do Harry Potter lemos, mas gostamos da ida do S&P lá acima porque deu para atestar na putaria (oops, não levem a mal: compramos puts, isto é entramos curto e apostamos na queda). No fim, mantemos o que dissemos e continuamos convencidos que isto vai dar para baixo, a não ser que o S&P500 quebre máximos históricos!

Claro que nestas contas não entra o PSI20, esse moribundo transformado em slot machine, onde só a JMT vai dando para pagar as contas. Nesse, sou-vos franco: só acima de uns 4700 com a convicção de um volume forte, é que admito voltar ao baile, ainda que timidamente (vejam porquê aqui).

Mas hoje apetece-me dar uma vista de olhos no BCP, não para fazer uma análise técnica porque a coisa não tem por onde se lhe pegue, mas para partilhar convosco alguns dados que fui reunindo nas minhas leituras na net e uma ou outra especulação relativamente ao que se vai passar em termos futuros. Futurologia outra vez!

O BCP tinha, no final do 1º semestre de 2016, 2555 M€ de crédito em risco não coberto (de um total de 53000 milhões), cerca de 61% do capital próprio, e 750 M€ de obrigações convertíveis em capital que têm que ser pagas até junho de 2017 (consta que está a tentar pagar 250 milhas, mas ainda não recebeu luz verde! Compreende-se!). Se esse crédito em risco se revelar incobrável, o BCP fica muito perto da falência ou da nacionalização (os 750 M€ colocariam o Estado de posse da maioria do capital). E o pior é que não se sabe se estes valores não terão aumentado entretanto, porque isto é como na selva: animal ferido faz a festa das feras caloteiras! Não há dúvida de que um aumento de capital (AC) é inevitável!

Entretanto, aparece a Fosun com uma oferta por 16,7% do banco ao máximo de 2 cêntimos e a administração coloca-se de cócaras com a língua de fora e o rabito a abanar. No entanto, como rapidamente se chega à conclusão de que o dinheiro chinês, mesmo assim, vai ser curto, começa a correr a ideia de que o AC terá que ser maior e vai ser necessário: 1) convencer os chineses a terem uma posição maior; 2) arranjar outros para acudirem ao peditório. 

O problema é que um AC da envergadura requerida numa empresa com um valor de mercado tão baixo significará uma diluição monstra para os atuais acionistas, pelo que a debandada acelera levando a uma queda acentuada das cotações que tornam mais provável uma oferta de novas ações na casa do cêntimo do que no máximo oferecido pelos chineses! 

As contas são de merceeiro, mas para terem uma ideia, se houvesse um AC de 750 milhões de euros para liquidar já os CoCos, à cotação atual, com 30% para os chineses e o resto (12%), por exemplo, para a Isabel dos Santos, as posições dos principais acionistas ficariam assim: Sonangol (17,8% para 10,3%), Sabadell (5,1% para 2,9%), EDP (2,7% para 1,6%). 

O problema de um AC deste tipo é que ele pode resolver o biscate de o Estado passar a ser acionista, permitindo liquidar os CoCos, mas nada consegue fazer pelos créditos incobráveis, pelo que se trata de uma jogada de alto risco para quem entrar. Neste caso, risco alto, preço baixo! Claro que eu, se fosse acionista sénior do BCP, perante este cenário, estava a entregar as ações que tinha aos pequenotes para tentar entrar mais tarde no tal AC com um desconto bem favorável. E ao que parece, quanto mais tardar o anúncio da coisa, maior é a probabilidade de compensar vender já, porque mais baixo será o preço a que serão colocadas as novas ações e sempre há algum que se pode ganhar com o diferencial. 

Vejam o caso, por exemplo, da Sonangol (de Isabel dos Santos). Se, por hipótese puramente académica, tivesse vendido no fecho de sexta-feira toda a posição, encaixaria 185 M€. Se pegasse nesse dinheiro e entrasse num AC com um desconto de 30% e a D. Isabel ficasse com os 12% acima do que os chineses querem, então a posição angolana passaria a ser de 34%, e seriam os acionistas maioritários. Dir-me-ão: mas a Sonangol não pode vender sem comunicar ao mercado! Pois não, nem eu digo que o está a fazer, mas há muitas maneiras de fazer um serviço bem feito e a avalanche de posições curtas no banco não me parece que seja só de ases da bolsa! Do you know what I mean?

18.9.16

Futurologia

Depois da quebra em baixa da linha amarela, em três dias o PSI20 pôs-se na linha vermelha, 150 pontos abaixo. Na terça-feira viemos aqui dizer que nos pusemos curtos e agora anunciamos que fechamos a loja para o fim de semana porque estamos em crer que, apesar de tudo, é capaz de ser excessivo quebrar a linha vermelha desde já. Claro que somos ninguém para dizer ao mercado o que ele pode ou não fazer, mas se bem conhecemos o azeiteiro, não é costume as coisas avinagrarem tão violentamente sem que se dê um ressalto. Demais a mais o RSI indica sobrevenda e, embora o nosso índice tenha o costume de se deixar ficar 3 ou 4 dias sobrevendido antes de dar um coice, ninguém nos tira de ideia que a quebra da linha vermelha só se dará se houver forte marosca. Notem que a linha vermelha foi quebrada em junho por causa do Brexit naquilo que ficou provado à posteriori ter sido uma excentricidade dos pessimistas, pelo que uma quebra neste momento, sem esse tipo de frisson não poderá deixar de constituir motivo para forte comoção (essa quebra só não será apocalíptica porque 5% abaixo está o mínimo anual e vai haver gente a comprar um duplo fundo). Ora vejam:


Nós podemos ficar na dúvida sempre que ouvimos na televisão os políticos e os comentadores das diferentes fações e balançar entre o otimismo de Costa e Marcelo e o negrume de Passos, mas jamais deveremos duvidar dos sinais que vêm dos mercados. Quando os juros da dívida no mercado secundário sobem como subiram esta semana e a bolsa vem pousar da forma que vimos e com um volume brutal na linha vermelha, não devemos precisar que nos façam sinais de luzes para perceber que vamos ter problemas a seguir. Claro que há um sem-número de fatores que o jornalismo especializado se entretém a avançar para explicar os movimentos a que assistimos, mas se queremos ser alguém na vida e não acabar empurrados para fora do mercado, é mister que façamos a nós próprios o favor de ignorar em absoluto todo o tipo de teorias e nos concentremos apenas nos movimentos. É evidente que o mercado não é deus todo-poderoso e muitos movimentos resultam da nossa tendência comum para o exagero: o movimento (previsível) entre a linha amarela e a linha vermelha pode ser acomodado sem espinhas nesta linha de raciocínio! Mas se quebrarmos em baixa a partir daqui, então eu, que de economia e finanças nada percebo, começarei a dar mais crédito aos pessimistas!

Quanto à próxima semana, se quisermos fazer aqui um exercício de pura futurologia, era capaz de arriscar dizer que podemos ter ressalto para durar até meio da semana. Tecnicamente, o índice ficou a jeito para os compradores (o stop-loss coloca-se sem problemas), há sobrevenda e vamos ter crentes numa espécie de triplo fundo, ao mesmo tempo que o desiderato no BPI pode levar a um curto desanuviar do cenário na banca (no BCP já se percebeu que os chineses vão entrar à grande, pagando uma bagatela - sorte a deles). Não obstante, aflige-me um bocado a situação do DAX que, em minha opinião, dificilmente escapará a vir beijar a sua linha vermelha, mas sou moço para acreditar que até quarta-feira, dia de reunião de bancos centrais no Japão e nos EUA, é possível que a coisa passe mais ou menos equilibrada. 


A partir da reunião da Fed é que me parece que as coisas poderão piar mais fino. Creio que há uma probabilidade muito grande de os juros não subirem, mas também me parece que o risco de sell off a seguir, independentemente da decisão tomada, é bastante significativo. Depois da Fed, os mercados voltarão as suas atenções para as eleições de 8 de novembro e a incerteza que será criada por uma possível eleição de Donald Trump será tão grande que dificilmente escaparemos à tradicional jogada por antecipação: seja qual for o vencedor das eleições, os efeitos das suas ações começarão a ser sentidos daqui por seis meses, tempo que o mercado costuma dar de margem para reagir à cautela. No S&P500, não preciso de gastar mais as teclas do teclado, se vos mostrar o meu gráfico:


Para ajudar a que a semana seja de qualidade, fiquem com o novo Nick Cave: