27.1.17

O fim do homem soviético (primeira parte)

Ler O fim do homem soviético - Um tempo de desencanto, de Svetlana Aleksievitch, confirma a minha convicção de que a literatura supera os livros de História na compreensão de uma época, pois revela a alma de um povo.

Como explicar que a alma soviética resistiu durante tantas décadas às vicissitudes do Comunismo marcado por guerras, pela fome, pelo gulag, pelo absurdo e pela morte em nome de um ideal?

26.1.17

Reforço da equipa N€B

Esta arte de Negociar em Bolsa é, por excelência, uma atividade multidisciplinar. É evidente que não é possível ter sucesso consistente nos mercados se não estivermos atentos ao mundo e permanentemente informados, mas muitos ignoram ou parecem esquecer que essa informação não se adquire apenas em pesquisas informais e esporádicas tão na moda nos tempos que correm! 

Negociar em Bolsa, com a presença de espírito e a capacidade de avaliação requeridas, pressupõe uma aprendizagem acelerada que só é possível se absorvermos permanentemente o conhecimento que outros, em variadíssimas áreas da nossa vida, se dispõem a partilhar connosco através da literatura, das experiências de vida e vivências pessoais, de viagens, das diferentes artes, etc.

É por esse motivo que esta casa tem primado desde o início por oferecer àqueles que nos visitam uma experiência plural, em que se fala muito de bolsa e de negócios, mas não esquecemos o mundo que nos rodeia, e sobre o qual estamos sempre pontos a refletir. Numa época em que, mais do que nunca, o que hoje é verdade amanhã deixa de ser, e o que agora é certo rapidamente se torna duvidoso, este esforço por irmos sempre mais além acaba por se tornar quase uma questão de sobrevivência.

Ora, para tornarmos a nosso contributo para esta causa cada vez mais relevante, e para que possam ter ainda mais motivos para nos darem o gosto da vossa visita, iremos reforçar a nossa equipa com a participação regular de duas amigas, a Cristina Gomes e a Virgínia Aleixo, professoras de Português que, para além de escreverem otimamente, estão mais do que habilitadas para darem um contributo muito significativo ao tal crescimento diário na nossa forma de estar nos mercados e na vida.

24.1.17

EDP Renováveis

Hoje a estrela da sessão foi a EDP Renováveis, com uma subida vistosa de quase 4,5%. O fecho foi em máximos e o volume muito superior ao habitual, pelo que, como é lógico, fui ver o gráfico e o que verifico é que devia ter estado mais atento. 

Ora vejam:

Músicas do dia... e compras do dia

Depois das emoções fortes com os direitos do BCP e enquanto se aguarda pela tomada de decisão dos grandalhões (e, porque não, desse Warren Buffett luso que dá pelo nome de Joe Berardo), fomos às compras e damo-vos conta do que metemos ao saco. Pouca coisa. 

21.1.17

Só para quem gosta de emoções fortes

Pedimos desculpa por voltar a falar do AC do BCP, mas, muito honestamente, não vemos outro assunto que seja tão importante como este neste momento, admitindo, bem entendido, que estamos numa casa em que se fala em essência sobre bolsa. Aliás, quem viveu as emoções dos 2 dias de negociação dos direitos de subscrição das novas ações não terá dificuldade em reconhecer que o potencial para se fazer ou destruir dinheiro é, neste momento, bem superior ao que é normal na negociata bolsista tuga. 

16.1.17

Agarrem-se bem!

E pronto, estão os dados lançados para o AC do BCP. 

A partir de agora e até que a negociação dos direitos termine, esqueçam por favor todas as subtilezas de ordem técnica e as análises aos fundamentais do banco e concentrem-se apenas no que vai acontecer à luta pelos direitos. A negociação das ações é importante apenas porque, evidentemente, teremos arbitragem entre o preço das ações e dos direitos, mas na prática é a oferta e procura dos direitos que irá ditar o andamento da jigajoga e, a partir de amanhã, será a expetativa em torno da negociação dos direitos na quinta-feira que começará a ditar a cotação das ações. A relação entre a cotação dos direitos, D, (ou a expetativa até quinta-feira) e a cotação das ações, A, será mais ou menos:

A = 0,094 + D/15

Amanhã teremos, teoricamente, antes da abertura as ações a valerem 13,83 cêntimos e, consequentemente, os direitos valerão 66,48 cêntimos. Depois da sineta tocar, o mercado é soberano!

Eis a nossa ideia, que parte destes dados:

15.1.17

Sonae

Da última vez que falamos da Sonae foi aqui e antes já andávamos a brincar com ela como podem comprovar se vierem aqui e aqui. Tudo somado, foi uma vitória: a Sonae deu-nos mais do que o pastel que deixamos na caixa do Continente e ainda trouxemos umas guloseimas de bónus! Tudo nos conformes e como manda a lei.

A resistência dos 0,88 fez o que lhe competia e a ação corrigiu as gorduras e deu oportunidade a outros para entrar. Claro que todos vocês queriam que ela fosse aos 0,75€ para comprarem (embora nesse caso, ficassem na dúvida e já não comprassem) ou quiçá aos 80 no número redondo, mas curiosamente, eu, que não sou de exageros, acho que foi justamente ao número correto para encetar um novo ataque à resistência e entrar em território verde (ai Jesus!). Eu diria que na semana que ora entra muito se vai decidir, pois a empresa apresenta as vendas preliminares, na quarta-feira depois do fecho, e ficaremos a saber se há consistência suficiente para continuarmos a achar que se trata de uma pechinchinha.

9300 milhões

Exemplo - A, B e C são proprietários de terrenos vizinhos. 

A decide lotear. 

Z é um investidor imobiliário, recorre à banca, obtém um empréstimo e arremata o loteamento de A quando ainda só existe no papel. Consta-se nas redondezas que os lotes de A foram todos vendidos ainda em projeto e que ali vai nascer uma excelente urbanização, num local idílico a dois passos de tudo. Z loteia e inicia a construção em alguns dos lotes, recorrendo a financiamento bancário. O banco junta as hipotecas ao ativo e aumenta os rácios, os gestores ganham bónus e os acionistas recebem dividendos. 

Os terrenos de B e de C valorizam, impulsionados pela dinâmica do loteamento A. 

3 canções que vale a pena ouvir hoje



14.1.17

3 filmes que valem a pena

Eu, Daniel Blake foi vencedor da Palma de Ouro em Cannes, facto que costuma garantir que não daremos por mal empregue o dinheiro investido no bilhete nem o tempo que gastamos a ver o filme. 

No prémio de 2016 não temos exceção à regra com esta obra de Ken Loach que nos dá conta do caso de Daniel Blake, um carpinteiro de Newcastle que, devido a um grave ataque cardíaco, se vê numa situação em que não pode trabalhar por estar em convalescência, mas também não consegue assegurar o subsídio de invalidez, a que teria direito, devido à burocracia da máquina gestora do sistema.

10.1.17

10 dias, 7 sessões, 6 quedas

Referimo-nos, obviamente, ao nosso martirizado PSI20, essa autêntica máquina de torrar cacau e causar insónias. Desde que falamos dele no início do ano, a coisa avinagrou um bom bocado e o pastor não teve vergonha nenhuma em voltar cá para baixo até ao nosso suporte, em menos de três tempos, colocando-se a toques para receber guia de marcha rumo ao voo picado. 

É evidente que o comportamento dos juros da dívida está diretamente relacionado com toda esta azeitice e, assim a olho nu, parece um exagero dos grandes o otimismo do nosso ministro Centeno. 

Novo AC do BCP 2

Depois de uma noite de sono retemperador (haverá maior prova de que não temos BCP?) e com a água quentinha do chuveiro pela cabeça abaixo é que brotam as melhores ideias e, no que a este assunto diz respeito, as ideias que brotaram são as que se seguem:
  • O AC é, de facto brutal, e implica um enorme reforço de capital por parte dos atuais acionistas que, ainda por cima, têm que confiar que, desta vez (que é para aí a 15ª vez que eu me lembre) será diferente;

9.1.17

Novo AC no BCP

Há mês e meio fizemos esta análise ao BCP e, na altura, partimos do princípio de que o AC poderia ser apenas para pagar os CoCos e permitir à Fosun e à Sonangol reforçarem para 30% do capital cada uma. Afinal o AC é bastante maior e na prática equivale a 1,35 vezes a cotação atual do banco. Trata-se de uma injeção de capital massiva que poderá implicar a diluição para 42% da posição atual aos acionistas que não forem a jogo!

Evidentemente, não sabemos o que o mercado achará disto (a notícia com os valores já corria algures ontem, pelo que julgamos que os principais players não terão sido apanhados de surpresa), mas há alguns aspetos que poderão ser relevantes:
  • O grau de diluição é tão grande que poderá haver quem prefira vender (ou já as ações, ou depois os direitos) a ter que acudir, disponibilizando recursos para mais este peditório;

8.1.17

O ataque a máximos da Corticeira Amorim?

Para início de conversa recuamos dois meses no nosso blogue e automaticamente poupamos imensos caracteres na contextualização da empresa que pouco ou nada difere da altura! 

Mário Soares

Já praticamente tudo terá sido dito sobre Mário Soares, e é de tradição que as palavras sejam benévolas agora que ele nos deixou para sempre. Mas em relação a Mário Soares há mais do que elogios ou balanços de vida que devem ser feitos nesta altura. Creio não andar muito longe da verdade se disser que, mais do que um somatório das vezes em que estivemos de acordo ou desacordo com ele, o que mais pesa nestes dias é um certo sentimento de orfandade que nos magoa e nos deixa tristes.

2.1.17

Sonae Indústria

Perguntam-nos pelos títulos em que mais apostamos para negociar uma possível ida do PSI20 para cima, mas julgamos que é despiciendo estar a gastar mais o teclado, sem dizer nada de muito relevante: se derem uma vista de olhos nas mensagens anteriores do blogue vão encontrar muitas situações que se mantêm perfeitamente atuais. Curiosamente aquele em que mais dúvidas temos é o BCP que nos falhou na última especulação e agora nos mantém entre isto e isto (é só escolher).