1.3.17

A receita para a felicidade: Stoner, de John Williams. (Segunda parte)

Como dizia Francis Bacon, o pintor, “A vida não tem sentido. Tem apenas o sentido que lhe queremos dar”.

Se lhes parece, no final, que a personagem Stoner teve uma vida triste e patética, é exatamente o oposto. Teve uma vida melhor do que muitos de nós porque fez o que gostou. Dedicou-se verdadeiramente, teve fé no que fazia. Deu sentido a cada momento da sua vida, nunca esperou as férias ou a reforma para poder enfim “gozar”, “respirar” ou “viver”. Cada dia de Stoner foi uma respiração profunda e serena, sem arrependimentos.

Trabalhar como quem cumpre uma missão. É este todo o heroísmo. Uma vida vulgar marcada por algumas alegrias fugazes - uma aventura extraconjugal, momentos de cumplicidade com a filha, a partilha do saber – e, acima de tudo, a dedicação ao seu trabalho, à literatura e à docência, o seu espaço de liberdade

É agora?

O bom de andarmos às turras com o pior índice bolsista a nível mundial é que podemos perfeitamente meter férias quando nos dá na real gana sem temor de perdermos uma boa cavalgada porque a verdade é que o garoto, de cada vez que dá uma arrebitadela, não tem perdido tempo a voltar à casa de partida! Esta postura reconfortante do índice, que não tem deixado ninguém com pena por ter vendido, vem de há 2 anos a esta parte e define, em essência, o que é um bear market

24.2.17

O regresso ao essencial: "Stoner", de John Williams. (Primeira parte)

Que marca deixaremos nos outros quando já não estivermos cá?

Para o herói de John Williams, a resposta é desconcertante:

“William Stoner entrou na Universidade do Missouri em 1910, aos dezanove anos. (…) Os colegas de Stoner, que não lhe tinham uma estima por aí além quando era vivo, raramente falam dele agora; para os mais velhos, o nome é um lembrete do fim que os espera a todos e, para os mais jovens, é um mero som que não evoca qualquer noção do passado nem qualquer sentimento de identificação quer em termos pessoais, quer em termos de carreira”.

Assim enceta o romance. A pergunta que se impõe logo ao leitor exigente é: se o homem não fez nada de extraordinário (positiva ou negativamente), para quê dedicar-lhe um romance? A resposta para o leitor paciente é dada pela própria personagem no final da sua vida, “Estavas à espera de quê?”
Todo o mistério está então aí, ao alcance de todos.

20.2.17

Circularidades bibliófilas

            

                Em ditosa passagem pela sempre misteriosa, fresca e cativante Paredes de Coura, em assuntos que envolvem ossadas de antepassados, encontra-se, assim, sem mais, em singelo poiso para refrigério (vulgo, pastelaria) de Ponte de Lima, obras literárias à disposição dos comensais. Que faz ali, sereno, como se por acaso, Os Conjurados, de Jorge Luis Borges?...


19.2.17

A retoma das EDP's e o amor de Lana del Rey

A coisa não tem sido fácil e, sobretudo, a paciência com o nosso PSI20 tem sido de santo - se quiserem uma análise atualizada ei-la aqui - mas certamente o segura-me se não eu fujo e o perigo de descalabro tem sido pautado por generosos dividendos para os amigos que nos acompanham! E se é certo que esta indefinição no nosso principal índice tem-nos levado a procurar oportunidades nas cotadas menos capitalizadas - em futebolês, segunda liga - do nosso mercado (PSI geral), cedendo ao fraco volume, ou até mesmo ao cabaz dos vizinhos espanhóis (IBEX35) também não é errado que a fuga das pastas de papel confere validade ao que foi dito e vai contabilizando mais-valias tendo mesmo a Navigator Company já atingido religiosamente o target, a Corticeira Amorim não deixou ficar mal e chegou a máximos definidos, a Nos se ter aguentado acima dos 5,15€, a Pharol ter saído de órbita à conta da quebra em alta dos 25,6 cêntimos e que entretanto já dissecámos aqui e os CTT e a Mota Engil a manter a expetativa no que foi analisado! 

Posto isto, no titubeante PSI20 até que nos safámos e, se cumpriram o guião, até que vos enriquecemos! Mas e o que é que isto tem a ver com o título?

17.2.17

A nostalgia vende: La La Land

Não sendo uma fã de musicais, reconheço que há algum encanto no filme La La Land, de Damien Chazelle, também realizador de Whiplash. Para quem gosta de jazz, é o filme a ver. Para quem não gosta tanto, terá que acreditar que os cinco prémios BAFTA e as 14 nomeações para os Óscares, tornando-o no filme favorito, podem significar algo (desde que se dê crédito a tudo isto, claro).

O filme narra a história de amor em Los Angeles entre dois jovens, Mia e Sebastian, com um final feliz que, contra todas as expetativas, não é Casaram e viveram felizes para sempre, mas antes Não casaram e viveram felizes para sempre. Também serve.

Toni Erdmann

O melhor de todos os nomeados a levar a peça para melhor filme estrangeiro e um dos melhores que vimos nos últimos tempos é Toni Erdmann da realizadora alemã Maren Ade, que tem no currículo o facto de ter produzido o excelente Tabu do nosso Miguel Gomes. Trata-se do filme que muito provavelmente levaria a Palma de Ouro em Cannes se não estivesse a concurso o Daniel Blake e entre um e outro mon coeur balance.

16.2.17

Eu confesso: o quê exatamente? (Segunda parte)

O que ficará de nós quando a memória nos falhar? (Se é que já não nos falha mais do que aquilo que queremos admitir).

Ironias da vida, Adrià Ardèvol, narrador e personagem principal da obra Eu confesso, de Jaume Cabré, tem uma memória prodigiosa, mas é vítima da doença de Alzheimer e só lhe resta a escrita para não esquecer, para não perder a identidade.
Não deixa de interpelar. É um aviso para começar a registar tudo? É o medo de perder a memória? Já o fazemos com a fotografia digital, com o facebook ou outra rede social que acumula de forma fragmentada momentos vividos com os amigos (para os amigos do Gosto?) e com a família, com as agendas que corta a vida em pedacinhos e com tudo o que nos incita, consciente ou inconscientemente, a fixar momentos.

15.2.17

Um homem chamado Ove

Já aqui dissemos algures que, para nós, os Óscares enquanto referencial de qualidade cinematográfica acabaram em 1994 quando vimos o tolo do Forrest Gump levar a melhor sobre Pulp Fiction. Foi simplesmente demasiado para o que o nosso estômago sensível podia aguentar e desde então, salvo em raríssimas exceções, passamos a enquadrar a cerimónia da carpete vermelha na tabela dos eventos giros! 

Mas houve uma categoria de prémios que conservou intacto um módico de credibilidade que se mantém até hoje e que nos faz ficar atentos quando os nomeados são anunciados. Falamos do prémio para melhor filme estrangeiro, cujo palmarés tem sido normalmente garante de tão bom cinema como o é a seleção de Cannes, de Berlim ou de Veneza.

Este ano, dos filmes nomeados, já conseguimos ver três, todos europeus, e nenhum deles desiludiu.

PSI20

Antes que perguntem pela Sonae Indústria, o que temos a dizer está essencialmente aqui, ainda que acrescentássemos apenas o seguinte:

14.2.17

Ibersol

O PSI20 parece uma panelita de pressão, o sacana, tão controladinho entre a vontade esgazeante de expandir e associar-se à alegria do dinheiro fácil, que está a marcar o compasso nas bolsas mundiais, e a falta de calor e de volume de gás que o vai mantendo a marinar, confinado dentro de um recipiente cada vez mais estreito. Nos próximos dias, estamos em crer, isto ou vai ou rebenta!

Por ora, e para aqueles que acham que isto da bolsa é uma tanga desgraçada, e que o país está tão azeitado que mais nada vale a pena a não ser deitarmo-nos a dormir, apresentamo-vos a Ibersol, que subiu, desde há 1 ano, 128%.

12.2.17

O Artista pára para pensar...

Ao visitar o ateliê de qualquer artista, irá seguramente encontrar um objeto que lhe chama atenção. Pode estar no meio do espaço-ateliê, arrumado a um canto, junto à janela ou rodeado por frascos de aguarrás. Mas há um particularmente que destaco: a velha cadeira, quase sempre coçada e coberta por uma camada de pó. A cadeira do artista desempenha um papel importante no processo criativo. Quando se senta nela muda de personalidade. Deixa de ser criador e torna-se critico. O seu olhar (ultracritico) mergulha na obra à procura de erros técnicos, outros vocabulários e hipocrisia.


Por vezes, tendo identificado um problema, levanta-se repentinamente e faz uma pequena correcção. Aquele gesto com o pincel, espátula ou mão na superfície da tela faz toda a diferença.
Afinal, tem dias que passa mais tempo a pensar do que a produzir. Pára para pensar e pondera sobre a vida e a criatividade, o que pintar/criar amanhã. Exactamente o que vou fazer agora...

"Eu confesso", de Jaume Cabré: uma obra-prima. (primeira parte)

Ao ver o noticiário, há um leitmotiv que faz vender, que agarra a atenção de quem está sempre a ver e a ouvir tudo, é o leitmotiv da corrupção, do terrorismo, da subida do populismo, do sofrimento, ou seja, do Mal e..., sem forma de lhe escapar, do Amor (um piscar de olhos para o São Valentim que se aproxima...). O problema é que as várias facetas do Mal são apresentadas como se fossem uma crise; fala-se da crise dos refugiados, da crise do Médio Oriente, da crise do Brasil, da nossa crise económica (com todas as outras aí incluídas), da crise do amor. Ora a crise normalmente é conjuntura, momento passageiro; por isso é outra coisa. Transição também não é.

Para entender melhor, a literatura revela-se uma ajuda preciosa. A obra Eu confesso, de Jaume Cabré, procura explicar, através da ficção, a genealogia do Mal, nomeadamente a construção da identidade europeia, e mais particularmente a cultura judaico-cristã, recorrendo a figuras reais e acontecimentos históricos. Uma verdadeira obra-prima.

Vale uma aposta?...

A mui apregoada e suposta bondade dos portugueses acaba na fila para a compra da raspadinha.

11.2.17

Pharol

Ficou tudo varado com a subida entusiasmante da Pharol esta semana e o caso não é para menos, se pensarmos no que 73% de ganho semanal fariam pela nossa felicidade. Foi um feito épico, mas ainda fica melhor se contabilizarmos a epopeia desde o início do ano, como muito bem fez o Jornal de Negócios.

Como causas para tamanha remontada há quem aponte o amenizar do cenário de falência da Oi, o aumento do número de clientes da Oi no Brasil ou a entrada de fundos de investimento no capital da empresa brasileira e da portuguesa.

A nossa leitura, contudo, é um pouco diferente (ainda que tudo esteja ligado) e tem que ver com um desfasamento entre a cotação da Oi e a cotação da Pharol (que já aconteceu outras vezes).

Passamos a explicar: