12.3.17

Ibex quase a entrar em bull market

Ao olhar para o gráfico que se segue não há como não ficar com uma pontadinha de gosma (patriótica com certeza) ao D. Afonso Henriques, ao Santo Condestável, ao Mestre de Avis e à Padeira de Aljubarrota, aos Restauradores e a todos os obreiros desse feito d'armas, de tomates e de loucura que foi a independência da pátria. Por momentos quase que nos imaginamos a gritar: estai quietinhos, por favor, heróis da tugaria; batam mais a modo na espanholada, nos galegos e nos de castela. Tende calma e sede mais ponderados que quiçá não tenhamos arcaboiço para gerir como deve ser um país só nosso! Passa logo, mas, raios, depois de lhes darmos tanta coça, como é que o destino quis que na era em que calhamos viver sejamos nós a estar na mó de baixo. O que vale é que neste nosso século 21, pelo menos para já (esta semana vai haver mais um teste na Holanda para se saber se o povo está mesmo com vontade de recuar à idade média), os mercados já/ainda são praticamente globais! 



Como ganhar 30% na Sonae, Florence Welch e os outros tantos

O título é tão entusiasmante que... Vamos com calma!

No curto prazo o David tem feito delícias com os gráficos da família Azevedo e a parte mais fixe é que partilha, à borliú, o filão com a malta! Recentemente na SGPS e anteriormente na Indústriaper si, justifica de sobremaneira o porquê da excelente performance, cada vez mais crescente, de consultas no nosso fortemente segmentado mas todo riquinho, N€B

Família: último refúgio, uma fatalidade? (Primeiras linhas para reflexão)

Há o melhor e o pior na família. Queremos, inexoravelmente, sair ou entrar nela.

Por mais que detestemos os nossos pais e mesmo sabendo de antemão que os nossos filhos também nos vão detestar um dia, acabamos sempre por querer fundar a nossa família. A profissão de pais é uma profissão impossível e a profissão de filho é estar confrontado a indivíduos que são incapazes de serem perfeitos e ainda bem que o não são.

Vivemos na fantasia que poderíamos viver sem conflito. Ora a vida é toda ela conflito. É como andar, é uma queda constantemente evitada, mas se não houvesse queda, não haveria o ato de evitar e não avançaríamos.

Não podemos esquecer que a família não é apenas a que nos é imposta, é também aquela que construímos. E é por essa razão que hoje, reconstruída, mono, homo ou heteroparental, a família permanece, apesar de tudo, um modelo absolutamente incontornável. Porque neste mundo completamente absurdo, ter filhos é talvez a única razão de ser. Estamos condenados a ser pais.

Ter filhos dá-nos uma forma de eternidade…

5.3.17

Notas da semana (segunda parte)

Vamo-vos agora falar de mais três papéis que nos parecem bastante interessantes no PSI20, para além do já mencionado BCP, tendo presente que, por interessante, queremos dizer que estão num momento em que vale a pena perder tempo a prestar-lhes atenção e não que darão necessariamente lucro! Aliás, se o que procuram é uma jigajoga do tipo lucro certo e infalível, informamos desde já que estão no blogue errado e o mais acertado seria se tivessem ido ao poderoso professor Karamba.

Onde comprar Jerónimo Martins


A Lta ascendente (linha de tendência a preto) que se vê no gráfico teve início no mínimo relativo de Outubro de 2014, nos 6,50€. Desde então a cotação tem levado com efeito ricochete no seu encontro! Aconteceu em Janeiro de 2015, pelos 7,10€ e passado um ano, pelos 10,65€! Pergunta pertinente: é o suficiente para amparar a cotação no próximo encontro?

As primeiras linhas de Nascimento

Eu ia nascer. Para mim, o desafio era enorme. Se tivesse que o fazer novamente, nascia muito menos. Nascemos sempre demais.
- Ele sobrenasce! Indignou-se o meu pai quando saí das vísceras maternais. Devíamos chegar silenciosamente, fazer a nossa entrada na ponta dos pés, fazermo-nos esquecer logo à partida. Nunca somos tão pretensiosos como quando nascemos.

Nascimento, Yann Moix (Título original: Naissance.

Arrisquei uma tradução porque queria partilhar este incipit, no mínimo, original)

4.3.17

Notas da semana (primeira parte)

Ao contrário de outras notas da semana que pra'í andam da autoria de um pequenote tagarela e armanço, que se acha cheio de conectes e aparece na tv, estas que vos sirvo agora são completamente destituídas de informação privilegiada (aliás, não têm informação nenhuma), provêm de pura imaginação e estão ainda mais próximas do bitaite e da laracha que as do outro. Mas olhem que se forem a pesar como deve ser, vão ver que o produto que apresento tem tanta probabilidade de acertar no alvo como as outras e, acima de tudo, são menos cansativas para os ouvidos!

1.3.17

A receita para a felicidade: Stoner, de John Williams. (Segunda parte)

Como dizia Francis Bacon, o pintor, “A vida não tem sentido. Tem apenas o sentido que lhe queremos dar”.

Se lhes parece, no final, que a personagem Stoner teve uma vida triste e patética, é exatamente o oposto. Teve uma vida melhor do que muitos de nós porque fez o que gostou. Dedicou-se verdadeiramente, teve fé no que fazia. Deu sentido a cada momento da sua vida, nunca esperou as férias ou a reforma para poder enfim “gozar”, “respirar” ou “viver”. Cada dia de Stoner foi uma respiração profunda e serena, sem arrependimentos.

Trabalhar como quem cumpre uma missão. É este todo o heroísmo. Uma vida vulgar marcada por algumas alegrias fugazes - uma aventura extraconjugal, momentos de cumplicidade com a filha, a partilha do saber – e, acima de tudo, a dedicação ao seu trabalho, à literatura e à docência, o seu espaço de liberdade

É agora?

O bom de andarmos às turras com o pior índice bolsista a nível mundial é que podemos perfeitamente meter férias quando nos dá na real gana sem temor de perdermos uma boa cavalgada porque a verdade é que o garoto, de cada vez que dá uma arrebitadela, não tem perdido tempo a voltar à casa de partida! Esta postura reconfortante do índice, que não tem deixado ninguém com pena por ter vendido, vem de há 2 anos a esta parte e define, em essência, o que é um bear market

24.2.17

O regresso ao essencial: "Stoner", de John Williams. (Primeira parte)

Que marca deixaremos nos outros quando já não estivermos cá?

Para o herói de John Williams, a resposta é desconcertante:

“William Stoner entrou na Universidade do Missouri em 1910, aos dezanove anos. (…) Os colegas de Stoner, que não lhe tinham uma estima por aí além quando era vivo, raramente falam dele agora; para os mais velhos, o nome é um lembrete do fim que os espera a todos e, para os mais jovens, é um mero som que não evoca qualquer noção do passado nem qualquer sentimento de identificação quer em termos pessoais, quer em termos de carreira”.

Assim enceta o romance. A pergunta que se impõe logo ao leitor exigente é: se o homem não fez nada de extraordinário (positiva ou negativamente), para quê dedicar-lhe um romance? A resposta para o leitor paciente é dada pela própria personagem no final da sua vida, “Estavas à espera de quê?”
Todo o mistério está então aí, ao alcance de todos.

20.2.17

Circularidades bibliófilas

            

                Em ditosa passagem pela sempre misteriosa, fresca e cativante Paredes de Coura, em assuntos que envolvem ossadas de antepassados, encontra-se, assim, sem mais, em singelo poiso para refrigério (vulgo, pastelaria) de Ponte de Lima, obras literárias à disposição dos comensais. Que faz ali, sereno, como se por acaso, Os Conjurados, de Jorge Luis Borges?...


19.2.17

A retoma das EDP's e o amor de Lana del Rey

A coisa não tem sido fácil e, sobretudo, a paciência com o nosso PSI20 tem sido de santo - se quiserem uma análise atualizada ei-la aqui - mas certamente o segura-me se não eu fujo e o perigo de descalabro tem sido pautado por generosos dividendos para os amigos que nos acompanham! E se é certo que esta indefinição no nosso principal índice tem-nos levado a procurar oportunidades nas cotadas menos capitalizadas - em futebolês, segunda liga - do nosso mercado (PSI geral), cedendo ao fraco volume, ou até mesmo ao cabaz dos vizinhos espanhóis (IBEX35) também não é errado que a fuga das pastas de papel confere validade ao que foi dito e vai contabilizando mais-valias tendo mesmo a Navigator Company já atingido religiosamente o target, a Corticeira Amorim não deixou ficar mal e chegou a máximos definidos, a Nos se ter aguentado acima dos 5,15€, a Pharol ter saído de órbita à conta da quebra em alta dos 25,6 cêntimos e que entretanto já dissecámos aqui e os CTT e a Mota Engil a manter a expetativa no que foi analisado! 

Posto isto, no titubeante PSI20 até que nos safámos e, se cumpriram o guião, até que vos enriquecemos! Mas e o que é que isto tem a ver com o título?

17.2.17

A nostalgia vende: La La Land

Não sendo uma fã de musicais, reconheço que há algum encanto no filme La La Land, de Damien Chazelle, também realizador de Whiplash. Para quem gosta de jazz, é o filme a ver. Para quem não gosta tanto, terá que acreditar que os cinco prémios BAFTA e as 14 nomeações para os Óscares, tornando-o no filme favorito, podem significar algo (desde que se dê crédito a tudo isto, claro).

O filme narra a história de amor em Los Angeles entre dois jovens, Mia e Sebastian, com um final feliz que, contra todas as expetativas, não é Casaram e viveram felizes para sempre, mas antes Não casaram e viveram felizes para sempre. Também serve.

Toni Erdmann

O melhor de todos os nomeados a levar a peça para melhor filme estrangeiro e um dos melhores que vimos nos últimos tempos é Toni Erdmann da realizadora alemã Maren Ade, que tem no currículo o facto de ter produzido o excelente Tabu do nosso Miguel Gomes. Trata-se do filme que muito provavelmente levaria a Palma de Ouro em Cannes se não estivesse a concurso o Daniel Blake e entre um e outro mon coeur balance.

16.2.17

Eu confesso: o quê exatamente? (Segunda parte)

O que ficará de nós quando a memória nos falhar? (Se é que já não nos falha mais do que aquilo que queremos admitir).

Ironias da vida, Adrià Ardèvol, narrador e personagem principal da obra Eu confesso, de Jaume Cabré, tem uma memória prodigiosa, mas é vítima da doença de Alzheimer e só lhe resta a escrita para não esquecer, para não perder a identidade.
Não deixa de interpelar. É um aviso para começar a registar tudo? É o medo de perder a memória? Já o fazemos com a fotografia digital, com o facebook ou outra rede social que acumula de forma fragmentada momentos vividos com os amigos (para os amigos do Gosto?) e com a família, com as agendas que corta a vida em pedacinhos e com tudo o que nos incita, consciente ou inconscientemente, a fixar momentos.