7.5.17

BCP, uma chávena e três de seguida

Nem há um mês atrás escrevemos onde não queríamos o BCP e mais do que isso fizemos anunciar que depositávamos todas as fichas entre os 17,2 e os 17,7 cêntimos, assumindo o erro caso estivéssemos completamente errados na leitura! 


Resultado: 33% de valorização até ao fecho da passada sexta-feira!
O momento atual merece uma atualização até porque o fecho anterior foi, quase justamente, na resistência assinalada que ainda não tinha sido testada! E por muito que a ação já esteja super esticada e as médias móveis estejam já bastante atrasadas isto está em modo tão bull que já nem sei!

PSI 20 (ponto da situação)

Se estavam a pensar só entrar nos mercados depois das eleições francesas e de confirmada a vitória do Macron, feitos finos a jogar pelo seguro, pois bem levaram com a trepa do costume e aposto que estais derretidos pela gosma (não por terdes a triste sorte de serdes portistas ou sportinguistas) mas porque o mercado andou a dar pataco toda a semana e vocês a ver! Aqueles que são frequentadores desta casa há tempo suficiente já sabem que é um erro de palmatória achar que o mercado só paga depois do facto consumado. O mercado é o contrário do Zé Povinho e, quando quer pagar, paga adiantado e muito porque há sempre quem os tenha no sítio e não esteja com preciosismos (como saber se as boas notícias se confirmam) para decidir por o cacau a florescer! 

6.5.17

Presidenciais francesas: a segunda volta do faz de conta

A partir do momento em que a vitória de Emmanuel Macron é dada como certa, os mercados reagem com otimismo, é o candidato que todos querem. Por isso, a única dúvida neste momento é com que percentagem. A verdadeira vitória é, então, conseguir uma percentagem significativa, acima dos 60 %, que negue ao partido fascista da Frente Nacional uma vitória política.

Vitória dos valores democráticos? Era ótimo que assim fosse. Contudo, esta segunda volta anula qualquer debate, qualquer escolha para os franceses entre duas verdadeiras propostas de sociedade, deixando o mesmo vazio que alimenta a subida do populismo há décadas. Voltará tudo ao mesmo, se bem que, na verdade, com mais algumas sequelas.

Resta a pergunta: não será a própria democracia a alimentar uma Marine Le Pen? Para perdurar, o sistema precisa de um lobo mau facilmente identificável, condenável, que justifica o apelo, por exemplo, de Barak Obama ou da Amnistia Internacional. Parece que só conta o resultado, seja a que preço for.

1.5.17

Histórias de dinheiro

Sexta parte

O amigo Delmiro também pode estar a pensar que o preço do milho vai descer. Vamos supor que o preço se encontra nos 1000 dólares o alqueire quando o banco emite um warrant put (que dá o direito de vender por um preço previamente estabelecido e se destina a quem quer ficar curto), com preço de exercício de 800 dólares, paridade 100:1, e maturidade a três meses. Claro que, em princípio, ninguém vai querer esse warrant porque ele confere o direito de vender a 800 o que está a ser vendido a 1000, o que é nitidamente uma péssima opção. Contudo, como ainda há três meses até chegarmos ao momento da verdade, o warrant tem razão de ser, ainda que valha apenas o preço da expetativa, digamos 1 cêntimo. O amigo Delmiro é um fulano corajoso e gosta de arriscar, pelo que compra destes produtos porque está convencido de que pode haver uma hecatombe no preço do milho.

Cup and handle na Sonae?

Na Sonae laboramos desde há muito tempo (podem comprovar consultando os arquivos) com base numa teoria que passava pela ida aos 0,94€, se não me engano projeção da quebra da resistência nos 0,75€, com posterior consolidação ou alguma correção. Entretanto, quer-nos parecer que se pode ter desenhado uma espécie de cup and handle que, uma vez ativado, poderá catapultar as cotações para a zona dos 1,05-1,10€ 

"Liberdade" vs Liberdade

Na semana em que se celebra o Dia da Liberdade (“25 de abril”), o desafio foi lançado: pintar um mural no interior do Estabelecimento Prisional de Viana do Castelo.
Entrar naquele espaço, "fechado, recortado, vigiado em todos os seus pontos, onde os indivíduos estão inseridos num lugar físico onde os menores movimentos são controlados, onde todos os acontecimentos são registados” (Foucault, 1977), é uma excepção ao principio da liberdade.

30.4.17

Histórias de dinheiro

Quinta parte

Não é exagero dizer-se que os contratos de futuros e as opções são tão antigas quanto o comércio, mas com o passar do tempo e, de forma especial, a partir do momento em que se deu o surgimento do capitalismo, o número de players no mercado foi subido de forma exponencial. A dada altura, cada um dos amigos tinha imensos amigos com quem jogar e uma data de possibilidades ao seu dispor para melhor rentabilizar o comércio que faziam. Chegou o tempo em que mesmo gente que não tinha nada que ver com o negócio do milho ou das pipocas começou a ter interesse em participar da jogatana com o intuito de lucrar com a valorização das opções. Foi aí que todos esses amigos tiveram uma ajuda preciosa de um amigo grande e supostamente endinheirado: a banca!

29.4.17

Histórias de dinheiro

Quarta parte

O amigo Casimiro negociava com o amigo Antonino a opção de compra de um determinado número de alqueires de milho, numa dada data futura, por um preço pré-determinado. Por essa opção pagava ao agricultor um valor acordado, o chamado prémio, e ficava de posse da garantia de que na data de exercício podia comprar a mercadoria, mas também podia optar por não o fazer, caso em que não exerceria a opção. Desta forma, o amigo Casimiro tinha a garantia de que o preço máximo que pagaria pelo milho era o prémio mais o estipulado no contrato, mas jamais pagaria mais do que isso, estando livre para comprar milho que na altura da colheita estivesse mais barato, perdendo apenas o valor gasto na opção.

28.4.17

Histórias de dinheiro

Terceira parte

Do ponto de vista do amigo Casimiro rapidamente surgiu um atrativo que tornou o negócio de intermediação ainda mais aliciante. De posse dos dois contratos, podia assistir durante meses à oscilação diária do preço da colheita futura de milho, sabendo que, na pior das hipóteses, pagaria o valor estipulado em A e receberia o prescrito em B. Mas podia dar-se o caso de os ventos da fortuna soprarem a seu favor e começarem a surgir notícias favoráveis às posições que detinha, por exemplo, de carestia de milho e de protestos contra o barulho dos mastigadores de pipocas nos cinemas. A subida do preço do milho e a queda do preço das pipocas ia valorizar os seus contratos e podia acontecer de ele conseguir alienar os contratos em mercado secundário realizando uma mais-valia extra.

27.4.17

Histórias de dinheiro

Segunda parte


Quando semeava milho, o amigo Antonino contava com uma margem de lucro mínima para que o esforço valesse a pena e ele se sentisse recompensado. Tudo o que viesse acima desse lucro mínimo iria fazer crescer a excelência do ano a um ritmo exponencial. Do nível definido para baixo entrávamos no terreno perigoso em que o ano dava para o torto também a uma taxa assustadoramente crescente, até ao ponto em que se começava a ter prejuízo. Havia ainda que contar com os anos trágicos em que um vendaval ou um qualquer fenómeno extremo pusesse termo à colheita antes de esta se fazer, pelo que o nível a que era estabelecida a margem de lucro mínima tinha sempre que levar em linha de conta essa possibilidade.

26.4.17

Histórias de dinheiro

Primeira parte


O amigo Antonino tinha umas terras e produzia milho. Como acontecia (e acontece) com todas as matérias-primas, também o preço dos grãos estava sujeito à influência de um sem número de variáveis, de maneira que todos os anos, por altura da sementeira, o amigo Antonino enfrentava o problema de não saber com que margem de lucro podia contar, partindo do princípio de que teria produto final para vender. Depois de deitar os grãos à terra havia uma parte ínfima do seu futuro que ele conseguia controlar, mas a maior parte do que se seguiria até ter o produto final para vender permanecia completamente fora de controlo, e estava ligado a uma quantidade tão grande de variáveis que todos os dias oscilava entre a fortuna e a desgraça. 


3º aniversário

Por ocasião do 3º aniversário da fundação desta tasca, vamos presentar quem nos visita com um texto da nossa lavra sobre dinheiro e funcionamento dos mercados. 


Trata-se de um texto que publicamos logo ao início da função, quando ainda éramos jovens entusiastas destas coisas dos blogues, e que, entretanto, à falta de melhor, vamos postando sempre que não temos mais nada à mão para assinalar eventos! Destina-se essencialmente a quem tem curiosidade sobre produtos estruturados e negociação de futuros!

A publicação começa logo à noite e o último fascículo sai no dia 1 de maio.

25.4.17

BCP

O BCP saiu de bear market quando quebrou a linha horizontal amarela do nosso gráfico, mas para entrar em bull market vai precisar de quebrar com força a zona entre os 0,234 e os 0,249, mais coisa menos coisa. Parece difícil, mas, só para enquadrar, em junho do ano passado tivemos uma queda dos 0,40 aos 0,23 em 10 sessões!

24.4.17

CTT

Daqui para cima tem tudo para ir fechar o gap nos 6 euros, mas pode com toda a tranquilidade vir mais uma vez testar os 5! Os dividendos de 48 cêntimos vão ser um chamariz do caraças para aparecer gente a deitar uma mão, mas são só a 17 de maio e antes, a 28 de abril, temos os resultados do 1º trimestre que se prevêem uma pessegada, mas dificilmente não estarão descontados!

PSI20

É sabido que o mercado passa do medo mais caganeiro à mais estrambólica euforia, e vice-versa, em menos de um fósforo, mas ninguém pode assegurar que esteja preparado para assistir a uma demonstração ao vivo deste tão tradicional modus operandi.


Eu, que ando nisto vai para mais tempo do que gostaria, digo-vos que ainda consigo ficar banzado quando vejo o mercado a virar frangos como se não houvesse amanhã, tal como calhou suceder hoje. 

21.4.17

A linguagem ao serviço do poder (segunda parte)

A linguagem foi sempre o nervo das ditaduras porque é a maneira como falamos delas que lhes dá força. É manipulada, simplificada: o bem e o mal, o crente e o inimigo, o dever e o proibido… Quer-se simples, sem ambiguidades possíveis e, sobretudo, dissuasora de qualquer pensamento próprio.

Não deixa de ser pertinente verificar que a par de sociedades cada vez mais complexas no seu funcionamento, prolifera uma linguagem que quanta mais estereotipada se torna mais sintomática é de um mundo pobre e sem ideias, sem forças para reagir às várias formas de poder. 

É também esta a história de 2084, o fim do mundo