8.7.18

Nos e Sonae (e outras cenas)

As duas diferenças grandes entre apostar na bolsa e na nossaaposta é que na primeira podemos 1) jogar com o prazo e 2) usar a análise técnica. Esta última, ao contrário da estatística ou da larachada dos comentadores, tem o virtuosismo de ser usada por uma grande quantidade dos próprios intervenientes do mercado, de maneira que acaba por estar inquinada a favor dos participantes como se de um argumento circular se tratasse.

7.7.18

Dinheiro (parte 5)

Se a maior parte do ouro permanecia no cofre imenso tempo sem ser levantada, com a invenção das notas de banco, o banqueiro ex-ourives conseguiu fazer com que os levantamentos fossem ainda mais raros e o ouro ficasse esquecido praticamente ad eternum.


É que, não só os depositantes não necessitavam de andar com metal pesado nas carteiras, pois podiam limitar-se a trocar pedaços de papel, como também a atividade de prestamista podia ser levada a cabo com notas do seu banco.

6.7.18

Dinheiro (parte 4)

O nosso ourives tinha deixado de existir e com ele o simples cofre-forte que tinha construído para guardar os materiais do seu ofício. Em seu lugar, surgiu um florescente banqueiro, cujo negócio corria de-vento-em-popa, e que contava com toda uma infraestrutura de transações financeiras a que, mais tarde, se viria a chamar banca. Desde que houvesse estabilidade económica e a paz fosse mantida, o trabalho de prestamista do nosso amigo crescia ao ritmo a que aumentavam os depósitos que era capaz de captar. É que, quanto mais ouro emprestasse, mais investimentos eram feitos, maiores eram as transações de bens e matérias-primas, e maiores necessidades de financiamento existiam da parte empreendedora da sociedade.


5.7.18

Shoah

No dia em que faleceu Claude Lanzmann, o homem que nos deixou a mais vívida e obsessiva série de testemunhos sobre o holocausto, no grande documento sobre a natureza humana que são as 10 horas do seu Shoah, é com comoção e agradecimento por não nos deixar esquecer que revemos o seu trabalho. Se nunca mais se repetir, devemo-lo aos depoimentos que Lanzmann incansavelmente recolheu, porque quando o fez, na década de 80, muitos eram já os negacionistas instalados e o terror nazi corria o risco de se perder nas brumas da história, até porque aqueles que o viveram, tudo o que queriam era esquecer. 

Merci Claude, reponse en paix!


EDP Renováveis

Hoje, tardíssimo mas esperamos que ainda a tempo, lá nos decidimos a pôr umas pilecas na EDP Renováveis. Por ser tão tarde, fizemo-lo a medo e só mesmo para marcar posição, mas chegamos à conclusão de que o mercado anda a comprar a ideia de oferta da EDP pelas ações que ainda não tem na Renováveis (17%) e que o preço vai ter que ser bom para convencer os que foram enganados desde a OPV. 

O apalermado de tudo isto é que nós já tínhamos metido essa ideia na cabeça há algum tempo, até porque tínhamos lido abundantemente sobre essa possibilidade e dito que sim, mas fomos burros ao ponto de nos deixarmos dormir no pedaço. Aliás, vejam lá no gráfico a nossa linha verde, a tal cuja quebra em alta obriga a pôr o trambolho todo a laborar e nós nada! Dá vontade de pegar nos neurónios que ainda estão a funcionar e esbofeteá-los um a um para aprenderem a fazer como deve ser o trabalho que lhes incumbe. É pena não poder educá-los dessa forma porque tenho a sensação que os sacaninhas não afinam se os ameaçarmos apenas à base de estupefacientes e vinho moscatel. Pelo contrário: até gostam, os viciados de merda. Deve ser da genética! 

Dinheiro (parte 3)

À medida que o tempo passava, o ourives foi-se apercebendo de que, desde que fizesse um estudo prévio dos clientes que lhe vinham pedir empréstimos e afinasse a taxa de juro com o risco de cada transação, podia reduzir a sinistralidade ao ponto de garantir um negócio bastante seguro e muito lucrativo.


Claro que, quanto mais emprestasse, maiores seriam os lucros, mas para emprestar com segurança, necessitava de captar a maior quantidade de depósitos possível. Por esse motivo, o ourives, que nesta altura do campeonato já se havia transformado naquilo a que mais tarde se viria a chamar um banqueiro, acabou com a cobrança de renda pelo espaço que os aforradores usavam no seu cofre, o que, evidentemente, convenceu mais gente a entregar-lhe as respetivas economias. Mais tarde, quando todos perceberem que o negócio é bom, e o ourives está a enriquecer, outros construírem cofres e a concorrência apertar, o nosso homem ver-se-á obrigado a partilhar parte dos lucros que obtiver com quem o escolher e passará igualmente a pagar juros. Mas por ora, tal ainda não é necessário.

4.7.18

Dinheiro (parte 2)

Com o tempo, a fama de solidez e fiabilidade do cofre do ourives e a sua honestidade pessoal foram crescendo e mais e mais gente foi ganhando confiança para se decidir a confiar-lhe a guarda dos seus bens mais preciosos.

O nosso ourives, por outro lado, foi-se apercebendo de que havia sempre gente que vinha depositar ouro ou prata, ao mesmo tempo que outros vinham fazer levantamentos, mas, a maior parte das pessoas deixava o ouro e a prata no cofre por muito tempo, pois o que iam ganhando no trabalho do dia-a-dia chegava para fazer face às despesas correntes. De maneira que havia uma grande porção de ouro e prata que ficava pura e simplesmente guardada no cofre sem uso nem serventia.


Jerónimo Martins

A Jerónimo Martins é um caso paradigmático da forma como funciona a bolsa. A empresa manteve-se durante imenso tempo bastante cara, com um valor de mercado a rondar os 10 mM€ para resultados líquidos anuais na casa dos 400 milhões. A Sonae, por oposição, andava em torno dos 2 mM€ para resultados de 150-200 milhões. É certo que a dívida da Sonae era 4 vezes maior do que os 300 M€ da JMT, mas o motivo porque existia tão flagrante desfasamento não tinha que ver com estes valores, que eram números do presente, mas sim com o que é chave na bolsa: o crescimento futuro. 

3.7.18

Dinheiro (parte 1)

Era uma vez um ourives que vivia numa cidade distante, há muito, muito tempo atrás. Nesse tempo, o mister do ourives era converter o ouro e a prata em adornos que lhe acrescentassem valor, de modo a que pudessem ser trocados, com lucro, por mais metais e pedras preciosas. Mas como lidava com produtos que toda a gente desejava ter, o ourives vivia numa permanente aflição, com medo de salteadores que lhe descobrissem o buraco onde escondia os bens que produzia e as matérias-primas que ia comprando. Foi por isso que, a dada altura, se decidiu a canalizar parte dos lucros que obtivera para a construção de um cofre sólido o suficiente para desanimar os ladrões.


2.7.18

Atualizações: BCP e Soni

Dois títulos que manobram dentro de canais descendentes bem definidos e onde só vale a pena entrar numa de duas hipóteses. Passamos a explicar:


1.7.18

PSI20 e Galp

O mês de junho deu-nos tanto trabalho que, para pôr comida na mesa tivemos de abdicar de vir aqui dizer de nossa justiça, até porque, bem vêem, esta estória do N€B é só gira mas não mata a fome, de maneira que nos fomos limitando a atualizar a carteirinha e deixamos a tasca em modo de autogestão. 

Hoje vamos pôr aqui uma atualização de gráficos, num momento em que, de facto, o mercado está a fazer-se de difícil e no ponto ideal para arrumar com uns quantos para a valeta. 

Aproveitamos para lembrar os senhores frequentadores deste humilde estabelecimento que os nossos gráficos contêm 3 linhas horizontais que são suportes ou resistências - consoante a situação - a que damos especial importância (sendo certo que convém dar sempre uma margem de alguns dias para que a coisa confirme). Usamos uma notação semafórica conhecida de toda a gente e que além disso dá um colorido patriota a gatafunhos que de outra forma poderiam ser um pouco agrestes. As retas têm as cores que se seguem, com os significados que apresentamos: 

  • vermelha, abaixo da qual damos o mercado por bear;
  • amarela que suporta o nosso rácio ganho/risco favorável;
  • verde acima da qual julgamos que é de ponderar ir com a sede toda ao pote!

28.5.18

Gráficos interessantes

Já não ia publicar mais nada, mas deixo só mais estes gráficos porque me parecem interessantes e falam sozinhos.

BCP:


Son:


Cofina:


Galp:


Ponto de eutanásia?

Eu só queria que o animal fechasse o gap ou que, vá lá, fosse à base do canal, mas resolveram abrir saldos dos grandes e ele, com a ajuda do pagamento de dividendos, veio mesmo ao suporte dos 5500 pontos. 

26.5.18

Sugestões N€B de fim de semana

Um livro extraordinário de um meu ex-professor de Química na Universidade do Minho. Poções e Paixões alia História, Música e Química de uma forma surpreendente e usando de uma erudição que está ao alcance de poucos. Cheguei a assistir à palestra que deu origem ao livro e fiquei entusiasmada, mas agora o professor João Paulo refinou a abordagem e julgo que até chegarei ao ponto de dar uma oportunidade à Ópera. Não tivemos, nos últimos tempos, leitura melhor, no que toca ao género divulgação científica.


Os russos já nos habituaram a bom cinema, ainda que, infelizmente, sejam muito desconsiderados neste nosso cantinho à beira mar plantado onde para apreciar a sua arte ou temos um cineclube à mão ou estamos condenados a ter que infringir a lei. Felizmente, o clube cá da paróquia passou este Loveless - sem amor outro dia e, ainda que esteja fora de questão atingir o estatuto de obra prima, o trabalho de Andrey Zvyagnintsev é suficientemente contido e ao mesmo tempo tão inquietante que não deixa de valer bem a pena. Trata-se de uma história talvez pouco original, de um divórcio e de um filho que atrapalha os planos dos pais, e que nos coloca perante uma tragédia da existência humana que nada tem de novo, mas que aqui é abordada do ponto de vista deste nosso século XXI com as suas contradições tão vincadas e intrigantes. E, claro, conta muito ao caso que a perspetiva também seja a dos para nós mais enigmáticos russos do que a dos habituais americanos. Vejam que vale a pena:


E, para terminar, duas musiquinhas que temos andado a ouvir:




24.5.18

PSI20

Estamos quase no dia D, D de dividendos que é já amanhã, e a teoria em que laboramos neste preciso e exato momento, é a que passamos a expor.

21.5.18

Dividendos a que vai valer a pena ir 1

Galp: com menos 0,55€ a partir de sexta-feira, pode ficar numa posição maravilhosa para arrombar de vez com aquele canal e estabelecer novos máximos históricos. De estalo era vir testar a linha verde, e, ainda por cima pousar na base, mas não me acredito que tal possa suceder com o petróleo a namoriscar os 80 USD e a tenda montada para continuar a subir! 


Altri: desconta 0,30€ na sexta-feira e eu julgo que os recuperará logo na 2ª. Se corrigisse um bocado até lá era uma delícia, para podermos aliviar indicadores e quiçá apanhá-la na zona da média móvel de 9 dias (linha verde). Seja como for, os dividendos são aqui mais um bom pretexto para ganhar gás para marcar novos máximos. O problema desta é que parece um foguete quer quando sobe, quer na altura de descer e é preciso ter coração saudável para enfrentar o tranco se a coisa azeda. E a verdade é que, meus amigos, sempre já são 75% desde março e o papel pode ser bom negócio mas também é sabido que arde fácil, de maneira que... O que é certo é que se querem pôr o vosso graveto a correr à frente do touro, não têm melhor!


E hoje não brinco mais!


20.5.18

PSI20 e BCP

Não nos vale de nada andarmos para aqui a tentar perceber por que motivo caiu o BCP 8,2% numa semana em que o PSI20, por causa da mola EDP, subiu para cima do nosso valor alvo de há uns meses a esta parte. Dito de outra forma, no que à carteira de cada um diz respeito pouco importa se foi por causa dos míseros milhões que ainda não perdoou ao Sporting (e agora talvez tenha mesmo que perdoar), se foi por causa da mais recente rodada da antiquíssima barafunda italiana, se foi pelo reforço dos curtos da Blackrock ou porque os resultados não convenceram (embora eu, pessoalmente, ache que até foram muito interessantes) ou por qualquer outro motivo. O que importa é que houve demasiados vendedores para as ofertas compradoras existentes e a queda deu-se.

13.5.18

Ponto da situação

Na sexta-feira, perto do final da sessão, entramos em modo pânico quando nos demos conta de que estávamos com menos de 50% investidos com o PSI20 a romper alegremente os 5600 pontos e com cara de quem ia ter o arrojo de fechar em máximos semanais. Claro que não nos esquecemos de que tínhamos um alvo no índice que anda cerca de 1% acima do valor atual, pelo que o rácio não parecia especialmente favorável: