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7.10.15

Ugly ducks

Não! Não vou escrever sobre o BCP!

Começo por dizer, assim só para impor o devido respeito, que as cotadas mencionadas neste post há um ano atrás valiam para lá do dobro do que valem hoje. Uma delas valia o quádruplo! Se tivermos em conta que o índice neste momento não vale mais nem menos do que o que orçava nessa altura então acentua-se o tal respeito e a necessária, mais do que a habitual, prudência.


Chegamos-lhe a traçar o destino, pouco simpático, caso quebrasse em baixa os 1,93 mas o que é certo é que a tipa lá se aguentou, redopiou e recuperou o norte. Após quatro dias de tentativas eis que a Mota Engil consegue superar o valor quebrado e nós, que damos sempre razão ao mercado, tenha ele as razões que tiver, mudamos a nossa perspectiva negativa para positiva caso quebre, em fecho, a zona dos 2,15 e consequentemente quebre a linha de tendência descendente, de já longo prazo. A ajudar ao sentimento positivo estará, certamente, o cruzamento das médias móveis em alta (vejam, no gráfico abaixo, o disparo que levou a cotação quando tal sucedeu por meados de Junho). Para cima, vemos como resistência os 2,48 mas não descartamos, para as mãos menos trémulas, uma ida à sma200 (tracejado a preto). Para baixo, médias móveis (9 dias a azul, 21 dias a vermelho). Se as quebrar, sempre em fecho, é mandá-la lixar outro.


O outro meio valor perdido a que me referi tem na sua empresa um serviço chamado Banifast! Rápido a perder dinheiro, uma conclusão também ela rápida, para quem por exemplo foi ao AC. No entanto, se a chamo até aqui, é porque também pode dar. E de uma forma rápida. E muito. Vejam o gráfico que se segue e abstraiam-se dos fundamentais. Se todo o mercado, não só o nosso, na última semana tem vindo a carburar porque raio o Banif não ganhará também com isso? Se quebra os 0,0041, e só se quebrar, eu vejo os 0,0051 como destino. Se a mão for fraca e se se derem por satisfeitos com o pilim amealhado podem despachar na possível projecção de um fundo em V, nos 0,0048! A acontecer, vai tudo aparecer. Volume, cruzamento das médias móveis e melhor ainda, dinheiro nos bolsos! Se não acontecer, sem problema. Também não se meteram nelas.


A PHarol, a tal dos 3/4 de riqueza para o tecto num ano é o pato feio que se segue. O tiro de partida (e desculpem-nos mas vão surgindo tantas oportunidades que nos é difícil estar atentos a todas elas e sobretudo partilhar quando surgem) foi cá dado, entre as quatro paredes, na segunda-feira pelo principal dinamizador desta casa. Relembro as palavras do Fernando, aqui escritas, pela altura do primeiro aniversário do NeB e que agora faço questão de sublinhar e na íntegra subscrever. Os meus amigos certamente não me levarão a mal por este reparo a quem tanto nos tem ajudado a evoluir e seguramente que o posso fazer por todos os que nos acompanham e aos que prestaram atenção, por ex. e sem recuar muito, à leitura prévia das subidas do BCP, das alterações no BPI e seu impacto no mercado. Bem, está dito, e quando se merece nunca fica mal nem peca por desnecessário! Um bem haja ao David por nos enriquecer todos os dias. 

Siga para a análise. 

Entre o início de semana e hoje, a ex-PT subiu qualquer coisa como 35% mas pode não ficar por aqui e mais uma vez o gráfico fala por si só. Se amanhã seguir a valorizar vemos os 0,405 como primeiro obstáculo mas se os quebrar a sma200 parece destino sem grandes curvas. Se a coisa amanhã não der para trás ganha suporte na zona dos 0,35-0,36. Fiquem com o boneco e tirem as vossas conclusões.


Prudência e tudo mais mas caramba, o prémio em todas elas é de belo valor. Além do mais já estamos mais do que  acostumados à dicotomia risk/reward. Em jeito final um reparo ao índice que hoje foi testar a sma200 e retraiu como seria expectável e dizer que parece mais ou menos evidente que as cotadas beneficiam quando o índice sobe, e até aí tudo certo, mas também não é menos verdade que pode acontecer uma mudança de títulos na carteira no sentido de aliviar cotadas com indicadores já esticados e privilegiar outras mais frescas para galgar terreno. Se o PSI20 consolidar pela zona dos 5400/5500 parece-nos de todo razoável essa tal troca de títulos ou também podemos fazer a leitura inversa. A troca de títulos levar a manter o equilíbrio e criar a consolidação no índice.

Tudo isto e tudo mais, no one knows. Veremos!

15.3.15

Notas para a semana

Tenho a certeza de que já se aperceberam como as manhãs calmas e até de uma certa descida têm dado lugar a tardes de arromba nos mercados do lado de cá do Atlântico e como essa inversão vespertina da tendência vem acompanhada de quedas nos índices americanos e na cotação do euro face ao dólar. Mal a América acorda começa a ponte aérea de transporte de cacau do lado de lá para o de cá, no que às ações diz respeito, e de troca de euros por dólares no que toca à liquidez, aos depósitos e aos títulos de dívida.

Não nos parece que haja para já motivos para crer que os americanos vão cair muito mais e inverter o sentimento de longo prazo (a ida do Nasdaq aos 5000 pontos, ao fim de 15 anos, levou à correspondente correção, mas ficávamos surpreendidos se não fôssemos novamente para máximos em breve), mas a verdade é que, tradicionalmente, mesmo com dados económicos favoráveis e bons resultados empresarias, as ações não lidam bem com subidas dos juros e há risco de má performance relativa. Se juntarmos a isso o QE europeu, julgamos que ninguém precisa de mais nada para compreender por que motivo temos visto o S&P a arriar ao mesmo tempo que o DAX sobe como se não houvesse amanhã. Aliás, para nós é essa novidade de a Europa se estar a tornar independente dos EUA em termos de mercados financeiros que mais nos tem surpreendido nos tempos que correm. Em muitos anos que levamos neste mister é a primeira vez que assistimos a semelhante coisa!

Cá pela terra temos o PSI20 a comportar-se da forma esperada. A semana foi interessante como se previa e assistimos a um primeiro sinal de bull market com a quebra da SMA200 (claro que há quem pense que lá por que já estamos acima dos 20% de valorização no ano estaremos automaticamente a salvo dos ursos; nada mais falso: até ver, podemos perfeitamente estar apenas numa correção de curto prazo às descidas violentas do ano passado). Essa quebra foi ainda mais interessante por se ter seguido a uma correção forte (na terça-feira) que nos fez testar a Lta (terceiro toque) e aliviou indicadores de forma muito saudável. Agora, precisamos de uma quebra da zona 5780-5800 para termos 300 pontos de subida até abril! Que assim seja!


Nos 3 últimos dias da semana tivemos subidas com volume crescente e notou-se um frenesim meio louco entre os investidores a fazer tudo por tudo por cavalgar os títulos que mais subiam e deitar a mão àqueles que iam quebrando resistências, vendendo os que já se encontram numa fase mais adiantada da recuperação. A propósito, diga-se que por muito que nos custe, é fundamental que aceitemos com resignação que não é possível estar em todas as que estão a subir num dado momento. Num mercado que sobe de forma marcada temos que usar de parcimónia nos movimentos e limitarmo-nos a ajustes ponderados, evitando entrar na loucura de vendas e compras agressivas que nos dão cabo da cabeça e da carteira. É uma lei do universo o facto de haver sempre energia dissipada, e os mercados não são propriamente conhecidos por facilitarem a vida a quem complica!

A EDPr quebrou como previsto e a Mota também. No caso da primeira o cenário parece menos obstruído, tal como referimos aqui na semana passada. 

Na banca o ás de trunfo foi o banquito pequenote, o BANIF, que, como costuma suceder com o lixinho brilhou com subidas simétricas das descidas que experimentou no passado. A zona entre os 8 e os 9 décimos de cêntimo parece bastante mais congestionada do que o décimo anterior, de maneira que não antecipamos que seja uma subida tão limpa daqui em diante. De qualquer das formas, a quebra da SMA200 pode dar algum suporte na zona dos 0,0076, enquanto que as especulações em torno de fusões e aquisições na banca vão servindo de tónico a um banco que tem que encontrar comprador para a posição do estado (comprada acima do cêntimo de euro). 


Nos outros bancos, vamos ter também uma semana agitada, à medida que se aproxima o dia 20, data em que vamos ficar a conhecer as propostas não vinculativas para a compra do Novo Banco. Mas desses já aqui falamos na semana passada.

Uma chamada de atenção para a Sonae porque está a enfrentar a derradeira resistência, nos 1,40€, antes de entrar numa zona em que pode definitivamente levantar vôo. Fica o gráfico:


Brutal! O único senão é estar sobrecomprada (não é a única), mas nós deitamos-lhe a mão se a virmos corrigir à zona 1,28-1,32. É que podemos tê-la a lamber 30 cêntimos sem que tenhamos tempo de pensar em que havemos de gastar o lucro! A propósito, ao ler o artigo sobre a Farfetch, que vem publicado na revista do Expresso, foi da Sonae que mais nos lembramos, por ser a empresa portuguesa que mais se tem aproximado de ser um player global! Talvez lhe falte trabalhar mais a componente que está a dar dinheiro a sério: os negócios na internet. Mas o resto já lá está!

Da NOS (fechou a semana em máximos da muitos anos) já falamos e achamos que ficou tão jeitosa que não lhe vão faltar pretendentes, tanto mais que agora já se percebeu porque andou a cair com volumes tão altos no início da semana. Era o Joaquim Oliveira que estava à rasca para sair. E já saiu... 

Mas é nas telecomunicações que continua um dos calcanhares de aquiles do PSI20 (são dois, como tem que ser; o outro é a Galp que anda a pagar com línguas de palmo ter enfiado rios de dinheiro a tentar ir buscar petróleo quase ao centro da Terra! Uma loucura que deu muito dinheiro a ganhar a uma data de gente, mas não aos acionistas). As notícias de que a Oi gostava de dar com os pés à PT e trocá-la por uma empresa russa, ainda que tenham sido desmentidas rapidamente, dizem-nos que o fundo ainda está longe de ter sido feito e vêm quedas a caminho que vão, por certo, levar a PT para mínimos históricos. Claro que nós não estamos preocupados com a PT em si (está para lá de fodida há bastante tempo atrás) e estamos certos que nenhum de vós, sensatos e racionais como são, estará investido nesse monte de lixo tendo tanta coisa boa em que investir, mas preocupa-nos o facto de os 7,5% de peso no índice poderem servir de lastro à recuperação do PSI20 (notem que a queda semanal de 9% da Galp, que vale 12%, tirou 60 pontos ao indice que podia, se não fosse isso, fechar a semana acima dos 5800), ao mesmo tempo que fazem reviver na mente dos investidores estrangeiros as cenas medievais (economicamente falando) que tivemos que aturar no ano passado! 

Não temos falado das papeleiras, Altri e Portucel, mas é evidente que não as podemos ignorar. Agora, porém, já não nos apetece escrever mais (nem a vocês ler). Fica para a próxima!
Bons negócios para todos!

11.5.14

Fim de fim de semana

Estamos mesmo no fim do fim de semana, o que significa que dentro em pouco voltam as lides bolsistas.

Depois do bom fecho americano na sexta-feira e de um fim de semana sem novidades de maior na grande dor de cabeça atual em matéria geopolítica que é a questão ucraniana, é de admitir uma abertura em alta no PSI20, até porque a grande queda da última sessão da semana passada poderá aguçar o apetite dos caçadores de pechinchas.

Mas todos os cuidados são poucos e, nestes momentos, manda o bom senso e a experiência que fomos adquirindo que devemos exigir pouco dos mercados e aceitar, reconhecidos, o que ele nos dá de boa vontade. 

Na banca, por exemplo, a semana que passou, com quedas repentinas, inesperadas e violentas, foi bastante ingrata para os que estavam investidos do lado errado do mercado (sim, porque, como veremos mais lá para a frente, há sempre um lado certo e um lado errado para se estar investido, independentemente de o mercado subir ou descer). 

Olhando para trás, acabamos por constatar que, de facto, até não faltaram motivos, como concluímos em posts anteriores. Mas, como se não bastassem, deixamos mais dois, não para vos tirar o sono, evidentemente, mas para que possam decidir com maior propriedade:

- O BANIF que é público que anda de mão estendida a ver se aparece uma alma com desejos de subir aos altares que lhe acuda (nem a Guiné Conacri se decidiu a avançar), resolveu partir para a opção de último recurso: um aumento de capital. A manobra, ainda que profundamente destruidora de credibilidade nesta altura do campeonato, costuma ter sucesso garantido, uma vez que acaba sempre por atiçar os desejos de quem vê valor nos baixos preços a que a coisa é posta à venda. Desta vez nem negociação de direitos vai haver, para não termos o drama de os preços baixarem para valores em que não haja comprador (acreditem ou não, isso já aconteceu no último aumento de capital do BPI). Mas pior para os acionistas do banco do que o aumento de capital, onde só vai quem quer, foi o anúncio de que vai ser feito um reverse stock split: as ações do banco vão ser divididas por dez, com o seu valor a ser aumentado na mesma proporção. Em teoria fica tudo igual: quem tem ações fica com dez vezes menos, mas elas, em vez de valer 0,0104€, vão passar a cotar a 0,104€. O problema vem depois: como o valor sobe, passam a existir vários motivos de ordem psicológica para muitos investidores venderem o que, em praticamente todas as situações em que a experiência foi testada, deu queda da grossa. Eu, se tivesse BANIF, tomava medidas!

- Depois do Barclays, que apesar de agora estar a gritar a plenos pulmões que quer vender e jamais lhe passou pela cabeça fugir (é preciso que haja quem compre), aguardem pelo BBVA que, dizem-nos de fonte segura, já só tem 5500 milhões de depósitos em caixa, e não vai ter alternativa que não seja despedir e, eventualmente, também fechar a porta e abalar. 

Para compor o ramalhete (ou desanuviar a coisa) temos os resultados trimestrais do BES no dia 15.