Há uma passagem no filme O fundador em que Ray Kroc, já passado dos 50 e ainda na mó de baixo, longe dos tempos da criação do McDonalds mas pleno de ambição, se põe a ouvir um disco de vinil com um discurso do presidente Calvin Coolridge. O texto, à maneira dos manuais de autoajuda tão em voga na terra do sonho americano, faz a apologia da persistência: nada no mundo pode tomar o lugar da persistência; o talento não o fará (nada é mais comum do que homens mal sucedidos e com talento); o génio não o fará (génios não recompensados é praticamente um cliché); a formação não o fará (o mundo está cheio de tolos bem formados); toda a força e poder reside apenas na persistência e na determinação, etc.
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26.3.17
6.3.16
Caro ou barato
Para quem como eu não é contabilista e tudo o que pretende da Bolsa é meter uns cobres ao bolso enquanto bebe uns canecos, avaliar se a empresa está cara ou barata é arte que se deve resumir a comparar efetivo com expetativas, avaliar o peso da dívida e calcular o PER (price earnings ratio) ou razão preço-lucro. E no que diz respeito a contabilidade, se ficarmos por aqui já não teremos feito pouco serviço! O resto, vão por mim, está tudo nos gráficos que contêm informação que vale bem por várias resmas de demonstração de entradas e saídas.
Para calcular o PER eu divido o valor da empresa pelo seu resultado líquido (nos EUA é costume apresentar os earnings per share, EPS, (lucros por ação), pelo que a conta é mais fácil: cotação/EPS). Mas aqui não se usa talvez porque o EPS de algumas empresas tenha que ser apresentado em notação científica! Evidentemente, o valor da empresa resulta do produto entre a cotação e o número de ações.
Vamos dar dois exemplos:
- O BCP está a cotar nos 0,0388€ e tem um capital constituído por 59.039.023.275 ações. Logo, segundo o mercado, o banco vale 2.290 M€. Com um resultado líquido, em 2015, de 235,3 M€, obtemos um PER=2290/235,3=9,7!
- A Jerónimo Martins, de que falamos aqui, está avaliada pelo mercado em 8.854 M€ e apresentou um resultado líquido de 333 M€: PER=26,6!
Isto significa que precisamos de investir 9,7 € por cada euro de lucro que o BCP dá, ao passo que na JMT temos que colocar 26,6 euros/euro de lucro. Ou então: o BCP precisa de 9,7 anos para pagar a cheta que lá enfiamos e a outra, etc.
Portanto, visto apenas por este prisma, o BCP está mais barato que a JMT.
Mas é claro que não podemos ver só por este prisma, pois não?
Para começar, a JMT já distribui parte dos lucros e o BCP ainda está à rasca só para constituir reservas que o tirem da zona de perigo. Depois, vai ter que pagar ao Estado e pode ser que um dia mais tarde volte a poder distribuir dividendos. Além disso, a banca está mergulhada em incertezas várias que podem levar a aumentos de capital com emissão de novas ações (ainda agora o BCP aumentou o capital em cerca de 100 M€ por troca de obrigações por ações), o que leva ao correspondente aumento do PER, etc.
E é claro que há todo um sem número de variáveis que vão sendo ponderadas, muitas vezes apenas na mente dos investidores, e que vão fazendo o preço das ações oscilar em tempo real. Investimento é precisamente isto: tentar encontrar forma de maximizar as vantagens futuras com o mínimo de desvantagens no presente.
Quando alguém compra um imóvel para rendimento faz um price earnings ratio, talvez uma razão entre o preço do imóvel e o valor da renda anual que espera receber, subtraindo as despesas (resultado líquido): quanto mais baixo o valor, melhor o negócio, porque mais rapidamente vai recuperar o investimento feito. Claro que, como no mercado acionista, também neste caso há imensas variáveis que é necessário levar em linha de conta, mas o facto de não se verem os valores a oscilar num ecrã de computador leva muitos a achar o negócio menos arriscado.
Bem vistas as coisas, o PER é uma caca muito grande (é famoso o PER de 800 e tal da Amazon, sem nunca ter distribuído um chavo de lucro) e estar com a trabalheira de analisar todos os indicadores e variáveis é frete que nem nos passa pela cabeça assumir quando temos tudo de que precisamos num gráfico bem feito!
27.9.15
A entaladela
A entaladela anda de mão dada com o bear market e não há investidor, por mais meticuloso que seja, que se possa gabar de não ter passado por uns apertões valentes pelo menos uma vez na vida. Se o apertão for de calibre superior, uma vez costuma ser suficiente, já que só os masoquistas querem repetir a experiência. E um masoquista jamais dará um bom investidor, etc.!
A entaladela decorre diretamente da nossa tendência natural para preferirmos dar crédito àquilo em que acreditamos em vez de aceitar a verdade, por muito dura que ela seja. E quem anda na Bolsa tem ao seu dispor pelo menos duas verdades que já passaram o teste do tempo: pode-se comprar e vender todos os dias; e as tendências são as nossas maiores amigas! Em bear market nunca é tarde para vender, a não ser que estejamos à espera de ser os últimos a fazê-lo; evidentemente, em bull market, nunca é tarde para comprar, a não ser, etc.!
Conto-vos, para servir de exemplo, o caso que sucedeu comigo quando levei a coisa ao cúmulo do esmigalhanço nos tempos em que comprei Pararede (atual Glintt) pela módica quantia de 5 euros e tal (era no tempo em que ainda ia na cantiga dos analistas, que lhe atribuíam uns price targets todos catitas) e aguentei firme a vê-la ajustar a um valor mais verdadeiro durante o bear market que se seguiu ao famoso estoiro das dotcom. Aguentei e aguentei enquanto o meu património se esfumava ao mesmo ritmo a que aquela caca descia, e mantive-me firme até que me enchi de coragem e as passei a outro a 0,75€: uma perda de 85%, numa parte muito considerável da carteira. Foi uma venda louca, numa altura em que muitos já pensavam que o mínimo estava feito e era asneira assumir uma perda depois de tanto sofrimento e destruição de valor. Mas foi também uma venda redentora: uma limpeza para a mente e uma libertação para o espírito. Uma lição valiosa; um curso superior de Bolsa; um encontro com o Santo Padre; uma benção direta do deus dos especuladores; uma epifania! Ninguém de senso arrisca um sofrimento daqueles duas vezes! Só vende e perde quem vira a cara à luta e desiste! Só não vende e não perde o... Berardo! Depois de vender a perder, poupamos! Sim, poupamos e preparamos o nosso regresso. E afinamos ferramentas para detetar a inversão de tendência! Não pensamos nas perdas, nem lamentamos a burrice porque adiantamos um grosso: só esperamos e poupamos! Ah, e estudamos. E lemos e aprendemos! A Pararede dessa altura veio aos 0,20€, um golpe quase igual ao meu, se estivermos a falar de percentagens. Um dia, talvez coisa de um ano depois da minha venda, vi-a quebrar os 0,28€ pa riba e lembro-me de olhar para o gráfico e achar que aquele lixo tinha ativado um sinal de compra: entrei a 0,29€ com tudo e saí a 0,58€ três dias depois. Tinha havido uma especulação qualquer e o mercado foi amigo! Repus as perdas e voltei ao negócio!
Não interessa!
O que interessa é o que fazemos agora. Se estão com uma entaladela às costas saibam que estamos em bear market! Em bear market, se nos achamos entalados, as idas às resistências são oportunidades de venda; as quebras de suportes são oportunidades de venda; as más notícias são oportunidades de venda (e as más notícias são realmente más em bear market), as boas notícias são oportunidades de venda, as noites mal dormidas são oportunidades de venda, enfim, tudo são oportunidades de venda! A Bolsa voltará a subir e o importante é que nós continuemos lá e ainda tenhamos dinheiro e disposição para atacar quando a oportunidade aparecer!
Como sei que muitos de vós estão entalados no BCP, digo-vos qual seria o meu plano de combate neste momento. Ilustro-o com um gráfico, que mostra como estamos num valor crucial.
Aqui é zona de compradores que não têm muito a perder porque vão ser os primeiros a largá-las se o virem quebrar com volume. Se der para ganhar dinheiro vão estar vendedores na zona entre os 0,05 e os 0,0525 para voltar a recomprar se quebrar os 0,054€ bem quebrados, and so on! A quebra dos 0,0464 em fecho é sinal para bater em retirada e é preciso tomar uma decisão doa a quem doer! Isto é uma guerra e temos de nos manter sãos; temos que sobreviver para voltar à luta em melhor forma. É evidente que a venda tinha que ter ocorrido na quebra da linha vermelha lá em cima nos 0,062 (dissemo-lo aqui), mas agora não adianta de nada bater com a cabeça na parede! Essa, agora, é a lição que fica para o futuro!
O gráfico abaixo ilustra a visão pós-possível-venda, assumindo perdas na zona dos 0,0464 (não se precipitem, mas não o deixem sangrar mais: o equilíbrio é difícil, mas dele depende a nossa riqueza e, mais importante, a nossa sanidade mental).
Vão tentar ampará-lo na zona entre os 0,039 e os 0,040 (há sempre gente às apalpadelas e a Bolsa vive disso mesmo; como está oversold nem parece má ideia). Se isso acontecer já estarão a recuperar uma parte do capital porque podem comprá-lo mais barato e voltaram a restabelecer os índices anímicos (o que também é importante)! Eu talvez esperasse um pouco mais, porque o mínimo histórico estará demasiado perto e pode com toda a tranquilidade fazer a graça de o tentar quebrar. Vai ser preciso que isto azede um bom bocado (atenção às eleições de domingo!), e, apesar de tudo, não é fácil de imaginar, mas... quem pensaria, há uma semana atrás, que a VW ia dar cabo de uma parte da boa reputação alemã em tão pouco tempo?
Que nunca nos faltem os gráficos
Não raras vezes, amigos que nos acompanham, interrogam-me como se explica e sobretudo se entende os movimentos em Bolsa. O artigo que se segue é sobretudo para quem se quer aventurar na negociata, ainda em fase precoce de mecanismos para poder negociar, e carece de razões para subidas, descidas, mais ou menos bruscas e faz disto um berbicacho tamanho.
Baseio-me sobretudo na informação privilegiada que dispomos. Falo da análise gráfica. O resto, é contextualizar com a informação que nos vai chegando. Tudo mais, está no Sugestões para não especialistas em Bolsa. Uma panóplia disto e o sucesso fica já ali, logo a seguir ao plano, ao vosso plano. À estratégia, à vossa estratégia e à disciplina. À vossa disciplina.
Atentem na minha última publicação sobre as cotadas relacionadas com a pasta de papel. Não fosse manter a coisa simples e diria, aludindo também às cotadas em questão, que foi a papel, régua e esquadro.
Quem esteve atento e aproveitou a reacção na ida ao suporte, sma200, da Altri para encher a carga e seguiu a adenda, pontual e momentânea, na nossa página do Facebook (se ainda não fizeram like, este é o momento) teve como bónus adicional 10% na bagagem ao quarto dia. Com tanta gente a penar por estas semanas corridas, esta percentagem de ganhos neste time frame até parece ofensivo. Mas é a vantagem que se retira de haver um plano e estar atento às oportunidades. Daqui para a frente os 3,60 que foram resistência, mencionada na última análise, viraram suporte que em caso de quebra avista novamente a sma200. Para cima, zona dos 3,74, mencionada na adenda, quebrada em alta e mantemos a ideia da tendência descendente definida por três máximos relativos inferiores a superar.
Quanto à outra pasta, os 3 euros quebrados eram realmente uma chatice e o mercado fez questão de o demonstrar. Quem alinhou neste diapasão e foi disciplinado ao ponto de negociar entre esse valor e as médias móveis, conforme nossa leitura para pivots, amealhou para cima de 5% com a Portucel. Convenhamos que era uma margem relativamente reduzida e às vezes o risco não compensa, daí a chamada de atenção para aproximação das médias móveis, mas o gráfico não se compadece e está-se marimbando para esses planos. Daqui para a frente temos outro tanto para conquistar se quebrar definitivamente a ema21, em fecho! Resistência na zona dos 3,34 ou à semelhança da Altri a linha de tendência definida a vermelho. Para baixo e enquanto não superar as médias móveis mantemos os 3.
Para concluir a amostra de como os gráficos são nossos amigos, outro dito, outro feito. A Semapa, quebrou a sma200 e foi direitinha aos 11. Quem lhe amparou a mão nesse valor e as despachou na ema9 (à falta de referências de negociação surge a média móvel nesse intervalo) teve prémio de 7% na carteira. Daqui em diante, quebrando a ema9, temos logo de seguida a sma200 nos 12. Supera e 12,5 parece oposição. Para baixo, médias móveis ou os tais 11.
Neste momento, estão os nossos jovens leitores (aqueles que ainda só olham e ainda não se meteram na luta) a pensar, "foscasse, esta porra é fácil". Não, não é! Desengane-se quem pensar que basta descarregar uma plataforma e fazer um sarrabisco no gráfico com mínimos e máximos relativos, umas linhas de tendências, adicionar umas médias móveis ou o stochastic para ver até que ponto a cotada está em zona de compras ou vendas, assim como o volume para aferir a força em momentos de rompimento. Não chega! Mas se formos fieis ao plano, estrategas na análise ao contexto do mercado e obedientes na disciplina então sairemos vivos nas quedas e iremos buscar o nosso nas subidas.
Para terminar, musiquinha para relaxar. O "meu" achado pelo Primavera Sound 2015.
Boa semana. Fiquem com a sensual Mallu Magalhães dos boa onda Banda do Mar.
13.9.15
3 coisas que fiz nas férias e que vale a pena partilhar
Agora que as férias já vão lá longe e vamos ter que pagar o imposto de ficar mais velhos um ano para voltar a ter outras com a mesma envergadura, ficam-nos as recordações que farão parte da nossa vida para sempre. Das que guardo este ano e não são de caráter tão pessoal que me impeça de delas falar neste espaço, destacaria três produtos que consumi e que aconselho vivamente a todos aqueles que nos dão a honra de frequentar esta nossa humilde casa.
São, para além do mais, 3 peças que ajudam a compor a mente do negociante em bolsa, que se quer ágil e sempre afinada no que ao conhecimento do mundo diz respeito. Daí que venham a talhe-de-foice numa altura em que, mais do negociar devemos lubrificar e parafinar a mente para poder lidar com os desafios que os mercados sempre nos apresentam.
Deixo-as nos 3 próximos posts!
São, para além do mais, 3 peças que ajudam a compor a mente do negociante em bolsa, que se quer ágil e sempre afinada no que ao conhecimento do mundo diz respeito. Daí que venham a talhe-de-foice numa altura em que, mais do negociar devemos lubrificar e parafinar a mente para poder lidar com os desafios que os mercados sempre nos apresentam.
Deixo-as nos 3 próximos posts!
21.2.15
Duas sugestões
É enquanto os mercados estão fechados que nos devemos preparar para o combate limpando armas (neste caso, como a arma é o cérebro, faz-se mister descontrair e relaxar) e treinando a mira para que a pontaria para não dê raia tantas vezes (olear os neurónios para que os sacanas nos continuem a ser fiéis, apesar de estarem toda a semana a ser escravizados sem apelo). É que, como não nos temos cansado de dizer nesta casa, esta arte de negociar em bolsa, a que nos entregamos de alma e coração, exige aprendizagem contínua e um envolvimento total com o mundo que nos rodeia. Da ciência às artes, da economia ao desporto, etc., tudo é interessante e em tudo deveremos encontrar motivos para estarmos atentos e ir um pouco mais além da opinião rápida e superficial.
Dos nomeados para melhor filme nos óscares da academia (cerimónia amanhã) vimos todos exceto o Selma e o Whiplash e, francamente, não houve um que nos caísse no goto. Filmes interessantes, cinema engraçado, interpretações simpáticas, bons passatempos, mas nada de verdadeiramente inovador e que permaneça na memória para lá do tempo que vai até que vejamos o filme seguinte.
Mas esta semana estreou um filme que fica uns furecos acima dos restantes. Falamos de Relatos Selvagens, uma produção espano-argentina, que falhou a palma de ouro em Cannes (ganhou o turco Winter Sleep, que ainda não vimos) e que aparece nomeado para o óscar de melhor filme estrangeiro.
Relatos Selvagens, que é apresentado nos cinemas como uma comédia de fazer rir até mais não, é um conjunto de seis histórias autónomas carregadas de tensão e de violência. É verdade que há histórias que são de rir (veja-se logo a primeira), mas o que estes contos brutais e irónicos têm de melhor não é a piada, mas antes a forma como nos são relatadas as circunstâncias que encaminham as personagens para situações de rotura e de confronto. Muito bem filmado e interpretado, com uma banda sonora muito agradável, diálogos bem construídos e uma imaginação que não sendo absolutamente inovadora (seria possível?) é pelo menos refrescante, o filme prende-nos ao ecrã do princípio ao fim. No final, saimos com a mente limpa, aptos para retomar a luta quotidiana e alegres por perceber que o cinema afinal ainda nos pode continuar a surpreender com boas histórias que estão para lá da biografia sensaborona (A teoria de tudo, Sniper americano, Boyhood ou O jogo da imitação) ou da dramalhada psicadélica (Birdman ou Grand Budapest hotel).
Confesso que quando comecei a ler "Dinheiro: A biografia não autorizada" do macroeconomista e investidor Felix Martin não estava com grandes expetativas, pois temia que pudéssemos estar perante mais um daqueles livros escritos por especialistas em economia e finanças (o autor trabalhou no Banco Mundial) para aproveitar a onda da opinião pública impressionável com a atual crise financeira, com meia dúzia de larachas e teorias mal amanhadas sobre a atuação dos bancos centrais e dos governos. Mas não. O livro relata a história da ascensão do dinheiro ao lugar central que hoje ocupa na sociedade e fá-lo de uma forma extremamente acessível, mas sem poupar nos pormenores históricos e nas decisões que foram sendo tomadas ao longo dos tempos (desde que foi inventado, ironia do momento, na Grécia antiga), e que fizeram com que, por um lado, tivéssemos evoluído no sentido de uma muito maior prosperidade, mas por outro se tivessem tornado inevitáveis os excessos que conduzem ciclicamente a crises financeiras.
O que é o dinheiro? Como funciona? Como foi evoluindo, ao longo do tempo, a relação dinheiro/valor? De que forma as decisões dos governantes influenciaram historicamente o valor do dinheiro? E de que forma o valor do dinheiro influencia a prosperidade de uma sociedade? Haverá perguntas cujas respostas sejam mais importantes quando se trata de negociar em bolsa? Não há!
20.2.15
Ainda a dívida
Enquanto o PSI20 se entrega à consolidação do brilharete que foi a conquista do castelo situado a 5400 metros de altitude, nós cá continuamos a ver se aprendemos umas coisas que nos ajudem a virar frangos com mais habilidade. Se é que nos entendem!
Claro está que o fracasso ou sucesso do índice no curto prazo está indexado às negociações que vão ter lugar mais daqui a pouco entre a Grécia e os seus credores, pelo que o assunto "dívida" continua a ser uma inesgotável fonte de aprendizagens acerca da forma como funciona a sociedade e, por inerência, os mercados financeiros.
De berço vimos formatados para pensar que a dívida nasce de uma necessidade do pobrezinho (mutuário), que é ajudado pelo gentil ricalhaço (mutuante) que lhe empresta umas lecas a prazo em troca de uma compensação sob a forma de juros. A dívida é um favor que o mutuante faz ao mutuário, e o mínimo que se espera que este último faça é que cumpra integralmente as condições acordadas no contrato mútuo estabelecido entre ambos. Aliás, de acordo com as regras da moral cristã ocidental, mesmo após a liquidação do empréstimo por parte do mutuário continua a existir uma espécie de penhor, que se manifesta sob a forma de complexo de inferioridade deste perante o outro que o salvou numa hora de aperto.
Acontece que desde a invenção da banca comercial, no século XVI, e em especial a partir do florescimento da indústria do dinheiro na Inglaterra pós revolução gloriosa, tornou-se claro que a dívida era um bem transacionável como qualquer outro, uma mercadoria que possuía valor intrínseco e podia ser usada para saldar outras dívidas ou, ainda melhor, constituir reservas que permitissem criar mais dívida (falamos abundantemente sobre isto aqui). Emprestar passou a ser o negócio da banca por excelência e a dívida uma das componentes da criação de riqueza.
Se vocês tiverem dinheiro disponível para investir podem, por exemplo:
- comprar um apartamento para alugar recebendo rendas;
- emprestar o dinheiro a alguém que compre o apartamento e vos pague juros do empréstimo.
Do ponto de vista do mutuante, ter a hipoteca e receber juros do empréstimo é a mesma coisa que ter o apartamento alugado a inquilinos. Trata-se de um bem, de um investimento!
Assim sendo, a relação do mutuário com o mutuante é, do ponto de vista do investimento, exatamente a mesma relação que existe entre o vendedor e o comprador. Não há qualquer outra relação ou obrigação moral entre ambos e todo o processo de empréstimo é uma transação comercial entre indivíduos livres de decidir e de arriscar.
Visto desta forma, entre um investimento e outro, a maioria talvez preferisse o segundo (eu preferia). Emprestar a juros dá-nos mais flexibilidade em termos de rendimento e permite-nos outro nível de liquidez: é mais fácil transacionar/liquidar títulos de dívida e hipotecas do que bens imóveis!
Mas emprestar a juros exige que sejamos capazes de desativar a bomba nuclear do devedor, caso este queira incumprir, algo que só está ao alcance de quem tenha poder sobre o mercado. É esse o privilégio da banca (ou dos países ricos): ao dominarem o mercado podem inflacionar as dificuldades que o devedor enfrentará caso queira falhar nos termos do empréstimo, uma vez que a hipoteca por si só pode ser insuficiente para desincentivar incumprimentos, porque o mutuário pode chegar à conclusão de que a perda da propriedade é menor prejuízo do que a manutenção das condições do empréstimo. Mas ao constatar que o incumprimento pode ter consequências mais sérias, como sejam cair numa lista negra de um banco central ou incorrer em sanções, o devedor já pensará duas vezes, diluindo assim o risco da hipoteca e aumentando a margem de lucro do mutuante.
É por causa desta visão do empréstimo como negócio que tanto a Grécia como os seus credores podem, sem qualquer complexo de culpa (se é que alguma vez existiu), optar por uma solução que sirva melhor os seus interesses, estabelecendo novas condições ou optando, pura e simplemente, por romper a relação mútua.
14.2.15
Questão para o fim de semana
Esqueçam a dívida, o défice e os juros, esqueçam a Troika, a Grécia e a Ucrânia, esqueçam o fraco desempenho económico, o desemprego elevado e os erros financeiros das famílias, esqueçam a falência do BES e a destruição da PT, esqueçam o Passos, o Costa e o Cavaco, esqueçam os resultados atuais das empresas, os lucros e os prejuízos, esqueçam até o Medina Carreira e o Bagão Felix, esqueçam, enfim, tudo o que nos moeu a cabeça nestes últimos anos...
Concentrem-se apenas em responder a esta questão: perante as perspetivas de futuro, com os principais índices mundiais a marcar novos máximos, que diabo faz o PSI20 a quase 200% de subida do seu máximo histórico?
Nota: o mercado é, por natureza, ineficiente mas para a maioria de nós essa ineficiência só se vê no retrovisor; os bem sucedidos são aqueles que a vêem de frente!
30.11.14
S&P500
Chamem-lhe palpite, mas cheira a correção no S&P500.
Não é que o cheiro seja um atributo particularmente fiável na Bolsa, mas há alturas em que nada temos de melhor para poder tomar o pulso aos mercados. E é o caso do principal índice mundial que, como toda a gente sabe, tem andado a marcar máximos históricos consecutivos e subiu 14% sem parar em mês e meio. Nesses casos, mandam as regras que se siga a tendência clara e tratemos as entradas e saídas com parcimónia, nada de negócios apressados, e mexer apenas caso algo de relevante possa estar a desenhar-se.
Não é que o cheiro seja um atributo particularmente fiável na Bolsa, mas há alturas em que nada temos de melhor para poder tomar o pulso aos mercados. E é o caso do principal índice mundial que, como toda a gente sabe, tem andado a marcar máximos históricos consecutivos e subiu 14% sem parar em mês e meio. Nesses casos, mandam as regras que se siga a tendência clara e tratemos as entradas e saídas com parcimónia, nada de negócios apressados, e mexer apenas caso algo de relevante possa estar a desenhar-se.
O cheiro emana da mossa provocada por o índice estar a marrar há vários dias, sem conseguir furar, contra o topo de um canal ascendente que tem 3 anos e meio. Quando assim sucede, é costume crescer o número dos players convencidos de que o touro vai precisar de tomar balanço para arremeter com força suficiente, e daí que seja de considerar um recuo pelo menos no curtíssimo prazo. Deixamos os gráficos para ilustrar:
Caso venha queda, vemos como primeiro alvo a zona dos 2035-40 pontos, local onde o índice respirou um pouco na subida, podendo haver inclusive travagem provocada pela EMA21, que é seguida por muito boa gente. Mas também é possível que uma subida tão rápida do índice dê direito a uma descida mais aprofundada até para que haja um alívio da situação overbought denunciada pelo RSI (afinal de contas, há muitos investidores com mais-valias grossas que não vão querer pôr em causa logo agora que se aproximam as despesas de Natal). Se assim for, os 2000 pontos são o suporte evidente e, mais abaixo, há que olhar para a base do canal nos 1970 pontos. Seja como for, a queda é ainda uma hipótese académica (ainda que lhe atribuamos uma probabilidade significativa) e, até ver, o S&P é um índice em que a tendência de subida não podia ser mais clara! Evidentemente, a ideia de descida no índice tem que ser adiada se houver um rompimento convincente dos 2076 pontos (máximo histórico), tanto mais que nesse caso temos também uma quebra do topo do canal o que poderá projetar as cotações bem mais para cima.
Prosseguindo o espírito pedagógico fundador desta casa, e no seguimento do post anterior, explicamo-vos como funciona a negociação de índices via CFDs.
Vamos supor que dão como boa a análise que apresentamos e se dispõem a apostar na queda do S&P500. Para isso vão ter que vender contratos do índice através da vossa plataforma. Cada contrato custa em dólares o valor do índice. No fecho de sexta-feira, cada contrato valia 2067 dólares, mais ou menos um pequeno spread que constitui a comissão da corretora: se quiserem vender o índice vão encontrar comprador a um preço cerca de $1 mais baixo e se a opção for comprar é norma ter que o fazer com a mesma diferença mas mais acima. Um dólar de spread é mais do que justo para o serviço que a plataforma vos presta. No S&P500 é fácil fazer negócio com uma margem de 0,5%.
Vamos às contas. Com a cotação no valor de fecho de sexta-feira, vendiam S&P500 a $2066 cada contrato. Se comprassem 100 contratos curtos (isto é, a corretora ía ao mercado vender 100 contratos que vos emprestava), ficavam com uma exposição de 206.600 dólares sobre a qual apenas teriam que dispor de 1033 dólares (830 euros). A partir daí, cada ponto de variação do S&P500 eram 100 dólares (80 euros) que entravam ou saiam do vosso bolso, consoante o índice caísse ou descesse respetivamente. É evidente que, estando em jogo uma alavancagem tão grande, impõe-se a colocação de um stop loss e, neste caso, parece evidente que o fecho automático da posição tem que ser feito, doa a quem doer, pouco acima do máximo histórico.
Por conseguinte, para uma entrada curta assumiriam um risco máximo até aos, digamos, 2080 pontos (14 pontos de perda), sendo que num cenário em que o negócio corre bem e há queda do índice até aos 2040 pontos ganham 26 pontos. Trata-se de um rácio que não chega a ser de 2:1, o que não parece por aí além para pagar o risco. Porém, se acreditarmos que pode haver correção até aos 2000 pontos já estamos em presença de um ganho interessante de 66 pontos, o que dá um rácio de quase 5:1. E uma correção até aos 2000 pontos resulta numa descida de 3% no índice, percentagem que não parece nenhuma exorbitância. Enfim, como sempre acontece há que fazer as contas e apostar de acordo com as nossas expetativas e o nosso feeling. Ou, melhor ainda, o nosso olfacto.
Fiquem com um clássico que também fala do cheiro a que cheira algo que não conseguimos cheirar (para festejar os ganhos em Bolsa...). Cheers!
Vamos às contas. Com a cotação no valor de fecho de sexta-feira, vendiam S&P500 a $2066 cada contrato. Se comprassem 100 contratos curtos (isto é, a corretora ía ao mercado vender 100 contratos que vos emprestava), ficavam com uma exposição de 206.600 dólares sobre a qual apenas teriam que dispor de 1033 dólares (830 euros). A partir daí, cada ponto de variação do S&P500 eram 100 dólares (80 euros) que entravam ou saiam do vosso bolso, consoante o índice caísse ou descesse respetivamente. É evidente que, estando em jogo uma alavancagem tão grande, impõe-se a colocação de um stop loss e, neste caso, parece evidente que o fecho automático da posição tem que ser feito, doa a quem doer, pouco acima do máximo histórico.
Por conseguinte, para uma entrada curta assumiriam um risco máximo até aos, digamos, 2080 pontos (14 pontos de perda), sendo que num cenário em que o negócio corre bem e há queda do índice até aos 2040 pontos ganham 26 pontos. Trata-se de um rácio que não chega a ser de 2:1, o que não parece por aí além para pagar o risco. Porém, se acreditarmos que pode haver correção até aos 2000 pontos já estamos em presença de um ganho interessante de 66 pontos, o que dá um rácio de quase 5:1. E uma correção até aos 2000 pontos resulta numa descida de 3% no índice, percentagem que não parece nenhuma exorbitância. Enfim, como sempre acontece há que fazer as contas e apostar de acordo com as nossas expetativas e o nosso feeling. Ou, melhor ainda, o nosso olfacto.
Fiquem com um clássico que também fala do cheiro a que cheira algo que não conseguimos cheirar (para festejar os ganhos em Bolsa...). Cheers!
29.11.14
CFDs
Quem negoceia apenas PSI20 é uma sorte se não estiver a pontos de mandar a Bolsa pó caralho e enveredar por outro estilo de vida que dê mais saúde e menos desassossego. Reparem que ainda no final da semana passada estávamos todos na expetativa de que o animal rompesse a resistência e fosse por ali acima rumo a um alegre rally natalício, e hoje o que se verifica é que o tolo deu para trás e, contra tudo e contra todos, escangalhou-se outra vez de tal forma que só com paciência de masoquista lhe conseguiremos reunir os cacos. É certo que desta vez foi a GALP a grande responsável pela enxurrada, e até foi possível ganhar dinheiro em outras cotadas, mas que diabo andamos nós a fazer se estamos à espera de ganhar dinheiro num índice que mais parece o pólo norte: frio e cheio de ursos?
A verdade é que a beleza dos mercados financeiros e aquilo que nos faz adorar este estilo de vida é o permanente fluxo de oportunidades. E hoje em dia temos uma sorte bestial porque essas oportunidades entram-nos literalmente pela porta graças à possibilidade de negociar online em tempo real. E é uma autêntica loucura de emoções poder fazê-lo a nível global e com praticamente a mesma quantidade de informação que a média de todos os outros players. Bem sei que há um laço afetivo às empresas do PSI20, e é bem mais fácil poder acompanhar o que se vai passando cá na parvónia, mas, com o índice tão bear, ou apostamos rapidamente em abrir os horizontes, ou enfrentamos um risco sério de sermos empurrados para fora dos mercados. E abrir os horizontes passa não só por poder negociar ações de outros mercados (disponível em praticamente qualquer conta bancária), mas também poder atuar de ambos os lados, longo ou curto, em commodities ou no mercado cambial. Nos meus tempos de jovem trader essa negociação fazia-se com warrants, fundos ou ETFs e digo-vos que, por norma, o desafio era pouco amigável para o investidor, pois era muitas vezes contra-intuitivo e padecia de falta de transparência. Felizmente, hoje em dia massificaram-se os CFDs e a negociação global está ao alcance de cada um de uma forma muito mais simples.
Vou explicar-vos como funciona a negociação de CFDs.
Para negociarem CFDs precisam de contratar os serviços de uma plataforma de negociação. A oferta no mercado é bastante grande e é até possível que o banco com que trabalham disponibilize esse serviço. É importante referir que, sendo produtos que oferecem uma exposição muito alavancada ao mercado, podem implicar uma exposição ao risco bastante superior à da negociação de ações, pelo que uma plataforma de negociação não é, de certeza absoluta, uma ferramenta de utilização massificada como são, por exemplo, as contas online. É que num negócio de CFDs, tal como sucede no Forex, trabalhamos em margem, isto é, quando fazemos um investimento apenas temos de dispor de uma parte do capital (a margem), sendo o restante disponibilizado pela corretora que, em troca, nos cobra juros (se dermos uma ordem de compra) que acabam por ser diluídos nos custos das operações que vamos fazendo. É deste facto que vem a alavancagem, que pode proporcionar ganhos incríveis, mas acarreta, como é evidente, um risco proporcional.
Vamos supor que tinham aberto a vossa conta na plataforma de negociação e
que a tinham fornecido com, digamos, 5000 dólares (para facilitar vou falar em moeda americana, porque vamos negociar crude).
A grande história da semana foi, sem dúvida, o petróleo. A reunião da OPEP do dia 27 manteve os níveis de produção, pois, aparentemente, os países da organização estão de pés e mãos atados já que, ao controlarem menos de metade da produção mundial, perceberam que se reduzissem a produção não iam segurar o preço, mas simplesmente vender menos. Aliás, as matérias-primas estão a passar todas um mau bocado (a propósito, temos sérias duvídas de que as bolsas mundiais não se venham a ressentir da hecatombe) e muitas foram ótimas oportunidades do lado curto. Imaginemos que estavam atentos a toda esta tramóia e que perceberam que a manutenção dos níveis de produção ia empurrar necessariamente os preços ainda mais para baixo (o petróleo tem caído consistentemente nos últimos meses) devido ao excesso de oferta. Resolveram, por isso, atuar.
Com o petróleo a 74 dólares colocaram uma ordem de venda de 5000 barris, isto é, compraram 5000 contratos de CFDs do lado curto. Os barris são-vos emprestados pela corretora que, automaticamente, os vende no mercado pelo preço total de 370.000 dólares. Por esta operação a corretora retém da vossa conta a tal margem que pode ser, por exemplo, 0,5%. Significa isto que vocês adquiriram uma exposição curta ao petróleo de 5000 barris, tendo gasto 1850 dólares. Ontem o preço do petróleo veio para 67 dólares o barril e vocês decidem fechar a posição, com um ganho de 7 dólares em barril. No instante em que deram a ordem, a corretora automaticamente compra os vossos 5000 barris pelo preço de 335.000 dólares. Os 35.000 dólares de diferença são vossos e transformaram, de um dia para o outro, 1850 dólares num valor 19 vezes maior! Voilá!
Agora imaginem que vocês tinham feito a mesma operação e o preço do petróleo tinham subido. Bastava que o preço subisse para 74,37 dólares para que a vossa margem tivesse evaporado, pois já estariam a perder 1850 dólares. Mas ainda não havia problema de maior, porque a vossa conta dispunha de mais 3150 dólares de segurança. A situação complicava-se bastante se o preço do petróleo chegasse aos 74,80, pois aí estariam a perder 4000 dólares e a vossa conta só tinha 1000 dólares de reserva, tendo-se perdido 80%. Por norma, se a perda chegar aos 90% da conta a corretora fecha-vos automaticamente a posição e vocês assumem a perda. Ou seja, um investimento de 1850 dólares transformou-se numa perda de 4500 por causa da alavancagem. Daí o risco!
23.10.14
Jogar na bolsa
O meu amigo Tavares sempre acaba os discursos com uma lista das vantagens de jogar na bolsa. Se fosse quando eu era chavalo mandava-o foder na hora porque me parecia inadmissível que se utilizasse o verbo jogar em vez dos muito mais solenes negociar ou investir, mas agora que o peso dos anos já me verga e estou numa de deixar a conversa fiada para trás, acho mesmo que isto é um joguito que nós para aqui temos. E já chego ao ponto de fazer ponto de honra em assumir sem rodeios que a bolsa não passa do meu petit casino e, desde que lhes deu na cabeça para inventar os smartphones, ando tão entretido com a jogatana que, de forma paradoxal, volto a sentir-me chavalo de novo! E que bem me sabe deixar para lá o peso de palavras como investimento e abraçar o jogo pelo jogo com touros e ursos como adversários. Demais a mais, com uma probabilidade de acerto às cegas de 50% não se pode dizer que o jogo seja fatela, sendo que muitas vezes se ganha quando se começa por perder o que, parecendo que não, torna a pipoca bastante mais doce. Bem vistas as coisas, chega a ser cómico forçar o verbo investir, porque quando se investe parte-se do princípio de que nos propomos criar valor, emprego, produtos, serviços, etc., e que peva criamos nós ao arriscar o nosso pilim na bolsa? Só se for aquela parte que passamos para as mãos do fisco quando nos calham mais-valias e também é possível que se entenda que o investimento está numa fase posterior quando, depois de se ganhar dinheiro no jogo da bolsa, se canalizam recursos para atividades produtivas. Claro que eu não conheço ninguém que, depois de aprender a fazer dinheiro sem trabalhar jogando na bolsa, lhe dê na cabeça pôr-se com ideias de investir numa caca produtiva. Valha a verdade que isso só acontece se o indivíduo estiver passado dos carretos e nem é preciso irmos aos gurus dos mercados para ver que nenhum teve a fraca ideia de se pôr com canseiras depois de dar umas tacadas acertadas no jogo da bolsa. Quando muito, pode haver quem pense que investimos quando participamos em aumentos de capital e entregamos o nosso cacau a gestores que sabem muito mais do que nós e não se importam de ter a trabalheira de criar valor, mas creio que não preciso de fazer um desenho para que aqueles que vão teimando nesta forma de investimento percebam que, mesmo nesse caso, tudo não passa de um jogo em que só ganharão se tiverem uma sorte estupenda! De maneira que agora, quando o Tavares me vem com a lista das vantagens de jogar na bolsa, já não me ponho a fazer orelhas moucas como se ele fosse um indíviduo que não percebesse nada do assunto, mas ouço-o com toda a educação e tento aprender para não me estender ao comprido tantas vezes. Da lista de vantagens já aqui demos notícia, pelo que só precisam de procurar no arquivo se estiverem mesmo interessados, mas há uma que acho pertinente ao ponto de voltar a escrever sobre ela. Assegura-nos o Tavares que a bolsa nos leva a viver de forma mais despreocupada e desafogada. How come?! Ora, se estás nos mercados porque te hás de preocupar em pagar uma tainada aos amigos de vez em quando ou gastar uma dinheirama numas excentricidades aqui e ali se podes perder ou ganhar muito mais do que isso numa reles jogada? O que te impede de pagar aquele casaco de polipele à Maria se tens o que ele custa preso numa variação de décimo de cêntimo do BCP? O que te impede se, ainda por cima, isso tornar o ambiente lá em casa mais propício a que se cumpram os regulamentos em matéria matrimonial? E o que te impede de ficar calado se o BCP arriar e abichares com um prejuízo no valor de vários casacos? Tudo a ganhar, portanto, e não há melhor jogo do que este para a harmonia do lar, desde que se cumpram as regras do mais elementar bom senso: engrandecer os pequenos acertos e calar nas grandes derrotas. Numa palavra: sensatez. Se assim for, assegura-nos o meu amigo Tavares, o jogo só tem vantagens, ainda que umas noites mal dormidas possam constituir um mal necessário. Não há bela, etc. Eu fico-me a pensar que pode haver aqui salvação para aqueles que ainda sofrem com a bolsa não ser mais do que um jogo. Ao jogarem ficam livres para encherem a casa de quinquilharia alegrando a economia, criando emprego e contribuindo para a redução do défice via IVA. O que é isso se não investir? É-o e já demonstramos que sim.
4.10.14
Diversificar a longo prazo? Má ideia!
Há duas regras que é costume associar-se ao investimento nos mercados financeiros que não andaremos longe da verdade se afirmarmos que raramente deram dinheiro a ganhar a alguém, e que mesmo assim os especialistas continuam a enfiar aos incautos como se fossem atitudes do mais elementar bom senso. Referimo-nos à regra do investimento a longo prazo e à regra da carteira equilibrada e bem distribuída, a chama "lei dos ovos todos no mesmo cesto".
A primeira regra parte do princípio de que uma empresa cotada em bolsa crescerá inevitavelmente, ainda que possa passar por naturais períodos de maior indefinição ou até de decréscimo. É a crença nesta ideia, que creio vir do tempo em que as empresas tinham negócios protegidos, com fortes ligações ao poder político (veja-se o BES) e muitas vezes assentes em monopólios (veja-se a EDP), que faz com que, por exemplo, a revista Dinheiro & Direitos da Deco só recomende o investimento em ações a quem pode dispor do dinheiro por mais de 5 anos. É evidente que a maior parte dos leitores da revista não tem arcaboiço para acompanhar os mercados diariamente, nem estaleca para sobreviver mentalmente ao sobe e desce das cotações, pelo que, ao indicar um prazo de 5 anos para um investimento se procura eliminar queixumes e garantir uma certa sanidade mental aos mais afoitos. De qualquer das formas, empatar 5 anos o dinheiro num investimento e aguentar os altos e baixos impávido e sereno, é atitude que, nos dias que correm, não passa pela cabeça de ninguém. É que o mundo acelerou de uma forma tal e a imprevisibilidade é tão grande que pura e simplesmente não existem nenhumas garantias seja do que for. Num mundo tão aberto, nenhuma empresa está ao abrigo dos solavancos dos mercados, nem a salvo da ruína ou dos caprichos dos acontecimentos. Veja-se o caso, por exemplo, da Jerónimo Martins que ainda há pouquíssimo tempo era a empresa maravilha do PSI e hoje passa por sérias dificuldades em bolsa. Quem está disposto a manter JMT confiando que a operação colombiana vai correr pelo melhor e levar as cotações outra vez para cima? Até pode ser que sim, mas manter o dinheiro empatado, apostando nessa hipótese, é conselho que não se deve dar. Se a JMT voltar a justificar subidas nós vamos saber muito a tempo, pois a inversão de tendência saltará à vista, e podemos comprar nessa altura. Eu ainda não sou um rapaz entradote, mas lembro-me perfeitamente de conhecidos meus que, quando em andava na escola, iam para o Porto negociar ações diretamente na bolsa. Nesse tempo compravam-se papéis e guardavam-se no cofre. Hoje, que diabo, compram-se e vendem-se ações ao segundo a partir de qualquer lado onde estejamos. Se a coisa no curto prazo está a dar para baixo, vende-se. Quando a tendência inverter... compra-se! Mas esqueçam comprar ações e esquecer! Esqueçam o "no longo prazo tudo sobe"! Quem precisa da segurança do longo prazo deve abster-se de negociar em bolsa.
A segunda regra é uma antiga forma de defesa contra a nossa natural ignorância sobre o futuro. Na impossibilidade de garantir que o cesto dos ovos não caia ao chão e eles se percam, manda o bom senso que se distribuam os ovos por vários cestos. Nos mercados recomendam os expertos que também se constitua uma carteira equilibrada e diversificada. Não há de dar tudo para baixo ao mesmo tempo e, se houver descidas, haverá subidas para compensar. O problema é que assim não vamos a lado nenhum, nem é garantido que as descidas não sejam generalizadas. Os mercados dão tantas chatices e fazem-nos por vezes tanto mal que não nos podemos dar ao luxo de andar nisto para aquecer e pelo nervoso miudinho da luta. Não é possível ganhar num investimento arriscado e saturante para perdemos num conjunto de tiros mal dados para diversificar. Claro que nos fundos de investimento é necessário ter mecanismos de proteção das carteiras e uma distribuição sensata do capital porque os volumes são tão elevados que não é possível desfazer posições em tempo útil e há o risco de perdas catastróficas. Mas o comum dos mortais não se livra da trabalheira de tentar identificar oportunidades dentro de um leque alargado e decidir por um número pequeno de opções. A sensatez estará em jamais entrar com, digamos, mais de 1/3 do capital em apenas uma posição, mas diversificar não é uma atitude correta para minimizar risco, podendo ser meio caminho andado para nos entalarmos de forma definitiva.
Quem quer investir nos mercados tem que saber que pode perder! Aliás, tem que estar consciente que, mais cedo ou mais tarde, vai perder. Mas também vai ganhar! E a ideia é cortar as perdas rapidamente e deixar esticar os lucros. Para que isso aconteça, nem diversificação, nem longo prazo. Recomenda-se estudo, identificação de oportunidades e atenção. E, já agora, vir ao NeB.
Uma situação exemplar para finalizar.
Há três semanas falamos aqui do BPI e dissemos que a perspetiva de o banco se poder perfilar para arrematar o NB por tuta e meia era capaz de ser suficiente para fazer subir as ações. Acertamos e o negócio correu bem.
Entretanto a cotação foi lá acima à resistência imediata e começou a plissar. Vende-se! Não interessa se o negócio se vai concretizar ou não. A bolsa não vive de situações concretas, mas de expetativas. E a expetativa deu-nos 20 cêntimos para meter ao bolso. Se quebrasse a resistência avaliava-se uma possível reentrada. Como deu para baixo é porque há quem saiba mais do que nós e esteja a ver aquilo que nós ainda não vimos. Sensatamente mantemo-nos de fora a ver onde param as modas. Entretanto, soube-se que o Carlos Costa andou por Madrid a promover o NB junto dos espanhóis e hoje o Expresso noticia que há já vários bancos lá de Espanha que são capazes de estar interessados. Onde a notícia mais pica é quando anuncia que o La Caixa, acionista de referência do BPI, pondera avançar sozinho para a compra dos restos comestíveis do defunto BES. "Para integrar no BPI" sugere o jornal! E se não for?, perguntamos nós. Se o La Caixa entrar em Portugal comprando o NB a preço de saldo e puser a posição no BPI à venda? Como é que fica a cotação das ações do BPI com 20% do capital à venda, a ter que lidar com mais um concorrente e ainda por cima a ter que entrar com 10% da diferença de preço entre o empréstimo do Estado e o preço de venda? Não sei se nos estão a seguir?! Não dizemos que vá ser assim ou de outra forma, nem sequer avaliamos probabilidades. O que queremos demonstrar é que o cenário de negócio chorudo para o BPI azedou um bocado e as cotações já refletiram isso. A nossa missão nos mercados é sempre tentar antecipar toda esta jogatana e, à falta de informação priveligiada, temos os gráficos, mas disso não falamos hoje que a conversa já vai longa.
Cuidem-se que os mercados não estão para arrivistas!
27.8.14
5 dicas (3 super importantes)
No seguimento de uma entrada nossa no Caldeirão de Bolsa, em que nos solidarizamos com um forista que tentava remediar uma trombada de 70% na PT, pergunta-nos o nosso amigo Armindo da Encarnação de que modo nos devemos precaver contra a possibilidade de estuporarmos as nossas queridas economias na bolsa. Como a questão aflige a maior parte dos investidores e é por causa desse medo que uma maioria opta por passar a bola a outros, apostando em depósitos a prazo escanzelados, resolvemos lançar mão à obra e escrever este texto em que descrevemos a nossa maneira de atuar.
Evidentemente, ninguém gosta de perder dinheiro e a dor da perda pode ser tão grande que, para muita gente, a possibilidade de ganhar não é suficiente para compensar o sofrimento de ver o património violentado. Para esses, de facto, é uma atitude de elementar sensatez absterem-se de negociar em bolsa. Todos os outros, que sofrem naturalmente, mas que não chegam ao ponto de pensar em cortar os pulsos podem continuar a ler.
Dando, pois, por adquirido que não é possível entrar nos mercados sem ter presente a possibilidade de perder, cá vão algumas das nossas dicas para manter a sanidade mental e conseguirmos bater o índice de referência ao fim do ano:
Dica nº 1 - Esqueçam a leitura de livros sobre bolsa, auto-ajuda, análise técnica, economia ou caca dessa género. Ninguém joga à bola a ler livros, mas sim a treinar, da mesma maneira que não se ganha dinheiro em bolsa lendo teoria. Em vez dessa trampa, invistam o vosso tempo na leitura de Literatura a sério e a estudar História (um pouco de Física também ajuda, mas isso sou eu a puxar a brasa para o lado de cá). O assunto principal da bolsa é o comportamento humano e só o conhecemos a fundo de conseguirmos olhar para o passado pelos olhos daqueles que foram maiores que nós (voltaremos a este assunto). É evidente que há na net sítios sobre bolsa de que não podemos abdicar, entre os quais incluímos, sem falsas modéstias, esta vossa humilde casa! Oremos!
Dica nº 2 - Evitem a intoxicação de informação, estando atentos apenas aquilo que é especialmente relevante. Todas as notícias que passam nos telejornais, incluindo os comentários do tio Mendes e do vovô Marcelo são absolutamente irrelevantes para negociar em bolsa. Já a notícia de que o GES falhou pagamentos ou as palavras do Mário Draghi no fim-de-semana são das do género que nos devem fazer agir de imediato! A propósito, esqueçam também os dados económicos que vão saindo: na maior parte das vezes, não interessam nem ao pai natal.
E agora as três dicas mais importantes:
Dica nº 3 - Keep it simple! Esqueçam análises complicadas porque ninguém tem tempo para isso. A análise técnica funciona porque uma grande parte dos investidores a segue. Toda a gente está atenta a linhas de tendência, suportes, resistências e médias móveis e o mercado tende a ser obediente porque a massa dos investidores age em conformidade. Análises mais elaboradas só servem para nos distrair do objetivo que todos temos em mente: ganhar dinheiro!
Dica nº 4 - Cut the losses! Esta é a regra mais importante, mas também a mais difícil de aplicar. Jamais percam mais de 3% do vosso capital num negócio! Nunca! Desceu? Vende-se! Se cair depressa de mais e já não forem a tempo, vendam logo que possível! Foi um erro e assume-se o erro! Se voltar a subir, paciência: são as regras do jogo! Cortem as vossas perdas, antes que elas vos entalem e vos impeçam de voltar a negociar. A bolsa estará lá no dia seguinte para voltarem a recuperar o dinheiro perdido. E acreditem naquilo que vos digo: a dor da venda a perder passa rapidamente e permite-nos voltar ao campo de batalha mais fortes!
Diga nº 5 - Keep calm! A bolsa não é um inimigo que nos está a quilhar a vida e a quem temos de acertar o passo logo que possível! A bolsa nem sabe que nós existimos e está-se positivamente a cagar para a nossa sede de vingança ou para a nossa azia! Também é verdade que a bolsa, embora às vezes não pareça, não tem nenhum interesse especial em nos tramar. Nesse aspeto a bolsa é como o Universo e é assim que a coisa está bem feita. Isto para dizer que quando perdemos, não temos que nos pôr com planos de vingança ou coisas desse género para tentar recuperar o dinheiro rapiramente. Perdemos por culpa própria e está tudo dito. Adiante. Se formos pacientes e sensatos (e se viermos ao NeB de vez em quando), a bolsa acaba por ser generosa e vem humilde, de cauda a abanar, dar-nos o pilim que nos faz falta!
Agora vão lá negociar em bolsa como deve ser...
23.5.14
22.5.14
O que devo saber antes de Negociar em Bolsa:
Facto nº 24
Na Bolsa, saber vender é a virtude capital... e a virtude que preserva o capital.
O típico investidor até compra bem e começa a
ganhar.
Recosta-se na cadeia a desfrutar o momento e a fazer contas de somar. E
a coisa sobe e sobe à mesma velocidade a que crescem a ganância e a cagança do
nosso homem.
Com o peito inchado do orgulho e a conta bancária a bater no teto,
o nosso intrépido investidor vê o seu negócio fazer máximo sobre máximo... até inverter. A dada altura, é evidente que o sentimento do mercado mudou para bearish no curto prazo, mas,
temerário, agarra-se ao máximo que ficou para trás e começa a contabilizar o
que deixou de ganhar.
É neste ponto que decide vender se voltar a esse valor.
Mas a Bolsa, que é cruel, não lhe faz a vontade e lá vai caindo. E o artista,
apesar de ver notícias azedas por todo o lado, esforça-se ao máximo por adoçar
a pastilha e qualquer micro subida momentânea é um tónico que lhe fortalece a
auto-estima em estado de decomposição.
Nesta altura, até já é rapaz para vender
a coisa um pouco abaixo do máximo. O que é preciso é que lá chegue! Mas não lhe
fazem a vontade, os maus, e aquela caca continua a cair. A dada altura, um
trade que tinha um lucro tão simpático, começa a dar
prejuízo.
O aventureiro prova o sabor amargo de estar a queimar graveto sem levar nada para casa, temperado com o desnorte de ter sido tão gananciosamente burro. Quando, na mente do nosso artista, a queda já orça a valores
que não autorizam uma venda, a solução é transformar um trade de curto prazo, numa
entaladela de longo ou longuíssimo prazo.
Até que, quando o desespero o leva à conclusão de que o fim do mundo está próximo, e só lhe resta salvar os tostões que sobram, conclui que o mais sensato é vender. E vende!
Está feito o mínimo e os mercados podem subir. Começou o Bull Market!
19.5.14
O que devo saber antes de Negociar em Bolsa:
Facto nº 23
Nunca devemos arranjar argumentos emocionais
para justificar porque mantemos um trade que, racionalmente, percebemos que
foi um erro. Na dúvida, cortamos as perdas tão cedo quanto possível e
preservamos o capital.
A Bolsa não é sobre ideias feitas, nem sobre
estados de alma e costuma ser cruel com quem acha que os mercados têm o dever
de lhe dar razão.
16.5.14
Entalo não, por favor...
Testemunho:
Meus caros amigos. Não sei se já repararam, mas somos um grupo de amigos a escrever com este Nick (negociarembolsa), pelo que por vezes pode causar alguma confusão nos utilizadores. Eu, que escrevo neste momento, sou o pato bravo, que tem apenas três anos nestas andanças e que teve que pagar bem caro este curso. Mas como não tinha conhecimento nenhum, ia tentando perceber onde é que tinha errado, através de alguma leitura e de partilha com o meu mestre (um dos outros amigos com quem partilho este nick), esse sim com muita experiência e conhecimento no assunto (foi ele que criou o tópico: "aumento de capital na banca") que vos aconselho a seguir, porque, não me dando nunca conselhos nem soluções, ajudou-me a pescar (um bocadinho melhor). Mas o facto de estar a escrever e a utilizar o tema testemunho, é porque irei partilhar a minha experiência de BCP, para ver se pelo menos abro os olhos a alguns, como eu tive que fazer mas com muita dor (financeira):
Em Dezembro de 2011, resolvi pegar em 1000 Euros e comprar ações do Bcp, porque alguém me disse que já tinham valido 3 Euros e que bla bla bla. Como os juros que tinha recebido de uma aplicação a 1 ano tinham sido miseráveis, resolvi arriscar e lá as comprei a 0,107. Passado pouco tempo, já tinham subido para 0,125 e vendia-as, comprando-as a seguir mais barato e assim sucessivamente, achando que era o maior, pois em apenas um mês tinha ganho mais 500 Euros. Como aumentei a confiança, resolvi colocar lá mais pilim e adquirir mais ações e ficar rico e deixar de trabalhar etc, etc, etc... Eis que dou por mim a correr atrás de as comprar numa semana louca em Fevereiro de 2012, com os rumores da Sonangol e a chegada do Amado e então, ganhei o meu grande entalo que, durou muito tempo. uma compra a 0,21 que me fez não as largar até que se deu a salvação no aumento de capital. De 10000 Euros investidos cheguei a ter apenas 4000 Euros. Feitas as contas, só era uma desvalorização de 60%. Para além disso, foi um ano e meio com o capital preso e sem poder fazer negócios que me pudessem ajudar a recuperar (por um lado até foi bom, porque assim não fazia mais borrada). Com o aumento de capital e as subidas loucas, onde fui reforçando, atingi com uma venda a 0,2335, cerca de 70% de lucro, acrescentando ao BCP, alguns negócios curtos no BANIF e na Sonae Industria. Acabada a festança, eis que chega esta carnificina a que estamos a assistir. O grande teste ao meu curso tinha chegado. Pois, das muitas coisas que aprendi aqui convosco e com o meu mestre, foi: PROTEGER O CAPITAL, OU SEJA, não podemos contrariar a tendência. Quando muito, podemos ver alguns sinais de compra e outros de venda, mas curtos, como eu fiz hoje (dia especialmente bom), mas não esperarmos, como eu fiz durante cerca de dois anos que o mercado vai virar a nosso favor porque nós queremos. Para finalizar, apenas queria dizer que, a grande diferença é que desde os 0,2307, último máximo, até ao mínimo de hoje (0,1662), são 38% de desvalorização. Eu, fazendo algumas compras e vendas boas e outras más, apenas cedi cerca de 5%, o que me mantém com um bom lucro este ano. Algumas destas vendas foram dolorosas, mas transformaram-se rapidamente em negócios menos maus do que poderiam ser, se simplesmente ficasse a olhar. Espero que não entendam este texto como exibicionismo, mas sim como uma partilha de experiência.
Bons negócios
Meus caros amigos. Não sei se já repararam, mas somos um grupo de amigos a escrever com este Nick (negociarembolsa), pelo que por vezes pode causar alguma confusão nos utilizadores. Eu, que escrevo neste momento, sou o pato bravo, que tem apenas três anos nestas andanças e que teve que pagar bem caro este curso. Mas como não tinha conhecimento nenhum, ia tentando perceber onde é que tinha errado, através de alguma leitura e de partilha com o meu mestre (um dos outros amigos com quem partilho este nick), esse sim com muita experiência e conhecimento no assunto (foi ele que criou o tópico: "aumento de capital na banca") que vos aconselho a seguir, porque, não me dando nunca conselhos nem soluções, ajudou-me a pescar (um bocadinho melhor). Mas o facto de estar a escrever e a utilizar o tema testemunho, é porque irei partilhar a minha experiência de BCP, para ver se pelo menos abro os olhos a alguns, como eu tive que fazer mas com muita dor (financeira):
Em Dezembro de 2011, resolvi pegar em 1000 Euros e comprar ações do Bcp, porque alguém me disse que já tinham valido 3 Euros e que bla bla bla. Como os juros que tinha recebido de uma aplicação a 1 ano tinham sido miseráveis, resolvi arriscar e lá as comprei a 0,107. Passado pouco tempo, já tinham subido para 0,125 e vendia-as, comprando-as a seguir mais barato e assim sucessivamente, achando que era o maior, pois em apenas um mês tinha ganho mais 500 Euros. Como aumentei a confiança, resolvi colocar lá mais pilim e adquirir mais ações e ficar rico e deixar de trabalhar etc, etc, etc... Eis que dou por mim a correr atrás de as comprar numa semana louca em Fevereiro de 2012, com os rumores da Sonangol e a chegada do Amado e então, ganhei o meu grande entalo que, durou muito tempo. uma compra a 0,21 que me fez não as largar até que se deu a salvação no aumento de capital. De 10000 Euros investidos cheguei a ter apenas 4000 Euros. Feitas as contas, só era uma desvalorização de 60%. Para além disso, foi um ano e meio com o capital preso e sem poder fazer negócios que me pudessem ajudar a recuperar (por um lado até foi bom, porque assim não fazia mais borrada). Com o aumento de capital e as subidas loucas, onde fui reforçando, atingi com uma venda a 0,2335, cerca de 70% de lucro, acrescentando ao BCP, alguns negócios curtos no BANIF e na Sonae Industria. Acabada a festança, eis que chega esta carnificina a que estamos a assistir. O grande teste ao meu curso tinha chegado. Pois, das muitas coisas que aprendi aqui convosco e com o meu mestre, foi: PROTEGER O CAPITAL, OU SEJA, não podemos contrariar a tendência. Quando muito, podemos ver alguns sinais de compra e outros de venda, mas curtos, como eu fiz hoje (dia especialmente bom), mas não esperarmos, como eu fiz durante cerca de dois anos que o mercado vai virar a nosso favor porque nós queremos. Para finalizar, apenas queria dizer que, a grande diferença é que desde os 0,2307, último máximo, até ao mínimo de hoje (0,1662), são 38% de desvalorização. Eu, fazendo algumas compras e vendas boas e outras más, apenas cedi cerca de 5%, o que me mantém com um bom lucro este ano. Algumas destas vendas foram dolorosas, mas transformaram-se rapidamente em negócios menos maus do que poderiam ser, se simplesmente ficasse a olhar. Espero que não entendam este texto como exibicionismo, mas sim como uma partilha de experiência.
Bons negócios
12.5.14
O que devo saber antes de Negociar em Bolsa:
Facto nº 21
Só há um motivo para comprar em Bolsa: se
consideras que a probabilidade de venderes mais caro se sobrepõe, para lá de
uma margem de erro razoável, à probabilidade de venderes mais barato.
Só há um motivo para vender em Bolsa: se
consideras que a probabilidade de comprares mais barato se sobrepõe, para lá de
uma margem de erro razoável, à probabilidade de teres de vir a recomprar mais
caro.
9.5.14
O que devo saber antes de Negociar em Bolsa.
Facto nº 20
No médio/longo prazo o que se passa na Bolsa tem sempre uma justificação económico/financeira que só se vem a confirmar, por norma, cerca de meio ano depois de a subida/descida começar.
Claro que há gente muito bem informada (que não se limita a ver os telejornais) que antevê e antecipa os ciclos económicos, até porque, muitas vezes, é paga para isso mesmo e toma decisões de compra/venda em concordância. E também é verdade que por ser um mundo aberto e com imensos intervenientes a própria evolução da Bolsa acaba por ter um impacto grande na economia. De maneira que temos uma espécie de pescadinha de rabo na boca.
Mas no curto/curtíssimo prazo, o sobe e desce louco dos mercados não obedece a nenhum motivo em especial. Por norma, não são as notícias que fazem o dia-à-dia da Bolsa, mas sim a confiança ou o medo dos investidores. E tanto uma coisa como a outra, por sermos humanos, são absolutamente voláteis.
Facto nº 20
No médio/longo prazo o que se passa na Bolsa tem sempre uma justificação económico/financeira que só se vem a confirmar, por norma, cerca de meio ano depois de a subida/descida começar.
Claro que há gente muito bem informada (que não se limita a ver os telejornais) que antevê e antecipa os ciclos económicos, até porque, muitas vezes, é paga para isso mesmo e toma decisões de compra/venda em concordância. E também é verdade que por ser um mundo aberto e com imensos intervenientes a própria evolução da Bolsa acaba por ter um impacto grande na economia. De maneira que temos uma espécie de pescadinha de rabo na boca.
Mas no curto/curtíssimo prazo, o sobe e desce louco dos mercados não obedece a nenhum motivo em especial. Por norma, não são as notícias que fazem o dia-à-dia da Bolsa, mas sim a confiança ou o medo dos investidores. E tanto uma coisa como a outra, por sermos humanos, são absolutamente voláteis.
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