De maneira que, para praticamente todos os efeitos, Portugal não tem bolsa. Em vez disso, tem apenas banca. O português enfia o dinheiro no banco e, em troca de nada, crê ingenuamente que não corre riscos. O problema é que o banco, como tivemos oportunidade de verificar nestes últimos anos, está sempre respaldado se os investimentos que fizer correrem mal. No limite, o orçamento de estado, isto é, o dinheiro reunido com os impostos de todos, tem de acudir em caso de necessidade. E existem todos os incentivos para que essa necessidade venha mesmo a ocorrer. O banco é gerido por homens que jogam com dinheiro que não é deles numa empresa de responsabilidade limitada e que não pode falir sob pena de risco sistémico. O que pode correr mal?
Desde a recuperação encetada pelas bolsas em abril de 2009, seis meses depois do crash motivado pelo colapso do Lehman Brothers, o Dax de Frankfurt subiu 220%, o Cac em Paris pouco mais do que duplicou, o Ibex em Madrid subiu 32% e o S&P500 mais do que quadruplicou. O PSI20 caiu 12%, sendo que mais nenhuma bolsa nos países desenvolvidos acumula perdas nestes quase 10 anos.
É incrível como calhou termos nascido num país tão fraco para investir e eu diria que é preciso muito tino para conseguir fazer dinheiro num ambiente como este. Acontece que a bolsa, embora esteja muito descaracterizada em relação à economia real do país, continua a ser um retrato da nossa realidade em termos económicos, um país podre, a rebentar pelas costuras das corrupções e compadrios que levaram a dívida pública à estratosfera e em que um orçamento de estado é considerado eleitoralista por baralhar a redistribuição das migalhas que sobram depois de rapar o tacho da brutal coleta de impostos a que estamos sujeitos.
Ninguém conhece o futuro, nem sequer os astrólogos. Talvez a única coisa que possamos dar por adquirido é a morte, ainda que mesmo essa Agostinho da Silva pusesse em dúvida, evidentemente, antes de a ter experimentado, pois argumentava que apenas tínhamos conhecimento de que se tratava de um fenómeno que ia sucedendo a gente avulsa, mas nunca nos acontecera a nós, pelo que não podia ser um dado adquirido. Claro que AS era um excelente filósofo e todos nós compreendemos que mesmo depois de tanta matança nos milhares de milénios do que vai de vida, que um dia nos suceda a nós parece de todo injusto e inacreditável, mas eu, que sou um homem de ciências, gosto mais de ir por aqui. Mas isto não é um texto sobre a morte, assunto em que gente bem mais encartada do que eu terá coisas mais deliciosas a dizer, mas sobre o futuro, temática em que, temo bem, todos sabemos o mesmo: nada!
Desconcertante é o mínimo que se pode dizer sobre o comportamento do PSI20 esta semana, ainda que desconcertado seja adjetivo quiçá inapropriado para descrever um mano que se aventure neste submundo dos mercados financeiros. Sem conserto ainda vá, muitos ficam desse jeito depois de o mercado ter tratado deles, mas desconcertado tem mais a ver com espanto e só um néscio se espanta com o vira e revira do traquinete!
Mais, muito mais, do que qualquer análise fundamental ou notícia lançada, que por vezes já incorporada, as verdadeiras oportunidades no curto/médio prazo surgem pelo despoletar de movimentos técnicos!
"As oportunidades aparecem todos os dias. É preciso estar disponível mentalmente para elas."
Américo Amorim
E como bem sabeis é aí que a nossa labuta diária assenta! Identificar oportunidades que criem riqueza! Tudo o resto é especular, fazer a leitura do que nos chega na imprensa, cmvm e outros, que não privilegiados! Portanto,
Até que chega o arauto da desgraça, que lá do pedestal da sapiência só vê a banda passar, e nos diz - "ah, mas esses movimentos técnicos são pura especulação e são fundos a trabalhar com gente super especializada e com algoritmos todos xpto para levar na cantiga os incautos, a empresa está toda lixada, tem imparidades de perder de vista e por isto e por aquilo ou essa outra está falida e mais não sei o quê..." - but, who cares?
De que raio interessa toda essa conversa, que nos faz perder o foco no essencial, se a ação subiu 100% e eu estava dentro e já tenho o dobro do que tinha do lado de cá? Que interessa estar toda parida se o gráfico nos diz - e a toda a gente que o queira ver ao invés de discutir o indiscutível porque nós nem outros, que perdem tempo a fazê-lo, sabem o que realmente se passa nos meandros das negociatas - à quebra com volume, entra!
Reparem no BCP, em 4 takes desde o AC!
Take 1, onde especulamos sobre o AC e sobretudo definimos a linha vermelha onde não queremos que quebre em baixa (desde então atingiu o número redondo 100 de percentagem de valorização!). Podem ler na integra a análise da altura aqui!
Take 2, dissemos onde não o queríamos, analisamos a potencial correção e onde depositávamos todas as fichas! Desde aí até à nossa resistência que ainda não tinha sido testada foram 33% de valorização!
Take 3, onde puxamos dos galões e identificamos padrão com projeção para os 26 cêntimos na quebra em alta dos 0,20€! Esta semana atingiu esse valor e prontamente corrigiu! Recordem aqui!
Take 4, para o atual momento! Após atingir a projeção dos 0,26€ e corrigir mantemos a bitola do ponto de entrada se situar no oscilador EMA21 (a vermelho tracejado) bem como na nossa Lta que se encontra pelos mesmos valores, pouco acima dos 24 cêntimos! Quebra aqui, em baixa, e lá se vai a nossa orientação! E só isso já é mau! Quebra os 23 cêntimos e soam as sirenes! Para cima a resistência está, ligeiramente, acima dos 28 cêntimos.
Reparo final para a Pharol, já que estamos numa de apresentar resultados, para a quebra dos 31 cêntimos que ocorreu esta semana e ao disparo a que a levou! 15% de um dia para o outro não está mau! Embora não tenha atingido a nossa resistência ficou bem perto da nossa projeção analisada aqui há duas semanas atrás! Mantemos a leitura, façam contas aos risco de entrada numa fase em que se encontra no meio da ponte, fifty/fiftypara rácio é a parada atual!
A terminar, juntamos PJ Harvey e Josh Homme dos QOTSA e relembramos isto!
Ontem, com 89 anos, faleceu
Simone Veil, uma mulher que marcou o século XX, não só da História francesa
como também da História europeia. Sobrevivente dos campos de concentração
nazis, ministra da saúde responsável pela chamada lei Veil que despenaliza o
aborto em França em 1974, primeira mulher presidente do parlamento europeu,
membro da Academia Francesa, muitos títulos para uma única mulher que fez da
sua vida um exemplo de integridade e de coragem.
Impossível não associar o
atentado em Londres àquilo que não foi atentado e podia ter sido em Turino. Quando
os adeptos ouviram o que era o fogo de artifício, pensaram que o ruído era uma
explosão e, portanto, um possível atentado; acreditaram que tinha chegado a sua
hora, que eles eram as novas vítimas tal como outros escolhidos aleatoriamente
pela Europa fora. Provocou pânico e acabou como todos sabemos.
Foi o fim da
festa, o fim de uma era de despreocupação num tempo em que um fogo de artifício
era apenas alegria e espanto, em que uma festa era uma festa, sem receio e sem
terror. O medo está instalado na mente de cada um, uma defesa para o dia que
pode chegar.
Por isso, não digam que o mal se
banalizou, que os europeus já se habituaram a esta vaga de atentados, três na
Inglaterra em poucas semanas, pois continuamos sem perceber como chegamos a
este ponto, continuamos agarrados a uma realidade: eles contra nós.
A partir do momento em que a vitória de Emmanuel Macron é
dada como certa, os mercados reagem com otimismo, é o candidato que todos
querem. Por isso, a única dúvida neste momento é com que percentagem. A
verdadeira vitória é, então, conseguir uma percentagem significativa, acima dos
60 %, que negue ao partido fascista da Frente Nacional uma vitória política.
Vitória dos valores
democráticos? Era ótimo que assim fosse. Contudo, esta segunda volta anula
qualquer debate, qualquer escolha para os franceses entre duas verdadeiras
propostas de sociedade, deixando o mesmo vazio que alimenta a subida do
populismo há décadas. Voltará tudo ao mesmo, se bem que, na verdade, com mais algumas
sequelas.
Resta a pergunta: não será a própria democracia a alimentar uma Marine Le Pen? Para perdurar, o sistema precisa de um lobo mau facilmente identificável, condenável, que justifica o apelo, por exemplo, de Barak Obama ou da Amnistia Internacional. Parece que só conta o resultado, seja a que preço for.
A linguagem foi sempre o nervo das
ditaduras porque é a maneira como falamos delas que lhes dá força. É manipulada, simplificada: o bem e o mal, o crente e
o inimigo, o dever e o proibido… Quer-se simples, sem ambiguidades possíveis e,
sobretudo, dissuasora de qualquer pensamento próprio.
Não deixa de ser pertinente verificar que a par de sociedades cada vez mais complexas no seu funcionamento, prolifera uma linguagem que quanta mais estereotipada se torna mais sintomática é de um mundo pobre e sem ideias, sem forças para reagir às várias formas de poder.
A família é o único refúgio que
nos resta? De acordo com alguns, seria a última cidadela face à crise, uma
pequena bolha de felicidade no caos do quotidiano.
Na verdade, para Yann Moix, autor
de Nascimento (já mencionado em
publicação anterior), a família é o inferno, pode ser invasiva, opressora,
mesquinha. A família nunca está bem: ou está muito presente e abafamos, ou
temos falta dela e é um traumatismo para a vida. Daí a tentação de escolher
outra família, a dos amigos.
Ele defende que não podemos
confundir genitores e pais. O génio do Cristianismo foi de ter paradoxalmente desbiologizado a relação entre o pai e o
filho. Os cristãos inventaram esta transcendência segundo a qual ser progenitor
não é nada de biológico. Palavras provocadoras de um homem que foi vítima de
maus tratos em criança, mas estas afirmações têm a vantagem de nos pôr a pensar
sobre o que é realmente a família.
Há o melhor e o pior na família.
Queremos, inexoravelmente, sair ou entrar nela.
Por mais que detestemos os nossos
pais e mesmo sabendo de antemão que os nossos filhos também nos vão detestar um
dia, acabamos sempre por querer fundar a nossa família. A profissão de pais é
uma profissão impossível e a profissão de filho é estar confrontado a
indivíduos que são incapazes de serem perfeitos e ainda bem que o não são.
Vivemos na fantasia que
poderíamos viver sem conflito. Ora a vida é toda ela conflito. É como andar, é
uma queda constantemente evitada, mas se não houvesse queda, não haveria o ato
de evitar e não avançaríamos.
Não podemos esquecer que a
família não é apenas a que nos é imposta, é também aquela que construímos. E é
por essa razão que hoje, reconstruída, mono, homo ou heteroparental, a família
permanece, apesar de tudo, um modelo absolutamente incontornável. Porque neste
mundo completamente absurdo, ter filhos é talvez a única razão de ser. Estamos condenados a ser pais.