30.4.17

Histórias de dinheiro

Quinta parte

Não é exagero dizer-se que os contratos de futuros e as opções são tão antigas quanto o comércio, mas com o passar do tempo e, de forma especial, a partir do momento em que se deu o surgimento do capitalismo, o número de players no mercado foi subido de forma exponencial. A dada altura, cada um dos amigos tinha imensos amigos com quem jogar e uma data de possibilidades ao seu dispor para melhor rentabilizar o comércio que faziam. Chegou o tempo em que mesmo gente que não tinha nada que ver com o negócio do milho ou das pipocas começou a ter interesse em participar da jogatana com o intuito de lucrar com a valorização das opções. Foi aí que todos esses amigos tiveram uma ajuda preciosa de um amigo grande e supostamente endinheirado: a banca!

29.4.17

Histórias de dinheiro

Quarta parte

O amigo Casimiro negociava com o amigo Antonino a opção de compra de um determinado número de alqueires de milho, numa dada data futura, por um preço pré-determinado. Por essa opção pagava ao agricultor um valor acordado, o chamado prémio, e ficava de posse da garantia de que na data de exercício podia comprar a mercadoria, mas também podia optar por não o fazer, caso em que não exerceria a opção. Desta forma, o amigo Casimiro tinha a garantia de que o preço máximo que pagaria pelo milho era o prémio mais o estipulado no contrato, mas jamais pagaria mais do que isso, estando livre para comprar milho que na altura da colheita estivesse mais barato, perdendo apenas o valor gasto na opção.

28.4.17

Histórias de dinheiro

Terceira parte

Do ponto de vista do amigo Casimiro rapidamente surgiu um atrativo que tornou o negócio de intermediação ainda mais aliciante. De posse dos dois contratos, podia assistir durante meses à oscilação diária do preço da colheita futura de milho, sabendo que, na pior das hipóteses, pagaria o valor estipulado em A e receberia o prescrito em B. Mas podia dar-se o caso de os ventos da fortuna soprarem a seu favor e começarem a surgir notícias favoráveis às posições que detinha, por exemplo, de carestia de milho e de protestos contra o barulho dos mastigadores de pipocas nos cinemas. A subida do preço do milho e a queda do preço das pipocas ia valorizar os seus contratos e podia acontecer de ele conseguir alienar os contratos em mercado secundário realizando uma mais-valia extra.

27.4.17

Histórias de dinheiro

Segunda parte


Quando semeava milho, o amigo Antonino contava com uma margem de lucro mínima para que o esforço valesse a pena e ele se sentisse recompensado. Tudo o que viesse acima desse lucro mínimo iria fazer crescer a excelência do ano a um ritmo exponencial. Do nível definido para baixo entrávamos no terreno perigoso em que o ano dava para o torto também a uma taxa assustadoramente crescente, até ao ponto em que se começava a ter prejuízo. Havia ainda que contar com os anos trágicos em que um vendaval ou um qualquer fenómeno extremo pusesse termo à colheita antes de esta se fazer, pelo que o nível a que era estabelecida a margem de lucro mínima tinha sempre que levar em linha de conta essa possibilidade.

26.4.17

Histórias de dinheiro

Primeira parte


O amigo Antonino tinha umas terras e produzia milho. Como acontecia (e acontece) com todas as matérias-primas, também o preço dos grãos estava sujeito à influência de um sem número de variáveis, de maneira que todos os anos, por altura da sementeira, o amigo Antonino enfrentava o problema de não saber com que margem de lucro podia contar, partindo do princípio de que teria produto final para vender. Depois de deitar os grãos à terra havia uma parte ínfima do seu futuro que ele conseguia controlar, mas a maior parte do que se seguiria até ter o produto final para vender permanecia completamente fora de controlo, e estava ligado a uma quantidade tão grande de variáveis que todos os dias oscilava entre a fortuna e a desgraça. 


3º aniversário

Por ocasião do 3º aniversário da fundação desta tasca, vamos presentar quem nos visita com um texto da nossa lavra sobre dinheiro e funcionamento dos mercados. 


Trata-se de um texto que publicamos logo ao início da função, quando ainda éramos jovens entusiastas destas coisas dos blogues, e que, entretanto, à falta de melhor, vamos postando sempre que não temos mais nada à mão para assinalar eventos! Destina-se essencialmente a quem tem curiosidade sobre produtos estruturados e negociação de futuros!

A publicação começa logo à noite e o último fascículo sai no dia 1 de maio.

25.4.17

BCP

O BCP saiu de bear market quando quebrou a linha horizontal amarela do nosso gráfico, mas para entrar em bull market vai precisar de quebrar com força a zona entre os 0,234 e os 0,249, mais coisa menos coisa. Parece difícil, mas, só para enquadrar, em junho do ano passado tivemos uma queda dos 0,40 aos 0,23 em 10 sessões!

24.4.17

CTT

Daqui para cima tem tudo para ir fechar o gap nos 6 euros, mas pode com toda a tranquilidade vir mais uma vez testar os 5! Os dividendos de 48 cêntimos vão ser um chamariz do caraças para aparecer gente a deitar uma mão, mas são só a 17 de maio e antes, a 28 de abril, temos os resultados do 1º trimestre que se prevêem uma pessegada, mas dificilmente não estarão descontados!

PSI20

É sabido que o mercado passa do medo mais caganeiro à mais estrambólica euforia, e vice-versa, em menos de um fósforo, mas ninguém pode assegurar que esteja preparado para assistir a uma demonstração ao vivo deste tão tradicional modus operandi.


Eu, que ando nisto vai para mais tempo do que gostaria, digo-vos que ainda consigo ficar banzado quando vejo o mercado a virar frangos como se não houvesse amanhã, tal como calhou suceder hoje. 

21.4.17

A linguagem ao serviço do poder (segunda parte)

A linguagem foi sempre o nervo das ditaduras porque é a maneira como falamos delas que lhes dá força. É manipulada, simplificada: o bem e o mal, o crente e o inimigo, o dever e o proibido… Quer-se simples, sem ambiguidades possíveis e, sobretudo, dissuasora de qualquer pensamento próprio.

Não deixa de ser pertinente verificar que a par de sociedades cada vez mais complexas no seu funcionamento, prolifera uma linguagem que quanta mais estereotipada se torna mais sintomática é de um mundo pobre e sem ideias, sem forças para reagir às várias formas de poder. 

É também esta a história de 2084, o fim do mundo

18.4.17

Medo

Ninguém investe tudo o que tem num exército e em armamento se não estiver na disposição de os usar e, ainda mais sério, sem se sentir tentado a usá-los! Esta é uma velha máxima, a bem dizer de sabedoria popular, que foi ignorada várias vezes ao longo da história da humanidade, sempre com consequências trágicas, a última na década de 30 do século passado quando muitos em França e Inglaterra acharam que podiam negociar com Hitler. 

17.4.17

"2084, O fim do mundo", de Boualem Sansal (primeira parte)

 No prefácio da sua obra, 2084 O fim do mundo, Boualem Sansal, de origem argelina, avisa que "É uma obra de pura invenção, o mundo de bigbrother que eu descrevo nestas páginas não existe e não tem razões para existir no futuro”

Tom irónico, infelizmente, para descrever um mundo que parece cada vez mais possível, senão mesmo real em alguns pontos do planeta, sendo o caso, para não pensar muito, do Médio Oriente ou da Coreia do Norte.

Na obra, os caracteres “2084” são apenas uma inscrição no topo de um edifício, tal como “1984” na obra de Georges Orwell, de facto não representam nenhuma data, mas para nós leitores é uma data suficientemente próxima para compreender que é um alerta para as sociedades ocidentais e para todas as democracias que assim se reconhecem; apresenta-se como uma distopia na linha de Orwell, num futuro bem próximo, 2084. 

9.4.17

Onde não queremos o BCP

À semelhança de muitas outras cotadas do nosso índice, a que já fizemos referência, o BCP nas últimas semanas teve um andamento que deixou a salivar e com ganas de fazer parte a quem o esteve a ver galgar terreno na sideline! O volume acompanhou o interesse de tal forma que haverá muita gente com vontade em entrar no fim da - que julgamos - correção!



A pergunta que se impõe: onde é isso?

8.4.17

100 metros, de Marcel Barrena

Com realização e argumento de Marcel Barrena, 100 metros é a uma história comovente que trata a doença como todas as dificuldades deveriam ser tratadas na vida, ou seja, sem pena e sem autocomiseração, e, sempre que possível, com humor. Um filme que recomendo vivamente.

O texto primevo, algures no Inverno recente.

Esta espécie de apêndice que trazem colado a um dos lados cerebrais é, inusitadamente, a primeira marca visível dos seres biónicos que já são: germinam em cada lugar, anódinos, passando ao de leve pela vida.

2.4.17

PSI20 outra vez (a realidade impõe-se)

Peço desculpa por falarmos outra vez dele, mas não há como ficar calado acerca do comportamento do PSI20 esta semana, de tal ordem foi a brutalidade com que o touro entrou na arena, isto para usar a conhecida linguagem bull bear das lides bolsistas.

Contas e rácios para atacar máximos com a Navigator Company

Escrevemos sobre a Navigator Company na fuga das pastas de papel e desde então não mais houve motivos que justificassem a chamada! Projectamos! Atingiu! Consolidou! E ficou de olho em máximos! Impecável!
Na semana que passou, após semanas de consolidação, dá a sensação que se soltou com ideias de ataque a máximos de Abril de 2015, pelos 4,10€!


E onde entramos nós com este cenário?