3.9.17

Back in business

Um mês inteiro de dolce fare niente e folia é tempo mais do que suficiente para ficarmos tem-te não caias a pontos de abandonarmos o barco, mandar tudo às urtigas e fechar a loja. É que, bem vêem, a boa vida tem o efeito secundário de nos fazer autoquestionar acerca dos motivos pelos quais passamos tempo a dar cabo do canastro e da mioleira desnecessariamente, quando podemos perfeitamente go down to the river, and into the river we'd dive... 



Seja como for, salvamo-nos à última da hora quando ouvimos o Boss dizer I got a job working construction for the Johnstown Company, but lately there ain't been much work on account of the economy... e pensamos que trabalhar um bocadinho, nem que seja para aquecer, também pode ser divertido...


Quem se anda a divertir à grande, levando a níveis absolutamente inéditos os índices universais de desplante, de amor pelo perigo, de mania das grandezas e de filhodaputice é o Quim Pom Pum da Coreia esse grandessíssimo lambe botas armado com uma G3 que dispara misseis de cruzeiro equipados com bombas H. Depois do terramoto que provocou hoje há que reconhecer humildemente que o Pom Pum ganhou, o labrego ganhou e se houvesse justiça neste mundo era elementar que lhe dessem uma medalha, ou assim, por ter ajoelhado o mundo inteiro e arredores. Toda a gente sabe que ninguém toca no merdas que tem uma bomba de hidrogénio, é uma regra de ouro universal, é como se o artolas fosse deus ou o criador do Universo em pessoa, esse gajo é o rei do recreio, o indivíduo mais bonito e charmoso e pode fazer o que lhe dê na real gana e tudo o que o Trump, o Putin, o Abe ou o Winnie the Pooh chinês, esses feios, podem fazer é estrebuchar e decretar novas sanções.


O Pom Pum ganhou, mas atenção: jamais poderá dar a impressão de que vai mesmo usar a dita cuja. Nisso estamos como na guerra fria quando americanos e russos se andaram a medir a olho sempre no fio da navalha e se passaram situações laterais hilariantes como a que nos conta o novo filme com o Tom Cruise. Vão ver.


O que se vai seguir ninguém sabe, mas todos sabemos uma coisa: a parada está tão alta que ninguém terá the guts para avançar com a primeira investida. A dúvida é evidentemente apenas o Pom Pum, mas dá-nos a ideia de que toda aquela tropa super medalhada que o rodeia leva uma vida tão boa que dificilmente terá uma postura suicida! 


누가 알 겠어?

Situação aparentemente menos extrema, mas igualmente radical está a desenhar-se bem mais perto de nós, na Catalunha, onde há um referendo à independência marcado para 1 de outubro. A consulta já foi declarada ilegal pelo tribunal constitucional espanhol, mas os catalães estão longe de parecerem impressionados e aprovaram já uma lei no parlamento regional que regulamenta o que se vai passar a partir do dia 2 caso o sim ganhe. A coisa pia fino! A partir dessa data é declarada a independência da Catalunha e todos os cidadãos que vivam no território catalão (que pode incluir, por exemplo, as Baleares) há pelo menos cinco anos adquirem nacionalidade catalã; os bens do estado espanhol são confiscados, o exército espanhol é expulso (pelos Mossos?), a dívida catalã à Espanha é anulada (admitindo-se que possa ser posteriormente negociada) e mantêm-se todas as relações da Catalunha com a UE! Parece uma declaração saída de um sonho infantil ou uma jogada de radicais extremos munidos de uma bomba H em cada bolso, mas quem ler os jornais espanhóis por estes dias vai ver que o cenário mete medo! 


Hoje já não tenho tempo de falar nos mercados, onde nos parece que estes são dois dos berbicachos do momento (atenção que jamais haverá tempo algum sem estopadas seja de que tipo for a meter medo, pelo que, nesse sentido, vivemos uma situação absolutamente normal). Quando estiver mais rodado volto aqui e digo de minha justiça, mas dou-vos um conselho: não vale o risco entrar no PSI20 neste momento; entrem apenas na quebra dos 5350 com volume! Se isso acontecer, venho cá celebrar!



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