17.4.16

Abertura de semana

O mínimo que se pode dizer é que a semana bolsista promete.

A falta de acordo na reunião de Doha sobre o congelamento da produção de petróleo pode criar alguma tensão inicial, mas dá-nos a ideia de que, na semana passada, quebraram-se em alta valores, tanto no S&P como no DAX, que antecipam força compradora capaz de resistir a imprevistos que a maioria de certeza já antecipava. 

No S&P só uma quebra em baixa dos 2045 pontos nos fará pôr em causa a crença de que, mais dia, menos dia, caminharemos em direção aos máximos históricos. Claro está que uma quebra em baixa é sinal bastante perturbador, pois originará um quarto lower high consecutivo!

No DAX a coisa não é tão clara e vemo-lo precisamente nos valores-chave. Julgamos que há potencial para uma correção um pouco maior, mas se o S&P não se esbardalhar é possível que este se contenha! Se mantiver em fecho os valores de sexta-feira maravilha, e pode muito bem fazer uma primeira aproximação à média móvel dos 200 dias nos 10300 pontos. Cá em baixo, vai ser necessário que a zona dos 9850 aguentem o embate se a tanto chegarmos!

Interessante vai ser também ver como ficará o Brasil depois da votação que decorre neste momento para decidir a destituição da presidente Dilma. Até agora, os mercados não têm ligado peva ao assunto, mas se a situação degenerar em conflito pode ser que haja mossa entre as empresas expostas aos mercados sul-americanos e, consequentemente, em alguns índices!

Ficam os gráficos:



Por cá, não é difícil prever que a novela BPI vai marcar a semana e o assunto está a evoluir de uma forma que, não sendo inesperada (a falta de notícias durante a semana passada sobre o acordo alcançado deixava antever que haveria demasiadas pontas soltas) é, no mínimo, rocambolesca! Amanhã de manhã, pelos vistos, vamos acordar com uma OPA ao BPI e saberemos, finalmente, de que valores estamos a falar. Valores abaixo dos 1,10-1,15€, que devem conter a média das cotações nos últimos dois meses, não serão possíveis de acordo com a lei. Daí para cima ver-se-á.

Quanto ao BCP, estamos em crer que o valor oferecido pelo BPI poderá ajudar o mercado a percepcionar a justeza ou não da cotação atual. Se, por hipótese académica, a OPA se der ao valor de 1,329€ oferecidos no ano passado, então temos o BPI a valer apenas menos 361 milhões de euros que o BCP (1,41 vezes mais). Atendendo ao histórico, que coloca o BCP a valer cerca do dobro do BPI, e ao facto de o Millenium ter uma posição na Polónia que vale por si só 780 milhões de euros, parece curto! Por outro lado, há um fator que nos parece ter pesado bastante na valorização do BCP na semana que passou: se o BPI for opado, o BCP passará a ser o único banco da bolsa nacional, pelo que as carteiras de fundos de investimento vão ficar sem opção para distribuir os recursos por setores de atividade. 

Do ponto de vista técnico, uma quebra em alta da Lta que marcamos pode ser a dica de que assaltaremos os máximos de março. Por outro lado, uma quebra em baixa da zona dos 0,0360€ pode pôr alguns a pensar, como já ouvi dizer, em figuras do tipo cabeça e ombros (figura que, em nossa opinião, não fará sentido porque pressupõe uma tendência de alta, coisa que manifestamente não existe). Fica, mais uma vez, o gráfico:

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