16.2.17

Eu confesso: o quê exatamente? (Segunda parte)

O que ficará de nós quando a memória nos falhar? (Se é que já não nos falha mais do que aquilo que queremos admitir).

Ironias da vida, Adrià Ardèvol, narrador e personagem principal da obra Eu confesso, de Jaume Cabré, tem uma memória prodigiosa, mas é vítima da doença de Alzheimer e só lhe resta a escrita para não esquecer, para não perder a identidade.
Não deixa de interpelar. É um aviso para começar a registar tudo? É o medo de perder a memória? Já o fazemos com a fotografia digital, com o facebook ou outra rede social que acumula de forma fragmentada momentos vividos com os amigos (para os amigos do Gosto?) e com a família, com as agendas que corta a vida em pedacinhos e com tudo o que nos incita, consciente ou inconscientemente, a fixar momentos.

15.2.17

Um homem chamado Ove

Já aqui dissemos algures que, para nós, os Óscares enquanto referencial de qualidade cinematográfica acabaram em 1994 quando vimos o tolo do Forrest Gump levar a melhor sobre Pulp Fiction. Foi simplesmente demasiado para o que o nosso estômago sensível podia aguentar e desde então, salvo em raríssimas exceções, passamos a enquadrar a cerimónia da carpete vermelha na tabela dos eventos giros! 

Mas houve uma categoria de prémios que conservou intacto um módico de credibilidade que se mantém até hoje e que nos faz ficar atentos quando os nomeados são anunciados. Falamos do prémio para melhor filme estrangeiro, cujo palmarés tem sido normalmente garante de tão bom cinema como o é a seleção de Cannes, de Berlim ou de Veneza.

Este ano, dos filmes nomeados, já conseguimos ver três, todos europeus, e nenhum deles desiludiu.

PSI20

Antes que perguntem pela Sonae Indústria, o que temos a dizer está essencialmente aqui, ainda que acrescentássemos apenas o seguinte:

14.2.17

Ibersol

O PSI20 parece uma panelita de pressão, o sacana, tão controladinho entre a vontade esgazeante de expandir e associar-se à alegria do dinheiro fácil, que está a marcar o compasso nas bolsas mundiais, e a falta de calor e de volume de gás que o vai mantendo a marinar, confinado dentro de um recipiente cada vez mais estreito. Nos próximos dias, estamos em crer, isto ou vai ou rebenta!

Por ora, e para aqueles que acham que isto da bolsa é uma tanga desgraçada, e que o país está tão azeitado que mais nada vale a pena a não ser deitarmo-nos a dormir, apresentamo-vos a Ibersol, que subiu, desde há 1 ano, 128%.

12.2.17

O Artista pára para pensar...

Ao visitar o ateliê de qualquer artista, irá seguramente encontrar um objeto que lhe chama atenção. Pode estar no meio do espaço-ateliê, arrumado a um canto, junto à janela ou rodeado por frascos de aguarrás. Mas há um particularmente que destaco: a velha cadeira, quase sempre coçada e coberta por uma camada de pó. A cadeira do artista desempenha um papel importante no processo criativo. Quando se senta nela muda de personalidade. Deixa de ser criador e torna-se critico. O seu olhar (ultracritico) mergulha na obra à procura de erros técnicos, outros vocabulários e hipocrisia.


Por vezes, tendo identificado um problema, levanta-se repentinamente e faz uma pequena correcção. Aquele gesto com o pincel, espátula ou mão na superfície da tela faz toda a diferença.
Afinal, tem dias que passa mais tempo a pensar do que a produzir. Pára para pensar e pondera sobre a vida e a criatividade, o que pintar/criar amanhã. Exactamente o que vou fazer agora...

"Eu confesso", de Jaume Cabré: uma obra-prima. (primeira parte)

Ao ver o noticiário, há um leitmotiv que faz vender, que agarra a atenção de quem está sempre a ver e a ouvir tudo, é o leitmotiv da corrupção, do terrorismo, da subida do populismo, do sofrimento, ou seja, do Mal e..., sem forma de lhe escapar, do Amor (um piscar de olhos para o São Valentim que se aproxima...). O problema é que as várias facetas do Mal são apresentadas como se fossem uma crise; fala-se da crise dos refugiados, da crise do Médio Oriente, da crise do Brasil, da nossa crise económica (com todas as outras aí incluídas), da crise do amor. Ora a crise normalmente é conjuntura, momento passageiro; por isso é outra coisa. Transição também não é.

Para entender melhor, a literatura revela-se uma ajuda preciosa. A obra Eu confesso, de Jaume Cabré, procura explicar, através da ficção, a genealogia do Mal, nomeadamente a construção da identidade europeia, e mais particularmente a cultura judaico-cristã, recorrendo a figuras reais e acontecimentos históricos. Uma verdadeira obra-prima.

Vale uma aposta?...

A mui apregoada e suposta bondade dos portugueses acaba na fila para a compra da raspadinha.

11.2.17

Pharol

Ficou tudo varado com a subida entusiasmante da Pharol esta semana e o caso não é para menos, se pensarmos no que 73% de ganho semanal fariam pela nossa felicidade. Foi um feito épico, mas ainda fica melhor se contabilizarmos a epopeia desde o início do ano, como muito bem fez o Jornal de Negócios.

Como causas para tamanha remontada há quem aponte o amenizar do cenário de falência da Oi, o aumento do número de clientes da Oi no Brasil ou a entrada de fundos de investimento no capital da empresa brasileira e da portuguesa.

A nossa leitura, contudo, é um pouco diferente (ainda que tudo esteja ligado) e tem que ver com um desfasamento entre a cotação da Oi e a cotação da Pharol (que já aconteceu outras vezes).

Passamos a explicar:

9.2.17

Mr. Trump,

... o mais Schwarzeneggerianamente possível e como diriam os Umbilical Brothers: GED OWT!

5.2.17

Os CTT e a Mota Engil

Como prometido - promessa feita, é promessa honrada! - na análise, desta tarde, à semana do índice cá estamos nós para fazer um ponto de situação na Mota Engil e nos, para lá de acossados, correios, vulgo CTT.

Na Mota Engil tem-se assistido no decorrer do último ano a um intervalo de negociação com pouca oscilação tendo em conta aquilo a que foi habituando os seus traders ao longo dos anos e isso retira aquela pontinha de adrenalina - a quem estava para aí virado - que se manifesta na perda de volume ao longo dos tempos! Para além dessa lateralização, também se conclui, olhando para o gráfico, que a mesma vai perdendo amplitude e a cotação vai convergindo! 

  
Dentro dessa realidade o que esperar no curto prazo?

BCP

As 1300 milhões de vitaminas que os acionistas benévolos enjorcaram no BCP já estão a fazer maravilhas no PSI20 que, como bem diz o João no seu post, teve uma galgada capaz de colocar na dúvida o mais contumaz defensor da eutanásia! 

O que é que isto nos ensina? 

Que devemos acreditar até ao último suspiro (e mais além) porque nunca se sabe que pílulas sintéticas existirão por aí à espera de serem inventadas (não sei se o CDS já se lembrou desta tão ajuizada linha de argumentação)! 

Siga! 

Já nem é chato, é mesmo marado!

Bem, a semana que ora passou não podia ser mais concertante com o texto do passado domingo que podem relembrar aqui. Se o marado do índice deu um coice no meu agrado para com a sessão anterior ao aludido - nada de novo no estapafúrdio! - então também é verdade que a malta da casa não se fez rogada e veio colocar frieza, de pronto e aqui, ao soar das sirenes e fazer a atualização que se impunha! Well done, team! 

Posto isto, conforme combinado, a quebra do mínimo relativo no PSI20 fez despoletar vendas em décalage e condicionou os mais risonhos dos planos para a generalidade das cotadas! A Nos que parecia reagir (parecia!) também se arrependeu - evidentemente, tal o cenário - mas lá se aguentou firme sem quebrar em baixa os 5,15€ e mantemos a análise sem tirar nem pôr! A Pharol, que fez realmente um bonito, é aquela que talvez (com bastante dose de certeza) mais ligue cheta ao índice e cumpriu religiosamente, e a bem, o acordo - quebra ali e vai para ali - dito e feito! Agradecidos!

E onde entra a concertação falada do início do texto?

Arquivo morto

      Assim mesmo, com grão. Quero-as assim, imperfeitas, tal como as vi na luz difusa. Estas imagens empoeiradas, a definição mesma de arquivo morto, apresentaram-se-me, epifania sintomática. 
      A somar a tudo o que nos sobra e de nós sobra, todos aqueles resumos redigidos a pulso por centenas de nós, toda a cinza do trabalho feito, a inexorabilidade do tempo, como serpente constrictora, me transportaram, teleportando-me. Exactamente como nos sonhos, acima do solo, em suspensão tal como, nesta música, esta figura é transportada. [Ao minuto e onze (1'11"), a parte deleitosa da música diz-me, irónica: "É a vida, é a vida... ".]

4.2.17

Três músicas e uma sugestão

Enquanto aguardamos pela luta entre ões de mais logo na toca dos animais mitológicos, valerá a pena não perder o arranque do torneio das seis nações, que conta daqui a pouco (às 16:50) com um sempre gratificante Inglaterra - França.

Por outro lado, para mantermos o sangue frio e não embandeirarmos em arco, é sempre bom ouvir música com o selo de garantia N€B. Neste caso concreto, ficam três sugestões tão diferentes no tom, mas tão iguais no amor pela arte de fazer as coisas bem feitas:




3.2.17

Ensinados a apreciar arte moderna?

A exposição José de Almada Negreiros: Uma maneira de ser moderno é hoje inaugurada na Gulbenkian até 5 de junho e podemos prever que será mais um caso de sucesso, à semelhança de outras exposições de arte moderna e contemporânea, que conseguiram arrastar “multidões” (estamos a falar de arte) até aos museus, como Joana de Vasconcelos, Paula Rego ou Amadeo de Souza-Cardoso, para falar apenas de artistas portugueses. Muitas exposições são prolongadas; é o caso da exposição do artista catalão Joan Miró: Materialidade e Metamorfose, atualmente no Museu de Arte Contemporânea de Serralves, que foi prolongada até junho (de crer que a fama do pintor não é o único argumento), o que confirma um público recetivo a uma arte que não é procurada por ser bonita ou por estar na moda.

É sinal que fomos ensinados a gostar de arte moderna e contemporânea ou que gostamos mesmo dessa arte ou de arte, simplesmente?

2.2.17

Queda livre (e descompassada) na arte de desconversar

*
- Tens queda para isto. – Disseram-me, numa voz por entre a música.
Sorri das ironias da vida:
    - Tenho várias quedas no currículo. De algumas não (me) saí tão bem… - mostrei a enorme cicatriz no tornozelo esquerdo. Parafraseando o saudoso António Feio, comprovei os factos com o “documento anexo”: no caso dele, era a enorme calva dos tratamentos; no meu, é a sinuosa costura.
     Sorriem-me, dando aos ombros, sem entender nada:
     - Não, queria dizer… que tens jeito para dançar e isso...
     - Sim, mas nem sempre saio incólume das minhas quedas.
     - Incó… quê?