O que ficará de nós quando a
memória nos falhar? (Se é que já não nos falha mais do que aquilo que queremos
admitir).
Ironias da vida, Adrià Ardèvol, narrador e personagem principal da
obra Eu confesso, de Jaume Cabré, tem
uma memória prodigiosa, mas é vítima da doença de Alzheimer e só lhe resta a
escrita para não esquecer, para não perder a identidade.
Não deixa de interpelar. É um
aviso para começar a registar tudo? É o medo de perder a memória? Já o fazemos
com a fotografia digital, com o facebook ou outra rede social que acumula de
forma fragmentada momentos vividos com os amigos (para os amigos do Gosto?) e
com a família, com as agendas que corta a vida em pedacinhos e com tudo o que
nos incita, consciente ou inconscientemente, a fixar momentos.
















